GAL COSTA 1969, O ÁLBUM QUE FECHOU 1968

Julho 24, 2008

Caetano Veloso e Gal Costa lançaram em 1967, o álbum “Domingo”, iniciando assim, duas das mais belas carreiras da história da MPB. Álbum delicado, de canções intimistas, de uma poesia que lembrava a Bossa Nova. “Domingo” não acenava para a explosão que viria pouco tempo depois do seu lançamento, quando os cantores mergulharam nas águas turbulentas da Tropicália.
1968 foi o ano do lançamento do primeiro álbum a solo de Caetano Veloso, mas o primeiro disco solo de Gal Costa só iria sair em 1969, devido às agitações políticas e sociais que assolaram o país naquele ano, envolvendo os tropicalistas na roda viva e na ventania histórica que se vivia intensamente. O álbum Gal Costa, que trazia o esplendor da Tropicália, foi todo produzido e feito em 1968, o atraso em seu lançamento, em 1969, oxigenou o movimento tropicalista, estrangulado pela prisão de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Este primeiro álbum solo da carreira de Gal Costa transformou-a em uma solitária musa do tropicalismo, cantando para os seus mestres, exilados ou calados pela ditadura militar. A diva Gal Costa nascia para o Brasil, perpetuando-se até os dias atuais.

Divino Maravilhoso, o Programa dos Tropicalistas

A apresentação de Gal Costa no IV Festival da Record, no dia 14 de novembro de 1968, foi o momento de ruptura total da sua imagem até então comportada, sempre de cabelos curtos e de estirpe bossa nova. A cantora surgiu nos palcos do festival vestindo roupas de hippie, cabelos black power e a ousar a soltar os agudos em gritos de protestos. Gal Costa defendeu a música “Divino, Maravilhoso” (Caetano Veloso - Gilberto Gil), que ficou em 3º lugar no festival, a vencedora foi “São Paulo Meu Amor“, de Tom Zé, também ele um tropicalista.
1968 foi o ano dos maiores festivais da música brasileira, que se tornara porta-voz de uma juventude engajada politicamente, querendo derrubar a ditadura militar instaurada no país em 1964. As manifestações estudantis em Paris, em maio, a Primavera de Praga (movimento contra o socialismo soviético na Tchecoslováquia), a prisão dos estudantes da UNE em Ibiúna, todos estes acontecimentos refletiram no festival que Gal Costa cantou “Divino, Maravilhoso”.
Divino Maravilhoso” tornou-se o nome de um programa semanal de televisão da extinta Tupi, dirigido por Fernando Faro e Antonio Abujamra. Apresentado por Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa, o programa foi ao ar de outubro a dezembro de 1968. Um programa totalmente anárquico, com cenas antológicas de Caetano Veloso preso em uma jaula comendo bananas ou plantando bananeira. “Divino Maravilhoso” apresentou nomes de cantores então debutantes no cenário brasileiro, como Jorge Ben, Jards Macalé.
No dia 13 de dezembro, o governo militar decretou o Ato Institucional 5 (AI-5), que dava direito a dissolver o congresso, prender sem hábeas corpus, cassar mandatos e impor a censura, entre outras tragédias. Com o AI-5 a ditadura endureceu ainda mais. Na antevéspera do natal “Divino Maravilhoso” foi ao ar pela última vez, mostrando um provocante Caetano Veloso a cantar “Noite Feliz” com uma arma apontada na cabeça. A apresentação irritou aos militares e à família conservadora que sustentava o regime militar, após tirar o programa do ar, a polícia repressiva do governo prendeu, no dia 27 de dezembro, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Os cantores só seriam libertados na quarta-feira de cinzas de 1969, quando são escoltados pela polícia até Salvador, de onde partem para o exílio em Londres. Termina o tropicalismo.
Para não comprometer os apresentadores, as fitas do programa são totalmente destruídas por seus diretores, ficando apenas registrado na memória de quem o assistiu na época. “Divino Maravilhoso” era uma resposta aos bem comportados programas da TV Excelsior: “O Fino da Bossa”, comandado por Elis Regina e Jair Rodrigues, que foi ao ar de 1965 a 1967, e “Jovem Guarda”, comandado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa, de 1965 a 1969. Com “Divino Maravilhoso” o Brasil assistiu à ascensão e à queda do Tropicalismo.

Gal Costa 1969, a Tropicália Pós-1968

Apesar de ter sido lançado em 1969 com o nome de “Gal Costa”, este álbum deve tomar como referência o ano de 1968, pois sua gravação e o seu repertório só poderiam ter acontecido naquele tumultuado ano.
1968 trouxe a Tropicália para o cenário musical. Um movimento que mudou a estética bem-comportada da nossa MPB, sendo uma alternativa à Jovem Guarda e à Bossa-Nova, mesclando as duas e o que havia de mais antigo e de mais novo na nossa MPB. O movimento repercute na era dos festivais, levando uma juventude militante contra a ditadura ao delírio. Caetano Veloso romperia com esta esquerda militante ao apresentar “É Proibido Proibir“, no teatro TUCA, no meio de uma grande vaia, urros e protestos ele é impedido de cantar e faz um discurso histórico, definitivo, rompendo de vez com a chamada “caretice” da juventude engajada que queria tomar o poder.
O álbum de Gal Costa foi gravado meses antes de ser lançado, pois o clima de insegurança provocado em 1968 adiou esse lançamento. A cantora havia mudado os cabelos curtos, trocou os vestidos tubinhos bem comportados por plumas e um visual hippie. Deixou os agudos tomar conta da voz intimista.
Ainda em 1968 participou do lançamento do álbum manifesto “Tropicália ou Panis et Circenses“, nome tirado de uma tela de Hélio Oiticica, ao lado de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Os Mutantes e Nara Leão, participando de três faixas, entre elas a mítica “Baby“.
O álbum “Gal Costa”, lançado em 1969, trazia em seu repertório toda a essência da Tropicália, agonizante naquele momento. Inesperadamente o álbum venderia mais de 100 mil cópias, um grande feito para a época, transformando Gal Costa na única representante da Tropicália. A direção musical do disco é de Rogério Duprat.
O álbum traz a mesma versão gravada no “Tropicália Panis Et Circenses” da canção urbana “Baby” (Caetano Veloso), com a participação de Caetano Veloso, tornando-se a canção mais tocada do disco, revelando a jovem cantora para todo o Brasil, transformando-se no seu primeiro grande sucesso. “Baby” tinha sido feita para Maria Bethânia, que não quis gravá-la. “Baby” fez parte da trilha do filme “Copacabana me Engana“, de Antonio Carlos Fontoura.
No álbum, Caetano Veloso participa ainda da balançada e doce “Que Pena - Ela Já Não gosta Mais de Mim” (Jorge Ben), dueto eloqüente, que nada lembra o encontro intimista da dupla nas faixas de “Domingo”.
Também Gilberto Gil participa em duas faixas: no alegre e provocante xaxado “Sebastiana” (Rosil Cavalcanti), e na adolescente “Namorinho de Portão” (Tom Zé), canção regravada pelo Pato Fu que de tão atual, poderia ser tema da novela adolescente “Malhação”.
Gal Costa grava duas canções da dupla que se tornara fundamental nos bastidores da MPB, Roberto Carlos e Erasmo Carlos: o roque “Se Você Pensa” e a reflexiva “Vou Recomeçar“, que estrategicamente terminava o lado A e começava o lado B do LP, respectivamente.
Um dos pontos altos do álbum é “Não Identificado” (Caetano Veloso), numa época em que o homem estava preste a descer na Lua, uma bela canção na voz de Gal Costa, confirmando aqui o título de maior intérprete de Caetano Veloso. Momento sublime da cantora “caetaneando“.
Na Tropicália há espaço para o protesto, a palavra de ordem, como na provocante “Divino, Maravilhoso” (Gilberto Gil - Caetano Veloso), que por si só daria teses de discussão e, ao mesmo tempo, para canções cantadas em inglês como a pré Flower e PowerLost in The Paradise” (Caetano Veloso).
Um ícone do álbum é a bossa-tropical “Saudosismo” (Caetano Veloso), que Gal Costa canta com a voz de uma musa da Bossa Nova. Aqui há alusões a várias músicas da Bossa Nova: “Eu, você, nós dois“, verso que alude ao começo de “Fotografia” (Tom Jobim). Os refrões da canção são referências explícitas aos sucessos da Bossa-Nova (”Lobo Bobo“, “A Felicidade“), e João Gilberto girava na vitrola, mas a voz era da embriagante Gal Costa.
Uma das mais belas canções do álbum é a urbana “A Coisa Mais Linda Que Existe” (Gilberto Gil - Torquato Neto), uma viagem romântica pela cidade de uma juventude que fazia “…festa e comício” numa época que o grito era encerrado pelo Ato Institucional 5 (AI-5), deixando a Tropicália agonizante.
Gal Costa”, de 1969, é a Tropicália que ressurge das cinzas com, segundo Eduardo Logullo: “canções de temáticas urbanas, doces reflexões anarquistas, constatações, citações, provocações, balanço..”
Como era preciso ter atenção, tudo era perigoso, já nada era tão divino ou maravilhoso. Os iconoclastas Gilberto Gil e Caetano Veloso deixavam o Brasil. Sem os amigos, Gal Costa ficava solitária na representação da Tropicália, e encerrava o mais tropicalista de seus álbuns com a confiante e espiritualista “Deus é o Amor” (Jorge Ben):

“Todo mundo vai embora
Mas a chuva não quer parar
Ninguém mais quer ficar
Só eu, sozinho, vou me molhar
Mas eu tenho fé que a chuva há de passar
E aquele sol tão puro
De manhãzinha bem quentinho há de chegar
E os passarinhos vão cantar
Pois a alegria vai voltar
E todo mundo que foi embora vai voltar
Agradecendo a Deus todo mundo vai rezar e cantar
Deus é a vida, a luz e a verdade
Deus é o amor, a confiança e a felicidade
Deus é a vida, a luz e a verdade
Deus é o amor, a confiança e a felicidade.”

