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	<title>MANIFESTO JEOCAZ LEE-MEDDI</title>
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		<title>O SEGREDO DE BROKEBACK MOUNTAIN &#8211; ANG LEE</title>
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		<pubDate>Mon, 03 Oct 2011 02:23:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
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<div id="post-body-289070989020542349"><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-poster.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-poster.jpg?w=208" alt="" border="0" /></a>Um dos mais belos filmes feitos na primeira década de 2000, “<em>O Segredo de Brokeback Mountain</em>” (<em>Brokeback Mountain</em>), é, acima de qualquer tendência ou classificação, uma história de amor, um conceito da vida refletida nas escolhas que se faz, nas imposições morais da sociedade construída sobre os valores seculares, nos medos da vulnerabilidade dos sentimentos. O filme é o lado invisível da sociedade, que todos sabem existir, mas que relevam ao ostracismo dos seus pilares de moralidade.<br />
“<em>Brokeback Mountain</em>” é o amor vivido por dois homens, presos aos medos e às convenções do meio de onde vieram. Mais do que um filme de vertente homossexual, é uma história profunda da alma humana. É o amor vivido nos leitos clandestinos da existência, é a paixão essencial no seu íntimo e coadjuvante diante da sociedade. Uma história que se identifica não só a visão masculina, mas a da mulher, refletida no sofrimento contido de Alma Del Mar. Uma história que poderia facilmente ser identificada como vivida entre um homem e uma mulher casados, numa atmosfera que lembra outro drama, “<em>As Pontes de Madison County</em>”. É o amor consentido em seus labirintos, nos momentos de total sinceridade íntima, e de mentiras que constroem a vida social. Dois homens caminham a sua existência edificada no segredo puro dos seus sentimentos, paralelamente constroem família, uma vida social que não lhes refletem a essência, mas que é a oficial. Vivem o segredo da verdadeira alma, deixando respingos das suas verdades nos olhos contemplativos dos que os rodeiam. O amor é soberano entre eles, mas jamais a verdade social contada. Dividem o segredo, a existência, mas quando a vida ou a morte os separa, ficam à deriva das decisões da família civil, emergindo como meros coadjuvantes de cada um. Não lhes é permitido o corpo morto, as cinzas, a realização do mais tenro desejo final da eternidade. Para eles existem apenas as lembranças, o amor vivido na madrugada fria antes da sociedade despertar. A montanha como cúmplice, como uma verdade panorâmica magistral e silenciosa, guardiã do mais sincero segredo da alma humana, o sentimento.<br />
“<em>Brokeback Mountain</em>” é um drama na sua mais extensa composição. Ao contrário do que se propaga, não é um western, tão pouco a história de cowboys, mas de dois homens contemporâneos, presos nas limitações sociais do seu tempo, atemporais através dos sentimentos que vivem. Infinitos nas valias sociais, que mesmo no século XXI, continuam a respeitar seus conceitos de clã e família. É um filme de rara beleza fotográfica, música épica, e, principalmente, de atores. É nas interpretações memoráveis de Heath Ledger e Jake Gyllenhall que se sustenta toda a sua grandiosidade, estendida cronologicamente por mais de duas décadas. É um drama de amor, fazendo menor os conceitos de quem o vive, enaltecendo a coragem de quem não se deixa perder da sua essência emocional, mesmo vivida em segredo, clandestinamente.</p>
<p><strong>A Montanha Inóspita</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-namontanha.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-namontanha.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>Produção canadense e norte-americana, realizada em 2005, “<em>O Segredo de Brokeback Mountain</em>” narra o relacionamento complexo e tempestivo de dois homens, numa seqüência cronológica que atravessa quase vinte anos.<br />
Dirigido pelo cineasta taiwanês Ang Lee, é uma adaptação do conto homônimo de Annie Proulx, publicado pela primeira vez em 1997. Por trazer um tema delicado, que apesar de todos os tabus quebrados nas últimas décadas, o roteiro de Larry McMurtry e Diana Ossana, escrito no fim da década de 1990, ficou arquivado durante anos, sem conseguir financiamento para ser filmado.<br />
Apesar de personagens fortes e fascinantes, os protagonistas da história assustavam aos atores diante de uma temática controversa e com cenas tão explícitas de romance homoerótico. O ator Mark Wahlberg, inicialmente convidado para viver Ennis Del Mar, recusou o papel por medo do preconceito. Heath Ledger e Jake Gyllenhall aceitaram o desafio, vencendo o medo da rejeição, sendo compensados com o reconhecimento do público e da crítica. Foram, pelo trabalho, indicados ao Oscar nas categorias de melhor ator e melhor ator coadjuvante respectivamente. Mais do que a polêmica da temática, o filme mostrou-se vitorioso na sua vertente humana, conquistando não um público específico, mas a todos com sensibilidade diante dos sentimentos e do amor, universais para quem os vive, não importando se um casal heterossexual ou homossexual.<br />
A história abre-se no verão de 1963. Ennis Del Mar (Heath Ledger) e Jack Twist (Jake Gyllenhall), dois jovens pobres, conhecem-se ao procurar emprego como pastores de ovelhas, em Wyoming, estado rural e conservador <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-montadosnoscavalos.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-montadosnoscavalos.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>do oeste dos Estados Unidos. São contratados pelo rancheiro Joe Aguirre (Randy Quaid), para um difícil trabalho, enquanto um vigia as ovelhas numa área de proteção ambiental no alto da montanha, o outro fica na base, responsável pelos alimentos e pela vigilância da área.<br />
Juntos, os jovens sobem para a montanha. Levam consigo a força da juventude e a necessidade da sobrevivência, construída pela penúria da pobreza, irrigada pelo sonho limitado de cada um. Ennis é conciso, quieto, quase rude na alma introspectiva. Jack é mais solto, quem puxa pelo silêncio do companheiro de labuta. O ambiente é inóspito, quase hostil, cercado por lobos, ursos e outros animais silvestres, pelo calor escaldante do dia e o frio cortante das noites. A comida é precária, vivem de mesquinhas rações fornecidas por um patrão sovina. A labuta é quase insuportável, uma escravidão remunerada. Na solidão da montanha, somente a amizade poderá fazê-la suportável. Jack é quem arranca das entranhas de Ennis as palavras, o estoicismo latente, o fio que conduz os diálogos e as revelações que se vão quebrando os silêncios. Ele aprenderá a extrair para sempre os mais verdadeiros e negados sentimentos do companheiro.<br />
As imagens da montanha vão surgindo como uma beleza radiante, como um bem acabado cartão postal. A solidão da paisagem é quebrada pela música contundentemente sedutora composta pelo argentino Gustavo Santaolalla.<br />
No meio da paisagem, Ennis e Jack lutam contra as diversidades do ambiente silvestre. Enfrentam feras, caçam cervos para não morrerem de fome, revezam nas funções, ora um sobe ao topo da montanha, ora o outro desce.<br />
Nos momentos que se encontram, conseguem fazer parte do gênero humano, não da paisagem selvagem da montanha. Alimentam-<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-ennisejackcaminhonete.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-ennisejackcaminhonete.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>se, falam, bebem, trocam confidências de vida. Numa noite Ennis bebe demais, não conseguindo partir para o topo da montanha. Completamente embriagado, decide dormir no acampamento de Jack. Na sua visão viril do mundo, prefere dormir junto à fogueira, ao relento e ao frio, do que ao lado de Jack, dentro da tenda. A noite é áspera e fria, Ennis sente os ossos congelar. Jack ouve o amigo tremer de frio, vai buscá-lo, trazendo-o para a tenda. Deitam-se um ao lado do outro. A solidão da noite transforma-se na solidão da vida. Jack está decidido a quebrá-la. Envolve o braço do amigo em seu corpo. Aos poucos começa a despi-lo. Ennis, ainda sob o torpor da bebida, acorda assustado com os gestos de Jack. Levanta-se, deixando-se acossar pelos carinhos do outro. Sua atitude é brusca, quase selvagem, deixa-se levar pelos instintos, não pelos carinhos. A cena é crua, de forma bruta, quase que violenta, Ennis subjuga Jack, possuindo-o com a fúria da virilidade solitária. O sexo como explosão é o início do encontro complexo que prenderá as almas dos dois para sempre.</p>
<p><strong>Estabelecido o Segredo na Montanha</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain1963.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain1963.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>Na manhã seguinte, Ennis acorda ao lado do companheiro de jornada. Veste as calças e saí. Não considera o que fizera um ato digno, mas sim uma explosão do desejo viril. Rejeita o prazer, cobrindo-se de culpa. Jack aparece. Senta-se à fogueira, ao lado de Ennis, que lhe permanece virado de costas. Não consegue olhar para Jack. Consegue apenas dizer que aquilo terminava ali, não haveria uma outra vez. Jack responde convicto: “<em>Isto não interessa a mais ninguém além de nós</em>”. Para Ennis, a verdade é a que encerra, a que lhe cobra o mundo. Ele só quer uma afirmação: “<em>Ain’t no queer</em>”, ou seja, não era anormal, não era um maricas. Jack também diz que não o é.<br />
Ennis monta o cavalo e parte para o alto da montanha. Ficará a tarde toda preso à culpa latente pela noite que se permitira ser mais animal, ejacular sobre a solidão. É o momento mais contundente à frase que se está estampada nos cartazes do filme, o slogan “<em>Love is a force of nature</em>” (<em>O amor é uma força da natureza</em>).<br />
Mais complacente com a sua culpa, Jack despe-se à beira do rio, lavando as suas roupas nas águas límpidas e correntes, como se lavasse a fúria da noite, o cheiro de Ennis, o seu sêmen. São notáveis os momentos em que as personagens cuidam da sua higiene pessoal, mesmo com a precariedade do local, banhando-se com improvisadas canecas e água fervida na fogueira.<br />
Ennis só retorna já muito tarde da noite. Encontra Jack deitado dentro da tenda. Pede-lhe desculpa, deita-se ao seu lado, e desta vez o sexo dá passagem para o sentimento. O carinho substitui o ato animal. O ato físico cru e selvagem dá passagem para o ato amoroso, iniciando uma relação que os seguirá para o resto de su<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-banhonu.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-banhonu.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>as vidas. Permitem-se amar um ao outro, encontrando o que há de mais genuíno em suas almas, assumindo o maior segredo das suas vidas.<br />
A partir de então, o filme mostra a força pujante de dois homens, que se equilibram pelo sentimento, jamais por suas naturezas. Rolar bruscamente na relva, trocar socos, cavalgar, fazem parte dos carinhos viris que dissimulam a condição de amantes. Jamais se diz “eu te amo”, jamais será dito com palavras, apenas com olhares e silêncios emanados da alma.<br />
Cada vez mais envolvidos, descuidam-se do trabalho escravo que fazem. Ovelhas são mortas por lobos, tempestades fazem com que elas se misturem a outros rebanhos. Para eles é mais importante preservar a vida juntos, aquecidos na tenda, em uma noite de tempestade do que enfrentá-la na escuridão atrás de ovelhas desgarradas. Suas vidas tornam-se mais importantes do que a servidão humana que lhe exigem aquele trabalho.<br />
As cenas dos dois na montanha são envolvidas sempre por um carinho latente que explode em leves lutas corporais. Heath Ledger rodou uma cena de nu frontal, numa seqüência que o seu personagem e o de Jake Gyllenhall, atiram-se sem roupas ao rio. O diretor Ang Lee, temeu que a ousadia fosse por demais, cortando a cena, mas fotografias com as imagens de nudez do ator foram parar na internet, rodando o mundo. Na cena, Jake Gyllenhall foi substituído por um dublê, não sendo ele quem está ao lado de Heath Ledger.<br />
Enquanto Jack e Ennis distraem-se em viver os seus sentimentos, o idílio da montanha é visto por Joe Aguirre, o contratante, que os observa de longe. O segredo de ambos torna-se tão frágil quanto a própria existência daquele sentimento nascido ao topo da montanha.<br />
Uma tempestade de neve fora de hora encerra o trabalho dos dois improvisados pastores de ovelhas. Inicialmente contratados para chegarem até o fim de setembro, são dispensados um mês antes. Ennis recebe mal a ordem de desmontar o acampamento um mês antes. Tenso e mal-humorado com a decisão, Ennis inicia uma briga com Jack, ambos saem feridos e com as camisas manchadas de sangue.<br />
Os dois deixam em silêncio a montanha. Sabem que a vida continuaria mesquinha e programada para eles. A paisagem silvestre da montanha permitia que fossem livres para amar um ao outro, mas não a sociedade para a qual voltavam. Assim, deduzem que aquele encontro fora um calor de verão, só existente nas leis da natureza presa na montanha. Jack promete voltar no ano <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-ennis.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-ennis.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>seguinte, mas Ennis apenas diz que se vai casar, seguir a vida como acha que deve ser.<br />
Após a contagem das ovelhas, são humilhados pelas palavras do patrão, que diante de tanta perda no rebanho, diz que não prestam para olhar animal algum. Os dois despedem-se sem trocar um aperto de mão, sem uma garantia de que se iriam rever um dia. Separam-se como dois estranhos. Pelo retrovisor da sua velha caminhonete, Jack observa o amigo desaparecer na distância, friamente, sem ousar olhar para trás. O que ele não vê é que debaixo da frieza aparente do Ennis, uma dor insuportável apodera-se dele. Pensando que vai vomitar, Ennis encosta-se em um canto, mas termina por chorar escondido, esmurrando a parede, deixando explodir o sofrimento da separação. Ao perceber que é observado, vocifera para que o deixem em paz. Assim, o mais contido dos homens, chora desesperadamente por perder o seu companheiro, por voltar ao cotidiano da sua vida sem brilho, coberta pelos mistérios da sua existência.</p>
<p><strong>Casamentos e Reencontros</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-casamentodeennis.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-casamentodeennis.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>Ennis Del Mar e Jack Twist seguem caminhos separados. A tênue cumplicidade adquirida entre os dois parece ter ficado presa no passado. A amizade que se estabelecera, não fosse o envolvimento emocional, perduraria como exemplo para toda a sociedade, e eles poderiam ser apresentados a todos sem qualquer culpa além da unidade fraterna. Mas o sentimento secreto de ambos, fazia que só existissem um para o outro, longe dos olhares do mundo.<br />
Ennis Del Mar não tinha nada na vida. Perdera os pais muito cedo, sendo criado por irmãos que, à medida que se casavam, excluíam-no das suas vidas. Só lhe restava casar e construir a sua própria família. Assim, já com a marca de Jack fincada em seu ser, casa-se com Alma Beers (Michelle Williams). Construindo com ela uma vida simples, complementada pelo nascimento de duas crianças.<br />
Jack Twist ainda debate-se com a sua solidão. No ano seguinte, conforme prometera ao amigo, volta para tentar trabalhar como pastor na montanha. É recusado por Joe Aguirre. Jack ainda pergunta por Ennis. A resposta do contratador é irônica, elucidando o jovem de que ele sabia o que se havia passado entre ele e o amigo. Jack nada responde. Segue errante o seu caminho pelos rodeios da vida. Atira-se por vezes a possíveis companheiros, sentindo-se rejeitado por sua homossexualidade cada vez mais latente. Por fim casa-se com a impulsiva Lureen Newsome (Anne Hathaway), filha de um rico comerciante de máquinas agrícolas. Gerará com ela um filho.<br />
A vida de Ennis segue monótona, sem grandes sonhos. Assume o seu lar como um marido comum e bom pai de família. Trabalha muito em vários <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-jackeesposa.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-jackeesposa.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>empregos rurais, ganha pouco, mas o suficiente para conduzir a sua vida modesta e simplória. Poderia viver assim para sempre, não fosse em 1967, quatro anos depois de ter trabalhado como pastor na montanha, receber um inesperado cartão postal de Jack, avisando que estaria na sua região, e se ele o queria ver. O mundo familiar de Ennis, construído sobre alicerce frágil, parece desmoronar. Como um sopro no coração, atende ao chamado de Jack, dizendo que sim, que queria vê-lo.<br />
No dia marcado do encontro, Ennis prepara-se como um adolescente perdido. Pela primeira vez a dureza da vida, a maturidade precoce, dá passagem para um jovem sonhador, à espera do amor da sua vida. Ao lado da mulher, espera com uma ansiedade latente a chegada do amigo. Chega a dizer que não acredita que ele virá. De repente abre a cortina da janela, e lá está a caminhonete de Jack, mostrando que a vida tinha sido menos dura financeiramente com o amigo.<br />
O reencontro de Ennis e Jack é convulsivo desde o primeiro instante. O contido Ennis, que guarda as emoções por anos, e que as explode em situações de brigas, sexo ou beijos, mostra-se um homem passional. Ao rever Jack, não se contenta com um simples abraço, inadvertidamente puxa-o para um canto e o beija com fúria ali mesmo. O contacto físico é à flor da pele e dos sentimentos, quase que de forma explosiva. Tão forte que ao se rodar o filme, Heath Ledger quase quebrou o nariz de Jake Gyllenhall em uma cena de beijo. Tão intenso, que deu ao filme o prêmio MTV Movie Award de melhor beijo.<br />
Ao seguir o seu impulso, Ennis não se dá conta do quão insensato tinha sido o seu ato. Da janela da sua casa, Alma assiste ao beijo do <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-ennisapresentajack.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-ennisapresentajack.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>marido e do amigo, descobrindo o seu segredo. Pela segunda vez o amor entre os dois é convertido em um segredo aberto. Se o momento é de felicidade extrema para Ennis, é o fim das ilusões de um casamento tranqüilo para Alma. O início do seu sofrimento, da sua tristeza solitária. Alma conviverá com o segredo do marido silenciosamente, sem nunca confessar que sabe. Passará a ser uma mulher triste e infeliz, presa à teia de uma infidelidade que jamais compreenderá. Michelle Williams compõe uma sofrida personagem, vítima do segredo do marido, da sua indecisão de viver uma escolha. A atriz foi nomeada ao Oscar na categoria de melhor atriz coadjuvante. Durante as filmagens, iniciou um relacionamento com Heath Ledger, que duraria dois anos, dando ao ator a sua única filha, Matilda Rose, sendo Jake Gyllenhall o padrinho da menina.</p>
<p><strong>O Amor Clandestino</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmoutain-cenasdeamor.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmoutain-cenasdeamor.jpg?w=279" alt="" border="0" /></a>O reencontro de Jack e Ennis define para sempre o destino dos dois. Estão irremediavelmente destinados a viver aquele amor clandestino. Juntos, em um momento de intimidade incontida, Jack dá a sentença: “<em>Brokeback Mountain nos pegou de jeito</em>”. Não podiam mais fugir daquele sentimento.<br />
Jack propõe a Ennis que abandonem suas vidas de casados e construam um rancho isolado, vivendo juntos para sempre. É quando Ennis revela o seu medo do mundo, de enfrentar a sociedade. Conta ao amigo que quando criança, na sua terra, um casal homossexual decidiu viver junto, sendo motivo de repulsa e hostilidade da comunidade. Um dia, o seu pai o levou para ver o cadáver de um deles, que fora assassinado, puxado pelo pênis e atirado em um canal de irrigação. O pequeno Ennis foi obrigado pelo pai a ver aquele cadáver, para que o filho compreendesse os valores morais e inabaláveis da sua comunidade. Ennis confessa que sempre suspeitara que o próprio pai cometera aquele crime ignóbil.<br />
Revela a Jack que dois homens juntos jamais seriam aceitos. Que mais uma vez a vida os pusera juntos fora de hora, tarde demais. Mas que já não seguiria sem ele. Viveriam aquele sentimento clandestinamente, até onde se lhes fosse possível de agüentar.<br />
O que Ennis não sabia é que agüentariam aqueles reencontros furtivos por toda a juventude dos dois. Encontrar-se-iam duas vezes por ano, fugindo para um acampamento na montanha, onde a força da natureza permitia que vivessem aquela paixão em segredo. Ennis e Jack só não sabiam que o seu segredo era mais frágil do que se imaginava. Assim como Joe Aguirre, também Alma sabia do amor proibido vivido pelos dois. Ennis pensa que engana o seu mundo, à sociedade em que está inserido, quando o segredo da sua verdade é compartilhado com outras tantas pessoas, que se calam por um ou outro motivo.</p>
<p><strong>Separação e Decepção</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-obeijo.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-obeijo.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>Ennis construirá o sentido da sua vida baseado nos seus encontros com Jack, que se darão por toda vida. Ennis teme a sociedade, mas teme a si mesmo, pois não se consegue ver um homem homossexual. Para ele Jack é o único homem que aceita tocar, beijar, e amar. Longe dele não existe um mundo de opção sexual entre homens. Jack é mais que um ato sexual, é o amor na mais profunda cicatriz da existência, é o sentimento genuíno e revelador. É fácil para ele esperar cada dia pelo encontro, em que pode ser feliz sem medo, sem as pressões de uma vida sofrida e repleta de privações financeiras. Sem perceber, Ennis faz da esposa a mulher mais infeliz do mundo. Não enxerga o que se passa no coração feminino de Alma, porque ela não é o centro do seu universo, é a coadjuvante, a capa que o protege do mundo, que lhe possibilita amar o amigo sem ser confrontado pelas valias, dogmas e moralidades do mundo.<br />
Por sua vez, Jack amadurece a sua homossexualidade. Vive-a sem medo. Corre os riscos, expõe-se sempre. Seu casamento não tem o mesmo peso do de Ennis. A mulher vive distante, mergulhada no seu mundo, deixando o marido livre para percorrer os labirintos do seu ser. Jack não tem o respeito do sogro, que o enxerga como um simples aproveitador. Limita-o dentro da própria casa, como se fosse um nada. Jack sonha em deixar aquela vida, aquela casa onde é um simples figurante. E Ennis está nos seus sonhos. É com ele que quer dividir um rancho, cuidar das suas próprias ovelhas. Jack não reprime a sua opção sexual. Ela é latente no seu ser. Longe de Ennis, ele procura bares em que homens se vendem por dinheiro. Vive encontros furtivos. Envolve-se com o vizinho, sem nunca deixar de ver Ennis. Por mais que tente, não consegue se libertar do velho companheiro. Segue a vida, preso às decisões de Ennis, sem poder realizar o seu sonho. Para aliviar o seu desejo latente, quando está longe, envolve-se com outros homens, sem jamais conseguir ir além do sexo. Os outros representam o ato sexual, Ennis é o amor vivido, o sentimento verdadeiro, a esperança do companheirismo eterno. Uma curiosidade é a cena em que Jack paga um homem no México para ter relações, o gigolô é vivido por Rodrigo Prieto, diretor de fotografia do filme.<br />
Se a mentira de Ennis faz a infelicidade de Alma, ela <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-jackeennisnamontanha.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-jackeennisnamontanha.jpg?w=257" alt="" border="0" /></a>um dia dá um basta naquela vida angustiada, sofrida e menor ao lado do marido, pedindo o divórcio. Alma voltaria a casar novamente, reconstruindo a sua vida longe do segredo do marido.<br />
A notícia da separação reacende as esperanças de Jack, em ver finalmente, que poderia realizar o sonho de viver ao lado de Ennis. Tão logo sabe da separação, dirige apressado por longos quilômetros para ver o amigo. Ao chegar, é recebido com as limitações impostas por Ennis. Jack é recebido formalmente, pois as filhas de Ennis estão com ele no rancho. O recém divorciado pede ao amigo que parta, pois não via as filhas há um mês, e teria que ficar com elas naquele fim de semana. Ennis diz a Jack que tem que trabalhar para pagar a pensão às filhas, que jamais poderia abandoná-las.<br />
Mais uma vez Jack acata as decisões do amigo. Parte com a certeza que jamais realizaria o sonho de viver ao lado de Ennis. Que está para sempre condenado a vir ao encontro dele, e a buscar sexo nos perigos da noite. As lágrimas rolam pelo rosto de Jack, enquanto ele dirige, como se com elas escorressem todos os seus sonhos. Pela primeira vez ele sente que se um dia realizasse o sonho de ser ele mesmo, de ter a paz vivida em seu rancho, teria que ser sem Ennis. Jack irá permitir-se envolver além do sexo com um vizinho.</p>
<p><strong>O Último Encontro</strong><br />
<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-jackeennis.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-jackeennis.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a><br />
O tempo passa. Ennis vive na completa solidão social. Em um jantar com Alma e com a sua nova família, ela insinua que sabe a verdade que o unia realmente ao amigo de pescaria. Ennis não suporta ouvir que outra pessoa saiba do seu segredo. Deixa a casa da ex-mulher furioso. Dirige com raiva, envolvendo-se em uma discussão com outro motorista, parte para cima do homem e descarrega nele toda a sua raiva diante de uma iminente revelação da sua vida particular. Agride com socos violentos o homem que por má sorte, cruzara o seu caminho.<br />
Para manter a sua imagem viril, ele envolve-se com Cassie Cartwrigth (Linda Cardellini), jovem que trabalha no bar onde costuma comer.<br />
Um novo encontro na montanha entre Jack e Ennis será decisivo. Juntos revisam as suas vidas. Ennis fala do seu namoro com Cassie, e Jack fala do dele com uma vizinha, o que é mentira, pois é com o marido dela que ele faz insinuações. Falar de mulheres é fundamental para Ennis, que vê naquele momento a sua virilidade não se esvair diante do amor que o prende a Jack. É um elo que o mantém firme à sociedade da qual se despe em frente à montanha.<br />
Quando se preparam para partir, Ennis diz a Jack que só poderá revê-lo em novembro. Jack exaspera-se, perguntando o que tinha acontecido com agosto? Ennis explica que precisa trabalhar para pagar a pensão das filhas. Que já está a envelhecer, já não podia abandonar os trabalhos e seguir ao encontro do amigo. Os empregos já não lhe vinham com facilidade. Jack não se conforma. Uma longa discussão é estabelecida entre os dois. Ennis questiona o amigo se ele foi ao México atrás de outros homens, se ficasse sabendo da traição, era capaz de matá-lo. Jack explode, finalmente. Revelando que ia buscar o que nunca tinha, que não era como ele, que conseguia ter uma vida sexual apenas duas vezes ao ano. Questiona o que tinham de verdade, a não ser a montanha? Desfere finalmente a frase: “<em>Quem me dera saber como te deixar</em>”. Diante da revelação, Ennis desmorona, cai de joelhos a chorar, dizendo que por causa do que sente por Jack, não tinha mais nada na vida, não construí<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-ennisejack.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-ennisejack.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>ra nada além daqueles momentos, não tinha forças nem mesmo para suportar aquela situação. Jack aproxima-se de Ennis, sendo afastado por ele. Mas o amigo volta, abraço-o. Mais calmos, despendem-se. Ennis não sabe que será a última vez que verá Jack.<br />
Ao ver Ennis partir, Jack revive um momento, preso em 1963, quando jovem, cansado pela labuta com as ovelhas, dormia em pé, em frente à fogueira, e Ennis abraçava-lhe por trás, como se quisesse protegê-lo da fadiga. Ennis sussurrava umas palavras aos ouvidos do amigo, depois partia para o alto da montanha. Os olhos de Jack voltam ao presente. Ele vê Ennis já maduro, partir na sua caminhonete. Jack sabe que é a última vez que o verá. Está decidido a viver o seu sonho de liberdade, numa casinha ao fundo do rancho dos seus pais. Viveria o seu sonho, ainda que não fosse com Ennis.</p>
<p><strong>Em Busca das Cinzas</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-notc3adciadamorte.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-notc3adciadamorte.jpg?w=205" alt="" border="0" /></a>Passam os meses. Ennis recebe de volta o cartão que enviara a Jack para confirmar a próxima viagem. No postal o carimbo do correio diz “falecido”. Ennis desespera-se. Rompe as barreiras que impusera e telefona para a casa de Jack. Conversa com Lureen, que lhe relata sobre a morte do marido, supostamente em um acidente na estrada, quando ao trocar um pneu, este explodiu na sua cara. Imagens de Jack sendo assassinado são intercaladas, numa ambigüidade em que parece ter vindo da cabeça de Ennis, que vê o mesmo fim que levara o homem que supunha o pai tinha matado por ser homossexual, quando ainda criança; ou que, Jack tinha tido o mesmo fim. Lureen diz a Ennis que não sabia do seu endereço, por isto não lhe comunicou a morte do marido. Que o último pedido de Jack tinha sido para que as suas cinzas fossem espalhadas na montanha Brokeback, mas que ela não sabia onde era, o se o lugar existia realmente. Ennis revela que sim, a montanha existia. O silêncio de Lureen é como se lhe fosse confirmada uma suspeita que tinha em relação ao marido. Ela diz que tinha enterrado parte das cinzas de Jack, a outra parte enviara para os seus pais, em Lighting Flats, para que eles cumprissem o desejo final do marido. Sugere a Ennis que procure os pais de Jack, e cumpra o pedido do marido.<br />
Ennis segue para o rancho dos pais de Jack. Diante da sociedade, não representa nada na vida do amigo. Não lhe conhecia o filho, a mulher, a vida paralela que tinha. Nada lhe era permitido, nem mesmo as cinzas do amigo, espalhadas onde deveriam estar, no lugar em que os dois construíram as suas vidas, existente em segredo, na face invisível da sociedade. Ennis vai resgatar o que lhe é permitido, as cinzas de Jack.<br />
Ao chegar ao local, Ennis encontra um rancho pobre e decadente. É recebido pelos pais de Jack. O pai, John Twist (Peter McRobbie) traz as palavras <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-mc3a3edejackeennis.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-mc3a3edejackeennis.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>duras e tacanhas de um homem sofrido e rude. Através dele, Ennis descobre que Jack jamais escondeu a sua existência dos pais. As palavras duras de John Twist revelam as frustrações de vida do filho morto. Conta que ele prometera um dia construir uma casa atrás do rancho, e que viria para ali morar com o amigo Ennis, e juntos iriam ajudá-lo. Revela que para o fim, traria um outro amigo, um vizinho do Texas, decisão que precipitara o seu fim. Ennis escuta todas as revelações em silêncio, como se visse nelas os sonhos desfeitos de Jack, sonhos que ele sempre soube da existência.<br />
Se as palavras do pai são frias, o olhar da mãe de Jack (Roberta Maxwell) é cheio de cumplicidade e revelações de ternura. Ela sabe quem é o homem que está à sua frente, conhece os segredos do filho morto, o seu silêncio traduz que está diante daquele que realmente dera verdade à vida do filho. Diz a Ennis que vá até o quarto que fora de Jack, pois lá conserva tudo que lhe pertencera, desde criança. Tudo está como ele o deixou.<br />
Ennis aceita entrar no quarto do amigo. Pela primeira vez percorre o mundo do companheiro além daquele que criaram e estabeleceram um para o outro. Olha todos os detalhes. De repente depara-se com duas camisas no armário. Encontra manchas de sangue sobre elas. Ennis reconhece as camisas, são as mesmas que Jack e ele traziam no último dia em que estiveram juntos em Brokeback Mountain, em 1963, quando brigaram e verteram sangue um do outro. O contraste entre as ações se intercala, a primeira vez que se atracaram sexualmente, como animais, Jack sentira necessidade de lavar a sua roupa no rio no dia seguinte. Quando verteram o sangue um do outro, era porque o sexo dera passagem ao amor, Jack guardou as camisas sem jamais as ter lavado, perpetuando através do seu sangue e do de Ennis, o amor que levaria para o resto da sua vida.<br />
<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-camisadejack.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-camisadejack.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>Ennis tem a certeza de que Jack sempre o amara, que assim como ele, sofrera com a separação. Encolhe-se ao canto do armário e, com lágrimas nos olhos, abraça-se à camisa de Jack, como se nela sentisse o seu cheiro. Como se abraçasse toda a sua vida, todos os seus segredos. De volta à sala, ele traz as camisas. Nada diz, mostra-as à mãe de Jack, que lhe acena permitindo-o levar aquela lembrança. Ela pega um saco e guarda as camisas, entregando-as a Ennis. Seu olhar diz que ela sabe que as camisas lhe pertencem, pois ao guardá-las sujas de sangue, respeitou a vontade do filho, segredo que ela como mãe, soube velar, e que a cada olhar lançado a Ennis, divide-o finalmente.<br />
Nos últimos momentos da visita de Ennis, John Twist sentencia que as cinzas do filho serão enterradas no jazigo da família. Antes de partir, a mãe de Jack troca mais um olhar cúmplice com Ennis, pedindo a ele que volte, que venha visitá-los, como se estabelecessem um acordo velado para que se cumprisse o último desejo de Jack. Ennis acena que sim.</p>
<p><strong>A Promessa Final</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-camisas.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-camisas.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>Na cena final, Ennis vive em um trailer. Jamais teve um fôlego financeiro, ou mesmo a liberdade de ser a sua essência. Ali, é visitado pela filha, Alma Jr (Kate Mara), agora com 19 anos. A filha revela-lhe que se vai casar, e pede para que ele a conduza até ao altar. Ennis pergunta se os dois se amam de verdade. Ela diz que sim. Ela tem a mesma idade que ele quando conheceu Jack e a verdade do amor.<br />
A princípio Ennis, sempre estóico e contido, reluta em ir ao casamento da filha, alegando que tem que trabalhar. De repente percebe que dissera o mesmo a Jack, quando o viu pela última vez. É como se, não tivesse faltado ao encontro de agosto, o amado ainda pudesse estar vivo. Ennis diz que sim, que acompanhará a filha ao altar. A jovem parte feliz, com a certeza da presença do pai.<br />
Ennis percebe que Alma Jr se esqueceu do suéter. Dobra-o, abre o armário para guardá-lo. Salta-nos a imagem das duas camisas penduradas na porta, desta vez com a de Ennis por cima da de Jack, ao lado, um cartão postal da montanha Brokeback. Ennis olha para as camisas, cuidadosamente abotoa a parte de cima da camisa que pertencera a Jack. Os olhos estão marejados. Com um olhar turvo, diz: “<em>Jack eu prometo</em>”. Endireita o postal da montanha e fecha a porta. A câmara é fixada na imagem da porta fechada. A música de Gustavo Santaolalla eleva-se. O filme é encerrado. O que prometera Ennis à memória de Jack? Que voltaria a visitar a sua mãe, trazendo-lhe as cinzas para a montanha Brokeback, juntando-as, futuramente às suas? Realizaria o sonho de Jack, unindo as suas cinzas as dele na montanha?<br />
A composição longa do tempo gerou uma forte maquiagem nos atores, demasiados jovens para os anos que se lhe são impregnados. Se a imagem é pesadamente forçada, a essência do envelhecimento das personagens é magi<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-jackeennisabrac3a7o.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-jackeennisabrac3a7o.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>stralmente assimilada pelos atores. Jake Gyllenhall, tido como coadjuvante, ultrapassa em importância o papel, indo muito além do que lhe foi proposto, sem a sua personagem não há a outra, portanto não há coadjuvantes. Heath Ledger viveu o grande papel da sua vida, curta e rápida, sem tempo para outros grandes papéis. Viveu a juventude e a maturidade que a vida lhe negou através do olhar de Ennis Del Mar. O ator viria a falecer em 22 de janeiro de 2008, aos 28 anos.<br />
“<em>O Segredo de Brokeback Mountain</em>”, inicialmente previsto para ser sucesso em um circuito fechado, ultrapassou os preconceitos e as barreiras, atingindo grandes públicos. Sendo indicado para oito Oscars da academia, arrebatando três, inclusive o de melhor diretor. Recebeu o Leão de Ouro como melhor filme no Festival de Veneza, e o Globo de Ouro na mesma categoria. Apesar de ter sido barrado em vários países de cultura conservadora, transformou-se no oitavo filme romântico recorde de bilheteria nos Estados Unidos.<br />
O pôster do filme foi inspirado no de “<em>Titanic</em>”, trazendo a instigante frase “<em>O amor é uma força da natureza</em>”.<br />
O filme é essencialmente, o reflexo das escolhas que fazemos. Ao recusar viver com Jack, Ennis não temia somente os preconceitos da sociedade, mas também os seus próprios. Optara por uma vida em segredo, sem se aperceber que era um segredo aberto. Quantos não o sabiam? A sua mulher Alma, o patrão Joe Aguirre, a mãe de Jack. Quantos não suspeitavam? Tragicamente, Ennis escondia um segredo que só ele imaginava existir. O seu medo gerou a infelicidade de Alma, a vida errante de Jack, e quem sabe, a sua morte prematura. Ao fim, do que se escondeu Ennis Del Mar senão de si mesmo? Quem que sabia dos seus segredos ameaçou-o concretamente? Joe Aguirre apenas insinuou que sabia a Jack, mas nada fez para expô-los, estava mais preocupado com o bem estar das ovelhas do que com o relacionamento dos seus <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-ennisejackabrac3a7o.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-ennisejackabrac3a7o.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>pastores. Não dispensou Jack por causa do preconceito, mas pelo prejuízo que julgou ter pelo ilídio amoroso dos dois. Alma calou-se impotente diante da verdade do marido, jamais aceitaria os sentimentos do marido, mas pior foi ter que conviver com tão pungente realidade todas às vezes que ele deixava tudo para ir ter com o amigo. Doía-lhe saber o que faziam de verdade nas fictícias pescarias. Por fim, os pais de Jack esperavam o dia em que o filho traria Ennis pelas mãos. Portanto o empecilho maior sempre esteve na mente de Ennis, que na escolha de viver uma vida em segredo, perdeu a única verdade da sua alma, fazendo da vida uma rara felicidade, vertida apenas ao pé da montanha Brokeback. Mas quem pode culpar Ennis? Em pleno século XXI, quantos não vivem os sentimentos à margem da sociedade? Quantos amores clandestinos não se tornam visíveis em leitos fechados e invisíveis à sociedade?</p>
<p><strong>Ficha Técnica:</strong></p>
<p><strong><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmoutain-ennisdelmar.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmoutain-ennisdelmar.jpg?w=225" alt="" border="0" /></a>O Segredo de Brokeback Mountain</strong></p>
<p><strong>Direção:</strong> Ang Lee<br />
<strong>Ano:</strong> 2005<br />
<strong>Pais:</strong> Estados Unidos e Canadá<br />
<strong>Gênero:</strong> Drama Romântico<br />
<strong>Duração:</strong> 134 minutos / Cor<br />
<strong>Título Original:</strong> Brokeback Mountain<br />
<strong>Roteiro:</strong> Larry McMurtry e Diana Ossana, baseado no conto de Annie Proulx<br />
<strong>Produção:</strong> Michael Costigan, Scott Ferguson, Michael Hausman, Larry McMurtry, Diana Ossana, William Pohlad e James Schamus<br />
<strong>Música:</strong> Gustavo Santaolalla<br />
<strong>Direção de Fotografia:</strong> Rodrigo Prieto<br />
<strong>Direção de Arte:</strong> Laura Ballinger e Tracey Baryski<br />
<strong>Produção de Design:</strong> Judy Becker<br />
<strong>Decoração de Set:</strong> Catherine Davis<br />
<strong>Figurino:</strong> Marit Allen<br />
<strong>Maquiagem:</strong> Mary-Lou Green-Benvenuti, Linda Melazzo, Manlio Rocchetti, Penny Thompson e Sharon Toohey<br />
<strong>Edição:</strong> Geraldine Peroni e Dylan Tichenor<br />
<strong>Direção de Elenco:</strong> Avy Kaufman<br />
<strong>Efeitos Especiais:</strong> Kelly Coe e Maurice Routly<br />
<strong>Efeitos Visuais:</strong> Sarah Coatts, Jason Giberson, Ara Khanikian, Bruno-Olivier Laflamme, Jean-François Laffleur, Louis Morin, Alexandre Lafortune, Pierre-Simon Lebrun-Chaput, Chris Ross, Mathew Rouleau, Robin Tremblay e Mark Turesk<br />
<strong>Som:</strong> Philip Stockton, Larry Wineland, Marko A. Costanzo, Michael J. Fox, Eugene Gearty, Kenton Jakub, Frank Kern, Drew Kunin, Avi Laniado, George A. Lara, Wyatt Sprague, Peter Melnychuck, Geo Major, Igor Nikolic, Relly Steele, Sa<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-jacktwist.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-jacktwist.jpg?w=226" alt="" border="0" /></a>ra Stern e David Warzynski<br />
<strong>Estúdio:</strong> Paramount Pictures / Good Machine / This is That Productions / River Road Entertainment / Alberta Filmworks Inc.<br />
<strong>Distribuição:</strong> Focus Features / Europa Filmes<br />
<strong>Elenco:</strong> Heath Ledger, Jake Gyllenhall, Anne Hathaway, Michelle Williams, Randy Quaid, Linda Cardellini, Anna Faris, Scott Michael Campbell, Kate Mara, Cheyenne Hill, Brooklyn Proulx, Tom Carey, Graham Beckel, David Harbour, Mary Liboiron, Roberta Maxwell, Peter McRobbie, Valerie Planche, David Trimble, Victor Reyes, Lachlan Mackintosh, Larry Reese, Marty Antonini<br />
<strong>Sinopse:</strong> Ennis Del Mar (Heath Ledger) e Jack Twist (Jake Gyllenhall) são dois jovens pobres que se conhecem no verão de 1963, quando contratados para cuidar das ovelhas de Joe Aguirre (Randy Quaid), na montanha Brokeback. Jack quer ser um astro de rodeios, enquanto que Ennis tenciona casar-se com Alma (Michelle Williams), tão logo regresse da montanha. Isolados por semanas, sobrevivendo a um ambiente inóspito e de penúria, os dois tornam-se cada vez mais amigos, até que iniciam um relacionamento amoroso. No término do serviço, cada um segue o seu caminho, mas permanecerão ligados para sempre, vivendo uma paixão clandestina por duas décadas.</p>
<p><strong>Ang Lee<br />
</strong><br />
<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-anglee.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-anglee.jpg?w=259" alt="" border="0" /></a>Ang Lee é um dos vários cineastas talentosos que Hollywood importou nos anos noventa. Nascido em Pngtung, Taiwan, em 23 de outubro de 1954, o cineasta, ator e produtor, teve a sua formação na National Taiwan College of Arts, concluindo-a na Universidade do Illinois, nos Estados Unidos, país para o qual se mudou em 1978.<br />
Em 1983, casou-se com Jane Lin, com quem teve dois filhos nascidos nos Estados Unidos.<br />
Ang Lee estrear-se-ia como diretor em 1992, com o longa-metragem “<em>A Arte de Viver</em>”. A consagração viria em 1993, com o filme “<em>O Banquete de Casamento</em>”, sendo indicado para o Globo de Ouro, além de arrebatar o Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim.<br />
Em 1994, outro filme seu receberia a indicação do Oscar na categoria de melhor filme estrangeiro, “<em>Comer, Beber e Viver</em>”. No ano seguinte traria para as telas um clássico da literatura, “<em>Sense and Sensibility</em>”, inspirado no romance de Jane Austen, desta vez contando com um elenco internacional luxuoso, com Emma Thompson e Hugh Grant.<br />
Ao longo do tempo, Ang Lee foi acumulando grandes sucessos, como “<em>O Tigre e o Dragão</em>”, em 2000, sendo, com este filme, ovacionado no festival de Cannes. A consagração maior viria com o polêmico “<em>Brokeback Mountain</em>”, em 2005, com o qual ganhou os prêmios Globo de Ouro e Oscar na categoria de melhor diretor. Ang Lee é hoje um dos mais respeitados cineastas de Hollywood e do mundo.</p>
<p><strong>Filmografia de Ang Lee:<br />
</strong><br />
1992 – Tui Shou (A Arte de Viver)<br />
<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-jack.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/10/brokebackmountain-jack.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>1993 – Xi Yan (O Banquete de Casamento)<br />
1994 – Yin Shi Nan Nu (Comer, Beber e Viver)<br />
1995 – Sense and Sensibility (Razão e Sensibilidade)<br />
1997 – The Ice Storm (Tempestade de Gelo)<br />
1999 – Ride With the Devil (Cavalgada com o Diabo)<br />
2000 – Wo Hu Cang Long (O Tigre e o Dragão)<br />
2001 – Chosen<br />
2003 – Hulk<br />
2005 – Brokeback Mountain (O Segredo de Brokeback Mountain)<br />
2007 – Se, Jie (Desejo e Perigo)<br />
2009 – Taking Woodstock<br />
2011 – Life of Pi (pré-produção)</div>
</div>
<p>&nbsp;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/899/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/899/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/899/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/899/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/899/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/899/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/899/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/899/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/899/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/899/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/899/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/899/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/899/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/899/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=899&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>ATENA, A DEUSA DA SABEDORIA E DA GUERRA</title>
		<link>http://jeocaz.wordpress.com/2011/07/28/atena-a-deusa-da-sabedoria-e-da-guerra/</link>
