SPARTACUS – STANLEY KUBRICK

  Um dos maiores clássicos do cinema épico, “Spartacus”, de Stanley Kubrick, é talvez, o filme que traz diálogos e estruturas mais elaboradas, sem fugir do maniqueísmo imposto pelo gênero, mas não se atendo a ele de forma indelével. Feito na seqüência de “Ben-Hur”, trazia a responsabilidade de repetir o sucesso do seu antecessor, sendo o primeiro filme épico a se distanciar do cristianismo primitivo, com a sua trama datada em 71 a.C.
Adaptação do livro homônimo de Howard Fast, o filme conta a saga de Espártaco, ou Spartacus em latim, escravo e gladiador de origem trácia, que liderou a maior revolta de escravos do Império Romano, conhecida como “Terceira Guerra Servil”. Reconstrói com perfeição os movimentos em campo de batalha das legiões romanas, em cenas memoráveis, como a derrota dos escravos pelos romanos.
Kirk Douglas, produtor executivo do filme, toma para si a pele do herói imaculado, com personalidade vincada na crueza dos gladiadores, no sangue vertido nas arenas, ou na lamina da espada, que corta em lâmina a opressão em nome da liberdade.
Spartacus” é o filme que menos traduz o estilo de Stanley Kubrick, mas não se deixa de assinalar a sua genialidade. Quando lançado nos Estados Unidos, em 1960, em plena guerra fria, foi acusado de comunista, visto que os escravos representavam o proletariado moderno, e os nobres romanos os opressores capitalistas. Visão simplista e ambígua, “Spartacus” é um épico em sua mais pura confecção, feito nos moldes da emoção do melodrama, para levar as platéias às lágrimas, e fazer com que ela saia de lá na certeza que viu um grande espetáculo. Cinco décadas após a sua estréia, permanece intacto em sua beleza visual, sem a tecnologia de “Gladiador”, de Ridley Scott, mas com uma consistência grandiosa superior, mantida por um roteiro coeso, com histórias paralelas vividas magistralmente por um elenco luxuoso. Inesquecível a beleza bíblica de Jean Simmons como a escrava Varinia ou a crueldade humanizada de Crassus, refletida numa interpretação impar de Laurence Olivier.
Spartacus” teve uma versão mais recente, em 2004, sem a grandiosidade épica do filme de Stanley Kubrick. Vários foram os filmes sobre gladiadores, mas nenhum o superou. Drama, história, grandes batalhas, elenco apurado, personagens carismáticas, sensível beleza estética, direção primorosa, fazem de “Spartacus” uma excelente redescoberta, mesmo diante do teor do melodrama, não deixa de fascinar o mais exigente do espectador, fazendo acreditar na verdadeira magia do cinema como entretenimento universal e atemporal.

