O DECÁLOGO

abril 29, 2010

Também conhecido como os Dez Mandamentos, o Decálogo, literalmente as dez palavras, constitui a página mais sagrada da Torá judaica, ou do Velho Testamento cristão. Constitui a essência da Lei que une o homem aos princípios estabelecidos por Deus, selando a aliança entre o humano e a divindade.
Tradicionalmente, o Decálogo teria sido escrito em tábuas de pedra, pelo dedo de Deus, e entregue a Moisés no monte Horeb, ou Djebel Musa (Montanha de Moisés), no sul da península do Sinai, atual Egito. Moisés permanecera por quarenta dias no monte, ao retornar com o par de tábuas, encontrou os israelitas a idolatrar um bezerro de ouro. Furioso, o profeta teria quebrado as tábuas originais, em protesto e indignação. Outras tábuas teriam sido escritas por Deus, sendo estas postas na Arca da Aliança, ali permanecendo até 586 a.C., quando o Templo em Jerusalém foi destruído pelos babilônios, e os documentos perdidos para sempre.
Escritos no livro do “Êxodo”, no capítulo 20, nos versículos de 2 ao 17, são repetidos novamente em Deuteronômio 5:6-21. Na sua essência, legislam o amor a Deus e ao próximo, através de condutas morais que melhoram o homem, aproximando-o do bem e do amor aos que se lhe circulam e ao próprio Deus criador. É renovada a Aliança estabelecida entre Abraão e Deus, fazendo da Lei a diferença entre o povo escolhido e o restante dos outros povos. A Lei ajudará os israelitas a enfrentar os povos que se lhe são hostis, mas também se voltará contra eles, quando não seguidas. Prepara o povo escolhido para ser redimido, e através dos israelitas, a própria humanidade será redimida. É o princípio do messianismo judaico, de onde surgirá Jesus Cristo, e as bases do cristianismo.
O Decálogo define os princípios básicos da moral judaico-cristã, assim como toda a extensão da moralidade contemporânea ocidental, e a formação da ética como ciência moderna. As Leis ditadas por Deus são temporais, avançando conforme a evolução da própria civilização que as recebeu, sem jamais perder o vínculo com Javé, o Deus israelita que as estabeleceu. Se a forma de adoração ao criador, assim como o dia da semana a ser tomado como sagrado, mudou conforme a evolução das religiões monoteístas, princípios básicos, que defendem o homem de si mesmo, como não matar ou levantar falso testemunho; garantem o amor ao próximo e a própria essências das leis civis, dando consistência perene aos dez mandamentos.

Moisés e as Tábuas da Lei

Abraão, fiel seguidor de Deus, recebeu como recompensa uma prole abençoada, que se tornaria o povo eleito do criador na Terra. Jacó, neto de Abraão, teria doze filhos, dando origem às tribos israelitas. Dispersos e escravizados no Egito, os israelitas foram conduzidos por Moisés à Terra prometida. A jornada estender-se-ia por longos e penosos quarenta anos, através do deserto que se abria hostil.
Teria sido no período de êxodo do Egito e peregrinação pelo deserto, que se estabeleceria o pacto entre Deus e o povo israelita. No sul da península do Sinai, Moisés foi convocado por Deus a subir os 2500 metros do monte Horeb, uma das três montanhas que formam o conjunto do Sinai. Ali permaneceria por quarenta dias, recebendo a manifestação direta da presença divina.
Deus apresentou-se a Moisés, revelando-lhe o nome sagrado, YHWH (Javé), pelo qual seria reconhecido, amado e respeitado. Estabelecia com os israelitas a Aliança, fazendo deles a nação escolhida entre todos os povos, destinada a redimir a imperfeição humana, e alcançar as promessas divinas estabelecidas desde a criação no jardim do Éden. Para que os israelitas se firmassem como nação escolhida por Deus e professarem o seu nome e as suas promessas, teriam que seguir leis que os diferenciasse dos demais. As leis trariam o benefício da proteção divina, mas deporiam contra eles, caso não fossem cumpridas. A Lei era o princípio que redimia, mas também o que destruía, caso não se cumprisse o pacto ali estabelecido.
Por quarenta dias, Deus escreveu em um par de tábuas de pedra, as leis que estabeleciam com os israelitas o pacto sagrado. Terminado o processo de expiação, Moisés retornou do alto do monte Horeb, reencontrado o seu povo, acampado ao pé das três montanhas do Sinai. Perdidos, pensando que o seu profeta maior os abandonara, os hebreus fundiram o seu ouro em um bezerro, tomando-o como adoração. Diante da blasfêmia, Moisés quebrou as tábuas da lei escritas por Deus, prostrando-se diante do criador, pedindo-lhe o perdão. Após a punição aos responsáveis pelo sacrilégio, Deus escreveria outro par de tábuas. A segunda versão das tábuas seria posta em um arca, tida como sagrada. A arca seria levada à frente do povo judeu, fazendo com que enfrentasse todas as diversidades e guerras, até que o povo eleito tomasse posse de Canaã, a Terra Prometida. Estava estabelecida a Aliança entre Deus e o povo de Israel.