Ficha Técnica:

Gal Costa
Philips
1969

Direção musical: Rogério Duprat
Estúdios: Scatena e Reunidos
Arranjos: Rogério Duprat, Gilberto Gil e Lanny
Layout: Gian
Direção de produção: Manuel Barenbein

Faixas:

1 Não identificado (Caetano Veloso), 2 Sebastiana (Rosil Cavalcanti) Participação: Gilberto Gil, 3 Lost in the paradise (Caetano Veloso), 4 Namorinho de portão (Tom Zé) Participação: Gilberto Gil, 5 Saudosismo (Caetano Veloso), 6 Se você pensa (Erasmo Carlos - Roberto Carlos), 7 Vou recomeçar (Erasmo Carlos - Roberto Carlos), 8 Divino, maravilhoso (Caetano Veloso - Gilberto Gil), 9 Que pena (Jorge Ben) Participação: Caetano Veloso, 10 Baby (Caetano Veloso) Participação: Caetano Veloso, 11 A coisa mais linda que existe (Gilberto Gil - Torquato Neto), 12 Deus é o amor (Jorge Ben)

Veja também:

 GAL COSTA:

 http://jeocaz.wordpress.com/2008/03/09/gal-costa/

 TROPICÁLIA:

 http://jeocaz.wordpress.com/2008/03/05/tropicalia/

 FA-TAL – GAL A TODO VAPOR: O ÁLBUM DA GERAÇÃO DO DESBUNDE:

http://jeocaz.wordpress.com/2008/03/24/fa-tal-gal-a-todo-vapor-o-album-da-geracao-do-desbunde/

 O ENCANTO DE GAL COSTA NA VIRADA CULTURAL:

 http://jeocaz.wordpress.com/2008/05/02/o-encanto-de-gal-costa-na-virada-cultural/

TEMPORADA DE VERÃO – AO VIVO NA BAHIA: TRÊS VOZES DO BRASIL

http://jeocaz.wordpress.com/2008/06/08/temporada-de-verao-ao-vivo-na-bahia-tres-vozes-do-brasil/


BELEZA AMERICANA

Julho 22, 2008

Ao contrário do cinema europeu, o cinema norte-americano sempre esteve mais preocupado em exaltar a identidade dos EUA, do que compreender a essência dos seus habitantes, em criar heróis admiráveis do que anti-heróis humanos. As poucas vezes que Hollywood traçou um perfil do desajuste dos americanos, foram feitas com maestria, como em “Táxi Driver” (1976), de Martin Scorsese, ou ainda, “Apocalypse Now” (1979), de Francis Ford Copolla. “Beleza Americana” surge como uma ácida e perturbadora crítica à mistificação da “american way of life” como a forma de vida a ser seguida pelo resto do mundo. A desconstrução das personagens atinge a todos os valores tidos como essenciais na sociedade americana: a família, o patriotismo exaltado, a estabilidade econômica, os valores de um país decadente em sua pseudomoral conservadora. Utilizando-se de várias personagens paralelas, todos os valores morais vão sucumbindo, expondo a essência de cada personagem, deixando-a nua das máscaras e à deriva da mesquinhez dos valores seculares. Para conduzir o emaranhado delicado das personagens, foi escolhido o diretor teatral Sam Mendes, um jovem realizador britânico, de origem lusitana, até então um ilustre desconhecido da sétima arte. Com “Beleza Americana”, o cinema americano fechou a década de noventa questionando a sociedade pós Monica Lewinsky e pré World Trade Center, fazendo-o através de um inteligente humor negro, uma dramaticidade à flor da pele, um erotismo latente, de rara beleza estética sensual. O resultado foi um dos melhores filmes da década e de todos os tempos, premiado com cinco Oscars.

Todas as Armas Apontadas Para Lester

Beleza Americana” gira em torno de Lester Burnham, personagem magistralmente vivido por Kevin Spacey. Lester, chega ao 43 anos como um frustrado pai de família, preso a um emprego que odeia, desprezado pela filha adolescente e pela mulher. Na acomodação que vive, Lester encontra mais prazer na masturbação solitária do que em fazer sexo com a mulher, a corretora de imóveis Carolyn (Annette Bening). No marasmo da sua vida, Lester desenvolve um desejo obsessivo pela bela Angela (Mena Suvari), uma ninfeta colega de sua filha Jane (Thora Birch). É esta paixão velada pela adolescente que acende uma chama na vida de Lester. Aos poucos, ele se rebela diante das imposições da vida e da sociedade, na sua rebelião, vai desconstruindo os valores essenciais da sociedade em que vive.
Lester rompe com o emprego medíocre que tem, pedindo demissão, muda a forma de vestir, faz musculação e transforma o corpo desgastado pela idade em atlético, desenvolve uma amizade sustentada pelo ato de fumar haxixe, com o vizinho, o jovem Ricky Fitts (Wes Bentley), ex-dependente químico que lhe fornece as drogas. Quanto mais rompe com a coerência social, mais Lester encontra o equilíbrio e a felicidade, não como um adulto a caminho da meia idade, mas como um adolescente a descobrir o mundo e a beleza que nele existe, mas que a perdemos na construção dos valores que fazem de um cidadão um vencedor diante da opinião pública. Lester descobre os tênues fios da felicidade, mas é tarde para ele. O filme começa e ele já avisa que irá morrer naquele dia.
As mudanças de Lester ferem o mundo de mentiras que há à sua volta. O país que vive é uma mentira, o bairro onde mora é de habitantes infelizes. Ironicamente, dos vizinhos de Lester, somente o casal gay Jim (Scott Bakula) e JB (Sam Robards), têm uma vida normal e familiarmente saudável. Na nova vida de Lester não há espaço para aquele mundo hipócrita. Quanto mais avança em direção de si próprio, mais os que estão à sua volta empunham uma arma, preste a atirar. Todos apontam para Lester, a mulher, a filha e o seu namorado, o vizinho, a sociedade, um deles irá matá-lo. A tragédia americana será consumada, sem beleza alguma. O tiro que mata Lester, atinge o espectador, a sociedade e os seus costumes.

O Mundo Dúbio de Cada Personagem

No mundo de “Beleza Americananada é politicamente correto, tudo é aparência. Todos mentem, todos traem, todos amam a hipocrisia. Cada personagem reflete uma máscara que se lhe veste a sociedade americana, feita para amar a América acima de Deus e da família, e para ser um vencedor de uma complexa sociedade convulsivamente moralista. É a era de Bill Clinton, que ao ser felado pelos lábios carnudos de sua estagiária, e ter deixado o sêmen da decadência dos costumes americanos no vestido azul da parceira, quase foi cassado pelo moralismo da política do seu país.
Carolyn, a insatisfeita mulher de Lester, é o exemplo da saga americana, que sonha com sucesso profissional e financeiro. A falta de ambição de Lester mata o seu apetite sexual por ele. É nos braços de Buddy Kane (Peter Gallagher), o rei dos corretores, que Carolyn vai saciar o seu desejo sexual. Não é o corpo de Buddy que atrai Carolyn, mas sim o seu sucesso profissional. Na sua obsessão cega pela vitória profissional, a mulher de Lester encontra um prazer quase que orgástico quando tem aulas de tiro e adquire uma arma. Este prazer é a imagem da sociedade americana, cada vez mais armada.
Angela, a menina-mulher pela qual Lester desenvolve a sua obsessão romântica e sexual, é o símbolo da beleza perfeita, do desejo, da falsa ingenuidade, da provocação. Angela é a adolescente mais desejada pelos colegas da sua escola. Provocante, ela esconde um doce segredo, ao contrário do que se imagina, a bela mulherzinha é virgem.
Jane, a adolescente que se revolta com o mundo, menospreza o pai por sua passividade diante da vida e pelo seu assédio à amiga Angela. Jane concentra todo o seu ódio em Lester, cogita inclusive matar o pai, contratando o jovem Ricky para fazê-lo.
Ricky é um jovem problemático, ex-dependente químico, que vende drogas para a vizinhança. A mãe (Allison Janney) é uma mulher ausente e submissa ao pai, o coronel Frank (Chris Cooper), homem rude, aposentado do exército, orgulhoso das suas medalhas, exemplo vivo do herói americano. Frank é um homem rígido em seus conceitos, trata o filho com mão pesada, numa agressiva tentativa de deixá-lo longe das drogas. É o porta-voz do pensamento do americano mediano, menospreza o casal gay da sua vizinhança, movido por um grande preconceito. Frank, o honrado aposentado do exército americano, traz surpresas de uma personalidade reprimida. Nos enganos da comédia humana, Frank acredita que o filho está a manter um relacionamento homossexual com Lester. O coronel procura Lester não para proteger o filho do que considera a mais abjeta escolha sexual, mas para revelar o seu desejo escondido pelo vizinho. A revelação gera o repúdio de Lester, rejeição que, um homem como Frank, não supera. Está apertado o gatilho que matará Lester.

Cinco Oscars e Três Globos de Ouro

Kevin Spacey consegue dar a Lester todas as nuances da personagem, desde a imagem do pacato e menosprezado pai de família do início do filme, ao obsessivo e lascivo homem que deseja ardentemente a ninfeta amiga da filha. O ator mostra a virada da personagem de uma forma contundente, sem exageros histriônicos, mas longe de ser intimista. Spacey nos traz na sua composição de Lester, a doce lembrança de Jack Lemmon, o ator que mais representou no cinema a imagem do bom americano. O próprio Spacey confessou que se inspirou em Lemmon para interpretar o emblemático personagem de “Beleza Americana”.
A interpretação de Lester Burnham obrigou Kevin Spacey a submeter-se a rigorosos e pesados exercícios físicos, para que tivesse os músculos que exigiam a segunda fase da personagem. Esta transformação física está explicita nas cenas de nudez da personagem, que se mostra a exercitar o corpo. A recompensa de Kevin Spacey veio com o Oscar de melhor ator, dado pela Academia de Hollywood no ano de 2000.
Além do Oscar de melhor ator, “Beleza Americana” arrebatou mais quatro estatuetas: Oscar de melhor filme, Oscar de melhor diretor para Sam Mendes, Oscar de melhor roteiro original e de melhor fotografia.
Além dos 5 Oscars, o filme ganhou três Globos de Ouro para melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro original.

Ficha Técnica:

Beleza Americana

Direção: Sam Mendes
Ano: 1999
País: Estados Unidos
Gênero: Comédia, Drama
Duração: 121 minutos / cor
Título Original: American Beauty
Roteiro: Alan Ball
Produção: Bruce Cohen, Dan Jinks, Alan Ball e Stan Wlodkowski
Música: Thomas Newman e Pete Townshend
Direção de Fotografia: Conrad L. Hall
Desenho de Produção: Naomi Shohan
Figurino: Julie Weiss
Edição: Tariq Anwar e Christopher Greenbury
Elenco: Kevin Spacey, Annette Bening, Thora Birch, Wes Bentley, Mena Suvari, Peter Gallagher, Chris Cooper, Allison Janney, Scott Bakula, Sam Robards
Sinopse: Lester Burham (Kevin Spacey) não agüenta mais o emprego e se sente impotente perante sua vida. Casado com Carolyn (Annette Bening) e pai da adolescente Jane (Tora Birch), o melhor momento de seu dia é quando se masturba no chuveiro. Até que conhece Angela Hayes (Mena Suvari), amiga de Jane. Encantado com sua beleza e disposto a dar a volta por cima, Lester pede demissão e começa a reconstruir sua vida, com a ajuda de seu vizinho Ricky (Wes Bentley).

Sam Mendes

Sam Mendes até dirigir “Beleza Americana”, em 1999, era um conhecido encenador de peças teatrais em Londres. A encenação que Sam Mendes fez de “Cabaret”, foi decisiva para que Steven Spielberg e o produtor Bruce Cohen, que viram o espetáculo nos palcos londrinos, decidissem entregar a ele a direção do filme.
Sam Mendes nasceu em Reading, na Inglaterra, em 1 de agosto de 1965. Seus antepassados eram portugueses da Ilha da Madeira, que vieram de Trinidade e Tobago, quando dali expulsos. Atualmente é casado com a atriz Kate Winslet, estrela de “Titanic“, com quem tem um filho.