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		<pubDate>Thu, 28 Jul 2011 18:48:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[mitologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Atena (Minerva), deusa da sabedoria, da idéia civilizadora, da vitória nas guerras e da inteligência das estratégias, era uma das divindades mais importantes e cultuadas na Grécia antiga. Na tradição mais aceita da lenda, Atena teria nascido do crânio de Zeus (Júpiter), herdando do pai a sabedoria roubada a Métis (Prudência). O mito de Atena [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=882&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="post-body-2616397562716388962">
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<div id="post-body-2616397562716388962"><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atenaeocentauro28detalhe29-botticelli.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atenaeocentauro28detalhe29-botticelli.jpg?w=276" alt="" border="0" /></a>Atena (Minerva), deusa da sabedoria, da idéia civilizadora, da vitória nas guerras e da inteligência das estratégias, era uma das divindades mais importantes e cultuadas na Grécia antiga.<br />
Na tradição mais aceita da lenda, Atena teria nascido do crânio de Zeus (Júpiter), herdando do pai a sabedoria roubada a Métis (Prudência). O mito de Atena interliga a sabedoria à castidade, o sexo escraviza o homem, atrai-lhe a paixão, desequilibra-o emocionalmente. A castidade constrói, alia-se à pureza do corpo e da alma, assim, entre os gregos, sabedoria e sexo opõem-se, prudência e bom senso aliam-se. Atena escolhe a virgindade como símbolo da sua sabedoria. Sendo uma das mais belas deusas do Olimpo, ela não cede aos assédios impetuosos e constantes dos outros deuses, mantendo-se casta.<br />
Entidade guerreira, é justa nos campos de batalhas. Enquanto Ares (Marte), faz verter o sangue dos dois lados da guerra, Atena protege os justos, fazendo tombar os insensatos. Na concepção grega, os seus soldados são o mais próximos da filosofia da razão estratégica, os mais justos contra os outros povos beligerantes que os cerceiam, Atena é a protetora universal dos exércitos helenos. Na guerra de Tróia, manteve-se corajosamente ao lado dos gregos, enquanto que outras divindades olímpicas dividiram-se entre gregos e troianos.<br />
Atena é a maior protetora da civilização grega, a mais nacionalista, a que mais contribui para o seu avanço, oferecendo àquele povo a oliveira, o leme, o tear e a flauta, simbolizando respectivamente o alimento (azeite), o progresso (como conduzir os barcos), o trabalho têxtil, e a arte, neste caso a música, essência da sabedoria daquele povo do extremo oriente do mar Mediterrâneo.<br />
Deusa da sabedoria e da arte da guerra, Atena foi uma das entidades com mais representações na arte, deixando um legado de obras com temas envolvidos no seu mito, que vão desde o Partenon, em Atenas, até as famosas esculturas de Fídias. Em Roma, o seu mito foi assimilado ao de Minerva, não encontrando a mesma importância que adquiriu na Grécia. Deusa guerreira, traz sempre a lança em punho, às vezes o escudo, e, elmo divino na cabeça, transbordando o seu garbo sábio e justo.</p>
<p><strong>As Várias Lendas Sobre o Nascimento da Deusa</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atenaezeus.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atenaezeus.jpg?w=242" alt="" border="0" /></a>O nascimento de Atena possuí várias versões, dependendo da lenda. Uma versão pouco difundida atribui a paternidade da deusa a Poseidon (Netuno), o senhor dos mares. A associação aos dois mitos explica-se por Atena ter nascido à margem de um lago, precedendo ao relâmpago e ao raio que trazem a chuva. É a deusa da luz antes da tempestade, que ilumina o céu antes de transbordar as suas nuvens, assim com Poseidon domina os mares e os seus maremotos. É a deusa do orvalho, elemento úmido que protege a agricultura contra o frio seco da noite. Os elementos úmidos da deusa dão a aproximação ao deus dos mares.<br />
Noutra vertente da lenda, seria filha do gigante Palas, filho de Gaia (Terra). O mito de Atena e de Palas fundem-se não só como filha e pai, mas em um confronto entre a força e a manutenção da pureza casta. Palas teria tentado violar a deusa, que obstinada em manter o corpo intacto, matou-o e, ao esfolar a sua pele, fez dela o <em>aigis</em>, ou manto da virgindade. Além do manto, a deusa passa a demarcar a sua vitória sobre o gigante, usando o nome de Palas Atenas. Era através deste nome que seria invocada por todos os gregos quando lhe pediam a proteção para as suas cidades.<br />
A tradição mais corrente do mito é a do seu nascimento através da cabeça de Zeus, o senhor dos deuses. Após vencer a guerra contra os Titãs e os<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atenaedosdoisguerreiros.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atenaedosdoisguerreiros.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a> Gigantes, Zeus tornou-se o senhor dos deuses e dos homens, tomando como primeira esposa Métis, a Prudência. Quando a deusa esperava o primeiro filho, Zeus soube através do oráculo de Gaia que nasceria uma filha. O oráculo profetizou ainda, que da segunda gestação nasceria um filho, que destronaria o pai. Preocupado, Zeus decidiu engolir a esposa. A seguir tomou a sua irmã Hera (Juno) como esposa. Pouco depois, ao encerrar o tempo de gestação da mulher engolida, Zeus, ao passear às margens do lago Tritônis, foi surpreendido por uma dor insuportável na cabeça, como se fosse espetado por uma lança. As pontadas tornavam-se cada vez mais fortes dentro da cabeça do imortal, fazendo o poderoso deus dos trovões emitir um grito que ecoou pelos céus e pela terra. Outros gritos de dor saltaram da boca desesperada do senhor dos deuses. Ao ouvir os gritos de Zeus, todos os deuses do Olimpo correram em seu socorro. Hermes (Mercúrio), o mensageiro dos deuses, ao ver a aflição de Zeus, saiu em busca de Hefestos (Vulcano), o ferreiro divino. O deus dos vulcões e do ferro, ao ver a cabeça do pai vibrando, como se dela quisesse sair algo muito grande, golpeou-a com um machado de ouro. Da <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atenalemnia-fc3addias.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atenalemnia-fc3addias.jpg?w=223" alt="" border="0" /></a>ferida aberta por Hefestos surgiu uma mulher belíssima, empunhando o escudo e a lança, nos quais materializava o raio que iluminava a altura etérea e divina; vestia uma reluzente armadura, representando os meteoros e os fenômenos luminosos da natureza; e, ainda, o elmo de ouro na cabeça, reluzindo-lhe a proteção da inteligência diante das batalhas nas guerras. Naquele momento, o céu relampejou, o lago explodiu em ondas. Zeus ficou radiante com a beleza da filha surgida do seu crânio. Nascia a deusa da sabedoria e da guerra estratégica.<br />
Em outra versão da lenda, Métis não seria a primeira esposa de Zeus, sendo Hera, a única, jamais a segunda. Seria uma das várias amantes do deus. Não teria sido o medo de um segundo filho e uma possível usurpação do trono divino que o afligia, que o teria motivado a engolir a amante; mas a condição da mulher na sociedade grega, visto que Métis era a deusa da prudência. Na civilização grega, a sabedoria não era uma das características atribuída às mulheres. Ao engolir Métis, Zeus, divindade masculina, tornou-se o mais sábio dos deuses, passando através dele, a sabedoria a Atena, divindade feminina. A deusa da sabedoria herdara do pai, jamais da mãe, o seu principal atributo.</p>
<p><strong>A Criação da Oliveira</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atenasgaiaealcioneu.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atenasgaiaealcioneu.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>Ao ser associado à sabedoria, o mito de Atena contrasta com a sua função guerreira. Na visão grega, havia duas vertentes em uma guerra: a batalha, que representava a luta corporal, o sangue vertido, a utilização da força; e, a estratégia ou arte bélica, que define a vitória. Ares é o responsável pela batalha, pela força nela empregada, pelo massacre sem propósito. Atena é a deusa da arte bélica, da inteligência das estratégias, dos ideais elevados da luta, da vitória justa e racional diante do inimigo. É a deusa defensora perpétua dos gregos.<br />
Além dos atributos bélicos, a deusa também era invocada como entidade agrícola. Não tem para si a responsabilidade de proteger a terra contra as calamidades da natureza, mas a de orientar, trazer da natureza benefícios para que se civilize o homem. Sua identificação com a natureza está no orvalho, pelo qual é a deusa responsável, elemento que protege a planta dentro do sereno noturno.<br />
Também foi a deusa que ofereceu aos gregos a oliveira, ensinando-os a extrair da planta o fruto para o alimento e o óleo, utilizado na cozinha, na higiene corporal e na iluminação das casas e dos templos. Atena ensinou o homem a estocar o azeite e a azeitona durante o inverno, e a arte de vendê-lo aos outros povos. É atribuída a ela a confecção dos potes de barro, par<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atenapallas-giustiniani.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atenapallas-giustiniani.jpg?w=183" alt="" border="0" /></a>a o armazenamento dos alimentos. É a deusa dos oleiros, ensinando-os a guardar o óleo.<br />
A associação de Atena com a oliveira remete à fundação da cidade que levaria o seu nome. Segundo a lenda, Cécrope ao fundar uma cidade na região da Ática, convocou os imortais do Olimpo para uma disputa, na qual o vencedor seria o protetor da cidade. Toda cidade grega tinha uma entidade como protetora, sendo a ela atribuída as funções de protegê-la nas guerras, nos temporais, nas colheitas dos alimentos e nos momentos de tribulações públicas. Poseidon e Atena foram os deuses que aceitaram o desafio proposto por Cécrope. Fizeram uma disputa acirrada, levando o povo da nova terra a ficar dividido em escolher um dos dois.<br />
Na prova final, Cécrope pediu aos deuses que criassem alguma coisa útil para a cidade. Poseidon bateu o tridente no chão, fazendo jorrar na Acrópole uma fonte de água salgada, além de um esplêndido cavalo. Atena feriu a terra com a sua lança, fazendo dela brotar uma árvore repleta de pequenos frutos. A deusa ofereceu um ramo com os frutos a Cécrope, comovendo o soberano. Diante do povo, chamou a árvore de oliveira, ensinou como extrair o seu óleo e preparar o fruto como alimento. A cidade entendeu que a oliveira era mais importante para a cidade. Atena foi aclamada a protetora do lugar, que passou a ser chamado de Atenas, em homenagem a deusa e ao presente que se lhe oferecera aos seus habitantes. Desde então, tornar-se-ia a principal divindade da cidade de Atenas, influenciando o seu culto por toda a Grécia.</p>
<p><strong>As Invenções Civilizadoras de Atena</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atenafarnese.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atenafarnese.jpg?w=218" alt="" border="0" /></a>Várias foram as atribuições civilizadoras legadas a Atena. Teria sido a deusa quem ensinara às mulheres gregas as técnicas de fiar, tecer e bordar. Atena era uma exímia tecelã, tecendo os mais belos bordados do Olimpo. A lenda que conta a história de Aracne reflete os dons da deusa. A mortal Aracne era filha de um modesto tintureiro de Cólofon. Tinha o dom de tecer os mais belos bordados de todos os mortais. Seu talento atraia todos os olhos, homens de toda a Grécia vinham ver e comprar os seus trabalhos. As Ninfas deixavam os bosques para admirar a beleza mágica dos mantos bordados pela mortal.<br />
Sabedora do seu talento, Aracne proclamou-se a maior tecelã e bordadeira do mundo, dizendo-se superior à própria deusa Atena. A falta de modéstia da mortal irritou a deusa, que desafiada, aceitou tecer uma magnífica tapeçaria. Atena bordou os doze imortais do Olimpo, trazendo nas bordas do tecido, cenas em que os deuses puniam a irreverência dos mortais. Aracne bordou em sua tapeçaria os amores proibidos dos mortais pelos humanos, as traições e as vinganças. Ao fim da composição, não se sabia dizer qual a mais bela tecelagem. Aracne olhava para a sua obra, deslumbrada com a sua perfeição de mortal. Irritada com a falta de modéstia, Atena pegou a obra feita pela jovem, amarrotando-a e a rasgando. Ainda furiosa, feriu a jovem mortal com a agulha. Sentindo-se humilhada, a fiandeira tentou suicidar-se. Atena não permitiu que morresse, transformando-a em um pequeno animal que recebeu o seu nome, a aranha (aracne, em grego). Condenou-a tecer para sempre nas alturas, uma delicada teia que os ventos rasgam facilmente.<br />
A lenda de Aracne, segundo historiadores, trad<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atena-mantegna.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atena-mantegna.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>uzia a rivalidade existente entre os atenienses e um povo originário da ilha de Creta, onde florescia uma crescente indústria têxtil primitiva.<br />
Atena presenteara aos seus devotos outro significativo invento, o leme, para evitar que os barcos fossem à deriva das ondas e das correntes, não se perdendo pelas águas.<br />
Para embelezar a vida dos humanos, Atena inventou a flauta, de onde a beleza da música era extraída. Uma lenda conta que ao apresentar o seu invento às deusas Hera e Afrodite (Vênus), foi motivo de riso, porque ao soprar o instrumento, as suas bochechas inchavam, deformando a sua beleza. Irritada, Atena arremessou a flauta do alto do Olimpo, amaldiçoando-a. O sátiro Mársias encontrou o instrumento musical, arrebatando para si a maldição. Mársias desafiou o deus Apolo com o seu instrumento. Ao ser vencido, foi esfolado vivo pelo deus da luz.</p>
<p><strong>As Festas em Homenagem à Atena</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atenaehefesto-parisbordone.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atenaehefesto-parisbordone.jpg?w=273" alt="" border="0" /></a>Sendo amplamente cultuada em toda a Grécia, várias eram as festas oferecidas à deusa. Seu culto espalhou-se de Atenas, passando pela ilha de Rodes, chegando a Saís, no Egito. Possuía três grandes templos que lhe eram consagrados, sendo o mais suntuoso o Partenon, na Acrópole.<br />
Na cidade de Atenas, da qual era protetora, a população celebrava em sua homenagem as Panatenéias, festas tradicionais, onde eram realizados torneios de música e poesia, lutas e corridas. Durante as festas, as mulheres iam em procissão até a Acrópole, levando um grande manto tecido pelas melhores tecelãs e fiandeiras da cidade; os jovens montavam fogosos cavalos; e, os mais velhos, traziam ramos de oliveiras para ofertar à deusa.<br />
Nas festas Cálceas, Atena era homenageada juntamente com Hefestos. Ela como artesã e fiandeira dos mais belos bordados, ele como o artesão dos deuses, para quem confeccionava objetos de bronze e belas jóias. Na lenda que envolve os deuses, Hefestos deixara-se abater por uma grande paixão por Atena, mas foi repudiado pela deusa, que insistia em manter a sua castidade. Sedento de desejo, o deus a perseguiu, tentando violá-la. Ao encostar-se à pele macia de Atena, Hefestos não resistiu, ejaculando precocemente sobre a coxa da deusa. Satisfeito, ele partiu. Sentindo grande repugnância, a deusa limpou o sêmen com um pedaço de lã, atirando o pano ao chão. O fruto da violência de Hefestos fecundou Gaia, a Terra, que gerou um ser monstruoso, metade homem, metade serpente, sendo chamado de Erictônio. A deusa encerrou a criança monstro em um cofre, deixando-o aos cuidados da princesa Aglauro, filha de Cécrope, o <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atenaparthenos-fc3addias.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atenaparthenos-fc3addias.jpg?w=186" alt="" border="0" /></a>rei fundador de Atenas. Aglauro teria sido transformada em pedra pelo deus Ares, deixando o cofre sozinho, sendo este encontrado pelas irmãs da princesa petrificada. Quando abriram o cofre, as princesas enlouqueceram ao ver o monstro recém-nascido, atirando-se do alto da Acrópole. Uma gralha branca assisitiu ao infortúnio das filhas de Cécrope, indo relatar a tragédia a Atena, que se encontrava no meio de uma batalha. No calor da luta, Atena revoltou-se, tingindo de negro as penas da ave, proibindo que as gralhas voltassem às proximidades de Atenas. A lenda evidencia a importância que o mito de Atena dá ao culto da castidade, preservada mesmo diante do assédio dos deuses.<br />
Atena e Afrodite eram homenageadas simultaneamente durante as Arreforias, pelas jovens mulheres de Atenas. Durante a festa, as virgens prestavam homenagens à deusa casta, seguindo depois com oferendas à deusa do amor. Traduzida como festa do orvalho, unia o elemento feminino que revelava a vida da jovem mulher, ainda casta como Atena, mas pronta para ser iniciada nas malhas da proteção de Afrodite, a deusa do amor.<br />
As Asquiforias, ao contrário das Arreforias, eram celebradas pelos rapazes, homenageando Atena e Dioniso (Baco). Eram realizadas quando as uvas começavam a amadurecer. Os rapazes levavam do templo do deus do vinho, ramos de videira ao santuário de Atena.<br />
Havia ainda outras duas festas em homenagem à deusa da sabedoria, as Plintarias, que davam início às colheitas da primavera; e, as Esquiroforias, onde os participantes usavam guarda-sóis, simbolizando a proteção, assim como o orvalho, que protegia a lavoura contra a seca.</p>
<p><strong>Representações de Atena nas Artes</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atenavarvakeion-fc3addias.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atenavarvakeion-fc3addias.jpg?w=168" alt="" border="0" /></a>Nas artes, Atena teve grandes representações, sendo mais significativas as esculturas atribuídas a Fídias (500? a.C. – 432? a.C.). Nenhuma escultura original chegaria aos tempos atuais, tendo apenas cópias. No maior templo consagrado à deusa, o Partenon, em Atenas, encontrava-se a Atena Partenos, escultura de Fídias, toda feita em ouro e marfim. A deusa é representada vestida com uma túnica, aberta em um dos lados, apertada na cintura. No peito tem a égide guarnecida de escamas, ladeada por serpentes, trazendo a cabeça da Górgona no centro. Na cabeça traz um capacete com a esfinge e dois grifos, animais metade leão, metade águia. Na mão esquerda porta a lança e o escudo, onde está representado o combate dos gregos contra as Amazonas; atrás do escudo a figura do monstro Erictônio. O braço direito está estendido para frente, sustentando uma pequena Nique (Vitória) alada, posta obliquamente, parecendo voar à frente da deusa. Uma versão moderna da estátua foi erigida na frente do parlamento austríaco.<br />
Fídias representou a deusa sem armas, com expressão doce e graciosa, na estátua Atena Lemnia. Outra estátua atribuída ao famoso artista grego era a enorme Atena Promachos, que trazia a expressão bélica e altiva da deusa.<br />
Outra representação famosa do mito, já com o seu nome na mitologia romana, é a renascentista têmpera sobre tela, “<em>Minerva e o Centauro</em>”, de Sandro Botticelli. A lenda de Aracne produziu grandes pinturas, como a de René Houasse.<br />
As primeiras estátuas de Atena eram chamadas de paládios, onde se dizia, eram feitas com pedras caídas do céu. Outras representações do mito podem ser encontradas em objetos de cerâmica e potes de barro.</p>
<p><strong>Minerva, a Deusa da Vitória Romana</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atenaeocentauro-botticelli.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2011/07/atenaeocentauro-botticelli.jpg?w=210" alt="" border="0" /></a>Em Roma, o mito de Atena foi identificado com o de Minerva. Os romanos veneravam a deusa como protetora da oliveira, médica, divindade da vitória, inspiradora dos políticos e dos poetas.<br />
Minerva recebia o culto de diversos poetas romanos, que se reuniam alegando receber inspiração da deusa. Grandes políticos prestavam cultos à deusa, como o imperador Augusto (63 a.C. – 14 d.C.), que lhe erigiu um templo na entrada da Cúria Júlia, onde era reunido o senado. Para os políticos romanos, a deusa inspirava sabedoria e bons conselhos aos senadores.<br />
As festas mais famosas em honra a deusa eram chamadas de Minervais, ou Quinquatria. Durante as comemorações da festa, os estudantes ofereciam prendas aos professores, chamando os presentes de minerválias. Ainda na ocasião comemorativa, os principais lugares intelectuais da cidade eterna, como as escolas, os tribunais e as academias, permaneciam fechados, indo os seus membros homenagear a deusa.<br />
Com o tempo, Minerva foi uma das deusas que mais perdeu as características romanas, assimilando por completo os traços helenísticos da deusa Atena. Nas artes, os artistas latinos limitaram-se a buscar inspiração nas lendas da deusa grega. Em Roma, Minerva jamais conseguiu a importância de Marte, outro deus bélico, que foi assimilado ao Ares grego. Ao contrário da civilização grega, que contrapunha a sabedoria e a estratégia bélica de Atena à destruição sanguinária e sem sentido do cruel Ares.</p>
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		<title>POEMAS LUSITANOS</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Dec 2010 04:46:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Portugal, último pedaço de terra da Europa ocidental. Ao longe&#8230; o mar! Pátria dos destemidos navegantes, que rasgando os oceanos, levou a língua e o sentimento lusitano para terras desconhecidas. Portugal do fado. Da poesia. Da saudade. Tão estranha e solitária palavra, só existente em língua portuguesa, porque a saudade é genuinamente lusitana. Das vinhas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=863&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/12/odisseia-josc3a9luc3adsmendes.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/12/odisseia-josc3a9luc3adsmendes.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a>Portugal, último pedaço de terra da Europa ocidental. Ao longe&#8230; o mar! Pátria dos destemidos navegantes, que rasgando os oceanos, levou a língua e o sentimento lusitano para terras desconhecidas.<br />
Portugal do fado. Da poesia. Da saudade. Tão estranha e solitária palavra, só existente em língua portuguesa, porque a saudade é genuinamente lusitana.<br />
Das vinhas do Douro às cortiças do Alentejo, das ruas de Alfama aos labirintos noturnos do Bairro Alto. Em cada canto um poeta, utilizando da velha língua extraída da extinção do latim, do paganismo eclético, do cristianismo asséptico.<br />
Portugal e sua gente eternamente saudosista, do ontem que se foi, do hoje que se esvai e do amanhã que se esgotará. Porque a saudade portuguesa é lei, é identidade, é a essência de um povo que sorri com as lágrimas.<br />
Terra de grandes poetas, que destilam nas suas palavras a emoção à flor da pele, as dúvidas da existência, a constatação da vida.<br />
Neste artigo faremos uma visita breve aos poemas lusitanos, aos poetas que ecoaram as suas palavras pelos quatro cantos do solo português. Da coragem épica de Luís de Camões, navegaremos pelo oceano do pai de todos os poetas de língua portuguesa. Da ribeira secular da cidade do Porto, atravessaremos o mar lírico de Sophia de Mello Breyner Andresen. Das montanhas geladas transmontanas, escalaremos as palavras de Miguel Torga. Da Lisboa eterna, cruzaremos as ruas estreitas do existencialismo de Fernando Pessoa e de David Mourão-Ferreira. Da beleza agreste do Alentejo, arrebataremos a poesia passional de Florbela Espanca. Do coração da Coimbra histórica, beberemos a mais doce melancolia de Al Berto.<br />
Poetas lusitanos. As suas palavras dispensam qualquer análise, qualquer apresentação formal. Foram escritas para que sejam sentidas, na mais pura essência da emoção, do encontro do leitor com a alma do poeta.</p>
<p><strong>Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades – Luís de Camões</strong></p>
<p><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/12/andeilc3a9guasdesombra-helenamargaridapiresdesousa.jpg?w=300" border="0" alt="" /></p>
<div>
<div>Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,<br />
Muda-se o ser, muda-se a confiança;<br />
Todo o mundo é composto de mudança,<br />
Tomando sempre novas qualidades.</p>
<p>Continuamente vemos novidades,<br />
Diferentes em tudo da esperança;<br />
Do mal ficam as mágoas na lembrança,<br />
E do bem, se algum houve, as saudades.</p>
<p>O tempo cobre o chão de verde manto,<br />
Que já coberto foi de neve fria,<br />
E em mim converte em choro o doce canto.</p>
<p>E, afora este mudar-se cada dia,<br />
Outra mudança faz de mor espanto:<br />
Que não se muda já como soía.</p>
<p><strong>Mais Triste do Que o Que Acontece – Fernando Pessoa<br />
</strong></p>
<p> </p>
<p><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/12/vergonha-crissant.jpg?w=300" border="0" alt="" /></p>
<p>Mais triste do que o que acontece<br />
É o que nunca aconteceu.<br />
Meu coração, que o entristece?<br />
Quem o faz meu?</p>
<p>Na nuvem vem o que escurece<br />
O grande campo sob o céu.<br />
Memórias? Tudo é o que esquece.<br />
A vida é quanto se perdeu.<br />
E há gente que não enlouquece!<br />
Ai do que em mim me chamo eu!</p>
<p><strong>Saudades – Florbela Espanca</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/12/inmydreamsifoundsomeonelikeyou-danielpedrogam.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/12/inmydreamsifoundsomeonelikeyou-danielpedrogam.jpg?w=211" border="0" alt="" /></a><br />
Saudades! Sim&#8230; talvez&#8230; e porque não?&#8230;<br />
Se o nosso sonho foi tão alto e forte<br />
Que bem pensara vê-lo até à morte<br />
Deslumbrar-me de luz o coração!</p>
<p>Esquecer! Para quê?&#8230; Ah! como é vão!<br />
Que tudo isso, Amor, nos não importe.<br />
Se ele deixou beleza que conforte<br />
Deve-nos ser sagrado como pão!</p>
<p>Quantas vezes, Amor, já te esqueci,<br />
Para mais doidamente me lembrar,<br />
Mais doidamente me lembrar de ti!</p>
<p>E quem me dera que fosse sempre assim:<br />
Quanto menos quisesse recordar<br />
Mais a saudade andasse presa a mim!</p>
<p><strong>Réquiem Por Mim – Miguel Torga</strong></p>
<p><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/12/c39anicasac3adda-marvimm.jpg?w=300" border="0" alt="" /></p>
<p>Aproxima-se o fim.<br />
E tenho pena de acabar assim,<br />
Em vez de natureza consumada,<br />
Ruína humana.<br />
Inválido do corpo<br />
E tolhido da alma.<br />
Morto em todos os órgãos e sentidos.<br />
Longo foi o caminho e desmedidos<br />
Os sonhos que nele tive.<br />
Mas ninguém vive<br />
Contra as leis do destino.<br />
E o destino não quis<br />
Que eu me cumprisse como porfiei,<br />
E caísse de pé, num desafio.<br />
Rio feliz a ir de encontro ao mar<br />
Desaguar,<br />
E, em largo oceano, eternizar<br />
O seu esplendor torrencial de rio.</p>
<p><strong>Há-de Flutuar Uma Cidade&#8230; – Al Berto</strong></p>
<p>há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida<br />
pensava eu&#8230; como seriam felizes as mulheres<br />
á beira mar debruçadas para a luz caiada <img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/12/tiagophelipe.jpg?w=267" border="0" alt="" /><br />
remendando o pano das velas espiando o mar<br />
e a longitude do amor embarcado</p>
<p>por vezes<br />
uma gaivota pousava nas águas<br />
outras era o sol que cegava<br />
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite<br />
os dias lentíssimos&#8230; sem ninguém</p>
<p>e nunca me disseram o nome daquele oceano<br />
esperei sentado à porta&#8230; dantes escrevia cartas<br />
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua<br />
assim envelheci&#8230; acreditando que algum homem ao passar<br />
se espantasse com a minha solidão</p>
<p>(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no<br />
coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)</p>
<p>um dia houve<br />
que nunca mais avistei cidades crepusculares<br />
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta<br />
inclino-me de novo para o pano deste século<br />
recomeço a bordar ou a dormir<br />
tanto faz<br />
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade</p>
<p><strong>Paira à Tona de Água – Fernando Pessoa</strong></p>
<p><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/12/acarta-tiagophelipe.jpg?w=190" border="0" alt="" />Paira à tona de água<br />
Uma vibração,<br />
Há uma vaga mágoa<br />
No meu coração.</p>
<p>Não é porque a brisa<br />
Ou o que quer que seja<br />
Faça esta indecisa<br />
Vibração que adeja,</p>
<p>Nem é porque eu sinta<br />
Uma dor qualquer.<br />
Minha alma é indistinta<br />
Não sabe o que quer.</p>
<p>É uma dor serena,<br />
Sofre porque vê.<br />
Tenho tanta pena!<br />
Soubesse eu de quê!&#8230;</p>
<p><strong>Escada em Caracol – David Mourão-Ferreira</strong></p>
<p><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/12/fazes-mevoar-paulocc3a9sar.jpg?w=300" border="0" alt="" /><br />
É uma escada em caracol<br />
e que não tem corrimão.<br />
Vai a caminho do Sol<br />
mas nunca passa do chão.</p>
<p>Os degraus, quanto mais altos,<br />
mais estragados estão.<br />
Nem sustos nem sobressaltos<br />
servem sequer de lição.</p>
<p>Quem tem medo não a sobe.<br />
Quem tem sonhos também não.<br />
Há quem chegue a deitar fora<br />
o lastro do coração.</p>
<p>Sobe-se numa corrida.<br />
Corre-se perigos em vão.<br />
Adivinhaste: é a vida<br />
a escada sem corrimão.</p>
<p><strong>Tarde Demais – Florbela Espanca</strong></p>
<p><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/12/untiled-gonzales.jpg?w=296" border="0" alt="" /></p>
<p>Quando chegaste enfim, para te ver<br />
Abriu-se a noite em mágico luar;<br />
E para o som de teus passos conhecer<br />
Pôs-se o silêncio, em volta, a escutar&#8230;</p>
<p>Chegaste enfim! Milagre de endoidar!<br />
Viu-se nessa hora o que não pode ser:<br />
Em plena noite, a noite iluminar<br />
E as pedras do caminho florescer!</p>
<p>Beijando a areia de oiro dos desertos<br />
Procurara-te em vão! Braços abertos,<br />
Pés nus, olhos a rir, a boca em flor!</p>
<p>E há cem anos que eu era nova e linda!&#8230;<br />
E a minha boca morta grita ainda:<br />
Porque chegaste tarde, ó meu Amor?!&#8230;</p>
<div><strong>Súplica – Miguel Torga</strong></p>
<p><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/12/osabordatuapelenocc3a9udaminhaboca-paulocc3a9sar.jpg?w=197" border="0" alt="" />Agora que o silêncio é um mar sem ondas,<br />
E que nele posso navegar sem rumo,<br />
Não respondas<br />
Às urgentes perguntas<br />
Que te fiz.<br />
Deixa-me ser feliz<br />
Assim,<br />
Já tão longe de ti como de mim.</p>
<p>Perde-se a vida a desejá-la tanto,<br />
Só soubemos sofrer, enquanto<br />
O nosso amor<br />
Durou.<br />
Mas o tempo passou,<br />
Há calmaria&#8230;<br />
Não perturbes a paz que me foi dada.<br />
Ouvir de novo a tua voz seria<br />
Matar a sede com água salgada.</p>
<p><strong>Quando – Sophia de Mello Breyner Andresen</strong></p>
<p><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/12/appletree-ugly.jpg?w=300" border="0" alt="" /></p>
<p>Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta<br />
Continuará o jardim, o céu e o mar,<br />
E como hoje igualmente hão-de bailar<br />
As quatro estações à minha porta.</p>
<p>Outros em Abril passarão no pomar<br />
Em que eu tantas vezes passei,<br />
Haverá longos poentes sobre o mar,<br />
Outros amarão as coisas que eu amei.</p>
<p>Será o mesmo brilho a mesma festa,<br />
Será o mesmo jardim à minha porta,<br />
E os cabelos doirados da floresta,<br />
Como se eu não estivesse morta.</p>
<p><strong>Na Véspera de Nada – Fernando Pessoa</strong></p>
<p><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/12/brainstorming-ddiarte.jpg?w=242" border="0" alt="" />Na véspera de nada<br />
Ninguém me visitou.<br />
Olhei atento a estrada<br />
Durante todo o dia<br />
Mas ninguém vinha ou via,<br />
Ninguém aqui chegou.</p>
<p>Mas talvez não chegar<br />
Queira dizer que há<br />
Outra estrada que achar,<br />
Certa estrada que está,<br />
Como quando da festa<br />
Se esquece quem lá está.</p>
<p>Fotos: <strong>José Luís Mendes</strong> (<em>1 Odisseia</em>), <strong>Helena Margarida Pires de Sousa</strong> (<em>2 Andei Léguas de Sombra</em>), <strong>CrisSant </strong>(<em>3 Vergonha</em>), <strong>Daniel Pedrogam</strong> (<em>4 In My Dreams, I Found Someone Like You</em>), <strong>Marvimm</strong> (<em>5 Única Saída</em>), <strong>Thiago Phelipe</strong> (<em>6 &#8211; , 7 A Carta</em>), <strong>Paulo César</strong> (<em>8 Faz-me Voar, 10 O Sabor da Tua Pele no Céu da Minha Boca</em>), <strong>Gonzales</strong> (<em>9 Untiled</em>), <strong>Ugly</strong> (<em>11 Apple Tree</em>), <strong>DDiArte</strong> (<em>12 Brainstorming</em>)</p>
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</div>
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<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/863/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/863/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/863/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/863/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/863/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/863/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/863/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/863/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/863/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/863/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/863/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/863/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/863/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/863/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=863&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>RIO DE JANEIRO DO SÉCULO XIX</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Nov 2010 23:43:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cidades]]></category>
		<category><![CDATA[diversos]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde que foi fundada pelo português Estácio de Sá, em 1 de março de 1565, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro tornou-se local de importância estratégica, por estar no meio do território brasileiro na época do seu desbravamento e expansão das fronteiras. Crescendo como proeminente centro portuário e econômico, foi elevada à [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=837&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/11/riodejaneirovistodesc3a3obento-1835.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/11/riodejaneirovistodesc3a3obento-1835.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a>Desde que foi fundada pelo português Estácio de Sá, em 1 de março de 1565, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro tornou-se local de importância estratégica, por estar no meio do território brasileiro na época do seu desbravamento e expansão das fronteiras. Crescendo como proeminente centro portuário e econômico, foi elevada à capital do Brasil, em 1763, quando o polêmico ministro Marquês de Pombal, transferiu para ali a sede da colônia, anteriormente em Salvador. Desde então, a cidade não parou de avançar política e economicamente. Com a chegada da família real portuguesa, em 1808, passou a ser a cidade de onde o reino de Portugal e Brasil eram administrados. Com a independência do Brasil, em 1822, passou a ser a capital do Império.<br />
Pela sua importância política ao longo da história, o Rio de Janeiro foi a cidade que mais teve registros antigos de imagens. Muito antes da técnica da fotografia chegar ao Brasil, a cidade maravilhosa foi retratada em litografias, pinturas e aquarelas. Valeram-se da sua paisagem de beleza natural singular, situada na margem ocidental da baía de Guanabara, entre montanhas e morros, os mais importantes artistas do século XIX, entre eles Jean-Baptiste Debret e Johann Moritz Rugendas.<br />
Graças aos artistas geniais que nos legou um rico acervo de paisagens pitorescas do Rio de Janeiro, podemos contemplar um passado distante, o pulsar de uma cidade movida pela beleza natural e pela essência da sua gente. Através das imagens das litografias de Debret, Rugendas, P. Bertichem, Maria Graham e Planitz, percorrermos ruas, casas e palacetes do Rio de Janeiro do século XIX, numa agradável viagem no tempo e à história de uma cidade de rara beleza natural.</p>
<p><strong>Largo do Rocio, de Debret</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/11/rio-realteatrosc3a3ojoc3a3olargorocio-debret1834.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/11/rio-realteatrosc3a3ojoc3a3olargorocio-debret1834.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a>Para fugir ao cerco de Napoleão Bonaparte, a família real portuguesa migrou para o Brasil, aqui desembarcando em 1808. A cidade do Rio de Janeiro passou a ser a sede administrativa do reino de Portugal e Brasil, aumentando freneticamente a sua importância, o desenvolvimento social e econômico.<br />
Após a queda de Napoleão, Portugal e França reconciliaram-se. Por solicitação de Dom João VI, em 1816, chegou ao Brasil, vinda da França, uma missão artística comandada por Joachim Lebreton. Entre os artistas estava Jean-Baptiste Debret.<br />
Debret viveu quinze anos no país, atravessando o período final do Brasil colônia à formação e fim do Primeiro Império. Durante o tempo que aqui esteve, estabeleceu uma relação emotiva e pessoal com o Brasil, registrando em sua pintura e desenho, a paisagem, o cotidiano, os costumes de uma jovem e recém-nascida nação. Por motivos de saúde, voltou à França em 1831. Em 1834 começou a publicar “<em>Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil</em>”, num dos maiores documentos de imagens do Brasil do século XIX.<br />
Na litografia aqui apresentada, “<em><strong>Real Teatro de São João, no Largo do Rocio</strong></em>”, podemos ver a vida pulular no coração da capital do Império. Escravos de ganho circundam o pelourinho, no lado direito. Senhores e senhoras bem vestidos transitam, concentrando uma multidão ao meio do Largo do Rocio, onde se encontra o Real Teatro de São João. A partir de 1831, o local e o teatro seriam rebatizados respectivamente como Praça da Constituição e Teatro Constitucional Fluminense. No decorrer dos anos, teriam os nomes mudados outras vezes, chegando aos tempos atuais como Praça Tiradentes e Teatro João Caetano.</p>
<p><strong>Corcovado, de Maria Graham</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/11/riodejaneiro-corcovado-mariagraham.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/11/riodejaneiro-corcovado-mariagraham.jpg?w=213" border="0" alt="" /></a>Lady Maria Dundas Graham Callcott, foi uma notável pintora, desenhista, ilustradora e escritora britânica, que ficou conhecida no Brasil com Maria Graham. Em 1823 acertou com o imperador Dom Pedro I ser a preceptora da sua filha, a jovem princesa Dona Maria da Glória, futura rainha de Portugal. Permaneceria no Brasil até 1826, quando a princesa retornou para Portugal.<br />
No Rio de Janeiro residiu entre os belos casarões da enseada do Botafogo, lugar que considerava uma das mais belas paisagens do mundo.<br />
Na sua passagem pelo Brasil, deixou registros preciosos da época, publicados em Londres, em 1824, na obra “<em>Journal of a Voyage to Brazil and Residence There During Part of the Years 1821, 1822, 1823</em>”.<br />
Em “<em><strong>Corcovado</strong></em>”, a gravura de Maria Graham registra a beleza silvestre da cidade, do pico solitário, sem o marco do Cristo Redentor, ladeado das cores de uma flora tropical que tanto encantou a pintora.<br />
<em>“Todas as vezes que passo por um bosque no Brasil, vejo plantas e flores novas, e uma riqueza de vegetação que parece inexaurível. Hoje vi flores de maracujá de cores que dantes nunca observara: verdes, róseas, escarlates, azuis, ananases selvagens de belo carmesim e púrpura; chá selvagem ainda mais belo do que o elegante arbusto chinês, palmeiras de brejo e inúmeras plantas aquáticas novas para mim.”</em></p>
<p><strong>Rua Direita, de Rugendas</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/11/riodejaneiro-ruadireita-rugendas-c-1827-35.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/11/riodejaneiro-ruadireita-rugendas-c-1827-35.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a>Johann Moritz Rugendas, pintor alemão do século XIX, chegou ao Brasil em 1821, como desenhista da missão científica do barão de Langsdorff. Permaneceu no país por cinco anos, viajando por diversas regiões, coletando um rico material que registraria em suas pinturas e desenhos. Retratou com apurada beleza artística e científica a botânica, os tipos humanos, a paisagem física, a fauna e a flora do Brasil que ao sair da fase colonial, conservava os costumes em contraste com os tempos vindouros de uma nova nação.<br />
Deixou o Brasil em 1826. Em 1835, publicaria as suas memórias de viagem através das litografias transpostas para o álbum “<em>Viagem Pitoresca ao Interior do Brasil</em>” (<em>Voyage Pittoresque dans le Brésil</em>).<br />
Na litografia “<em><strong>Rua Direita</strong></em>” (<em><strong>Rue Droite</strong></em>), atual Rua Primeiro de Março, sente-se a pulsação no centro da capital do Império, desfilando vários personagens da cidade: senhores em seus trajes elegantes, escravos em suas funções seculares, padres, tropeiros, cavaleiros em seus cavalos, numa convulsão de cenas da vida cotidiana, tendo o morro do Castelo ao fundo, onde se pode observar um cavaleiro passando por baixo do arco de ligação entre o Paço e o convento do Carmo.<br />
Sobre as edificações da parte antiga da cidade, Rugendas descreveria:<br />
<em>“As casas deste setor são, em geral, altas e estreitas; seus telhados são empinados e nada, em suas características construtivas, faz lembrar o clima tropical. Elas possuem, quase sempre, três ou quatro andares e apenas três panos de fachada. Como as janelas são muito alongadas, a desproporção que se observa entre a altura e a largura das casas se torna ainda mais chocante.”</em></p>
<p><strong>O Palácio de São Cristóvão</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/11/riodejaneiro-residc3aanciaimperialdes-chistovam-1846.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/11/riodejaneiro-residc3aanciaimperialdes-chistovam-1846.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a>Com a presença da corte no Rio de Janeiro, a cidade recebeu melhoras no saneamento e na urbanização. Com a ascensão de Dom João VI ao trono, em 1816, melhorou-se o calçamento das ruas; nivelou-se as principais artérias da cidade, favorecendo as ruas São José, do Ouvidor e da Cadeia; concluiu-se o revestimento de granito do Largo de São Francisco.<br />
Entre as melhoras, estava o caminho percorrido pelo cortejo real, do Palácio de São Cristóvão ao Largo do Paço.<br />
Aqui, duas litografias que apresentam a residência imperial de São Cristóvão em fases distintas. A primeira, “<em><strong>Residência Imperial de São Cristóvão</strong></em>”, é uma litografia aquarelada, de autor anônimo, de data imprecisa.<br />
A segunda, “<em><strong>Paço de São Cristóvão de Pézerat</strong></em>”, foi desenhada pelo barão Karl Robert Planitz.<br />
Pierre Joseph Pézerat, no Brasil Pedro José, foi um engenheiro politécnico francês, que chegou ao Brasil em 1825. Estudou na Escola de Belas<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/11/rio-pac3a7odes-cristovc3a3opezerat-planitz-1835-40.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/11/rio-pac3a7odes-cristovc3a3opezerat-planitz-1835-40.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a> Artes de Paris. Quando o Brasil declarou independência de Portugal, em 1822, era necessário que se fizesse obras de melhora na capital do Império. O francês tornar-se-ia arquiteto particular do imperador Dom Pedro I. Foi ele quem definiu o estilo do Palácio Imperial de São Cristóvão, acrescentando um pavilhão à casa de campo que já existia.<br />
Pézerat daria estilo e elegância a várias residências da corte, entre elas a moradia da Marquesa de Santos. Seria condecorado com a Ordem do Cruzeiro do Sul e com Ordem da Rosa. Após a abdicação e partida de Dom Pedro I para Portugal, em 1831, Pézerat também deixaria o Brasil, rumando para a Europa.</p>
<p><strong>Águas Férreas, Colégio Episcopal de São Pedro e Alfândega, de P. Bertichem</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/11/riodejaneiro-c381guasfc3a9rreas-p-bertichem.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/11/riodejaneiro-c381guasfc3a9rreas-p-bertichem.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a>Apesar de ter deixado registros preciosos do Rio de Janeiro do século XIX, Pieter Godfred Bertichen, pintor holandês, tem uma biografia escassa, sem que se lhe esclareça certas passagens de vida.<br />
Contava com 41 anos quando chegou ao Rio de Janeiro, em 1837, vivendo no Brasil até a sua morte. Fez parte da Exposição Geral da Academia Imperial de Belas Artes, em 1845, apresentando a pintura “<em>Vista da Cidade do Rio de Janeiro Observada da Ilha dos Ratos</em>”. Em 1856, publicaria “<em>O Brasil Pitoresco e Monumental</em>”, obra rara do Brasil do século XIX, contendo quarenta e seis paisagens litográficas.<br />
Com o nome aportuguesado para Pedro Godofredo Bertichem, aparece muitas vezes grafado como P. G. Bertichem, ou simplesmente P. Bertichem.<br />
Na primeira litografia de P. Bertichem, “<em><strong>Águas Férreas, Rio de Janeiro</strong></em>”, elegantes senhoras acompanhadas de um cavalheiro, estão paradas em frente a uma fonte, enquanto um sofisticado coche as aguarda. Debaixo de uma árvore <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/11/riodejaneiro-colc3a9giopedrodealcantara-p-bertichem.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/11/riodejaneiro-colc3a9giopedrodealcantara-p-bertichem.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a>frondosa, outro senhor aproveita-se da sombra. Na outra rua paralela, três crianças caminham em sentido contrário à fonte. A paisagem retrata a esquina formada pelas ladeiras do Pindura-Saia e Rua Indiana, onde existia uma fonte de água mineral ferruginosa, que deu origem ao nome pelo qual o local era chamado, Águas Férreas. No século XIX, visitar este ponto das Laranjeiras era um dos passeios prediletos dos habitantes da capital do Império.<br />
