OS SEQUESTROS QUE ABALARAM A DITADURA MILITAR

Em 1 de abril de 1964 foi instaurada no Brasil uma ditadura militar que iria perdurar por mais de vinte anos. Durante este período, várias foram as fases e as faces do regime repressor. Recebidos por grandes manifestações favoráveis, com milhares de pessoas acorrendo às marchas de apoio, os militares iniciaram a caça às bruxas. Incitaram o incêndio ao prédio da sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), encerraram organizações sindicais e estudantis, caçaram políticos opositores, expurgaram as alas de esquerda de dentro das forças armadas, acabaram com o voto popular para presidente.
De 1964 a 1968 a luta dos estudantes passou a ser clandestina, ou seja, a UNE fora dissolvida, mas continuava a existir na ilegalidade, assim como vários partidos de esquerda. Havia uma esperança de que a situação política fosse revertida e os militares golpistas voltassem para a caserna. 1968 foi o ano de todos os protestos. Movida pelos movimentos internacionais daquele ano, a resistência à ditadura no Brasil promoveu passeatas e atos públicos de grande repercussão. A esperança apagou-se de vez, em 13 de dezembro de 1968, quando o Congresso foi fechado e o Ato Institucional Nº 5 foi promulgando, minando qualquer possibilidade de diálogo, numa ditadura que se tornou ainda mais repressiva e sanguinária.
As conseqüências do endurecimento do regime militar foram irreversíveis em alguns setores de oposição. Acossados, membros de esquerda, que viram os seus líderes presos e torturados, sem direito a hábeas corpus, passaram a conclamar o fim da contestação pacífica, mergulhando numa contundente resistência guerrilheira. Estava declarada a luta armada no Brasil.
A luta armada gerou os famosos guerrilheiros da esquerda radical. Consistiu em jovens idealistas, a maioria com menos de 25 anos de idade, a pegar em armas, a assaltar bancos e supermercados, obtendo através destas ações, fundos para manter os guerrilheiros, todos a viver na clandestinidade, impossibilitados de trabalhar ou de ter direitos cívicos. Ataques a quartéis militares para a obtenção de armas e munições também fizeram parte da luta armada. Mas os movimentos mais complexos desta luta foram os seqüestros a diplomatas de importantes governos que faziam a representação dos seus países no Brasil.
De 1969 a 1970, quatro grandes seqüestros abalaram a ditadura militar, causando-lhe constrangimento diplomático no cenário internacional e proporcionando uma grande derrota política. O primeiro, realizado em setembro de 1969, foi do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, e o de maior repercussão nacional e internacional. Vieram, em 1970, os seqüestros do cônsul japonês Nobuo Okushi, do embaixador alemão Ehrenfried Anton Theodor Ludwig Von Holleben e, do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher. Realizados para chamar a atenção internacional do que acontecia no Brasil, os seqüestros aos diplomatas serviram para a troca dos líderes políticos que estavam presos nos calabouços a sofrer torturas, tendo muitos deles perecido, não resistindo às atrocidades. A logística dos seqüestros mostrou a habilidade ofensiva dos grupos armados, mas foi o golpe de misericórdia sobre as suas cabeças, forçando o regime militar a intensificar a perseguição e repressão aos que se opunham à ditadura, agindo de forma violenta, matando, torturando e aniquilando de vez qualquer resistência. Os seqüestro representaram o auge da resistência armada e, também, o seu fim definitivo.

Organização do Primeiro Seqüestro

Em 1969 veio a resposta definitiva do AI-5 sobre os líderes da resistência ao regime militar. Muitos foram presos e torturados. A Operação Bandeirantes (Oban), deflagrada por todos os órgãos repressivos das polícias e das forças armadas, prendia, torturava e desaparecia com aqueles que consideravam subversivos ao regime. Os militares, cada vez mais à vontade no poder, estavam longe de qualquer redenção ou volta à caserna. Esta posição ficou clara quando o então presidente, marechal Artur da Costa e Silva, foi afastado da presidência em 31 de agosto, em conseqüência de uma isquemia que o levaria à morte alguns meses depois. O então vice-presidente, Pedro Aleixo, um civil, foi impedido de assumir a presidência e submetido à prisão domiciliar. Uma junta militar assumiu o poder, até que se elegesse de forma indireta, outro presidente militar.
Foi no cenário desta confusão política que se planejou e executou uma das maiores ações da história recente do Brasil, o seqüestro ao embaixador norte-americano Charles Elbrick. A ação foi desencadeada para acontecer em setembro, durante as comemorações da Semana da Pátria, considerada um ícone do regime autoritário.
Antes de surgir a idéia do seqüestro, Stuart Angel Jones e Cláudio Torres, membros da organização de esquerda Dissidência da Guanabara, nascida das divergências dentro do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que se opunha à luta armada; e Paulo de Tarso Venceslau, da Ação Libertadora Nacional (ALN), a maior organização guerrilheira da época, debateram um plano para libertar os líderes estudantis Vladimir Palmeira, Luís Travassos e José Dirceu, presos desde o fatídico congresso da UNE em Ibiúna, sem direito a hábeas corpus. A ação consistiria em fazer um resgate, promovendo um assalto aos jipes em que os prisioneiros eram conduzidos do Forte de Itaipu, na Praia Grande, litoral paulista, para interrogatórios e audiências na Auditoria Militar da Avenida Brigadeiro Luís Antonio, em São Paulo. O resgate sucederia no primeiro semestre de 1969, acontecendo na subida da Serra do Mar ou na porta da Auditoria. Foi no decurso do plano, que poderia originar uma tragédia, que surgiu a idéia do seqüestro ao embaixador dos Estados Unidos.
O estudante Franklin Martins, da Dissidência da Guanabara, teve a idéia ao passar pela Rua Marques, no bairro do Botafogo, Rio de Janeiro. O estudante observou que todos as manhãs, Charles Elbrick, embaixador norte-americano, fazia aquele trajeto. Diante das evidências, Franklin Martins levou o seu plano aos dirigentes da Dissidência da Guanabara.
A idéia do seqüestro parecia audaciosa e de grande porte para que fosse realizada somente pelos militantes daquela organização. Assim, Cid Benjamin foi enviado a São Paulo, para expor o plano a Joaquim Câmara Ferreira, dirigente da ALN. Joaquim Câmara Ferreira, um dos homens mais procurados pela ditadura militar, levou consigo os companheiros Virgilio Gomes da Silva e Carlos Eduardo Fleury. A aceitação do plano foi imediata. O líder da ALN concordou que a sua organização entraria na audaciosa ação, e que ela serviria como marco de propaganda na Semana da Pátria, para que se consolidasse uma guerrilha de campo.
Unidos em um dos planos mais audaciosos da história da esquerda revolucionária no Brasil, ALN e Dissidência da Guanabara seguiram juntas no empreendimento. Joaquim Câmara Ferreira assumiu o comando político, e coordenaria as negociações com o governo. Virgílio Gomes da Silva teria o comando militar da ação. Aproximadamente um mês depois da decisão do seqüestro, em Setembro, no auge das comemorações da Semana da Pátria, o plano foi posto em prática, abalando o Brasil e ao regime militar, resultando na libertação dos três líderes estudantis que nas confabulações anteriores, seriam resgatados, e de mais doze presos políticos.

O Seqüestro de Charles Elbrick

A operação de seqüestro ao embaixador Charles Elbrick foi desencadeada na manhã do dia 4 de setembro de 1969, numa quinta-feira. Ás nove horas da manhã, um grupo de pessoas tomou, discretamente lugares estratégicos do bairro do Botafogo, iniciando o aparato logístico e militar.
Coube ao guerrilheiro José Sebastião Rios de Moura, ficar de sentinela no Largo dos Leões, inicio da Rua São Clemente e esquina com a Rua Conde de Irajá, e avisar com um sinal – levantar um jornal, quando o Cadillac do embaixador viesse. Do outro lado do Largo, na esquina da Rua Marques com a Rua Humaitá, João Lopes Salgado e Vera Silvia Araújo Magalhães observavam José Sebastião, encostados em um Fusca vermelho grená. Outro Fusca azul fazia a retaguarda, estacionado na Rua Marques, trazendo Cid Benjamin ao volante e Franklin Martins no banco de passageiros. Nas calçadas da Rua Marques, quatro homens cobriam a ação, a pé, sendo dois do lado esquerdo, Cláudio Torres e Paulo de Tarso Venceslau; e dois do lado direito, Manoel Cyrillo de Oliveira Netto e Virgilio Gomes da Silva. Para fechar o esquema, Sérgio Rubens de Araújo Torres estacionou uma Kombi verde, na Rua Vitório Costa, a seis quadras do foco.
Em um sobrado da Rua Barão de Petrópolis, no numero 1026, no Bairro de Santa Tereza, que serviria como cativeiro do seqüestrado, esperavam Joaquim Câmara Ferreira e Fernando Gabeira.
A movimentação dos seqüestradores foi observada por uma moradora, mulher de um militar, que chamou a polícia. Os guardas vieram, mas não encontraram nada que confirmasse às suspeitas da moradora, visto que as placas dos Fuscas, apesar de frias, pertenciam a carros sem problemas de documentação. A polícia vai embora.
Excepcionalmente naquele dia, Elbrick estava atrasado. O seqüestro, planejado para suceder durante a manhã, só iria acontecer à tarde. Só às 14h30 é que o Cadillac 1968, que trazia o embaixador, despontou no local de rotina. Na Rua Marques, foi obrigado a parar pelo Fusca azul, que fingiu uma manobra. O Fusca vermelho, conduzido por Rios, impediu que a limusine saísse de ré. Os quatro companheiros que estavam na calçada tomaram o carro diplomático de assalto. Com um revólver 38 na mão, Paulo de Tarso mobilizou o motorista e o embaixador e, simultaneamente, arrancou os fios do rádio que fazia a comunicação com a segurança da embaixada. Cláudio Torres assumiu a direção do carro. No banco de trás, Virgílio Gomes da Silva e Manoel Cyrillo sentaram-se junto a Elbrick, cada qual de um respectivo lado. Consumado o seqüestro, os três carros avançaram seis quadras, onde estava a Kombi, que naquele momento, assumiu a ponta do comboio.
Os carros pararam, cinco minutos depois, na Rua Maria Eugênia, na esquina com a Rua Caio de Melo Franco. Assustado, pensando que seria morto, Elbrick tomou a arma de Virgílio Gomes da Silva, mas Manoel Cyrillo desferiu-lhe uma coronhada na cabeça, deixando-o aturdido. O embaixador foi transferido para a Kombi, sendo coberto por um tapete. A direção da Kombi passou para as mãos de Cláudio Torres, e Sérgio Rubens de Araújo deixou o grupo, indo embora a pé. A Kombi seguiu com o seqüestrado e os seqüestradores, remanejados em um Fusca bege que ali os aguardava. Para trás ficavam o Fusca azul e o Cadillac. No banco de trás do carro diplomático abandonado, ficaram o motorista de Elbrick, Custódio Abel da Silva, e um manifesto dos seqüestradores.
O manifesto, que exigia a libertação de quinze presos políticos em troca da vida de Charles Elbrick, e a sua publicação na imprensa, cobriria as páginas dos jornais do dia seguinte, 5 de setembro. Os nomes dos quinze presos seriam divulgados posteriormente, na manhã seguinte. O manifesto levava a assinatura da ALN e do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), nome que a Dissidência da Guanabara passou a assinar depois da ação de seqüestro do embaixador.