O Texto do Decálogo

As tábuas da Lei permaneceriam dentro da Arca da Aliança, que por sua vez, seria guardada em Jerusalém, no Templo construído pelo rei Salomão. Durante o esplendor dos reis israelitas, era o símbolo visível da manifestação de Deus e da sua proteção ao povo escolhido. Em 586 a.C., quando a Judéia foi tomada pelos babilônios, e o primeiro Templo destruído, a Arca desapareceu, sem jamais ser localizada.
Às duas tábuas perdidas, escritas pelo dedo de Deus, e que traziam os dez mandamentos, foram acrescentados outros ensinamentos, ditados e escritos em pergaminhos por Moisés, estabelecendo as leis Mosaicas, compostas por 613 mandamentos, que deveriam ser seguidos por tempo indeterminado, constituindo a distinção dos israelitas ante as outras nações, e selando a aliança com Deus.
Conhecido como dos Dez Mandamentos, a Lei entregue a Moisés está registrada na Torá hebraica, no livro Chemol; ou no Antigo Testamento cristão, no livro Êxodo. Neste livro, o capítulo 20 descreve, ao longo dos versículos de 2 a 17, a Lei que representa a harmonia entre o homem e Deus.

2. Eu sou Javé teu Deus que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.
3. Não terás outros deuses em oposição a mim.
4. Não farás para ti imagem esculpida nem figura do que há em cima no céu, nem do que há em baixo na terra, nem do que há nas águas em baixo da terra.
5. Não adorarás tais coisas, nem lhes servirás. Eu, Javé, teu Deus, sou um Deus zeloso, que vinga a iniqüidade dos pais nos filhos, netos e bisnetos daqueles que me odeiam
6. e que usa da misericórdia até mil gerações com aqueles que me amam e guardam os meus preceitos.
7. Não tomarás o nome de Javé teu Deus para uma coisa vã, porque não inocentará Javé aquele que transportar o seu nome para uma coisa vã.
8. Lembra-te do dia de sábado para o santificar.
9. Durante seis dias trabalharás fazendo todas as tuas obras.
10. O sétimo dia é um sábado para Javé. Não farás nele obra alguma, nem tu, nem teu filho, nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu animal, nem o hóspede que está dentro das tuas portas.
11. Em seis dias Javé fez o céu e a terra, o mar e tudo o que nele existe, descansando no sétimo dia. Por isso Javé abençoou o sábado e o santificou.
12. Honra teu pai e tua mãe, a fim de que se prolonguem os teus dias sobre a terra que Javé, teu Deus, te dará.
13. Não matarás.
14. Não cometerás adultério.
15. Não furtarás.
16. Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo.
17. Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu touro, nem seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença.

Êxodo 20:2-17

Os Dez Mandamentos na Divisão Judaica e na Cristã

Dezesseis versículos do Êxodo (20:2-17), formam os dez mandamentos, que no seu registro apresenta mais do que dez afirmações, fixando entre catorze ou quinze. O historiador judaico-romano, Flávio Josefo (37?38?-100 d.C.), em suas “Antiguidades Judaicas”, fixa a partir do versículo 3, o primeiro mandamento; os versículos 4 a 6 como o segundo mandamento; o versículo 7 como terceiro mandamento; os versículos 8 a 11 como o quarto mandamento; compondo os versículos de 12 a 17, respectivamente, os seis mandamentos restantes.
Na passagem do Êxodo, não sê lê como os dez mandamentos as leis recebidas por Moisés. O termo deriva da frase hebraica aseret had’varim, traduzida como as 10 palavras, afirmações ou coisas. O Decálogo também não é lido de forma idêntica pelo judaísmo e pelo cristianismo, tendo até mais do que uma interpretação, ou divisão, nas diversas correntes cristãs.
Compilando o texto, originalmente escrito em hebraico, teremos as seguintes denominações dos dez mandamentos:

Divisão Judaica

1 – Eu sou o Senhor, o teu Deus
2 – Não terás outros deuses além de mim. Não farás para ti nenhum ídolo
3 – Não tomarás em vão o nome do Senhor, o teu Deus
4 – Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo
5 – Honra teu pai e tua mãe
6 – Não matarás
7 – Não cometerás adultério
8 – Não furtarás
9 – Não darás falso testemunho contra o teu próximo
10 – Não cobiçarás a mulher e a casa do teu próximo

Divisão Cristã (Católica e Luterana)

1 – Eu sou o Senhor, o teu Deus. Não terás outros deuses além de mim. Não farás para ti nenhum ídolo
2 – Não tomarás em vão o nome do Senhor, o teu Deus
3 – Lembra-te do dia de domingo, para santificá-lo
4 – Honra teu pai e tua mãe
5 – Não matarás
6 – Não cometerás adultério
7 – Não furtarás
8 – Não darás falso testemunho contra o teu próximo
9 – Não cobiçarás a mulher do teu próximo
10 – Não cobiçarás a casa do teu próximo

Divisão Cristã (Ortodoxa)

1 – Eu sou o Senhor, o teu Deus. Não terás outros deuses além de mim
2 – Não farás para ti nenhum ídolo
3 – Não tomarás em vão o nome do Senhor, o teu Deus
4 – Lembra-te do dia de domingo, para santificá-lo
5 – Honra teu pai e tua mãe
6 – Não matarás
7 – Não cometerás adultério
8 – Não furtarás
9 – Não darás falso testemunho contra o teu próximo
10 – Não cobiçarás a mulher do teu próximo e não cobiçarás a casa do teu próximo

Divisão Cristã (Anglicana, Presbiteriana e outras)

Prefácio – Eu sou o Senhor, o teu Deus
1 – Não terás outros deuses além de mim
2 – Não farás para ti nenhum ídolo
3 – Não tomarás em vão o nome do Senhor, o teu Deus
4 – Lembra-te do dia de domingo, para santificá-lo
5 – Honra teu pai e tua mãe
6 – Não matarás
7 – Não cometerás adultério
8 – Não furtarás
9 – Não darás falso testemunho contra o teu próximo
10 – Não cobiçarás a mulher do teu próximo e não cobiçarás a casa do teu próximo

Divisão Cristã (Adventista do Sétimo Dia)

Prefácio – Eu sou o Senhor, o teu Deus
1 – Não terás outros deuses além de mim
2 – Não farás para ti nenhum ídolo
3 – Não tomarás em vão o nome do Senhor, o teu Deus
4 – Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo
5 – Honra teu pai e tua mãe
6 – Não matarás
7 – Não cometerás adultério
8 – Não furtarás
9 – Não darás falso testemunho contra o teu próximo
10 – Não cobiçarás a mulher do teu próximo e não cobiçarás a casa do teu próximo