Na litografia “<em><strong>Colégio Episcopal de São Pedro de Alcântara</strong></em>”, P. Bertichem retrata a luxuosa residência rural anteriormente conhecida como Quinta do Bispo. Em 1702, Dom Frei Francisco de São Jerônimo, segundo bispo do Rio de Janeiro, conseguiu do reitor do Colégio da Companhia de Jesus um terreno na sua fazenda do Rio Comprido, onde mandou edificar uma casa de campo e uma chácara de recreio. A casa ficou conhecida como Quinta do Bispo, sendo a sua arquitetura atribuída ao engenheiro José <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/11/riodejaneiro-alfc3a2ndega-p-bertichem.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/11/riodejaneiro-alfc3a2ndega-p-bertichem.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a>Fernandes Alpoim. Quando P. Bertichem fez a litografia, ali funcionava o Colégio Episcopal de São Pedro de Alcântara. Mais tarde, passaria a funcionar no local o Seminário São José. Debret também registrou o prédio, na litografia “<em>A Grande Casa de Campo</em>”, classificando-a como ideal “<em>para dar uma idéia da mais nobre construção de uma antiga residência rural</em>”. O prédio foi tombado, em 1938, como patrimônio histórico.<br />
Na terceira litografia, temos “<em><strong>A Nova Alfândega do Rio de Janeiro</strong></em>”. Com edifícios novos e espaçosos, a então nova alfândega da capital do Império teve os seus armazéns erguidos na antiga praia dos Mineiros, tendo ao fundo o mar, abrindo-se para a atual rua Visconde de Itaboraí. A alfândega apresentava armazéns com condições de atender às crescentes necessidades econômicas do Império, que se sustentava através do trabalho escravo e da exportação do café.<br />
Com o avanço das obras que <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/11/riodejaneiro-palc3a1cioimperialpetrc3b3polis-p-bertichem.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/11/riodejaneiro-palc3a1cioimperialpetrc3b3polis-p-bertichem.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a>mudaram por completo a paisagem urbanística do Rio de Janeiro, os prédios da então nova alfândega aqui retratados, foram demolidos, dando passagem à avenida Perimetral.<br />
Para encerrar esta viagem pitoresca ao Rio de Janeiro do século XIX, vamos nos distanciar um pouco da cidade maravilhosa, desembarcando na vizinha Petrópolis, através do olhar generoso do holandês P. Bertichem, na litografia “<em><strong>Palacete Imperial de Petrópolis</strong></em>”. Este belo palácio foi construído entre 1845 e 1857, servindo como residência de verão da família imperial. A partir de 1940, o palácio foi transformado no Museu Imperial, trazendo em seu acervo ricas coleções de carruagens, armas e outros objetos que pertenceram à nobreza do Brasil Império.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/837/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/837/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/837/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/837/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/837/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/837/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/837/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/837/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/837/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/837/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/837/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/837/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/837/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/837/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=837&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>PRÊMIO DARDOS (via Arquivo68)</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Oct 2010 20:42:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[diversos]]></category>

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		<description><![CDATA[  Recebemos de Jarbas Novelino Barato, do Boteco Escola, o Premio Dardos. O prêmio tem como objetivo valorizar e incentivar o trabalho dos blogueiros. via Arquivo68<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=833&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote style="overflow:hidden;" cite="http://josekuller.wordpress.com/2009/01/22/recebemos-o-prmio-dardos/"><p><a title="Arquivo68" href="http://josekuller.wordpress.com/2009/01/22/recebemos-o-prmio-dardos/"><img class="align-left thumbnail alignleft left" style="max-width:100%;" src="http://rafaelnink.com/blog/wp-content/uploads/2008/09/premio_dardos.jpg?w=79&amp;h=100" alt="Recebemos o Prêmio Dardos" width="79" height="100" /></a>   Recebemos de Jarbas Novelino Barato, do Boteco Escola, o Premio Dardos. O prêmio tem como objetivo valorizar e incentivar o trabalho dos blogueiros.</p></blockquote>
<p>via <a title="Arquivo68" href="http://josekuller.wordpress.com/2009/01/22/recebemos-o-prmio-dardos/">Arquivo68</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/833/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/833/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/833/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/833/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/833/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/833/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/833/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/833/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/833/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/833/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/833/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/833/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/833/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/833/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=833&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>GLÓRIA PEREZ &#8211; ENTRE O DRAMALHÃO E A DENÚNCIA</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Aug 2010 19:36:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[  Autora de grandes sucessos dentro da teledramaturgia brasileira, Glória Perez nem sempre consegue unanimidade diante da sua obra. Misto de Glória Magadan moderna com a essência de Janete Clair, a teledramaturga apresenta tramas que oscilam entre a denúncia social, o dramalhão rocambolesco, a investigação algumas vezes científica e o humor folhetinesco. Uma das características [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=804&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>  <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez.jpg?w=242" border="0" alt="" /></a>Autora de grandes sucessos dentro da teledramaturgia brasileira, Glória Perez nem sempre consegue unanimidade diante da sua obra. Misto de Glória Magadan moderna com a essência de Janete Clair, a teledramaturga apresenta tramas que oscilam entre a denúncia social, o dramalhão rocambolesco, a investigação algumas vezes científica e o humor folhetinesco.<br />
Uma das características da atmosfera das novelas de Glória Perez é o subúrbio carioca. Se Manoel Carlos representa a zona sul aburguesada do Rio de Janeiro, a Bossa Nova soprada como brisa musical, Glória Perez é a visão suburbana da zona norte carioca, a ascensão emergente, sem perder jamais a raiz de uma sociedade socialmente dividida, é o pagode como trilha sonora, sem jamais atingir o samba vindo do romantismo secular das misérias dos morros.<br />
Folhetim na sua mais pura essência, as mulheres do universo de Glória Perez são sempre vítimas do amor e da sua condição na sociedade que contestam. Por três vezes suas protagonistas entregam-se ao amor proibido que renega as tradições, e conseguem maridos apaixonados que lhe escondem o ultraje, forjando o defloramento da amada diante da família conservadora, sendo o tema motriz de “<em>Explode Coração</em>”, “<em>O Clone</em>” e “<em>Caminho das Índias</em>”.<br />
Um filão bastante explorado pela autora é o exotismo de diversas culturas, como a árabe, a cigana ou a indiana hindu. Cada cultura explorada é veementemente contestada por Glória Perez, muitas vezes de forma inconsciente. Todas as heroínas que retratam as suas culturas, rejeitam-nas, tornando-se vítimas delas, numa visão parcialmente de caráter cristão e ocidental.<br />
Textos incoerentes contrastam com a preocupação da autora em trazer à tona assuntos polêmicos, como homossexualismo, alcoolismo, esquizofrenia e dependência química, muitas vezes abordados com profunda delicadeza, de uma forma contundente, redimindo a obra da autora das suas fantasias mirabolantes.<br />
Glória Perez é uma autora controversa nos temas que escolhe para escrever, que mesmo quando não trazem textos brilhantes, não negam a sinceridade da sua alma, marcada por dores e tragédias profundas. Quando escreve, entrega-se ao trabalho quase como forma de respirar e exorcizar os males da sua existência. Suas novelas não são uma obra-prima da teledramaturgia brasileira, mas são as mais sinceras dentro do gênero, superando a razão incoerente da pressão das emissoras pela audiência. Só o tempo poderá dizer se a autora nos legou uma obra perene como fez Ivani Ribeiro e Janete Clair, ou também como elas, apenas entreteve o público da época em que escreveu e levou ao ar as suas fantasias.</p>
<p><strong>Início Sob a Tutela de Janete Clair</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-malumaderedinasfat-euprometo.jpg"></a><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S3iXakqxq4I/AAAAAAAAHYc/eiWlZRgQMN8/s1600-h/Gl%C3%B3ria+Perez+1.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-malumaderedinasfat-euprometo.jpg?w=246" border="0" alt="" /></a>Nascida no último território a ser incorporado ao Brasil, o Acre, Glória Maria Ferrante Perez, é oriunda da cidade de Rio Branco, vinda ao mundo em 25 de setembro de 1948. Da sua terra natal levaria o carinho que a iria homenagear quase seis décadas depois do seu nascimento, na minissérie “<em>Amazônia – De Galvez a Chico Mendes</em>”, posta no ar em 2007.<br />
Foi na TV Globo que se iniciou como roteirista e autora de telenovelas. Em 1979 escreveu um episódio do seriado “<em>Malu Mulher</em>”, protagonizado por Regina Duarte. O roteiro nunca foi gravado, ficando arquivado nas gavetas da TV Globo até que chegou às mãos da poderosa e genial telenovelista Janete Clair, em 1983. Entusiasmada com o texto da jovem autora, Janete Clair convidou-a para que a ajudasse a escrever aquela que seria a sua última novela, “<em>Eu Prometo</em>”, levada ao ar no segundo semestre de 1983.<br />
Janete Clair pertencia a uma época em que a telenovela era escrita unicamente por seu autor, sem qualquer ajuda ou parceria. Ela manteve-se sem interrupção por dez anos, escrevendo sozinha, sucessivas histórias de grande audiência. No início dos anos oitenta, os autores começaram a reclamar da dificuldade em conduzir uma trama por mais de duzentos capítulos. A TV Globo passou a fornecer roteiristas colaboradores para os seus autores. Janete Clair resistiu à idéia, mas a sua debilitação física, causada pela árdua luta que travava contra um câncer, fez com que aceitasse um colaborador. A escolha recaiu sobre Glória Perez.<br />
“<em>Eu Prometo</em>” foi ao ar de 19 de setembro de 1983 a 17 de fevereiro de 1984. Teve como função resgatar o antigo horário das 22h00 para exibição de telenovelas, extinto em 1979, quando foi substituído por seriados e minisséries nacionais. Nos bastidores, circulava comentários que a TV Globo ressuscitara o horário para que Janete Clair pudesse escrever a sua última novela. A autora, apesar de bastante debilitada pelas cirurgias que se submetera na luta contra o câncer, insistia com a emissora para escrever a novela substituta de “<em>Louco Amor</em>”, de Gilberto Braga, levada ao ar em horário nobre. A direção da TV Globo achava o projeto arriscado, temia investir em uma produção no horário nobre e ter que substituir a autora na metade da trama. Instigada pela emissora, que apostava no ressurgimento das novelas daquele horário, Janete Clair aceitou o desafio. Teve à disposição <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-malumaderedinasfat-euprometo1.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-malumaderedinasfat-euprometo1.jpg?w=246" border="0" alt="" /></a>um elenco de luxo, escalando os seus atores preferidos para protagonistas, Francisco Cuoco e Dina Sfat, apostando na bela Renée de Vielmond como a heroína da história.<br />
O horário, por ser mais tarde, permitia maiores ousadias do que os outros, gerando uma grande expectativa no público, que esperava mais uma trama eletrizante da rainha das telenovelas, diante de um tema que não se havia explorado por causa da censura da ditadura militar, a política. Sobre Glória Perez pairava uma grande curiosidade, todos queriam saber quem era aquela que Janete Clair aceitara dividir a sua prestigiada escrita. Mas a novela foi uma decepção. A política foi retratada de forma superficial e caricata na figura de Lucas Cantomaia (Francisco Cuoco), deputado de poucos escrúpulos, que ambicionava chegar ao senado. Casado com Darlene (Dina Sfat), mantém a relação apenas como fachada, pois não ama a mulher, mas a considera imprescindível para a construção da imagem de pai e marido exemplar. Seu moralismo dilui quando conhece a jovem fotógrafa Kelly Romani (Renée de Vielmond), com quem viverá uma grande história de amor. As filhas de Lucas e Darlene eram interpretadas por três jovens e promissoras atrizes: Fernanda Torres, Júlia Lemmertz e a estreante Malu Mader. Trazia ainda no elenco Joana Fomm, Walmor Chagas, Marcos Paulo, Ney Latorraca, Fúlvio Stefanini, Kadu Moliterno, Rosamaria Murtinho, Lúcia Alves, Cláudio Corrêa e Castro, Ewerton de Castro, Maria Padilha, Rogério Fróes, Inês Galvão, Heloísa Helena, Leonor Lambertini, Fernando Eiras e Ricardo Petráglia.<br />
Janete Clair não chegaria ao final da novela, morrendo no dia 16 de novembro de 1983, deixando 60 capítulos escritos. Glória Perez assumiu a trama, sob a supervisão de Dias Gomes, na época marido da autora morta. Iniciava definitivamente a sua carreira de novelista, tendo como madrinha a maior de todas as novelistas. Um início naturalmente privilegiado. Glória Perez levaria a influência do universo de sonhos janeteclariano, mesclado com drama, humor, fantasia, tendo a denúncia social como um ínfimo pano de fundo.</p>
<p><strong>A Decepção da Primeira Novela</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-glc3b3riapiresclaudiomarzoeelizabethsavala-partidoalto.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-glc3b3riapiresclaudiomarzoeelizabethsavala-partidoalto.jpg?w=271" border="0" alt="" /></a>Com o falecimento de Janete Clair e o afastamento de Manoel Carlos após deixar sem conclusão a novela “<em>Sol de Verão</em>”, devido à morte do protagonista Jardel Filho, no início de 1983, a TV Globo ficou desfalcada de autores no horário nobre. Optaram por investir em dois novos talentos, Glória Perez e Aguinaldo Silva, dando a eles a oportunidade de juntos, desenvolverem uma trama no horário nobre. O resultado foi a mal-sucedida “<em>Partido Alto</em>”.<br />
Inicialmente chamada de “<em>Quando as Mulheres Amam</em>”, estreou em maio de 1984 com o título de “<em>Partido Alto</em>”. Cláudio Marzo, que desde “<em>Véu de Noiva</em>” (1969/1970), não protagonizava uma novela no horário nobre, foi a aposta da emissora. Também Elizabeth Savalla retornava ao horário nobre como protagonista. Outra aposta foi Betty Faria, que já estava escalada para a novela das 19h00 “<em>Transas e Caretas</em>”, de Lauro César Muniz, com o nome a aparecer inclusive nas chamadas, a atriz abandonou o projeto. Vindos do cinema, estavam Norma Benguell e Paulo César Pereio. Do teatro traziam Rubens Corrêa. Elenco de luxo, contando com Raul Cortez, Lílian Lemmertz, Débora Duarte, Suzana Vieira, Glória Pires, Eva Todor, Célia Helena, Herson Capri, Christiane Torloni e Jonas Mello.<br />
Mesmo com um elenco constituído de grandes nomes, a história mostrou-se um fracasso, em um notável desequilíbrio de idéias dos autores, apesar de convergirem em muitos aspectos, principalmente na visão dos subúrbios cariocas comuns à obra dos dois. Aguinaldo Silva, jornalista de colunas policiais, tinha o estigma de autor de folhetins de inspiração policial. Era um dos roteiristas da série “<em>Plantão de Polícia</em>”, o que lhe impregnou ainda mais o estigma. O autor tenta mantê-lo na sua primeira novela, mas nenhum mistério resiste a mais de cinqüenta capítulos sem que se torne monótono. Glória Perez era cobrada como a sucessora de Janete Clair, o que a fez tentar assumir o universo da mestra, sem procurar desde o início uma identidade própria.<br />
“<em>Partido Alto</em>” trazia de volta o mundo da jogatina, da contravenção do jogo de bicho dos subúrbios cariocas, tema tão bem desenvolvido po<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/gloriaperez-partidoalto-suzanavieiraeguilhermekaran.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/gloriaperez-partidoalto-suzanavieiraeguilhermekaran.jpg?w=262" border="0" alt="" /></a>r Dias Gomes em “<em>Bandeira Dois</em>”, em 1971. O mundo obscuro de Célio Cruz (Raul Cortez), e das suas duas mulheres, Jussara (Betty Faria) e Isildinha (Célia Helena), não entusiasmou. Tão pouco o triângulo amoroso do correto professor Maurício (Cláudio Marzo), a rica Isadora (Elizabeth Savalla) e a sua aluna Celina (Glória Pires). Os melhores momentos da novela ficaram com as cenas de humor da fútil Gilda (Suzana Vieira) e do seu falso guru Políbio, vivido por um caricato Guilherme <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S3iaELbKPpI/AAAAAAAAHYs/wP6zgLFZpQQ/s1600-h/Gloria+Perez+-+Partido+Alto+-+Suzana+Vieira+e+Guilherme+Karan.jpg"></a>Karan. O ator iniciava uma amizade com autora, sendo futuramente, escalado em quase todas as suas novelas. Débora Duarte deixou a novela ainda no meio, quando foi escalada para protagonizar a sucessora de “<em>Partido Alto</em>”, “<em>Corpo a Corpo</em>”, de Gilberto Braga. José Mayer fazia a sua estréia em horário nobre, num papel que adquiriu um certo destaque durante a trama, dando visibilidade ao ator, até então um mero coadjuvante nas novelas globais.<br />
A falta de equilíbrio entre os autores culminou com uma inevitável ruptura. Aguinaldo Silva abandonou a trama, sendo ela concluída por Glória Perez. A trama morna e mal alinhavada não agradou. O fracasso resultou no afastamento da autora da TV Globo. A emissora só voltaria a investir em uma história de Glória Perez seis anos depois.</p>
<p><strong>Primeira Trama Genuinamente da Autora</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/gloriaperez-carmempropaganda.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/gloriaperez-carmempropaganda.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a>Em 1987, a extinta TV Manchete apostou em uma grande produção, investindo em um texto de Glória Perez. Inspirada na novela de Prosper Mérimée e na ópera de Georges Bizet, as homônimas ”<em>Carmen</em>”, a autora decidiu adaptar para o contesto brasileiro a vida agitada da cigana espanhola que enfeitiçava e seduzia todos os homens à sua volta, levando-os à loucura.<br />
Definido o tema, a novela “<em>Carmem</em>” surgia como o maior investimento da televisão brasileira naquele ano. Era preciso uma atriz de peso para viver a protagonista. Lucélia Santos, então contratada exclusiva da TV Globo, foi a escolhida. A atriz aceitou o desafio, rescindindo um contrato com a emissora carioca, onde usufruía uma confortável posição. A ousadia valeu um ostracismo, que lhe afastaria de vez do elenco estelar da TV Globo. Lucélia Santos quis romper de uma vez por todas com a imagem da sofrida escrava branca que a imortalizou pelo mundo na novela “<em>Escrava Isaura</em>”.<br />
Na versão brasileira, Carmem, jovem ambiciosa, vinda dos subúrbios cariocas, fazia um pacto com a entidade Pomba-gira, prometendo servir-lhe para sempre, em troca teria o poder de sedução sobre todos os homens. Os preconceitos seculares e moralistas da sociedade de então, rejeitaram a personagem, que teve que sofrer algumas alterações em seu caráter, resultando na tradicional punição moral no fim da trama.<br />
Além da ambição de Carmem e dos seus amores tempestuosos, a novela ousava tocar em um tema <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-lucc3a9liasantos-carmem.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-lucc3a9liasantos-carmem.jpg?w=216" border="0" alt="" /></a>tabu na época, a Aids, ainda uma doença obscura sem qualquer tratamento médico. Numa época em que a infecção era um atestado de morte, havia uma grande rejeição e medo de se falar em Aids. Glória Perez o fez com maestria, uma característica que se tornaria peculiar na sua obra, falar sobre doenças físicas ou mentais. Apesar do grande investimento da TV Manchete na divulgação e produção, nos bons índices de audiência alcançados, a novela não se tornou um grande marco da televisão brasileira. “<em>Carmem</em>” foi a primeira obra genuinamente de Glória Perez, definindo-lhe o estilo e provando que era uma autora de fôlego dentro do folhetim televisivo. O elenco trazia astros e estrelas da TV Globo, como José Wilker, vindo direto do sucesso de “<em>Roque Santeiro</em>”. Trazia de volta a atriz Darlene Glória, afastada dos bastidores depois que se convertera a uma religião evangélica. Apostava no talento de jovens atores, como Paulo Betti e Paulo Gorgulho, e assegurava-se com a experiência de Theresa Amayo, Beatriz Segall, Selma Egrei, Luís de Lima, Luiz Carlos Arutin, Rosita Thomaz Lopez, Roberto Bonfim, Miriam Pires, Vanda Lacerda, Hélio Souto, Guilherme Karan, Nélia Paula, Maurice Vaneau, José Dumont , Neuza Borges, Odilon Wagner, Júlia Lemmertz, Bia Sion e Eduardo Tornaghi.</p>
<p><strong>De Volta à TV Globo</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-tarcc3adsiomeiraeverafischer-desejo.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-tarcc3adsiomeiraeverafischer-desejo.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a>A volta de Glória Perez à TV Globo deu-se em 1990, em uma minissérie de 17 capítulos, “<em>Desejo</em>”. Inspirada em fatos reais, a história conta um dos crimes mais famosos do Brasil, a do escritor e jornalista Euclides da Cunha, ocorrida em 1909, após uma troca de tiros com Dilermando de Assis, amante da esposa Ana.<br />
Glória Perez recompôs os passos de Euclides da Cunha na semana que antecedeu à sua morte. Casada com Euclides da Cunha, a bela Ana apaixona-se pelo jovem Dilermando, vivendo com ele uma relação adúltera. Descobertos pelo marido, os dois são confrontados por ele. Uma tensa discussão resulta na troca de tiros que mata Euclides. Dilermando é preso, julgado e absolvido, casando-se com Ana. Mais tarde seria a vez do filho de Euclides da Cunha tentar vingar o pai. A tragédia volta a rondar o casal, em um confronto, o filho vingativo é morto por Dilermando, que mais uma vez é preso e absolvido em julgamento.<br />
A produção de “<em>Desejo</em>” reconstituiu com primor a época da tragédia. O triângulo amoroso encontrou consistência nas brilhantes atuações de Tarcísio Meira, Vera Fischer e Guilherme Fontes. Texto bem conduzido, “<em>Desejo</em>” foi uma das mais belas séries já feitas pela televisão brasileira. Quando exibida, sofreu críticas dos d<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/gloriaperez-claudiaabreuevictorfasano-barrigadealuguel.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/gloriaperez-claudiaabreuevictorfasano-barrigadealuguel.jpg?w=260" border="0" alt="" /></a>escendentes de Dilermando e Ana, sendo bem aceita pelos descendentes de Euclides da Cunha. Marcou a volta de Glória Perez à emissora carioca.<br />
O sucesso de “<em>Desejo</em>” levou a TV Globo a liberar uma sinopse de Glória Perez que estava arquivada há cinco anos. Ainda em 1990, ia ao ar “<em>Barriga de Aluguel</em>”, trama que levantava a polêmica em questões morais e jurídicas que se viram obsoletas diante dos avanços da ciência. Ana (Cássia Kiss) e Zeca (Victor Fasano), um casal jovem e bem sucedido vive o drama de não poder realizar o sonho de um filho, devido a problemas biológicos. Para concretizar o sonho, decidem contratar a barriga de uma mulher para gerar o óvulo fecundado de Ana. A escolhida é Clara (Claudia Abreu), jovem em dificuldades financeiras. Por uma quantia pré-estabelecida, Clara aceita alugar a barriga. Fecundada com o material genético de Ana, Clara sente-se presa à criança no seu ventre, passando a ter amor por ela. Quando dá à luz, recusa-se a entregar o recém-nascido. O caso vai parar na justiça. Quem era a verdadeira mãe, a biológica ou a que engravidou e teve a criança? A questão foi inteligentemente abordada pela autora, sendo analisada em todos as suas vertentes: a científica, a moral, a social e a jurídica.<br />
O horário de exibição da novela, às 18h00, limitou o debate e a polêmica, mas não lhe tirou o questionamento social e científico.<br />
A aposta no elenco foi ousada, o que possibilitou a ascensão de algumas carreiras, como Cássia Kiss, Cláudia Abreu e Humberto Martins, que viveram aqui os seus primeiros protagonistas. Outros já estreavam como protagonistas, como <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/gloriaperez-claudiaabreuecassiakiss-barrigadealuguel.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/gloriaperez-claudiaabreuecassiakiss-barrigadealuguel.jpg?w=239" border="0" alt="" /></a>Victor Fasano, que viria a ser uma presença constante nas novelas da autora, e Jairo Mattos. A aposta em um elenco jovem revelou uma constelação de futuros talentos, como Denise Fraga, Tereza Seiblitz, Eri Johnson, outro que passaria a freqüentar as tramas da autora, e, Daniela Perez, filha de Glória Perez, em sua estréia na TV Globo. O elenco contou com grandes interpretações de Renée de Vielmond, Beatriz Segall, Mário Lago, Leonardo Villar, Adriano Reys, Sura Berditchewski, Francisco Milani, Lady Francisco, Lúcia Alves, Nicole Puzzi, Anilza Leoni, Sonia Guedes, Vera Holtz, Wolf Maya, Regina Restelli, Paulo César Grande e Emiliano Queiroz.<br />
“<em>Barriga de Aluguel</em>” foi a novela mais consistente de Glória Perez. A que teve um enredo comovente e bem desenvolvido, sem perder em momento algum o foco da temática abordada. A construção psicológica das personagens foi a mais elaborada dentro das tramas da autora. Mesmo quando a emissora pediu que se aumentasse o número de capítulos, não perdeu o interesse ou se assistiu a um enredo arrastado.</p>
<p><strong>Tragédia Real Supera a Ficção</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-decorpoealma-1982.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-decorpoealma-1982.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a>Com o sucesso de “<em>Barriga de Aluguel</em>”, Glória Perez voltaria ao horário nobre da TV Globo, com a novela “<em>De Corpo e Alma</em>”, em 1992, numa co-produção com a então recém inaugurada emissora portuguesa SIC (Sociedade Independente de Comunicação). O folhetim contava a história do juiz Diogo (Tarcísio Meira), de integridade inquestionável, vivendo um casamento de aparências com Antonia (Betty Faria). A vida do juiz vira do avesso quando ele decide viver o seu amor por Betina (Bruna Lombardi). Mas a família e os seus valores, pesam na hora da decisão e Diogo abandona Betina. Desesperada por causa do abandono, a jovem dirige o seu automóvel, lançando-se em um acidente que lhe rouba a vida. Naquele momento, a jovem Paloma (Cristiana Oliveira), agoniza em um hospital, à espera de um transplante de coração que lhe possa salvar a vida. O coração de Betina salvará a jovem da morte. Ao saber do transplante, Diogo persegue a jovem, apaixonando-se por ela, ou pelo coração da amada Betina.<br />
Dramalhão denso, arrastado, sem o vigor de “<em>Barriga de Aluguel</em>”, a novela irritou Tarcísio Meira, que chegou a pedir para o seu personagem ser eliminado, por considerá-lo chato e sem atrativos. Antonia, primeira personagem de Betty Faria depois de ter vivido a estonteante protagonista de “<em>Tieta</em>”, desagradou às feministas, que a consideravam por demais submissa. Cristiana Oliveira, elevada à estrela da TV Manchete após o sucesso de “<em>Pantanal</em>”, fazia a sua estréia na TV Globo. A troca de crianças na maternidade foi abordada pelo casal vivido por José Mayer e Maria Zilda. Pela primeira vez era mostrado um clube de strippers, pondo o homem como objeto de prazer para a mulher. Victor Fasano e Guilherme Leme emprestavam os seus corpos atléticos para as personagens. Controversa foi a figura do gótico Reginaldo (Eri Johnson), que perambulava pelos cemitérios recitando poemas, enquanto que adorava Yasmin (Daniela Perez), com um retrato da musa estampada no seu quarto. As visitas de Reginaldo às tumbas atraíram aos supersticiosos, atribuindo a ele a tragédia que se iria abater sobre a autora.<br />
No dia 28 de dezembro de 1992, a atriz Daniela Perez, filha de Glória Perez, foi assassinada pelo colega de trabalho Guilherme de Pádua, com quem vivia um romance na trama. O crime chocou o Brasil. Nunca na história da teledramaturgia brasileira havia acontecido tão dantesca tragédia. Abatida, Glória Perez foi substituída por Gilberto Braga e Leonor Basséres, <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/gloriaperez-danielaperezefabioassunc3a7c3a3o.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/gloriaperez-danielaperezefabioassunc3a7c3a3o.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a>que escreveram os capítulos onde sumiam as personagens de Daniela Perez e Guilherme de Pádua. Uma semana depois de perder a filha, Glória Perez voltou a escrever a novela, atirando-se de cabeça ao trabalho para aliviar a dor da perda. As motivações do crime jamais foram esclarecidas no todo. Daniela Perez tinha 22 anos e estava a desenvolver o seu maior trabalho na curta carreira de atriz.<br />
“<em>De Corpo e Alma</em>” entrou para a historia da teledramaturgia não pelo seu texto ou conteúdo, mas pela tragédia que resultou na morte de Daniela Perez. Fechou os seus capítulos com a tristeza de um drama real que superou a sua ficção. Além dos atores citados, o elenco contava ainda com Renée de Vielmond, Stênio Garcia, Nathália Timberg, Beatriz Segall, Carlos Vereza, Fábio Assunção, Ewerton de Castro, Vera Holtz, Eva Todor, Neuza Borges, Marilu Bueno, Aracy Cardoso, João Vitti, Tonico Pereira, Hugo Carvana, Márcia Real, Ida Gomes, Mário Lago, Marcelo Picchi, Hugo Gross, Carla Daniel, Paolette, Eduardo Caldas, Marcelo Faria e Lizandra Souto.</p>
<p><strong>O Universo dos Ciganos e Uma Velha História de Janete Clair</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-explodecorac3a7c3a3o-19961.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-explodecorac3a7c3a3o-19961.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a>Em 1995, Glória Perez começaria um ciclo de temas a explorar povos e costumes. Com “<em>Explode Coração</em>”, iniciava a sua saga através dos costumes e hábitos do povo cigano. Sua heroína Dara (Tereza Seiblitz) foi inspirada na vida real de uma cigana. Apesar de trazer o mundo cigano para a pequena tela, a visão de Glória Perez é negativa aos costumes, uma vez que os contesta através dos sofrimentos da sua heroína que se rebela contra eles. Dara quer estudar, romper com as velhas tradições do seu povo e entregar-se a um “gadjô”, ou não cigano. As cenas de amor entre Dara e Júlio (Edson Celulari), desagradaram à cigana na qual Glória Perez se inspirara, fazendo que ela movesse um processo contra a autora, sem que lhe causasse grandes polêmicas ou conseqüências jurídicas. Nos desencontros com o amor da sua vida, Dara é obrigada pela família a se casar com o cigano Igor (Ricardo Macchi), que apaixonado por ela, simula a virgindade da amada, apresentando à família o próprio sangue nos lençóis nupciais.<br />
A novela desenvolveu uma campanha social em prol das crianças desaparecidas, ajudando a encontrar algumas na vida real. Numa época em que a internet era pouco difundida no Brasil, a autora promoveu o encontro de Dara e Júlio através do veiculo digital, então uma grande novidade, distante da realidade do povo.<br />
“<em>Explode Coração</em>” não apresentou nenhuma novidade, afinal a temática sobre a vida dos ciganos tinha sido explorada desde a época de Glória Magadan na TV Globo. Trama morna, cumpriu a função de entretenimento. Ricardo Macchi, ao viver o cigano Igor, um dos protagonistas, atraiu para si o estigma de que um rosto bonito era totalmente avesso ao talento, sendo rejeitado em muitos trabalhos futuros. Viver Dara não consolidou a carreira de Tereza Seiblitz, que desde então não teve nenhuma personagem de destaque na televisão. Renée de Vielmond, após a novela, deixaria a televisão por mais de uma década. Outro erro de escalação de elenco foi a do ator Floriano Peixoto para o papel do travesti Sarita Witt, que desenvolveu uma personagem caricata, não se sabendo se era um transformista ou um travesti. Destaque para o casal Lucineide e Salgadinho, vivido com humor magistral por Regina Dourado e Rogério Cardoso. Ainda no elenco Eliane Giardini, Laura Cardoso, Maria Luisa Mendonça, Françoise Forton, Paulo José, Cássio Gabus Mendes, Deborah Evelyn, Herson Capri, Helena Ranaldi, Nívea Maria, Reginaldo Faria, Elias Gleizer, Cláudio Cavalcanti, Débora Duarte, Stênio Garcia, Ester Góes, Rodrigo Santoro, Zezé Polessa, Leandra Leal,<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-anapaulaarc3b3sio-hildafuracc3a3o.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-anapaulaarc3b3sio-hildafuracc3a3o.jpg?w=244" border="0" alt="" /></a> Isadora Ribeiro, Gracindo Junior, Daniel Dantas, Felipe Folgosi, Guilherme Karan, Odilon Wagner, Lady Francisco, Eri Johnson, Ivan de Albuquerque e Paula Burlamaqui.<br />
Em 1998, Glória Perez deixava um pouco os folhetins novelescos, escrevendo uma outra minissérie de grande sucesso, “<em>Hilda Furacão</em>”, inspirada no romance homônimo de Roberto Drummond. A série trazia a instigante trajetória de Hilda Furacão (Ana Paula Arósio), personagem real, filha de uma tradicional família mineira, que escandalizou a sociedade ao fugir no dia do seu casamento, refugiando-se em um prostíbulo, tornando-se a prostituta mais desejada de Belo Horizonte na década de 1950. Hilda será a responsável pelo conflito do jovem Maltus (Rodrigo Santoro), que sonha ser um frade dominicano, dividindo-se entre os princípios da castidade e a atração pelo corpo de Hilda.<br />
“<em>Hilda Furacão</em>” marcou a estréia de Ana Paula Arósio na TV Globo, sendo de imediato elevada à estrela da emissora. Outra estréia foi a de Thiago Lacerda, que vivia Aramel, jovem que sonhava ser galã de Hollywood. No ano seguinte, Ana Paula Arósio e Thiago Lacerda conquistariam o Brasil e o mundo ao viverem o par romântico da novela “<em>Terra Nostra</em>”, de Benedito Ruy Barbosa. Outro destaque foi para o trabalho de Matheus Nachtergaele, vivendo o travesti Cintura Fina, também personagem real, assim como a prostituta Maria Tomba-Homem, magistralmente interpretada por Rosi Campos. Danton Mello viveu Roberto Drummond, autor do livro. Glória Perez conseguiu desenvolver uma história de sucesso, que prendeu o <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-rodrigosantoroeanapaulaarc3b3sio1-hildafuracc3a3o.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-rodrigosantoroeanapaulaarc3b3sio1-hildafuracc3a3o.jpg?w=235" border="0" alt="" /></a>telespectador, transformando-se em um clássico das minisséries brasileiras. O elenco contava com a presença rara na televisão do genial Paulo Autran.<br />
Para encerrar a década, Glória Perez escreveria, ainda em 1998, uma nova versão da novela “<em>Pecado Capital</em>”, clássico de Janete Clair, levada ao ar pela primeira vez em 1975. Apesar de trazer novas personagens, a trama ficou aquém da magia do universo de Janete Clair, passando despercebida do grande público. Eduardo Moscovis e Carolina Ferraz, que vinham de um grande sucesso como par romântico na novela “<em>Por Amor</em>”, ganharam os papéis de Carlão e Lucinha, vividos na primeira versão por Francisco Cuoco e Betty Faria. Francisco Cuoco retornou a esta versão, vivendo o rígido Salviano Lisboa, interpretado em 1975 por Lima Duarte. A trama narra a ascensão social de Carlão e Lucinha, casal apaixonado que vive modestamente em um subúrbio do Rio de Janeiro. Ele é um taxista, ela operária de fábrica. Um dia Carlão leva em seu táxi um casal que assaltara um banco, na pressa em fugir da polícia, eles esquecem a mala com o dinheiro do assalto no assento do carro. Carlão usa o dinheiro para enriquecer, enquanto que Lucinha é descoberta por um caçador de talento, tornando-se famosa como modelo. Na ascensão social o casal se perde, ela vivendo uma história de amor com o milionário Salviano Lisboa, ele casando-se com Eunice (Cássia Kiss), a mulher que ajudara o amante a assaltar o banco e esquecera o dinheiro no táxi de Carlão.<br />
Na versão de 1998, há um desequilíbrio total entre Francisco Cuoco, já muito envelhecido para o papel, e Carolina Ferraz, que não consegue fazer a lapidação cultural que Lucinha sofre, conservando a essência suburbana, mais próxima de Carlão e não de Salviano. Diante da falta de química entre o casal, Glória Perez foi obrigada a mudar o original, criando uma personagem para viver um romance com o Salviano de Francisco Cuoco. Surge Laura, interpretada por Vera Fischer. Nesta versão, Lucinha volta para Carlão e para as suas raízes. A novela peca por dar uma atmosfera suburbana arraigada à trama, algo que não se vê na obra de Janete Clair, que ao escrever sobre os subúrbios cariocas, impregnava uma estrutura universal, com personagens carismáticos, trazendo o romantismo do samba carioca, enquanto que Glória Perez traz a <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-pecadocapital.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-pecadocapital.jpg?w=252" border="0" alt="" /></a>essência do pagode que só se encontra no subúrbio do Rio de Janeiro, longe de um aspecto mais universal. “<em>Pecado Capital</em>” foi em 1975, responsável por um dos maiores sucessos de público da carreira de Débora Duarte, vivendo a louca Vilminha. Paloma Duarte fez o mesmo papel da sua mãe na versão de 1998, sem que o telespectador identificasse o carisma de tão complexa personagem.<br />
“<em>Pecado Capital</em>” de Glória Perez foi um sopro frustrado na grandiosidade da beleza da novela de Janete Clair, considerada a mais realista da sua obra. Glória Perez, que começara a década de noventa com a inesquecível e genial “<em>Barriga de Aluguel</em>”, terminava a mesma década ofuscada pelo fracasso de “<em>Pecado Capital</em>”. Ainda no elenco a inesquecível Zilka Salaberry, Alexandre Borges, Thaís de Campos, Floriano Peixoto, Thiago Lacerda, Marcos Winter, Leandra Leal, Marcelo Serrado, Tato Gabus, Betty Lago, Roberto Bonfim, André Valli, Suely Franco, Jackson Antunes, Pedro Paulo Rangel, Íris Bruzzi, Darlene Glória, Mario Lago, Camila Pitanga, Luís Mello, Othon Bastos, Oswaldo Loureiro, Lúcio Mauro, Guilherme Karan, Aracy Cardoso, Marco Ricca, Eri Johnson, Mara Manzan, Jiddu Pinheiro e Claudia Liz.</p>
<p><strong>O Islamismo Como Tema</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-oclone-2001.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-oclone-2001.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a>A maior obra de Glória Perez viria em 2001, “<em>O Clone</em>”, uma das mais bem sucedidas novelas da televisão brasileira. Mais uma vez a autora questionava os avanços morais em contraste com a evolução da ciência. A clonagem humana, aliada à cultura islâmica e o mundo devastador da droga, fizeram da trama uma das mais bem conduzidas e carismáticas da teledramaturgia.<br />
Quando a autora apresentou a sinopse à direção da TV Globo, encontrou grande resistência, pois muitos não acreditavam na proposta. A produção teve problemas desde a escolha da direção à escalação dos atores. Denise Saraceni, inicialmente prevista para comandar a direção, não gostava do islamismo como tema. Luiz Fernando Carvalho não se adaptava ao estilo da autora. A terceira e acertada opção foi Jayme Monjardim, que além de uma bela direção, trouxe uma apurada trilha sonora, feita especialmente para a trama. Os papéis de Jade e Lucas (que se dividiria em três), foram feitos pensando em Ana Paula Arósio e Fábio Assunção, os atores alegaram cansaço, não acreditando nas personagens. Letícia Spiller também recusou fazer Jade. A direção apostou no talento de Giovana Antonelli, vinda do sucesso de “<em>Laços de Família</em>”, de Manoel Carlos, onde interpretou a prostituta Capitu. Coube a Murilo Benício viver os gêmeos Lucas e Diogo, e o seu clone Leo.<br />
Lucas é um jovem sonhador, que se apaixona por Jade, uma jovem muçulmana. Logo no início perde o irmão gêmeo Diogo, morto em um acidente. Diogo era o preferido do pai Leônidas (Reginaldo Faria), e do geneticista Albieri (Juca de Oliveira). Na tentativa de trazer a vida de volta, Albieri, à revelia de Lucas, clona as suas células, trocando os embriões de Deusa (Adriana Lessa), mulher negra, que sem saber, gera e dá à luz ao clone de Lucas. Os costumes islâmicos e as adversidades separam Jade e Lucas, que se casam com Said (Dalton Vigh) e Maysa (Daniela Escobar), respectivamente. Vinte anos depois surge Leo, o clone, trazendo a juventude e os sonhos perdidos de Lucas, inclusive o amor preso no tempo que Jade tinha por ele. Lucas torna-se rival do seu próprio clone.<br />
Burlesca, cientificamente improvável, a novela atraiu pelo exotismo do mundo islâmico ser aludido com grande pompa. A estréia em 1 de outubro de 2001, causou grande apreensão devido à tragédia das torres do World Trade Center em Nova York, ocorrida menos de um mês antes. O terrorismo por parte de idealistas islâmicos fez a curiosidade do povo aumentar. Jade é a visão ocidental do mundo islâmico, a sua renúncia diante dos costumes árabes traz a visão negativa do islã por parte da autora, que ao pôr as dúvidas na heroína, rejeita veementemente a cultura. Jade entrega-se ao ocidental, ficando nas mãos de um m<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-deborafalabella-oclone.jpg"></a>arido apaixonado que simula a sua virgindade para a família. Said, o marido apaixonado, representa a tradição dos costumes, por isto torna-se o vilão da <a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S3iqCJKN_1I/AAAAAAAAHZs/I8pAbb8xEUA/s1600-h/Gl%C3%B3ria+Perez+-+Debora+Falabella+-+O+Clone.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-deborafalabella-oclone.jpg?w=219" border="0" alt="" /></a>história, o que se opõe ao amor ocidentalizado, aos princípios judaico-cristãos. O seu amor não serve para a heroína, que repudia os costumes da sua gente.<br />
Noutra vertente da trama, surge o mundo obscuro das drogas, vivenciado pela doce Mel (Débora Falabella). Nunca o tema foi tão profundamente analisado em uma novela como aqui. Glória Perez foi magnífica, conseguindo levar através de depoimentos verdadeiros, um pouco do sofrimento do submundo das drogas. Islamismo e drogas fizeram o tema da clonagem coadjuvante, suportável nas suas falhas mirabolantes, brilhante na contestação moral, encerrando com Albieri, criador do clone, desaparecendo com ele ao seu encalce pelo deserto, sem saber em que lugar do mundo situá-lo.<br />
Elenco bem escalado, texto empolgante, “<em>O Clone</em>” foi a obra maior de Glória Perez. Ainda no elenco Vera Fischer, Stênio Garcia, Nívea Maria, Letícia Sabatella, Jandira Martini, Antonio Calloni, Eliane Giardini, Marcelo Novaes, Cristiana Oliveira, Mara Manzan, Neuza Borges, Osmar Prado, Victor Fasano, Beth Goulart, Marcos Frota, Francisco Cuoco, Roberto Bonfim, Luciano Szafir, Cissa Guimarães, Thiago Fragoso, Myrian Rios, Guilherme Karan, Sebastião Vasconcelos, Carla Diaz, Françoise Forton, Elizangela, Thais Fersoza, Eri Johnson, Juliana Paes, Totia Meirelles, Raul Gazolla e Perry Salles.</p>
<p><strong>Passagem Pela América, Amazônia e Índia</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-deborasecco-america.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-deborasecco-america.jpg?w=219" border="0" alt="" /></a>Após o sucesso de “<em>O Clone</em>”, gerou-se uma grande expectativa na estréia da novela “<em>América</em>”, em 2005. Imigração para os Estados Unidos e o mundo dos rodeios foram as temáticas da novela, com pitadas de cleptomania, deficiência visual e homossexualismo. Apesar dos ingredientes, “<em>América</em>” mostrou-se morna e sem carisma. Elenco que não se afinava, obrigando a autora a modificar o destino dos protagonistas. Sol, a heroína vivida por Deborah Secco, carregou na sua história todos os dramas colhidos de depoimentos de imigrantes reais, tornando-se insuportavelmente caricata e longe da realidade. As experiências interessantes, se distribuídas por várias personagens, não contaminariam a verve real. A maior expectativa da trama foi o prometido primeiro beijo homossexual levado ao ar no Brasil, entre os personagens vividos por Bruno Gagliasso e Erom Cordeiro, que deveria acontecer no último capítulo. A cena foi escrita e gravada, mas por causa do moralismo da TV Globo, não foi ao ar, causando frustração, com protestos nos principais jornais do país no dia seguinte à exibição do capítulo. Os defensores dos animais fizeram protestos contra os rodeios exibidos na novela, chegando a atingir pessoalmente a autora com mensagens ofensivas em sua página na internet.<br />
“<em>América</em>” romperia com a parceria entre Jayme Monjardim e Glória Perez. O diretor foi afastado da novela ainda nos primeiros capítulos. “<em>América</em>” não empolgou o público brasileiro. No seu todo, passou despercebida e sem acrescentar grandes glórias à carreira dos atores e da autora. <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-murilobenc3adcio-amc3a9rica.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-murilobenc3adcio-amc3a9rica.jpg?w=212" border="0" alt="" /></a>Deborah Secco teve um dos mais cansativos papéis da carreira. Faziam parte do elenco Murilo Benício, Christiane Torloni, Edson Celulari, Thiago Lacerda, Caco Ciocler, Nívea Maria, Betty Faria, Francisco Cuoco, Humberto Martins, Camila Morgado, Eva Todor, Jandira Martini, Paulo Goulart, Mariana Ximenez, Marcelo Novaes, Marcos Frota, Gabriela Duarte, Daniela Escobar, Floriano Peixoto, Neuza Borges, Claudia Jimenez, Lúcia Veríssimo, Murilo Rosa, Victor Fasano, Rosi Campos, Matheus Nachtergaele, Eri Johnson, Simone Spaladore, Rodrigo Faro, Raul Gazolla, Silvia Buarque, Sâmara Felippo, Chico Diaz, Bete Mendes, Duda Nagle, Luis Mello, Cacau Melo, José Dumont, Solange Couto, Roberto Bonfim, Bruna Marquezine, Juliana Paes, Paula Burlamaqui, Ailton Graça, Regina Dourado, Cleo Pires, Walter Breda, Rodrigo Hilbert, Juliana Knust, Marisol Ribeiro, Totia Meireles, Marcelo Brou, Guilherme Karan, Anderson Muller, Fernanda Paes Leme, Viviane Victorete, Lucy Mafra, Christiana Kalache, Lucas Balbin e Rafael Calomeni.<br />