O Fim do Seqüestro

Cinco minutos antes das três horas daquela tarde, Charles Elbrick chegou ao cativeiro, um sobrado de Santa Tereza, sendo recebido por Joaquim Câmara Ferreira e Fernando Gabeira, que ali o esperavam, acompanhados do sindicalista nordestino Antônio de Freitas, o Baiano, que fugindo da repressão, era hóspede dos guerrilheiros, mas que não teve qualquer participação no seqüestro.
No sobrado, o embaixador teve conversas cordiais com os seus algozes, que com ele falaram sem usar máscaras. Do lado de fora, a quarenta metros, o sobrado passou a ser vigiado ainda naquela tarde de 4 de setembro, por uma Rural Willys do Centro de Informações da Marinha (Cenimar), que segundo relatos posteriores, desconfiavam ser aquele o cativeiro do embaixador, mas sem ter certeza.
A ação dos guerrilheiros surpreendeu o regime militar e todo o Brasil. Deixou o governo brasileiro em uma situação diplomática delicada com os Estados Unidos. Para que o seqüestro fosse solucionado, o governo militar foi obrigado a ceder a todas as exigências dos seqüestradores, evitando assim, que algo sucedesse ao embaixador, pondo em risco a sua vida. Uma grande operação ofensiva foi montada, envolvendo mais cinco mil homens das três forças armadas, quatro mil policiais civis e militares, quinhentos agentes dos serviços de informações e trezentas viaturas.
No dia 7 de setembro, no domingo à tarde, começou a operação de libertação do embaixador. Os seqüestradores começaram a abandonar o sobrado de Santa Tereza divididos em grupos. Os últimos que deixaram o cativeiro foram Joaquim Câmara Ferreira e Virgílio Gomes da Silva, levando com eles o embaixador Charles Elbrick . Virgílio e o seqüestrado seguiram para um Fusca branco, parado em frente ao sobrado, ao lado de outro Fusca bege, o mesmo utilizado no dia do seqüestro. Os agentes vigilantes do Cenimar, reconheceram, com surpresa, o embaixador, inconfundível nos seus quase dois metros de altura. Assim, os Fuscas bege e branco partiram, tendo no encalço a Rural Willys dos agentes do Cenimar. O terceiro Fusca, o vermelho, seguiu a Rural sem que os agentes se apercebessem.
Na Rua Estrela, a Rural dos agentes da repressão derrapou. Na Rua Aristides Lobo, o Fusca vermelho encostou junto à Rural. Manoel Cyrillo apontou uma metralhadora para os militares, que covardemente, fugiram assustados, virando na rua seguinte.
Despistados os agentes militares, Charles Elbrick é deixado no Largo da Segunda-Feira, levando de presente dos seqüestradores um livro de poemas de Ho Chi Min, escrito em inglês. Elbrick voltou para a sua casa de táxi. Nos primeiros depoimentos após a sua libertação, surpreendentemente foi simpático aos seqüestradores, descrevendo-os como jovens determinados, inteligentes e fanáticos. O embaixador morreria de pneumonia em seu país, em 1983.

Os Presos Políticos Trocados Pelo Embaixador

Em troca do embaixador, os quinze presos libertados foram: Onofre Pinto, fundador da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), que sofreria uma emboscada no Paraná, entrando para a lista dos desaparecidos da ditadura desde 1974; Luis Travassos, ex-presidente da UNE, morto em um acidente de automóvel em 1982, no Rio de Janeiro; Ricardo Zaratini, do movimento operário, irmão do ator Carlos Zara, envolvido em lideranças partidárias no Brasil pós-ditadura; Rolando Fratti, morto por um câncer em 1991; Vladimir Palmeira, líder estudantil que comandou a Passeata dos Cem Mil em 1968, futuro deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT); José Dirceu de Oliveira e Silva, líder estudantil, preso em Ibiúna, futuro ministro da Casa Civil do governo do presidente Lula; Gregório Bezerra, líder sindical, morto por um câncer em 1983; Ivens Marchetti, arquiteto que viveu na Suécia, militante da Dissidência de Niterói, morto por um câncer em 2002; João Leonardo da Silva Rocha, militante da ALN, morto pela ditadura no interior da Bahia, em 1974; Maria Augusta Carneiro, única mulher da lista, militante da Dissidência da Guanabara, a DI-GB, presa em Ibiúna, futura proprietária de uma escola para deficientes no Rio de Janeiro; Mário Roberto Zanconato, fundador da Corrente Revolucionária ligada a ALN, futuro médico da prefeitura de Diadema, em São Paulo; Ricardo Vilasboas Sá Rego, militante da DI-GB, futuro músico e compositor, que deixou a luta armada para viver na França; José Ibrahim, líder do movimento operário paulista, futuro secretário de relações internacionais da Força Sindical; Agnaldo Pacheco da Silva, militante da ALN; e, Flávio Tavares, jornalista, coordenador do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), colaborador do jornal “O Estado de S. Paulo”. Os quinze prisioneiros deixaram o país em um avião, o Hércules 56, que seguiu para o México, de onde seguiram cada um, para um destino no exílio. Muitos deles retornariam incógnitos para o Brasil, alguns anos depois, continuando a luta na clandestinidade.

Os Seqüestradores de Charles Elbrick

A aparente vitória dos seqüestradores durou pouco. A partir de então a ditadura iniciou uma forte guerra e perseguição aos guerrilheiros, matando e torturando as suas lideranças, decepando todas as organizações que promoveram a luta armada no país. Outra conseqüência foi a pena de morte, adotada através de um ato institucional militar, além da pena do banimento, aplicada a todos os presos que aceitavam ser trocados por embaixadores, fazendo deles pessoas sem pátria e sem nacionalidade. A pena do banimento só perdeu o efeito quando a Lei da Anistia foi promulgada, em 1979, trazendo os exilados de volta ao país.
Quanto aos seqüestradores de Charles Elbrick, muitos foram presos, alguns mortos e torturados pela ditadura. Foram eles:
Virgílio Gomes da Silva – Conhecido como Jonas, Borges e Breno, foi o comandante militar da ação do seqüestro, tendo 36 anos de idade na época. Fez treinamento militar em Cuba, em 1967. Militante da ALN, foi duramente perseguido pelo regime militar logo após o seu envolvimento no seqüestro do embaixador norte-americano. Caiu no dia 29 de setembro de 1969, pouco mais de vinte dias após o desfecho do seqüestro. Não resistiu às sessões de torturas sofridas nas dependências da Oban, morrendo um dia depois da prisão.
Manoel Cyrillo de Oliveira Netto – Com 23 anos na época, foi o segundo comandante militar do seqüestro, sendo um dos que renderam o embaixador. Era vice-comandante do grupo tático armado da ALN em São Paulo. Foi preso no dia 30 de setembro de 1969, permanecendo no cárcere por dez anos.
João Sebastião Rios de Moura – Tinha 22 anos, foi quem deu o sinal de alerta quando o carro do embaixador surgiu na rua do seqüestro. Exilou-se no Chile em 1970, seguindo para a França, de onde só retornou em 1980. Foi morto em Salvador, em 1983, já depois de anistiado, por dois homens que vestiam casacos e chapéus.
Vera Sílvia Araújo de Magalhães – Tinha 21 anos, seduziu o chefe de segurança da casa do embaixador, obtendo informações sobre o seu trajeto diário; deu cobertura na captura. Foi presa em 1970, sendo torturada. Foi trocada pelo embaixador alemão, outro seqüestrado pelos guerrilheiros, partindo para o exílio, só retornando ao Brasil após a Anistia. Morreu em dezembro de 2007.
Joaquim Câmara Ferreira – Tinha 56 anos, coordenando as negociações do seqüestro com o governo, ficando o tempo todo na casa, ao lado de Elbrick. Rompeu com o PCB, integrando o comando da ALN. Sucessor natural de Carlos Marighella, foi preso no dia 24 de outubro de 1970, sendo levado para um sítio na periferia de São Paulo, onde foi torturado até morrer horas depois.
Sérgio Rubens de Araújo – Tinha 21 anos. Foi quem dirigiu a Kombi verde que levou o embaixador para o cativeiro. Tornou-se uns dos diretores do jornal “Hora do Povo”, órgão oficial do desintegrado ideologicamente MR-8 pós-ditadura.
Cláudio Torres da Silva – Tinha 24 anos, dirigiu todos os carros em que o embaixador foi transportado. Foi preso no dia 9 de setembro, dois dias após o desfecho da ação, ficando na prisão até 1977. Sempre evitou falar no seqüestro, considerando o episódio uma página virada da sua vida.
Franklin de Souza Martins – Tinha 21 anos, considerado o autor da idéia do seqüestro, bloqueou o automóvel diplomático, além de dar cobertura contra o carro dos agentes do Cenimar. Deixou o Brasil dois meses depois do seqüestro, indo para Cuba, onde foi treinado em guerrilha. Voltou ao país em 1973. Após a queda da ditadura tornou-se um repórter conceituado, participando do governo do presidente Lula.
Cid de Queiroz Benjamin – Tinha 20 anos, foi quem negociou o seqüestro em São Paulo com os líderes da ALN. Dirigiu o Fusca azul que bloqueou a passagem do carro diplomático e o Fusca que perseguiu e intimidou os agentes do Cenimar. Foi preso em abril de 1970, sendo trocado dois meses depois pelo embaixador alemão. No pós-ditadura tornou-se militante do PT, sendo candidato a alguns cargos políticos.
João Lopes Salgado – Tinha 26 anos, sendo um dos que comandou a cobertura na operação que libertou o embaixador. Nunca foi preso, exilando-se no Chile em 1972, seguindo dali para o Panamá e para a França. Retornou após a Anistia, em 1980.
Fernando Gabeira – Tinha 28 anos, foi quem alugou a casa que serviu como cativeiro, levou mensagens do embaixador para a esposa e deixou em um supermercado, a lista com os quinze nomes dos presos políticos que deveriam ser trocados pelo embaixador. Foi atingindo por uma bala, sendo preso em janeiro de 1970. Foi trocado naquele mesmo ano pelo embaixador alemão. Retornou ao Brasil em 1979, iniciando uma promissora carreira de jornalista, escritor e político, sendo eleito para vários cargos.
Paulo de Tarso Venceslau – Tinha 25 anos, foi quem ao lado de Joaquim Câmara Ferreira, Virgílio Gomes da Silva e Cid Benjamin, preparou a ação em um apartamento em São Paulo. Foi quem rendeu o motorista do embaixador, e quem levou nomes de militantes de São Paulo para o Rio de Janeiro para que se compusesse a lista dos quinze prisioneiros. Foi preso no dia 1 de outubro de 1969, sendo torturado pela Oban. Ficou preso até 1974. No pós-ditadura, ocupou vários cargos políticos no Estado de São Paulo.