O Decálogo, Poucas Divergências Entre Judeus e Cristãos

A Lei recebida por Moisés, estabelecia o princípio messiânico, que ao diferenciar o povo israelita das demais nações, preparava-o para receber o messias, que o conduziria à humanidade redimida. Na visão do cristianismo, o messianismo judaico teria sido concretizado, e, novas leis estabelecidas.
Objetivamente, Jesus Cristo seguiu todas as tradições judaicas. Profundo conhecedor das leis mosaicas, sempre as chancelou quando confrontado por situações pontuais. Quando questionado sobre as leis, reconheceu a todas, acrescentando-lhes o amor uns aos outros. Cristo questionou as tradicionais leis mosaicas dentro do envelhecimento que traziam mediante a evolução daquela civilização, como o apedrejamento das mulheres por causa do adultério, mas jamais deixou de ver como crime contra a Lei o próprio adultério.
Na questão do sábado, os sacerdotes do templo em Jerusalém, chegaram a manifestar desagrado porque Cristo fazia obras naquele dia. Ao que ele respondeu que não haveria dias santos para que se produzisse milagre e se proferisse a palavra de Deus. Foram raros os momentos que a Lei do Decálogo viesse em oposição aos ensinamentos de Jesus de Nazaré, pelo contrário, o messianismo ao qual se identificava, era a própria justificativa da existência de uma aliança dos homens com Deus, especificando um povo para segui-la.
Com a separação do cristianismo primitivo do judaísmo, o Decálogo perdeu pouquíssimo da sua essência judaica, sendo a santificação do sábado a mudança mais evidente. Os cristãos justificam a santificação do domingo, por ter sido o dia em que Cristo ressuscitara, e também o dia da descida do Espírito Santo, cinqüenta dias após a ressurreição. Assim, divergiu-se o dia sagrado para os judeus e cristãos, sem que se abolisse o princípio religioso e social de um dia santo para Deus e de descanso para o homem.
Essencialmente, os dez mandamentos sintetizam os princípios básicos do amor a Deus e ao próximo, o que faz com que o homem não se distancie de costumes morais que o distingue dos animais, protegendo-o contra a imperfeição social e contra a tendência destrutiva da alma. A justiça divina é estendida ao homem, trazendo-lhe um alento à inconstância perene, à insatisfação destrutiva, desenhando a moralidade básica da sociedade ocidental, que evolui constantemente, sendo obrigada a rever princípios. Mesmo cinco mil anos depois da compilação de Moisés, os dez mandamentos ainda continuam a ser a mais sólida base de toda a construção moral e ética da sociedade judaico-cristã.

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TORRE EIFFEL – UM SÍMBOLO DE PARIS

julho 24, 2009

Nascida das comemorações do centenário da Revolução Francesa, a Torre Eiffel foi inaugurada em 31 de março de 1889. Na época, era vista como uma desconcertante estrutura de aço, que fazia os parisienses temerem que poluísse o panorama clássico e histórico da cidade.
Feita para ser uma estrutura temporária, sob o projeto do engenheiro Gustave Eiffel, a torre foi, aos poucos, tornando-se parte da paisagem de Paris. Por cerca de duas décadas esteve ameaçada de ser desmontada, mas o seu uso como torre de rádio e de estudos meteorológicos fez com que se tornasse imprescindível, e que se tomasse a decisão de não demoli-la.
Vencendo os preconceitos iniciais, a torre passou a ser chamada de Eiffel, uma homenagem ao seu criador. Passou a anunciar uma nova era na engenharia e na arquitetura. Cortou com a arquitetura clássica e tradicional de Paris, mostrando-se elegante e industrial, ao mesmo tempo, simbolizando a era que ficou conhecida como Belle Époque, que cobria de beleza e inovação à arte arquitetônica que resplandecia na virada do século XIX, entrando definitivamente no século XX.
Com os seus 324 metros de altura, a Torre Eiffel ergue-se majestosa no Champ-de Mars (Campo de Marte), no centro de Paris. Por mais de quatro décadas reinou como a construção mais alta do planeta, só perdendo o título em 1929, quando foi construído o prédio da Chrysler, em Nova York. Se a sua estrutura metálica constrangeu os parisienses no início, hoje se tornou um símbolo não só da cidade, mas de toda a França. Possuí três plataformas, onde se pode ter uma vista panorâmica de 360 graus sobre Paris, atraindo milhares de visitantes de todos os países.
A Torre Eiffel é um ícone da arquitetura universal, sendo conhecida em todo o planeta. Ir à França e não subir na torre é não ter visto Paris. Tornou-se o monumento mais visitado do mundo, com mais de seis milhões de pessoas a desfrutarem da sua vista panorâmica ao ano. 120 anos após a sua inauguração, a Torre Eiffel, chamada por alguns franceses de a “Dama de Ferro”, ergue-se majestosa às margens do rio Sena, é um símbolo de orgulho da França, da sua representatividade no mundo, sendo o principal cartão postal de Paris.