Em 2007, Glória Perez assinou mais uma minissérie, “<em>Amazônia – De Galvez a Chico Mendes</em>”. Desta vez ela retornava às origens, contando a história da sua terra, o Acre, último estado a ser integrado a União. Produção sofisticada, com cuidadosa reconstituição de época, elenco de peso, cenas gravadas no Amazonas e Acre, belas imagens da selva amazônica e bastidores de épico. A série foi dividida em três fases, começando em 1899, no auge do ciclo da borracha, com a conquista do Acre aos bolivianos, passando pela decadência dos seringais, fechando com a história do seringueiro Chico Mendes. A saga do Acre é contada cronologicamente em cem anos. Glória Perez inspirou-se nos romances “<em>O Seringal</em>”, de Miguel Jeronymo Ferrante e, “<em>Terra Caída</em>”, de José Potiguara.<br />
“<em>Amazônia – De Galvez a Chico <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-josc3a9wilker-amazc3b4nia.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-josc3a9wilker-amazc3b4nia.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a>Mendes</em>”, apesar de apresentada com tiragens de épico, não conseguiu a beleza intimista e psicológica de “<em>Desejo</em>”, tão pouco a força explosiva e dramática de “<em>Hilda Furacão</em>”. Mostrou-se visualmente magnífica, com grandes interpretações, mas seca em arrancar grandes emoções, apesar de tramas com grande pujança. Talvez o desequilíbrio na duração das três fases, ou no excesso de capítulos para uma obra fechada, 52 ao todo, o que lhe dá uma sensação de novela, contribuíram para que uma produção de tão grande qualidade não apaixonasse o telespectador, que se manteve morno até o fim. José Wilker viveu o mítico herói acreano Luiz Galvez, Alexandre Borges fez o personagem histórico Plácido de Castro, e Cássio Gabus Mendes foi o líder Chico Mendes, compondo a espinha dorsal da trama. Ainda no elenco Vera Fischer, Irene Ravache, Christiane Torloni, Débora Bloch, José de Abreu, Giovana Antonelli, Regina Casé, Antonio Calloni, Cláudio Marzo, Matheus Nachtergaele, Paulo Betti, Victor Fasano, Humberto Martins, Emílio Orciollo Neto, Dan Stulbach, Letícia Spiller, Zezé Polessa, Caio Blat, Pedro Paulo Rangel, Diogo Vilela, Tereza Seiblitz, Lima Duarte, Vanessa Giácomo, Francisco Cuoco, Paulo Goulart, Leopoldo Pacheco, Cristiana Oliveira, Marcos Winter, Totia Meireles, Silvia Buarque, Leonardo Medeiros, Marcelo Faria, Ruth de Souza e Tato Gabus.<br />
Em 2009, mais uma cultura seria retratada por Glória Perez, a indiana, tema de “<em>Caminho das <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-rodrigolombardiejulianapaes-caminhodasc38dndias.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-rodrigolombardiejulianapaes-caminhodasc38dndias.jpg?w=251" border="0" alt="" /></a>Índias</em>”. Ao contrário do que aconteceu com a cultura islâmica abordada em “<em>O Clone</em>”, a cultura indiana não apaixonou o brasileiro. Por meses a novela amargou com baixa audiência. Sistema de castas, intocáveis, viúvas lançadas à fogueira, excesso de deuses para que se adorasse, fizeram a distância intransponível entre a realidade brasileira e a fantasia ali descrita. Uma Índia completamente folclórica, com famílias abastadas, longe da miséria que assola aquele país asiático, dos conflitos entre várias religiões, que atravessam desde o hinduísmo ao islamismo, a Índia da trama de Glória Perez só existiu nos estúdios da TV Globo. O maior agravante foi o branqueamento do povo indiano, fazendo dos atores meros estereótipos de uma cultura.<br />
A novela ganhou audiência quando o núcleo do confuso Raul (Alexandre Borges) e da bela psicopata Yvone (Letícia Sabatella), forjaram a morte do milionário, em um golpe que prendeu o telespectador. A fogosa Norminha (Dira Paes) e o seu marido corno magnífico Abel (Anderson Muller) foram outro grande atrativo. A esquizofrenia, abordada através de Tarso (Bruno Gagliasso), também foi outro filão que não empolgou. Glória Perez ainda tentou introduzir depoimentos reais sobre esquizofrenia, recurso utilizado em “<em>O Clone</em>”, mas o pouco carisma da trama não permitiu que se estendesse por muitos capítulos. Os núcleos brasileiros salvaram a fantasia indiana da novela, garantindo que ela não se afundasse. Maya, a heroína vivida por Juliana Paes, foi um clone mal-sucedido de Jade, sem o carisma e força contestadora da outra. Bahuan, o protagonista da trama vivido por Márcio Garcia, foi rejeitado na primeira semana, quase que se tornando o vilão da trama.<br />
Durante a exibição da novela, Glória Perez foi submetida a uma cirurgia na tiróide, acusando um câncer, o que levou a direção a chamar Carlos Lombardi e Elizabeth Jhin para prestar ajuda à <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-tonyramos-caminhodasc38dndias.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperez-tonyramos-caminhodasc38dndias.jpg?w=245" border="0" alt="" /></a>autora, escrevendo algumas cenas. Desequilíbrio de elenco, excesso de fantasia e de informações apresentadas, contribuíram para que a novela não atingisse o fascínio de “<em>O Clone</em>”. Curiosamente, o burlesco da trama mostrou-se apoteótica aos jurados norte-americanos, que lhe atribuíram o prêmio Emmy Internacional, em novembro de 2009. Uma vitória para as telenovelas brasileiras em época de pouca criatividade e safra pouco empolgante. Ainda faziam parte de um elenco de luxo Tony Ramos, Christiane Torloni, Lima Duarte, Laura Cardoso, Rodrigo Lombardi, Vera Fischer, Débora Bloch, Humberto Martins, Eliane Giardini, Nívea Maria, Caco Ciocler, Osmar Prado, Eva Todor, Maitê Proença, Elias Gleizer, Marjorie Estiano, Tânia Khalil, Stênio Garcia, Antonio Calloni, Ana Beatriz Nogueira, Odilon Wagner, Victor Fasano, Totia Meireles, Cléo Pires, Isis Valverde, Flávio Migliaccio, Murilo Rosa, José de Abreu, Mara Manzan, Jandira Martini, Ricardo Tozzi, Duda Nagle, Silvia Buarque, Chico Anýsio, Marcius Melhem. André Gonçalves, Danton Melo, Betty Gofman, Maria Maya, Julia Almeida, Claudia Lira, Rosane Gofman e Java Mayan.</p>
<p><strong>OBRAS<br />
</strong><br />
<em>Telenovelas:</em><br />
<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperezevictorfasano.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/08/glc3b3riaperezevictorfasano.jpg?w=255" border="0" alt="" /></a><br />
1983/1984 – Eu Prometo (colaboradora de Janete Clair) – TV Globo<br />
1984 – Partido Alto (co-autoria com Aguinaldo Silva) – TV Globo<br />
1987/1988 – Carmem – TV Manchete<br />
1990/1991 – Barriga de Aluguel – TV Globo<br />
1992/1993 – De Corpo e Alma – TV Globo<br />
1995/1996 – Explode Coração – TV Globo<br />
1998/1999 – Pecado Capital (2ª versão novela de Janete Clair) – TV Globo<br />
2001/2002 – O Clone – TV Globo<br />
2005 – América – TV Globo<br />
2009 – Caminho das Índias – TV Globo</p>
<p><em>Minisséries:</em></p>
<p>1990 – Desejo – TV Globo<br />
1998 – Hilda Furacão – TV Globo<br />
2007 – Amazônia – De Galvez a Chico Mendes – TV Globo</p>
<p><em>Seriados:</em></p>
<p>1998 – Mulher (co-autoria) – TV Globo<br />
2003 – A Diarista (episódio piloto) – TV Globo</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/804/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/804/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/804/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/804/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/804/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/804/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/804/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/804/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/804/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/804/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/804/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/804/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/804/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/804/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=804&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>A ESTRELA DALVA DE OLIVEIRA</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jul 2010 20:45:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>

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		<description><![CDATA[Se hoje a Música Popular Brasileira é essencialmente feita de grandes vozes femininas, nem sempre foi assim. Numa época em que eram dominantes as poderosas vozes masculinas, como a de Francisco Alves, surgiu Dalva de Oliveira, com os seus agudos fulminantes e voz de cantora lírica, que ao adaptá-la para o canto popular, tornou-se a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=764&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira8.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira8.jpg?w=207" border="0" alt="" /></a>Se hoje a Música Popular Brasileira é essencialmente feita de grandes vozes femininas, nem sempre foi assim. Numa época em que eram dominantes as poderosas vozes masculinas, como a de Francisco Alves, surgiu Dalva de Oliveira, com os seus agudos fulminantes e voz de cantora lírica, que ao adaptá-la para o canto popular, tornou-se a primeira grande voz feminina da MPB.<br />
Dalva de Oliveira surgiu na época de ouro do rádio, do glamour dos palcos dos grandes cassinos cariocas, no despertar do cinema nacional. Alcançou grande popularidade antes legada a Carmem Miranda. Se a Pequena Notável tinha o carisma, a originalidade e alegria diante dos palcos e das câmeras de cinema, Dalva de Oliveira tinha a voz, o drama e a emoção à flor da pele. Antes dela, nenhuma voz feminina alcançou tão arduamente o coração do brasileiro.<br />
Porte de estrela, trazia consigo o estigma do destino infeliz das grandes divas, fazendo da sua emoção um dos cantos mais límpidos, belos e sinceros que já ecoaram pelo Brasil.<br />
A Estrela Dalva, como era conhecida, numa alusão poética e tipicamente brasileira ao brilho ilusório do planeta Vênus, Dalva de Oliveira passou por todos os estágios que constituem uma vida farta de emoções e densidade dramática. Foi menina pobre, a lavar roupas nas soleiras dos cortiços, faxineira, costureira, cantora de circo, grande estrela da MPB, conheceu os lugares mais luxuosos do mundo, teve o Brasil aos seus pés, alcançou fortuna, perdeu-se nos labirintos do álcool, sofreu um acidente que lhe deixou uma grande cicatriz a lhe rasgar o rosto e a saúde debilitada, passou por amores atribulados, criou grandes polêmicas envolvendo sua vida amorosa, foi mãe, dona de casa, amante, mulher.<br />
No fim da vida foi legada ao ostracismo, num cruel esquecimento de um país que pouco cultiva os seus ídolos. No ano da sua morte, em 1972, alcançou um último fôlego, voltando a mídia de então, quando se apresentou no Programa Silvio Santos, então apresentado pela poderosa TV Globo, onde ganhou um concurso de marchinhas de carnaval daquele ano. Quase nada para uma estrela, mas muito para quem teve poucas vezes os holofotes da televisão. Meses depois, Dalva de Oliveira voltou à mídia, mas para fazer a sua despedida lenta e agonizante, em uma internação hospitalar que durou meses. No mom<a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S3OHiUeX0ZI/AAAAAAAAHVk/rwWSnV2QJls/s1600-h/Dalva+de+Oliveira+10.jpg"></a>ento da sua agonia, o Brasil voltou a idolatrá-la. Seu público fiel fez filas na porta do hospital. No dia 30 de agosto de 1972, Dalva de Oliveira morreu. O Brasil parou para homenageá-la. Milhares de pessoas acederam ao seu velório e enterro, gerando um momento de comoção nacional. Era o último adeus do povo brasileiro à Estrela Dalva.</p>
<p><strong>Infância Pobre e Ligada à Musica</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira2.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira2.jpg?w=267" border="0" alt="" /></a>Em 5 de maio de 1917, nascia na cidade de Rio Claro, interior de São Paulo, Vicentina Paula de Oliveira, primogênita do mulato Mário Antônio de Oliveira e da portuguesa Alice do Espírito Santo Oliveira.<br />
Na infância pobre da menina Vicentina faltaram as bonecas, os brinquedos, mas não a música. O pai marceneiro ou carpinteiro, conforme lhe queiram classificar a profissão, era músico amador, que nas horas de folga tocava em serenatas ao lado dos amigos músicos, com quem chegou a organizar um conjunto para animar festas particulares. Mário Carioca, como era chamado, costumava ser acompanhado pela filha nas serenatas que promovia, e, reza a lenda, teria cantado com ele várias vezes em cima de um banquinho. Já desde cedo o contacto da futura cantora com a música estava estabelecido.<br />
Além de músico e festeiro, Mário Carioca era conhecido pela facilidade de fazer filhos, tendo uma prole de cinco rebentos. Além de Vicentina, vieram mais três meninas, Nair, Margarida e Lila, e um menino, que nascera com a saúde debilitada, morrendo ainda criança. Mário Carioca também deixou a família muito cedo, vindo a falecer quando Vicentina tinha apenas oito anos.<br />
Viúva, sem recursos financeiros e com quatro filhas para criar, dona Alice mudou-se para a cidade de São Paulo, empregando-se como governanta. Por esta época, conseguiu vaga para as filhas no Internato Tamandaré, dirigido por i<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira10.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira10.jpg?w=263" border="0" alt="" /></a>rmãs de caridade. No internato, entre as adversidades da vida, mais uma vez Vicentina teve contacto com a música, tendo ali aulas de piano, órgão e canto. A vida no internato durou três anos, quando a menina foi obrigada a sair, ao ser acometida de uma grave infecção nos olhos, que quase a deixou cega.<br />
A presença de Vicentina na casa onde a mãe estava empregada não foi bem aceita pelos patrões, sendo ela demitida. Alice conseguiu emprego em um hotel, trabalhando como copeira, passando a contar com a ajuda da filha.<br />
Logo cedo, Vicentina começou a trabalhar como arrumadeira, babá ou ainda como ajudante de cozinha de restaurantes, desenvolvendo grande talento para cozinhar, hábito que não abandonaria mesmo quando já era uma estrela da MPB. Foi numa das suas perambulações para sobreviver e ajudar a mãe, que se empregou em uma escola de dança, tendo ali contacto com um piano e com a música, uma constante em sua vida, quase como uma sina sem livre arbítrio. Depois que encerrava os trabalhos domésticos na escola de dança, costumava cantar algumas músicas, tentado tirar as melodias do piano da escola.</p>
<p><strong>Nasce a Estrela Dalva nos Palcos de Um Circo</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira1.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira1.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a>A ligação de Vicentina com a música crescia, assim como a sua voz, cada vez mais potente. Na escola de dança, um dia seria ouvida pelo maestro pianista, sendo por ele convidada para cantar na trupe de um circo de tablado, comandada por Antônio Zovetti.<br />
Tendo a mãe sempre do lado, Vicentina passou a acompanhar o Circo Damasco, que percorria várias cidades do interior paulistano. A cantora apresentava-se nos intervalos das atrações circenses, sendo solenemente apresentava como “<em>a menina prodígio da voz de ouro</em>”.<br />
Antônio Zovetti evitava-lhe chamar pelo nome, pois o considerava pouco sonoro para uma cantora. Por sugestão da mãe, Vicentina passou a usar o nome de Dalva. Desde então, passou a ser anunciada calorosamente: “<em>A doçura da voz da menina prodígio, a estrela Dalva</em>”. Nascia uma das mais cintilantes estrelas do firmamento da música brasileira.<br />
As viagens do circo levaram a então Dalva, em uma bem-sucedida apresentação em Belo Horizonte. Na capital mineira, foi induzida a fazer um teste na Rádio Mineira, sendo aprovada. Mas a aprovação no rádio coincidiu com a dissolução do Circo Damasco, e Dalva e a mãe foram obrigadas a retornar para São Paulo.<br />
Na capital paulistana, Alice foi aconselhada a levar a filha para o Rio de Janeiro, pois lá teria mais condições de ascender como cantora, visto que era dona de uma voz privilegiada e de um talento latente, pronto para explodir.</p>
<p><strong>Início nas Rádios e nos Teatros</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira6.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira6.jpg?w=258" border="0" alt="" /></a>Em 1934, as filhas de Mário Carioca voltaram a morar todas com a mãe. Juntas, seguiram para o Rio de Janeiro, em busca de dias melhores. Na capital federal foram morar em um quarto de cortiço na Rua Senador Pompeu.<br />
No Rio de Janeiro, Dalva empregou-se como costureira numa fábrica de chinelos. Mais uma vez, o seu destino cruzou-se com a música. Um dos donos da fábrica era Milton Guita, conhecido pela alcunha de Milonguita, diretor da Rádio Ipanema. Dalva tinha o hábito de cantarolar enquanto trabalhava, sendo ouvida uma vez por Milonguita. O radialista convidou-a para um teste na Rádio Ipanema, no qual foi aprovada. Começava uma peregrinação pelas rádios do Rio de Janeiro, que futuramente, transformaria a cantora na Rainha do Rádio.<br />
Da Rádio Ipanema, Dalva de Oliveira transferiu-se consecutivamente para a Rádio Sociedade e Rádio Cruzeiro do Sul, cantando ao lado do mítico Noel Rosa. Passou ainda, pela Rádio Philips, desembocando na Rádio Mayrink Veiga. Foi nesta rádio, que o então diretor Adhemar, levou- à presença do respeitado maestro Gambardella. O maestro encantou-se com o potencial da sua voz, pronta para ser uma grande cantora lírica. Mas Gambardella deu-lhe um conselho sábio, que seguisse carreira como cantora popular, visto que ser cantora lírica exigia recursos financeiros, e que uma moça pobre dificilmente conseguiria projeção em um universo tão fechado e sem futuro no Brasil da época.<br />
Dalva de Oliveira prosseguiu a sua trajetória rumo ao sucesso. Passou pelo Teatro Glória, sendo figurante e corista em várias operetas. No Largo da Cancela, Dalva apresentou-se em números imitando a atriz Dorothy Lamour. Participou da temporada popular da Casa do Caboclo, do Teatro Fênix, numa roda viva constante em busca de um lugar ao sol, de poder mostrar para o Brasil a estrela que havia dentro dela.<br />
A caminhada não lhe era fácil. Continuava a viver com a mãe e as irmãs na mais completa miséria em um cortiço carioca. A sua vida iria mudar definitivamente, quando, em 1936, conheceu o jovem cantor e compositor Herivelto Martins.</p>
<p><strong>O Trio de Ouro</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveiratriodeouro.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveiratriodeouro.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a>Reza a tradição que o encontro entre Dalva de Oliveira e Herivelto Martins deu-se no Cine Pátria, no Largo da Cancela, em São Cristóvão. Na época o cantor formava a dupla Preto e Branco, ao lado de Nilo Chagas, o preto da dupla. Originalmente, Francisco Sena era o parceiro de Herivelto Martins, tendo morrido em 1935, foi substituído por Nilo Chagas.<br />
O encontro resultaria em alguns números de Dalva de Oliveira com a dupla. A seguir, Herivelto Martins foi contratado para trabalhar no Teatro Fênix. Sentindo-se atraído pela beleza da voz da jovem, e pelos seus olhos verdes cismadores e fatais, o rapaz propôs-lhe que viesse cantar com a dupla, formando o trio que chamaram de Dalva de Oliveira e Dupla Preto e Branco. Juntos, gravaram, em 1937, pela RCA Victor, o primeiro disco, um compacto com as músicas “<em>Itaquan</em>” (Príncipe Pretinho) e “<em>Ceci e Peri</em>” (Príncipe Pretinho).<br />
Dalva de Oliveira e Herivelto Martins iniciavam uma grande parceria musical, e uma tórrida história de amor, que marcaria para sempre as suas vid<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira11.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira11.jpg?w=214" border="0" alt="" /></a>as. A marchinha “<em>Ceci e Peri</em>” tornou-se um grande sucesso. Quando Dalva de Oliveira ficou grávida do primeiro filho, os fãs escreviam ao casal, pedindo que a criança ao nascer fosse batizada de Ceci, se menina, ou de Peri, se menino. Assim foi feito, quando nasceu um menino, recebeu o nome de Pery Ribeiro, que mais tarde, assim como os pais, tornar-se-ia cantor da MPB.<br />
Contratado pela Rádio Mayrink Veiga, o trio ao apresentar-se no programa de César Ladeira, mudaria de nome, quando o apresentador afirmou que aquele era um trio de ouro. Nascia o mítico Trio de Ouro.<br />
Contratados pela Odeon, gravaram os primeiros discos com o Regional de Benedito Lacerda. O nome Trio de Ouro apareceria pela primeira vez em 1938, já na Odeon, quando da gravação do jongo “<em>Na Bahia</em>” (Herivelto Martins – Humberto Porto), ao lado de Carmen Miranda.<br />
Dalva de Oliveira e Herivelto Martins passaram a viver maritalmente, oficializando a união em um ritual de umbanda, em 1939. Além de Pery Ribeiro, teriam outro filho, Ubiratan Martins.<br />
O Trio de Ouro tornou-se sucesso em todo o Brasil, produzindo alguns clássicos da MPB. Em 1940 passaram a atuar na Rádio Clube do Brasil. Com o sucesso, também o dinheiro começou a fazer parte da vida de Dalva de Oliveira. Presa à arte de cantar, alheia às questões financeiras, a cantora deixou por conta do marido a administração da sua carreira, limitada às decisões de Herivelto Martins. Em 1942, o Trio de <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveiraedorivalcaymmi.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveiraedorivalcaymmi.jpg?w=274" border="0" alt="" /></a>Ouro atingiria o seu auge, fazendo de “<em>Praça Onze</em>” (Herivelto Martins – Grande Otelo), o maior sucesso do carnaval daquele ano. A canção “<em>Ave Maria no Morro</em>” (Herivelto Martins), fazia a voz de Dalva de Oliveira ecoar por todas as dores de um Brasil sofrido, numa grande prece lírica, como um bálsamo na ferida de um povo.<br />
Se Herivelto Martins era a cabeça do trio, Nilo Chagas os braços e pernas, Dalva de Oliveira era a alma, o coração, a essência da sua beleza musical. Na década de 1940, atingiram a fama incontestável. Apresentaram-se com sucesso nas noites do famoso Cassino da Urca, abarrotaram o mercado fonográfico com vários discos, e as rádios com grandes sucessos. Alcançavam não só a fama, como também a independência financeira.<br />
Nos bastidores, a paixão intensa e conturbada de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins ia desgastando o casamento de ambos, minando o equilíbrio do trio, produzindo traições conjugais, violentas brigas, até o rompimento definitivo do casal, em 1947, culminando com o fim do Trio de Ouro.</p>
<p><strong>A Rainha do Rádio</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira5.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira5.jpg?w=220" border="0" alt="" /></a>Com a separação de Herivelto Martins, Dalva de Oliveira viu-se solitária para dirigir a sua carreira. Não sabia que destino seguir. Atingira a fama ao lado do marido, não sabia o que era administrar uma carreira profissional.<br />
Após vários escândalos, brigas e traições, o casal declarou a falência do casamento em 1947. Dalva de Oliveira passou a seguir os seus impulsos, a sua emoção, descobrindo na embriaguez do álcool um antídoto traiçoeiro para as suas decepções de amor.<br />
Mesmo separados, Herivelto Martins não se desligava do sentimento de posse pela mulher, a quem, na sua visão, fizera uma estrela. Ao encontrá-la com outro, iniciou uma série de escândalos que se iriam tornar famosos, travando uma guerra pública que se estenderia por alguns anos, onde a munição era a música.<br />
O rompimento definitivo de Dalva de Oliveira com o Trio de Ouro veio quando, em 1949, realizavam uma excursão à Venezuela com a Companhia de Dercy Gonçalves. Herivelto Martins voltou ao Brasil, mas Dalva continuou naquele país, apresentando-se com o maestro Vicente Paiva.<br />
Sozinha, era hora de Dalva de Oliveira reiniciar a sua carreira e a sua vida amorosa. Ao retornar ao Brasil, encontrou grande rejeição por parte dos produtores da gravadora Odeon, que não acreditavam em uma carreira a solo da cantora, pressionando para que ela voltasse ao trio.<br />
Na imprensa, Herivelto Martins abria forte campanha de difamação da ex-mulher e ex-colega de trio. Dalva de Oliveira contava com o seu grande talento e com a sua voz de filetes agudos capazes de quebrar os mais finos cristais da MPB.<br />
A cantora encontrou o apoio decisivo para iniciar a sua carreira a solo em Vicente Paiva, na ocasião um dos diretores artísticos da gravadora Odeon. Vicente Paiva apostou no lançamento do samba-canção “<em>Tudo Acabado</em>” (J. Piedade – Osvaldo Martins), pondo o cargo à disposição caso o disco não se tornasse sucesso. A aposta <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira12.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira12.jpg?w=240" border="0" alt="" /></a>vingou e, a canção tornou-se um grande sucesso da cantora. Era o ponto de partida de uma carreira que superaria a fase do Trio de Ouro, transformando Dalva de Oliveira numa das maiores cantoras da MPB. “<em>Tudo Acabado</em>” servia de resposta às ofensas de Herivelto Martins, iniciando uma polêmica musical que encantaria o público e faria com que as gravadoras vendessem cópias e cópias de discos. A cada canção que Dalva de Oliveira gravava, vinha uma resposta em outra de Herivelto Martins. O momento tornou-se mítico nos bastidores da MPB, com a cantora a interpretar os clássicos “<em>Errei Sim</em>” (Ataulfo Alves) e “<em>Que Será</em>” (Marino Pinto – Mario Rossi).<br />
A briga pública com Herivelto Martins fez com que Dalva de Oliveira perdesse a guarda dos filhos, Pery e Ubiratan foram enviados para um internato por ordem judicial, causando grande dor à cantora e às crianças.<br />
Longe do Trio de Ouro, tudo que Dalva de Oliveira gravava tornava-se sucesso. Logo no primeiro ano a solo, conseguiu pôr nas paradas das rádios brasileiras sucessos que se tornaram inesquecíveis, como “<em>Olhos Verdes</em>” (Vicente Paiva), “<em>Zum-Zum</em>” (Paulo Soledade – Fernando Lobo) e “<em>Ave Maria</em>” (Vicente Paiva – Jaime Redondo).<br />
Em 1951, a cantora era a voz mais ouvida nas rádios. No ano seguinte, em 1952, Dalva de Oliveira foi eleita a Rainha do Rádio, a rainha da voz do Brasil. A menina Vicentina era incontestavelmente a Estrela Dalva.</p>
<p><strong>Novos Amores e Casamentos</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira9.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira9.jpg?w=208" border="0" alt="" /></a>Com a carreira consolidada, tendo o público brasileiro aos seus pés, Dalva de Oliveira iniciou uma série de excursões ao exterior, apresentando-se na Argentina, no Uruguai, no Chile e na Inglaterra.<br />
Na sua passagem pelo Reino Unido, cantou par a rainha Elizabeth II, no Hotel Savoy, acompanhada pelo maestro Robert Inglis. O repertório foi registrado em Londres, nos estúdios da Parlophone, sendo lançado em disco. O nome do maestro foi alterado no Brasil para Roberto Inglez, para facilitar a comercialização do álbum no país.<br />
Na sua excursão à Argentina, conheceria o empresário Tito Climent, quando se apresentava na Rádio El Mondo, em Buenos Aires. Iniciou com ele uma amizade, fazendo-o empresário, e, mais tarde, o seu segundo marido.<br />
O casamento com Tito Climent aconteceu em Paris, numa igreja de Montmartre, em 1952. Atravessaria a década de 1950 casada com o argentino, motivo que levou a cantora a ausentar-se do Brasil por um bom tempo, indo viver na Argentina. Sua união com o empresário não chegou a criar escândalos nos jornais como a que vivera com Herivelto Martins, mas nem por isto foi tranqüila. Brigas freqüentes minaram a ligação, que terminou em separação, em 1963. Com Tito Climent, a cantora adotou uma filha, Dalva Lúcia, motivo de disputa judicial entre o casal após a separação. A filha ficaria com o pai, permanecendo anos sem ver a mãe. O reencontro das duas aconteceria anos mais tarde, sendo promovido no Programa Silvio Santos, na TV Globo, em 1972.<br />
Separada de Tito Climent, viu-se outra vez sozinha e tendo que administrar a carreira, algo que ela, após dois casamentos, ainda não aprendera a fazer. Os excessos com o álcool passaram a ser cada vez mais constantes e públicos, sendo amplamente evidenciados pela imprensa de então. Seus romances relâmpagos tornaram-se parte dos escândalos que se tornaram mais intensos do que a sua carreira e sucessos.<br />
Aos 47 anos, a cantora apaixonou-se pelo jovem Manuel Nuno Carpinteiro, de 19 anos. A diferença de idade entre os dois não impediu que a relação crescesse, o rapaz tornar-se-ia o seu terceiro e último marido.</p>
<p><strong>O Ocaso de Uma Estrela</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira7.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira7.jpg?w=213" border="0" alt="" /></a>No decorrer dos anos, a era de ouro das grandes rádios terminou. O governo fechou e proibiu os cassinos no país, encerrando o glamour da época da Urca. As grandes e potentes vozes masculinas foram dando passagem para vozes suaves e afinadas como as de João Gilberto. A Bossa Nova encerrou a época dos sofridos samba-canções, das ingênuas marchinhas carnavalescas e do samba-exaltação ao Brasil.<br />
Dalva de Oliveira, com as suas mãos cruzadas no peito, sua emoção a exalar por todos os poros, passou a amargar um longo período de ostracismo. Os sucessos foram ficando cada vez mais raros.<br />
Como se não bastasse, a tragédia bateria à sua porta, em agosto de 1965. Numa noite, quando voltava de uma festa com o marido Nuno, iniciaram uma intensa discussão dentro do carro. A briga resultou em um grande acidente, em circunstâncias obscuras, que culminou com atropelamento e morte de três pessoas. Dalva de Oliveira foi internada em estado grave no hospital, deixando os fãs apreensivos, sem saber se ela escaparia com vida. Durante o período de internação, Manuel Nuno declararia à polícia que era a cantora quem dirigia o carro. Mais tarde, a cantora já recuperada, viu-se em apuros com a justiça. Nuno confessaria que era ele quem dirigia o carro, e que culpara a cantora pensando que ela não sobrevivesse. O jovem seria processado e absolvido pela responsabilidade na morte das pessoas. O que se passou de verdade, na hora do acidente entre os dois, jamais ficou claro. O acidente deixaria uma marca profunda na saúde da cantora, e uma grande cicatriz a riscar-lhe o rosto para sempre.<br />
A tragédia e o jogo de culpas levou o casal à separação. Dalva de Oliveira caminhou errante, abatida e envelhecida, entregando-se ao álcool e a amores fugazes. Limadas as mágoas, Dalva e Nuno reconciliaram-se tempos depois.<br />
Sentindo-se esquecida, Dalva de <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira4.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira4.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a>Oliveira sofreu longos períodos de depressão e tristeza. A fortuna e o sucesso, assim como vieram, pareciam ter passado para sempre. Muitas foram às vezes que teve que voltar para a sua casa, em Jacarepaguá, entrando pela parte da frente de um ônibus coletivo, pois não tinha dinheiro para pagar a passagem. Bêbada e solitária, deixava-se dormir na poltrona do coletivo, sendo acordada pelo motorista, que a deixava na porta de casa. No fim da vida, ia todo mês receber a sua aposentadoria, não como uma estrela, mas como uma cidadã brasileira comum.<br />
Nos anos sessenta, teve alguns sucessos pontuais, como “<em>Rancho da Praça Onze</em>” (João Roberto Kelly – Chico Anýsio) e “<em>Máscara Negra</em>” (Zé Kéti – Pereira Matos). Após uma longa ausência, retornaria às paradas em 1970, com um retumbante sucesso, “<em>Bandeira Branca</em>” (Max Nunes – Laércio Alves). Com a canção, Dalva de Oliveira pedia trégua ao ostracismo, aos amores, à vida. Parecia ter encontrado o seu Shangri-Lá na casa de Jacarepaguá.</p>
<p><strong>O Adeus à Estrela Dalva</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira13.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira13.jpg?w=229" border="0" alt="" /></a>O ano de 1972 começou com um breve retorno de Dalva de Oliveira à mídia da época. Ganharia um concurso de marchinhas de carnaval, no Programa Sílvio Santos, na TV Globo. No mesmo programa, reencontrar-se-ia com a filha Dalva Lúcia, a quem não via fazia alguns anos. Desde então, a cantora passou a ser citada mais vezes pela mídia.<br />
Mas a saúde precária da cantora interrompeu qualquer esperança de volta. Sozinha em casa, Dalva surpreendeu os funcionários da Rádio Globo, ao telefonar para lá pedindo socorro, pois estava a sentir-se muito mal. Socorrida, ela foi internada de emergência. A notícia causou um grande impacto no público, que passou a fazer vigília na porta do hospital. A internação foi demarcada por altos e baixos, com melhoras aparentes, tendo a imprensa a acompanhar a agonia da cantora, que persistiria por quase três meses. A atenção da imprensa só foi desviada devido à tragédia ocorrida em 18 de agosto daquele ano, quando um ataque cardíaco matou subitamente o grande ator e galã Sérgio Cardoso. O ano tinha sido de grandes perdas, assinalando também, a morte de Leila Diniz em um acidente de aviação em junho.<br />
Três dias antes de morrer, Dalva de Oliveira teria pressentido o seu fim, pedindo a Dora Lopes, amiga que a acompanhara durante a internação, que a vestisse e a maquiasse com o esmero que se acostumara a vê-la o povo. Profetizou ainda, que todos iriam parar para vê-la passar. No dia 30 de agosto de 1972, às 17h15, aos 55 anos, Dalva de Oliveira calava-se para sempre, deixando a vida e com ela, uma das mais belas carreiras da história da música brasileira.<br />
A morte da cantora comoveu o Brasil. Debaixo de uma chuva fria, milhares de pessoas compareceram ao Teatro João Caetano, no centro do Rio de Janeiro, onde o corpo de Dalva de Oliveira estava a ser velado. A vigília durou 17 horas, com uma fila que não se findava, todos querendo prestar a última homenagem. Amigos, familiares, artistas, políticos, todos encheram o velório de Dalva de Oliveira do brilho que ela sempre iluminou ao seu redor. Quando o corpo foi retirado do teatro, mais de trinta mil pessoas, aglomeradas na Praça Tiradentes, acenavam os seus lenços, derramando lágrimas pelo ídolo morto. O cortejo levou duas horas para <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira-enterro1972.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira-enterro1972.jpg?w=271" border="0" alt="" /></a>atravessar a cidade do Rio de Janeiro e chegar ao cemitério Jardim da Saudade. Como Dalva de Oliveira previra, a cidade e o seu povo pararam. Meio milhão de pessoas espalharam-se pelas calçadas dos bairros por onde o cortejo passou, num adeus à Estrela Dalva.<br />
A emoção que se alastrou pelo Brasil refletia bem quem fora Dalva de Oliveira, mulher de coragem e guerreira, que jamais se deixava inquietar pelas dores e adversidades. Desde criança que aprendera a crescer com as dificuldades. Teve o Brasil aos seus pés, mas jamais se comportou como diva. Tratou com carinho e amor todos os fãs, sem nunca ter sido acusada de estrelismo. Nunca perdeu a simplicidade, mesmo quando o mundo girava à sua volta. A sua emoção atingiu milhões de pessoas. Suas mãos cruzadas sobre o peito expressavam a força que vinha das entranhas, em um canto movido pela mais genuína emoção. No palco, ela transcendia-se em sangue, suor e lágrimas, como se fosse explodir em átomos todos os amores do mundo, fulminando a emoção com os seus agudos dilacerantes, mergulhada em uma das vozes mais belas que já abriram as cortinas da MPB.</p>
<p><strong>Discografia</strong></p>
<p><em><strong><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira3.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveira3.jpg?w=185" border="0" alt="" /></a>Álbuns de Carreira:</strong></em></p>
<p>1957 – Os Tangos Mais Famosos na Voz de Dalva de Oliveira – Odeon<br />
1958 – Dalva – Odeon<br />
1959 – Dalva de Oliveira Canta Boleros – Odeon<br />
1960 – Em Tudo Você – Odeon<br />
1961 – Dalva de Oliveira – Odeon<br />
1961 – Tangos – Odeon<br />
1962 – O Encantamento do Bolero – Odeon<br />
1963 – Tangos – Vol. II – Odeon<br />
1965 – Rancho da Praça Onze – Odeon<br />
1967 – A Cantora do Brasil – Odeon<br />
1968 – É Tempo de Amar – Odeon<br />
1970 – Bandeira Branca – Odeon</p>
<p><em><strong>Extras:</strong></em></p>
<p>1973 – O Amor é Ridículo da Vida – Odeon<br />
1980 – Grossas Nuvens de Amor – Odeon<br />
1987 – Dalva de Oliveira – Série Os Ídolos do Rádio Vol. V – Collector’s<br />
2000 – Dalva de Oliveira e Roberto Inglez e Sua Orquestra – Revivendo</p>
<p><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/dalvadeoliveiraheriveltomartinsenilochagas.jpg?w=300" border="0" alt="" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/764/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/764/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/764/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/764/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/764/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/764/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/764/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/764/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/764/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/764/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/764/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/764/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/764/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/764/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=764&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>CHARLES BAUDELAIRE &#8211; ABSINTO E FLORES DO MAL</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Jul 2010 05:33:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Charles Baudelaire, uma das mais controversas personalidades da literatura francesa, foi um dos maiores poetas universais de todos os tempos. Dedicou a sua vida à boemia embriagante e à força da palavra em forma da mais genuína emoção da poesia. Numa visão muitas vezes cáustica do mundo e da realidade, ele consegue impregnar a esta [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=745&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire1.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire1.jpg?w=274" border="0" alt="" /></a>Charles Baudelaire, uma das mais controversas personalidades da literatura francesa, foi um dos maiores poetas universais de todos os tempos. Dedicou a sua vida à boemia embriagante e à força da palavra em forma da mais genuína emoção da poesia.<br />
Numa visão muitas vezes cáustica do mundo e da realidade, ele consegue impregnar a esta visão o lirismo agudo, quase imposto à realidade. Homem de emoções extremas, dilapidou o seu dinheiro nas noites e cafés parisienses, entregando-se ao sabor do absinto, extraindo da bebida verde, reza a lenda, todas as alucinações poéticas do mundo.<br />
Viveu amores intensos, elevou a beleza da mulher em seus poemas, idolatrando-a e ao mesmo tempo, mostrando-se reticente e desconfiado, fazendo da paixão feminina o seu céu e inferno dilatados em um mesmo contesto lírico. Das paixões e dos leitos herdou a sífilis, mal que o consumiria por toda a vida. Do absinto, do ópio, do haxixe e dos excessos, definhou a saúde até perdê-la para a morte, com pouca mais de 46 anos de idade.<br />
Considerado obsceno e maldito ao publicar a obra poética “<em>As Flores do Mal</em>”, em 1857, Baudelaire teve o volume original amputado em seis poemas, sendo condenado pela justiça a pagar pesada multa por blasfêmia e obscenidade. Sua obra introduzia novos elementos na linguagem poética, onde o existencialismo era fundido em seus opostos, mostrando-se sublime e grotesco, numa atitude de rebeldia perene diante das moralidades sociais, indignando os mais conservadores da sua época.<br />
Buscando sempre por temas frívolos, a poesia de Baudelaire flerta com o romantismo levado ao extremo, sendo vista como precursora do Simbolismo, ou mesmo como antecedente ao Parnasianismo. Pouco compreendido e muito criticado no seu tempo, influenciou poetas como Paul Verlaine e Arthur Rimbaud, e conquistou a admiração de romancistas como Victor Hugo e Gustave Flaubert, passando de forma indelével pela intelectualidade francesa do século XIX.<br />
Baudelaire deixou uma obra única e intocável, com o lirismo a derramar sobre o céu e o inferno, a beleza e o medo, o anjo e o vampiro. Nos seus retratos, o rosto trazia um olhar duro e impenetrável, quase indomável, como a sua poesia.</p>
<p><strong>A Infância e o Convívio com o Padrasto</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire-emilederoy.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire-emilederoy.jpg?w=236" border="0" alt="" /></a>Considerado um dos ícones da poesia francesa, Charles-Pierre Baudelaire nasceu em Paris, em 9 de abril de 1821, na Rua Hautefeuille, número 13, onde hoje está localizada a Livraria Hachette. Filho de Joseph-François Baudelaire e de Caroline Archimbaut-Dufays, o pequeno Charles-Pierre viu-se órfão do pai muito cedo, que morreu quando ele tinha seis anos, sendo criado pela mãe e por sua enfermeira, Mariette, sob uma proteção feminina absoluta.<br />
O destino da criança mudaria bruscamente, quando sua mãe Caroline, casou-se em novembro de 1828, quase dois anos depois da morte do pai, com o militar Jacques Aupick. Começaria uma relação tensa entre a natureza libertária de Baudelaire e a rigidez de caserna do padrasto. O poeta jamais conseguiu gostar do padrasto, apesar de ter convivido a maior parte da infância e adolescência sob a sua tutela. Não se podia conciliar o caráter rebelde de um com a disciplina eloqüente do outro, gerando uma convivência acentuada pelas diferenças.<br />
A condição de militar brilhante e em ascensão permanente, fazia com que Jacques Aupick fosse periodicamente transferido de uma cidade para a outra. Em 1832, o então coronel foi transferido para Lyon, levando a família para ali morar no ano seguinte. Naquela cidade freqüentou o Colégio Real de Lyon. Na escola militar, Baudelaire sentiu a rigidez disciplinar e o estudo rigoroso a confrontar com a sua personalidade, gerando uma maior animosidade com o padrasto.<br />
Na adolescência, aos quinze anos, o poeta passou a freqüentar o Louis-Le-Grand, tradicional colégio de Lyon. Tornara-se um jovenzinho rebelde e insolente, tomado de empáfia que desagradava aos professores, culminando com a sua expulsão do estabelecimento, em 1839, por não querer mostrar ao mestre um bilhete que lhe havia passado um colega. Seria enviado para Paris para ali concluir o liceu.<br />
Para decepção da mãe e do padrasto, o jovem declara muito cedo a intenção de ser escritor. Mais uma vez entrava em confronto com os ideais do padrasto, que naquele ano fora promovido a general de Brigada.<br />
A relação de Baudelaire com o padrasto é uma página especial na biografia do poeta. Foi desta relação densa e delicada que surgiu o caráter rebelde, diluído em atitudes que desafiavam as convenções dos costumes morais e sociais da época. Foi após uma viagem com a mãe e o padrasto aos Pirineus, em 1838, que ao regressar, Baudelaire escreveria o poema “<em>Incompatibilité</em>”, já a evidenciar a sua característica inovadora na poesia de então. Por sua vez, Jacques Aupick seguiria uma carreira militar brilhante, distinguindo-se como general, chegando a ser embaixador e senador. O que deveria ser um exemplo a seguir por Baudelaire, contrastou-se com a sua índole de poeta e boêmio, fazendo que sempre procurasse o oposto da conduta disciplinada do padrasto.</p>
<p><strong>Vida de Excessos em Paris</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire-absintoverde.jpg"></a><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S3DQNTa-oTI/AAAAAAAAHS8/c-BscnSgb1k/s1600-h/Baudelaire+-+Nadar+1855.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire-absintoverde.jpg?w=226" border="0" alt="" /></a>Para amenizar as relações familiares, o jovem poeta aceitou seguir estudos na escola de Direito de Paris, a Ecole de Droit. Na capital francesa, passou a morar na famosa pensão para estudantes Lévêque Bailly. Ali fez amizade com diversos jovens boêmios, iniciando-se em um estilo de vida marcado pelos excessos e pelo desejo de transgredir, ir além dos limites morais do que lhe permitia o século XIX. Foi na pensão de estudantes que ele travou amizade com os poetas Gustave Vavasseur e Enerts Prarond.<br />
Em Paris, as noites frívolas do poeta distanciaram-no dos estudos. Entregou-se às descobertas do corpo e da mente. Deixou-se embalar pelo absinto, bebida de alto teor alcoólico, que ingerida em grandes quantidades produz alucinações, o que levou à sua proibição na Europa. Também o ópio e o haxixe tornaram-se familiares ao poeta. Durante aquele tempo, iria endividar-se todo.<br />
Totalmente seduzido pela noite, Baudelaire começava a descobrir os encantos da beleza feminina, que ele exalta como um esplendor de luz e de trevas, de desejos e de precipícios, de caminhos edênicos e labirintos tortuosos. Vive um intenso relacionamento amoroso com Sarah, uma prostituta de origem judia, conhecida na Cidade Luz como Louchette. Suas aventuras românticas e sexuais nos prostíbulos parisienses deixam-lhe sensações que encherão as páginas da sua poesia, mas também deixará uma triste e definitiva realidade, a contração da sífilis, doença que na época não tinha cura, e o acompanharia até a morte.</p>
<p><strong>Hymne à la Beauté (original)</strong></p>
<p>Viens-tu du ciel profond ou sors-tu de l’abîme,<br />
O Beauté? Ton regard, infernal et divin,<br />
Verse confusément le bienfait et le crime, <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire-absintoverde1.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire-absintoverde1.jpg?w=226" border="0" alt="" /></a><br />
Et l’on peut pour cela te comparer au vin.</p>
<p>Tu contiens dans ton oeil le couchant et l’aurore;<br />
Tu répands des parfums comme un soir oraguex;<br />
Tes baisers sont un philtre et ta bouche une amphore<br />
Qui font le héros lâche et l’enfant courageux.</p>
<p>Sors-tu du gouffre noir ou descends-tu des astres?<br />
Le Destin charme suit tes jupons comme un chien;<br />
Tu sèmes au hasard la joie et les désastres,<br />
Et tu gouvernes tout et ne réponds de rien.</p>
<p>Tu marches sur des morts, Beauté, dont tu te moques;<br />