Filmografia de Sam Mendes:

2005 – Jarhead
2002 – Road of Perdition
1999 – American Beauty
1996 – Company (Filme para a televisão)


PARIS, MAIO DE 1968

Julho 19, 2008

Quando os estudantes saíram às ruas de Paris, em 1968, confrontando o sistema, a ordem política e os costumes sociais, estava deflagrado o maior movimento social do século XX. Em 30 dias de protestos, as transformações sociais concentraram o que se levaria mais de uma década para acontecer. Os confrontos entre jovens estudantes e policiais, acontecida em maio daquele ano, contou com a adesão de trabalhadores, mobilizou a França e espalhou-se para o restante do mundo ocidental.
Explodiram discursos pelas universidades, pelas ruas de Paris, palavras de ordem ousadas e frases revolucionárias emblemáticas eclodiram pelos muros da cidade, cartazes movidos pela genialidade criativa serviam de escudos para os estudantes, que nas ruas mostravam aos pais, governantes e filósofos da ideologia pós Segunda Guerra Mundial, que um novo mundo, novos costumes, desenhavam-se na história, e que as mudanças vieram para ficar. Era o clamor que exigia uma nova condição para a mulher diante da sociedade, da visão sem tabus ao sexo livre, do amor sem o casamento, da instituição familiar sem o conservadorismo secular das religiões, da liberdade que se perseguia e que já não se podia conter. Após o Maio de 1968, as relações entre homem e mulher, raças e costumes, pais e filhos, o amor livre, a homossexualidade, sofreram mudanças radicais, primeiro na França, depois no mundo. Paris assistia não à Revolução Francesa de 1789, que mudara a ordem e o poder de séculos, mas à Revolução do Comportamento, que também encerrou tabus de séculos.

“A Imaginação no Poder”

A França ainda não se recuperara da invasão alemã (1940-1944), durante a Segunda Guerra Mundial, quando eclodiu a Guerra Colonial na África, que resultou na independência das suas colônias naquele continente. A Guerra da Argélia, que culminou com a independência deste país em 1962, deixou cicatrizes indeléveis no povo francês. Em 1968,as feridas ainda sangravam e traziam um descontentamento convulsivo, alimentado pelas mudanças sociais que aconteciam no mundo.
No dia 23 de Março de 1968, estudantes da Universidade de Nanterre, nos arredores de Paris, organizaram protestos para mostrar o descontentamento com a estrutura acadêmica conservadora, a disciplina rígida e os currículos escolares. Os protestos culminaram com a ocupação da Universidade de Nanterre. Diante da ocupação, a reitoria decidiu fechar a universidade. Cercada por estudantes liderados por Daniel Cohn-Bendit , nos fins de abril, os protestos estudantis chegaram a Paris. No dia 3 de maio, solidários, os alunos da Sorbonne abriram as suas portas para os estudantes de Nanterre.
Os protestos atingiram as ruas da capital francesa. A pequena greve que surgira dos estudantes de algumas faculdades e nas escolas secundaristas, irrompeu em uma grande manifestação estudantil que tomou características de Revolução. Palavras de ordem como “É Proibido Proibir” ou “A Imaginação no Poder”, ecoaram pelas ruas da cidade, riscadas nos muros e impressas nos cartazes. No dia 5 de maio, mais de 10 mil estudantes entraram em confronto com a polícia no Quartier Latin, bairro da tradicional intelectualidade de Paris.
No dia 6 de maio, irrompeu o confronto entre 13 mil estudantes e a polícia. Bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela polícia, tiveram como resposta as pedras nas mãos do jovens. As manifestações sucederam-se nos dias seguintes. Cerca de 150 carros foram danificados ou incendiados. Influenciados pelos estudantes, operários de Paris realizaram protestos, ocupando fábricas e organizando passeatas e greves.
No dia 10 de maio, 20 mil estudantes enfrentaram a polícia nas ruas e nas universidades da Cidade Luz, num acirrado confronto que ficaria conhecido como a Noite das Barricadas.
No dia 13 de maio, aconteceu a unificação dos movimentos estudantil e trabalhista, que juntos promoveram uma greve geral de 24 horas, contra o governo do general De Gaulle e a sua política trabalhista e estudantil. No dia 20 de maio, o movimento atingiu o seu ápice, paralisando toda a França. Fábricas foram ocupadas, mais de 6 milhões de trabalhadores aderiram à greve. Paris amanheceu sem, ônibus, telefone e sem o metropolitano, além de vários outros serviços essenciais. Pressionado, o governo do general De Gaulle dissolveu a Assembléia Nacional, criou um quartel de operações militares para combater a insurreição. A situação só foi controlada no final de maio, depois de uma violenta repressão. Diante de um colapso eminente, De Gaulle marcaria eleições parlamentares para 23 de junho. Mas o governo de De Gaulle, irremediavelmente atingido pelas manifestações, sustentar-se-ia no poder somente até abril de 1969.
O movimento, assim como começou, esvaiu-se de repente. No final, mais de 1500 pessoas foram feridas. As armas finais usadas pelos estudantes da Sorbonne foram as frases emblemáticas que passaram para história do século XX. No rastro do movimento vieram as drogas, a música pop, o amor livre, a liberação feminina, uma nova sociedade para encerrar aquele século louco.
40 anos passados do Maio de 1968, os seus principais líderes são hoje empresários bem-sucedidos, alguns políticos, homens e mulheres que fazem parte do sistema que um dia contestaram. Mas a herança daquela Revolução Social expandiu-se pelo mundo, e, o comportamento do mundo cristão ocidental jamais foi o mesmo.

Frases Emblemáticas do Maio de 1968

“É proibido proibir”
“Se queres ser feliz, prende o teu proprietário”
“Sejam realistas, exijam o impossível!”

“O despertador toca: primeira humilhação do dia”
“A imaginação no poder”
“Abaixo o realismo socialista. Viva o surrealismo”
“As paredes têm ouvidos, seus ouvidos têm paredes”
“A idade de ouro era a idade onde o ouro não reinava”
“Nós somos todos judeus alemães”
“Não queremos um mundo onde a certeza de não se morrer de fome se troca contra o risco de morrer de aborrecimento”
“A humanidade só será feliz no dia em que o último capitalista for pendurado com as tripas do último burocrata”
“A política passa-se nas ruas”
“O patrão precisa de ti, tu não precisas dele”
“A arte morreu, libertemos a nossa vida cotidiana”
“A arte morreu. Não consumam o seu cadáver”
“Todo poder abusa. O poder absoluto abusa absolutamente”
“Todo poder aos conselhos operários (um enraivecido)
Todo poder aos conselhos enraivecidos (um operário)”
“O poder tinha as universidades, os estudantes tomaram-nas. O poder tinha as fábricas, os trabalhadores tomaram-nas. O poder tinha os meios de comunicação, os jornalistas tomaram-na. O poder tem o poder, tomem-no!”
“O direito de viver não se mendiga, toma-se”
“Viva o poder dos conselhos operários estendido a todos os aspectos da vida”
“Abramos as portas dos asilos, das prisões, e outras faculdades”
“Trabalhador: tu tens 25 anos, mas o teu sindicato é do outro século”
“Todo reformismo se caracteriza pela utopia da sua estratégia, e pelo oportunismo da sua tática”
“Quando a Assembléia Nacional se transforma em um teatro burguês, todos os teatros da burguesia devem se transformar em Assembléias Nacionais”
Juventude Marxista Pessimista”
“Não nos prendamos ao espetáculo da contestação, mas passemos à contestação do espetáculo”
“A revolução não é a dos comitês, mas, antes de tudo, a vossa.
Levemos a revolução a sério, não nos levemos a sério”
“Quanto mais amor faço, mais vontade tenho de fazer a revolução.
Quanto mais revolução faço, maior vontade tenho de fazer amor”
“Professores, sois tão velhos quanto a vossa cultura, o vosso modernismo nada mais é que a modernização da polícia, a cultura está em migalhas”
“Não reivindicaremos nada. Não pediremos nada. Conquistaremos. Ocuparemos”
“Sob as calçadas, a praia”
“Um homem não é estúpido ou inteligente. É livre ou não é”
“As reservas impostas ao prazer excitam o prazer de viver sem reserva”
“Revolução, eu te amo”
“Sou marxista, tendência Groucho”
“A revolução deve ser feitas nos homens, antes de ser feita nas coisas”
“Um só fim de semana não-revolucionário é infinitamente mais sangrento que um mês de revolução permanente”
“Tu, camarada, tu, que eu desconhecia por detrás das turbulências, tu, amordaçado, amedrontado, asfixiado, vem, fala conosco”
“Abaixo a Universidade”
“O álcool mata. Tomem LSD”
“A sociedade nova deve ser fundada sobre a ausência de qualquer egoísmo e qualquer egolatria. O nosso caminho será uma longa marcha de fraternidade”
“Abaixo a sociedade espetacular mercantil”
“Os limites impostos ao prazer excitam o prazer de viver sem limites”
“O sonho é realidade”
“Corre camarada, o velho mundo está atrás de ti”
“Acabareis todos por morrer de conforto”
“O sagrado, eis o inimigo”
“A poesia está na rua”
“Abaixo os jornalistas e todos os que os querem manipular”
“Abaixo o Estado”
“Viva o efêmero”
“Não trabalharemos mais”

Veja também:
1968, O ANO DE TODOS OS GRITOS

http://jeocaz.wordpress.com/2008/07/06/1968-o-ano-de-todos-os-gritos/


OS DEUSES DO OLIMPO

Julho 17, 2008

 

Com a cristianização do mundo grego, os seus deuses idealizados, por trazerem características por demais humanas (ódio, cólera, amor, alegria…), deixaram de ser venerados como divindades e tornaram-se mitos. A palavra mitologia (do grego mythos, significando fábula, e logos, tratado), designa o conjunto de fábulas e lendas que determinado povo imaginou e o estudo dos mesmos. Enquanto religião, os deuses gregos conciliavam o homem com a natureza, explicando princípios básicos da vida, como nascer, viver e morrer, sem criar vínculos do homem à divindade, sem codificações da deidade em um Livro Sagrado. Os deuses gregos isentam aquele povo dos conceitos do que é sacro e do que é pecado. Os deuses espelham os homens, com todas as suas qualidades e defeitos, tendo apenas na imortalidade a superioridade a eles.