Bastidores da Preparação do Filme

Reza a lenda que Kirk Douglas fez grande campanha para ganhar o papel título do épico “Ben-Hur”, sendo preterido por Charlton Heston. Diante da frustração, comprou os direitos autorais do romance histórico de Howard Fast, “Spartacus”, e decidiu ele próprio produzir e interpretar o seu épico.
Inspirado em uma personagem real, Espártaco (120 a.C. – 70 a.C.), escravo e gladiador que foi responsável por uma das maiores revoltas contra a classe dominante da Roma antiga, o livro de Howard Fast não é uma biografia, acrescentando personagens fictícias aos fatos históricos. O mesmo acontecendo ao filme, que segue em seu roteiro a adaptação cabal do romance. Mesmo feito para grandes platéias, o roteiro não se priva de trazer um texto inteligente e bem acabado, escrito por Dalton Trumbo. É importante que se assinale este momento, pois marca a volta de Dalton Trumbo como roteirista, após uma perseguição de quase uma década pelo Macartismo, movimento anticomunista que incluiu numa lista negra o nome de vários atores, roteiristas e diretores de Hollywood, tidos como suspeitos, impedidos de trabalhar na indústria do cinema. A volta de Dalton Trumbo encerrava este triste período, chancelando a mensagem do filme, um claro grito contra a opressão do poder e à escravização do homem e dos seus sonhos de liberdade.
Na pré-produção do filme, os estúdios da Universal temiam o investimento, pois seria o primeiro no gênero das grandes produções épicas a não trazer histórias ligadas ao cristianismo primitivo, tema que tanto fascinava as platéias. Os escravos retratados não trazem a conversão religiosa como símbolo de luta, mas a contundente luta do homem pela liberdade, pelo fim do domínio de classes, pela convicção que se pode derrubar os grilhões através do grito da rebeldia.
Anthony Mann foi o escolhido para a direção do filme. Chegou a iniciar as filmagens, mas desentendimentos com os produtores fizeram com que se afastasse, gerando um sentimento de frustração no elenco. Para substitui-lo, Kirk Douglas contratou um jovem diretor, quase que principiante na época, Stanley Kubrick.
Nos relatos de bastidores, a experiência de Kubrick ao dirigir “Spartacus” teria sido traumática, visto que não pôde imprimir muito do seu estilo, pois Kirk Douglas, o produtor executivo do filme e a quem cabia a última palavra, não o permitia. Talvez isto explique o maniqueísmo latente que pouco se encontra na filmografia do diretor. “Spartacus” não é considerado como obra-prima de Kubrick, mas não deixa de ter a grandiosidade da sua genialidade, e serve como consolidação de carreira, demonstrando a versatilidade que ele tinha em transformar temas dos mais diversos numa produção de qualidade. O filme marcaria o rompimento do diretor com os grandes estúdios, fazendo-o optar por produções independentes.
Kubrick teve vários dissabores durante as filmagens, desde não poder mexer no roteiro de Dalton Trumbo, a discussões constantes com o fotógrafo Russell Metty, que não gostava quando o diretor interferia no posicionamento da câmera e na iluminação. Kubrick impôs o seu estilo, fazendo com que o filme recebesse o Oscar de melhor fotografia no ano seguinte. Também a sua amizade com Kirk Douglas ficou bastante arranhada. Mesmo diante das adversidades, o diretor apresentou um filme de magnífica qualidade, fazendo-o o maior dentro da temática dos gladiadores, insuperável cinco décadas depois de ser realizado.