De tes bijoux l’Horreur n’est pas le moins charmant,<br />
Et le Meurtre, parmi tes plus chères breloques,<br />
Sur ton ventre orgueilleux danse amoureusement.</p>
<p>L’éphémère ébloui vole vers toi, chandelle,<br />
Crepite, flambe et dit: Bénissons ce flambeau!<br />
L’amoureux pantelant incliné sur belle<br />
A l’air d’un moribond caressant son tombeau.</p>
<p>Que tu viennes du ciel ou de l’enferm qu’importe,<br />
Ô Beauté! Monstre enorme, effrayant, ingénu!<br />
Si ton oeil, ton souris, ton pied, m’ouvrent la porte<br />
D’un Infini que j’aime et n’ai jamais connu?</p>
<p>De Satan ou de Dieu, qu’importe? Ange ou Sirène,<br />
Qu’importe, si tu rends, – fée aux yeux de velours,<br />
Rythme, parfum, lueur, ô mon unique reine! –<br />
L’univers moins hideux et les instants moins lourds?</p>
<p><strong>Hino à Beleza (tradução)</strong></p>
<p>Virás do céu profundo ou surges do abismo, <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire-absinto.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire-absinto.jpg?w=224" border="0" alt="" /></a><br />
Beleza? O teu olhar, infernal e divino,<br />
Gera confusamente o crime e o heroísmo,<br />
E podemos, por isso, comparar-te ao vinho.</p>
<p>Conténs no teu olhar o poente e a aurora;<br />
Expandes os teus odores qual noite de trovoada;<br />
Teus beijos são um filtro e uma ânfora, a boca<br />
Tornando o herói covarde e a criança arrojada.</p>
<p>Vens da treva mais negra ou descerás dos astros?<br />
Encantado, o Destino é um cão que te segue;<br />
Semeias ao acaso alegrias, desastres,<br />
E por dominares tudo é que nada te interessa.</p>
<p>Caminhas sobre os mortos, que são o teu gozo;<br />
Das tuas jóias, o Horror é das que mais fascina,<br />
E entre tais enfeites, o próprio Assassínio,<br />
Vai dançando feliz no teu ventre orgulhoso.</p>
<p>O inseto, deslumbrado, procura-te a chama,<br />
Arde crepita e diz: Benzamos esta Luz!<br />
O apaixonado trêmulo, aos pés da sua dama,<br />
Parece um moribundo a afagar o sepulcro.</p>
<p>Mas que venhas do céu ou do inferno, que importa,<br />
Beleza! Monstro ingênuo, assustador, excessivo!<br />
Se o teu olhar, teus pés, teu riso, abrem a porta<br />
De um Infinito que amo e nunca conheci?</p>
<p>De Satanás ou de Deus, que importa? Anjo ou Sereia,<br />
Se tu tornas – ó fada de olhos de veludo,<br />
Ritmo, perfume, luz, ó rainha perfeita! –<br />
Mais leve cada instante e menos feio o mundo?</p>
<p><em>Tradução: Fernando Pinto do Amaral</em></p>
<p><strong>Atribulações da Juventude</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire-musas.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire-musas.jpg?w=296" border="0" alt="" /></a>Ao ver Baudelaire afastado dos estudos, contraindo cada vez mais dívidas, perdendo-se nas noites parisienses, a família decidiu enviá-lo em uma viagem para Calcutá, na Índia. Assim, sob pressão do padrasto, em junho de 1941, mesmo contrariado, o poeta embarcou no navio <em>Des Mers du Sud de Paquebot</em>, sob a supervisão do comandante Saliz.<br />
A viagem mostrava-se monótona para o poeta, que se fechou em um mau humor constante. Preferia estar em Paris, a divagar errante pelos cafés e prostíbulos. O navio parou nas Ilhas Maurício, seguindo para a Ilha da Reunião. Após passar por uma violenta tempestade, o navio foi obrigado a atracar em um estaleiro para reparos. Baudelaire já tinha decidido que não seguiria a viagem até o seu destino final. Na Ilha da Reunião, abandonou de vez o navio. Meses depois, o general Jacques Aupick receberia uma carta do comandante Saliz, sendo informado de que o enteado tinha abandonado o navio, não concluindo a viagem até Calcutá.<br />
Ao retornar a Paris, Baudelaire atingiria a maioridade, em 1842, tendo direito a receber uma herança de cerca de cem mil francos, deixada pelo pai. De posse da fortuna, passou a viver em um apartamento na ilha de Saint-Louis, em Paris. Começa a freqüentar as galerias de arte, aprofundando-se na matéria, tornando-se grande conhecedor e critico de arte, com grande influência no seu tempo. Abastado pela herança recebida, adquiriu um comportamento excêntrico, trajando roupas extravagantes, ganhando a reputação de dândi nos salões parisienses.<br />
Ainda em 1842, o poeta conheceu no Teatro Porte Saint-Antoine, a mulata Jeanne Duval, atriz figurante do Quartier Latin. A bela mulher também exercia a prostituição como ocupação. A mãe de Baudelaire desaprovava o romance, pelo fato da jovem ser mestiça. Por dois anos, o poeta viveu ao lado de Jeanne Duval, numa vida regada de drogas e álcool. Seria na beleza morena da jovem que ele encontraria inspiração para escrever diversos dos seus poemas, dedicando-lhe o ciclo de poemas “Vênus Negra”. O romance com Jeanne Duval terminou em grande decepção, quando ele soube, anos mais tarde, que ela tinha vivido com outro amante por meses, dizendo a Baudelaire que era o seu irmão.<br />
Em apenas dois anos, Baudelaire já havia gastado quase a metade da sua fortuna. Para evitar que ele dilapidasse os seus bens, a mãe entrou na justiça, em 1944, acusando-o de pródigo, pondo-o sob a guarda legal de um tutor, sendo Narcisse-Desejam Ancelle o escolhido. Para eliminar os inúmeros débitos contraídos, foi obrigado a viver com uma renda baixa, muita aquém daquela que estava acostumado a gastar excessivamente.<br />
Humilhado, Baudelaire sentiu-se desesperado com a nova condição social. Em 1945 tentou cometer suicídio, aumentando ainda mais a preocupação da mãe e do padrasto, que cogitaram a hipótese dele voltar a viver com eles em Paris. Mas ele preferiu continuar a viver sozinho, ainda que mais modestamente.<br />
Além de Jeanne Duval, Baudelaire viveria um romance com outra atriz, Marie Daubrun, tendo-a como amante entre 1855 e 1860. Outra paixão marcante foi pela cortesã Apollonie Sabatier. Todas foram fundamentais na obra do autor, que tomou a paixão por elas como abundante fonte inspiradora.</p>
<p><strong>À Une Passante (original)</strong><br />
<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire-florineve-ddiarte.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire-florineve-ddiarte.jpg?w=267" border="0" alt="" /></a><br />
La rue assourdissante autour de moi hurlait,<br />
Longue, mince, en grand deuil, douleur majestueuse,<br />
Une femme passa, d’une main fastueuse<br />
Soulevant, balançant le feston et l’ourlet;</p>
<p>Agile et noble, avec sa jambe de statue.<br />
Moi, je buvais, crispe comme un extravagant,<br />
Dans son oeil, ciel livide où germe l’ouragan,<br />
La douceur qui fascine et le plaisir qui tue.</p>
<p>Un éclair&#8230; puis la nuit! – Fugitive beauté<br />
Dont le regard m’a fait soudainement renaître,<br />
Ne te verrai-je plus que dans l’éternité?</p>
<p>Aileus, bieb loin d’ici! trop tard! jamais peut-être!<br />
Car j’ignore où tu fuis, tu ne sais où je vais,<br />
Ô toi que j’eusse aimée, ô toi qui le savais!</p>
<p><strong>A Uma Passante (tradução)</strong></p>
<p>A rua ia gritando e eu ensurdecia, <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire-florineveii-ddiarte.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire-florineveii-ddiarte.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a><br />
Alta, magra, de tudo, dor tão majestosa,<br />
Passou uma mulher que, com as mãos suntuosas,<br />
Erguia e agitava a orla do vestido;</p>
<p>Nobre e ágil, com pernas iguais a uma estátua.<br />
Crispado como um excêntrico, eu bebia, então,<br />
Nos seus olhos, céu plúmbeo onde nasce o tufão,<br />
A doçura que encanta e o prazer que mata.</p>
<p>Um raio&#8230; e depois noite! – Efêmera beldade<br />
Cujo olhar me fez renascer tão de súbito,<br />
Só te verei de novo na eternidade?</p>
<p>Noutro lugar, bem longe! é tarde! talvez nunca!<br />
Porque não sabes onde vou, nem eu onde ias,<br />
Tu que eu teria amado, tu que bem sabias!</p>
<p><em>Tradução: Fernando Pinto do Amaral<br />
</em><br />
<strong>Escândalo na Publicação de “<em>As Flores do Mal</em>”</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire-gustavecourbet.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire-gustavecourbet.jpg?w=300" border="0" alt="" /></a>Se a vida econômica e social de Baudelaire era um completo caos, o seu talento literário crescia vertiginosamente. Tornou-se um influente crítico de arte, destacando-se nas mostras anuais de pintura e de escultura, conhecidas como “Salão”. A partir do Salão de 1845, a sua crítica de arte avançou os costumes da época, definindo o princípio que iria seguir vários artistas de então.<br />
Em 1847, lançou “<em>Fanfarlo</em>”, único romance que escreveu, constituindo uma obra autobiográfica. No ano seguinte, em 1848, envolver-se-ia na revolta que assolou a França, ajudando na publicação de alguns jornais de protestos radicais. Não teve grande atuação no levante, saindo sem que se prejudicasse.<br />
A partir de 1852, Baudelaire passou a traduzir para o francês os textos do escritor norte-americano Edgar Alan Poe, de quem era um acirrado admirador. Concluiria a tradução em 1865.<br />
O momento mais importante e polêmico da vida e da obra de Baudelaire, dar-se-ia em 1857, quando da publicação da primeira edição de “<em>As Flores do Mal</em>”. Considerada a obra-prima de Baudelaire, “<em>As Flores do Mal</em>” trazia um volume com cem poemas. Numa linguagem inovadora, que oscilava entre o sublime e o grotesco, numa imposição lírica à realidade fria da vida. Ao abordar temas controversos para a época, como o lesbianismo e o satanismo, o livro escandalizou os leitores e os críticos. A edição foi publicada por um velho amigo do poeta, Poulet-Malassis. Menos de um mês após ser posto à venda, o livro sofreu uma mordaz crítica do jornal “<em>Le Figaro</em>”, com efeito devastador na carreira <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire3.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire3.jpg?w=217" border="0" alt="" /></a>de Baudelaire, sendo estigmatizado como poeta maldito. Baudelaire e o seu editor, Poulet-Malassis, foram acusados de obscenos, de atentarem à moral e aos bons costumes, sendo multados em quinhentos francos, sendo trezentos pagos pelo poeta e duzentos pelo editor do livro. Seis poemas foram considerados demasiadamente imorais, sendo-lhes proibida a publicação. Baudelaire escreveria seis novos poemas para substituí-los. Em 1861, quando do lançamento da segunda edição, acrescentaria outros trinta e cinco poemas. A edição completa, trazendo os poemas proibidos, só seria publicada a partir de 1911, muitos anos após a morte do autor.<br />
Por muito tempo Baudelaire freqüentou o famoso “<em>Club des Hashishins</em>”, formado por um grupo de fumantes de haxixe que se reuniam no Hotel Pimodan, onde o poeta viveu por um bom tempo. A experiência com as drogas resultaria no livro “<em>Paraísos Artificiais, Ópio e Haxixe</em>”, publicado em 1860, trazendo uma confissão pessoal e especulação sobre plantas alucinógenas, que teve inspiração parcial na obra do escritor inglês Thomas de Quincey, “<em>Confissões de Comedor de Ópio</em>”.<br />
Baudelaire ainda tentou candidatar-se à Academia Francesa de Letras, na esperança de agradar à mãe, elevar a sua carreira de escritor e perder o estigma de poeta maldito. Mas teve a sua pretensão desencorajada pelos amigos.</p>
<p><strong>Vítima e Carrasco de Si Mesmo</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire2.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire2.jpg?w=240" border="0" alt="" /></a>A dilapidação dos seus bens na boemia parisiense, fez com que Baudelaire mergulhasse a vida em dívidas, resignando-se ao controle rígido das medidas judiciais tomadas pela família. Viveu o resto da vida atolado em constantes crises financeiras. Quando o amigo e editor, Poulet-Malassis, viu-se impossibilitado de pagar as dívidas, nada pôde fazer para evitar que ele fosse preso.<br />
As dificuldades financeiras fizeram com que voltasse a viver com a mãe, em 1859, limitando-lhe cada vez mais a essência de liberdade do caráter. Paralelamente, a saúde passou a definhar. A partir de 1862, passou a queixar-se constantemente de dores de cabeça, vertigens, náuseas e pesadelos. Os efeitos colaterais da sífilis adquirida quando jovem, devastavam-lhe a saúde, impondo-lhe sintomas que lhe traziam a sensação de estar a enlouquecer.<br />
Para tentar amenizar a situação financeira, deixou a França, em 1863, rumando para Bruxelas, na Bélgica, na tentativa de conseguir um editor para publicar os seus livros. Na capital belga piorou ainda mais a saúde. Desde então, viveu obscurecido por inúmeras doenças de origem nervosa. Em 1965 sofreu um ataque de apoplexia, que se tornaria constante, levando-o a afasia e paralisia parcial. Em 1867, internou-se em uma casa de repouso por dois meses, retornando a Paris em 2 de julho. No dia 31 de agosto, esgotado monetariamente e fisicamente, Charles Baudelaire foi vítima de uma paralisia geral, morrendo assim como nascera, nos braços da mãe. Tinha 46 anos.<br />
Talvez o poema que mais descreva o caráter insólito e de radical contestação existencial de Charles Baudelaire seja “<em>Heautontimoroumenos</em>”, título inspirado em “<em>Heauton Timoroumenos</em>”, peça escrita no século IV a.C., pelo poeta ateniense Menandro, desaparecida ao longo dos tempos. Terêncio, dramaturgo romano, escreveu a versão em 163 a.C., tendo esta sobrevivido. Literalmente, quer dizer “o carrasco de si mesmo”, ou o que pune ou devora a si mesmo. Uma constante na obra de Baudelaire.</p>
<p><strong>L’Héautontimorouménos (original)</strong></p>
<p><em>À J.G.F.</em></p>
<p>Je te frapperai sans colère <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire-gravuraddigitalgimp.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire-gravuraddigitalgimp.jpg?w=214" border="0" alt="" /></a><br />
Et sans haine, comme um boucher,<br />
Comme Moïse le rocher<br />
Et je ferai de ta paipière,</p>
<p>Pour abreuver mon Saharah<br />
Jaillir les eaux de la souffrance.<br />
Mon désir gonflé d’espérance<br />
Sur tes pleurs salés nagera</p>
<p>Comme un vaisseau qui prend le large,<br />
Et dans mon coeur qu’ils soûleront<br />
Tes chers sanglots retentiront<br />
Comme un tambour qui bat la charge!</p>
<p>Ne suis-je pas un faux accord<br />
Dans la divine symphonie,<br />
Grâce à la vorace Ironie<br />
Qui me secoue et qui me mord</p>
<p>Elle est dans ma voix, la criarde!<br />
C’est tout mon sang ce poison noir!<br />
Je suis le sinistre miroir<br />
Où la mégère se regarde.</p>
<p>Je suis la plaie et le couteau!<br />
Je suis le soufflet et la joue!<br />
Je suis les membres et la roue,<br />
Et la victime et le bourreau!</p>
<p>Je suis de mon coeur le vampire,<br />
– Un de ces grands abandonnés<br />
Au rire éternel condamnés<br />
Et qui ne peuvent plus sourire!</p>
<p><strong>Heautontimoroumenos (tradução)</strong></p>
<p><em>À J.G.F.</em></p>
<p>Sem cólera te espancarei,<br />
Como o açougueiro abate a rês,<br />
Como Moisés à rocha fez!<br />
De tuas pálpebras farei, <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire4.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire4.jpg?w=240" border="0" alt="" /></a></p>
<p>Para o meu Saara inundar,<br />
Correr as águas do tormento<br />
O meu desejo ébrio de alento<br />
Sobre o teu pranto irá flutuar</p>
<p>Como um navio no mar alto,<br />
E nem meu saciado coração<br />
Os teus soluços ressoarão<br />
Como um tambor que toca o assalto!</p>
<p>Não sou acaso um falso acorde<br />
Nessa divina sinfonia,<br />
Graças à voraz Ironia<br />
Que me sacode e que me morde?</p>
<p>Em minha voz ela é quem grita!<br />
E anda em meu sangue envenenado!<br />
Eu sou o espelho amaldiçoado<br />
Onde a megera se olha aflita.</p>
<p>Eu sou a faca e o talho atroz!<br />
Eu sou o rosto e a bofetada!<br />
Eu sou a roda e a mão crispada,<br />
Eu sou a vítima e o algoz!</p>
<p>Sou um vampiro a me esvair<br />
– Um desses tais abandonados<br />
Ao risco eterno condenados,<br />
E que não podem mais sorrir!</p>
<p><em>Tradução: Ivan Junqueira</em></p>
<p><strong>Cronologia </strong></p>
<p><strong><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelairenadar1860.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelairenadar1860.jpg?w=247" border="0" alt="" /></a>1821 –</strong> Nasce, em 9 de abril, em Paris, Charles-Pierre Baudelaire.<br />
<strong>1827 –</strong> Morre, em fevereiro, Joseph-François Baudelaire, pai de Charles Baudelaire.<br />
<strong>1828 –</strong> Casamento da mãe, Caroline Archimbaut-Dufays, com o militar Jacques Aupick, em novembro.<br />
<strong>1832 –</strong> Transferência para Lyon do coronel Jacques Aupick. Baudelaire e a mãe mudam-se para aquela cidade.<br />
<strong>1833 –</strong> Baudelaire ingressa como interno no Collège Royal de Lyon.<br />
<strong>1836 –</strong> Jacques Aupick é nomeado para o Estado Maior do Exército em Paris, mudando-se com a família para a capital francesa.<br />
<strong>1838 –</strong> Viaja com a mãe e o padrasto para os Pirineus. Quando retorna, escreve o poema “<em>Incompatibilité</em>”.<br />
<strong>1839 –</strong> Em Paris, Baudelaire conclui o liceu. Jacques Aupick é promovido a general da Brigada.<br />
<strong>1840 –</strong> Passa a viver na pensão Lévêque Bailly, onde trava amizade com os jovens poetas Enerts Prarond e Gustave Le Vavasseur.<br />
<strong>1841 –</strong> Baudelaire é embarcado em um navio pelo padrasto, para Calcutá, na Índia. O jovem abandona o navio na Ilha da Reunião.<br />
<strong>1842 –</strong> Retorna à França. Inicia um romance com a jovem atriz mulata Jeanne Duval. Recebe 75 mil francos de herança deixada pelo pai. Vai viver para a Ilha de Saint-Louis, em Paris.<br />
<strong>1843 –</strong> Publica numa coletânea literária intitulada “<em>Vers</em>”. Muda-se para o Hotel Pimodan.<br />
<strong>1847 –</strong> Conhece a atriz Marie Daubrun, futura amante.<br />
<strong>1852 </strong>– Conhece Apollonie Sabatier, futura paixão. Publica o primeiro ensaio sobre o escritor norte-americano Edgar Allan Poe.<br />
<strong>1857 –</strong> Publicado a primeira edição de “<em>As Flores do Mal</em>”. O livro é classificado como amoral, obrigando Baudelaire e o seu editor a pagar multas. Seis poemas são proibidos.<br />
<strong>1859 –</strong> Passa a viver com a mãe em Paris.<br />
<strong>1860 –</strong> Morre Marie Daubrun, com quem o poeta vivera um romance desde 1855. Publica “<em>Paraísos Artificiais, Ópio e Haxixe</em>”.<br />
<strong>1861 –</strong> Publicada a segunda edição de “<em>As Flores do Mal</em>”, com trinta e cinco novos poemas. Candidata-se à Academia Francesa de Letras.<br />
<strong>1862 –</strong> Sua saúde começa a definhar, em decorrência da sífilis que contraíra quando mais jovem.<br />
<strong>1863 –</strong> Parte para Bruxelas, em busca de um editor que publique as suas obras.<br />
<strong>1865 –</strong> Sofre um ataque de apoplexia.<br />
<strong>1867 –</strong> Morre de paralisia geral, em 31 de agosto.</p>
<p><strong>OBRAS:</strong><br />
<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire-floresdomal.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/07/baudelaire-floresdomal.jpg?w=200" border="0" alt="" /></a><br />
1845 – Salon de 1845 (Salão de 1845)<br />
1846 – Salon de 1846 (Salão de 1846)<br />
1847 – La Fanfarlo (Fanfarlo)<br />
1857 – Les Fleurs du Mal (As Flores do Mal)<br />
1860 – Les Paradis Artificiels (Paraísos Artificiais, Ópio e Haxixe)<br />
1861 – Réflexions sur Quelques-Uns de Mes Contemporains<br />
1863 – Le Peintre de la Vie Moderne<br />
1868 – Curiosités Esthétiques (Curiosidades Estéticas)<br />
1868 – L’Art Romantique (A Arte Romântica)<br />
1869 – Le Spleen de Paris (O Spleen de Paris)<br />
1869 – Petits Poèmes en Prose (Pequenos Poemas em Prosa)<br />
1887 – Oeuvres Posthumes et Correspondance Générale<br />
1897 – Fusées<br />
1897 – Mon Coeur Mis à Un (Meu Coração Desnudo)<br />
1922 – Oeuvres Completes (19 volumes concluída publicação em 1953)<br />
1992 &#8211; Cristique D&#8217;Art; Critique Musicale</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/745/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/745/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/745/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/745/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/745/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/745/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/745/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/745/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/745/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/745/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/745/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/745/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/745/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/745/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=745&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>COPA DE 1970 E A DITADURA MILITAR</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jun 2010 04:07:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ditadura Militar]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura militar]]></category>

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		<description><![CDATA[Há quatro décadas a seleção brasileira conquistava o tri-campeonato de futebol mundial, no México. Sendo a primeira a almejar o título três vezes, desde que o campeonato fora estabelecido em 1930, tendo o direito de trazer para o solo brasileiro a taça Jules Rimet. A seleção brasileira de futebol de 1970 foi considerada por muitos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=743&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-tac3a7ajulesrimet.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-tac3a7ajulesrimet.jpg?w=231" alt="" border="0" /></a>Há quatro décadas a seleção brasileira conquistava o tri-campeonato de futebol mundial, no México. Sendo a primeira a almejar o título três vezes, desde que o campeonato fora estabelecido em 1930, tendo o direito de trazer para o solo brasileiro a taça Jules Rimet.<br />
A seleção brasileira de futebol de 1970 foi considerada por muitos a maior de todos os tempos. Ao arrematar em apoteose a taça, tomou para si o estigma de um feito heróico, num espetáculo transmitido pela primeira vez para o povo brasileiro através da televisão. Com forte cobertura na mídia de então, a vitória da seleção brasileira em 1970 foi usada como instrumento de propaganda do regime militar. Nunca o futebol seria tão bem explorado como propaganda de um governo no Brasil como o foi em 1970. A taça Jules Rimet foi erguida pelo próprio presidente de então, Emílio Garrastazu Médici.<br />
1970 foi um dos anos mais tensos da história do Brasil e do próprio regime militar implantado em 1974. No ano anterior as guerrilhas urbanas eclodiram pelo país, o seqüestro de um embaixador norte-americano pela esquerda oposicionista, revelou ao mundo o que até então os militares negavam veementemente, a existência de tortura no país. O ano da copa começou com outro seqüestro da esquerda, a do cônsul do Japão Nobuo Okushi. Iniciava-se uma sangrenta caça aos guerrilheiros. A finalidade era caçar a todos e eliminar, numa condenação à revelia a uma pena de morte pré-determinada.<br />
Momentos antes do início do campeonato, João Saldanha, técnico que classificara a seleção para a copa, foi afastado por motivos políticos, sendo substituído por Mario Jorge Lobo Zagallo. Feitas as arestas ideológicas, o Brasil entrou em campo, eliminando todos os adversários, numa atuação antológica de um elenco luxuoso, com Pelé, Tostão, Rivelino, Jairzinho, Gérson, Carlos Alberto Torres e Clodoaldo entre eles.<br />
Enquanto o povo delirava com os gols, a economia atingia o auge do que se chamou “<em>Milagre Econômico</em>”, mostrando um país próspero e feliz. Nas celas os presos eram torturados, mortos e desaparecidos. Nas rádios o hino da copa ecoava para os noventa milhões de brasileiros: “<em>Pra frente Brasil!</em>”<br />
A máquina de propaganda do regime militar nunca foi tão bem-sucedida como naquele ano, tendo como elemento principal a vitória da seleção, e a imagem heróica dos seus jogadores. Comparado a história contemporânea, o uso da imagem da seleção brasileira do tri-campeonato só perdeu para a propaganda do regime nazista, nas Olimpíadas de Berlim, em 1936.</p>
<p><strong>A Era do Milagre Econômico</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-mc3a9diciecarlosalberto.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-mc3a9diciecarlosalberto.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>Na época da Copa de 1970, o Brasil vivia o auge do que foi chamado de “<em>Milagre Econômico</em>”, que aconteceu de 1969 a 1973, coincidindo com o governo do presidente general Emílio Garrastazu Médici.<br />
O milagre econômico proporcionou o aumento do Produto Interno Bruto (PIB), que atingiu um crescimento anual de cerca de 11,2%, e uma inflação estabilizada em 18%. A produção industrial aumentou, proporcionando melhores níveis de emprego. A época coincidia com os juros baixos no mercado internacional, que passava por um momento de tranqüilidade, investindo fortemente nos países em desenvolvimento, visando os grandes recursos naturais dessas nações como fiança aos empréstimos concedidos. Também as multinacionais faziam os seus investimentos no país. A facilidade de créditos internacionais levaria o Brasil a contrair, na época do regime militar, a maior dívida externa da sua história.<br />
Durante o milagre, as indústrias automobilísticas <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-pelc3a9.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-pelc3a9.jpg?w=262" alt="" border="0" /></a>foram as que mais cresceram no país, gerando muitos empregos, e conseqüentemente, levando desenvolvimento a outros setores. Diante da prosperidade que parecia infindável, o governo militar aumentou a arrecadação de impostos.<br />
Para justificar a continuação da sua ilegitimidade e permanecer no poder, os militares investiam em fortes campanhas de propaganda. Frases que evidenciavam a exaltação militar eram vinculadas nas rádios, televisões e jornais, como “<em>Brasil, Ame-o ou Deixe-o</em>” , “<em>Ninguém Segura Este País</em>”, ou “<em>Pra Frente Brasil</em>”. A propaganda era estimulada através da música, de programas de televisão, jornais, revistas e rádios.<br />
Aproveitando-se da facilidade dos empréstimos internacionais, o milagre econômico gerou a era das obras monumentais, como a construção da Transamazônica, da ponte Rio-Niterói, da usina nuclear de Angra dos Reis, de barragens gigantescas, como a de Itaipu.<br />
No avesso da era do milagre, que beneficiou apenas a uma classe média emergente, estavam os arrochos salariais, favorecendo poucos capitalistas brasileiros e essencialmente, aos capitalistas de multinacionais. Os grandes investimentos estatais em obras colossais geraram mais o endividamento do país do que empregos seguros. Durante o período, houve quase que um abandono do governo aos programas sociais.<br />
<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-sc3admbolos2.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-sc3admbolos2.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>O fim do milagre aconteceu em 1973, com a crise do petróleo, que acabou com o combustível barato e gerou uma das mais agudas crises da econômica mundial. Na época o Brasil dependia da importação de 80% do petróleo consumido internamente. A dívida externa, que em 1967 era de U$ 40 bilhões, chegava em 1972, quando o milagre já estava no fim, a 97 bilhões de dólares.</p>
<p><strong>O Brasil Político nos Meandros da Copa de 1970</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-cruzeiro.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-cruzeiro.jpg?w=218" alt="" border="0" /></a>Nos bastidores da ditadura militar, nunca a contestação ao regime atingira tanta violência. Com a promulgação do Ato Institucional 5 (AI-5), em dezembro de 1968, ficaram suspensos todos os direitos de <em>hábeas corpus</em> a quem se opusesse ao regime ou fosse por ele declarado suspeito. O resultado foi o surgimento de organizações de esquerda que optaram pela guerrilha como forma de combater o regime militar. Entre as organizações que pegaram em armas estavam a Ação Libertadora Nacional (ALN), de Carlos Marighella; o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8); e, a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), de Carlos Lamarca.<br />
Em setembro de 1969, os guerrilheiros seqüestraram o embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick. A operação foi um sucesso, resultando na troca de quinze presos políticos pelo embaixador. Os prisioneiros foram postos em um avião e levados ao exílio. A vitória foi também política, pois evidenciou a prática da tortura, tantas vezes negada pelo regime militar. Em março de 1970, outro seqüestro seria realizado, a do cônsul japonês Nabuo Okushi. Mais uma vez o Brasil e o mundo assistiram ao embarque de presos políticos para o exílio. A humilhação levou o regime militar a usar como lema da sua propaganda política a máxima “<em>Brasil, Ame-o ou Deixe-o</em>”, numa alusão a expatriação dos presos políticos, que perdiam direito à nacionalidade brasileira.<br />
A resposta do regime militar aos seqüestros foi rápida e violenta. Em novembro de 1969, o líder da ALN, Carlos Marighella, foi morto em São Paulo. A Operação Bandeirantes (Oban), institucionaliza a tortura, prendendo e matando lideranças de esquerda, acossando cada vez mais os opositores ao regime. Em janeiro de 1970 foi criado os Centros de Operações para a Defesa Interna (CODI), e os Departamentos de Operações Internas (DOI), que juntos formaram o DOI-CODI, responsáveis pela prisão, tortura e morte de centenas de líderes de oposição.<br />
O cenário para ver a seleção brasileira brilhar na Copa de 1970 estava pronto. O de terror nos cárceres da ditadura também.</p>
<p><strong>João Saldanha, o Técnico Temido Pelo Regime</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-joc3a3osaldanha.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-joc3a3osaldanha.jpg?w=236" alt="" border="0" /></a>O presidente Emílio Garrastazu Médici, que entrou para a história como o mais truculento e de linha dura do regime militar, assumia diante do povo a imagem do pai da nação, preocupado com o bem-estar moral da população e o progresso do país. Fazia parte do pacote a sua paixão pelo futebol, chegando a intervir na própria concepção da seleção brasileira.<br />
Médici fazia questão de interar a imagem do governo com a do futebol, que na época tinha em campo o maior jogador do mundo, o incomparável Pelé. Em 1969, o Brasil aguardava com ansiedade o milésimo gol de Pelé. Quando o rei do futebol conquistou o seu feito, foi recebido em Brasília pelo presidente. Em novembro daquele ano, Pelé desfilava pela capital em carro aberto. Médici encerrava a apoteose do ídolo concedendo-lhe a medalha do mérito nacional e o título de comendador. Era apenas o início do namoro entre a propaganda política do Estado e o futebol brasileiro.<br />
A escalação da seleção que iria ao mundial de 1970 enfrentou vários problemas de percurso. João Saldanha foi o técnico que depois de uma árdua e sofrida luta, conseguiu classificar a seleção para a copa. Durante a escalação, espalharam-se rumores de que o presidente Médici queria ver o jogador Dario, o Dadá Maravilha, escalado. Os boatos, jamais confirmados oficialmente, irritaram João Saldanha, que declararia à imprensa uma de suas mais contundentes frases: “<em>O presidente escala o ministério dele que eu escalo o meu time</em>”. João Saldanha foi, em seguida, demitido da seleção, pouco antes de ela seguir para <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-selec3a7c3a3o.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-selec3a7c3a3o.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>o campeonato no México, sendo substituído por Mario Jorge Lobo Zagallo.<br />
O motivo da demissão de João Saldanha ia muito além da sua declaração intempestiva. Suspeito de simpatizar e militar no Partido Comunista Brasileiro (PCB), o governo temia que o técnico chegasse ao México com uma lista de presos políticos no bolso, e que, em entrevistas coletivas, denunciasse para o mundo a tortura e o desrespeito aos direitos humanos que o regime militar infringia ilimitadamente.<br />
Resolvido o grande impasse político, a seleção, sob a tutela do técnico Zagallo, partiu para o México, em busca do título de tri-campeão do mundo, entrando de maneira mítica para a história do futebol brasileiro.</p>
<p><strong>Pra Frente Brasil</strong></p>
<p><a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-mc3a9dicieatac3a7a.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-mc3a9dicieatac3a7a.jpg?w=300" alt="" border="0" /></a>De 31 de maio a 21 de junho, a Copa do Mundo de 1970 foi disputada no México. No dia 3 de junho de 1970, o Brasil disputava a sua primeira partida no Estádio Jalisco, em Guadalajara, contra Tchecoslováquia. No campo desfilava Pelé, Jairzinho, Tostão, Rivelino, Gérson, Piazza, Clodoaldo e tantos outros que seriam apontados como os componentes da maior seleção de todos os tempos. O Brasil venceria a Tchecoslováquia por 4&#215;1. Em 7 de junho, venceria a Inglaterra por 1&#215;0. Em 11 de junho, venceria a Romênia por 3&#215;2, passando para a segunda fase de forma magnífica, empolgando o país e o mundo.<br />
No Brasil, o povo acompanhava a seleção em jogos transmitidos pela primeira vez pela televisão. O impacto era visível. Poucos privilegiados deram-se ao luxo de ver a transmissão em cores, adiantando-se em dois anos à chegada da tecnologia ao país, que se confirmaria em 1972. No meio da vibração do povo, ecoava com grande sucesso por todo o país, o hino da copa, “<em>Pra Frente Brasil</em>”, de autoria de Miguel Gustavo.</p>
<p><em>“Noventa Milhões em ação,<br />
Pra frente Brasil,<br />
Do meu coração&#8230;<br />
Todos juntos vamos,<br />
Pra frente Brasil,<br />
Salve a seleção!”</em><br />
<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-capitc3a3odaselec3a7c3a3o.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-capitc3a3odaselec3a7c3a3o.jpg?w=239" alt="" border="0" /></a><br />
O sucesso do hino e a empolgação extasiante do povo, fizeram com que o governo começasse a usar a seleção como objeto de propaganda política. Paralelamente, no dia 11 de junho de 1970, em plena copa, os guerrilheiros executavam um novo seqüestro, desta vez ao embaixador alemão Von Holleben. O regime recrudesceu ainda mais, abarrotando as celas de presos políticos, intensificando a tortura e o número de mortos e desaparecidos.</p>
<p><em>“De repente<br />
É aquela corrente pra frente<br />
Parece que todo Brasil deu a mão&#8230;<br />
Todos ligados na mesma emoção&#8230;<br />
Tudo é um só coração!”</em></p>
<p>Em 14 de junho, a seleção brasileira derrotava o Peru por 4&#215;2. Em 17 de junho derrotou o Uruguai por 3&#215;1, passando para a fase final. No dia 21 de junho de 1970, o Brasil enfrentava a Itália, na Cidade do México. Numa das partidas mais emocionantes da história do futebol brasileiro, venceu os italianos por 4&#215;1, tornando-se tri-campeão mundial. Apagava de vez a fraca atuação na copa de 1966, na Inglaterra. O último titulo tinha vindo em 1962, no governo democrático de João Goulart. O Brasil assistia em frente à televisão, o capitão da seleção, Carlos Alberto Torres, a erguer a taça Jules Rimet, um troféu com quase quatro quilos de ouro. A taça era definitivamente do Brasil, seria trazido pela seleção para o país. Já no Brasil, em 1983, ela seria roubada e derretida pelos ladrões, desaparecendo para sempre.<br />
<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-malufeosjogadores.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-malufeosjogadores.jpg?w=237" alt="" border="0" /></a><br />
<em>“Todos juntos vamos,<br />
Pra frente Brasil!<br />
Brasil!<br />
Salve a Seleção”</em></p>
<p>No retorno, a seleção seria recebida pelo presidente Emílio Garrastazu Médici. O general ergueu vitorioso a taça Jules Rimet. A conquista do tri-campeonato passava a ser o maior triunfo da propaganda do regime militar. Outros pilares que sustentavam o regime militar, como o do então prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, tiraram proveito da popularidade da seleção, e, em 20 de julho, presenteava 25 fuscas aos jogadores e à comissão técnica, todos pagos com o cofre público. Anos mais tarde, Paulo Maluf teria um processo contra ele para que devolvesse o dinheiro à prefeitura paulistana, sendo inocentado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por duas vezes, em 1995 e, definitivamente, em 2006.<br />
O ano de 1970 era encerrado com mais um seqüestro da esquerda, desta vez ao embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher e, com mais de quinhentos presos políticos. A esquerda guerrilheira dava os seus últimos suspiros, e os seus principais líderes ou estavam presos, desaparecidos ou mortos pela ditadura.</p>
<p><strong>Duas Listas de 1970</strong></p>
<p><strong>Lista da Seleção de 1970</strong><br />
<a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970pelc3a9ejairzinho.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970pelc3a9ejairzinho.jpg?w=199" alt="" border="0" /></a><br />
Carlos Alberto Torres<br />
Clodoaldo Tavares de Santana<br />
Dario José dos Santos (Dadá Maravilha)<br />
Edson Arantes do Nascimento (Pelé)<br />
Eduardo Gonçalves de Andrade (Tostão)<br />
Eduardo Roberto Stinghen (Ado)<br />
Emerson Leão (Leão)<br />
Everaldo Marques da Silva<br />
Félix Miéli Venerando<br />
Gérson de Oliveira Nunes<br />
Hércules Brito Ruas (Brito)<br />
Jair Ventura Filho (Jairzinho)<br />
Joel Camargo<br />
Jonas Eduardo Américo (Edu)<br />
José de Anchieta Fontana (Fontana)<br />
José Guilherme Baldocchi (Baldocchi)<br />
José Maria Rodrigues Alves (Zé Maria)<br />
Marco Antônio Feliciano<br />
Paulo César Lima (Paulo Cezar Caju)<br />
Roberto Lopes de Miranda (Roberto Miranda)<br />
Roberto Rivelino<br />
Wilson da Silva Piazza (Piazza)</p>
<p><strong>Lista de Mortos Pela Ditadura Militar em 1970*</strong></p>
<p>Abelardo Rausch Alcântara<br />
Alceri Maria Gomes da Silva <a href="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-tortura.jpg"><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-tortura.jpg?w=292" alt="" border="0" /></a><br />
Ângelo Cardoso da Silva<br />
Antônio Raymundo Lucena<br />
Ari de Abreu Lima da Rosa<br />
Avelmar Moreira de Barros<br />
Dorival Ferreira<br />
Edson Neves Quaresma<br />
Eduardo Collen Leite<br />
Eraldo Palha Freire<br />
Hélio Zanir Sanchotene Trindade<br />
Joaquim Câmara Ferreira<br />
Joelson Crispim<br />
José Idésio Brianesi<br />
José Roberto Spingir<br />
Juarez Guimarães de Brito<br />
Lucimar Brandão Guimarães<br />
Marco Antônio da Silva Lima<br />
Norberto Nehring<br />
Olavo Hansen<br />
Roberto Macarini<br />
Yoshitame Fujimore</p>
<p>*Na lista não consta os mortos em 1970, cujos corpos nunca foram encontrados, sendo oficialmente dados como desaparecidos.</p>
<p><img src="http://jeocaz.files.wordpress.com/2010/06/copa1970-selec3a7c3a3o2.jpg?w=300" alt="" border="0" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/743/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/743/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/743/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/743/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/743/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/743/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/743/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/743/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/743/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/743/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/743/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/743/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/743/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/743/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=743&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>SÃO PAULO EM CHAMAS</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Jun 2010 06:22:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[cidades]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde os tempos mais remotos das grandes civilizações que as cidades urbanas são atingidas por catástrofes naturais, ou propositadamente produzidas pelo homem, ou ainda, simplesmente acontecidas por negligência. Em toda a história da humanidade, terremotos intensos varreram ou destruíram parcialmente grandes cidades e grandes monumentos. Lisboa, em Portugal, foi quase que totalmente destruída por um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=741&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2sc5jSRahI/AAAAAAAAHPM/MKGZvb0z_7M/s1600-h/Ed.+Joelma+1974.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2sc5jSRahI/AAAAAAAAHPM/MKGZvb0z_7M/s400/Ed.+Joelma+1974.jpg" border="0" alt="" /></a>Desde os tempos mais remotos das grandes civilizações que as cidades urbanas são atingidas por catástrofes naturais, ou propositadamente produzidas pelo homem, ou ainda, simplesmente acontecidas por negligência.<br />
Em toda a história da humanidade, terremotos intensos varreram ou destruíram parcialmente grandes cidades e grandes monumentos. Lisboa, em Portugal, foi quase que totalmente destruída por um terremoto, em 1755; e, São Francisco, nos Estados Unidos, por outro, em 1906. Erupções vulcânicas como a do Vesúvio, cobriram as cidades de Pompéia e Herculano, matando toda a população. Enchentes, maremotos e furacões juntam-se às catástrofes naturais. As guerras produzidas pelos homens destruíram cidades inteiras, como Babilônia e Jerusalém. Berlim e Londres foram devastadas por violentos bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial.<br />
Outra grande tragédia que assolou e ainda assola os centros urbanos são os incêndios. Suas origens são as mais diversas, desde a intenção dolosa, até a negligência na manutenção de casas, monumentos e prédios. A Roma antiga ardeu em uma grande fogueira no primeiro século da era cristã, nos tempos de Nero. Londres, Paris, Berlim, nenhuma grande cidade foi poupada de um grande incêndio em determinado momento da sua história. Um exemplo mais recente ocorreu em Lisboa, em 1988, quando o imenso bairro do Chiado foi totalmente destruído pelas chamas. Ainda agora, no século XXI, a capital portuguesa sofre com o incêndio de algum prédio em seu centro histórico.<br />
São Paulo, a maior cidade do Brasil, e uma das maiores do mundo, não ficou isenta de catástrofes causadas por grandes incêndios. Entre 1972 e 1981, três grandes incêndios abalaram a capital paulista, causando tragédias que comoveram o Brasil e o mundo. Os incêndios dos edifícios Andraus, Joelma e Grande Avenida, ocorridos em 1972, 1974 e 1981 respectivamente, deixaram um espetáculo de horror que jamais se extinguiu da lembrança dos paulistanos. Juntos, os incêndios causaram a morte de 221 pessoas e centenas de feridos. Curiosamente os três incêndios ocorreram no mês de fevereiro. Depois da tragédia, os edifícios foram restaurados, mas nunca perderam o estigma de serem amaldiçoados. Os três incêndios ainda hoje causam grande curiosidade e enigmáticas interpretações. Retratam em cores de fogo os momentos em que São Paulo teve a fumaça da sua poluição ofuscada pela fumaça das labaredas da tragédia, em um céu tingido por chamas.</p>
<p><strong>A Tragédia do Edifício Andraus</strong></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2sdH3fNfpI/AAAAAAAAHPU/1lU0sIvZixo/s1600-h/Ed.+Andraus+Inc%C3%AAndio.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2sdH3fNfpI/AAAAAAAAHPU/1lU0sIvZixo/s400/Ed.+Andraus+Inc%C3%AAndio.jpg" border="0" alt="" /></a>A expansão industrial de São Paulo deixou marcas definitivas na paisagem arquitetônica da cidade. Tornando-se o maior núcleo econômico do país, a população cresceu vertiginosamente. O centro histórico da cidade viu os seus grandes casarões demolidos, dando passagem para colossais edifícios.<br />
A verticalização da cidade começou ainda na década de 1920. O surgimento dos edifícios era tido como símbolo de modernidade na época. Considerado o pai dos grandes prédios, o Edifício Sampaio Moreira, construído na Rua Líbero Badaró, foi inaugurado em 1924. Tinha catorze andares, considerado pela população da época como excessivamente alto. Em 1929, o maior arranha-céu da América Latina da época, foi inaugurado na Avenida São João, o Edifício Martinelli. Tinha 1.267 dependências, distribuídas entre apartamentos, salões, restaurantes, <em>night clubs</em> e até mesmo uma igreja no 17º andar. Giuseppe Martinelli, proprietário e construtor do edifício, teve que ir morar no local, pois ninguém se atrevia a fazê-lo, com medo da altura. Aos poucos os arranha-céus tomaram conta da cidade, até que São Paulo virou um onipotente cinturão de concreto. Nada parecia afetar aqueles colossos que rasgavam a paisagem, quase que tocando as nuvens.<br />
Em 1957 foi lançada a primeira pedra de um edifício no número 32 da Rua Pedro Américo, na esquina com Avenida São João. Quando inaugurado, em 1962, tinha 115 metros e 32 andares. Era o imponente Edifício Andraus, construído por Roberto Andraus.<br />
No início da década de setenta, o Edifício Andraus era conhecido como “<em>Prédio da Pirani</em>”, por abrigar na época, no térreo, subsolo e primeiros andares, as Casas Pirani, loja muito conhecida pela população, que já não existe mais. Abrigava ainda, escritórios empresariais de importantes multinacionais, como a Siemes e, a Henkel; e empresas nacionais como a Petrobrás e Companhia Adriática de Seguros.<br />
Na tarde de 24 de fevereiro de 1972, o Edifício Andraus entraria para a história de São Paulo como o palco de uma das maiores tragédias da cidade. Por volta das <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2seD5g2jPI/AAAAAAAAHPs/Zgd1LBmeM5U/s1600-h/Ed.+Andraus+Fevereiro+1972.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2seD5g2jPI/AAAAAAAAHPs/Zgd1LBmeM5U/s400/Ed.+Andraus+Fevereiro+1972.jpg" border="0" alt="" /></a>16h15, labaredas começaram a arder na sobreloja das Casas Pirani, e numa proporção avassaladora, invadiu em poucos minutos todos os andares do edifício, atingido três prédios da Avenida São João e dois na esquina da Rua Aurora. Os paulistanos ficaram atônitos diante do fogo. Uma multidão tomou conta dos arredores, acompanhando o drama das pessoas que se viram prisioneiras das chamas nos andares do arranha-céu. Calcula-se que mais de duas mil pessoas estavam no prédio quando o fogo começou, concentradas essencialmente entre a primeira e a segunda sobreloja das Casas Pirani.<br />