As Gerações do Poder dos Deuses

No princípio, do misterioso Caos emanaram todas as formas materiais da vida. Dele emergiu Gaia, a mãe Terra, que sozinha gerou Urano (Céu). Gaia une-se a Urano, que a fecunda constantemente, e deles nascem os Titãs, os Ciclopes, monstros de um só olho, e os Hecatônquiros, gigantes de cem braços e cinqüenta cabeças. Urano reina ao lado dos doze filhos titãs, mas não suporta ver a face horrenda dos outros filhos, os ciclopes e os hecatônquiros, aprisionando-s no interior da Terra. Presos sem ver à luz, os filhos de Gaia e de Urano são responsáveis pela força indomável da natureza, causadores das desordens e cataclismos, como os vulcões, os terremotos, as tempestades e os furacões. A primeira geração de deuses governada por Urano e por sua mulher Gaia, personifica a força material da natureza, a sua desordem genetriz.
Desde que se unira a Urano, o ventre de Gaia não parou de gerar um único dia. Cronos (Saturno), o deus do tempo, um dos titãs, revolta-se contra o pai, por este fecundar incessantemente à mãe, trazendo-lhe sofrimentos com uma prole indomável e por ver os filhos prisioneiros. Para que Gaia não continue gerando infinitamente, Cronos corta, com uma foice afiada pela própria mãe, os testículos do pai. Sendo a foice o símbolo da morte para os gregos, quem morre não é Urano, visto que é imortal, mas o seu reinado.
Cronos, ao lado da titânia Réia (Cibele), sua esposa e irmã, estabelece o segundo reinado dos deuses sobre a Terra e os homens. Já não é o reinado da desordem criadora, e sim da era pré-consciente da humanidade. Cronos, o tempo, está cego, perdido na evolução da vida e da ordem natural. A vida não explica a si mesma, apenas fervilha.
Com Réia, Cronos gera três filhas, Héstia (Vesta), Deméter (Ceres) e Hera (Juno), e três filhos, Hades (Plutão), Poseidon (Netuno) e Zeus (Júpiter). Alertado pela profecia de um oráculo, que um dos filhos o iria destronar, Cronos devora cada um deles tão logo nascem. Réia salva Zeus de ser devorado, quando este nasce, entrega ao marido uma pedra enrolada em várias tiras de pano, para que ele o devore a pensar tratar-se do filho.
Salvo de ser devorado, Zeus seria criado pelas Ninfas em Creta, longe do pai. Crescido, Zeus destrona o pai, obriga-o a ingerir uma porção que o faz vomitar todos os filhos devorados, que cresceram dentro dele. Ao lado dos irmãos, Zeus trava uma luta de dez anos pelo poder, vencendo os Titãs e os Gigantes. Torna-se o senhor de todos os deuses, dividindo com os irmãos o domínio do mundo: a Zeus coube o reino do céu e da terra, a Poseidon o mar, e a Hades, as profundezas terrestres, chamadas de Érebo ou Infernos.
O terceiro e definitivo reinado dos deuses é feita por Zeus, casado com a sua irmã Hera. Zeus ordena o universo definitivamente, estabelecendo o princípio divino da espiritualidade, é afirmação da ordem sobre a desordem. No reinado de Zeus surgirá a geração dos deuses Olímpicos.
Zeus reina de cima do Monte Olimpo, o ponto mais alto de toda a Grécia. Outros deuses reinarão ao seu lado, formando os doze deuses do Olimpo, seis deusas e seis deuses. Há três listas diferentes referentes aos doze deuses do Olimpo:
1 – Zeus, Poseidon, Apolo, Ares (Marte), Hermes (Mercúrio), Hefestos (Vulcano), Hera, Héstia, Deméter, Afrodite (Vênus), Atena (Minerva) e Ártemis (Diana).
Nesta primeira lista Dioniso (Baco), o deus do vinho, não é considerado como um dos doze deuses do Olimpo.
2 – Zeus, Poseidon, Apolo, Ares, Hermes, Hefestos, Dioniso, Hera, Deméter, Afrodite, Atena e Ártemis.
Nesta lista, segue a versão de que, ao chegar ao Olimpo, Dioniso expulsou Héstia, a deusa do lar, de seu posto junto a Zeus, ocupando este lugar privilegiado, firmando-se para sempre como divindade. Aqui há um desequilíbrio em relação ao sexo dos deuses, há 7 deuses e 5 deusas, o que faz da lista a menos reconhecida.
3 – Zeus, Apolo, Ares, Hermes, Hefestos, Dioniso, Hera, Héstia, Deméter, Afrodite, Atena e Ártemis.
Nesta lista, Poseidon, senhor dos mares, governa de um castelo nas profundezas dos oceanos, não participando do reinado do irmão no Olimpo, apesar de integrar das decisões do conselho Olímpico.
Hades, senhor dos mortos, participa do conselho Olímpico, mas reina sozinho na escuridão do mundo, sobre os mortos, por isto não consta em nenhuma das listas.

Zeus, o Pai dos Deuses

Zeus, o Júpiter da mitologia romana, é o mais jovem dos crônidas (filhos de Cronos). Salvo por Réia de ser devorado por Cronos, cresce em Creta, aos cuidados das Ninfas e do Curetes, jovens sacerdotes da mãe. Zeus destrona o pai Cronos, obriga-o a ingerir uma porção que o faz vomitar os filhos devorados. Divide o domínio do mundo com os irmãos, cabendo-lhe o céu e a terra.
Como rei absoluto, Zeus comanda o Olimpo e os homens. É considerado o pai dos deuses, dos semideuses, dos heróis e dos homens. Para manter a prole e a paternidade que lhe garantem o poder sobre os deuses, o senhor do Olimpo une-se a um grande número de deusas e de mulheres mortais, desafiando os ciúmes da sua mulher Hera. Todas as grandes cidades da Grécia antiga tinham como patrono um filho de Zeus. O deus tem como arma os raios e os trovões, estabelece a disciplina entre os deuses e os homens, protegendo-os e assegurando-lhes a ordem.

Hera, a Ciumenta Esposa de Zeus

Hera, a Juno da mitologia romana, filha de Cronos e Réia, reina no Olimpo, ao lado do marido Zeus. Temida por seu caráter essencialmente vingativo e ciumento, Hera persegue todas as amantes e filhos do marido. A deusa é a imagem do caráter humano movido pelo ciúme, sendo a mais realista e humana dos mitos gregos. Hera é a personificação do elemento fundamental da família. Seu ciúme reflete o momento pelo qual a cultura grega passava, abandonando de vez a poligamia e adotando a monogamia na família. A deusa era cultuada principalmente pelas mulheres, representava a fidelidade e as boas relações entre os casais. Era a deusa do amor conjugal. Nas artes era representada como uma jovem mulher bela e um pouco severa. Seus poderes sobre o Olimpo e os demais deuses, são iguais aos do marido.

Deméter, a Deusa da Agricultura

Deméter, a Ceres da mitologia romana, uma das filhas de Cronos e Réia, ao nascer, foi devorada pelo pai, mais tarde é salva pelo irmão Zeus. É uma deusa de caráter agrário, responsável pela fertilidade da terra, das colheitas e da civilização. Representa a mulher da civilização helênica, que nos tempos mais remotos da sua história, tinha como costume a dedicação dos homens à caça, à pesca e às armas, enquanto as mulheres cuidavam da casa e do campo. Deméter ajuda os mortais a plantar os grãos e a cultivar a terra. Quando sua filha Core (Prosérpina) é raptada por Hades, o senhor dos infernos, e levada para o seu reino nas trevas, Deméter abandona o mundo à fome. Para que a humanidade não pereça com as trevas nos campos, Zeus interfere, fazendo um acordo entre a deusa da agricultura e o senhor dos mortos: Core ficaria seis meses ao lado de Hades, no mundo das trevas, e seis meses na terra, ao lado da mãe. Assim, quando Core retorna do Érebo, surge a primavera, Deméter volta aos campos e garante uma boa colheita no verão, quando Core retorna para junto do marido, Deméter deixa os campos para chorar a filha, surgindo o outono e o inverno das lágrimas da deusa.

Héstia, a Fria Deusa da Castidade

Héstia, a Vesta da mitologia romana, a primeira filha de Cronos e Réia, foi devorada pelo pai quando nasceu. Bela e fria, Héstia foi cortejada e amada pelos deuses Apolo e Poseidon, mas não sentiu amor ou paixão por nenhum deles, recusando-os e fazendo voto de castidade. Recebeu de Zeus a honra de ser venerada em todos os lares, ser incluída em todos os sacrifícios e permanecer imóvel no seu palácio, cercada pelo respeito dos deuses e dos mortais. É a divindade do fogo que aquece os lares (héstia em grego significa o fogo da lareira), das virgens (as vestais da Roma antiga) e protetora da família, dos lares. Todas as cidades antigas possuíam o fogo de Héstia, mantido aceso nos palácios em que se reuniam os representantes das tribos. Héstia era representada como uma mulher jovem, com um véu sobre a cabeça e os ombros. Uma das lendas diz que Héstia, destronada por Dioniso, deixou de ser uma das doze divindades do Olimpo.

Poseidon, Senhor dos Mares

Poseidon, o Netuno da mitologia romana, filho de Cronos e Réia, é o deus dos oceanos, dos terremotos e dos maremotos. Grande parte do território grego é constituído por ilhas no Mar Egeu, daí a grande importância do culto a Poseidon pelos helenos. O senhor dos mares habita, segundo a tradição do mito, um palácio nas profundezas do Egeu. Percorre os mares numa carruagem atrelada a velozes cavalos de cascos de bronze e crinas de ouro, trazendo o tridente nas mãos, sendo acompanhado por uma comitiva de Sereias, Nereidas, Ninfas, Centauros marinhos e delfins. É o deus pai de Teseu, o mais célebre dos heróis de Atenas. Também é pai de monstros como a Medusa. É um deus impetuoso, venerado pelos pescadores, navegantes e mercadores dos mares. Apesar da sua grande influência sobre o Olimpo, às vezes não é identificado como um dos doze deuses Olímpicos, tendo o seu reinado sobre as águas dos mares.

Afrodite, a Deusa do Amor

Afrodite, a Vênus da mitologia romana, nasceu da espuma do mar. Quando Cronos cortou os testículos de Urano, atirando-os ao mar, formou-se uma enorme espuma dos órgãos arrancados, da qual surgiu Afrodite, a mais bela de todas as deusas. Afrodite é a deusa do amor, a maior força que conduz o homem. Esta força pode ser a do sentimento mais profundo, como a do desejo sexual insaciável e destrutivo, o amor pode engrandecer o homem, como levá-lo à loucura. É a deusa da força primaveril, que traz o esplendor anual das plantas e a renovação da vida pelo amor, sempre em paralelo com a vida humana e a vegetal, pois a agricultura conduz a força da civilização helênica. Sem a primavera não há a fertilidade, não há a renovação da vida, não há o futuro. Foi obrigada por Zeus a casar-se com Hefestos, o deus feio e coxo dos vulcões. Afrodite trai sem culpa o marido com os mais belos deuses: Ares, Hermes e Dioniso, ou com os mortais Adônis e Anquises.

Ares, o Cruel Deus da Guerra

Ares, o Marte da mitologia romana, filho de Zeus e Hera, é o deus da guerra, inseparável companheiro do Terror e da Discórdia, é a face destrutiva da guerra, representa a crueldade das batalhas, o sangue derramado, a discórdia sem lados, sem vencedores, apenas o ódio cego das batalhas. Os gregos relutavam em cultuar Ares, que não oferecia a sua proteção à cidade alguma, apenas dominava o ódio. O deus jamais foi aceito inteiramente pela sociedade grega, que não admitia a violência e a brutalidade. A origem ao seu culto provinha dos trácios, povo belicoso, considerado desprezível pelos helenos. Ares é o pai dos deuses que personificavam a discórdia: Fobos, Deimos e Éris. Da sua união com Afrodite nasceram Cupido e Harmonia.

