PÁTIO DO COLÉGIO – LOCAL GENÉTICO DA PAULICÉIA

Quem tem a oportunidade de avistar a cidade de São Paulo do alto de um dos seus arranha-céus, dificilmente consegue pensar em um ponto de origem daquela enorme paisagem de concreto e asfalto. A cidade parece infinita, assim como a sua verticalidade, sem as digitais que a identifiquem.
Mas a metrópole aparentemente fria e imponente, traz os seus segredos perdidos por entre os prédios, os seus lugares recônditos e históricos. No coração da cidade vamos encontrar o Pátio do Colégio, local genético da Paulicéia.

São Paulo de Piratininga

A fundação da cidade de São Paulo é atribuída ao padre José de Anchieta, que após uma longa expedição, ao lado do padre Manuel da Nóbrega, decidiram que no alto de uma colina entre os rios Tamanduateí e Anhagabaú, seria um bom lugar para a construção de uma casa que serviria de alojamento aos jesuítas. Instalou-se ali um grupo de missionários jesuítas, construindo um barracão de pau-a-pique coberto de sapê, que serviria de moradia e capela. Em 25 de janeiro de 1554 é celebrada a primeira missa pelo sacerdote Manuel de Paiva, na presença dos padres Anchieta, à época um adolescente e ainda a estudar, e Manoel da Nóbrega, do bandeirante João Ramalho e sua esposa Bartira, e dos índios Caiubi e Tibiriçá. Nascia a povoação de São Paulo de Piratininga.
Sobre os acontecimentos José de Anchieta anotava em seu diário:

“Nós, os irmãos mandados para esta aldeia no ano do Senhor de 1554, chegamos a 25 de janeiro e celebramos a primeira missa em uma casa pobrezinha e muito pequena no dia da conversão de São Paulo, a quem a dedicamos.”
Em 1556 o padre Afonso Brás foi o encarregado da ampliação da antiga casa de barro socado para abrigar os catequizadores. No dia 1 de novembro deste ano é inaugurado o colégio.
O povoamento prosperou ao redor do Colégio dos Jesuítas, transformando-o no núcleo da cidade. Vários foram os acontecimentos ao longo do tempo, como brigas entre os colonos e religiosos que culminaram na expulsão dos jesuítas do local, para onde só retornariam treze anos mais tarde.

De Colégio a Palácio dos Governadores

O Colégio esteve sob o domínio dos jesuítas até 1760, quando por decreto do Marquês de Pombal, foram expulsos das terras de Portugal e Brasil. Saíram do local que fundaram dois séculos antes humilhados, acorrentados e escoltados pelas tropas. Por onde passavam o povo lhes beijava as mãos. Com a expulsão da Companhia de Jesus, em 1765 são lhes confiscados os bens, o governo da província transforma o Colégio em moradia do governador e em Palácio dos Governadores.
Passa-se mais de um século e o antigo Colégio dos Jesuítas sofre uma série de transformações arquitetônicas, chegando ao fim do século XIX, totalmente remodelado e com uma arquitetura neoclássica, como toda sede do executivo da época. Aos domingos as missas ali celebradas para o governador e a sua família, trazem a elite paulistana a esses cultos. A última missa rezada na capela foi em 1890. As diferenças entre o bispado e o governo culminam no abandono da velha capela, que se deteriora e desaba na noite de 13 para 14 de março de 1896. Com o desabamento da capela, a sua torre é transformada em um torreão do palácio.
Em 1912 o Colégio deixa de ser a residência oficial do governador da província. Em 1925 à frente do prédio, é inaugurado o monumento do italiano Amadeu Zani, uma coluna encimada pela figura de uma mulher de braços erguidos, simbolizando a glória. No seu pedestal a inscrição: “Glória imortal aos fundadores de São Paulo”. Em 1932 a sede do governo deixa definitivamente o antigo prédio, transferida para o Palácio dos Campos Elíseos. O velho prédio é ocupado pela Secretaria de Educação. Em 1953 o prédio neoclássico é demolido. Em 1954, durante os festejos do IV centenário da fundação de São Paulo, o Estado devolveu o imóvel à Companhia de Jesus, para que fosse feita a sua reconstrução como monumento histórico. Numa reviravolta da história, o Pátio do Colégio readquiriu em 1979 a sua feição primitiva.
Hoje funciona no local o Museu Padre Anchieta, a sua principal relíquia é uma parede de taipa de pilão de 1556. Também lá se encontram um manto e a parte do fêmur do Padre Anchieta. Para quem acha que São Paulo não tem uma identidade, que tudo é anonimato, o Pátio do Colégio traz uma aconchegante singularidade, a certidão de nascimento daquela que se tornou a maior cidade do Brasil e uma das maiores do mundo.

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