Aos poucos uma imensa pira desenhava a tragédia nos céus paulistanos. No edifício, as pessoas eram acossadas pelo calor das labaredas e intoxicadas pela fumaça. No desespero de ter que escolher entre morrer queimado pelo fogo, ou asfixiado pela fumaça, muitos se atiraram das janelas ou do terraço, saltando para morte, caindo no chão da Avenida São João e no da Rua Pedro Américo.<br />
Pela primeira vez, a televisão brasileira transmitia uma tragédia nacional em tempo real. Em meio à agonia dos prisioneiros do fogo, um homem tentou impedir o amigo de se jogar do alto, agarrando-o pelas pernas, mas foi inútil, o homem viu o amigo flutuar no ar, deixando-lhe os sapatos nas mãos.<br />
O vento soprava as chamas para o lado da Avenida São João, formando um assustador volume de fogo, como não se viu em qualquer outro incêndio. Desesperadas, as pessoas aglomeravam-se no terraço do edifício. Somente uma hora depois do início do incêndio, às 17h15, o primeiro helicóptero conseguiu pousar no terraço. Ao desespero das pessoas, que se debatiam na ânsia de serem salvas, juntou-se ventos de trinta quilômetros por hora, dificultando a descida dos <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2sfOXF76YI/AAAAAAAAHQE/LNjJ_RP7ETQ/s1600-h/Ed.+Andraus+Atual+-+Marcelo+Barroso.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2sfOXF76YI/AAAAAAAAHQE/LNjJ_RP7ETQ/s400/Ed.+Andraus+Atual+-+Marcelo+Barroso.jpg" border="0" alt="" /></a>helicópteros. Aos poucos, helicópteros do governo de São Paulo, da prefeitura, da FAB e de particulares, conseguiam sucesso na operação de resgate. Mais de 300 pessoas foram tiradas do terraço, sendo levadas para o Campo de Marte, para a Praça Princesa Isabel, Congonhas e Campo do Palmeiras.<br />
Após 7 horas e 45 minutos, o fogo foi controlado e o incêndio extinto. Não se sabe ao certo onde o fogo começou, acredita-se que se iniciou nos cartazes de publicidade das Casas Pirani, postos sobre a marquise do prédio. Outras versões afirmam que o incêndio se deu a partir dos fundos do terceiro andar, na seção de crediário das Casas Pirani.<br />
Após o fim do incêndio, 16 pessoas tinham morrido, entre elas os executivos da Henkel, Ottmar Flick e Paul Jurgen Pondorf, presidente da empresa. 352 ficaram gravemente feridas. As imagens das pessoas atirando-se das janelas transmitidas pela televisão, correram o mundo, incitando pela primeira vez, os debates sobre a segurança em edifícios, até então pouco questionada e deliberadamente negligenciada.<br />
Completamente restaurado, o Edifício Andraus continua a ser um dos mais imponentes prédios do centro de São Paulo, sendo ironicamente, um dos mais seguros do mundo. Mas nunca tirou o estigma da tragédia, sendo visto pela população paulistana como um lugar fantasmagórico e amaldiçoado.</p>
<p><strong>Edifício Joelma, Sob o Estigma da Maldição</strong></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2sdZNFwHDI/AAAAAAAAHPc/NtNDRSq67gI/s1600-h/Ed.+Joelma+Inc%C3%AAndio.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2sdZNFwHDI/AAAAAAAAHPc/NtNDRSq67gI/s400/Ed.+Joelma+Inc%C3%AAndio.jpg" border="0" alt="" /></a>Em 1948, em uma casa da Rua Santo Antônio, no Bexiga, morava o professor Paulo Ferreira de Camargo, a sua mãe e duas irmãs. O cotidiano do local foi quebrado quando a polícia passou a investigar a denúncia do desaparecimento das mulheres da casa. No dia 23 de novembro daquele ano, as investigações culminaram com a descoberta de um poço no fundo da casa do químico, onde foram encontrados os corpos da mãe e das irmãs do morador, mortas 19 dias antes por ele. No exato momento em que se descobria os cadáveres, Paulo Camargo suicidou-se, sem nunca revelar a motivação de tamanha crueldade. Especula-se que teria sido vingança do professor contra a família, que seria contra o seu romance com a enfermeira Isaltina Florêncio dos Amaros. O caso ficou conhecido como “<em>O Crime do Poço</em>”. O local ficou estigmatizado como maldito.<br />
No decorrer dos anos, a casa do professor Paulo Camargo foi demolida. No terreno foi lançada, duas décadas depois do crime, a pedra de construção de um grande prédio. Em 1971, foi inaugurado no número 225 da Avenida Nove de Julho, um prédio de 25 andares, com uma fachada lateral voltada para a Praça da Bandeira, e os fundos para a Rua Santo Antônio. Era o Edifício Joelma, que entraria para história paulistana como o palco da maior tragédia com vítimas fatais em um prédio da cidade.<br />
O Edifício Joelma, construído em sentido contrário da casa de Paulo Ferreira de Camargo, ou seja, com as costas para a Rua Santo Antônio, era composto nos seus dez primeiros andares por estacionamentos, tendo os restantes ocupados em g<a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2sedknLJrI/AAAAAAAAHP0/hvgC2EY4fV0/s1600-h/Ed.+Joelma.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2sedknLJrI/AAAAAAAAHP0/hvgC2EY4fV0/s400/Ed.+Joelma.jpg" border="0" alt="" /></a>rande parte pelo Banco Crefisul. Apesar de tão alto, o prédio não possuía escada de incêndio, o que lhe seria fatal.<br />
Em 1 de fevereiro de 1974, o dia parecia normal para os funcionários do edifício. Cerca de 756 pessoas percorriam tranqüilamente pelos seus andares. Às 8h30, um funcionário ouviu o ruído de um vidro quebrando, vindo de um dos escritórios do 12º andar. Ao verificar, deparou-se com um aparelho de ar condicionado em curto-circuito. Correu para desligar o quadro de luz do andar, porém, quando retornou viu que o fogo espalhara-se em um rastilho pela fiação da parede, propagando-se pelas cortinas, e, rapidamente, alcançando as placas combustíveis do forro. O funcionário correu em busca de um extintor portátil, quando retornou, já não conseguiu entrar na sala, devido a fumaça intensa que o asfixiava. O homem subiu pelas escadas até o andar seguinte, alertando os ocupantes e pedindo ajuda para apagar o incêndio. Quando as pessoas tentaram chegar ao 12º andar, já não conseguiram adentrá-lo, pois o fogo já se propagara de forma incontrolável. Aos poucos foi tomando todo o prédio.<br />
Na falta de uma escada de incêndio, as pessoas começaram a ser retiradas habilmente pelos ascensoristas por elevadores, conseguindo assim, salvar várias vidas. Com a propagação do fogo, o sistema elétrico dos elevadores foi finalmente afetado, e, as viagens de resgate deixaram de ser possíveis. Em uma dessas viagens, treze pessoas morreram carbonizadas, sem que os seus corpos pudessem ser identificados. Foram <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2sg0BnUptI/AAAAAAAAHQc/x9o0IXnPTwU/s1600-h/Edificio+Joelma.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2sg0BnUptI/AAAAAAAAHQc/x9o0IXnPTwU/s400/Edificio+Joelma.jpg" border="0" alt="" /></a>enterradas no Cemitério de São Pedro. O episódio gerou lendas, e pessoas afirmam que ao passar pelo cemitério, ouvem choro e vozes a pedir por socorro. A lenda só aumenta o estigma da maldição ao prédio. Verdadeira é a história de uma ascensorista, que ao tentar ainda resgatar vidas, morreu no 20º andar, após realizar a sua ultima viagem de elevador.<br />
O corpo de bombeiros recebeu o primeiro chamado de socorro às 9h03, chegando ao local às 9h10. Encontraram um cenário catastrófico, já com o incêndio a propagar-se intensamente pela fachada para os andares superiores. O único alento era que no dia não havia ventos fortes soprando, e o vão que se formada entre o Edifício Joelma e o seu vizinho, o Edifício Saint Patrick, impedia que o fogo se alastrasse.<br />
Acossadas pelo fogo, as pessoas corriam para as laterais onde estavam os banheiros e para a parte mais alta do edifício. Muitas foram retiradas das aéreas dos banheiros através de escadas mecânicas.<br />
A tragédia que se abatera sobre o Edifício Andraus dois anos antes, repetia-se em maior escala no Edifício Joelma. No céu de São Paulo, pessoas se atiravam do alto do prédio em chamas, para que pudessem escapar ao calor que chegara aos 100 º C e à fumaça que os asfixiava. 40 pessoas lançaram-se naquele vôo mortal.<br />
Às 10h30 daquela manhã fatídica, o fogo já tinha consumido todo o material inflamável do prédio. Muitas pessoas procuravam resistir, permanecendo nos andares, a molharem-se com água das <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2sf002kr4I/AAAAAAAAHQM/HhMqVLB5v7s/s1600-h/Ed.+Joelma+Atualmente.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2sf002kr4I/AAAAAAAAHQM/HhMqVLB5v7s/s400/Ed.+Joelma+Atualmente.jpg" border="0" alt="" /></a>mangueiras, à espera de um resgate. Nem todas conseguiram, sendo mortas pelo calor ou pela fumaça. O heliponto do edifício da Câmara Municipal de São Paulo, vizinho ao Joelma, foi transformado em pronto-socorro.<br />
Às 13h30 todos os sobreviventes tinham sido resgatados. No balanço final, todo material combustível do 12º ao 25º andar tinha sido consumido pelo fogo. Pilares e vigas tiveram poucos danos, e a estrutura do edifício não foi afetada. Na parte humana, 188 pessoas morreram e mais de 300 ficaram feridas.<br />
O Edifício Joelma foi fechado durante quatro anos. Após intensa reforma, foi reaberto, em 1978, com outro nome: Edifício Praça da Bandeira, sendo assim chamado até os dias atuais. Mesmo reformado, o prédio é visto como maldito, gerando várias lendas urbanas que já se tornaram típicas da Paulicéia. Os habitantes da capital paulista evitam passar pelos arredores do edifício à noite. Muitos afirmam ouvir vozes e pedidos de socorro vindos dali. Superstição ou não, o local foi palco de duas tragédias, a de um crime macabro e a de um incêndio que ceifou quase duas centenas de vidas.</p>
<p><strong>Fogo na Avenida Paulista</strong></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2sdpTIfkrI/AAAAAAAAHPk/o38BM9uckSM/s1600-h/Ed.+Grande+Avenida+Paulista.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2sdpTIfkrI/AAAAAAAAHPk/o38BM9uckSM/s400/Ed.+Grande+Avenida+Paulista.jpg" border="0" alt="" /></a>Os incêndios dos edifícios Andraus e Joelma acirraram os debates populares que questionavam os sistemas de segurança nos prédios, de prevenção e combate a incêndio. Concluiu-se o óbvio após as deficiências serem evidenciadas nas duas tragédias ocorridas em dois anos: era preciso a implantação de uma legislação com normas de segurança para prédios, pois na época, o Código de Obras em Vigor era o de 1934, quando a cidade ainda começava a construir os seus arranha-céus, os aparelhos elétricos eram poucos e a cidade não chegava a um milhão de habitantes. Mas as medidas legais de segurança no combate a incêndio só foram implantadas em 1994 e 2001, através de decretos. 38 instruções técnicas para o aprimoramento da segurança nos edifícios foram publicadas em 2005. Antes da concretização de todas as providências legais, São Paulo assistiria a outro incêndio com grande número de vítimas fatais, o do Edifício Grande Avenida, na mítica Avenida Paulista.<br />
No inicio do século XX, a Avenida Paulista despontou como importante local de moradia das ricas famílias paulistanas, apresentando luxuosos palacetes. Com o decorrer das décadas, a majestosa avenida teve os seus palacetes demolidos, dando passagem para sofisticados edifícios, que passaram a concentrar a elite dos negócios paulistanos, instalando grandes bancos e empresas econômicas.<br />
Entre a arquitetura imponente da Avenida Paulista estava o Edifício Grande Avenida, localizado no número 1754, a poucos metros da esquina da Rua Peixoto Gomide. O prédio já havia desenhado o princípio de uma tragédia, quando foi palco de um incêndio, em 1969, que não atingiu grandes proporções.<br />
Em 1981, enquanto o Brasil acompanhava uma das mais acirradas rebeliões de presos em Jacareí, São Paulo assistiria a outro triste espetáculo de incêndio no mês de fevereiro. No dia 14, um sábado de carnaval, pouco antes do meio dia, uma sobrecarga de energia em uma rede elétrica antiga, já defasada para as necessidades de consumo da época, deu início às chamas na parte debaixo do Edifício Grande Avenida.<br />
As chamas atingiram, em pouco tempo, quase todo o edifício. O maior perigo iminente era de que o fogo atingisse o último andar, onde estava a torre de transmissão da TV Record, armazenando ali, mais de vinte latas de tintas para a pintura da torre, e, o óleo diesel que lhe mantinha o gerador em funcionamento. Dos 20 andares, <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2seus2L9_I/AAAAAAAAHP8/wQk63Uy-pl8/s1600-h/Ed.+Grande+Avenida+Incendio+1981.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2seus2L9_I/AAAAAAAAHP8/wQk63Uy-pl8/s400/Ed.+Grande+Avenida+Incendio+1981.jpg" border="0" alt="" /></a>apenas os três últimos não foram completamente destruídos pelo fogo. Paralelamente, uma ventania soprada de uma corrente vinda da Avenida Nove de Julho, atingia o prédio por trás, aumentando o volume de fogo.<br />
O incêndio evidenciava que mesmo numa avenida de grande importância econômica e social como a Paulista, as instalações de segurança eram precárias, descaracterizando a imponência dos seus prédios. Na época não existiam heliportos nos edifícios da avenida, o que obrigava os helicópteros a pousarem no vão da feira de antiguidades do Museu de Arte de São Paulo (MASP). Mais uma vez desfilavam pelas ruas paulistanas os comboios de bombeiros, vindos da Praça da Sé, adentrando a avenida através da Rua da Consolação ou da Avenida Brigadeiro Luís Antônio.<br />
Naquela manhã fatídica, o edifício estava praticamente vazio, pois era fim de semana de carnaval, funcionando apenas com funcionários de uma construtora com serviços em atraso e com os habituais empregados de segurança. Este detalhe evitou que se fizesse um grande número de vítimas, que em dias normais, poderia ter matado mais do que no malogrado Edifício Joelma.<br />
A Avenida Paulista, na época reduto de consulados, grandes empresas financeiras e bancos, chamou a atenção do mundo com aquele incêndio, sendo transmitido pela televisão para todo o planeta. Um dos momentos mais dramáticos do incêndio foi mostrado pela TV Globo no Jornal <em>Nacional</em>, quando o auxiliar de escritório Cosme Adolfo Barreira atirou os dois filhos, Luciano, de cinco a<a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2sgM2oAp6I/AAAAAAAAHQU/BycqgmR4n8I/s1600-h/Ed.+Grande+Avenida+atualmente.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2sgM2oAp6I/AAAAAAAAHQU/BycqgmR4n8I/s400/Ed.+Grande+Avenida+atualmente.jpg" border="0" alt="" /></a>nos, e Elaine de quatro; de uma altura de dez metros, na tentativa de salvá-los das chamas. Os três foram resgatados sem ferimentos graves.<br />
Quando o fogo foi dominado, a tragédia consumou-se em 17 mortos e mais de cinqüenta feridos. Mais uma vez os colossos de concretos de São Paulo mostraram-se vulneráveis e fatais.<br />
Outro grande incêndio ainda assolaria São Paulo, na década de oitenta. Em 1987, desta vez não em fevereiro, mas na noite de 21 de maio, incendiou-se os edifícios Sede 1 e Sede 2 da CESP (Companhia Energética de São Paulo), também na Avenida Paulista. No momento do incêndio, apenas funcionários da limpeza e manutenção estavam no local. Em junho de 1987, a estrutura comprometida pelo incêndio foi explodida por dinamites em exatos 4 segundos. Por quase duas décadas, o edifício onde fica parte do Center 3, ficou com os escombros da tragédia à mostra, estando até hoje inacabado.<br />
São Paulo dos arranha-céus, dos colossais cinturões de concreto, que olhada em uma visão instantânea parece inatingível, teve no mês de fevereiro, geralmente mês de chuvas e de calor, as labaredas do fogo a desnudar o gigante, mostrando-o palco de grandes tragédias que jamais serão esquecidas pelos habitantes da terra da garoa.</p>
<p><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2shcPxd2uI/AAAAAAAAHQk/gYu0Wl9WfUo/s400/Ed.+Joelma++Pessoas+Presas+na+Janela.jpg" border="0" alt="" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/741/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/741/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/741/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/741/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/741/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/741/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/741/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/741/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/741/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/741/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/741/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/741/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/741/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/741/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=741&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>RICARDO MACHADO VOLUME 2 &#8211; DESENHOS DE VOZ</title>
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		<pubDate>Mon, 31 May 2010 17:57:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[jeocaz lee-meddi]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[ricardo machado]]></category>

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		<description><![CDATA[Após a produção do álbum, “Corra e Olhe o Céu”, trabalho coeso, de imponente beleza lírica, apesar de um certo academicismo, Ricardo Machado lançou o segundo álbum, tendo como título apenas o seu nome, fugindo do intimismo do primeiro, trazendo uma obra mais ousada e aguda, mostrando-se solto e com coragem de cantar no tom [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=736&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TANR16zMpmI/AAAAAAAAIZI/It7SiD9IIk0/s1600/Ricardo+Machado+-+Capa+%C3%A1lbum.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TANR16zMpmI/AAAAAAAAIZI/It7SiD9IIk0/s400/Ricardo+Machado+-+Capa+%C3%A1lbum.jpg" border="0" alt="" /></a>Após a produção do álbum, “<em>Corra e Olhe o Céu</em>”, trabalho coeso, de imponente beleza lírica, apesar de um certo academicismo, Ricardo Machado lançou o segundo álbum, tendo como título apenas o seu nome, fugindo do intimismo do primeiro, trazendo uma obra mais ousada e aguda, mostrando-se solto e com coragem de cantar no tom que se lhe acentua a verdadeira acepção do timbre metálico, sem recorrer a histrionismos, ou perder a suavidade lírica com a qual torna as melodias em agradáveis cantos que se nos seduzem os sentidos.<br />
Mais seguro em cantar, Ricardo Machado, neste volume 2 de uma obra incipiente, propõe-se a mostrar sem máscaras a arte de interpretar. Não sendo fácil sobreviver apenas como intérprete em um mercado fechado, preconceituoso e aberto ao medíocre, o cantor compensa as limitações como compositor, escolhendo um repertório eclético e centrado no bom gosto, percorrendo canções clássicas, mas pouco exploradas, corajosamente tomando-as como suas, criando momentos únicos, impregnando-lhes uma identidade própria.<br />
Ricardo Machado, volume 2, não traz um repertório tão vincado nas profundezas dos sentimentos como no primeiro álbum, mas não foge da obsessão sublime do cantor em cantar o amor, munindo-se do que há de melhor dentro da Música Popular Brasileira, sem jamais se mostrar meloso ou recorrer ao drama, ou ao canto fácil. Traz, principalmente, a afirmação de uma voz, que se mostra mais potente e com vontade de arriscar tons, navegar na que se lhe torna imprescindível, os agudos, dom que as vozes masculinas muitas vezes não se sentem à vontade em explorar.<br />
Mais leve que o primeiro, este álbum consolida-se pela beleza estética de uma voz esculpida em um ínfimo procurar pela perfeição técnica, quebrando-se em metal suave quando traduzida na mais límpida emoção.<br />
Concluído o que se iniciou com o artigo “<em>Corra e Olha o Céu – Ricardo Machado</em>”, aqui a apresentação de um jovem e promissor cantor, numa época em que se tem carência de boas produções musicais e de novos talentos que se propõem a soprar um canto de beleza dentro de um cenário enevoado e demarcado por nuvens de produções instantâneas. Aqui, análise contundente do álbum “<em>Ricardo Machado – Volume 2</em>”.</p>
<p><strong>Agudos Fulminantes em Proposta Romântica<br />
</strong><br />
<a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPkQthy6sI/AAAAAAAAIZY/3dGSRBR3aMQ/s1600/Ricardo+Machado+-+Virtu%C3%A1lia+Jeocaz+Lee-Meddi.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPkQthy6sI/AAAAAAAAIZY/3dGSRBR3aMQ/s400/Ricardo+Machado+-+Virtu%C3%A1lia+Jeocaz+Lee-Meddi.jpg" border="0" alt="" /></a>Com uma capa que fragmenta várias fotografias do cantor trazendo o microfone como apresentação da sua proposta, acentuando o contraste entre o azul do fundo do cenário, a camisa preta e a pele branca, o álbum, em uma primeira visitação ao invólucro, mostra-se discreto. Produzido e idealizado pelo próprio cantor, traz os arranjos coesos de Ricardo Calafate, o mesmo que se lhe apresentou no primeiro trabalho.<br />
“<em><strong>Seduzir</strong></em>” (Djavan), cantado em capela, surge em forma de vinheta, mostrando a delicadeza da voz de Ricardo Machado. Em um convite suave, ouve-se:</p>
<p><em>“Cantar é mover o dom<br />
do fundo de uma paixão (&#8230;)<br />
(&#8230;) Revelar todo o sentido”</em></p>
<p>E será do fundo das paixões, do âmago do dom do canto, que se erguerá todo o álbum. Após o singelo, mas contundente convite da vinheta, entramos na atmosfera do disco propriamente dito. “<em><strong>Quem Tem a Viola</strong></em>” (Zé Renato – Chico Chaves – Cláudio Nucci – Juca Filho), abre-se surpreendente. Ricardo Machado chega seguro, límpido, longe do intimismo lírico que a canção proporciona, arriscando um tom mais alto e o metal da voz, dando ritmo aos violões, eclipsando agudos e cordas de aço e nylon, num contraste atraente, quebrando a limitação de toada épica do original, fazendo-a mais pop e moderna. Já no início, percebe-se que a ousadia vence o medo de querer acertar, e a vontade de mostrar o que se manteve escondido até então, a força de uma voz liricamente vibrante. Quando pronuncia as palavras “<em>metal</em>” e “<em>cristal</em>”, os agudos fulminam os violões, sendo suavizados nos vocais do próprio cantor, que nos mostram as possibilidades de uma voz privilegiada. <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPqNiseknI/AAAAAAAAIaI/K0YtUo343FU/s1600/Ricardo+Machado+5.JPG"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPqNiseknI/AAAAAAAAIaI/K0YtUo343FU/s400/Ricardo+Machado+5.JPG" border="0" alt="" /></a></p>
<p><em>“Quem tem a viola<br />
Pra se acompanhar<br />
Não vive sozinho<br />
Nem pode penar<br />
Tem som de rio<br />
Numa corda de metal<br />
Tem o mar num acorde final”</em></p>
<p>“<em><strong>Sem Dizer Adeus</strong></em>” (Paulinho Moska), uma canção que toca na mais profunda emoção dos sentimentos, numa veia dramática latente, que, de tão rascante na mensagem contundente, chega a beirar às raias do brega se interpretada de forma errada. Ricardo Machado não tem medo de ir ao romantismo mais vincado das canções, mergulhando de cabeça, emergindo sóbrio, lírico, apaixonante. A voz está límpida, não abusa dos agudos, não percorre as feridas da letra, vai ao fundo da emoção, ampliando a latente lírica da voz, traduzida em pura beleza que de suave, corta como uma lâmina.</p>
<p><em>“Eu<br />
Chorei até ficar debaixo d’água<br />
Submerso por você<br />
Gritei até perder o ar<br />
Que eu já nem tinha pra sobreviver (Eu andei&#8230;)”</em></p>
<p><strong>Um Clássico Imprescindível do Jazz</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPk6wkDovI/AAAAAAAAIZg/GAconpHS060/s1600/Ricardo+Machado+-+Virtu%C3%A1lia+Jeocaz+Lee-Meddi+7.JPG"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPk6wkDovI/AAAAAAAAIZg/GAconpHS060/s400/Ricardo+Machado+-+Virtu%C3%A1lia+Jeocaz+Lee-Meddi+7.JPG" border="0" alt="" /></a>Vamos desaguar, surpreendentemente na mítica “<em><strong>My Funny Valentine</strong></em>” (Richard Rodgers – Lorenz Hart). Feita para um musical da Brodway, “<em>Babes in Arms</em>”, em 1937, a canção tornou-se um clássico do jazz, passando pelos repertórios de Chet Baker, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald e Jimmy Giuffre.<br />
Ao contrário do que se pensa, é uma mulher quem canta para o seu amado, Valentine (palavra muitas vezes erroneamente traduzida como namorada [o]), onde acentua os defeitos do amado, mostrando-o não belo ou inteligente, mas que no final, pede para que não mude um fio de cabelo se a amar. São Valentino, Valentine, em inglês, é o santo dos casais apaixonados, sendo o dia dos namorados comemorado no seu dia em muitos países. Daí o arremate final da canção, “Each <em>day is Valentines’s Day</em>” (todo dia é dia dos namorados). Sabendo-se da origem da canção, fica mais fácil situá-la dentro do contexto do álbum. O que parece ser algo “<em>cool</em>” e isolado, interliga-se na proposta que Ricardo Machado quer dar, cantar o amor. Começa intimista, opta por uma canção em inglês que, aparentemente doce, é uma sátira ao amado, e ao mesmo tempo, uma declaração de amor sincera, sem máscaras. É este tipo de amor que canta Ricardo Machado, que se expõe em rasgos abertos e despidos, mas que se retrai ao dramático, fincando-se no lírico, na suavidade da poesia.<br />
Interpretação aparentemente “<em>cool</em>”, ele vai, aos poucos, intencional ou intuitivamente, atingindo o universo dos autores, Richard Rodgers e Lorenz Hart, traduzindo aquela atmosfera do jazz branco dos judeus de Nova York. Se o intimismo inicial sugere a interpretação politicamente correta, Ricardo Machado agarra a atmosfera, solta-se na emoção do verso final “<em>Stay little Valentine, Stay</em>” (Fique, <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPrN8mIMEI/AAAAAAAAIaY/Tf7y9O7fXvs/s1600/Ricardo+Machado+10.JPG"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPrN8mIMEI/AAAAAAAAIaY/Tf7y9O7fXvs/s400/Ricardo+Machado+10.JPG" border="0" alt="" /></a>pequeno namorado, ou pequeno Valentine, conforme o jogo de palavras). Neste momento a voz vem quente, embriagante, mostrando porque “<em>My Funny Valentine</em>”, uma canção feminina, tornou-se através do tempo, essencial nas vozes masculinas. Ricardo Machado consegue manter o segredo da usurpação pelos homens do clássico. Numa primeira leitura do disco, perguntamos o que esta música está ali a fazer, no meio do repertório. Numa segunda audição, vamos perceber o elo, a essência do cantor, que mesmo quando se quer revelar docemente marginal, é vencido pela estética lírica inconfundível do seu canto.</p>
<p><em>“But don’t change your hair for me<br />
Not if you care for me<br />
Stay little Valentine, stay!<br />
Each day is Valentine’s Day”</em></p>
<p><strong>Prelúdio e Primeiro Clímax</strong></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPjBJRTn2I/AAAAAAAAIZQ/hsLo_3TAfds/s1600/Ricardo+Machado+-+Virtu%C3%A1lia+Jeocaz+Lee-Meddi+6.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPjBJRTn2I/AAAAAAAAIZQ/hsLo_3TAfds/s400/Ricardo+Machado+-+Virtu%C3%A1lia+Jeocaz+Lee-Meddi+6.jpg" border="0" alt="" /></a>“<em><strong>Primavera</strong></em>” (Cassiano – Silvio Rochael), acentua a clareza da pronúncia das palavras na voz do cantor, que elimina qualquer sotaque regionalista, ampliando a beleza estética da poesia, milimetricamente articulada. Mais uma vez os vocais do cantor embelezam a canção, proporcionando-lhe um toque melódico envolto na extensão da sua voz. O passionalismo à flor da pele emerge quando o cantor pronuncia “<em>meu amor</em>”, numa verdade que se amplia incontestável, chegando aos nossos ouvidos diluída mais uma vez, pelo lirismo que provoca, fazendo do drama uma paisagem primaveril suave, do amor com o gosto quente do sangue e da carícia poética de uma brisa macia. Não é o melhor momento do disco, que ainda estar por vir, mas é o prelúdio, é a voz que já não se contenta em ser comportada, que quer subverter o potencial que se lhe negam os sofismas dos professores de música. É o canto já amadurecido, pronto para hipnotizar quem que se lhe ouse a ouvir.</p>
<p><em>“Eu, é primavera, te amo<br />
É primavera, te amo meu amor<br />
Trago esta rosa para te dar<br />
Trago esta rosa para te dar<br />
Meu amor”</em></p>
<p>E para quem percorreu todas as faixas à procura de um momento que se atinja o ápice, “<em><strong>Autonomia</strong></em>” (Cartola) proporciona a concretização deste instante. Ricardo Machado já havia navegado com segurança no universo de <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPrphv_rJI/AAAAAAAAIag/J1ReEh5L6VI/s1600/Ricardo+Machado+-+Encarte+2.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPrphv_rJI/AAAAAAAAIag/J1ReEh5L6VI/s400/Ricardo+Machado+-+Encarte+2.jpg" border="0" alt="" /></a>Cartola, gerando bons momentos no álbum anterior com “<em>Corra e Olhe o Céu</em>” (Cartola – Dalmo Casteli) e “<em>Acontece</em>” (Cartola). Mas é nesta faixa que se revela um profundo tradutor da emoção do velho mestre, e, brinda-nos com uma das mais sublimes, senão a melhor, interpretação de “Autonomia”. O amor como prisão consentida, o sentimento que de opção, torna-se o ar, a perda da liberdade ante outra vida. Cartola sabe como ninguém tocar na sensibilidade das relações, das paixões sinceras. Ao contrário do que aconteceu no disco anterior, aqui Ricardo Machado não se atém ao acadêmico, entrega-se de corpo e alma à canção. Faz da poesia a palavra cantada, dilacerada pela emoção. A sua voz alcança a beleza estética que tanto foi sugerida, em um momento de pura emoção lírica, atingindo um apogeu no fim das estrofes, revelando finalmente o timbre ideal, perseguido e traduzido na essência. Nesta interpretação, o cantor é revelado em seu esplendor vocal.</p>
<p><em>“É necessário a nova abolição<br />
Pra trazer de volta a minha liberdade<br />
Se eu pudesse gritaria, amor<br />
Se eu pudesse brigaria, amor<br />
Não vou, não quero”<br />
</em><br />
<a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPtH4bl0aI/AAAAAAAAIaw/PhGmcLcm7B0/s1600/Ricardo+Machado+1.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPtH4bl0aI/AAAAAAAAIaw/PhGmcLcm7B0/s400/Ricardo+Machado+1.jpg" border="0" alt="" /></a>E o bom momento do álbum segue com “<em><strong>Fadas</strong></em>” (Luiz Melodia), atingindo outro ápice. Luiz Melodia é daqueles compositores que crava no existencialismo solto em palavras que sugerem imagens, fragmentos de momentos. Suas canções têm um toque que se casam com a voz feminina. Ricardo Machado mostra-se extremamente seguro, em um à vontade que lhe permite conduzir com brilho os fragmentos poéticos da mensagem do autor. Os bandolins simulam as guitarras portuguesas, dando um toque de fado contemporâneo, leve e sem o gosto da lágrima. Suave, de ritmo que se mescla entre uma valsa e um fado, proporcionando um dos pontos altos do cantor, que aqui já se faz soberano, encantador, usando do privilégio rítmico que só os que nascem com o dom do cantar conseguem atingir sem que se esforce muito. Ricardo Machado absorve todos os movimentos de idas e vindas da poesia rabiscada do compositor das quadras do Estácio.</p>
<p><em>“Devo de ir, fadas<br />
Inseto voa em cego sem direção<br />
Eu bem te vi, nada<br />
Ou fada borboleta, ou fada canção”</em></p>
<p><strong>Visita aos Anos Oitenta e Um Outro Momento Mágico</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPl5d9YS9I/AAAAAAAAIZo/UiFNWKaAvk4/s1600/Ricardo+Machado+-+Encarte.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPl5d9YS9I/AAAAAAAAIZo/UiFNWKaAvk4/s400/Ricardo+Machado+-+Encarte.jpg" border="0" alt="" /></a>“<em><strong>Noite do Prazer</strong></em>” (Arnaldo Brandão – Cláudio Zolli – Paulo Zdanowski) dá uma quebra momentânea ao clima alcançado pelas faixas anteriores. Traz a leveza estética que lhe é peculiar. Exercício contundente para a voz, que desde a primeira faixa mostrou-se ancha. Sucesso dos anos oitenta, a canção não se furta em deixar um leve trave de uma época que já se foi. Ricardo Machado consegue articular todas as palavras, principalmente no verso “<em>tocando B. B. King sem parar</em>”, desfazendo a ambigüidade que sempre se lhe ficou enraizada, quando todos cantaram “trocando de biquíni sem parar”. Cumpre bem a proposta, mas não empolga. É o momento menor de um disco brilhante. É como se o cantor deixasse nos anos oitenta o seu fascínio pela canção. <em>“Noite do Prazer</em>” chega sem fôlego, visivelmente datada, presa aos resquícios da geração do desbunde, que dava os seus últimos suspiros na década da queda das ideologias.</p>
<p><em>“A noite vai ser boa<br />
De tudo vai rolar<br />
De certo que as pessoas<br />
Querem se conhecer<br />
Se olham e se beijam<br />
Numa festa genial”</em></p>
<p>Mas as surpresas não se findaram, pelo contrário, chega com fôlego um outro grande momento, “<em><strong>Desenho de Giz</strong></em>” (João Bosco – Abel Silva). Cantando inicialmente em um tom mais grave, Ricardo Machado navega na canção com domínio <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPqtNOpk7I/AAAAAAAAIaQ/4oF33bAwtOI/s1600/Ricardo+Machado+14.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPqtNOpk7I/AAAAAAAAIaQ/4oF33bAwtOI/s400/Ricardo+Machado+14.jpg" border="0" alt="" /></a>técnico, perdendo-o por instantes para a emoção, alcançado o lirismo supremo vociferado por agudos perfeitos, magnetizando o metal da voz, atraindo como um ímã os ouvintes. Veste-se de sublime coragem para cantar o amor e os seus labirintos, sem fazê-lo extenuante, sem que lhe embace a delicadeza poética. As palavras sopradas e articuladas com perfeição, uma característica do cantor, perdem o academicismo proposto no primeiro álbum, ganhando a dimensão lírica do timbre metálico, a emoção vincada quando traduzidas na melodia, diluindo-se em efeitos provocados pelas várias vozes aqui por ele usadas. Consegue conciliar a pronúncia silábica com o lirismo extenuante da voz, unindo de forma estética definitiva a poesia e a melodia, impregnando-lhe a suavidade de um canto conduzido pelo etéreo. Assim como em “<em>Autonomia</em>”, a voz de Ricardo Machado expele beleza, desenhando não uma estética de giz, mas de sofisticada nanquim tatuada na pele dos sentimentos.</p>
<p><em>“Quem quer viver um amor<br />
Mas não quer suas marcas, qualquer cicatriz<br />
A ilusão do amor<br />
Não é risco na areia, é desenho de giz<br />
Eu sei que vocês vão dizer<br />
A questão é querer desejar, decidir<br />
Aí diz o meu coração<br />
Que prazer tem bater se ela não vai ouvir”</em></p>
<p><strong>Frenética Arrancada Final</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPnMH_qHpI/AAAAAAAAIZ4/-Z576xNLrfQ/s1600/Ricardo+Machado+-+Virtu%C3%A1lia+3.JPG"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPnMH_qHpI/AAAAAAAAIZ4/-Z576xNLrfQ/s400/Ricardo+Machado+-+Virtu%C3%A1lia+3.JPG" border="0" alt="" /></a>“<em><strong>Perdão Você</strong></em>” (Carlinhos Brown – Alaim Tavares) ressalta a verve de cantor lírico que Ricardo Machado traz na bagagem. Dando um toque de sofisticação, ele dispensa os instrumentos musicais, ousando interpretar toda a canção em capela, acrescentando-lhe um vocal próprio de fundo. Para completar o efeito, convida Ana Cláudia Casaca, com quem divide um delicado dueto. Desenhando uma erudição moderna, a ousadia não chega a traduzir um momento de grande esplendor, mas não decepciona em sua beleza estética. Ana Cláudia Casaca mostra com segurança a beleza da sua voz. Ricardo Machado consegue um bom momento, mas que nada evidencia a genialidade que já alcançou até aqui. Talvez seja o único momento do disco que traz aquele intimismo academicista do primeiro disco, sem que risque em nada toda a proposta aguda e ousada aqui diluída.</p>
<p><em>“Sei que a tendência<br />
Anda nas frestas<br />
No decidir da mente<br />
É como se perder de Deus<br />
E eu não quero<br />
Eu não quero me perder<br />
Eu não quero te perder<br />
Perdão Você”<br />
</em><br />
Surpreendentemente, o disco chega ao fim com uma velocidade estonteante, através da irreverente “<em><strong>Não Enche</strong></em>” (Caetano Veloso), uma daquelas canções de Caetano Veloso de tirar o fôlego de quem a canta. Letra provocativa, com termos que satirizam a amada, quase que ofensivamente, traz quilômetros de palavras vociferadas em tom frenético. Ricardo Machado <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPmYLNBUVI/AAAAAAAAIZw/D5UDW0sMg2M/s1600/Ricardo+Machado+9.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPmYLNBUVI/AAAAAAAAIZw/D5UDW0sMg2M/s400/Ricardo+Machado+9.jpg" border="0" alt="" /></a>aceita o desafio e freneticamente, não perde nenhuma sílaba das palavras arrancadas em uma melodia que não se deixa pausar, numa pulsação veloz. A canção surge divertida, agradável, de fácil assimilação não fosse uma letra sem fim, labiríntica, difícil de ser cantada e assimilada no todo. Ricardo Machado passa por todas as armadilhas dos ritmos, por todas as palavras de uma poesia quase psicodélica. Mostra-se tranqüilo, seguro, num prelúdio de despedida do álbum que lhe garante a qualidade de um grande intérprete, já maduro e pronto.</p>
<p><em>“Harpia! Aranha!<br />
Sabedoria de rapina<br />
E de enredar, de enredar<br />
Perua! Piranha!<br />
Minha energia é que<br />
Mantém você suspensa no ar<br />
Pra rua! Se manda!<br />
Sai do meu sangue<br />
Sanguessuga<br />
Que sabe sugar<br />
Pirata! Malandra!<br />
Me deixa gozar, me deixa gozar<br />
Me deixa gozar, me deixa gozar&#8230;</em>”</p>
<p>O disco é encerrado como foi iniciado, com “<em><strong>Seduzir</strong></em>” (Djavan), em forma de vinheta, cantada em capela:</p>
<p><em>“Cantar é mover o dom<br />
do fundo de uma paixão (&#8230;)<br />
(&#8230;) Revelar todo o sentido”</em> <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPuMN9NNhI/AAAAAAAAIa4/NQQTKFCcsfM/s1600/Ricardo+Machado+e+Nanda.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPuMN9NNhI/AAAAAAAAIa4/NQQTKFCcsfM/s400/Ricardo+Machado+e+Nanda.jpg" border="0" alt="" /></a></p>
<p>Nunca os versos de Djavan foram cantados com tanta sinceridade e, sinceridade, é a palavra chave do canto de Ricardo Machado, em um trabalho delicado, de sofisticada composição estética, de precisão na escolha de um repertório que não se perde, mas que se acrescenta a cada faixa, de uma voz que já se mostra técnica e emotivamente conciliada, expandido-se nas suas possibilidades, cada vez mais buscando por novos desafios. “<em>Ricardo Machado – Volume 2</em>” empolga pela honestidade de um trabalho límpido, pela tenacidade de um artista que tenta superar as limitações de um mercado fechado e cruel, pela tradução de que o cenário musical brasileiro tem muito a oferecer por aí, em sensíveis obras de autores independentes. Cabe a nós descobrirmos e divulgar estas pérolas tão docemente escondidas dentro de uma ostra de carcaça sólida chamada MPB.</p>
<p><strong>Ficha Técnica:</strong></p>
<p><strong><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPocK6hvqI/AAAAAAAAIaA/-5yHVxUTbxw/s1600/Ricardo+Machado+-+Virtu%C3%A1lia+Jeocaz+Lee-Meddi++viol%C3%A3o.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPocK6hvqI/AAAAAAAAIaA/-5yHVxUTbxw/s400/Ricardo+Machado+-+Virtu%C3%A1lia+Jeocaz+Lee-Meddi++viol%C3%A3o.jpg" border="0" alt="" /></a>Ricardo Machado 2</strong><br />
Produção Independente</p>
<p>Produção e Seleção de Repertório: Ricardo Machado<br />
Direção Musical: Ricardo Machado e Ricardo Calafate<br />
Técnico de Estúdio: Ricardo Calafate e Ricardo Cidade<br />
Técnicos de Mixagem e Masterização: Ricardo Calafate e Ricardo Cidade<br />
Arranjos: Ricardo Calafate<br />
Arranjos Vocais: Ricardo Machado e Ricardo Calafate<br />
Fotos: Jorshey Stúdio<br />
Projeto Gráfico: Ricardo Machado<br />
Processamento de Imagens: Gabriel Nunes<br />
Arte Final: Gabriel Nunes<br />
Realização Gráfica: Artes Gráficas e Editora Exímia<br />
Idealização de Texto: Ricardo Machado<br />
Colaboração: Nelson Almeida, Leandro Marzulo, Fernanda Veloso, Solange V. Santos, Rogério M. Santos<br />
Gravado no Estúdio Usina<br />
Agradecimentos Especiais de Ricardo Machado: Ricardo Calafate, Ana Cláudia Casaca, Ricardo Cidade, Nelson Almeida, Gabriel Nunes, Márcio Amorim, Afonso Martins, Leandro Marzulo, Fernanda Veloso, Filipe Affonso, Rogério Machado, Solange Veloso, Lúcia Regina, Odete Faria, Adyl Faria, Augusto Santos e a todos que apoiaram este projeto. Agradeço a Deus</p>
<p>Músicos Participantes:</p>
<p>Violão Aço: Ricardo Calafate (Faixas “<em>Quem Tem a Viola</em>”, “<em>Sem Dizer Adeus</em>”, “<em>Primavera</em>” e “<em>Noite do Prazer</em>”)<br />
Violão Nylon: Ricardo Calafate (Faixas “<em>Sem Dizer Ade</em>us”, “<em>Fadas</em>”, “<em>Desenho de Giz</em>” e “<em>Não Enche</em>”)<br />
Violão 7 Cordas: Ricardo Calafate (Faixas “<em>Autonomia</em>” e “<em>Fadas</em>”)<br />
Guitarra Solo: Ricardo Calafate (Faixas “<em>Quem Tem a Viola</em>”, “<em>My Funny Valentine</em>”, “<em>Noite do Prazer</em>”, “<em>Desenho de Giz</em>” e “<em>Não Enche</em>”)<br />
Guitarra Base: Ricardo Calafate (Faixas “<em>My Funny Valentine</em>”, “<em>Desenho de Giz</em>” e “<em>Não Enche</em>”)<br />
Baixo Elétrico (Synti): Ricardo Calafate (Faixa “<em>Quem Tem a Viola</em>”) e Afonso Martins (Faixa “<em>Noite do Prazer</em>”)<br />
Baixo Acústico: Afonso Martins (Faixa “<em>My Funny Valentine</em>&#8220;)<br />
Triângulo: Ricardo Calafate (Faixa “<em>Sem Dizer Adeus</em>”)<br />
Bandolim: Ricardo Calafate (Faixa “<em>Fadas</em>”)<br />
Programação de Bateria: Afonso <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPsJBcs4yI/AAAAAAAAIao/QKFygD7_pqY/s1600/Ricardo+Machado+-+Contracapa+%C3%A1lbum.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/TAPsJBcs4yI/AAAAAAAAIao/QKFygD7_pqY/s400/Ricardo+Machado+-+Contracapa+%C3%A1lbum.jpg" border="0" alt="" /></a>Martins (Faixa “<em>Noite do Prazer</em>”)<br />
Percussão: Afonso Martins e Ricardo Calafate (Faixa “<em>Noite do Prazer</em>”)<br />
Surdo, Caixa, Tamborim, Xique-Xique e Reco-Reco: Ricardo Calafate (Faixa “<em>Não Enche</em>”)<br />
Vocais: Ricardo Machado<br />
Participação Especial: Ana Cláudia Casaca (voz em “<em>Perdão Você</em>”)</p>
<p><strong>Faixas:</strong></p>
<p>1 Seduzir (Djavan) (vinheta), 2 Quem Tem a Viola (Zé Renato – Chico Chaves – Cláudio Nucci – Juca Filho), 3 Sem Dizer Adeus (Paulinho Moska), 4 My Funny Valentine (Richard Rodgers – Lorenz Hart), 5 Primavera (Cassiano – Silvio Rochael), 6 Autonomia (Cartola), 7 Fadas (Luiz Melodia), 8 Noite do Prazer (Arnaldo Brandão – Cláudio Zolli – Paulo Zdanowski), 9 Desenho de Giz (João Bosco – Abel Silva), 10 Perdão Você (Carlinhos Brown – Alaim Tavares) Participação Ana Claudia Casaca, 11 Não Enche (Caetano Veloso), 12 Seduzir (Djavan) (vinheta)</p>
<p><em><strong><em>RICARDO MACHADO &#8211; SITES:</em></strong></p>
<p><a href="http://ricardomachadocantor.blogspot.com/">http://ricardomachadocantor.blogspot.com/</a></p>
<p><a href="http://ricardomachadocantor.multiply.com/">http://ricardomachadocantor.multiply.com/</a></em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/736/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/736/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/736/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/736/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/736/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/736/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/736/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/736/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/736/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/736/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/736/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/736/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/736/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/736/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=736&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>CORRA E OLHE O CÉU &#8211; RICARDO MACHADO</title>
		<link>http://jeocaz.wordpress.com/2010/05/27/corra-e-olhe-o-ceu-ricardo-machado/</link>
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		<pubDate>Thu, 27 May 2010 01:33:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[jeocaz lee-meddi]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>

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		<description><![CDATA[Numa época que o cenário musical brasileiro mostra-se instável e sem direção, que a MPB sobrevive do que se ergueu nos últimos quarenta anos, sem que se apresente criatividade e trabalhos consistentes; que o mercado assiste ao colapso das grandes gravadoras, ultrapassadas pelo fenômeno da era digital, limitadas pela falta de qualidade do que apresentou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=731&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1s0ZK50CI/AAAAAAAAIZA/FHD87BgUHoc/s1600/Ricardo+Machado+-+Capa.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1s0ZK50CI/AAAAAAAAIZA/FHD87BgUHoc/s400/Ricardo+Machado+-+Capa.jpg" border="0" alt="" /></a>Numa época que o cenário musical brasileiro mostra-se instável e sem direção, que a MPB sobrevive do que se ergueu nos últimos quarenta anos, sem que se apresente criatividade e trabalhos consistentes; que o mercado assiste ao colapso das grandes gravadoras, ultrapassadas pelo fenômeno da era digital, limitadas pela falta de qualidade do que apresentou ao público nos últimos vinte anos, transformando os sertanejos em ais medíocres do brega romântico, a música de raiz afro e seus axés em movimentos vulgares de glúteos e quadris pululantes, visando assim, o lucro fácil e o sucesso instantâneo; eis que surgem trabalhos sinceros, feitos para um mercado fechado, que se nega a abraçar o medíocre, mas que paga o preço de não conseguir patrocínios, condenando boas produções ao ostracismo, sem alcançarem um grande público, mostrando-se fechadas em circuitos restritos, sem que se consiga formar uma vanguarda que dê uma lufada no óbvio.<br />
De tempos em tempos, descobre-se uma Maria Gadu pelos bares da vida e, percebe-se que dentro da carência de uma MPB estagnada no âmago da sua genialidade temporal, existem talentos que se mantêm intactos à corrosão da falta de qualidade e ao declínio de um dos gêneros musicais mais apreciados no mundo.<br />
É neste contexto atribulado que se me aparece Ricardo Machado, cantor carioca, dono de uma voz consistente, de timbre metálico que quando se propõe a desafiar os seus agudos, transforma a palavra dentro da melodia de uma forma estética admirável, alcançado ápices primorosos que nos trazem o puro prazer em se ouvir a boa Música Popular Brasileira.<br />