O Seqüestro de Nobuo Okushi

A Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), iniciou no começo de 1970, os treinamentos dos seus militantes para que pudessem atuar em uma guerrilha rural. Para os treinamentos, foi usada a área de Registro, em São Paulo. A operação foi abalada, quando no dia 27 de fevereiro daquele ano, um dos mais importantes militantes da VPR, Chizuo Ozava, conhecido como Mário Japa, que acabara de fazer o treinamento da guerrilha, sofreu um acidente de automóvel na Estrada das Lágrimas, em São João Clímaco, bairro paulistano. Ao ser socorrido pela polícia, foram encontradas no carro armas e documentos comprometedores, levando à prisão do acidentado.
A prisão de Mario Japa, que já tinha estado no campo de treino de Registro, deixou Carlos Lamarca e o comando da VPR apreensivos. Para que se preservasse o sigilo das operações de guerrilha, era necessário que Mario Japa fosse libertado imediatamente. A bem sucedida ação que envolvera o seqüestro do embaixador Charles Elbrick, desencadeada pela ALN e pelo MR-8, em setembro de 1969, foi a inspiração que os líderes da VPR encontraram para libertar Mario Japa, optando-se pelo seqüestro do cônsul japonês em São Paulo, Nobuo Okushi.
Para realizar a ação, a VPR viu-se obrigada a recorrer ao auxilio de outras organizações de esquerda. Assim, a VPR entrou em contacto com o Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT) e a Resistência Democrática (Rede). Juntas, as três organizações planejaram a ação.
O comando da ação foi assumido pelo integrante do comando nacional da VPR, Ladislas Dowbor , juntando-se a ele Eduardo Collen Leite, o Bacuri, organizador da Rede, que se tornaria notável por ter participado em dezenas de assaltos realizados pelos guerrilheiros; e, Devanir José de Carvalho, dirigente do MRT, conhecido como um dos cinco irmãos Metralha. Participaram ainda, como mentores de um plano feito às pressas, Liszt Benjamin Vieira, Mário de Freitas Gonçalves, Miguel Varoni, Alcery Maria Gomes Silva e Joelson Crispim, da VPR; Plínio Petersen Pereira e José Rodrigues Ângelo Junior, do MRT.
A ação aconteceu no dia 11 de março de 1970. No fim da tarde, após terminar o trabalho no consulado, Nobuo Okushi dirigia-se para a sua casa, na Rua do Piauí, em Higienópolis, bairro nobre de São Paulo. Às 18h20 o automóvel do cônsul japonês, um Oldsmobile, dirigido por Hideaki Doi, teve que parar bruscamente para que não batesse em um Fusca azul, que se interpôs à frente, na altura da Rua Bahia. Hideaki ainda reclamou da má condução do motorista do Fusca, sem se aperceber que ele empunhava uma metralhadora ao sair do carro.
Marco Antonio Lima Dourado foi o militante que empunhando a metralhadora, ameaçou Hideaki. Plínio Peterson Pereira auxiliou Liszt Benjamin Vieira a retirar o cônsul do carro diplomático, conduzindo-o para um Fusca vermelho, que se encontrava estacionado na Rua Alagoas. A segurança era feita pelos militantes Mário Freitas Gonçalves e Oswaldo Soares, que interrompiam o trânsito ao longo da Rua Bahia.
Nobuo Okushi foi posto no banco traseiro do fusca, tendo os olhos vendados por esparadrapo, sendo obrigado a pôr a cabeça sobre os joelhos de Liszt. Bacuri era o motorista do carro, que trazia Ladislas no banco de passageiro. O cônsul foi levado para a Avenida Ceci, 1216, no Bairro de Indianópolis. O cativeiro era um aparelho no qual habitava Bacuri e a sua companheira Denise Peres Crispim. Ali, Bacuri, Denise, Ladislas e Liszt vigiariam o cônsul até o dia da sua libertação.
No dia seguinte, 12 de março, os jornais publicavam o seqüestro e as exigências dos seqüestradores, que consistia na libertação de cinco presos políticos e a obtenção de asilo político no México. A imprensa estampava ainda, a fotografia do militante José Raimundo da Costa, apontando-o como um dos possíveis seqüestradores, fazendo com que ele fosse substituído na missão pelo militante da Rede, Fernando Kolleritz.
Os comunicados dos seqüestradores exigiam o fim das atividades de busca ao seqüestrado, ameaçando dinamitar o cativeiro com o cônsul dentro, e a suspensão da violência usada contra os presos políticos. Assinava aos comunicados o Comando Lucena da VPR, uma alusão a Antônio Raimundo de Lucena, militante morto a tiros por militares, em frente da mulher e dos filhos, em Atibaia, dias antes.
A lista com os nomes dos cinco presos políticos que deveriam ser libertados e exilados, foi divulgada no quarto comunicado, trazia o nome de Damaris Lucena, esposa de Antônio Lucena, e dos seus três filhos menores. Os outros quatro eram: Otávio Ângelo, dirigente da ALN; madre Maurina Borges da Silveira, religiosa torturada pelo delegado Fleury, presa por ter cedido uma sala para que os estudantes militantes da FALN de Ribeirão Preto fizessem uma reunião; Diógenes Carvalho de Oliveira, militante da VPR e, finalmente, Chizuo Ozava, o principal e verdadeiro motivo da operação.
Libertados e transportados com segurança para o México, os presos políticos deram uma nova derrota ao regime militar. No fim da tarde do domingo, 15 de março, Ladislas levou Nobuo Okushi do cativeiro para o banco traseiro do Fusca vermelho. Bacuri e Denise queimaram todos os documentos, abandonando o local que servira de cativeiro, por motivos de segurança. Os três rodaram de carro algum tempo, quando tiveram a certeza de que não estavam a ser seguidos, deixaram o cônsul na Rua Arujá. Foi através de um táxi que Nobuo Okushi retornou para casa. Durante o tempo do cativeiro, os seqüestradores falaram com ele em inglês, visto que chegara recentemente ao Brasil e quase nada percebia da língua portuguesa.
Ao fim do seqüestro, já resgatado o cônsul japonês, a ditadura militar tornar-se-ia implacável na caça aos seqüestradores. Dos quinze participantes do seqüestro, oito foram presos: Liszt Benjamin Vieira, Ladislas Dowbor, Marco Antonio Lima Dourado, Miguel Varoni, Oswaldo Soares, Mario de Freitas Gonçalves, José Rodrigues Ângelo Júnior e Fernando Kolleritz. Cinco morreram em combate: Devanir José de Carvalho, José Raimundo da Costa, Alcery Maria Gomes da Silva, Joelson Crispim e Eduardo Collen Leite. Denise Peres Crispim, da Rede, e Plínio Petersen Pereira, do MRT, nunca foram presos.

O Seqüestro do Embaixador da Alemanha

Se os dois primeiros seqüestros foram bem sucedidos, também a reação da ditadura militar não ficou atrás. A perseguição aos guerrilheiros tornou-se intensa, e as sessões de torturas e mortes atingiram uma sofisticação jamais vista na história do país. No dia 18 de abril de 1970, os órgãos de segurança efetuaram uma ação que levou à prisão de Maria do Carmo Brito, membro do comando nacional da VPR. A prisão levou à descoberta do seu aparelho na Avenida Visconde de Albuquerque, na Gávea, Rio de Janeiro. Nele foram encontrados documentos que mostravam um minucioso plano para o seqüestro do embaixador da Alemanha. Também faziam parte dos documentos as primeiras letras dos codinomes dos principais participantes da ação, sendo eles: Juarez Guimarães de Brito, Alex Polari de Alverga, Joaquim Pires Cerveira, Roberto das Chagas e Silva, José Ronaldo Tavares de Lira e Silva e a própria Maria do Carmo Brito. Dos seis nomes encontrados, três estavam presos, Maria do Carmo, José Ronaldo e Joaquim Pires Cerveira; e um tinha sido morto, Juarez Guimarães de Brito; apenas dois militantes ainda permaneciam soltos, sem serem identificados, Alex Polari e Roberto das Chagas.
Firme em prosseguir com as atividades de propaganda e ações da luta armada, o seqüestro a diplomatas fazia parte dos planos e levantamentos feitos pelas organizações de esquerda durante todo o ano de 1970. A VPR levantou a possibilidade de seqüestros aos embaixadores dos Estados Unidos, do Japão, da Suécia e, em conjunto com a Frente de Libertação Nacional (FLN), de Joaquim Pires Cerveira, do embaixador da Alemanha.
Mas o regime militar mantinha os seus órgãos de segurança em plena atividade, na intenção de evitar outros seqüestros que pudessem deixar a diplomacia do país em situações delicadas. Assim, ainda no primeiro semestre de 1970, as suas ações levaram à prisão de um grande número de militantes. Membros da VPR foram os que mais caíram ante a repressão, enchendo os cárceres das prisões. O seu grande líder, Carlos Lamarca foi acossado nas matas do Vale da Ribeira, podendo cair a qualquer momento.
Diante das prisões, torturas e mortes de militantes, era preciso que se desse um último fôlego, e que se fizesse grandes ações que chamassem a atenção do país e alcançassem repercussão ante a comunidade internacional. Foi criada a Unidade de Comando Juarez Guimarães de Brito (UC/JGB), homenagem ao militante morto em combate, retomando os planos dos seqüestros. O principal alvo era o embaixador dos Estados Unidos, mas que se tornou inviável, visto que a segurança dos norte-americanos tornou-se impenetrável após o seqüestro de Charles Elbrick, em 1969 e a uma fracassada tentativa ao cônsul dos Estados Unidos em Porto Alegre, em abril de 1970. A alternativa foi o cônsul da Suécia, mas a constante mudança de itinerário do seu veículo exigia uma grande logística militar na ação, tornando-a difícil de ser realizada. Ficou decidido que o seqüestro seria ao embaixador do Japão. A ação foi abortada no dia e no momento da sua execução, que foi surpreendida pela presença ocasional de um camburão policial. Por fim, decidiu-se pelo seqüestro do embaixador da Alemanha, Ehrenfried Anton Theodor Ludwig Von Holleben, de 61 anos.