Atena, a Deusa da Sabedoria

Atena, a Minerva da mitologia romana, nasceu da cabeça de Zeus. O senhor do Olimpo uniu-se a Métis e fecundou-a, mas o oráculo previu que o próximo filho desta união destronaria Zeus, assim como ele fizera a Cronos. Para evitar que a profecia viesse a se concretizar, engoliu Métis. Tempos depois, despontou da sua cabeça a bela Atena, deusa da guerra estratégica, da luta racional e justa. Ao contrário de Ares, que provocava o horror da guerra, Atena protegia o guerreiro. Protetora e sábia, era ela que conduzia os gregos na defesa dos nobres ideais, na difusão da cultura e na instauração da paz. Atena manteve-se virgem, jamais amou homem algum ou teve filhos. Era a deusa mais cultuada pelos gregos, principalmente na Acrópole, em Atenas, cidade que leva o seu nome.

Hefestos, o Artesão dos Deuses

Hefestos, o Vulcano da mitologia romana, filho de Zeus e Hera, nasceu coxo, envergonhando a mãe diante dos deuses do Olimpo. Para não apresentar o filho imperfeito aos deuses, a esposa de Zeus atirou-o do Olimpo ao mar. Hefestos teria sido salvo pela nereida Tétis e sua amiga Eurínome, que criaram o feio deus como um filho. Hefestos tornou-se um habilidoso artesão dos metais, senhor do fogo e da forja. Deus do fogo e dos vulcões, é a imagem divina do artesão perfeito. Quando adulto, presenteou a mãe Hera com um trono de ouro, ao sentar-se sobre o presente, a deusa ficou aprisionada. Era a vingança à mãe que o rejeitara. Só aceitou libertar Hera daquela prisão, quando Zeus deu-lhe como esposa a mais bela das deusas, Afrodite. Hefestos tinha a sua oficina na ilha de Lemnos, onde era auxiliado por divindades menores ligadas ao fogo e à metalurgia. O mito de Hefestos representava a preocupação dos gregos com a genética. Era uma forma de alertar para os perigos dos filhos deformados nascidos da união entre irmãos, como eram Hera e Zeus.

Hermes, o Mensageiro dos Deuses

Hermes, o Mercúrio da mitologia romana, filho de Zeus e Maia, é o esperto deus dos viajantes, dos mercadores e dos ladrões. Corredor infatigável, o deus viaja por todas as partes entre a Terra e o Olimpo, como mensageiro dos deuses. Por esta desenvoltura, era representado pelos gregos como viril, modelo de juventude e ideal de juventude, sua veneração era feita nos estádios e ginásios. Era tido como o deus que inventara o pugilato e as carreiras atléticas, sendo o patrono dos desportistas. Foi o deus que inventou a lira, sendo cultuado pelos poetas e cantores. Traz chapéu e sandálias providos de pequenas asas que o ajudam a correr como o vento. Pai de vários filhos, os mais conhecidos da sua prole são: Pã, fruto da sua união com a ninfa Driopéia, e Hermafrodito, ser de dupla natureza, homem e mulher ao mesmo tempo, da sua união com Afrodite.

Apolo, o Deus Solar

Filho de Zeus e Latona, irmão gêmeo da deusa Ártemis, Apolo era o cultuado deus da luz, rompendo a escuridão do mundo, iluminando a obscuridade da ignorância e tecendo o brilho do dom da poesia e das artes. O deus tinha muitas faces, múltiplas funções. Era o condutor dos pastores, multiplicador das colheitas, iluminava o caminho dos navegantes, protegia os médicos e a saúde, inspirava os artistas, e adivinhava o futuro dos homens em seus oráculos. Era visto como deus da perfeição da beleza grega. Apolo era a superioridade do belo sobre o feio, do sublime sobre o vulgar, do ideal de beleza absoluta. É pai de Esculápio, mítica figura de médico. Amou Dafne, ninfa que fizera voto de castidade aos deuses, perseguida pelo deus da luz, implorou a Gaia que lhe ajudasse, sendo transformada em um loureiro sagrado. Trágico também foi o seu amor pelo belo Jacinto, disputado com Zéfiro. Enciumado, Zéfiro fez com que Apolo atingisse mortalmente o amado quando arremessava um disco. Triste, o deus transformou o sangue do amante numa flor que leva o seu nome. Deus da poesia e da beleza, Apolo é sempre seguido pelas nove Musas e pelas três Graças, nos seus passeios pelos vales do Parnaso ou pelos bosques da Arcádia.

Ártemis, a Virginal Deusa da Caça

Ártemis, a Diana da mitologia romana, irmã gêmea de Apolo, filha de Zeus e da titânia Latona. A lenda dizia que Ártemis nascera no sexto mês de gestação e Apolo no sétimo. Era a deusa da Lua e da caça, pediu a Zeus que lhe desse como apanágio a virgindade eterna. Ártemis nunca amou nenhum mortal ou deus, nunca teve filhos, era a imagem da altiva rainha da natureza selvagem. Tem como animal símbolo o cervo. De uma beleza rara, a deusa emana o fulgor e vigor das caçadoras dos bosques, trazendo sempre consigo o arco e as setas. Como deusa da Lua, acreditava-se que exercia influência sobre alguns fenômenos naturais. A sua pureza virginal refletia o contato direto do homem com a natureza, sem destruí-la ou ofendê-la.

Dioniso, o Poderoso Deus do Vinho

Dioniso, o Baco da mitologia romana, filho de Zeus e da mortal Sêmele, uma princesa tebana. Sendo filho de pai divino e mãe mortal, Dioniso não era aceito como deus. A lenda do mito de Dioniso diz que ele descobriu a uva, uma fruta desconhecida, extraindo dela o vinho, bebida de efeitos poderosos. Dioniso utilizou-se dos efeitos do vinho para impor a sua divindade aos homens e aos seres olímpicos. Era o deus do vinho, da alegria, da embriaguez, das festas, da colheita e da fertilidade.O deus era seguido pelas Mênades (as Bacantes dos romanos), jovens mulheres que simulavam delírios dionisíacos, celebrando as orgias com gritos e danças desnorteadas. Com o seu cortejo, Dioniso viajava pela Grécia antiga, propiciando aos devotos alegria e felicidade. Através do vinho, as preocupações deixavam os corações humanos e os medos sucumbiam. A coragem crescia, a vida refulgia em seu esplendor. A embriaguez produzia além do prazer e da esperança, a selvageria e a loucura. O culto a Dioniso está ligado às origens do teatro. Com Afrodite, o deus gerou Príapo, famoso por seu vigor fálico. Uniu-se à Ariadne, com quem viveu para sempre.


A CENSURA DO GOVERNO MILITAR E AS NOVELAS DA GLOBO

Julho 10, 2008

A prática de censura às artes, à literatura e às comunicações, é uma conseqüência dos governos repressivos, que usam dos veículos de comunicação para a divulgação de uma poderosa propaganda de estado, vetando aqueles que se lhe opõem. A Alemanha nazista foi quem mais soube usar dos veículos de comunicação, passando para o povo germânico e para o mundo a utopia de um estado totalitário. Não foi diferente no Brasil na época da ditadura militar, que durou de1964 a 1985. Durante duas décadas, a censura impôs o seu conceito de estado, moral e civismo em prol do regime dos presidentes vindos da caserna. Este período foi dividido em dois, o primeiro, de 1964 a 1968, considerado mais brando, que ocasionou um erro histórico das lideranças políticas da época, que viam 1968 como o ano em que a ditadura estava enfraquecida e pronta para ser derrubada, erro que terminou na promulgação do Ato Institucional número 5 (AI-5), de 13 de dezembro de 1968, que fechou o Congresso, cassou mandatos, negando hábeas corpus aos presos políticos. O regime militar entrou na sua segunda fase, com um endurecimento maior. Após o AI-5, a liberdade de expressão passou a ser vigiada, todos os veículos de comunicação (imprensa, música, televisão, teatro, cinema) deveriam ter as suas pautas previamente aprovadas, sujeitas à inspeção local por agentes autorizados.
A imagem que o autoritarismo do regime militar no Brasil queria passar era a de um governo estável politicamente, de uma nação regida por uma rígida moral cristã e de bons costumes, de um país próspero e em pleno ápice do desenvolvimento. Qualquer menção à tortura, à perseguição política ou à falta de liberdade de pensamentos, era proibida, omitida diante de uma nação que, na maioria das vezes, sua população não sabia o que estava a acontecer nos calabouços da ditadura, ou, no jogo de poder que assolava a nação.
Jornais, Revistas, Músicas… Censura Geral
A censura à imprensa gerou diferentes reações. Jornais e revistas quando tinham suas matérias censuradas, deixavam longos espaços em branco, publicavam receitas culinárias indecifráveis, ou recorriam à poesia de Camões no lugar das matérias vetadas.
A MPB teve várias canções censuradas, com “Cálice” (Chico Buarque – Gilberto Gil), “Apesar de Você” (Chico Buarque) ou “Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores” (Geraldo Vandré). Capas de discos foram censuradas, como a do álbum “Índia”, de Gal Costa, de 1973, em que a cantora trazia um close frontal em uma vestida de uma tanga minúscula. A censura ao corpo do cantor Ney Matogrosso, que na época fazia parte da banda “Secos & Molhados” (1973), apresentando-se sem camisa. Como conseqüência, a televisão só podia focalizar o seu rosto, ou o corpo ao longe, sem closes.
O cinema foi um dos veículos de comunicação mais prejudicado pela censura da ditadura militar. Filmes como “Emmanuelle” (1974), com Sylvia Kristel, “O Último Tango Em Paris” (1972), com Marlon Brando, só foram exibidos em 1980, quando a ditadura militar proporcionou uma abertura e liberou certas obras censuradas. Mas o filme “Pra Frente Brasil”, de 1982, que falava da tortura no regime militar, não escapou à tesoura da censura.
A censura não poupou a telenovela, que se tornou o principal produto de consumo do telespectador brasileiro. Autores como Dias Gomes, Janete Clair, Lauro César Muniz e Mário Prata, tiveram seus textos destruídos pelos censores, que se encarregavam de verificar se o que se ia ao ar estava de acordo com as regras do regime militar e com os seus valores morais.