Com dois álbuns independentes, “<em>Corra e Olhe o Céu</em>” e “<em>Ricardo Machado</em>”, o cantor oferece um trabalho límpido e de sensível sinceridade, sem em momento algum, fugir da proposta ou cair no vão dos projetos pretensiosos. Ricardo Machado propõem-se a cantar a MPB, mostrando que as canções não têm tempo e intérpretes definitivos, e que dentro de um acervo infinito, redescobrir sucessos vestindo uma voz bonita, torna-se novo e único, quase com cheiro de inédito.<br />
Neste artigo, o primeiro álbum de Ricardo Machado se nos será apresentado, proporcionando a quem correr o risco, uma agradável surpresa dentro da arte de cantar, sem os resquícios do compromisso com as exigências do mercado. Singela, sincera, de uma beleza tênue e límpida, a obra de Ricardo Machado é um verdadeiro convite ao bom gosto, ao prazer de ouvir a Música Popular Brasileira.</p>
<p><strong>Abrem-se as Faixas em Suave Romantismo</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1gv0lUI8I/AAAAAAAAIXo/jUuHd_4x1Ao/s1600/Ricardo+Machado+13.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1gv0lUI8I/AAAAAAAAIXo/jUuHd_4x1Ao/s400/Ricardo+Machado+13.jpg" border="0" alt="" /></a>Ricardo Machado, carioca que se divide entre cantar e a profissão de dentista, traz na bagagem as raízes do cantor lírico, que se deixou seduzir pela música popular, demarcando esta característica na suavização do seu canto. Vindo do Coral da Universidade Gama Filho, foi desde sempre um apaixonado pela MPB, em especial por Gal Costa, uma influência que se estende na interpretação, vincada no lirismo melódico, distanciando-se da latência passional.<br />
O álbum de estréia, aqui renomeado <em>“Corra e Olhe o Céu</em>”, traz um repertório conciso, com canções suaves, feitas por diversos autores, que se interligam em um todo, onde a melodia e a poesia são indivisíveis. Letra e melodia nivelam-se, sem jamais uma sobressair-se à outra, ponto de partida para o estilo pessoal de Ricardo Machado. Poucos como ele pronunciam todas as sílabas da canção, diluindo-as na melodia com clareza, sem arranhar a delicadeza musical, fazendo a felicidade de qualquer letrista, muitas vezes ofuscado pela música, iluminando assim, a poesia que há nas composições da MPB.<br />
“<em><strong>Canção da Manhã Feliz</strong></em>” (Haroldo Barbosa – Luiz Reis), abre o álbum. Canção que exalta o amor, que chega suave depois das tempestades, que entra como uma luz radiante em um coração discreto. Ricardo Machado sabe dosar o lirismo exato da canção, optando por um intimismo lírico, ameaçando, por alguns momentos, lançar-se na beleza metal da sua voz, contendo-se da explosão estética que pode e quer <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1m4Ia9uNI/AAAAAAAAIYo/y5vahxnir2M/s1600/Ricardo+Machado+12.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1m4Ia9uNI/AAAAAAAAIYo/y5vahxnir2M/s400/Ricardo+Machado+12.jpg" border="0" alt="" /></a>atingir, mas sem se perder da delicadeza do momento. A voz abre-se para a emoção.</p>
<p><em>“Eu abri a janela<br />
E este sol entrou<br />
De repente em minha vida<br />
Já tão fria e sem desejos<br />
Estes festejos<br />
Esta emoção<br />
Luminosa manhã<br />
Tanto azul tanta luz<br />
É demais pro meu coração”</em></p>
<p>“<em><strong>Todo Azul do Mar</strong></em>” (Ronaldo Bastos – Flávio Venturini) chega como um sopro, ampliando o proposto na primeira faixa, transformando a poesia em melodia, sem ela, o canto de Ricardo Machado não faz sentido. Os floreados são salpicados como atenuantes ao convite lírico.</p>
<p><em>“Quando eu dei por mim<br />
Nem tentei fugir<br />
Do visgo que me prendeu<br />
Dentro do seu olhar”</em></p>
<p><strong>Rasgos Viscerais</strong></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1hMA11RtI/AAAAAAAAIXw/0AH-UmzfKgs/s1600/Ricardo+Machado+4.JPG"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1hMA11RtI/AAAAAAAAIXw/0AH-UmzfKgs/s400/Ricardo+Machado+4.JPG" border="0" alt="" /></a>O amor suave cantado nas primeiras faixas dá passagem para o existencialismo pulsante, à flor da pele de “<strong><em>Resposta ao Tempo</em></strong>” (Aldir Blanc – Cristóvão Bastos). Canção forte, que beira o precipício dos sentidos, num diálogo dilacerante entre o tempo e um sobrevivente das grandes paixões. Aparentemente simples, a canção requer fôlego para que se suba às escadas do diálogo, onde as palavras são mais amplas que a melodia, que muitas vezes mostra-se tolhida dentro das grandes frases. Nana Caymmi atravessou com passionalismo a canção. Ricardo Machado suaviza o diálogo, estreita-se nos seus labirintos e sai com maestria dos becos que se lhe abrem, mantendo o fôlego das palavras, ao contrário da interpretação de Nana, que às vezes o parece perder. A veia passional exacerbada que a canção sugere passa longe da suavidade estética que Ricardo Machado insiste em transformar aquilo que canta. Como discípulo de Gal Costa, prefere transformar o trágico em suportável, a dor em beleza solitária, o desespero em ludismo, a palavra em melodia sincronizada, interligada num poema cantado.</p>
<p><em>“Respondo que ele aprisiona, eu liberto<br />
Que ele adormece as paixões, eu desperto<br />
E o tempo se rói com inveja de mim<br />
Me vigia querendo aprender<br />
Como eu morro de amor pra tentar reviver”</em></p>
<p>Se até o momento o cantor mostrou-se comportado, sedutoramente acadêmico, na <a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1mHwJp5yI/AAAAAAAAIYg/AIId7ssdH54/s1600/Ricardo+Machado+2.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1mHwJp5yI/AAAAAAAAIYg/AIId7ssdH54/s400/Ricardo+Machado+2.jpg" border="0" alt="" /></a>quarta faixa, “<em><strong>Me Chama de Chão</strong></em>” (Paulinho Moska – Fernando Zarif – Branco Melo), ele apaga tudo e solta toda a verve escondida, sem qualquer pudor em arriscar o metal da voz em momentos que os agudos expandem as frases mais constrangedoras da música, numa deliciosa malícia. De forma visceral, ousada, ele desnuda a canção, rasga a sua mensagem, fazendo-a adoravelmente crua, desconcertante aos ouvidos mais pudicos e, arrebatadora aos que sabem os vários caminhos que se conduz o amor na sua forma bruta, na sua essência tão primitiva quanto o próprio lapidar do sentimento. Um dos melhores momentos do álbum. E também onde se revela um pouco do potencial da voz que Ricardo Machado sabe guardar tão bem, como uma surpresa em um invólucro súbito.</p>
<p><em>“Bate que sou tua porta<br />
Bate que sou teu bife<br />
Bate que sou teu homem<br />
Sou teu cão (&#8230;)<br />
(&#8230;) Me chama de chão<br />
Me chama<br />
Come que eu sou teu rabo<br />
Cospe, que eu sou teu prato”</em></p>
<p><strong>No Lirismo dos Autores do Clube da Esquina</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1hyxQt3lI/AAAAAAAAIX4/xb6IWrVN_00/s1600/Ricardo+Machado+3.JPG"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1hyxQt3lI/AAAAAAAAIX4/xb6IWrVN_00/s400/Ricardo+Machado+3.JPG" border="0" alt="" /></a>“<em><strong>Nascente</strong></em>” (Flávio Venturini – Murilo Antunes) restabelece a suavidade, chegando mansa, macia. Se as sereias trazem um canto hipnótico e fatal, os tritões sopram a melodia em um precipício que se nos arremessa aos rochedos dos sentimentos. Ricardo Machado, no seu intimismo domesticado, transforma-se no tritão em alto mar, cantante e solitário!</p>
<p><em>“Clareia manhã<br />
O sol vai esconder a clara estrela<br />
Ardente<br />
Pérola do céu refletindo<br />
Teus olhos”<br />
</em><br />
“<em><strong>Travessia</strong></em>” (Milton Nascimento – Fernando Brant), a mais definitiva canção de Milton Nascimento, passou pelas mais diversas vozes da MPB, vestindo desde a densidade claustrofóbica de Elis Regina à interpretação em estilo épico do autor. Foi tão explorada, que por muito tempo tornou-se sem novidades. Ricardo Machado propõe-se em transformar o óbvio em algo seu, conseguindo dar uma identidade própria, o que lhe acentua a intuição e o estilo. Atravessa toda a dor pungente da canção e, quando o desabrochar da melodia eleva a voz no verso “<em>vou soltar o meu pranto</em>” e se espera o ápice de “<em>vou querer me matar</em>”, ele quebra o tom, baixando-o subitamente, fazendo com que o ouvinte desenhe na mente uma imagem a cair no vão de um precipício. Efeito notável, mostrando como o cantor resiste ao passionalismo erguido, optando pelo lirismo poético.</p>
<p><em>“Solto a voz nas estradas, já não quero parar<br />
Meu caminho é de pedras, como posso sonhar<br />
Sonho feito de brisa, vento vem terminar<br />
Vou fechar o meu pranto, vou querer me matar”</em></p>
<p><strong>De Paulinho da Viola a Cartola</strong></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1ieEp2emI/AAAAAAAAIYA/yyNEaEKIzbk/s1600/Ricardo+Machado+11.JPG"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1ieEp2emI/AAAAAAAAIYA/yyNEaEKIzbk/s400/Ricardo+Machado+11.JPG" border="0" alt="" /></a>Deixando o universo dos mineiros do Clube da Esquina, Ricardo Machado mergulha no samba macio de Paulinho da Viola. “<em><strong>Coração Leviano</strong></em>” (Paulinho da Viola), é interpretada com concisão, preservando a delicadeza da beleza estética que o cantor impõe. Discretamente, murmura alguns agudos, retraindo-se para não desconstruir a proposta inicial. Insere no final, um rasgo meteórico de “<em>Insensatez</em>” (Vinícius de Moraes – Tom Jobim), num arremate entre o samba e a Bossa Nova cariocas.</p>
<p><em>“Ah coração teu engano foi esperar por um bem<br />
De um coração leviano que nunca será de<br />
Ninguém”</em></p>
<p>“<em><strong>Corra e Olhe o Céu</strong></em>” (Cartola – Dalmo Casteli), amplia a proposta do álbum. A voz mostra-se quente, transitando as possibilidades, arriscando os graves, concebendo um ludismo romântico, vertido nas sílabas melódicas, na percepção da sensibilidade autoral. A canção alinhava toda a proposta do álbum, selando os vários universos de autores diferentes apresentados por Ricardo Machado. É o momento que se identifica com precisão o intimismo do cantor e a expansão da sua sensibilidade, a sofisticação na escolha do repertório e a sua paixão pela genuína MPB.<br />
<a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1j8aZvb2I/AAAAAAAAIYQ/RnqClGOXw6s/s1600/Ricardo+Machado+7.JPG"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1j8aZvb2I/AAAAAAAAIYQ/RnqClGOXw6s/s400/Ricardo+Machado+7.JPG" border="0" alt="" /></a><br />
<em>“Linda!<br />
No que se apresenta<br />
O triste se ausenta<br />
Fez-se a alegria<br />
Corra e olhe o céu<br />
Que o sol vem trazer<br />
Bom dia”</em></p>
<p>Ricardo Machado mostra-se seguro e à vontade no universo de Cartola. Segue o rastro do mestre com a faixa “<em><strong>Acontece</strong></em>” (Cartola). Mais uma vez deixa fluir o timbre metálico, que emerge quase que sufocado dentro do intimismo acadêmico que mantém coerente, sem nunca ferir a beleza exposta e a subtender a que se esconde no mais sublime âmago. Apesar de mais duas faixas, é como se ele se despedisse aqui, encerrando o delicado e sofisticado repertório, no qual transitou com domínio pleno e suavidade envolvente.</p>
<p><em>“Esquece o nosso amor, vê se esquece<br />
Porque tudo na vida acontece<br />
E acontece que eu já não sei mais amar<br />
Vai chorar, vai sofrer, e você não merece<br />
Mas isso acontece” </em></p>
<p>A décima faixa talvez seja o grande <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1nmB6d8HI/AAAAAAAAIYw/Bfbg1IyTDLQ/s1600/Ricardo+Machado+e+av%C3%B3.JPG"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1nmB6d8HI/AAAAAAAAIYw/Bfbg1IyTDLQ/s400/Ricardo+Machado+e+av%C3%B3.JPG" border="0" alt="" /></a>equívoco do álbum. “<em><strong>Canção da Manhã Feliz</strong></em>” (Haroldo Barbosa – Luiz Reis), volta em um dueto com Márcia Coelho, que apesar da beleza da voz, mostra-se menor quando Ricardo Machado entra, reforçando o tom lírico que impregnou na primeira faixa, fazendo deste curto momento um ápice isolado. Uma terceira voz (Eduardo Coelho), junta-se aos dois, num encerramento bonito, mas que nada acrescenta à sofisticação do repertório e à beleza das interpretações solitárias de uma grande voz.<br />
E o ápice final vem com “<em><strong>Bachianas Brasileiras nº 5</strong></em>” (Heitor Villa Lobos), onde Ricardo Machado acentua as raízes de cantor lírico. A ousadia não torna a proposta do álbum pretensiosa, imprime-lhe o carimbo do bom gosto, afirma toda a sofisticação que se manteve da primeira à última faixa. Encerra um trabalho ímpar, de um cantor que ao penetrar com coragem no universo da MPB, dá ao repertório escolhido uma identidade própria, despindo-o de qualquer estigma que se lhe exija um repertório próprio, feito de inéditas.<br />
Longe de se mostrar “<em>crooner</em>”, Ricardo Machado revela-se um cantor de personalidade arraigada, de timbre agradável e de possibilidades múltiplas. O álbum é acadêmico, por ser o primeiro, aquele em que o cantor quer e precisa acertar. Mas dentro deste academicismo, há uma beleza rara, uma promessa de uma grande voz, um gostinho de quero mais aos ouvintes.</p>
<p><strong>Ficha Técnica:</strong></p>
<p><strong><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1i_XL1hCI/AAAAAAAAIYI/5lSF9XqFl_k/s1600/Ricardo+Machado+6.JPG"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1i_XL1hCI/AAAAAAAAIYI/5lSF9XqFl_k/s400/Ricardo+Machado+6.JPG" border="0" alt="" /></a>Ricardo Machado – Corra e Olhe o Céu</strong><br />
Produção Independente</p>
<p>Produção, Coordenação e Seleção de Repertório: Ricardo Machado<br />
Técnico de Estúdio: Ricardo Calafate<br />
Técnicos de Mixagem e Masterização: Vanderlan Júnior e Cláudio Louro<br />
Arranjos: Vanderlan Júnior<br />
Concepção da Capa: Ricardo Machado<br />
Fotos: Jorshey Stúdio<br />
Arte Final: Cláudio Louro<br />
Gravado no Estúdio Usina<br />
Mixado e masterizado no Estúdio Groove<br />
Agradecimentos Especiais de Ricardo Machado: À minha família, Cláudio Louro, Vanderlan Júnior, Ricardo Calafate, Maurício Capistrano, Maurício Rizzo, Márcia Coelho, Dudu e a todos que apoiaram a realização deste trabalho</p>
<p>Músicos Participantes:</p>
<p>Violão Eletro-Acústico: Ricardo Calafete (Faixas “Canção da Manhã Feliz”, “Todo Azul do Mar”, “Resposta ao Tempo”, “Me Chama de Chão” e “Nascente”) e Maurício Rizzo (Faixa “Acontece”)<br />
Violão Acústico: Maurício Capistrano (Faixas “Travessia”, “Coração Leviano”, “Corra e Olhe o Céu”, e “Bachianas Brasileiras número 5”)<br />
Teclados e Programação de Bateria: Vanderlan Júnior<br />
Vocais: Ricardo Machado<br />
Participações Especiais: Márcia Coelho (voz e vocal em “Canção da <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1lWB7PXfI/AAAAAAAAIYY/9HttjjXSQhI/s1600/Ricardo+Machado+-+Contracapa+%C3%A1lbum.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1lWB7PXfI/AAAAAAAAIYY/9HttjjXSQhI/s400/Ricardo+Machado+-+Contracapa+%C3%A1lbum.jpg" border="0" alt="" /></a>Manhã Feliz”) e Eduardo Carvalho – Dudu (vocal em “Canção da Manhã Feliz”)</p>
<p><strong>Faixas:</strong></p>
<p>1 Canção da Manhã Feliz (Haroldo Barbosa – Luiz Reis), 2 Todo Azul do Mar (Ronaldo Bastos – Flávio Venturini), 3 Resposta ao Tempo (Aldir Blanc – Cristóvão Bastos), 4 Me Chama de Chão (Paulinho Moska – Fernando Zarif – Branco Melo), 5 Nascente (Flávio Venturini – Murilo Antunes), 6 Travessia (Milton Nascimento – Fernando Brant), 7 Coração Leviano (Paulinho da Viola), 8 Corra e Olhe o Céu (Cartola – Dalmo Casteli), 9 Acontece (Cartola), 10 Canção da Manhã Feliz (Haroldo Barbosa – Luiz Reis) Participação Especial Márcia Coelho, 11 Bachianas Brasileiras nº 5 (Heitor Villa Lobos)</p>
<p><a href="http://jeocaz.multiply.com/music/item/151/151"></a></p>
<p><strong><em>RICARDO MACHADO &#8211; SITES:</em></strong></p>
<p><a href="http://ricardomachadocantor.blogspot.com/">http://ricardomachadocantor.blogspot.com/</a></p>
<p><a href="http://ricardomachadocantor.multiply.com/">http://ricardomachadocantor.multiply.com/</a></p>
<p><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S_1oerTyQNI/AAAAAAAAIY4/dxJOkQ_JpI0/s400/Rico22b-horz.jpg" border="0" alt="" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/731/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=731&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>URANO E GAIA &#8211; CÉU E TERRA GERAM A VIDA</title>
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		<pubDate>Thu, 20 May 2010 16:51:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[mitologia]]></category>

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		<description><![CDATA[O gênero humano ao adquirir uma consciência intelectual,tornou-se superior a todos os seres viventes na Terra. As civilizações mais primitivas questionavam as raízes dessa consciência, deparando-se com um mistério nunca decifrado: de onde viemos? Como surgiu o universo, a terra, o céu, a vida? O questionamento jamais foi elucidado, acompanhando a evolução das civilizações, e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=729&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2jYnXr3eJI/AAAAAAAAHOE/fehbcPu6yMc/s1600-h/Divindades+Primordiais+-+Gaia+e+Eon.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2jYnXr3eJI/AAAAAAAAHOE/fehbcPu6yMc/s400/Divindades+Primordiais+-+Gaia+e+Eon.jpg" border="0" alt="" /></a>O gênero humano ao adquirir uma consciência intelectual,tornou-se superior a todos os seres viventes na Terra. As civilizações mais primitivas questionavam as raízes dessa consciência, deparando-se com um mistério nunca decifrado: de onde viemos? Como surgiu o universo, a terra, o céu, a vida? O questionamento jamais foi elucidado, acompanhando a evolução das civilizações, e mesmo no seu grau mais avançando, jamais houve uma reposta concreta, a não ser as teorias, tanto científicas quanto místicas.<br />
Os gregos antigos, assim como os povos que os cerceavam, na busca por repostas ao princípio de tudo, criaram o mito cosmogônico. A origem da vida era mais misteriosa do que a própria existência concreta. Assim, situando o Caos como princípio desordenado e solitário de tudo, engendraram a primeira divindade a habitar este nada, Gaia, a poderosa mãe Terra. Ser imortal e de importância cosmogônica, cabe a Gaia povoar o Caos, gerar incessantemente a vida, todos os seres do universo. Mãe de deuses e de monstros, não cabe a ela questionar a prole, mas dar a vida. Gaia concebe até mesmo sem a fecundação de outro ser, dentro da sua solidão no Caos gerou Urano, o Céu. Será com ele que terá as divindades primordiais do universo, dando origem à linhagem dos deuses que governarão o mundo e criarão a raça humana.<br />
Urano, o Céu estrelado, é tão grandioso quanto Gaia, a Terra, cobrindo-a por completo. Sua função é fecundá-la, sua força é fálica, é o primeiro governante do mundo, tendo como cetro o órgão reprodutivo, como garantia do trono o sêmen fecundador. Cabe a Gaia gerar a vida, a Urano fecundá-la.<br />
Urano e Gaia, Céu e Terra, juntos povoam o universo de seres monstruosos, como os Ciclopes, que só possuem um olho no meio da testa, os Hecatônquiros, gigantes de cem braços e cinqüenta cabeças; e ainda os Titãs, deuses primitivos, já com a forma que será transmitida quando Prometeu criar o homem.<br />
Urano não suporta as forças violentas e ações aterradoras dos filhos. Para evitar que destruam as coisas, encerra-os no Tártaro. Gaia é a mãe de todos, não suporta ver os filhos presos. Não os culpa pela forma que têm, culpa a Urano, que a fecunda todos os minutos do dia. No embate entre Gaia e Urano, virá Cronos (Saturno), o maior dos Titãs, que incitado pela revolta da mãe, destronará o pai e será o próximo senhor dos deuses. Urano não pode morrer, pois é imortal, mas é castrado pelo filho. Sem a força fecundadora, tem a morte do seu poder. Assim, está cumprido o reinado de Urano e Gaia. O Céu e a Terra geraram a vida, os deuses, cabe a eles continuar a evolução, gerando os homens, a maior de todas as criações dos seres mitológicos.</p>
<p><strong>A partir do Caos Surge a Vida</strong></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2jXPubs4HI/AAAAAAAAHNc/ABh50sXg-uQ/s1600-h/Divindades+Primordiais+-+Caos.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2jXPubs4HI/AAAAAAAAHNc/ABh50sXg-uQ/s400/Divindades+Primordiais+-+Caos.jpg" border="0" alt="" /></a>No primórdio dos tempos havia o Caos, uma extensão ilimitada e desordenada, um espaço aberto em um abismo sem fundo. Antes do Caos nada existia, o princípio extinguia-se abruptamente. No meio do abismo do Caos, em determinado momento um ínfimo chão foi instaurado, surgindo Gaia, a Terra, através do mito do cosmo e da força intelectual, encerrando a desordem do nada.<br />
Gaia trazia em si a pulsação da vida, a latência de uma natureza que não se continha sozinha. Na solidão fria do Caos, surgiu, seguido a Gaia, Eros, o amor. A partir dele, nada mais poderia caminhar sozinho.<br />
Antes de ser atingida pela força de Eros, Gaia trazia o principio que fecundava e era fecundada por si mesma. Podia sozinha gerar a vida. No ímpeto de querer um ser tão poderoso quanto ela, concebeu Urano, o Céu estrelado, que a cobriu por inteiro. Ainda sozinha, gerou as Montanhas, o Mar, o Ponto e as Ninfas.<br />
No meio do Caos, depois de Gaia, surgiu a Noite, ser constituído por uma treva profunda. Assim como Gaia, a Noite engendrou sozinha o Éter, a luz feita somente para iluminar os deuses; e, o Dia, claridade maior que se iria estender não somente aos imortais, como às criaturas perecíveis, entre elas os homens.<br />
No instante em que se gerou a Noite, o Caos viu nascer o Érebo, lugar sombrio que se alojaria debaixo da Terra, constituindo a morada das sombras, das almas.<br />
Mas Eros, o amor, força maior do que a própria madre geradora de Gaia, já não permitia que entidade alguma fecundasse solitariamente. O amor exigia dois <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2jZYkJCzKI/AAAAAAAAHOc/ED9o1fdiOkY/s1600-h/Divindades+Primordiais+-+Gaia+-+Tellus.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2jZYkJCzKI/AAAAAAAAHOc/ED9o1fdiOkY/s400/Divindades+Primordiais+-+Gaia+-+Tellus.jpg" border="0" alt="" /></a>pólos como geradores da vida: o fecundador e o fecundado. Movida pelo impulso determinador de Eros, Gaia uniu-se ao seu filho primogênito, Urano.<br />
Urano mostrou-se um amante apaixonado. Ao lado de Gaia, tornou-se o senhor de todos os seres e deuses. Da união e do amor dos dois, nasceram seres violentos e primitivos, povoando o universo e a Terra.<br />
O Caos, princípio de tudo, já não seria o presente ou o futuro, perdera a solidão do nada diante da vida. Antes dele não se sabe o que existia. Nunca será revelado aos deuses e aos homens. Depois de organizado, o Caos chamar-se-á Cosmos.</p>
<p><strong>Gaia e Urano, Cultos e Representações</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2jXg-Mu-CI/AAAAAAAAHNk/OHnN2VVd2cc/s1600-h/Divindades+Primordiais+-+Gaia+e+Urano.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2jXg-Mu-CI/AAAAAAAAHNk/OHnN2VVd2cc/s400/Divindades+Primordiais+-+Gaia+e+Urano.jpg" border="0" alt="" /></a>A primeira geração dos seres imortais da mitologia foi classificada como divindades primordiais. Com a evolução da civilização grega, tais divindades perderam o sentido religioso, adquirindo apenas uma importância cosmogônica, ou seja, para justificar a origem do universo, dos deuses e dos homens. São seres unicamente mitológicos, sem que se ergam templos, ou que sejam cultuados.<br />
Eros, o amor, a segunda força primordial a existir, muitas vezes assume a existência como uma segunda geração de deuses, o que lhe retira apenas a alusão mitológica, sendo considerado filho de Afrodite (Vênus), a deusa do amor, inserido assim no seu séquito e recebendo o seu culto.<br />
Gaia é, talvez, a única divindade primordial que recebeu culto dos gregos antigos. É a deusa mãe, difundida ou assimilada em todas as religiões politeístas. Se no monoteísmo Deus é onipotente, deidade absoluta, criador através da sua força divina, sem a conotação de gênero masculino ou feminino, no politeísmo a força geradora é feminina. Todo ser vem da preparação do ventre da mulher, portanto uma deusa trará a madre procriadora, concebendo a vida. Gaia <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2jcrjg19DI/AAAAAAAAHOs/cRoBaAy7stw/s1600-h/Divindades+Primordiais+-+Gaia+e+Pan.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2jcrjg19DI/AAAAAAAAHOs/cRoBaAy7stw/s400/Divindades+Primordiais+-+Gaia+e+Pan.jpg" border="0" alt="" /></a>é a Terra, o planeta da vida, tudo passa a existir a partir dela. É o símbolo da fecundidade universal. Faz parte dos deuses primordiais que constituem a ordem material, a força indomável do universo, causando o desequilíbrio divino, impedindo-o de chegar aos homens. Zeus (Júpiter), será quem constituíra a ordem espiritual, governando Céu e Terra com a ajuda dos deuses do Olimpo.<br />
Tidos como geradores da ordem material e não espiritual, os deuses primitivos não carecem de cultos ou adoração. Gaia é diferente, é a deusa mãe. Nos primórdios da civilização grega, recebia cultos em Patras, onde lhe era atribuído o dom de poder curar todas as doenças. Também a cidade de Delfos lhe atribuiu um templo. Com o decorrer da civilização grega, Gaia perde espaço para os deuses filosóficos, os olímpicos que se assemelham mais ao homem, não só fisicamente, como na personalidade de cada divindade. Delfos substituiu a adoração a Gaia pela de Apolo, o deus da luz. Nas outras partes da Grécia, Gaia <a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2jc8keHe3I/AAAAAAAAHO0/TciSPhJWsRc/s1600-h/Divindades+Primordiais+-+The+Union+of+Earth+and+Water+-+Rubens.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2jc8keHe3I/AAAAAAAAHO0/TciSPhJWsRc/s400/Divindades+Primordiais+-+The+Union+of+Earth+and+Water+-+Rubens.jpg" border="0" alt="" /></a>vai tendo o mito confundido com o de Afrodite e o de Hera (Juno), a esposa de Zeus e rainha do Olimpo, deusa da família.<br />
As representações artísticas de Gaia na arte grega são ínfimas. Normalmente é figurada como uma mulher enorme, assim como o é o planeta Terra; com os seios fartos, para amamentar todos os filhos. É a própria concepção materna que jamais se perde.<br />
Urano, por sua vez, é um ser mitológico, sem a conotação do culto. Pai de todos, é o maior representante da ordem material. Será destronado pelo filho Cronos, que também não trará a ordem espiritual ao mundo. Urano é o pai que fecunda, mas não o pai que ama os filhos. Questiona sempre a prole, as suas ações devastadoras. Limita-se a prendê-los no Érebo. Nas artes, Urano tem poucas representações, permanecendo o estigma procriador, sendo figurado com os órgãos genitais desproporcionalmente grandes diante do resto do corpo. Assim, Gaia e Urano, trazem como símbolos principais os seios fartos e falo gigante, respectivamente, demonstrando que o Céu tem como função básica fecundar a Terra, reproduzindo a vida pululante do mundo.</p>
<p><strong>Urano Aprisiona os Filhos</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2jXuhw6gYI/AAAAAAAAHNs/1WxIY1VRpNc/s1600-h/Divindades+Primordiais++-+Urano+Asah.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2jXuhw6gYI/AAAAAAAAHNs/1WxIY1VRpNc/s400/Divindades+Primordiais++-+Urano+Asah.jpg" border="0" alt="" /></a>Ao perder a capacidade de gerar os filhos sozinha, Gaia submete-se à força universal de Eros, o deus do amor, que estabelece o princípio de dois corpos, tanto aos imortais como aos mortais, para que se faça a fusão que resultará na vida.<br />
Gaia une-se ao seu primeiro filho, Urano. Envolvida por Eros, sente pelo marido a paixão dos grandes amantes, no que é correspondida na plenitude. Juntos, Gaia e Urano irão governar os imortais, as forças da natureza, constituindo a primeira dinastia dos deuses.<br />
O reinado de Urano é marcado pela violência das forças naturais dos seus filhos. Do amor entre Gaia e Urano nascerão primeiro os doze filhos mais poderosos, sendo seis homens, os Titãs: Hipérion, Iápeto, Cronos, Crio, Ceo e Oceano; e, seis mulheres, as Titânias: Mnemósine, Tétis, Réia (Cibele), Têmis, Febe e Téia. Os Titãs constituem um caráter violento, proporcionando ao mundo imortal o desequilíbrio e a desordem.<br />
As proles seguintes de Urano e Gaia são compostas pelos Ciclopes, seres gigantes, que possuem apenas um olho no meio da testa; e, os Hecatônquiros, criaturas monstruosas, possuidoras de cem braços e cinqüentas cabeças. São seres indomáveis, fazendo parte da primeira geração evolutiva dos deuses. São responsáveis pelas forças catastróficas da natureza, fazendo os vulcões entrarem em erupção, os terremotos abalarem a Terra, as tempestades e os furacões assolarem os campos e os mares, provocando todos os cataclismos que transformam a face do planeta desordenadamente, preparando-o para a evolução da vida e para o surgimento do próprio homem.<br />
Urano é o pai e o irmão desses seres. O sentimento paterno é menor do que o fraterno. Não consegue aceitar a força devastadora dos filhos sobre a Gaia, a Terra. Urano não suporta os Titãs. Odeia ainda mais os <a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2ja1IVNTUI/AAAAAAAAHOk/kk3AZuGZ_b8/s1600-h/Divindades+Primordiais+-+Urano+3.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2ja1IVNTUI/AAAAAAAAHOk/kk3AZuGZ_b8/s400/Divindades+Primordiais+-+Urano+3.jpg" border="0" alt="" /></a>Ciclopes e os Hecatônquiros. Revolta-se contra a violência destruidora da sua prole. Na sua revolta de pai, decide que não verá mais a face dos filhos rebeldes, encerrando-os para sempre no Tártaro, a parte subterrânea do Érebo.<br />
Gaia, a mãe Terra, que a tudo suporta, sofre com a reclusão dos filhos no subterrâneo do seu ventre. Ela é a mãe natureza, não podendo impedir os fenômenos naturais provocados pelos filhos na construção da vida. Urano não suporta os filhos, mas não deixa de gerá-los. Impõe a Gaia uma fecundidade contínua. Desde que se unira a Urano, a deusa jamais deixou de ver o seu ventre crescer, não parando de gerar um só dia.<br />
O que lhe causava mais dor do que o parto, era ver os filhos arrancados do seu convívio e aprisionados no Érebo. O coração de Gaia encheu-se de mágoa, transformando o amor que sentia por Urano em ódio. Já não suportava mais ser fecundada por ele.</p>
<p><strong>Cronos Destrona Urano</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2jYARoM3pI/AAAAAAAAHN0/a6cIEdqSOpo/s1600-h/Divindades+Primordiais+-+Mutila%C3%A7%C3%A3o+de+Urano+por+Saturno+-+Vasari+(detalhe).jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2jYARoM3pI/AAAAAAAAHN0/a6cIEdqSOpo/s400/Divindades+Primordiais+-+Mutila%C3%A7%C3%A3o+de+Urano+por+Saturno+-+Vasari+(detalhe).jpg" border="0" alt="" /></a>Gaia revolta-se contra Urano. À revelia do marido, decide libertar os Titãs. Reúne os filhos e ordena-os que destronem o pai. Mas os Titãs se recusam a obedecer à mãe, com exceção de Cronos, o deus do tempo, que não se conformava com o sofrimento da mãe diante da fecundação continua de Urano.<br />
Juntos, Gaia e Cronos urdem um plano para destronar Urano. A deusa mãe afia uma foice que há muito talhara, entregando-a ao filho. Na mitologia grega, a foice é o símbolo da morte, é através dela que se ceifa a vida; ambiguamente é também o símbolo da colheita, da esperança vinda dos grãos da natureza. Será com a foice afiada por Gaia que Cronos destronará o pai.<br />
Num embate final entre Cronos, o deus do Tempo, e Urano, o Céu estrelado, a hierarquia dos deuses terá um novo líder, iniciando um novo reinado. Urano, em seu princípio insaciável pela fecundação, sente o falo procriador crescido. Imediatamente aproxima-se de Gaia, na intenção de possuí-la e gerar um novo filho. Mas Cronos, preparado pela mãe, espreita e aguarda aquele momento fatídico. O deus do tempo atira-se sobre o pai, lutando ferozmente com ele, subjugando-o. Num gesto ligeiro e certeiro, atravessa <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2jdhq0plbI/AAAAAAAAHO8/X1yvBM4RxVo/s1600-h/Divindades+Primordiais+-+Gaia.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2jdhq0plbI/AAAAAAAAHO8/X1yvBM4RxVo/s400/Divindades+Primordiais+-+Gaia.jpg" border="0" alt="" /></a>os testículos cheios do pai, cortando-os com a foice. No chão, Urano sangra intensamente, contorcendo-se de dor. Agarrando-se ao desespero da perda da viriliade, o deus solta um grito ensurdecedor, que ecoa pelos quatro cantos do mundo.<br />
Cronos segura os testículos do pai. Estava concretizado o fim do seu reinado. Urano é imortal, não pode ser morto. O seu reinado é constituído pelo princípio da fecundação. Extirpar-lhe os testículos é usurpar-lhe o poder, condená-lo à morte divina. Declarar o fim do seu reinado. Era a vez de de Cronos fazer ecoar o seu grito de vitória, para que todas as criaturas imortais saibam. Em seguida, atira os testículos do pai pelo espaço. Era o novo rei dos deuses.<br />
Em um último momento de fertilidade absoluta, o sangue de Urano escorre sobre a terra, mais uma vez fecundando a natureza. Do sangue do deus derramado sobre a terra, nasce as Melíadas, ninfas dos carvalhos; os Gigantes, seres de grande força e altura; e, as Erínias, divindades vingadoras dos crimes, inclusive o que cometera Cronos contra o pai. Mas o deus do tempo é o novo senhor dos deuses. As Erínias nada fazem contra ele.<br />
Os testículos de Urano vão parar no mar. Os órgãos extirpados carregam a última quantidade de sêmen do deus, que expelidos nas águas, formam uma espuma branca, dela emergindo Afrodite, a deusa do amor e da beleza.</p>
<p><strong>Os Mitos de Gaia e Urano na Evolução do Culto Grego</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2jY8iPeq8I/AAAAAAAAHOU/tTHNWo4pfEg/s1600-h/Divindades+Primordiais+-+Gaia+-+Tellus+(detalhe).jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2jY8iPeq8I/AAAAAAAAHOU/tTHNWo4pfEg/s400/Divindades+Primordiais+-+Gaia+-+Tellus+(detalhe).jpg" border="0" alt="" /></a>A ascensão de Cronos ao poder não trará para Gaia o objetivo que planejara. Tão logo sobe ao poder, o filho liberta somente os Titãs e as Titânias, deixando permanecer os Ciclopes e os Hecatônquiros no Tártaro.<br />
A traição de Cronos faz com que Gaia se revolte contra ele. Será ela quem ajudará a Titânia Réia, mulher de Cronos, a salvar o filho Zeus (Júpiter), de ser devorado pelo pai. Zeus será quem destronará Cronos e libertará definitivamente os Ciclopes e os Hecatônquiros. Mas Gaia jamais verá todos os filhos em liberdade. Estabelecido o reinado de Zeus, ela verá os filhos Titãs e os Gigantes derrotados e confinados no Tártaro.<br />
Além de gerar filhos sozinha e com Urano, Gaia, divindade símbolo da fecundação, teve filhos com outras entidades. Com o Mar gerou Nereu, Taumante, Fórcis, Ceto e Euríbia. Com o Tártaro engendrou Equidna, e segundo algumas versões da lenda, o monstro Tifão. Outros monstros são tidos como filhos de Gaia por variantes das lendas do mito, sendo eles Pitão, Caribde, Anteu e Fama.<br />
O mito de Urano está intimamente ligado ao de Gaia. É através dela que ele gerará a prole da qual irá nascer os deuses do Olimpo, e o próprio homem. Não lhe cabe a organização espiritual do universo, mas sim a sua formação material. O seu reinado é turbulento, responsável pelo surgimento das forças primitivas do planeta. Caberá aos olímpicos a implantação da ordem, e, da essência espiritual.<br />
Gaia, a força da fecundidade, é considerada a mãe do universo e de todos os deuses. Nos primórdios da formação do povo grego, era tida como inspiradora dos oráculos. Com tempo, deixou de ser divindade cultuada, para ser apenas mitológica dentro do politeísmo grego, passando a ser a explicação para a origem do universo. Foi perdendo espaço para outras deusas, mais elaboradas e mais próximas da personalidade humana. Assim, Afrodite, a deusa do amor, passou a representar também a fecundidade. Réia, mãe de Zeus, tomou para si o título de mãe do senhor dos deuses, sendo por este motivo mais venerada. Deméter (Ceres), passou a ser a deusa que fecunda os campos e proporciona o alimento e as colheitas aos homens. Finalmente Hera, a ciumenta esposa de Zeus, tornou-se a deusa protetora da família e dos lares. Gaia, aos poucos, ficou somente com a função de revelar aos homens a origem divina de todas as coisas e da vida.</p>
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<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/729/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/729/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/729/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/729/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/729/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/729/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/729/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/729/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/729/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/729/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/729/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/729/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/729/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/729/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=729&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>SPARTACUS &#8211; STANLEY KUBRICK</title>
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		<pubDate>Tue, 18 May 2010 03:32:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>  <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eSuMnBajI/AAAAAAAAHLs/TOeN7hXXZPo/s1600-h/Spartacus+-+Poster+2.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eSuMnBajI/AAAAAAAAHLs/TOeN7hXXZPo/s400/Spartacus+-+Poster+2.jpg" border="0" alt="" /></a>Um dos maiores clássicos do cinema épico, “<em>Spartacus</em>”, de Stanley Kubrick, é talvez, o filme que traz diálogos e estruturas mais elaboradas, sem fugir do maniqueísmo imposto pelo gênero, mas não se atendo a ele de forma indelével. Feito na seqüência de “<em>Ben-Hur</em>”, trazia a responsabilidade de repetir o sucesso do seu antecessor, sendo o primeiro filme épico a se distanciar do cristianismo primitivo, com a sua trama datada em 71 a.C.<br />
Adaptação do livro homônimo de Howard Fast, o filme conta a saga de Espártaco, ou Spartacus em latim, escravo e gladiador de origem trácia, que liderou a maior revolta de escravos do Império Romano, conhecida como “<em>Terceira Guerra Servil</em>”. Reconstrói com perfeição os movimentos em campo de batalha das legiões romanas, em cenas memoráveis, como a derrota dos escravos pelos romanos.<br />
Kirk Douglas, produtor executivo do filme, toma para si a pele do herói imaculado, com personalidade vincada na crueza dos gladiadores, no sangue vertido nas arenas, ou na lamina da espada, que corta em lâmina a opressão em nome da liberdade.<br />
“<em>Spartacus</em>” é o filme que menos traduz o estilo de Stanley Kubrick, mas não se deixa de assinalar a sua genialidade. Quando lançado nos Estados Unidos, em 1960, em plena guerra fria, foi acusado de comunista, visto que os escravos representavam o proletariado moderno, e os nobres romanos os opressores capitalistas. Visão simplista e ambígua, “<em>Spartacus</em>” é um épico em sua mais pura confecção, feito nos moldes da emoção do melodrama, para levar as platéias às lágrimas, e fazer com que ela saia de lá na certeza que viu um grande espetáculo. Cinco décadas após a sua estréia, permanece intacto em sua beleza visual, sem a tecnologia de “<em>Gladiador</em>”, de Ridley Scott, mas com uma consistência grandiosa superior, mantida por um roteiro coeso, com histórias paralelas vividas magistralmente por um elenco luxuoso. Inesquecível a beleza bíblica de Jean Simmons como a escrava Varinia ou a crueldade humanizada de Crassus, refletida numa interpretação impar de Laurence Olivier.<br />
“<em>Spartacus</em>” teve uma versão mais recente, em 2004, sem a grandiosidade épica do filme de Stanley Kubrick. Vários foram os filmes sobre gladiadores, mas nenhum o superou. Drama, história, grandes batalhas, elenco apurado, personagens carismáticas, sensível beleza estética, direção primorosa, fazem de “<em>Spartacus</em>” uma excelente redescoberta, mesmo diante do teor do melodrama, não deixa de fascinar o mais exigente do espectador, fazendo acreditar na verdadeira magia do cinema como entretenimento universal e atemporal.</p>
<p><strong>Bastidores da Preparação do Filme</strong></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eQUhll-xI/AAAAAAAAHK8/JK0Qmo84CLA/s1600-h/Spartacus+-+Kirk+Douglas+4.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eQUhll-xI/AAAAAAAAHK8/JK0Qmo84CLA/s400/Spartacus+-+Kirk+Douglas+4.jpg" border="0" alt="" /></a>Reza a lenda que Kirk Douglas fez grande campanha para ganhar o papel título do épico “<em>Ben-Hur</em>”, sendo preterido por Charlton Heston. Diante da frustração, comprou os direitos autorais do romance histórico de Howard Fast, “<em>Spartacus</em>”, e decidiu ele próprio produzir e interpretar o seu épico.<br />
Inspirado em uma personagem real, Espártaco (120 a.C. – 70 a.C.), escravo e gladiador que foi responsável por uma das maiores revoltas contra a classe dominante da Roma antiga, o livro de Howard Fast não é uma biografia, acrescentando personagens fictícias aos fatos históricos. O mesmo acontecendo ao filme, que segue em seu roteiro a adaptação cabal do romance. Mesmo feito para grandes platéias, o roteiro não se priva de trazer um texto inteligente e bem acabado, escrito por Dalton Trumbo. É importante que se assinale este momento, pois marca a volta de Dalton Trumbo como roteirista, após uma perseguição de quase uma década pelo Macartismo, movimento anticomunista que incluiu numa lista negra o nome de vários atores, roteiristas e diretores de Hollywood, tidos como suspeitos, impedidos de trabalhar na indústria do cinema. A volta de Dalton Trumbo encerrava este triste período, chancelando a mensagem do filme, um claro grito contra a opressão do poder e à escravização do homem e dos seus sonhos de liberdade.<br />
Na pré-produção do filme, os estúdios da Universal temiam o investimento, pois seria o primeiro no gênero das grandes produções épicas a não trazer histórias ligadas ao cristianismo primitivo, tema que tanto fascinava as platéias. Os escravos retratados não trazem a conversão religiosa como símbolo de luta, mas a contundente luta do homem pela liberdade, pelo fim do domínio de classes, pela convicção que se pode derrubar os grilhões através do grito da rebeldia.<br />
Anthony Mann foi o escolhido para a direção do filme. Chegou a iniciar as filmagens, mas desentendimentos com os produtores fizeram com que se afastasse, gerando um sentimento de frustração no elenco. Para substitui-lo, Kirk Douglas contratou um jovem diretor, quase que principiante na época, Stanley Kubrick.<br />
Nos relatos de bastidores, a experiência de Kubri<a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eS40xrnlI/AAAAAAAAHL0/kaYnsA36wkI/s1600-h/Spartacus+-+Kirk+Douglas+3.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eS40xrnlI/AAAAAAAAHL0/kaYnsA36wkI/s400/Spartacus+-+Kirk+Douglas+3.jpg" border="0" alt="" /></a>ck ao dirigir “<em>Spartacus</em>” teria sido traumática, visto que não pôde imprimir muito do seu estilo, pois Kirk Douglas, o produtor executivo do filme e a quem cabia a última palavra, não o permitia. Talvez isto explique o maniqueísmo latente que pouco se encontra na filmografia do diretor. “<em>Spartacus</em>” não é considerado como obra-prima de Kubrick, mas não deixa de ter a grandiosidade da sua genialidade, e serve como consolidação de carreira, demonstrando a versatilidade que ele tinha em transformar temas dos mais diversos numa produção de qualidade. O filme marcaria o rompimento do diretor com os grandes estúdios, fazendo-o optar por produções independentes.<br />
Kubrick teve vários dissabores durante as filmagens, desde não poder mexer no roteiro de Dalton Trumbo, a discussões constantes com o fotógrafo Russell Metty, que não gostava quando o diretor interferia no posicionamento da câmera e na iluminação. Kubrick impôs o seu estilo, fazendo com que o filme recebesse o Oscar de melhor fotografia no ano seguinte. Também a sua amizade com Kirk Douglas ficou bastante arranhada. Mesmo diante das adversidades, o diretor apresentou um filme de magnífica qualidade, fazendo-o o maior dentro da temática dos gladiadores, insuperável cinco décadas depois de ser realizado.</p>
<p><strong>No Sofrimento do Gladiador Surge o Rebelde</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eQrdhYaUI/AAAAAAAAHLE/ts60G9stm_0/s1600-h/Spartacus+-+Kirk+Douglas+2.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eQrdhYaUI/AAAAAAAAHLE/ts60G9stm_0/s400/Spartacus+-+Kirk+Douglas+2.jpg" border="0" alt="" /></a>O filme narra a evolução do caráter e dos princípios rebeldes de Spartacus (Kirk Douglas), um escravo de origem trácia, que se apresenta como um homem que sobrevive à sua condição cativa, usando da força natural que traz no corpo. No início da sua saga, serve como escravo em uma mina de sal na Líbia, província romana do norte da África. Na sua rebeldia intuitiva pela sobrevivência, defende-se de uma humilhação sofrida, mordendo ferozmente um guarda, sendo por este motivo condenado à morte.<br />
O destino de Spartacus é mudado quando o ianista Lentulus Batiatus (Peter Ustinov) o vê. Grande negociador e treinador de gladiadores, Batiatus enxerga em Spartacus a força bruta própria de um grande lutador das arenas do império romano. O escravo é comprado por Batiatus, livrando-se da pena capital. É levado para a escola de gladiadores em Cápua, onde será treinado para os combates.<br />
Entre os combatentes treinados são estabelecidos princípios de respeito e admiração mútua. Princípios que se tornam frágeis diante da condição de cativos, que são ameaçados pelo perigo iminente do sangue vertido nas arenas.<br />
A rispidez dos combates, a violência sanguinária que os conduz, é abrandada pelo surgimento da bela Varinia (Jean Simmons), escrava que conquista o coração de Spartacus. Jean Simmons consegue dar o tom sofrido à personagem, fazendo da sua beleza bíblica o ponto de encontro com o carisma da alma. Ingrediente essencial para gerar a humanização romântica do filme, o amor entre os dois será o fio que conduzirá os mais ínfimos atos da trajetória de ambos. Varinia virá a ser a esposa do gladiador. A personagem foi introduzida por <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eTTY08Z8I/AAAAAAAAHL8/rqwF68DeU1k/s1600-h/Spartacus+-+Jean+Simmons+e+Kirk+Douglas.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eTTY08Z8I/AAAAAAAAHL8/rqwF68DeU1k/s400/Spartacus+-+Jean+Simmons+e+Kirk+Douglas.jpg" border="0" alt="" /></a>Howard Fast, sem a comprovação de que tenha existido como é apresentada aqui.<br />