Executado o Seqüestro de Von Holleben

A direção do planejamento do seqüestro de Von Holleben ficou, inicialmente, com Alex Polari de Alverga, com a colaboração de Lúcia Mauricio de Alverga, Júlio César Câmara Covello Neto e Vera Lúcia Thimóteo. Para a execução da ação, foram utilizados quatro carros roubados, dois Fuscas vermelho e grená, uma Rural Willys e um Opala azul. Como cativeiro, foi alugada uma casa na Rua Juvêncio de Menezes, número 535, em Cordovil. Os militantes Gerson Theodoro de Oliveira e Tereza Ângelo, disfarçados como um casal, foram quem alugaram a casa.
Desta vez as cadeias estavam cheias de militantes presos, muitos sucumbindo à tortura. Era preciso que se elaborasse uma lista extensa e de grande representatividade. Aquele seqüestro representaria a salvação de muitos companheiros, condenados às atrocidades letais do cárcere. No início de junho, aconteceu uma reunião em São Paulo, entre as principais lideranças das organizações que promoviam a luta armada no Brasil. Dela fizeram parte Carlos Lamarca, Joaquim Câmara Ferreira da ALN, e Devanir José de Carvalho, do MRT. Entre as decisões acertadas, ficou estabelecida a lista de quarenta prisioneiros que seriam trocados pelo embaixador. Seria a lista mais longa até então. Os seqüestradores receberam como reforço, mais dois militantes da ALN, José Milton Barbosa e Eduardo Collen Leite, o Bacuri, que ficou designado para comandar a ação.
No dia 11 de junho de 1970, no arroubo da Copa do Mundo de Futebol, realizada no México, e que faria o Brasil tricampeão mundial, deflagrou-se a ação de seqüestro ao embaixador alemão. Às 19h40 Von Holleben deixou a embaixada, que ficava no bairro das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, rumo à sua residência, em Santa Tereza. O embaixador seguia em uma Mercedes preta, conduzida pelo motorista Marinho Huttl, tendo ainda, a segurança de um agente da polícia federal, Irlando de Souza Régis, que sentava no banco do passageiro, portando uma arma. A Mercedes era seguida por uma Variant, que trazia dois agentes da polícia federal, Luiz Antonio Sampaio, e José Banharo da Silva, que complementavam a segurança do embaixador.
Às 19h55, foi executada a ação de seqüestro no Bairro de Santa Tereza, na confluência da Rua Cândido Mendes com a Ladeira do Fialho, próximo à casa do embaixador. Nesta altura, José Maurício Gradel avançou a Rural Willys impetuosamente contra a Mercedes diplomática. Simultaneamente, Sonia Eliane Lafoz e José Milton Barbosa, que se faziam passar por um casal de namorados, dispararam rajadas de metralhadora contra a Variant da segurança, ferindo os agentes Luiz Antonio, no abdômen, e, Banharo, na cabeça. O agente que fazia a segurança dentro do carro diplomático, Irlando de Souza Régis, ainda tentou sacar de uma arma, mas foi abatido por três tiros a queima-roupa, desferidos por Bacuri, sendo que o que lhe atingiu a cabeça foi fatal.
O embaixador alemão foi tirado do carro diplomático por Herbert Eustáquio de Carvalho, que empunhando uma pistola 45, obrigou-o a entrar no Opala azul, dirigido por José Roberto Gonçalves de Rezende. Três carros seguiram em fila indiana, levando no meio, no Opala azul, o embaixador alemão. O seqüestro estava consumado, em menos de quatro minutos, sendo o mais violento dos três, deixando, pela primeira vez, um morto e dois feridos.
Após o encarceramento do embaixador, Bacuri datilografou um comunicado, fazendo diversas exigências às autoridades do governo. Exigia que o comunicado fosse lido na Rádio Nacional, e que ali, fosse divulgada a lista com os quarenta nomes de presos que deveriam ser libertados. Na lista contavam vinte militantes da VPR: Almir Dutton Ferreira, Altair Luchesi Campos, Carlos Minc Baumfeld, Darcy Rodrigues, Dulce de Souza Maia, Edmauro Gopfert, Eudaldo Gomes da Silva, Flávio Roberto de Souza, Ieda dos Reis Chaves, José Araújo de Nóbrega, José Lavecchia, José Ronaldo Tavares de Lira e Silva, Ladislas Dowbor, Liszt Benjamin Vieira, Maria do Carmo Brito, Melcides Porcino da Costa, Oswaldo Antonio dos Santos, Oswaldo Soares, Pedro Lobo de Oliveira e Tercina Dias de Oliveira; os outros vinte faziam parte de várias organizações, sendo eles: Aderval Alves Coqueiro, Ângelo Pezzutti da Silva, Apolônio de Carvalho, Carlos Eduardo Fayal de Lira, Carlos Eduardo Pires Fleury, Cid de Queiroz Benjamin, Daniel Aarão Reis, Domingos Fernandes, Fausto Machado Freire, Fernando Paulo Nagle Gabeira, Jeová Assis Gomes, Joaquim Pires Cerveira, Jorge Raimundo Nahas, Marco Antonio Azevedo Meyer, Maria José Carvalho Nahas, Maurício Vieira Paiva, Murilo Pinto da Silva, Ronaldo Dutra Machado, Tânia Rodrigues Fernandes e Vera Sílvia Araújo Magalhães. Curiosamente, foi a primeira lista que constava o nome de militantes que participaram dos seqüestros anteriores de Charles Elbrick e Nobuo Okushi. Os presos foram banidos do país, enviados em um avião da Varig para o exílio na Argélia.
O seqüestro de Von Holleben durou cinco dias. Conta-se que o embaixador foi recebido gentilmente pelo militante Alfredo Sirkis, com chá e salgadinhos, que conversava com ele em inglês, explicando-lhe o lado romântico e ideológico do seqüestro, só não lhe revelando a morte do segurança nas costas. Sirkis conta que, Bacuri entrou uma vez no quarto sem capuz, sendo repreendido por um irritado Von Holleben, que protestou: “Nada de rostos, por favor!”. Esta exigência pouparia o embaixador da ingrata tarefa de fazer reconhecimentos mais tarde. Conta ainda que, na despedida, o embaixador teria observado: “Pensei que vocês fossem mais organizados!”. Von Holleben foi libertado já altas horas da noite do dia 16 de junho, sendo deixado na Tijuca, às 23h00. Levava no bolso do casaco um documento relatando torturas, que se dispusera com prazer, a divulgar na Europa. O embaixador nada falou no depoimento que deu à policia sobre as conversas com Sirkis, evitando que fosse identificado, muito menos do documento que trouxera consigo. Holleben, paradoxalmente, tornou-se um simpatizante da causa dos guerrilheiros.