Sobre Protestos e Críticas, Ergue-se a Torre

No fim do século XIX, o governo da França planejou uma exposição mundial, sendo a sede do que foi chamada de Exposição Universal de 1889. A data servia para conclamar os cem anos da Revolução Francesa. Para sediar a exposição, o Comitê do Centenário realizou, em 1884, uma competição de projetos arquitetônicos para a construção de um monumento no Campo de Marte (Champ-de Mars), no centro de Paris. Mais de cem projetos foram submetidos ao concurso, sendo escolhido o do engenheiro Gustave Eiffel.
Assim, as obras de base da torre foram iniciadas em 26 de janeiro de 1887, sob fortes protestos da população e de intelectuais, durando cinco meses. Vários artigos e panfletos foram distribuídos pela França em 1886, manifestando-se contra a construção da torre. No dia 14 de fevereiro de 1887, já com as obras em andamento, o jornal “Le Temps” publicava o “Protesto Contra a Torre do Senhor Eiffel”, assinado por nomes influentes da literatura e das artes da França, como Guy de Maupassant, Ernest Meissonier, Alexandre Dumas Junior, Charles Gounod, François Coppée, Victorien Sardou, William Bouguereau, Leconte de Lisle, Sully Prudhomme, Charles Garnier e outros. No artigo, o monumento era acusado de ser uma grande chaminé de aço, e como um ciclope, trazia uma mancha bárbara e humilhante aos monumentos e à beleza de Paris. Gustave Eiffel defendeu-se publicamente, e ante as acusações de mau gosto, após o término das bases, iniciou a montagem dos pilares da torre em 1 de julho de1887.
Mesmo sobre fortes protestos, a torre foi erguida em dois anos, dois meses e cinco dias, e inaugurada no dia 31 de março de 1889, pairando seu estilo inspirador sobre Paris, na condição de não sobreviver ao decorrer dos anos, sendo apenas uma estrutura temporária, a ser desmontada após a Exposição Universal de 1889 e, posteriormente, à exposição de 1900.
Quando da sua inauguração, a torre, com a sua estrutura metálica, causou um grande impacto nas pessoas, que não entendiam a obra, não sabendo se a admiravam o se a odiavam. Ao mesmo tempo em que desconcertava os habitantes de Paris, ela era aclamada o monumento mais alto do mundo construído pelo homem, superando duas vezes a pirâmide de Quéops, no Egito, com os seus 137,16 metros de altura e com quase cinco mil anos de existência.

Gustave Eiffel

Gustave Eiffel nasceu em 15 de dezembro de 1832, em Dijon, na Borgonha. Foi um notável construtor de pontes metálicas para ferrovias, fazendo projetos para várias cidades do mundo. Em 1855, ano que Paris sediou a primeira Feira Mundial, graduou-se na Ecole Centrale des Arts et Manufactures, em engenharia química, tendo desde cedo, dedicado-se à metalurgia e às estruturas metálicas.
Gustave Eiffel passou vários anos da vida no Sudoeste da França, sendo supervisor de trabalho da grande ponte ferroviária de Bordéus. Construiu uma carreira notável, sendo o responsável pela construção do viaduto Maria Pia, no rio Douro, na cidade do Porto, Portugal, em 1876; pelo viaduto de Garabit, em 1884; pela estação ferroviária de Budapeste, na Hungria; pela cúpula do observatório de Nice, na França; pela estrutura interna da Estátua da Liberdade, em Nova York; e, principalmente, pela construção e inauguração da Torre Eiffel, em 1889, sua maior obra, que teve o seu desenho escolhido entre 700 propostas.
Com o fracasso do Canal do Panamá, Eiffel encerrou a sua carreira grandiosa, dedicando-se ao funcionamento da torre que levaria o seu nome, sendo o responsável pelos estudos que culminariam com a instalação da antena de rádio no topo da torre. Gustave Eiffel morreu em 27 de dezembro de 1923.