No Sofrimento do Gladiador Surge o Rebelde

O filme narra a evolução do caráter e dos princípios rebeldes de Spartacus (Kirk Douglas), um escravo de origem trácia, que se apresenta como um homem que sobrevive à sua condição cativa, usando da força natural que traz no corpo. No início da sua saga, serve como escravo em uma mina de sal na Líbia, província romana do norte da África. Na sua rebeldia intuitiva pela sobrevivência, defende-se de uma humilhação sofrida, mordendo ferozmente um guarda, sendo por este motivo condenado à morte.
O destino de Spartacus é mudado quando o ianista Lentulus Batiatus (Peter Ustinov) o vê. Grande negociador e treinador de gladiadores, Batiatus enxerga em Spartacus a força bruta própria de um grande lutador das arenas do império romano. O escravo é comprado por Batiatus, livrando-se da pena capital. É levado para a escola de gladiadores em Cápua, onde será treinado para os combates.
Entre os combatentes treinados são estabelecidos princípios de respeito e admiração mútua. Princípios que se tornam frágeis diante da condição de cativos, que são ameaçados pelo perigo iminente do sangue vertido nas arenas.
A rispidez dos combates, a violência sanguinária que os conduz, é abrandada pelo surgimento da bela Varinia (Jean Simmons), escrava que conquista o coração de Spartacus. Jean Simmons consegue dar o tom sofrido à personagem, fazendo da sua beleza bíblica o ponto de encontro com o carisma da alma. Ingrediente essencial para gerar a humanização romântica do filme, o amor entre os dois será o fio que conduzirá os mais ínfimos atos da trajetória de ambos. Varinia virá a ser a esposa do gladiador. A personagem foi introduzida por Howard Fast, sem a comprovação de que tenha existido como é apresentada aqui.
Roma era na época de Spartacus o centro do mundo. Mantinha o seu poderio por todos os reinos da antiguidade através da sua verve guerreira, das grandes legiões de soldados e da desenvolvida estratégia de guerra. Sendo um povo belicoso, não se pode estranhar que a luta de gladiadores fosse o principal espetáculo que fascinava tanto os nobres quanto à plebe. Com o passar do tempo, os espetáculos foram ficando cada vez mais sofisticados e sanguinários. Os mais aplaudidos eram aqueles que os gladiadores combatiam até a morte, arrancando aplausos da platéia e dando fama ao vencedor.
Será no contexto das regras do espetáculo sanguinário que Spartacus terá a sua consciência ideológica despertada. O fato acontece quando a escola de Cápua é visitada por dois imponentes patrícios vindos de Roma, o presidente do senado Sempronius Gracchus (Charles Laughton) e, o general Marcus Licinius Crassus (Laurence Olivier), acompanhados por suas esposa e noiva, respectivamente. As duas mulheres pedem para que lhes seja oferecido um espetáculo de gladiador. Mas não querem uma luta comum, exigem um combate mortal, em que só o mais forte irá sobreviver. Curiosamente, a mulher, lado frágil e sensível dentro das tramas, é quem maldosamente exige o sangue e a morte como apoteose do espetáculo que desejam fervorosamente assistir.
Spartacus é o gladiador escolhido para o combate. Terá que lutar contra o negro Draba (Woody Strode). A superioridade física de Draba é visivelmente gritante diante de Spartacus. Estabelecido o combate, Draba vence. Mas contrariando os que se lhe aplaudem e pedem o sangue do vencido, o negro mostra que a sua ética é maior do que a sua força colossal. Draba recusa-se a matar Spartacus. Como resposta aos que se lhe gritam para que derrame o sangue do vencido, o gladiador atira o seu tridente contra a tribuna onde se encontravam os romanos. O seu gesto de rebeldia e ética incontestável custa-lhe a vida. Draba é morto por desobedecer aos caprichos do público.
Sobrevivente da compaixão de Draba, Spartacus é atingido por um grande sentimento de revolta. Sabia bem que se fosse o contrário, não teria poupado a vida de Draba. O gesto do gladiador negro provoca uma convulsão nos princípios de Spartacus, que até então eram regidos pela necessidade de sobreviver. A partir de então, passa a existir pelo princípio de querer ser livre, nem que para isto tenha que desafiar todo o império romano, reescrever as leis e fazer de cada escravo um homem liberto. Não será a sede pelo poder que conduzirá a luta de Spartacus, mas a vontade de ser livre.
Após a morte de Draba, nada será igual para Spartacus e para Crassus. A partir daquele momento, os seus destinos estão interligados. O primeiro rebela-se, liderando uma revolta de escravos, tornando-se comandante de um grande exército de homens cativos, enquanto que o segundo sonha em ascender ao poder absoluto dentro da poderosa Roma, para isto liderará a legião de soldados romanos, que assim como em uma feroz arena, combaterão até que se tenha apenas um lado vencedor.