O Seqüestro de Giovanni Enrico Burcher

O ano de 1970 foi um dos mais sangrentos vividos pela militância que se opunha à ditadura militar. Apesar do sucesso que foram as operações que envolveram os seqüestros de três diplomatas, dando visibilidade internacional à situação política do país, os órgãos de repressão do governo estavam cada vez mais sofisticados e eficazes. No fim daquele ano, mais de quinhentos presos políticos abarrotavam as masmorras da ditadura.
Apesar das baixas sofridas, das prisões, torturas e perseguições, as organizações que promoviam a luta armada, chegaram aos últimos meses de 1970 com uma euforia latente, movida mais pela força ideológica do que por uma política visionária. Cinco organizações faziam uma frente acirrada contra a ditadura militar, valendo-se da fúria da luta armada para que vingasse os planos revolucionários de esquerda. Eram elas a Ação Libertadora Nacional (ALN), a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), o Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e o Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT). Estas organizações seriam praticamente eliminadas, de forma violenta e brutal, pela repressão da ditadura, não sobrevivendo muito mais tempo. Mesmo assim, chegaram ao fim de 1970 com a euforia de praticar grandes ações na semana que se iria completar um ano do assassínio de Carlos Marighella, principal liderança da luta armada, acontecido em 4 de novembro de 1969. O nome de Marighella servia de incentivo aos incansáveis guerrilheiros. No meio das ações que conclamariam as homenagens a Marighella, estava nos planos da VPR o seqüestro do embaixador da Suíça, Giovanni Enrico Bucher.
Mortes de lideranças continuavam a acontecer. Em 23 de outubro, caía o maior líder da ALN, Joaquim Câmara Ferreira. Prisões sucessivas atingiram o PCBR e vários líderes das outras organizações, acossando a resistência da frente armada. Pelo menos três seqüestros seriam necessários para que se pudesse libertar cerca de duzentos presos.
O embaixador suíço, Giovanni Enrico Bucher era conhecido no meio diplomático por seu bom humor, pelo hábito singular de preparar cigarros com sofisticadas misturas de fumos ingleses. Seguia pontualmente, todos os dias, para a embaixada, sem carros de segurança, desprezando as recomendações da polícia federal. Sua rotina seria mudada drasticamente pela guerrilha armada.
No dia 7 de dezembro de 1970, sob o comando do militante da VPR Gerson Theodoro de Oliveira, foi desencadeado o seqüestro ao embaixador. Bucher dirigia-se para a embaixada em um Buick azul, conduzido pelo motorista Hercílio Geraldo e escoltado pelo agente da polícia federal, Hélio Carvalho de Araújo.
O carro diplomático foi interceptado pelos seqüestradores, entre eles o mítico Carlos Lamarca, que trazia cavanhaque para disfarçar o rosto. Lamarca bateu no vidro da janela do agente de segurança, abrindo a porta e desferindo-lhe dois tiros, tendo um deles atingindo a medula do agente, que morreria no hospital Miguel Couto, três dias depois. O motorista Hercílio Geraldo foi rendido, sendo obrigado a deitar-se na calçada. O embaixador foi retirado do Buick, e levado para o Fusca azul. Bucher foi disfarçado com um macacão operário e boné na cabeça. A ação durou pouco mais de 30 segundos, e mais uma vez, deixou um morto.
O embaixador suíço, então com 56 anos, foi levado para uma casa da Rua Paracatu, em Rocha Miranda. As negociações foram as mais longas de todos os seqüestros e envolveram a libertação de setenta presos políticos. Neste período, os militantes promoveram uma política de boa vizinhança, chegando a dar uma festa ao som de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, na passagem do ano de 1970 para 1971, com o seqüestrado preso em um pequeno quarto dos fundos.
Nos quarenta dias que decorreram entre o seqüestro e a libertação, Burcher jogou cartas com os seqüestradores, teve direito a banho de sol no quintal. No inicio foi recebido de capuz pelos carcereiros, uma semana depois, os cinco militantes que o mantinham no cativeiro apresentaram-se de rostos descobertos. Burcher não quis reconhecer os algozes mais tarde diante da polícia, dizendo que eles tinham ficado o tempo todo de capuzes.
O longo período de negociações entre os seqüestradores e o governo, gerou uma certa tensão, em que se foi discutido inclusive a morte do embaixador, caso não se chegasse a um consenso. A morte de Bucher chegou a ser votada pelos militantes, que recuaram dias antes do natal. Só no dia 13 de janeiro de 1971, após várias negociações dos nomes dos prisioneiros que deveriam ser libertados, setenta presos foram escoltados por agentes federais, sendo embarcados em um Boeing da Varig, rumo ao exílio em Santiago do Chile.
Os setenta presos políticos banidos para o Chile foram: Afonso Celso Lana Leite, Afonso Junqueira de Alvarenga, Aluísio Ferreira Palmar, Antonio Expedito Carvalho Pereira, Antonio Rogério Garcia da Silveira, Antonio Ubaldino Pereira, Aristenes Nogueira de Almeida, Armando Augusto Vargas Dias, Bruno Dauster Magalhães e Silva, Bruno Piola, Carlos Bernardo Vainer, Carmela Pezzuti, Christóvão da Silva Ribeiro, Conceição Imaculada de Oliveira, Daniel José de Carvalho, Derci Fensterseifer, Derly José de Carvalho, Edmur Péricles Camargo, Elinor Mendes Brito, Encarnación Lopes Peres, Francisco Roberval Mendes, Geny Cecília Piola (casada com Bruno, levou suas três filhas menores, Tatiana, Kátia e Bruna), Gustavo Buarque Schiller, Humberto Trigueiros Lima, Irani Campos, Ismael Antônio de Souza, Jaime Walwitz Cardoso, Jairo José de Carvalho, Jean Marc Friedrich Charles Van der Weid, João Batista Rita, João Carlos Bona Garcia, Joel José de Carvalho, José Duarte dos Santos, Jovelina Tonello do Nascimento, Julio Antonio Bittencourt de Almeida, Lúcio Flávio Uchoa Regueira, Luiz Alberto Leite Sanz, Manoel Dias do Nascimento, Mara Curtiss de Alvarenga, Marco Antonio Maranhão da Costa, Maria Auxiliadora Lara Barcelos, Maria Nazareth Cunha da Rocha, Nancy Mangabeira Unger, Nelson Chaves dos Santos, Otacílio Pereira da Silva, Paulo Roberto Alves, Paulo Roberto Telles Franck, Pedro Alves Filho, Pedro Chaves dos Santos, Pedro Viegas, Pedro Paulo Bretãs, Rafael de Falco Neto, Reinaldo Guarany Simões, Reinaldo José de Melo, René Louis Laugery de Carvalho, Roberto Antônio de Fortini, Roberto Cardoso Ferraz do Amaral, Roque Aparecido da Silva, Samuel Aarão Reis, Sonia Regina Yessin Ramos, Takao Amano, Tito de Alencar Lima, Ubiratan de Souza, Ubiratan Vatutin Herzcher Borges, Valneri Neves Antunes, Vera Maria Rocha Pereira, Wânio José de Matos, Washington Alves da Silva, Wellington Moreira Diniz e Wilson Nascimento Barbosa.Na manhã do dia 16 de janeiro de 1971, Bucher foi deixado próximo ao penhasco da igreja da Penha. Encerrava-se o ciclo de seqüestros a diplomatas realizados pelas organizações da esquerda durante o período da ditadura. Encerrava-se um conturbado e complexo momento da história do Brasil. Os seqüestros permitiram a libertação de cerca de 130 importantes presos políticos, que viviam sob tortura e risco de vida diante de um governo repressivo e ilegítimo, instaurado sob tanques de guerra e canhões, em 1964.

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48 respostas para OS SEQUESTROS QUE ABALARAM A DITADURA MILITAR

  1. Alcione Le Fosse Aranha disse:

    Curioso que quem se intitula guerrilheiro, que faz guerrilha, chama o governo de assassino, quando este mata aquele. Porém, quando o guerrilheiro mata, daí, somente “abateu o segurança a tiros”, como se a sua posição de guerrilheiro fosse justificativa para o crime.
    Guerra é guerra. Se alguém pega em armas contra um governo, qualquer que seja, é obrigação desse governo, defender o poder constituido e o sistema.
    Isso só não acontece com governo de bandidos, como o que conseguiu tomar o poder no país, a custa de ludibriar o povo ignorante e comprá-lo com bolsa família.
    Pena que o trabalhador honesto que contribui por 35 anos com o INSS, tenha uma aposentadoria limitada ao teto de cerca de R$ 3.248,00 e o bandido guerrilheiro, que não fez nada na vida, receba uma pensão no valor de R$ 5.180,49, fora o valor retroativo recebido quando da concessão.
    Pena mesmo, é que não foram todos mortos, para que não mais lesassem o Brasil.

    • Ricardo Hornos disse:

      Concordo em quase tudo.

      Ricardo Hornos

      PS. Como vai você,a Cris e o filho?
      Gostaria de falar com você e perdi totalmente o
      contato contigo. Tenho alguns documentos seus
      do (Carnê do INSS pago)que talvez possa ser útil prá você.
      Se interessar me retorne.

      Abraço.

      Ricardo Hornos

    • Sergio disse:

      Vejamos as correções: primeiro aquilo não era governo,eram golpistas; também não se tratava de uma guerra,pois forças sinistras no poder deveriam ser removidas, pois não eram unanimidade para a sociedade, tanto é que voltaram para o lugar que nunca deveriam ter saido e a varios governos ocupamos o lugar que queriamos, o poder.

      • Alcione Le Fosse Aranha disse:

        É, a bandidagem sempre quis o poder, mesmo, e finalmente conseguiu.
        Está toda instalada no planalto central, locupletando-se com o dinheiro público, e impunemente.

    • Jorge disse:

      Essas pessoas estíúpidas, civis ou militares, que defendem a Ditadura Militar, têm que aprender que usurpar o poder de um governo democraticamente eleito, fechar o Congresso, abolir os partidos, censurar, assassinar e torturar, GERA uma reação, mesmo no mais pacato dos povos, que é o brasileiro. E o pior, foram joguete dos norte-americanso na época, como ” republiqueiros das bananas”….
      E sim, essas pessoas têm que aprender que nunca mais esta história pode se repetir, pois poderão atrasar, mas não deterão a verdadeira Democracia,
      e vão sempre entrar para a história como os verdadeiros bandidos, torturadores e terroristas.
      APRENDAM ISTO, ou vão continuar a vida toda reclamando das indenizações pgas a ex-guerrilheiros! E querem saber? Esta indenização não paga a vida das centenas de jovens idealistas assassinados e torturados pela Repressão Oficial, é apenas uma mensagem aos que teimam em achar que agiram certo, em nome da Liberdade (só se for a dos EUA).

      • Alcione Le Fosse Aranha disse:

        O que é democracia?
        Isso não existiu nem na Grécia antiga.
        Pois o povo, lá, nunca opinou.
        Eram só os ricos que não trabalhavam que ficavam nas praças a discutir política.
        Democracia é um termo usado para enganar o povo ignorante, para que dê apoio à chusma que assaltou o poder no Brasil atual.
        São todos avessos ao trabalho. O que fazem é mamar nos cofres públicos.
        Querem a lei para os outros, para eles só as exceções.
        Gerra é guerra, se quer lutar contra o governo, arque com as conseqüências. Vá trabalhar decentemente, depois, em vez de se aposentar às custas de trabalhadores.
        Mas, isso é bem a filosofia de quem se espelha no partido comunista soviético.
        A vagabundagem acima de tudo!

    • Marília Buys disse:

      ‎”Para milhões, até hoje, entre 1964 e 1985, estas décadas permaneceram apenas sob um formato diferente de governo[...]” – Bibiano Girard

      Quando li esta frase pela primeira vez, fiquei triste de perceber como as pessoas podem ser cegas. Mas achava, no início, que a culpa não era delas, e sim do sistema. Porém, após ler estas tuas palavras me dei conta de que algumas pessoas são cegas porque querem. Os fatos, relatos, testemunhos estão aí para todos que quiserem ler. Informar-se é bom e não dói, sabia?

      Usar o ‘trabalhador honesto’ como analogia à indenização dada aos guerrilheiros e famílias dos mesmos – que deixemos claro: pouquíssimos receberam – é algo que foge do contexto completamente. O ‘trabalhador honesto’ não teve sua família destruída e/ou não foi torturado e depois ‘curado’ para estar vivo nas torturas do dia seguinte, isso tudo pelo próprio governo, militares e policiais. Que o diga Inês Etienne Romeu.

      Ninguém que defende a política de esquerda da época, considera que matar alguém é correto. Porém enquanto pessoas como tu se alienavam satisfeitos com o ‘pão e circo’ do governo, eles lutavam para que hoje, comentários – como o teu, como o meu – pudessem ser publicados sem que alguém fosse preso por simplesmente não concordar com o governo.