Capítulos e Novelas Censuradas

A telenovela diária, como forma de entretenimento da televisão brasileira no formato que se tem hoje, surgiu em 1963, com 2-5499 Ocupado, tendo como protagonistas Tarcísio Meira e Glória Menezes. Na primeira fase da ditadura militar (1964-1968), as telenovelas não tinham grande poder de formação de opinião junto ao público, o que fez com que os censores só olhassem para elas a partir de 1970. Naquele ano, o sucesso de “Irmãos Coragem”, de Janete Clair, pôs o hábito no brasileiro de ver telenovela no horário nobre, tradição que perdura até os dias atuais. A paixão tão bem correspondida entre o brasileiro e as telenovelas, fez com que as mais estranhas formas de censura caíssem sobre os textos dos autores até o fim da ditadura militar.
A primeira telenovela de Dias Gomes foi “A Ponte dos Suspiros” (1969), feita pela Rede Globo. Era um dramalhão que se passava em Veneza. O dramaturgo, temendo represálias devido à sua militância política declaradamente de esquerda, assinou esta novela com o pseudônimo de Stela Calderón. Dias Gomes tinha a supervisão do seu texto feita pela poderosa Glória Magadan. Com a demissão de Glória Magadan pela Globo, o autor mudou radicalmente o texto, passando a debater temas políticos. Com a mudança no conteúdo, a censura paulista obrigou a novela a ser transmitida às 22 horas, inaugurando assim, um novo horário na emissora que perduraria até 1979. Na novela “Bandeira 2” (1971/72), o protagonista era o bicheiro Tucão (Paulo Gracindo), que teve grande aceitação popular. A censura exigiu que ele fosse morto no fim da trama, para moralizar a história. A censura atingiria a próxima novela de Dias Gomes, a mítica “O Bem-Amado” (1973). A música tema da abertura da novela, “Paiol de Pólvora” (Vinícius de Moraes – Toquinho), foi censurada por causa do verso “Estamos sentados em um paiol de pólvora”, sendo substituída por “O Bem-Amado” (Vinícius de Moraes – Toquinho), tocada pelo Coral Som Livre. Ainda nesta novela, foi proibido que Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo) fosse chamado de “coronel” e Zeca Diabo de “capitão”, o que obrigou a emissora carioca a apagar o áudio em mais de 15 capítulos já gravados em que apareciam as palavras. “Ódio” e “vingança” foram outras palavras proibidas pela censura de serem pronunciadas na novela. O maior golpe que sofreu Dias Gomes foi a censura completa da novela “Roque Santeiro”, em 1975. Já com 36 capítulos gravados e editados, prontos a estrear, a Delegacia de Ordem Pública e Social (DOPS), descobriu que o dramaturgo estava a adaptar o texto teatral “O Berço do Herói”, de sua autoria, que fora escrito e proibido em 1963. A história de Sinhozinho Malta (Lima Duarte), viúva Porcina (Betty Faria) e Roque (Francisco Cuoco) nunca foi ao ar, sendo substituída por uma reprise compacta de “Selva de Pedra”. A novela só seria liberada dez anos depois, em 1985, trazendo o mesmo Lima Duarte no papel de Sinhozinho Malta, mas com Regina Duarte (Porcina) e José Wilker (Roque) como protagonistas. A novela tornar-se-ia um dos maiores sucessos da televisão brasileira.
Durante a ditadura militar e a sua rígida censura, Janete Clair foi a autora de telenovelas que mais produziu grandes sucessos, sendo a que teve mais textos vetados pela censura. “O Homem Que Deve Morrer” (1971), sugeria de forma alegórica, uma adaptação da vida de Cristo. Ciro Valdez (Tarcísio Meira), nascia de uma mulher virgem do interior do Brasil. Dois dias antes da estréia, o tema foi considerado impróprio, os dez primeiros capítulos foram totalmente vetados pela censura. Diante do impasse, Janete Clair baseou a sua novela em “Eram os Deuses Astronautas”, de Erich von Daniken, e o protagonista passou a ser filho não do espírito santo, mas de um ET. Janete Clair voltaria a sofrer com a censura na sua novela seguinte, “Selva de Pedra” (1972). Na novela, o casamento entre Cristiano (Francisco Cuoco) e Fernanda (Dina Sfat) não se realizou porque a censura considerava a união um estímulo à bigamia. Cristiano acreditava que a sua mulher Simone (Regina Duarte), tinha morrido em um acidente, mas a censura não permitiu a cerimônia, alegando que o público sabia que o casamento era bigamia. Janete Clair fez com que Fernanda fosse abandonada no altar e, inutilizou 22 capítulos já escritos, que seriam exibidos logo após o casamento das personagens. Em 1973, a autora teve a novela “Cidade Vazia” vetada pela censura, sendo obrigada a improvisar com “O Semideus”. Após o término de “O Semideus”, “Cidade Vazia” foi liberada com o nome de “Fogo Sobre Terra” (1974). A novela narrava a história da cidade fictícia de Divinéia, que seria inundada por uma hidrelétrica. A novela sofreu grandes problemas com a censura por causa do protagonista Pedro Azulão (Juca de Oliveira), que liderava o povo contra a construção da hidrelétrica. Pedro Azulão foi obrigado a mudar a sua convicção ideológica. Na trama, a autora pensava em matar a personagem no final, mas a censura não deixou, para que não se transformasse em mártir, e, de quebra fez com que a personagem se retratasse. Esta novela teve vários capítulos mutilados pela censura, fazendo a coerência do texto desaparecer por completo. De uma só vez, a autora rasgou 12 capítulos censurados. Mais tarde, Janete Clair declararia que “Fogo Sobre Terra”, tinha sido a sua novela mais prejudicada pela censura. A autora voltaria a sofrer retaliações com “Duas Vidas” (1977), cuja temática mostrava a desapropriação de residências pelas obras da construção do metrô do Rio de Janeiro. Como o metrô era uma obra do governo federal, não podia ser criticado pela televisão. Nenhuma personagem podia reclamar sequer da poeira feita pelas obras. Uma cena entre as personagens Valdo (Luís Gustavo) e Naná (Arlete Salles), que sugeria uma discussão violenta, foi inteiramente cortada, o telespectador ficava sem perceber se Valdo tinha matado ou espancado Naná.
A ditadura dos generais era moralista, pois era sustentada por uma burguesia conservadora e rígida, composta por senhoras de família que saíram às ruas em 1964, com rosários nas mãos, a apoiar o golpe militar. Nas novelas da época, um homem casado não se poderia apaixonar por outra mulher, ter amantes, muito menos trocar um beijo e carinhos com ela. Na novela “Sem Lenço, Sem Documento” (1977), de Mário Prata, Marco (Ney Latorraca) era casado com Iara (Cidinha Milan), nutria uma paixão velada por Carla (Bruna Lombardi), por este motivo, a censura obrigou o autor a matar Iara, fazendo de Marco um viúvo disponível para viver o seu amor por Carla.
Escalada” (1975), o maior sucesso de Lauro César Muniz, contava a história da construção de Brasília, mas o protagonista Antônio Dias (Tarcísio Meira), e as outras personagens da trama, eram proibidas de falar no nome de Juscelino Kubtschek, o presidente que havia construído a capital federal, e, que fora exilado pelo regime militar. Lauro César Muniz voltaria a sofrer com a censura em 1977, na novela “Espelho Mágico”, as personagens Nora (Yoná Magalhães) e Jordão (Juca de Oliveira) viviam um casamento desgastado, marcado por cenas de fortes discussões, que foram cortadas e excluídas, não indo ao ar pela censura achar que serviam de incentivo à separação dos casais. O mais curioso é que esta novela foi ao ar no momento histórico da aprovação da lei do Divórcio no Brasil, promulgada naquele ano, lei que criou um mal-estar entre a burguesia e a igreja conservadoras, os maiores aliados dos militares.
Às vezes a censura comportava-se de forma que não se percebia, como no caso da novela “Escrava Isaura” (1976), de Gilberto Braga, que tinha como tema a escravidão, mas que não se podia usar a palavra “escravo”. Esta palavra tinha que ser substituída por “peça”. Na novela “O Bofe” (1972), de Bráulio Pedroso, Inocêncio (Paulo Gonçalves) era um vigarista que se passava por padre para dar um golpe, quando os censores perceberam o ardil, obrigaram o autor a manter a personagem como padre e ser punido no fim da trama.
Um ano após a proibição de “Roque Santeiro”, a Rede Globo sofreria mais um golpe, “Despedida de Casado”, de Walter George Durst, programada para substituir “Saramandaia”, foi proibida pela censura. O projeto de lei que instituiria o divórcio no Brasil estava no auge do seu debate, e a lei seria promulgada seis meses depois da estréia dessa novela, mesmo assim, a censura continuava conservadora, não permitindo que o tema, as crises conjugais do casal Stela (Regina Duarte) e Rafael (Antônio Fagundes) após dez anos de casados, fosse abordado pela televisão. Os 30 primeiros capítulos tinham sido aprovados pela censura, depois de gravados e editados, não agradaram aos censores e a novela foi definitivamente vetada. A solução foi Walter George Durst escrever outra história e aproveitar o elenco de “Despedida de Casado”. “Nina” foi a novela escrita para substituir a malograda história. Ao contrário de “Roque Santeiro”, que foi retomada dez anos depois, “Despedida de Casado” foi definitivamente esquecida, pois teve a sua temática datada após a lei do divórcio.
Já feita a anistia política e retomada a abertura, no finzinho do regime militar, a mini-série “Bandidos da Falange” (1982), de Aguinaldo Silva, foi censurada, só liberada cinco meses depois, após sofrer grandes cortes, vindo a ser exibida em 1983.
Não só de cunho político, como também de vertente moralista e defensora dos costumes da época, a censura que perdurou enquanto do regime militar, provocou o decepamento de centenas de capítulos das novelas, culminando com o veto total de duas delas, “Roque Santeiro” (1975) e “Despedida de Casado” (1976), ambas da Rede Globo.


1968, O ANO DE TODOS OS GRITOS

Julho 6, 2008

O ano de 1968 provavelmente foi um dos mais convulsivos do século XX. É tido como o ano que modificou os costumes e abriu as portas para os comportamentos sociais que hoje fazem parte da sociedade ocidental. Foi o ano de todos os sonhos e de todos os pesadelos. Ano dos festivais e manifestações estudantis e políticas no Brasil, que se encerraria com o fechamento do Congresso e a promulgação do Ato Institucional número 5 – o AI-5.
Nas contestações que abalaram o mundo, 1968 trazia uma expectativa de liberação sexual, política e filosófica. O mundo mudava, a família perdia valores antigos e ansiava por outros. A repressão e as limitações impostas pela Guerra Fria, fazia daquela geração genial prisioneira do sistema controlado por duas ideologias, deixando-a estagnada diante de um mundo tecnológico e social que não parava de evoluir. A mulher conquistava um novo espaço diante da família e da sociedade, rompia com a filosofia da concepção e mostrava que tinha uma sexualidade a ser explorada, da qual tinha o direito de sentir prazer. Esta geração de mulheres queimou soutiens em praça pública, aderiu à pílula anticoncepcional, enfrentaram o papa Paulo VI e à igreja, que naquele ano publicou a encíclica Humanae Vitae, condenando o uso do anticoncepcional.
Mulheres, homens, políticos, estudantes, artistas, o mundo saiu às ruas no ano de 1968, protestou, enfrentou tanques de guerra, polícia de choque e a violência dos costumes, ousaram confrontar o sistema. Reprimidos ou bem sucedidos, o mundo jamais foi o mesmo depois do infindável 1968. 40 anos passados, o mundo ainda questiona os resquícios de um dos mais longos anos da história.