O Núcleo dos Patrícios Romanos

Iniciada a revolta, Spartacus refugia-se no monte Vesúvio, construindo ali uma cidadela que abriga gladiadores e escravos fugitivos. Durante três anos, o exército de escravos cresce. A rebelião incita a todos os cativos do grande império, que fogem dos seus amos, agregando-se aos combatentes. Sob o comando de Spartacus, os rebeldes derrotam dois exércitos de Roma, conquistando todo o sul da península Itálica. Sucessivamente, derrota outras três milícias romanas.
Paralelamente, o filme apresenta o núcleo dos patrícios romanos. Neste ponto, o maniqueísmo do filme é totalmente dissipado. Enquanto os escravos são mostrados como íntegros, alegres e distantes da falta de princípios morais, os patrícios são dissecados em toda a sua verve humana. Não se portam como simples vilões antagonistas, mas como homens na essência da luta para que não se lhe roubem o poder, sem apegos ao moralismo inexistente que se estabeleceria somente após a propagação da moral judaico-cristã, um século depois. Talvez a falha do filme seja esta, a moralidade judaico-cristã respingando sobre o núcleo de escravos antes mesmo da sua existência. No núcleo dos patrícios não ocorre a falha, o que faz o grande equilíbrio do filme.
Enquanto Spartacus lidera o seu exército de escravos, gerando grandes batalhas, vamos acompanhando os bastidores do poder romano, através do embate pelo poder entre Gracchus e Crassus. Gracchus, uma excepcional atuação do memorável Charles Laughton, procura uma solução para a rebeldia, sem que se traga transtorno e ameace o seu poder de senador do maior império do mundo. Crassus ao contrário, vê na rebelião o grande momento da sua ascensão política, derrotá-la era obter um passaporte para o poder ilimitado. No jogo pelo poder entre Gracchus e Crassus, excelentes diálogos são travados. Para desacreditar o general Crassus, Gracchus indica Marcus Glabrus (John Dall), protegido e pupilo do seu opositor, como comandante da guarda romana, enviando-o contra o exército de Spartacus, sabendo que ele não tem condições para garantir uma vitória e, como era previsto, volta derrotado. A humilhação de Glabrus é também a de Crassus. Gracchus não protegeu Spartacus, mas a si mesmo, ao seu poderio.
Crassus é a personagem que mais se explora toda a uma vertente humana. Laurence Olivier entrega-se sem medo às complexidades do instigante general romano. Traz uma interpretação de fôlego, calcada por uma frieza ligeira, que se não lhe consegue apagar uma explosão dramática persistente, quase a flor da pele, e, uma sensualidade homoerótica latente. Crassus é tomado por uma obsessão sem limite para derrotar Spartacus. É a sua oportunidade de ascender politicamente, tornando-se um líder absoluto de Roma. Sua obsessão inclui Varinia, a mulher de Spartacus. Não percebe, ou não quer ver, como uma mulher pode desprezar um homem de grande prestigio e poder como ele. O que não enxerga é que Spartacus atingiu o mesmo poder, tornando-se um rebelde lendário. Também a sua sexualidade é dúbia. Sutilmente aceita os sentimentos e desejos do afetado Glabrus, tornando-o seu pupilo. O equilíbrio é quebrado quando Glabrus é derrotado por Spartacus, e Crassus já não vê fascínio no protegido, enxergando-lhe apenas a afetação, que se lhe trará grande repulsa por Glabrus. Também o culto e sensível Antoninus (Tony Curtis), a quem torna seu escravo particular, exerce uma irresistível atração sobre ele. Mas também Antoninus é perdido para Spartacus. O escravo foge para se juntar ao exército rebelde. Stanley Kubrick dirigiu uma insinuante cena de banho entre Crassus e Antoninus, criando uma acirrada polêmica na época. A ousadia sofreria a mão da censura, que cortou a cena. Em 1991 o filme teve uma versão restaurada lançada, tendo treze minutos a mais do que o original. A cena de Crassus e Antoninus na banheira pôde finalmente ser vista. O ator Anthony Hopkins dublou a voz de Laurence Olivier na cena, uma vez que este tinha falecido em 1989.
Antoninus, sensível interpretação do ator Tony Curtis, em uma participação especial, é responsável por um dos grandes momentos de lirismo do filme, quando recita um poema, aludindo ao retorno para casa, dando a visão de um desejo de liberdade que condição cativa alguma pode destruir dentro do ser humano.