      Se foi a forma mais correta de nos livrarem da censura, não se sabe. Porém foi a única que – pessoas desesperadas – encontraram no momento e que funcionasse.

      Antes de falares qualquer coisa, pensa um pouco. Porque muitas das coisas que tu tens e a forma que tu vives hoje devem-se à ‘liberdade’ pela qual eles tanto lutaram.

      • Alcione disse:

        Minha caríssima Marília,
        Pensei e penso muito sobre tudo isso.
        Sinceramente, não concordo que a liberdade que aparentemente temos agora deve-se àqueles que “lutaram”.
        No meu modo de ver, concluído depois de muita reflexão, é que eram terríveis oportunistas, somente.
        E penso que os que melhor fizeram pelo país, no contexto da época foram os militares. Apesar dos erros.
        De qualquer forma, a seriedade, honestidade e boa fé daquela “esquerda”, está aí demonstrada no PT, onde todos se alojaram para roubar a nação e tripudiar sobre os brasileiros.
        Hoje somos um país de “gênio sem ventura, amor sem brilho” e nenhum patriotismo, graças ao governo civil pós Gal. Figueiredo, e sua implementação da incultura.

    • Manuel disse:

      Pobre do pessoal que é a favor da ditadura… Pois durante esse regime houve muito mais pontos negativos que positivos ( que por acaso foram poucos)…
      1º- Houve muitas torturas, criação de instituições, e exílios; Proibição de reclamações e atitudes contra o regime;
      2º- A farça do milagre economico sustentava por investimentos externos; Que depois foi quebrada por causa da crise do petroleo;
      3º- aumento da dívida externa;
      4º- militares covardes que apos a crise do petroleo que afetou o Brasil, começaram uma abertura lenta e gradual, para não deixar rastros de seus crimes e para que nao acatassem com a crise;
      5º- Leis que beneficiavam os ditadores, como a lei da anistia que nao punia os crimes cometidos pelos ditadores;
      6º- etc….
      Ou seja, num adianta dizer que hoje há muita corrupção, há muita criminalidade, etc, pois atualmente os praticantes desses crimes a maioria das vezes são presos ( jose dirceu e genoino), ja os da epoca da ditadura nem se quer foram punidos por assassinatos e torturas cometidos durante esse regime. Por isso repessem em suas opiniões, pesquisem se informem sobre a farça da ditadura. Pois durante essa epoca houve muita criminalidade e corrupção do mesmo jeito que ha hoje. Porem os de atualmente sao punidos diferentemente dos ditadores, que são verdadeiros criminosos…

      • Alcione disse:

        Este é o meu último comentário, e por duas razões:
        1 – Sou mesmo totalmente favorável ao regime militar;
        Por mim os militares tomariam o poder novamente, fechariam o Congresso inútil e venal; fuzilariam esse bando de canalhas que mantém essa farsa de democracia, e fariam esse povo burro, pervertido e indolente, trabalhar e produzir sem abrir a boca.
        2 – Estou pouco me importando com a opinião de brasileiros.

      • mirian disse:

        que seja mesmo o seu ultimo comentário e que morra depois do comentArio estúpido.e,de preferencia que morra torturado[a]

      • Fernando disse:

        Quem deseja acabar com ideias e ideologias com assassinatos não pode ser uma pessoa normal. Mas, esta é a postura de quem defende a Ditadura Militar que desgraçou este país. O PT nunca foi esquerda, a que lutou verdadeiramente contra ela. São aliados de primeira ordem, mas do que isso OPORTUNISTAS!!!
        Precisamos de algo novo e realmente sério…

      • Alcione disse:

        Como você sonha, Fernando. Você certamente não viveu naquela época, e aprendeu bem o que ensinaram nas escolas no pós 1988.

        Confiar no PT, confiar num sacripanta como o Lula e nessa comparsa dele que não é presidente de direito porque foi eleita com voto comprado pelos N-bolsas criados para esse fim. Realmente você deve estar no país das maravilhas, junto com a Alice.

        Mas aqui é Brasil, o país da corrupção e dos canalhas que foram anistiados e que trouxeram de volta todo o seu retrógrado, corrupto, safado e falido sistema da URSS e Cuba, pessoal que não evoluiu, e que ainda vive aquela farsa soviética, pelos interesses pessoais.

        Um país com 33 ou 34 partidos políticos, não pode ser sério.

        Talvez eu não viva mais trinta anos, mas, gostaria de viver o resto da minha vida num regime militar que tivesse expurgado definitivamente esse lixo humano que infesta os escalões do governo. Sem anistias.

        E gostaria que os nossos militares re-lessem O Príncipe de Nicolò Machiavelli, para não se esquecerem do que fazer para manter o poder, e limpar o nosso país definitivamente.

    • Marília Buys disse:

      Eu nunca negaria que na esquerda houveram aproveitadores. Mas dizer que “os que melhor fizeram pelo país, no contexto da época foram os militares. Apesar dos erros.” é piada. Tu estás usando um artifício tipicamente de mídia para amenizar o que os militares fizeram. Eufemismo puro.

      “O Homem, que, nesta terra miserável mora entre feras, sente inevitável necessidade de também ser fera.” dizia Augusto do Anjos. E eu acredito muito nisso. Acho que boa parte dos líderes – independente pelo que eles lutam – se tornam ‘feras’ pelo poder. Por isso, usar o exemplo do PT de hoje, é besteira. Primeiro que muitos dos petistas de hoje, não eram os de ontem. MUITOS abandonaram o PT pelo que foi acontecendo.

      Acho engraçado tu associares alguém que é contra a ditadura ao PT. Não sou petista, não sou de nenhum partido. Voto em pessoas. No entanto, não consigo pensar que alguém ser torturado é apenas um erro dos militares. Afinal, o que é ficar no pau-de-arara comparado ao grande – e mentiroso – “desenvolvimento” econômico do nosso país, não é mesmo?

      Patriotismo forçado, não é patriotismo, meu querido. Há uma grande diferença entre marchar e cantar o hino nacional pela manhã antes das aulas por obrigação – porque se não o fizer, será repreendido – e conhecer e amar o país porque ele te dá orgulho. Aquilo lá da ditadura não era patriotismo, era medo. E se hoje não somos patriotas é por raiva. Raiva que os que viveram aquela época sentem e que infelizmente passaram às próximas gerações. (Queres uma dica de patriotismo real? Visita o Rio Grande do Sul.)

      Tu falas da cultura como se entre 64 e 85, ela fosse amplamente distribuída. “O pão, novela e copa do mundo” da época não é cultura. A cultura é aquela que foi abafada, censurada e exilada pelos militares. Essa é a cultura. E ela não existiu. Então, não utilizes palavras que o povo nem sabia o que significavam.

      Ah e antes que penses errado: Eu amo o Brasil. Amo ser brasileira e tenho orgulho de viver aqui. Não mudaria nossa história, porque é quem somos, porém isso não significa que por isso eu a ache bonita.

      • Alcione disse:

        Nunca pretendi que tivesse havido incentivo à cultura naquele período, como agora também não há.
        Mas não me venha dizer que as peças chinfrim do Antonio Marcos ou as músicas do retardado Caetano Veloso, são expressões de cultura.
        O que os governos pós militares fizeram com a escola, é a mais pura demonstração de que a manutenção da ignorância torna mais confortável a manipulação do povo.
        Ache piada ou não, eu penso assim, e ainda bem que tivemos os militares.
        Não foi um período bom, mas tem sido bom depois deles?
        A libertinagem geral confundida com liberdade, a falta de ordem e segurança pública dos últimos 3 mandatos presidenciais que instituiram a maior roubalheira jamais vista no país, isso é bom?
        Um erro grande do período militar foi a censura da imprensa, porque uma imprensa livre denuncia os erros, pelo menos isso temos agora.
        Os militares foram muito importantes para acabar com a desordem que existia em todo o país e para sustar corrupção semelhante à atual e compatível com o modelo que era a URSS.
        Entretanto, respeito a sua opinião. E gostaria que todos se manifestassem, seja com qual opinião tiverem. O que me incomoda é a omissão.
        Nem o ataque pessoal me perturba, como alguns fazem, contudo, demonstra que não têm argumentos.
        Para o seu conhecimento, nunca fui filiado a nenhum partido político, mas, no início do PT, fui muito favorável, só que ele se bandeou para o lado da corrupção, e não é mais, hoje, o PT que representava os trabalhadores.
        Pensando bem, que partido é íntegro no Brasil?
        Conheço o RS, e gosto muito de lá.
        Tudo que é humano tem falhas, mas, no Brasil, ainda acredito, em boa medida, no Judiciário.
        Infelizmente perco-me na pressa. Nos termos de nossa conversa, a pressa não se aplica, só o tempo corrigirá o rumo das coisas e porá o nosso Brasil nos trilhos que precisa, mas que nunca esteve.
        Abraço,
        Alcione.

    • igor fernando disse:

      voce é tão idiota que men sabe o que diz ;1- não foi eles que se institularão guerrelheiros,foi o governo que os perseguia;2-e esse governo não foi constituido, foi arbitrário e não respeitou o sistema;3-e o governo de bolsa -família,foi o do Fernando Henrique o Lula continuou e Dilma tbém, e todos esses governo foi votado E NAO TOMADO, e por último o povo NAO E IGNORANTE, são Brasileiros quer evoluir e aceita ajuda…

      • Alcione disse:

        E você precisa de escola, porque o seu Português é péssimo!
        Aliás, como o do Lula.

      • Felipe Rosse disse:

        É realmente revoltante ver pessoas defendendo aquele regime que tantas vidas tirou de forma violenta e autoritária. Torturou e matou milhares de pessoas, será que estes que defendem a ditadura sabem realmente o que foi a tortura da época? será que sabem o que é ser torturado por três dias seguidos sem sequer poder dormir? Não, provavelmente não sabe! outro ponto a ser destacado é a inocência de alguém que acha que essa corrupção comessou com o PT, sem saber que o pai do mensalão é o PSDB de minas gerais. Ainda cabe lembrar a essa pessoa esclerosada, que após o julgamento do mensalão comessa o do escândalo Cachoeira, do que teremos grandes surpresas com os “santinhos tucanos”. Chega a sere uma piada, mas uma triste piada, de alguém que não consegue sequer ter a noção do que foi a ditadura, pessoas simplesmente por estar com uma camisa vermelha, eram presas torturadas e mortas. Cuidade ein, não use camisas vermelhas, quem sabe seu desejo se realize e voltemos à ditadura (Deus nos livre desse mau) e você seja presa e torturada só por estar com uma camisa vermelha. Não foram só rebeldes que foram presos e torturados, não se esqueça!!