A Torre Eiffel Permanece Para Sempre

A idéia de que a torre fosse uma estrutura temporária, persistiu até a entrada do século XX, quando ainda se esperava que fosse desmontada. A necessidade de comunicações sem fio salvou a torre de virar sucata, e ela passou a ser chamada de Torre Eiffel, graças ao seu criador.
Em 1898 Eugène Ducretet transmitiu com sucesso, os primeiros sinais de rádio entre o Panteão e a Torre. Em 1901 surgiu a idéia de transformar a torre em uma antena de rádio de longa distância. Em 1903, foi feita uma ligação de rádio da torre com as bases militares em torno de Paris, alargando-se um ano depois, para o leste da França. A estação de rádio permanente foi instalada na torre em 1906, o que iria assegurar, definitivamente, a sua sobrevivência, quando em 1909, o contrato de vinte anos do terreno da exposição mundial de 1889 expirou, e a torre quase foi demolida. Só não aconteceu por causa do seu valor como antena de transmissão de rádio. A antena de rádio nos últimos vinte metros da torre foi adicionada posteriormente, aumentando-lhe a altura.
As primeiras tentativas de utilizar a torre para a transmissão de televisão remontam a 1921, sendo que, as primeiras transmissões regulares começaram em 1935. Nos dias atuais, o topo da torre foi totalmente transformado, abrigando dezenas de antenas de todos os tipos de comunicação, incluindo a televisão. De 1910 a 1957, a estrutura da torre foi utilizada com exclusividade para a rádio e a televisão francesa.
Em novembro de 2000, uma nova antena de rádio e televisão instalada na cúpula, fez com que a “Dama de Ferro” aumentasse mais cinco metros de altura, passando de 319 para 324 metros. A altura primitiva era de 312 metros.
Para proteger tão imponente monumento da oxidação do tempo, visto que é feito de ferro, é obrigatório que seja pintada com várias camadas de tinta. Sessenta toneladas de tinta são necessárias para cobrir a superfície da torre, sendo realizada uma pintura de sete em sete anos. Durante a sua existência, a Torre Eiffel mudou de cor várias vezes, passando do vermelho para o amarelo ocre, castanho, e, finalmente, para o bronze atual. A pintura faz com que a torre tenha uma duração eterna, protegendo-a da oxidação. Esta prevenção foi legada pelo próprio Gustave Eiffel, que dizia sobre a importância da pintura: “É o elemento essencial para a sua conservação.”
Nos dias atuais, a principal função da Torre Eiffel é o turismo. Por ela passam 6,9 milhões de turistas por ano, sendo o monumento mais visitado do mundo. Ela abriga vários restaurantes, museu, um pequeno apartamento situado no topo, que era usado por Eiffel, e outros atrativos que asseguram um passeio agradável aos visitantes. Mas o que mais fascina é a esplendorosa vista de 360 graus sobre a cidade de Paris.

Os 72 Nomes Gravados na Torre

Quando Gustave Eiffel inaugurou a Torre, ele prestou uma homenagem a setenta e dois cientistas, engenheiros e outros profissionais franceses notáveis, gravando os seus nomes nos quatro lados do colossal monumento metálico.
A lista, assim como a construção da própria Torre, jamais foi consenso entre os franceses, sendo fervorosamente criticada por excluir o nome de Sophie Germain, física e matemática francesa, que teve no seu trabalho sobre a teoria da elasticidade, uma contribuição essencial para a construção da torre. Muitos autores e biógrafos insistem em afirmar que a exclusão do seu nome deve-se ao simples fato de ser uma mulher, sendo vítima de um preconceito machista.
Com o passar dos anos e com as várias intervenções de pintura que a Torre sofreu, os nomes gravados foram, a partir do início do século XX, cobertos, desaparecendo totalmente. Coube à “Societé Nouvelle d’Exploitation de La Tour Eiffel”, restaurar as gravações entre 1986 e 1987, estando hoje visíveis ao público, sendo eles:

Nomes do Lado do Trocádero (Oeste da Torre – 18 nomes)

01. Seguin (Mecânico)
02. Lalande (Astrônomo)
03. Tresca (Engenheiro e Mecânico)
04. Poncelet (Agrimensor)
05. Bresse (Matemático)
06. Lagrange (Agrimensor)
07. Belanger (Matemático)
08. Cuvier (Naturalista)
09. Laplace (Astrônomo)
10. Dulong (Física)
11. Chasles (Agrimensor)
12. Lavoisier (Químico)
13. Ampéres (Matemático e Físico)
14. Chevreul (Químico)
15. Flachat (Engenheiro)
16. Navier (Matemático)
17. Legendre (Agrimensor)
18. Chaptal (Engenheiro Agrônomo e Químico)

Nomes do Lado Grenelle (18 nomes)

19. Jamin (Físico)
20. Gay-Lussac (Químico)
21. Fizeau (Físico)
22. Schneider (Industrial)
23. Le Chatelier (Engenheiro)
24. Berthier (Mineralogista)
25. Barral (Engenheiro Agrônomo, Químico, Físico)
26. De Dion (Engenheiro)
27. Gouin (Engenheiro e Industrial)
28. Jousselin (Engenheiro)
29. Broca (Cirurgião)
30. Becquerel (Física)
31. Coriolis (Matemático)
32. Cail (Industrial)
33. Triger (Engenheiro)
34. Giffard (Engenheiro)
35. Perrier (Geógrafo e Matemático)
36. Sturm (Matemático)