A Batalha Final

O ápice do filme converge para a batalha final entre o exército romano e a rebelião liderada por Spartacus. Após sucessivas derrotas, o senado romano percebe a gravidade do alastramento da rebelião de escravos, mandando-lhe ao encalce todo o seu poderio militar. Chega o fatídico dia, quando Spartacus é cercado na região de Reggio di Calábria, pelas tropas comandadas por Crassus. Antes da batalha propriamente dita, há momentos épicos únicos, com vários minutos mostrando a movimentação das tropas, conduzindo a uma frenética atmosfera de tensão absoluta. Mais de 8.500 figurantes foram utilizados nas tomadas das cenas da batalha final. Um dos momentos mais marcantes do filme é quando, sob intensa tensão, ouve-se o som da multidão a gritar:
Spartacus, Spartacus”.
A batalha final é um marco na história do cinema mundial, com cenas de grande realismo, que cinco décadas depois, ainda deixam o espectador sem fôlego. Acossados, os rebeldes põem-se em fuga. Spartacus é perseguido por Crassus, tendo o seu exército finalmente derrotado na Lucania.
O final do filme foge ao que se sucedeu de fato a Spartacus, que após ser derrotado, teria sido retalhado. No filme o herói rebelde é crucificado, dando uma conotação cristã a uma história que veio antes da existência de Jesus Cristo. A morte de Spartacus não é instantânea, é lenta, sem glória, humilhado e pendurado em uma cruz. O encontro final entre ele e Varinia atinge todos os níveis do melodrama, fazendo com que a platéia se banhe em lágrimas. Diante do marido crucificado, ela faz o seu último pedido:
Por favor, meu amor, morra logo.
As palavras de Varinia ecoam pela beleza cênica e trágica do filme. Ao pé da cruz, ela abraça-se às pernas do marido, antes de uma sofrida despedida final. Jean Simmons tem um dos mais belos momentos da sua carreira, traduzindo a dor da mulher diante de uma cruz, numa espécie de antecessora de Maria.
Spartacus definha-se na cruz. Desde a primeira cena que o escravo estava destinado para ser morto. Primeiro ao ser condenado sem grande razão, por morder um soldado romano. Outra vez pelo tridente do negro gladiador que o derrotou na arena. Finalmente, por todos os motivos do mundo, por desafiar a hierarquia do maior império da antiguidade, e conclamar um grito de liberdade que só seria possível mediante o fim da própria concepção que sustentava o império. Spartacus olha de cima de uma cruz o fim dos seus sonhos. Morrer lentamente é o pior castigo para os que atingiram a glória heróica. Só a morte poderá perpetuar o mito de Spartacus e apagar-lhe a humilhação final. Assim como um homem oriundo de uma pequena cidade na Palestina, que nasceria 70 anos depois, Spartacus dá o último suspiro na cruz. Um épico daquela época não poderia deixar de fazer esta conexão com o cristianismo, mesmo que ela seja historicamente falsa. Encerrava-se assim, um dos maiores épicos de Hollywood, que mesmo depois de cinqüenta anos da sua produção, continua a ser classificado como um dos cem melhores filmes de todos os tempos.
Spartacus” ganhou o Globo de Ouro como melhor filme, além de ser indicado para as categorias de melhor direção (Stanley Kubrick), melhor trilha sonora original, melhor ator (Laurence Olivier) e melhor ator coadjuvante (Peter Ustinov). Apesar de não ser indicado para o Oscar de melhor filme e de melhor direção, teve seis indicações, levando quatro estatuetas, a de melhor ator coadjuvante para Peter Ustinov, de melhor direção de arte, de melhor figurino e o de melhor fotografia. Recebeu ainda a indicação de melhor filme da Academia Britânica de Cinema e Telvisão, no Reino Unido.

Ficha Técnica:

Spartacus

Direção: Stanley Kubrick
Ano: 1960
País: Estados Unidos
Gênero: Épico/ Drama Histórico/ Aventura
Duração: 183 minutos / Cor
Título Original: Spartacus
Roteiro: Dalton Trumbo, baseado no livro de Howard Fast
Produção: Edward Lewis
Produção Executiva: Kirk Douglas
Música Original: Alex North
Direção de Fotografia: Russell Metty
Direção de Arte: Eric Orbom
Produção de Design: Alexander Golitzen
Decoração de Set: Russel A. Gausman e Julia Heron
Figurino: Bill Thomas e Valles
Maquiagem: Bud Westmore e Larry Germain
Edição: Robert Lawrence
Efeitos Visuais: Peter Ellenshaw e Ditta Peruzzi
Som: Joe Lapis, Ronald Pierce, Murray Spivack e Waldon O. Watson
Estúdio: Universal Pictures / Bryna Productions
Distribuição: Universal Internacional
Elenco: Kirk Douglas, Laurence Olivier, Jean Simmons, Charles Laughton, Peter Ustinov, Tony Curtis, John Gavin, Nina Foch, John Ireland, Herbert Lom, Charles McGraw, John Hoyt, Woody Strode, Frederick Worlock, John Dall, Joanna Barnes, Harold Stone, Peter Brocco, Paul Lambert, Nick Dennis, Jim Sears, Tom Steele
Sinopse: Spartacus (Kirk Douglas), é um escravo que ao servir em uma mina na Líbia, é condenado a morte por morder um soldado. Visto por um negociador e treinador de gladiadores, tem o seu destino mudado quando este se interessa por ele, comprando-o, levando-o em seguida para ser treinado em uma escola de gladiadores. Numa visita de poderosos patrícios romanos à escola, é escolhido para entretê-los em um combate mortal com um negro. Ao derrotar Spartacus, o negro recusa-se a matá-lo, atirando o seu tridente contra a tribuna. O negro é punido com a morte pelo seu ato, gerando a revolta de Spartacus. O gladiador vencido lidera uma rebelião de escravos, formando um grande exército de cativos rebeldes. Ignorando a força dos revoltados, legiões romanas são enviadas para conter a rebelião, sendo por eles derrotados. Diante da gravidade, o senado de Roma envia uma poderosa legião para pôr fim à insurreição dos escravos.