    • Fernando disse:

      Jango era uma anjo. Tinha que ter fechado o Congresso, convocado a Constituinte com apoio do povo e colocado todos os militares golpistas na cadeia…

  2. SANDRA SILVEIRA OLIVEIRA disse:

    oi,numa pesquisa.vos encontrei .talves possam me ajudar .procuro encontrar noticias dos meus avos vivo ou mertos . Ele militar Antonio jose Perrera da Silveira.
    ANDAVA COM GEEP MILITAR DESAPARECEU 1964.

  3. Alcione Le Fosse Aranha disse:

    Sabe, Meu caro Sérgio, Talvez você não se lembre da baderna em que vivia o país, antes de 1964.
    Como aconteceu anteriormente, na rebalião dos tenentes, sempre, diante do caos, os militares brasileiros tomaram a iniciativa de restabelecer a ordem. E o fizeram muito bem.
    Se você cuidar de ir se informar melhor, pelo menos duas características são marcantes no período dos governos militares:
    1) O desenvolvimento do país foi muito maior do que tem sido desde que a ladroagem civil se restabeleceu;
    2)Golpista era o governo de João Goulart, com o que queria fazer com o Brasil.
    Espero, que os militares, que são cultos e que acompanham o desenrolar do novo golpe que está em andamento, pelos guerrilheiros que, ludibriando o povo, e comprando os pobres e desinstruidos com a farsa do Bolsa Família (golpe do suborno e compra disfarça de votos), tomem o poder, em defesa dos direitos da população honesta, pondo na cadeia essa bandidagem que sorrateiramente se infiltrou.

    • kellen disse:

      só podes estar a contar piada. a maravilha dos 50 em 5, só existiram nos contos de fada da Globo e Folha, que divulgavam um país cor de rosa que crescia sem problemas… foi essa a idéia passada durante mais de 20 anos. A dívida contraída do período deu cabo da economia brasileira, que só agora volta a se reerguer, se o povo é burro neste país foi graças ao sistema pão e circo da época militar, investimento massivo na televisão, e as escolas foram deixadas para segundo plano, não há país no mundo que vanglorie sua época de chumbo, mas como no Brasil, existem sempre os alienados que acreditam nos contos de fada criados durante essas épocas… lamentável

      • Giancarlo disse:

        Qual a diferença entre o regime militar, que matava baderneiros estudantes e revolucionários, para os bandidos de hoje que matam após fumar crack, ou queimam uma dentista só porque ela tem 30,00 na conta ?

  4. Alcione Le Fosse Aranha disse:

    Só para lembrar:
    Seria bom que todos lessem ” O Príncipe” de Niccolò Machiavelli, mas, não com a interpretação torpe difundida pela igreja e pelos “príncipes” dominantes.
    Leia com a mente aberta e entenderá o verdadeiro sentido de “extinguir o sangue do príncipe”.
    Se os militares não tivessem sido tão dóceis e complacentes, não estaríamos, hoje, diante do quase triunfo da corrupção e da bandidagem.

    • Giu disse:

      Alcione, não posso acreditar que alguém tenha uma mentalidade tão retrógrada quanta a sua. Ou é despreparo ou talves uma imbeciabilidade total, acredito muito na últma.

  5. Alcione Le Fosse Aranha disse:

    Ah! Antes que algum petista queira dizer que não houve tomada de poder no tenentismo, quero lembrar que não disse isso.
    Só me referi ao fato de que, em outra oportunidade, houve tomada de posição por parte de militares.

  6. Zé de Atibaia disse:

    “Se os militares não tivessem sido tão dóceis e complacentes, não estaríamos, hoje, diante do quase triunfo da corrupção e da bandidagem.”

    Não, Alcione, aí eles teríam matado seu pai, Ranulfo Aranha, preso durante o Golpe Militar de 1° de Abril de 64 por pensar, por ter uma editora de livros em Atibaia, onde vc passou sua infância. Jogado no Presidio tiradentes, comendo com as mãos e com a possibilidade de ser morto na cela (exemplo recente de Jacarta). Aí, vc, que sempre foi meio desequilibrado, desandaría de vez e poderia ser jogado num dos hospícios que o governo militar manteve para alijar os “loucos” da sociedade “sadia” e acabar com a “baderna”.
    Você virou bosta depois de velho, Alcione.

  7. Ricardo Torres disse:

    Querida Alcione,
    De fato, a ditadura foi a melhor coisa que aconteceu ao Brasil, não houveram torturas nem negação dos direitos civis, o desenvolvimento econômico neste período atingiu a todos, os militares são reconhecidamente caracterizados pela reflexão e autonomia quanto às ordens recebidas, além de cultura humanística e filosófica, a escravidão no mundo acabou por generosidade das elites, os salários melhores e outros direitos trabalhistas surgiram por espírito cristão dos empregadores, a direita brasileira sempre lutou por democracia e igualdade social e, por fim, o papai noel está chegando na sua casa, de trenó, cheio de presentes feitos por gnomos. Parabéns pela vasta cultura e visão objetiva da realidade. Ricardo Torres

  8. E. Angelo Milano disse:

    Os sequestros, torturas, extorsões e mortes de diplomatas, adidos e funcionários das embaixadas estrangeiras não abalaram a ditadura, mas sim desnudaram os movimentos terroristas que havia no Brasil, e que a principio matava o proprio povo brasileiro em assaltos e explosões a bancos, aeroportes e supermercados.

    A caterva que foi extraditada hoje é governo ou ocupa altos cargos publicos e mamam indenizações milionárias nas tetas magras de uma Nação corrompida pela ideologia neo-liberal do PSDB ou lulopetista que em vez de desenvolvimento, educação e saude dá a esmola da bolsa familia.

  9. Alcione Le Fosse Aranha disse:

    Pois é, Atibaia! Naquela época muito crédula. Mas mudou muito, progrediu.
    Hoje penso que meu pai estava errado! Tinha boa fé, e o respeito muito, mas, quanto a esse assunto, estava enganado. Sinto que ele tenha passado por aquilo, contudo, são as contingências.
    Acho que você nunca me conheceu, porque desequilibrado nunca fui. Talvez esteja confundindo com outra pessoa.
    É direito seu de pensar assim, entretanto, evoluir é preciso, observar o mundo também faz parte, e mudar o modo de pensar e ser humilde para aceitar os equívocos do passado, são atitudes que fazem parte da evolução e estudo.
    Há muitas décadas que sou mesmo muito a favor dos militares, e penso que deveriam ter sido mais rígidos do que foram.
    É preciso disciplina para educar o povo.
    Não vejo nenhum progresso social no Brasil depois do General Figueiredo.
    Educação, saúde, segurança, saneamento básico???
    Só para lembrar, o meu pai era muito mais do que aquele momento de Atibaia.
    Pois é, Torres, penso assim mesmo, a melhor coisa que poderiamos ter naquela ocasião, para por um fim na baderna existente, era o regime militar.
    Eu nunca me senti tolhido na minha liberdade, aliás, hoje sinto-me agredido pela burrice que dominou o país.
    Kellen, de fato, o milagre brasileiro não houve, mas, o que há agora?
    Por acaso o governo civil recente tem colocado a escola, a saúde, em primeiro plano?
    Comparativamente, exceto o controle da inflação, fizeram mais os militares.
    Outra coisa, naquela época, as grandes corrupções também eram dos civis.
    Mas,não adianta, quem é capaz de ver vantagens na “URSS”, ainda hoje, nunca irá aceitar.
    Oh, meu caro Zé! Sinto-me lisonjeado de ter virado bosta. Se ser bosta é assim, estou ótimo!
    Um grande abraço a todos!

    • Zé de Atibaia disse:

      Aí, Alcione: Demorei pra ver sua resposta mentirosa. Seu pai teria muita vergonha de você cara. Conheci você muito bem, Alcione. E era meio desequilibrado sim. Os amigos tentaram sempre te ajudar…mas veja no que deu!
      Teu pai era um exemplo de honradez e um cara que, com certeza, esperava muito mais de seu único filho. Mas você não dava para mais. Ainda bem que morreu sem ver no que o filho se transformou. Um nazistóide! Que vergonha…
      Você não apoia a Ditadura a décadas, Alcione. Mudou porque virou bosta sim.
      Em 64, na hora do Golpe de Estado, com seu pai preso, com o delegado de polícia emprestando a Kombi do Takao para levá-lo, você teve até coragem de espetar uns pregos no jipe da polícia, em frente à sua casa (era também próxima à casa do Delegado). Desequilibrar-se não é crime, é doença. Mas bandear pra esse lado é demais. Toma vergonha na cara babaca!!!

      • Alcione disse:

        Curioso, o que você diz confirma não me conhecer, e estar a confundir-me com outra pessoa.
        Nunca fiz nada no jipe da polícia, porque esse tipo de ação nunca foi do meu feitio.
        Toda a discordância que tive, publiquei na seção dos leitores do Estadão, muito bem identificado. Nunca agi as escondidas, e não faria nada contra o Dr. Silvio Paglia que era o delegado, naquela época, porque ele somente cumpria ordens e desempenhava a sua função de Delegado de Polícia. Aliás, era uma pessoa amável e bem educada.
        Esse tipo de vandalismo a que você se refere é típica do PT e dos terroristas daquela época.
        Nunca fui um desses!
        Boa sorte, Zé, que não se identifica.