O Mundo em 1968

1968 começou com a ascensão de Alexandre Dubcek , como secretário-geral do Partido Comunista da Tchecoslováquia, país do leste europeu, que fazia parte do chamado bloco da Cortina de Ferro, liderada pela política da ex-União Soviética. A tentativa reformista de membros do partido, de desenvolver um “socialismo com face humana”, abrindo as portas do país para o mundo, dando liberdade à população de ir e de vir, sem abandonar o regime, incomodaria os governantes dos países vizinhos. Esta humanização do regime, aconteceria de janeiro a agosto, entraria para a história como a “Primavera de Praga”. Terminou com a invasão da Tchecoslováquia por 600 mil soldados e 7 mil tanques de guerra, enviados por Moscou e por todos os países do bloco do Pacto de Varsóvia, todos em defesa da ditadura do Kremlin, construída dentro do marxismo-leninismo. Outra primavera como esta só aconteceria em 1989, quando o muro de Berlim foi derrubado, e as raízes do socialismo de face humana recuperados.
Nos Estados Unidos, a televisão começou a mostrar a face cruel da Guerra do Vietnã. Os pais começaram a questionar o porquê de ter que enviar os seus filhos para os campos de batalha. Os jovens passaram a contestar a guerra e as suas conseqüências. No Vietnã, palco dos conflitos sangrentos, os Vietcongs atacaram a embaixada americana em Saigon, ato que desencadearia a primeira batalha nesta cidade, onde as tropas americanas matariam milhares de civis.
No meio aos violentos protestos contra a guerra, os americanos perdem dois dos seus grandes líderes, Martin Luther King, assassinado em 4 de abril, na cidade de Menphis e, Robert Kennedy, candidato à presidência da república, morto a tiros no Hotel Ambassador, em Los Angeles, na Califórnia. Aquele ano jamais sairia do imaginário americano, que terminaria com a promessa do governo de enviar mais 24.000 soldados para a Guerra do Vietnã e com a eleição de Richard Nixon como presidente.
É neste conturbado ano que floresce na França, o Maio de 1968. Estudantes em busca de ideais políticos e da quebra dos costumes sociais com os seus tabus comportamentais, fazem barricadas pelas ruas de Paris, desencadeando uma série de greves que atingiria também os trabalhadores da França do general De Gaulle. O país inteiro apóia os estudantes na Noite das Barricadas. Violentos confrontos entre estudantes e a polícia fazem com que a Sorbonne seja fechada pelas autoridades. “É proibido proibir”. “A imaginação no poder”. “Seja realista, peça o impossível”. Palavras de ordem que caracterizaram o movimento, que assim como começou, esvaiu-se, mas deixou para o mundo um questionamento da política tradicional, dos costumes e do autoritarismo. A utopia do Maio de 1968 introduziria na cultura ocidental alguns valores como pacifismo, feminismo, ecologia, além de popularizar a contracultura, a música de protesto, o som pop e as drogas.
Em Portugal, o ditador Antonio de Oliveira Salazar, foi afastado do governo, onde esteve no poder desde 1928, após ser vitimado por um hematoma craniano, que lhe causou danos cerebrais graves, depois de uma queda em 7 de Setembro. Marcelo Caetano torna-se primeiro ministro, será o último presidente do conselho do Estado Novo português, responsável por uma ditadura de mais de quatro décadas.
Ainda nos tumultos do ano, pela primeira vez um país da América Latina recebe os Jogos Olímpicos, realizados na Cidade do México. Poucos dias antes de receber as olimpíadas, o exército mexicano mata 48 pessoas durante uma manifestação estudantil, que ficou conhecido como o Massacre de Tlateloco.

O Ano Que Terminaria Mais Cedo no Brasil

No Brasil, 1968 é o ano dos festivais da canção, do manifesto da Tropicália de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto e Gal Costa. Ano da explosão das cores e da estética nacional. No meio das convulsões políticas e culturais, a bela brasileira Martha Vasconcellos é eleita Miss Universo.
Em março, o estudante secundarista Edson Luís de Lima Souto, então com 16 anos, é assassinado pela polícia no restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro. O estudante almoçava no restaurante quando foi mortalmente baleado por uma polícia repressiva. Edson não era líder estudantil e não participava de confrontos armados, conforme propagara a polícia, a justificar o crime diante da nação indignada. A resposta dos brasileiros viria em junho, que incentivados pelo Maio de 1968, realizaram na Avenida Rio Branco, Rio de Janeiro, a Passeata dos Cem Mil. O ato é o maior que se realizou contra a ditadura militar, teve a participação de intelectuais, artistas e ativistas políticos. Era um protesto contra a repressão aos estudantes. Pedia pelo fim da ditadura e pela volta da democracia ao país. A passeata foi dedicada à memória do estudante Edson Luís.
Em São Paulo, a rua Maria Antônia, onde se situavam a Universidade Mackenzie e a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, foi palco do conflito que ficou conhecido como a “Batalha da Maria Antônia”, ocorrido em outubro. No Mackenzie, os estudantes eram tidos como conservadores de direita, e abrigavam o CCC (Comando de Caça aos Comunistas), enquanto que na Faculdade de Filosofia da USP, a esquerda era absoluta. Do violento confronto entre os estudantes, resultou a morte de um deles, vítima de bala perdida.
O outubro de 1968 foi negro para o movimento estudantil, que sofreria mais um golpe, o XXX Congresso da UNE, realizado clandestinamente num sitio, em Ibiúna, São Paulo, terminou com a prisão de cerca de mil estudantes que dele participavam. Sem oferecer resistência, todas os líderes do movimento estudantil foram presos: José Dirceu, presidente da UEE, Luís Travassos, presidente da UNE, Vladimir Palmeira, presidente da União Metropolitana de Estudantes, e Antonio Guilherme Ribeiro Ribas, presidente da União Paulista de Estudantes Secundários, entre outros. Um golpe violento na última resistência estudantil à ditadura militar.
O ano de 1968 encerraria mais cedo para as tênues esperanças de uma volta à democracia ao Brasil, no dia 13 de dezembro, o presidente general Artur da Costa e Silva decretou o AI-5 – Ato Institucional número 5, iniciando o período mais obscuro, fechado e violento da ditadura militar no país. O ato foi motivado pela recusa do Congresso Nacional em condenar o deputado Márcio Moreira Alves, pelo discurso que fizera em setembro, afrontando a ditadura.
Conturbado, violento, coberto de esperanças dúbias, de ideologias acirradas, ironicamente o ano de 1968 foi decretado pelas Nações Unidas como o Ano Internacional dos Direitos Humanos.


JULHO

Julho 1, 2008
Julho é o segundo mês após o primeiro solstício, sendo o mais quente do ano no hemisfério boreal e o mais frio do ano no hemisfério austral.
Sétimo mês do ano do Calendário Gregoriano, possui 31 dias, Julho tem o seu nome derivado do grande líder romano Caio Júlio César (Gaius Julius Caesar). Júlio César foi quem mudou o antigo Calendário Romano, de doze meses distribuídos em 355 dias, instituindo em 46 a.C., o calendário Juliano. Júlio César considerou o ano trópico de 365 dias e 1/4 e estabeleceu 3 anos de 365 e 1 de 366 dias, a cada quatriênio. Com as modificações, em 45 a.C., o ano antes iniciado em Março, passa a ter o seu início em Janeiro. Quando Júlio César foi assassinado, em 44 a.C., o Senado Romano homenageou o mês que ele tinha nascido, Quintilius (que tinha este nome por ser o quinto mês do Calendário Romano), renomeando-o com o nome de Julius, que em português é Julho.
Julho começa o seu ponto astrológico com sinal em Câncer e termina com sinal em Leão. Astronomicamente o Sol começa na constelação de Gemini e termina na constelação de Câncer.

Julhos no Brasil

01 de Julho
1686 – O jesuíta Antônio Vieira noticia pela primeira vez uma epidemia de febre amarela no Brasil.
1885 – Inauguração da Estrada de Ferro do Corcovado no Rio de Janeiro.
1994 – Lançado o real, nova moeda brasileira, substituindo a URV (Unidade Real de Valor).

02 de Julho
1823 – Tropas brasileiras marcham sobre Salvador, expulsando as forças portuguesas, na guerra da Independência.
1824 – Proclamada a Confederação do Equador, em Pernambuco, pelo manifesto de Paes de Andrade, conclamando as províncias do Norte a integrarem uma confederação.

03 de Julho
1917 – Nasce no Rio Grande do Sul, o jornalista João Saldanha.
1951 – Sancionada a Lei Afonso Arinos, que inclui o preconceito racial no rol das contravenções penais.
1980 – O papa João Paulo II, em sua primeira visita ao Brasil, faz missa em São Paulo e fala da importância do padre José de Anchieta.

04 de Julho
1789 – Preso por participar da Conjuração Mineira, aparece enforcado em sua cela, em Vila Rica (atual Ouro Preto), o advogado e poeta Cláudio Manuel da Costa.
1821 – D. João VI regressa a Portugal, chamado pelas Cortes Constituintes, reunidas em virtude da revolução de 1820.
1948 – Morre em São Paulo, o escritor Monteiro Lobato.

05 de Julho
1853 – D. Pedro II sanciona a lei que cria o Banco do Brasil, resultante da fusão de dois dos maiores bancos particulares da época: o Comercial do Rio de Janeiro e o Banco do Brasil.
1914 – Realizado o primeiro vôo entre São Paulo e Rio de Janeiro, pelo paulista Edu Chaves, que completa o percurso em pouco menos de cinco horas.
1922 – Levante tenentista no Rio de Janeiro, episódio conhecido como “Os dezoito do Forte”.

06 de Julho
1747 – Alegando altos custos da atividade, o rei português d. João V ordena a apreensão do material de imprensa no Brasil.
1871 – Morre em Salvador, Castro Alves, o “poeta dos escravos”.
1922 – Prisão do marechal Hermes da Fonseca, encerrando o episódio do Forte de Copacabana.

07 de Julho
1812 – O príncipe regente d. João desmembra a Freguesia de São Pedro do Rio Grande do Sul, pertencente ao bispado do Rio de Janeiro, erigindo a Freguesia de Pelotas.
1912 – Fluminense vence Flamengo por 3 a 2 na primeira edição do maior clássico do futebol brasileiro.
1957 – Estréia de Pelé na seleção, fazendo um único gol contra a Argentina, que derrota o Brasil por 2 a 1.

08 de Julho
1711 – O arraial de Minas de Ouro Preto é elevado à categoria de vila, com o nome de Vila Rica de Nossa Senhora do Pilar.
1896 – Primeira sessão pública de cinema no Brasil, na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro.

09 de Julho
1501 – Carta do rei d. Manuel aos demais soberanos europeus comunicando o descobrimento, por acaso, do Brasil, por ele chamado Ilha de Vera Cruz.
1553 – Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, cria a província jesuítica do Brasil.
1932 – Revolução Constitucionalista em São Paulo.

10 de Julho
1884 – É abolida a escravidão negra na província do Amazonas, quatro anos antes da Lei Áurea.
1886 – Serviço de telefonia começa a funcionar em Minas Gerais.

11 de Julho
1711 – A vila de São Paulo é elevada à categoria de cidade, por carta régia de d. João V, rei de Portugal.
1967 – O primeiro grupo de participantes do projeto Rondon, com 27 universitários, parte do Rio de Janeiro para Rondônia.