Stanley Kubrick

Considerado um dos maiores cineastas de todos os tempos, Stanley Kubrick nasceu em Nova York, Estados Unidos, em 26 de julho de 1928. Aluno pouco brilhante, passou a infância no conhecido bairro do Bronx. Logo cedo desenvolveu grande aptidão pela fotografia, recebendo do pai a sua primeira máquina fotográfica. Ainda adolescente, empregou-se como fotógrafo na conceituada revista “Look”. O futuro cineasta atingiu a visão de um grande fotógrafo, o que lhe deu uma perspectiva estética de beleza impar, sintetizada em sua obra cinematográfica.
Aos vinte e dois anos Kubrick já fazia filmes de curta-metragem. Em 1953, com a ajuda financeira do pai, empenhou a casa e produziu o seu primeiro longa-metragem, “Fear and Desire”, filme que foi exibido poucas vezes, mesmo depois da fama do cineasta. A sua carreira só começou a ser vista a partir do filme “O Grande Golpe” (The Killing), em 1956. No ano seguinte, com a ajuda do ator Kirk Douglas, fez o filme “Horizontes de Glória” (Paths of Glory). A presença de um astro como Kirk Douglas foi fundamental para que o filme tivesse boa repercussão, mas a polêmica gerada em torno da produção, fez com que fosse proibido em alguns países, entre os quais a França.
A experiência com Stanley Kubrick, levou Kirk Douglas a convidá-lo para substituir Anthony Mann, em 1960, na direção do épico “Spartacus”. O filme gerou um desgaste na amizade com Kirk Douglas, produtor executivo, trazendo um rompimento informal na amizade dos dois. “Spartacus”, considerado um dos maiores épicos de todos os tempos, consolidou a carreira de Stanley Kubrick, que viria a ser uma das mais singulares do cinema norte-americano e mundial.
Diante das limitações que teve em participar da concepção final de “Spartacus”, Kubrick decidiu não voltar a trabalhar para um grande estúdio, só aceitando dirigir projetos que pudesse ter liberdade criativa. A partir de então, o cineasta construiu uma galeria de grandes obras do cinema, como “Lolita”, em 1962. Em 1968, os cinemas assistiriam à estréia de “2001: Uma Odisséia no Espaço(2001: A Space Odyssey), inspirado no livro homônimo de Arthur C. Clarke, considerado por muitos o maior filme de ficção científica. O filme trazia efeitos especiais inovadores para a época, garantindo o Oscar na categoria.
Em 1971, viria o mais complexo filme de Kubrick, “Laranja Mecânica” (A Clockwork Orange), inspirado no livro homônimo de Anthony Burgess. Nunca a violência da juventude foi tão alegoricamente retratada como aqui.
Em 1999 Kubrick realizaria o seu último filme, “De Olhos Bem Fechados” (Eyes Wide Shut), tendo como protagonistas o então mais poderoso casal de Hollywood, Tom Cruise e Nicole Kidman. Um ataque cardíaco enquanto dormia, em 7 de março de 1999, mataria o cineasta, que não viu a estréia da sua última produção, sendo poupado da frieza com que o filme foi recepcionado tanto pela crítica quanto pelo público.

Filmografia de Stanley Kubrick:

Longa-Metragem

1953 – Fear And Desire
1955 – Killer’s Kiss (A Morte Passou Perto)
1956 – The Killing (O Grande Golpe)
1957 – Paths of Glory (Glória Feita de Sangue)
1960 – Spartacus (Spartacus)
1962 – Lolita (Lolita)
1964 – Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying And Love the Bomb (Dr. Fantástico)
1968 – 2001: A Space Odyssey (2001: Uma Odisséia no Espaço)
1971 – A Clockwork Orange (A Laranja Mecânica)
1975 – Barry Lyndon (Barry Lyndon)
1980 – The Shining (O Iluminado)
1987 – Full Metal Jacket (Nascido Para Matar)
1999 – Eyes Wide Shut (De Olhos Bem Fechados)

Curta-Metragem

1951 – Flying Padre: An RKO-Pathe Screenliner
1951 – Day of the Fight
1953 – The Seafarers

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