      • Anton disse:

        Curioso mesmo. Você falta com a verdade e veste-se com a farda da mentira para lamber os carcereiros, torturadores e demais esbirros policiais. A mentira pública atesta a tua fraqueza e traição ao teu pai, espírita honrado e democrata, per seguido injustamente pela caterva que assaltou o poder pois nunca poderia lá chegar pelo voto. Você se juntou ao Takao, Durval Mantovanini e demais caçadores de democratas naquela Kombi nefasta e coadjuvante da perseguição policial, a mesma que invadiu a casa do Audimar Neves para prendê-lo, roubar e quebrar a sua casa e pertences. A ousadia do mentiroso é ilimitada pois crê ser desconhecido de todos. Como todo covarde, pensa ocultar-se da história. Bem se vê que és mais Lefosse que Aranha. Além disso, traidor dos amigos, professores e profissionais perseguidos em Atibaia, onde ocorreu o primeiro IPM da história do estado de SP, honra ao teu pai e demais vinte e oito cidadãos arrolados na intriga e covardia, honra à qual você faltou. Sabemos muito bem quem você é, onde morava e o que fazia. Você era decente e bom filho, amigo dos teus amigos. Estudante medíocre mas aplicado. Agora, lamento dizer-te, somente medíocre. Medíocre, covarde e mentiroso. Uma pena, essa a herança da ditadura.

  10. Enivaldo Luiz Mota disse:

    Olá caros leitores, antes de tudo somente com debate civilizado é que podemos aprender alguma coisa, caso contrário nos despertará ódio, estou certo ?
    Continuando, gostaria se possível algum leitor possa dar alguma informação (contato) referente á dona Dámaris De OLiveira Lucena.Acontece que quando eu tinha mais ou menso 5 anos, meus saudosos pais foram vizinhos da mesma em São João Climaco um bairro da cidade de São Paulo, tenho boas recordações dessa pessoa tão gentil, acreditem ela sempre fora uma pessoa gentil, embora “Chamada” guerrilheira.
    Um forte abraço e saúde á todos dessa pagina !

    • carlos alberto disse:

      Olá, Enivaldo : segundo relatado acima a Damaris e seus tr~es filhos menores foi trocada pelo consul do Japão e exilada no México. Daí prá frente, se quiser mais detalhes, consulte o Sr. Alcione Aranha, dos comentários acima. Quem sabe ele, com sua simpatia, tenha algum amigo militar do antigo Serviço de Informações da Ditadura.

  11. Romero disse:

    Coitadinha da dona Damaris, tão gentil! E tinha três filhos! Que beleza de família! Ela só queria levar o País ‘a guerra civil para “acabar com a exploração do Homem pelo Homem”. Uma verdadeira humanista. Somente queria matar alguns milhões para que sua ideologia moralmente superior a qualquer outra…vencesse! Assim é Cuba, um verdadeiro paraiso e só não é melhor por que os “brothers” fazem um bloqueio tal que a fazenda administrada pelos irmãos sociopatas, não permitem. Claro, um dia eles vão poder comercializar com a China, com o resto da América Latina, com a Europa, etc. Olha, os ilhéus, escravos, não têm nada prá vender! Ah! Têm sim, açucar, rum, tabaco, Só coisa boa prá saúde…hehehe
    Ah! Outra…sequestro é crime que não prescreve nunca…
    Olha, a canalha da extrema direita é igualzinha ‘a canalha da extrema esquerda. São 2 montes de bosta. Stálin é igual, eu disse igual, a Hitler. Nome do partido de Hitler: Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. Qualquer semelhança é mera coincidência…
    Tchau, bando de babacas!

  12. ligia fagundes disse:

    Alcione descreve nosso quadro historico social com realismo e acerto. Evidentemente ambos, militares e civis cometeram erros e acertos no governo e Brasil tem raízes profundas de corrupção, fruto da impunidade e alienação popular.
    A ditadura exagerou na reação. Nada justifica tanta violencia e covardia, de ambas as partes.
    Porém, o ensino público começou a despencar em 1974, quando eu iniciava o segundo grau. Até aí as escolas públicas eram as melhores, ao contrario das particulares. Recordo que orgulho era cursar escola “do governo”, em Porto Alegre(RS).
    A saúde pública contava com alguma assistência digna e decente, até a invasão dos Planos de Saúde, permitida por politicos, apos a ditadura (conforme relato de médicos cariocas).
    E a segurança pública? Fluxo migratorio sem planejamento urbano adequado: favelas, demagogia Brizolar (conterraneo que não conseguiu se “criar” no Sul), alegria, paz e amor (liberação geral, norteada pela TV globo financiada pela ditadura, para distrair ainda mais o povo crédulo e incauto).
    Enfim, entre mortos e feridos, preservaram-se a desigualdade social, miseria e abandono do sertão nordestino, politicos enriquecendo cada vez mais à custa duma população desunida, sem amor à nação (maioria nem sabe o que é isso). Instalada a “democracia”, bom seria o povo unir-se, sem armas, contra a farra do dinheiro público e muito mais que atrasa o verdadeiro progresso do país !
    Enfim, restou a inércia ante o quadro de corrupçao e fofocas da política brasileira.

    • Alcione disse:

      Pois é, minha cara Lígia, muitos erros ocorreram dos dois lados.
      É sempre assim, cometem-se erros.
      Mas o que é preciso é evoluir.
      Não vejo razão para os atuais remanescentes daquela esquerda festiva, que, na verdade, não sabiam o que faziam, como ainda hoje não sabem o que fazer com o governo, permanecerem descarregando seu ódio ou frustração.
      Será que é por causa do desmantelamento inglório da URSS?
      Ou será que é por não saberem o que fazer com a polpuda pensão que recebem sem merecimento e trabalho?
      Realmente lutar por nada e ver o seu paradigma desaparecer deixou-os sem chão.
      E não têm argumentos, só se empenham na agressão.
      A solução para o brasil é a educação, mas o governo precisa da massa de manobra ignorante, precisa do voto do analfabeto, precisa dos n bolsas alguma coisa, para eleger quem, por competência, nunca se elegeria.

  13. Prado disse:

    Quanto mais leio, mais fico confuso sobre a época da ditadura militar. Militares que torturavam e matavam em nome do estado e guerrilheiros que matavam, roubavam e sequestravam em nome da ideologia, mas que ideologia? O próprio Gabeira, herói e figura importante da guerrilha brasileira já falou que não lutava por uma democracia e sim por uma ditadura do proletariado. Acho que o tempo tratou de desmoralizar a esquerda brasileira (José Dirceu, José Genoíno, Dilma entre outros). Meus heróis morreram de overdose, antes fosse.

  14. Jeocaz (se assim posso chamá-lo), seu trabalho é primoroso. Falo isso pela concisão alcançada na construção de narrativas tão complexas e tão “escorregadias ” do ponto de vista historiográfico como as que se referem ao período militar. Gostaria muito de poder conversas com você mais detidamente. Sou jornalista e estou escrevendo a biografia de um dos maiores nomes da hostória do sindicalismo brasileiro até o golpe-64 – Raphael Martinelli – que depois foi da ALN, preso do tiradentes e foi um dos que se recusou a ser trocado pelo embaixador suíço. Agradeceria muito pela oportunidade.

  15. Dario Cony disse:

    Fiquei quarenta minutos lendo todos esses comentários e não vi, nenhum dos que criticaram os militares, dizer quais foram os motivos da Contra-revolução de 64 feita pelos militares. Será que vcs não enxergam que o verdadeiro golpe estava sendo dado pelos comunistas que queriam implantar suas convicções no Brasil? Quem foi João Goulart? O que ele fazia na China, como Vice-Presidente? Conclusão que chego é que todos aqueles que fizeram criticas aos militares sejam pensionistas da Lei dos Anistiados e não querem perder essa boquinha. Até eu tenho um parente que “mama” um salário de R$14.000,00 mensais depois de uma indenização de R$1.400.000,00. Hoje é imortal a ABL.
    Ainda vou ver essa cambada toda de terroristas do passado e que hoje estão no poder, ou mortos por doenças ou presos por corrupção. Muito está por vir. Celso Daniel morreu, mas Marcos Valério está vivo e vai falar muita coisa ainda.
    E Viva o Brasil dos verdadeiros brasileiros. Vivas os militares que não permitiram a implantação de uma URSS e de Cuba aqui.

  16. Alcione disse:

    Parabéns Sr. Cony, ainda bem que muitos exergam isso.
    No meu caos, os oponentes somente partem para tentar ofender-me, eles não tem argumentos contra o regime que instaurou a ordem no país.
    Observe, também, que as atividades desses “terroristas” que assaltaram o poder atualmente, são altamente ligadas à corrupção e concessão de benefícios à caterva, ou seja, a mesma filosofia do partido comunista da extinta URSS.

  17. BELÉM DO PARÁ disse:

    TOMARA QUE OS MILITARES RETOMEM O PODER E NORMALIZEM A DEMOCRACIA NO BRASIL. CLARO QUE VIVEMOS EM TEMPOS OUTROS EM QUE NÃO SE ADMITE MAIS TORTURA, MAS A TOMADA DE PODER DA MÃOS DOS CORUPTOS E BANIMENTOS DESSES PARA BEM LONGE, É PLENAMENTE PLAUSÍVEL E ESPERADO PELO POVO BRASILEIRO. E QUE, ANTES DE SEREM BANIDOS, DEVOLVAM TODO DINHEIRO ROUBADO DO ERÁRIO.

    • Fernando disse:

      Se esclareça. A Ditadura Militar foi um antro de corrupção, tortura e violência contra a sociedade. A Dívida externa chegou a valores insuportáveis, destruiu a educação e vendeu o país…
      O governos posteriores idem, todos eles. A questão é bem outra…

  18. Valter disse:

    Alcione, tudo o que vc falou revela sua total ignorância sobre as mentiras do governo militar, sem falar no enorme atraso espiritual e cultural que eles, militares, impuseram ao povo brasileiro. É lamentável que ainda existem pessoas que defendem os militares torturadores e assassinos que ainda dizem na televisão, nas últimas reportagens que assisti, que não se arrependem do que fizeram.

  19. Guilherme Siqueira disse:

    A maioria dos comentários aqui são defendendo os militares ou os guerrilheiros, mas a verdade é que nenhum dos lados merece defesa. Os militares deram um golpe e implantaram uma ditadura de direita no Brasil e os guerrilheiros queriam derrubar os militares para implantar uma ditadura de esquerda no país, sim porque essa balela de dizer que os guerrilheiros lutavam a favor da democracia é uma piada, os dois lados eram a favor da ditadura, só que um era de direita e o outro de esquerda. É como ocorre hoje, quem está no poder só faz roubar e quem está na oposição luta para chegar ao poder para também consegui roubar.

  20. Alcione Le Fosse Aranha disse:

    Para Zé de Atibaia, Anton, Valter, etc.: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.Estou tão preocupado com a opinião de vocês! Aliás, não ligo a mínima. Podem ladrar a vontade!

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