Nomes do Lado do Campo de Marte (18 nomes)

37. Cauchy (Matemático)
38. Blegrand (Engenheiro)
39. Regnault (Químico e Físico)
40. Fresnel (Físico)
41. De Prony (Engenheiro)
42. Vicat (Engenheiro)
43. Ebelmen (Químico)
44. Coulomb (Físico)
45. Poinsot (Matemático)
46. Foucault (Físico)
47. Delaunay (Astrônomo)
48. Morin (Matemático e Físico)
49. Haüy (Mineralogista)
50. Combes (Engenheiro e Metalúrgico)
51. Thenard (Químico)
52. Arago (Astrônomo e Físico)
53. Poisson (Matemático)
54. Monge (Agrimensor)

Nomes do Lado à Panorâmica de Paris (Leste da Torre – 18 nomes)

55. Petiet (Engenheiro)
56. Daguerre (Pintor e Físico)
57. Wurtz (Químico)
58. Le Verrier (Astrônomo)
59. Perdonnet (Engenheiro)
60. Delambre (Astrônomo)
61. Malus (Físico)
62. Breguet (Físico e Construtor)
63. Polanceau (Engenheiro)
64. Dumas (Químico)
65. Clapeyron (Engenheiro)
66. Borda (Matemático)
67. Fourier (Matemático)
68. Bichat (Anatomista e Fisiologista)
69. Sauvage (Mecânico)
70. Pelouze (Químico)
71. Carnot (Matemático)
72. Lame (Agrimensor)

A Torre Eiffel em Números

Possuindo três plataformas, a Torre Eiffel é uma estrutura metálica gigante, erguendo-se onipotente sobre o Campo de Marte, ao lado do rio Sena, sendo o maior mirante panorâmico de Paris.
Esta dimensão pode ser resumida pelos dados abaixo:

Altura Primitiva: 312 metros
Altura atual: 324 metros (com antena)
Fundações: Profundidade de 15 metros a norte e oeste. Cada um dos 4 pilares da torre é apoiado por alvenaria maciço.
Peso Total: 10.100 toneladas
Aço Estrutural: 7.300 toneladas
Peças de Aço: 18.038
Área da Primeira Plataforma: 4.415 m2
Área da Segunda Plataforma: 1.430 m2
Área da Terceira Plataforma: 250 m2
Altura da Primeira Plataforma: 57 metros
Altura da Segunda Plataforma: 115 metros
Altura da Terceira Plataforma: 276 metros
Degraus: 1.652 até o topo
Iluminação: 336 projetores (lâmpadas de sódio), com potência de 600 watts
Número de Lâmpadas Flicker: 20.000
Número Total de Rebites: 2.500.000
Pintura: 60 toneladas de tintas usadas a cada pintura
Freqüência das Pinturas: Total a cada 7 anos
Número de Elevadores: Do solo ao segundo piso, 5. Do segundo piso para o topo, 2 baterias duolifts
Velocidade dos Elevadores: 2 m/segundo
Velocidade e Capacidade dos Elevadores: Norte: 920 pessoas/hora. Leste: 650 pessoas/hora. Oeste: 650 pessoas/hora. Duolifts: 1.140 pessoas/hora. Jules Verne: 10 pessoas/subida. Pilar Sul: 50 pessoas ou 4 toneladas/subida.
Número de Trabalhadores da Torre: Serviços de Assistência Turística: 280 pessoas. Restaurantes: 240 pessoas. Lembranças: 50 pessoas. Diversos: 50 pessoas aproximadamente
Número Canais de TV Analógicos: 6
Número Canais de TNT livres: 18
Número Canais de TNT pagos: 30
Número Estações de Radio: 31
Número Escritórios: 120
Tempo de Construção: 2 anos, 2 meses e 5 dias (1887-1889)
Data Conclusão Primeiro Piso: 1 de Abril de 1888
Data Conclusão Segundo Piso: 14 de Agosto de 1888
Data Conclusão Terceiro Piso: 31 de Março de 1889
Custo Total da Construção: 7.799.401,31 francos ouro (1889)