12 de Julho
1654 – Morre em Portugal, frei Manuel Calado do Salvador, autor da crônica O Valeroso Lucideno, sobre o Brasil holandês.
1980 – Pelé é escolhido o esportista do século.
1998 – Seleção brasileira de futebol, é derrota pela seleção francesa, em Paris, por 3 a 0, sendo vice-campeã da Copa do Mundo de Futebol de 1998.

13 de Julho
1533 – Duarte da Costa, segundo governador-geral do Brasil, chega a Salvador.
1901 – Num feito que empolga a Europa, Santos Dumont contorna a Torre Eiffel, em Paris, a bordo de um dirigível.

14 de Julho
1909 – Euclides da Cunha é nomeado professor do Colégio Pedro II após ser aprovado em 2º lugar em concurso.
1909 – Inaugurado no Rio de Janeiro, o Teatro Municipal.
1945 – Fundada, no Rio de Janeiro, a Academia Brasileira de Música.

15 de Julho
1799 – Em razão da loucura de sua mãe, a rainha dona Maria I, o príncipe d. João é declarado regente de Portugal.
1889 – O português Adriano do Vale dispara um tiro contra o imperador d. Pedro II, que escapa ileso do atentado.
1970 – É criada, a partir de um projeto de lei no Senado, a Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor (FEBEM).

16 de Julho
1645 – Holandeses em guerra contra os portugueses no Brasil, massacram católicos no Rio Grande do Norte.
1944 – Chega a Nápoles, Itália, o primeiro contingente da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que teria importante participação na Segunda Guerra Mundial.

17 de Julho
1943 – Getúlio Vargas é eleito pela Assembléia Constituinte para o cargo de presidente da República com 175 votos contra 71 dados aos demais candidatos.
1968 – Presidente Costa e Silva, em ato que torna o regime militar ainda mais fechado, proíbe manifestações públicas.
1973 – O cantor e compositor Geraldo Vandré é preso como subversivo, ao desembarcar no Rio de Janeiro.

18 de Julho
1697 – Morre em Salvador, o padre jesuíta Antônio Vieira, um dos mais importantes escritores e pregadores religiosos da língua portuguesa.
1841 – D. Pedro II é coroado imperador do Brasil, na Capela Imperial, no Rio de Janeiro, aos 15 anos de idade.
1987 – Morre Gilberto Freyre, grande sociólogo autor de Casa Grande e Senzala.

19 de Julho
1575 – Breve do papa Gregório XIII cria a Prelazia do Rio de Janeiro.
1900 – Fundado no Rio Grande do Sul, o primeiro clube brasileiro dedicado exclusivamente ao futebol, o Sport Club Rio Grande.

20 de Julho
1790 – Incêndio destrói a casa do juiz de órfãos Francisco de Menezes, onde funcionava a Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
1873 – Nasce Alberto Santos Dumont, pioneiro da aviação.
1897 – Inaugurada, no Rio de Janeiro, a Academia Brasileira de Letras, tendo como presidente Machado de Assis e como secretário-geral Joaquim Nabuco.

21 de Julho
1674 – Parte de São Paulo, em busca de minerais preciosos, a bandeira de Fernão Dias Pais.
1773 – Extinta, por decisão do Papa Clemente XIV, a Companhia de Jesus, que já havia sido expulsa dos domínios portugueses pelo Marquês de Pombal.

22 de Julho
1624 – Carta régia determina que seja introduzido no Brasil o Tribunal da Inquisição.
1635 – Domingos Fernandes Calabar é executado em Pernambuco, acusado de traição.
1968 – Bomba explode em atentado contra a Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro.

23 de Julho
1840 – Antecipada a maioridade imperial de d. Pedro II, que assume o trono aos 14 anos.
1900 – Inaugurado no Rio de Janeiro, o Instituto Soroterápico Federal, atual Fundação Oswaldo Cruz.
1924 – Rompe a Revolução Tenentista em Manaus.

24 de Julho
1826 – Nasce Francisco Solano López, na capital paraguaia.
1833 – D. Pedro I (IV de Portugal), toma Lisboa de seu irmão, d. Miguel.
1840 – D. Pedro II nomeia o seu primeiro ministério.

25 de Julho
1868 – A 5ª divisão de cavalaria do Exército brasileiro toma a fortaleza de Humaitá, importante praça-forte das tropas inimigas na Guerra do Paraguai.
1892 – É instalado o Museu Nacional no Rio de Janeiro.
1966 – Explode uma bomba no aeroporto do Recife, onde pousaria o avião do Marechal Costa e Silva, candidato à sucessão do presidente Castello Branco.

26 de Julho
1930 – João Pessoa, candidato a vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas, e presidente da Paraíba, é assassinado em Recife, Pernambuco.
1950 – Convenção do PTB homologa a candidatura de Getúlio Vargas à presidência da República.

27 de Julho
1798 – É batizada Maria Quitéria, heroína das lutas de independência do Brasil.
1909 – Estréia o primeiro cinematógrafo do Recife.
1924 – Grupo liderado pelo cangaceiro Lampião toma a cidade de Sousa, na Paraíba.

28 de Julho
1817 – Rei d. João VI assina com a Inglaterra convenção contra comércio de escravos.
1823 – O Maranhão é incorporado ao Império do Brasil, após a guerra da independência.
1938 – Lampião, Maria Bonita e outros cangaceiros são mortos pela polícia em Sergipe.

29 de Julho
1846 – Nasce no Rio de Janeiro, a princesa Isabel, herdeira do trono do Brasil.
1925 – Lançamento do jornal O Globo por Irineu Marinho.

30 de Julho
1609 – Rei Felipe II de Portugal (III de Espanha) proíbe a escravização de índios.
1987 – Morre em Natal, Rio Grande do Norte, o folclorista Luís da Câmara Cascudo.

31 de Julho
1501 – Pedro Álvares Cabral chega a Lisboa, retornando da Índia, após descobrir o Brasil.
1821 – O Uruguai é incorporado ao Brasil com o nome de Província Cisplatina.
1897 – Inauguração da primeira sala fixa de cinema do Brasil, no Rio de Janeiro, de propriedade de Paschoal Segretto e José Roberto Cunha Salles, chamada de Salão de Novidades Paris.

Nascidos em Julho

01 de Julho
Alceu Valença, cantor e compositor brasileiro
Charles Laughton, ator britânico
Diana (foto), princesa de Gales
Geneviève Bujold, atriz canadense
Marisa Monte, cantora e compositora brasileira
Olivia de Havilland, atriz norte-americana nascida no Japão

02 de Julho
Hermann Hesse, escritor alemão

03 de Julho
Carlos Alberto Ricelli, ator brasileiro
Franz Kafka, escritor tcheco
Tom Cruise (foto), ator norte-americano

04 de Julho
Eva Marie Saint, atriz norte-americana
Gina Lollobrigida, atriz italiana

05 de Julho
Ivo Pitanguy, médico cirurgião plástico brasileiro
Jean Cocteau, cineasta, ator e autor de teatro francês

06 de Julho
Janet Leigh, atriz norte-americana
Sylvester Stallone, ator norte-americano
Toquinho, cantor e compositor brasileiro

07 de Julho
Artur de Azevedo, escritor brasileiro
Pierre Cardin, estilista de moda francesa nascido na Itália
Ringo Starr, cantor e compositor britânico

08 de Julho
Anjelica Huston, atriz norte-americana
Françoise Forton, atriz brasileira
Kevin Bacon, ator norte-americano
Procópio Ferreira, ator brasileiro

09 de Julho
Tom Hanks, ator norte-americano

10 de Julho
Dalton Vigh, ator brasileiro
Marcel Proust, escritor francês

11 de Julho
Carlos Gomes, músico e compositor operista brasileiro
Giorgio Armani, estilista italiano
Lúcia Veríssimo, atriz brasileira
Yul Brynner, ator russo

12 de Julho
Carolina Kasting, atriz brasileira
Cláudia Alencar, atriz brasileira
Pablo Neruda, poeta chileno

13 de Julho
Harrison Ford (foto), ator norte-americano
João Bosco, cantor e compositor brasileiro
Júlio César, imperador romano
Lília Cabral, atriz brasileira
Murilo Benício, ator brasileiro
Theresa Amayo, atriz brasileira

14 de Julho
Ingmar Bergman, cineasta sueco
Luigi Baricelli, ator brasileiro
Renée de Vielmond, atriz brasileira

15 de Julho
Irène Jacob, atriz francesa
Rembrandt, pintor holandês

16 de Julho
Ana Paula Arósio, atriz brasileira
Barbara Stanwyck, atriz norte-americana
Elizeth Cardoso, cantora brasileira
Ginger Rogers (foto), atriz norte-americana

17 de Julho
Donald Sutherland, ator canadense
Ronnie Von, cantor, compositor e apresentador brasileiro

18 de Julho
Baby Consuelo, cantora brasileira
Leilah Assumpção, dramaturga brasileira
Nelson Mandela, político sul-africano
Tito Madi, cantor brasileiro

19 de Julho
Edgar Degas, pintor e escultor francês

20 de Julho
Adriano Reys, ator brasileiro
Alberto Santo Dumont, inventor brasileiro
Gisele Bündchen, modelo brasileira
Natalie Wood, atriz norte-americana

21 de Julho
Ernest Hemingway, escritor norte-americano

22 de Julho
Danny Glover, ator norte-americano
Terence Stamp, ator britânico

23 de Julho
Woody Harrelson, ator norte-americano

24 de Julho
Lynda Carter, atriz norte-americana
Simon Bolívar, revolucionário sul-americano venezuelano

25 de Julho
Matt LeBlanc, ator norte-americano

26 de Julho
Adous Huxley, escritor britânico
Blake Edwards, cineasta norte-americano
George Bernard Shaw, escritor e dramaturgo irlandês
Kevin Spacey, ator norte-americano
Mick Jagger, cantor britânico
Sandra Bullock, atriz norte-americana
Stanley Kubrick, cineasta norte-americano

27 de Julho
Maureen McGovern, cantora e atriz norte-americana

28 de Julho
Jacqueline Kennedy Onassis, personalidade norte-americana

29 de Julho
Benito Mussolini, político italiano

30 de Julho
Arnold Schwarzenegger, ator austríaco
Emily Brontë, escritora britânica
Henry Ford, inventor norte-americano
Jean Reno, ator francês nascido no Marrocos
Paul Anka, cantor e compositor canadense

31 de Julho
Geraldine Chaplin, atriz norte-americana

Datas Comemorativas

01 de Julho – Dia da vacina BCG
02 de Julho – Dia do Hospital
02 de Julho – Dia do Bombeiro Brasileiro
04 de Julho – Dia Internacional do Cooperativismo
04 de Julho – Dia do Operador de Telemarketing
04 de Julho – Independência dos EUA
06 de Julho – Dia da Criação do IBGE
08 de Julho – Dia do Panificador
09 de Julho – Dia da Revolução e do Soldado Constitucionalista (SP)
10 de Julho – Dia da Pizza
12 de Julho – Dia do Engenheiro F