Roma era na época de Spartacus o centro do mundo. Mantinha o seu poderio por todos os reinos da antiguidade através da sua verve guerreira, das grandes legiões de soldados e da desenvolvida estratégia de guerra. Sendo um povo belicoso, não se pode estranhar que a luta de gladiadores fosse o principal espetáculo que fascinava tanto os nobres quanto à plebe. Com o passar do tempo, os espetáculos foram ficando cada vez mais sofisticados e sanguinários. Os mais aplaudidos eram aqueles que os gladiadores combatiam até a morte, arrancando aplausos da platéia e dando fama ao vencedor.<br />
Será no contexto das regras do espetáculo sanguinário que Spartacus terá a sua consciência ideológica despertada. O fato acontece quando a escola de Cápua é visitada por dois imponentes patrícios vindos de Roma, o presidente do senado Sempronius Gracchus (Charles Laughton) e, o general Marcus Licinius Crassus (Laurence Olivier), acompanhados por suas esposa e noiva, respectivamente. As duas mulheres pedem para que lhes seja oferecido um espetáculo de gladiador. Mas não querem uma luta comum, exigem um combate mortal, em que só o mais forte irá sobreviver. Curiosamente, a mulher, lado frágil e sensível dentro das tramas, é quem maldosamente exige o sangue e a morte como apoteose do espetáculo que desejam fervorosamente assistir.<br />
Spartacus é o gladiador escolhido para o combate. Terá que lutar contra o negro Draba (Woody Strode). A superioridade física de Draba é visivelmente gritante diante de Spartacus. Estabelecido o combate, Draba vence. Mas contrariando os que se lhe aplaudem e pedem o sangue do vencido, o negro mostra que a sua ética é maior do que a sua força colossal. Draba recusa-se a matar Spartacus. Como resposta aos que se lhe gritam para que derrame o sangue do vencido, o gladiador atira o seu tridente contra a tribuna onde se encontravam os romanos. O seu gesto de rebeldia e ética incontestável custa-lhe a vida. Draba é morto por desobedecer aos caprichos do público.<br />
<a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eTxzJo9eI/AAAAAAAAHME/DdAw9eoFUPk/s1600-h/Spartacus+2.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eTxzJo9eI/AAAAAAAAHME/DdAw9eoFUPk/s400/Spartacus+2.jpg" border="0" alt="" /></a>Sobrevivente da compaixão de Draba, Spartacus é atingido por um grande sentimento de revolta. Sabia bem que se fosse o contrário, não teria poupado a vida de Draba. O gesto do gladiador negro provoca uma convulsão nos princípios de Spartacus, que até então eram regidos pela necessidade de sobreviver. A partir de então, passa a existir pelo princípio de querer ser livre, nem que para isto tenha que desafiar todo o império romano, reescrever as leis e fazer de cada escravo um homem liberto. Não será a sede pelo poder que conduzirá a luta de Spartacus, mas a vontade de ser livre.<br />
Após a morte de Draba, nada será igual para Spartacus e para Crassus. A partir daquele momento, os seus destinos estão interligados. O primeiro rebela-se, liderando uma revolta de escravos, tornando-se comandante de um grande exército de homens cativos, enquanto que o segundo sonha em ascender ao poder absoluto dentro da poderosa Roma, para isto liderará a legião de soldados romanos, que assim como em uma feroz arena, combaterão até que se tenha apenas um lado vencedor.</p>
<p><strong>O Núcleo dos Patrícios Romanos</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eQ9wFb2TI/AAAAAAAAHLM/AlvjcIRCijc/s1600-h/Spartacus+-+Laurence+Olivier+e+Jean+Simmons.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eQ9wFb2TI/AAAAAAAAHLM/AlvjcIRCijc/s400/Spartacus+-+Laurence+Olivier+e+Jean+Simmons.jpg" border="0" alt="" /></a>Iniciada a revolta, Spartacus refugia-se no monte Vesúvio, construindo ali uma cidadela que abriga gladiadores e escravos fugitivos. Durante três anos, o exército de escravos cresce. A rebelião incita a todos os cativos do grande império, que fogem dos seus amos, agregando-se aos combatentes. Sob o comando de Spartacus, os rebeldes derrotam dois exércitos de Roma, conquistando todo o sul da península Itálica. Sucessivamente, derrota outras três milícias romanas.<br />
Paralelamente, o filme apresenta o núcleo dos patrícios romanos. Neste ponto, o maniqueísmo do filme é totalmente dissipado. Enquanto os escravos são mostrados como íntegros, alegres e distantes da falta de princípios morais, os patrícios são dissecados em toda a sua verve humana. Não se portam como simples vilões antagonistas, mas como homens na essência da luta para que não se lhe roubem o poder, sem apegos ao moralismo inexistente que se estabeleceria somente após a propagação da moral judaico-cristã, um século depois. Talvez a falha do filme seja esta, a moralidade judaico-cristã respingando sobre o núcleo de escravos antes mesmo da sua existência. No núcleo dos patrícios não ocorre a falha, o que faz o grande equilíbrio do filme.<br />
Enquanto Spartacus lidera o seu exército de escravos, gerando grandes batalhas, vamos acompanhando os bastidores do poder romano, através do embate pelo poder entre Gracchus e Crassus. Gracchus, uma excepcional atuação do memorável Charles Laughton, procura uma solução para a rebeldia, sem que se traga transtorno e ameace o seu poder de senador do maior império do mundo. Crassus ao contrário, vê na rebelião o grande momento da sua <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2egF9GVbSI/AAAAAAAAHNE/MtEp5mlMrBI/s1600-h/Spartacus+-+Tony+Curtis+e+Laurence+Olivier+1.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2egF9GVbSI/AAAAAAAAHNE/MtEp5mlMrBI/s400/Spartacus+-+Tony+Curtis+e+Laurence+Olivier+1.jpg" border="0" alt="" /></a>ascensão política, derrotá-la era obter um passaporte para o poder ilimitado. No jogo pelo poder entre Gracchus e Crassus, excelentes diálogos são travados. Para desacreditar o general Crassus, Gracchus indica Marcus Glabrus (John Dall), protegido e pupilo do seu opositor, como comandante da guarda romana, enviando-o contra o exército de Spartacus, sabendo que ele não tem condições para garantir uma vitória e, como era previsto, volta derrotado. A humilhação de Glabrus é também a de Crassus. Gracchus não protegeu Spartacus, mas a si mesmo, ao seu poderio.<br />
Crassus é a personagem que mais se explora toda a uma vertente humana. Laurence Olivier entrega-se sem medo às complexidades do instigante general romano. Traz uma interpretação de fôlego, calcada por uma frieza ligeira, que se não lhe consegue apagar uma explosão dramática persistente, quase a flor da pele, e, uma sensualidade homoerótica latente. Crassus é tomado por uma obsessão sem limite para derrotar Spartacus. É a sua oportunidade de ascender politicamente, tornando-se um líder absoluto de Roma. Sua obsessão inclui Varinia, a mulher de Spartacus. Não percebe, ou não quer ver, como uma mulher pode desprezar um homem de grande prestigio e poder como ele. O que não enxerga é que Spartacus atingiu o mesmo poder, tornando-se um rebelde lendário. Também a sua sexualidade é dúbia. Sutilmente aceita os sentimentos e desejos do afetado Glabrus, tornando-o seu pupilo. O equilíbrio é quebrado quando Glabrus é derrotado por Spartacus, e Crassus já não vê fascínio no protegido, enxergando-lhe apenas a afetação, que se lhe trará grande repulsa por Glabrus. Também o culto e sensível Antoninus (Tony Curtis), a quem torna seu escravo particular, exerce uma irresistível atração sobre ele. Mas também Antoninus é perdido para Spartacus. O escravo foge para se <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eZMjIxvoI/AAAAAAAAHMs/8qN99hD-R2I/s1600-h/Spartacus+-+Laurence+Olivier+1.JPG"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eZMjIxvoI/AAAAAAAAHMs/8qN99hD-R2I/s400/Spartacus+-+Laurence+Olivier+1.JPG" border="0" alt="" /></a>juntar ao exército rebelde. Stanley Kubrick dirigiu uma insinuante cena de banho entre Crassus e Antoninus, criando uma acirrada polêmica na época. A ousadia sofreria a mão da censura, que cortou a cena. Em 1991 o filme teve uma versão restaurada lançada, tendo treze minutos a mais do que o original. A cena de Crassus e Antoninus na banheira pôde finalmente ser vista. O ator Anthony Hopkins dublou a voz de Laurence Olivier na cena, uma vez que este tinha falecido em 1989.<br />
Antoninus, sensível interpretação do ator Tony Curtis, em uma participação especial, é responsável por um dos grandes momentos de lirismo do filme, quando recita um poema, aludindo ao retorno para casa, dando a visão de um desejo de liberdade que condição cativa alguma pode destruir dentro do ser humano.</p>
<p><strong>A Batalha Final</strong></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eVJDK0CWI/AAAAAAAAHMU/wQIj8i9TMdY/s1600-h/Spartacus+3.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eVJDK0CWI/AAAAAAAAHMU/wQIj8i9TMdY/s400/Spartacus+3.jpg" border="0" alt="" /></a>O ápice do filme converge para a batalha final entre o exército romano e a rebelião liderada por Spartacus. Após sucessivas derrotas, o senado romano percebe a gravidade do alastramento da rebelião de escravos, mandando-lhe ao encalce todo o seu poderio militar. Chega o fatídico dia, quando Spartacus é cercado na região de Reggio di Calábria, pelas tropas comandadas por Crassus. Antes da batalha propriamente dita, há momentos épicos únicos, com vários minutos mostrando a movimentação das tropas, conduzindo a uma frenética atmosfera de tensão absoluta. Mais de 8.500 figurantes foram utilizados nas tomadas das cenas da batalha final. Um dos momentos mais marcantes do filme é quando, sob intensa tensão, ouve-se o som da multidão a gritar:<br />
“<em>Spartacus, Spartacus</em>”.<br />
A batalha final é um marco na história do cinema mundial, com cenas de grande realismo, que cinco décadas depois, ainda deixam o espectador sem fôlego. Acossados, os rebeldes põem-se em fuga. Spartacus é perseguido por Crassus, tendo o seu exército finalmente derrotado na Lucania.<br />
O final do filme foge ao que se sucedeu de fato a <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2ea2IZJaeI/AAAAAAAAHM8/GsMwUW1qfi8/s1600-h/Spartacus+-+Jean+Simmons.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2ea2IZJaeI/AAAAAAAAHM8/GsMwUW1qfi8/s400/Spartacus+-+Jean+Simmons.jpg" border="0" alt="" /></a>Spartacus, que após ser derrotado, teria sido retalhado. No filme o herói rebelde é crucificado, dando uma conotação cristã a uma história que veio antes da existência de Jesus Cristo. A morte de Spartacus não é instantânea, é lenta, sem glória, humilhado e pendurado em uma cruz. O encontro final entre ele e Varinia atinge todos os níveis do melodrama, fazendo com que a platéia se banhe em lágrimas. Diante do marido crucificado, ela faz o seu último pedido:<br />
“<em>Por favor, meu amor, morra logo.</em>”<br />
As palavras de Varinia ecoam pela beleza cênica e trágica do filme. Ao pé da cruz, ela abraça-se às pernas do marido, antes de uma sofrida despedida final. Jean Simmons tem um dos mais belos momentos da sua carreira, traduzindo a dor da mulher diante de uma cruz, numa espécie de antecessora de Maria.<br />
Spartacus definha-se na cruz. Desde a primeira cena que o escravo estava destinado para ser morto. Primeiro ao ser condenado sem grande razão, por morder um soldado romano. Outra vez pelo tridente do negro gladiador que o derrotou na arena. Finalmente, por todos os motivos do mundo, por desafiar a hierarquia do maior império da antiguidade, e conclamar um grito de liberdade que só seria possível mediante o fim da própria concepção que sustentava o império. Spartacus olha de cima de uma cruz o fim dos seus sonhos. Morrer lentamente é o pior castigo para os que atingiram a glória heróica. Só a morte poderá perpetuar o mito de Spartacus e apagar-lhe a humilhação final. Assim como um homem oriundo de uma pequena cidade na Palestina, que nasceria 70 anos depois, Spartacus dá o último suspiro na cruz. Um épico daquela época não poderia deixar de fazer esta conexão com o cristianismo, mesmo que ela seja historicamente falsa. Encerrava-se assim, um dos maiores épicos de Hollywood, que mesmo depois de cinqüenta anos da sua produção, continua a ser classificado <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eVwuzTEMI/AAAAAAAAHMc/BN_8wzUTX3c/s1600-h/Spartacus+-+Kirk+Douglas+5.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eVwuzTEMI/AAAAAAAAHMc/BN_8wzUTX3c/s400/Spartacus+-+Kirk+Douglas+5.jpg" border="0" alt="" /></a>como um dos cem melhores filmes de todos os tempos.<br />
“<em>Spartacus</em>” ganhou o Globo de Ouro como melhor filme, além de ser indicado para as categorias de melhor direção (Stanley Kubrick), melhor trilha sonora original, melhor ator (Laurence Olivier) e melhor ator coadjuvante (Peter Ustinov). Apesar de não ser indicado para o Oscar de melhor filme e de melhor direção, teve seis indicações, levando quatro estatuetas, a de melhor ator coadjuvante para Peter Ustinov, de melhor direção de arte, de melhor figurino e o de melhor fotografia. Recebeu ainda a indicação de melhor filme da Academia Britânica de Cinema e Telvisão, no Reino Unido.</p>
<p><strong>Ficha Técnica:</strong></p>
<p><strong><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eRdbDWauI/AAAAAAAAHLU/vEBa2ehHsyA/s1600-h/Spartacus+-+Kirk+Douglas+1.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eRdbDWauI/AAAAAAAAHLU/vEBa2ehHsyA/s400/Spartacus+-+Kirk+Douglas+1.jpg" border="0" alt="" /></a>Spartacus</strong></p>
<p><strong>Direção:</strong> Stanley Kubrick<br />
<strong>Ano:</strong> 1960<br />
<strong>País:</strong> Estados Unidos<br />
<strong>Gênero:</strong> Épico/ Drama Histórico/ Aventura<br />
<strong>Duração:</strong> 183 minutos / Cor<br />
<strong>Título Original:</strong> Spartacus<br />
<strong>Roteiro:</strong> Dalton Trumbo, baseado no livro de Howard Fast<br />
<strong>Produção:</strong> Edward Lewis<br />
<strong>Produção Executiva:</strong> Kirk Douglas<br />
<strong>Música Original:</strong> Alex North<br />
<strong>Direção de Fotografia:</strong> Russell Metty<br />
<strong>Direção de Arte:</strong> Eric Orbom<br />
<strong>Produção de Design:</strong> Alexander Golitzen<br />
<strong>Decoração de Set:</strong> Russel A. Gausman e Julia Heron<br />
<strong>Figurino:</strong> Bill Thomas e Valles<br />
<strong>Maquiagem:</strong> Bud Westmore e Larry Germain<br />
<strong>Edição:</strong> Robert Lawrence<br />
<strong>Efeitos Visuais: </strong>Peter Ellenshaw e Ditta Peruzzi<br />
<strong>Som:</strong> Joe Lapis, Ronald Pierce, Murray Spivack e Waldon O. Watson<br />
<strong>Estúdio:</strong> Universal Pictures / Bryna Productions<br />
<strong>Distribuição:</strong> Universal Internacional<br />
<strong>Elenco:</strong> Kirk Douglas, Laurence Olivier, Jean Simmons, Charles Laughton, Peter Ustinov, Tony Curtis, John Gavin, Nina Foch, John Ireland, Herbert Lom, Charles McGraw, John Hoyt, Woody Strode, Frederick Worlock, John Dall, Joanna Barnes, Harold Stone, Peter Brocco, Paul Lambert, Nick Dennis, Jim Sears, Tom Steele<br />
<strong>Sinopse:</strong> Spartacus (Kirk Douglas), é <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eYYpy9mfI/AAAAAAAAHMk/P-DFRysgic4/s1600-h/Spartacus+1.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eYYpy9mfI/AAAAAAAAHMk/P-DFRysgic4/s400/Spartacus+1.jpg" border="0" alt="" /></a>um escravo que ao servir em uma mina na Líbia, é condenado a morte por morder um soldado. Visto por um negociador e treinador de gladiadores, tem o seu destino mudado quando este se interessa por ele, comprando-o, levando-o em seguida para ser treinado em uma escola de gladiadores. Numa visita de poderosos patrícios romanos à escola, é escolhido para entretê-los em um combate mortal com um negro. Ao derrotar Spartacus, o negro recusa-se a matá-lo, atirando o seu tridente contra a tribuna. O negro é punido com a morte pelo seu ato, gerando a revolta de Spartacus. O gladiador vencido lidera uma rebelião de escravos, formando um grande exército de cativos rebeldes. Ignorando a força dos revoltados, legiões romanas são enviadas para conter a rebelião, sendo por eles derrotados. Diante da gravidade, o senado de Roma envia uma poderosa legião para pôr fim à insurreição dos escravos.</p>
<p><strong>Stanley Kubrick</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eRxA363aI/AAAAAAAAHLc/gm9GgJRYp5g/s1600-h/Spartacus+-+Stanley+Kubrick.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eRxA363aI/AAAAAAAAHLc/gm9GgJRYp5g/s400/Spartacus+-+Stanley+Kubrick.jpg" border="0" alt="" /></a>Considerado um dos maiores cineastas de todos os tempos, Stanley Kubrick nasceu em Nova York, Estados Unidos, em 26 de julho de 1928. Aluno pouco brilhante, passou a infância no conhecido bairro do Bronx. Logo cedo desenvolveu grande aptidão pela fotografia, recebendo do pai a sua primeira máquina fotográfica. Ainda adolescente, empregou-se como fotógrafo na conceituada revista “<em>Look</em>”. O futuro cineasta atingiu a visão de um grande fotógrafo, o que lhe deu uma perspectiva estética de beleza impar, sintetizada em sua obra cinematográfica.<br />
Aos vinte e dois anos Kubrick já fazia filmes de curta-metragem. Em 1953, com a ajuda financeira do pai, empenhou a casa e produziu o seu primeiro longa-metragem, “<em>Fear and Desire</em>”, filme que foi exibido poucas vezes, mesmo depois da fama do cineasta. A sua carreira só começou a ser vista a partir do filme “<em>O Grande Golpe</em>” (<em>The Killing</em>), em 1956. No ano seguinte, com a ajuda do ator Kirk Douglas, fez o filme “<em>Horizontes de Glória</em>” (<em>Paths of Glory</em>). A presença de um astro como Kirk Douglas foi fundamental para que o filme tivesse boa repercussão, mas a polêmica gerada em torno da produção, fez com que fosse proibido em alguns países, entre os quais a França.<br />
A experiência com Stanley Kubrick, levou Kirk Douglas a convidá-lo para substituir Anthony Mann, em 1960, na direção do épico “<em>Spartacus</em>”. O filme gerou um desgaste na amizade com Kirk Douglas, produtor executivo, trazendo um rompimento informal na amizade dos dois. “<em>Spartacus</em>”, considerado um dos maiores épicos de todos os tempos, consolidou a carreira de Stanley Kubrick, que viria a ser uma das mais singulares do cinema norte-americano e mundial.<br />
Diante das limitações que teve em participar<a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eZ-6g2IwI/AAAAAAAAHM0/o7M3IUcLyqU/s1600-h/Spartacus+-+Kirk+Douglas+7.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eZ-6g2IwI/AAAAAAAAHM0/o7M3IUcLyqU/s400/Spartacus+-+Kirk+Douglas+7.jpg" border="0" alt="" /></a> da concepção final de “<em>Spartacus</em>”, Kubrick decidiu não voltar a trabalhar para um grande estúdio, só aceitando dirigir projetos que pudesse ter liberdade criativa. A partir de então, o cineasta construiu uma galeria de grandes obras do cinema, como “<em>Lolita</em>”, em 1962. Em 1968, os cinemas assistiriam à estréia de “2001<em>: Uma Odisséia no Espaço</em>” <em>(2001: A Space Odyssey</em>), inspirado no livro homônimo de Arthur C. Clarke, considerado por muitos o maior filme de ficção científica. O filme trazia efeitos especiais inovadores para a época, garantindo o Oscar na categoria.<br />
Em 1971, viria o mais complexo filme de Kubrick, “<em>Laranja Mecânica</em>” (<em>A Clockwork Orange</em>), inspirado no livro homônimo de Anthony Burgess. Nunca a violência da juventude foi tão alegoricamente retratada como aqui.<br />
Em 1999 Kubrick realizaria o seu último filme, “<em>De Olhos Bem Fechados</em>” (<em>Eyes Wide Shut</em>), tendo como protagonistas o então mais poderoso casal de Hollywood, Tom Cruise e Nicole Kidman. Um ataque cardíaco enquanto dormia, em 7 de março de 1999, mataria o cineasta, que não viu a estréia da sua última produção, sendo poupado da frieza com que o filme foi recepcionado tanto pela crítica quanto pelo público.</p>
<p><strong>Filmografia de Stanley Kubrick:</strong><br />
<a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eUZSgc0AI/AAAAAAAAHMM/kU64LtZQG8s/s1600-h/Spartacus+-+Tony+Curtis+e+Laurence+Olivier.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2eUZSgc0AI/AAAAAAAAHMM/kU64LtZQG8s/s400/Spartacus+-+Tony+Curtis+e+Laurence+Olivier.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
<em>Longa-Metragem</em></p>
<p>1953 – Fear And Desire<br />
1955 – Killer’s Kiss (A Morte Passou Perto)<br />
1956 – The Killing (O Grande Golpe)<br />
1957 – Paths of Glory (Glória Feita de Sangue)<br />
1960 – Spartacus (Spartacus)<br />
1962 – Lolita (Lolita)<br />
1964 – Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying And Love the Bomb (Dr. Fantástico)<br />
1968 – 2001: A Space Odyssey (2001: Uma Odisséia no Espaço)<br />
1971 – A Clockwork Orange (A Laranja Mecânica)<br />
1975 – Barry Lyndon (Barry Lyndon)<br />
1980 – The Shining (O Iluminado)<br />
1987 – Full Metal Jacket (Nascido Para Matar)<br />
1999 – Eyes Wide Shut (De Olhos Bem Fechados)</p>
<p><em>Curta-Metragem</em></p>
<p>1951 – Flying Padre: An RKO-Pathe Screenliner<br />
1951 – Day of the Fight<br />
1953 – The Seafarers</p>
<p><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2ehAcFyd8I/AAAAAAAAHNM/jmwAzUe4eMI/s400/Spartacus+-+Kirk+Douglas+6.jpg" border="0" alt="" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/726/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/726/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/726/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/726/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/726/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/726/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/726/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/726/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/726/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/726/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/726/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/726/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/726/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/726/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=726&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>DOCES BÁRBAROS &#8211; ENCONTRO TELÚRICO NA MPB</title>
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		<pubDate>Fri, 07 May 2010 06:09:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[gal costa]]></category>

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		<description><![CDATA[O encontro entre os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia com Gal Costa e Gilberto Gil, aconteceu bem antes da fama que os consagraria para sempre na história da MPB. Os contrastes das personalidades, vozes e estilos, construíam inexplicavelmente, uma unidade que nos primeiros dez anos de suas carreiras, foram afunilando de forma tão delineadamente [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=724&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WW-nI4HxI/AAAAAAAAHIE/llIcGRqY-iU/s1600-h/Doces+B%C3%A1rbaros+Capa.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WW-nI4HxI/AAAAAAAAHIE/llIcGRqY-iU/s400/Doces+B%C3%A1rbaros+Capa.jpg" border="0" alt="" /></a>O encontro entre os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia com Gal Costa e Gilberto Gil, aconteceu bem antes da fama que os consagraria para sempre na história da MPB. Os contrastes das personalidades, vozes e estilos, construíam inexplicavelmente, uma unidade que nos primeiros dez anos de suas carreiras, foram afunilando de forma tão delineadamente explícita, tornando-os quadrigêmeos siameses.<br />
Vindos da Bahia, percorreram um longo caminho, marcado pelo talento e sucesso; pelos estigmas da ditadura militar e da moral vigente; pela quebra da estética da música brasileira; pela angústia do exílio, e, pela consolidação de quatro sólidas carreiras individuais. Separados pela efervescência da Tropicália, os quatro só se iriam reunir outra vez, em 1976, formando os Doces Bárbaros.<br />
Momento conturbado e genial da carreira de Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil – os Doces Bárbaros -, encontro meteórico, mas definitivo, deixou o legado de um álbum duplo ao vivo, um filme, um compacto duplo gravado em estúdio, e a memória de um grande espetáculo, que mesmo decepado no auge com a prisão de Gilberto Gil, não perdeu a sua eloqüência e magnificência histórica, teatral e musical.<br />
“<em>Doces Bárbaros</em>”, álbum duplo de 1976, traz uma gravação ao vivo precária, com grande deficiência técnica, sem que se lhe tire o registro daquele momento sublime. Na época do lançamento não foi bem compreendido pela crítica e pelo público, que não percebiam a unidade invisível do disco, posto que cada artista manteve a sua característica, fazendo dos contrastes a genialidade que só o tempo pôde decifrar. As faixas trazem o último fôlego tardio da era “<em>flower power</em>”; o sincretismo religioso dos baianos; o rock diluído da Tropicália; canções do amor extremado; tudo reunido de forma alegre, lúdica e quase circense. É um momento raro da MPB, em que se constrói um estilo que une a década de 1960 com a de 1970, introduzindo o que se iria ver na década seguinte, onde a MPB tornar-se-ia uma voz feminina através do canto de Maria Bethânia e Gal Costa; e Caetano Veloso e Gilberto Gil cravando definitivamente na verve dos grandes compositores do país.<br />
“<em>Doces Bárbaros</em>”, disco e filme, o marco das diferenças de cada um em um canto dissonante, barbaramente único. Depois de 1976, por duas vezes, o grupo voltou; em 1994, homenageando a escola de samba carioca Mangueira, e em 2002, num encontro apoteótico na praia de Copacabana. Mas nada foi igual àquele instante de fecunda criatividade juvenil, que surgiu no inverno e encerrou-se numa conturbada primavera de um ano marcado por grilhões da repressão militar, e pela beleza da música que se construía maior e mais possante do que qualquer tanque da caserna.</div>
<p><strong>Juntos no Mítico “<em>Nós, Por Exemplo</em>”</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WXbpXF5PI/AAAAAAAAHIM/3qYfcsJS-lU/s1600-h/Doces+B%C3%A1rbaros+-+Arena+Canta+Bahia.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WXbpXF5PI/AAAAAAAAHIM/3qYfcsJS-lU/s400/Doces+B%C3%A1rbaros+-+Arena+Canta+Bahia.jpg" border="0" alt="" /></a>No início dos anos sessenta, jovens e talentosos cantores e compositores, tiveram suas vidas convergidas em Salvador, na Bahia. Era a geração que, alguns anos depois, faria de vez a transição da rádio para a televisão, que apesar de estar instalada no país há mais de dez anos, era totalmente incipiente.<br />
Em 22 de agosto de 1964, o Teatro Vila Velha, em Salvador, era inaugurado, abrindo as cortinas e recebendo no seu palco um grupo de jovens inquietos e inquietantes, desconhecidos do grande pública, mas singularmente talentosos. Eram eles Maria da Graça (Gal Costa), Caetano Veloso, Maria Bethânia, Antonio José (Tom Zé), Gilberto Gil, Fernando Lona, Antonio Renato (Perna Fróes), Djalma Corrêa e Alcyvando Luz. Era a estréia do mítico “<em>Nós, Por Exemplo</em>”. O sucesso foi tamanho, que gerou uma segunda versão do espetáculo. O ápice do show era a voz agreste e seca de Maria Bethânia em contraste com a voz doce e aguda de Maria da Graça, cantando em dueto a melancólica “<em>Sol Negro</em>” (Caetano Veloso).<br />
Na seqüência de “<em>Nós, Por Exemplo</em>”, veio “<em>Nova Bossa Velha, Velha Bossa Nova</em>”, reunindo quase todos os integrantes do primeiro show, estreando-se no Teatro Vila Velha, em novembro de 1964. No grupo, a harmonia entre os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia com Maria da Graça e Gilberto Gil, era o que sustentava o espetáculo, fazendo deles promissores artistas.<br />
A fama não demorou a vir. Maria Bethânia foi vista no palco por Nara Leão, que ficou fascinada por aquela voz potente e tão diferente das demais. Na ocasião, a cantora fazia o mítico espetáculo “<em>Opinião</em>”. Impossibilitada de fazer uma temporada tão longa devido a problemas vocais, Nara Leão sugeriu que a então desconhecida Maria Bethânia a substituísse. Assim, a baiana foi a primeira a deixar o grupo, rumando para o sudeste, onde seria a revelação de 1965. Na bagagem, Maria Bethânia levou “<em>Sol Negro</em>”, gravado em dueto com Maria da Graça em 1965, no seu primeiro álbum.<br />
O grupo voltaria a reunir-se nos palcos do Teatro de Arena, em São Paulo, em setembro de 1965, no show “<em>Arena Canta Bahia</em>”, dirigido por Augusto Boal. Maria Bethânia era a única do grupo que já tinha a carreira lançada profissionalmente, alcançando grande prestígio. Na seqüência veio “<em>Tempo de Guerra</em>”, com texto de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri. O show já não contava com Caetano Veloso, que retornara para Salvador. Mais uma vez, Maria Bethânia foi a estrela do espetáculo, que trazia ainda uma Maria da Graça intimista e pouco à vontade. As apresentações que reuniam os quatro baianos nos palcos encerraram-se.<br />
Em 1967, parte da unidade do grupo veio com o lançamento de “<em>Domingo</em>”, primeiro álbum de Caetano Veloso e de Maria da Graça, já transmutada com o ressoante nome de Gal Costa. O álbum trazia ainda a essência bossa nova que <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WbjvINO6I/AAAAAAAAHJc/iymRCgGl5Yk/s1600-h/Doces+B%C3%A1rbaros+-+Gal+e+Beth%C3%A2nia.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WbjvINO6I/AAAAAAAAHJc/iymRCgGl5Yk/s400/Doces+B%C3%A1rbaros+-+Gal+e+Beth%C3%A2nia.jpg" border="0" alt="" /></a>caracterizara o show “<em>Nós, Por Exemplo</em>”. Ainda naquele ano, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa seriam protagonistas de um dos mais marcantes movimentos da MPB, a Tropicália.<br />
O movimento tropicalista uniu ainda mais os baianos, mas deixou de fora Maria Bethânia, que por escolha pessoal, não quis se envolver. Os tempos eram difíceis, e os baianos traziam uma irreverência que assustava a moral conservadora que sustentava a ditadura militar. As atitudes que sabotavam os costumes sociais e morais da época, era o que de fato incomodavam os militares, não as suas convicções ideológicas, que estavam longe do engajamento político das esquerdas da época. A Tropicália explodiu as suas notas dissonantes pelo Brasil. Caetano Veloso, Gal Costa e Gilberto Gil alcançaram a fama. O movimento foi bruscamente encerrado com a prisão de Caetano Veloso e Gilberto Gil, em dezembro de 1968, culminando com o exílio dos dois em Londres, que se iria estender de 1969 a 1972.<br />
Passada a fase caudalosa da Tropicália, o exílio, e o namoro com a geração underground, ou do desbunde; Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil, tinham carreiras sólidas e prestigiadas na primeira metade da década de setenta. Em 1975, completava dez anos que não se juntavam os quatro nos palcos. O encontro era ansiado por todos os fãs, tornando-se inevitável.</p>
<p><strong>A Convocação de Maria Bethânia</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WXt6I9I8I/AAAAAAAAHIU/Snm6lMxrVh4/s1600-h/Doces+B%C3%A1rbaros+1.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WXt6I9I8I/AAAAAAAAHIU/Snm6lMxrVh4/s400/Doces+B%C3%A1rbaros+1.jpg" border="0" alt="" /></a>Partiu de Maria Bethânia a idéia de um espetáculo que reunisse os quatro baianos mais famosos da sua geração. Assim, em 1976, a cantora convocou o irmão e os dois amigos para um encontro no palco, desta vez, todos já profissionais de sucesso, com técnica e carisma para a realização de um espetáculo memorável.<br />
Maria Bethânia, que por anos sofrera o estigma da canção “<em>Carcará</em>” (João do Vale – José Candido), entrava em uma nova fase da sua carreira, abandonando os álbuns teatrais, realizando um disco por inteiro de música, “<em>Pássaro Proibido</em>”, assumindo um estilo que a iria transformar na cantora mais ouvida no país, com o álbum “<em>Álibi</em>”, em 1978. Depois de “<em>Carcará</em>”, a cantora teve um grande sucesso que explodiu nas paradas musicais de então, “<em>Coração Ateu</em>” (Sueli Costa), graças ao sucesso da novela “<em>Gabriela</em>”, onde fazia parte da trilha sonora, em 1975. Com “<em>Pássaro Proibido</em>”, a cantora alcançaria um outro grande sucesso com “<em>Olhos Nos Olhos</em>” (Chico Buarque). Ampliaria o seu público, até então fechado em um grupo elitizado e de grande teor intelectual.<br />
Gilberto Gil vinha de um dos seus maiores sucessos da década de 1970, “Eu <em>Só Quero Um Xodó</em>” (Dominguinhos – Anastácia), em 1973, sendo constantemente requisitado pelo movimento estudantil, que tomava um novo fôlego após ter seus líderes exilados, presos, desaparecidos ou mortos. Lançara, em 1975, o álbum “<em>Refazenda</em>”, iniciando em agosto daquele ano, uma turnê pelo país, com um show homônimo.<br />
Caetano Veloso, após dois anos sem lançar um álbum, voltou, em 1975, ao mercado discográfico com dois discos, “<em>Jóia</em>” e “<em>Qualquer Coisa</em>”. Na época, era constantemente cobrado por uma falta de definição ideológica, sendo acusado de alienação pelos engajados que esperavam, após o exílio, uma posição mais arrojada do cantor ante a situação política do país.<br />
Gal Costa vinha de um momento particularmente feliz. Após sofrer críticas mordazes contra o seu show e álbum “<em>Cantar</em>”, em 1974, ficou dois anos sem lançar um LP. Em 1975 disparou nas rádios e na televisão com “<em>Modinha Para Ga</em>briela” (Dorival Caymmi), tema de abertura da telenovela “Gabriela”. O sucesso proporcionou um show com Dorival Caymmi e o lançamento do álbum, “<em>Gal Canta Caymmi</em>”, no início de 1976, que lhe rendeu prestígio e mais uma canção em abertura de telenovela, “<em>Só Louco</em>” (Dorival Caymmi), tema principal de “<em>O Casarão</em>”, de Lauro César Muniz.<br />
Foi neste contexto que Maria Bethânia fez a convocação. Gilberto Gil abandonou a excursão do seu show “<em>Refazenda</em>”, para que se pudesse dedicar ao projeto. Gal Costa e Caetano Veloso aderiram com grande entusiasmo. Estava gerado o clima para o reencontro em palco, dos quatro baianos.</p>
<p><strong>Doces Bárbaros, o Show</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WYWq2OchI/AAAAAAAAHIk/AOcF5teXc6A/s1600-h/Doces+B%C3%A1rbaros+2.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WYWq2OchI/AAAAAAAAHIk/AOcF5teXc6A/s400/Doces+B%C3%A1rbaros+2.jpg" border="0" alt="" /></a>No lançamento do filme “<em>Doces Bárbaros</em>”, de Jom Tob Azulay, em DVD, em 2009, foi amplamente divulgado que o encontro entre os baianos deu-se para a comemoração dos dez anos de carreira dos quatro. Cronologicamente, 1976 não assinalava marco algum, pois Maria Bethânia e Gilberto Gil já tinham discos gravados há mais de onze anos; Gal Costa e Caetano Veloso ainda iam nos nove anos da estréia profissional com o álbum “<em>Domingo</em>”. Para finalizar, o último encontro de todos juntos datava de 1965, portanto, 1976 marcava um reencontro que teve uma ausência de onze anos.<br />
Em 1974, Gal Costa, Caetano Veloso e Gilberto Gil lançaram o álbum “<em>Temporada de Verão – Ao Vivo na Bahia</em>”, gravado no mítico Teatro Vila Velha, em Salvador, demarcando os dez anos do teatro. Os shows foram feitos em paralelo, não havendo um encontro entre os três. Foi o que mais chegou próximo de um reencontro, mais tropicalista do que o todo.<br />
Reza a tradição de que Maria Bethânia teria sonhado com a reunião dos quatro em um show. A idéia contagiou o grupo, e em duas semanas comporiam o repertório que faria parte do show. Até mesmo Gal Costa e Maria Bethânia, arriscaram-se como co-autoras de duas das canções. As exceções foram para músicas de Dorival Caymmi; Herivelto Martins e David Nasser; Waly Salomão; e, Milton Nascimento e Ronaldo Bastos.<br />
Gilberto Gil e Caetano Veloso tinham por objetivo gravar o álbum em estúdio, mas Gal Costa e Maria Bethânia decidiram que o disco seria registrado ao vivo. Em maio de 1976, os quatro entraram em estúdio para a gravação de um compacto duplo, com as faixas “<em>Chuck Berry Fields Forever</em>” , “<em>São João, Xangô Menino</em>”, “<em>Esotérico</em>” e “<em>O Seu Amor</em>”, sendo lançado em julho daquele ano.<br />
Após exaustivos ensaios, no dia 24 de junho de 1976, doze anos depois do histórico “<em>Nós, Por Exemplo</em>”, Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia e Gilberto Gil reencontravam-se em palco, formando o grupo que chamaram Doces Bárbaros. A estréia dos Doces Bárbaros foi no Anhembi, em São Paulo. Show romântico, com roupas coloridas, ludismo circense, sensualidade latente, repertório arrojado e inédito, numa dilatada sintonia de quatro estilos diferentes.<br />
O momento era histórico. O grupo abraçava com fôlego o encontro. Agendaram dez cidades brasileiras para a apresentação do show. Por insistência de Gilberto Gil e Caetano Veloso, incluíram Florianópolis, capital de Santa Catarina, no roteiro. Seria naquela cidade do sul do país que o reencontro teria uma interrupção brusca. No dia 7 de julho, uma operação truculenta da polícia de Florianópolis prendeu Gilberto<a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WiZ1b8TCI/AAAAAAAAHKM/QRcyhbsNRew/s1600-h/Doces+B%C3%A1rbaros+-+Gal,+Beth%C3%A2nia+e+Gil.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WiZ1b8TCI/AAAAAAAAHKM/QRcyhbsNRew/s400/Doces+B%C3%A1rbaros+-+Gal,+Beth%C3%A2nia+e+Gil.jpg" border="0" alt="" /></a> Gil e o baterista do show, Chiquinho Azevedo, indiciados por porte de maconha. A notícia ecoou pelo Brasil, gerando uma acirrada polêmica.<br />
Recolhido em uma cadeia pública, Gilberto Gil foi, por decreto de um juiz, internado no Instituto Psiquiátrico São José, próximo a Florianópolis. Ali permaneceria até 20 de julho, para que se submetesse a tratamento ambulatorial no Sanatório Botafogo, no Rio de Janeiro. Naquele ano a ditadura militar, que aos poucos perdia o apoio das famílias mais moralistas e conservadoras, usou da punição a artistas para agradar alguns setores. A tropicalista Rita Lee também seria presa por uso de drogas, passando pela humilhação pública e moralismo da caserna.<br />
Acalmado o escândalo que envolvera a prisão de Gilberto Gil, o grupo retomou o show algum tempo depois da interrupção, fazendo uma curta e bem-sucedida temporada no Canecão, no Rio de Janeiro. Durante a primeira semana de shows no Canecão, foi gravado ao vivo, o álbum duplo “<em>Doces Bárbaros</em>”, que seria lançado em outubro de 1976.<br />
O material visual do espetáculo foi registrado por Jom Tob Azulay, resultando em um filme homônimo, que só teria a sua estréia nos cinemas nacionais em 1978. O filme registrou a prisão de Gilberto Gil. Já na primeira década de 2000, quando o cantor tornou-se ministro da cultura do governo do presidente Luis Inácio da Silva, o registro do incidente adiou o lançamento do filme em DVD, só sendo possível em 2009, com Gilberto Gil já fora do ministério.</p>
<p><strong>Doces Bárbaros, o Álbum</strong></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WYCq_4dHI/AAAAAAAAHIc/ZXK6oK0z-Uk/s1600-h/Doces+B%C3%A1rbaros+6.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WYCq_4dHI/AAAAAAAAHIc/ZXK6oK0z-Uk/s400/Doces+B%C3%A1rbaros+6.jpg" border="0" alt="" /></a>Gravado ao vivo e lançado em outubro de 1976, “<em>Doces Bárbaros</em>” é um álbum duplo, no formato de vinil, com dezessete canções distribuídas em dezoito faixas. Tecnicamente traz gravações sujas, com várias deficiências. É um trabalho único nas carreiras de Gal Costa, Maria Bethânia, Gilberto Gil e Caetano Veloso. A capa de tons entre o preto e o castanho fuscos, traz a fotografia da cabeça dos quatro bárbaros convergindo, com Maria Bethânia e Gilberto Gil em cima, e, Caetano Veloso e Gal Costa embaixo. O fundo é de uma cor laranja intensa, sendo azul na contra-capa.<br />
O repertório é quase todo de autoria de Gilberto Gil e Caetano Veloso, com exceção de três faixas. A diferença dos Doces Bárbaros para outros grupos vocais é que as vozes não soam como uma, não constituindo arranjos harmônicos, demarcando as diferenças de cada um. Há momentos que a voz aguda e doce de Gal Costa sobressai aos demais, o mesmo acontecendo com a voz grave de Maria Bethânia, sendo as de Gilberto Gil e Caetano Veloso as que mais se confundem em uma só. Os homens fazem a harmonia do canto, as mulheres contrastam os timbres peculiares das suas vozes, únicas na MPB. Gal Costa é a voz do grupo, o centro intocável, docemente bárbara.<br />
O primeiro disco traz apenas sete canções, longas, divididas em dois lados. “<em><strong>Os Mais Doces Bárbaros</strong></em>” (Caetano Veloso) abre a aventura musical. Alegre, já de inicio estabelece a proposta do álbum, com as quatro vozes explodindo as suas diferenças. Os florões acentuam a voz de Gal Costa, e as mulheres rasgam a canção. Por mais de seis minutos é anunciada a invasão bárbara, trazendo na mesma mensagem afoxés, orixás, sincretismo cristão, astronaves, cordões, hino <em>flower power</em>, numa aventura que destila ventos tropicalistas. Pela primeira vez temos uma Maria Bethânia tropicalista, movimento do qual se negara fazer parte.</p>
<p><em>“Com amor no coração<br />
Preparamos a invasão<br />
Cheios de felicidade<br />
Entramos na cidade amada<br />
Peixe espada, peixe luz<br />
Doce bárbaro Jesus<br />
Sabe quem é otário </em><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WdPGDaXZI/AAAAAAAAHJs/TMv86_DLEXU/s1600-h/Doces+B%C3%A1rbaros+3.jpg"><em><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WdPGDaXZI/AAAAAAAAHJs/TMv86_DLEXU/s400/Doces+B%C3%A1rbaros+3.jpg" border="0" alt="" /></em></a><em><br />
Peixe no aquário nada”</em></p>
<p>“<em><strong>Fé Cega, Faca Amolada</strong></em>” (Milton Nascimento – Ronaldo Bastos) foge dos autores bárbaros, sendo uma das três faixas de compositores diferentes que transitam pelo disco. Iniciam juntos, mas Maria Bethânia conduz a canção, com Gal Costa em um vocal contundente nos refrões. O grito é instigante, provocador, pronto para o protesto ou para a polêmica. É a busca de uma liberdade em mensagem velada, feita numa época ofuscada por uma triste ditadura. O grupo pode ser doce, mas não deixa de ser bárbaro.</p>
<p><em>“Agora não pergunto mais pra onde vai a estrada<br />
Agora não espero mais aquela madrugada<br />
Vai, ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser faca amolada<br />
O brilho cego de paixão e fé, faca amolada”</em></p>
<p>“<em><strong>Atiraste Uma Pedra</strong></em>” (Herivelto Martins – David Nasser), quebra a rebeldia, trazendo um antigo samba canção, da época da briga musical e pública entre Herivelto Martins e Dalva de Oliveira. Na canção os versos são divididos pelas quatro vozes, demarcando solitariamente cada timbre, até que se encontram todas na segunda parte. Emoção pura, dentro da tristeza do fim de um grande amor. Ou mesmo da quebra do sonho do <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WkS75_GMI/AAAAAAAAHKc/Lfsg_KVFDWY/s1600-h/Doces+B%C3%A1rbaros+-+Caetano+Veloso.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WkS75_GMI/AAAAAAAAHKc/Lfsg_KVFDWY/s400/Doces+B%C3%A1rbaros+-+Caetano+Veloso.jpg" border="0" alt="" /></a>reencontro com a prisão de Gilberto Gil. É o momento inconfundível do estilo de Maria Bethânia sobressaindo-se ao tropicalista. Adorável releitura da época das grandes vozes do rádio, feita pelas vozes mais contemporâneas do Brasil.</p>
<p><em>“Atiraste uma pedra com as mãos que essa boca<br />
Tantas vezes beijou<br />
Quebraste um telhado<br />
Que nas noites de frio te servia de abrigo<br />
Perdeste um amigo que os teus erros não viu<br />
E o teu pranto enxugou”</em></p>
<p>“<em><strong>Pássaro Proibido</strong></em>” (Caetano Veloso – Maria Bethânia), é a primeira interpretação a solo do disco, cantada por Caetano Veloso. Feita para o show homônimo de Maria Bethânia, seria também o titulo do álbum da cantora em 1976. Caetano Veloso veste-se de cantador nordestino, com entonação de florões de um canto ímpar, mesclando um tom hindu, dando uma atmosfera mística ao grito do pássaro proibido, que finalmente estava livre. Sem medo de ser maldito, ou de quebrar os estigmas de uma moral em evolução social. Com a canção, era encerrado o lado um do primeiro disco de vinil.</p>
<p><strong>A Visão Alucinógena da Criação do Universo</strong></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WYstTLxLI/AAAAAAAAHIs/ZJo5HHJy2ck/s1600-h/Doces+B%C3%A1rbaros+4.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WYstTLxLI/AAAAAAAAHIs/ZJo5HHJy2ck/s400/Doces+B%C3%A1rbaros+4.jpg" border="0" alt="" /></a>O lado dois do primeiro disco contém apenas três canções, iniciando com o dueto de Caetano Veloso e Gilberto Gil em “<strong><em>Chuck Berry Fields Forever</em></strong>” (Gilberto Gil), trocadilho com a canção dos Beatles “<em>Strawberry Fields Forever</em>” (John Lennon – Paul McCartney). Frenético rock, que na letra faz homenagem às raízes africanas dos músicos da América, em especial a Chuck Berry, considerado o pai do rock and roll. No verso de duplo sentido “<em>os quatro cavaleiros do após-calipso</em>”, lê-se uma referência aos quatro Beatles ou aos quatro bárbaros, de acordo com ângulo que se interpreta a mensagem de Gilberto Gil. Apesar de bem ritmada, a canção é daquelas de bastidores, que passa longe das paradas de sucesso, mas jamais se deixam vincar pelo tempo. “<em>Chuck Berry Fields Forever</em>” tem as cores e os tons dos anos setenta, mas sopra os ventos atemporais das canções. Numa primeira leitura não se lhe encontra o carisma, que nada na ironia da letra e nos trocadilhos inteligentes, prontos para serem digeridos.<br />
“<em><strong>Gênesis</strong></em>” (Caetano Veloso), traz de volta o fôlego dos quatro baianos, com um coro luxuoso nos florões. Por quase nove minutos percorremos pela instigante cosmogonia caetaniana, numa visão <em>flower power</em> da origem do mundo. Através de uma rã, ou jia, vamos compondo em encaixe místico à composição do universo, no torpor de uma visão alucinógena, arrancada de experiências no mundo das visões provocadas. Longa, a canção é um dos melhores momentos do primeiro disco, senão o melhor. A mais contundente na mensagem proposta por aquele espetáculo colorido, alucinante e alucinógeno.</p>
<p><em>“Primeiro não havia nada<br />
Nem gente, nem parafuso<br />
O céu era então confuso<br />
E não havia nada<br />
Mas o espírito de tudo<br />
Quando ainda não havia<br />
Tomou forma de uma jia<br />
Espírito de tudo”</em></p>
<p>A atmosfera alucinógena espalha-se e deságua nas águas da filosofia da <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WdvIFrBaI/AAAAAAAAHJ0/P6KtybtA84I/s1600-h/Doces+B%C3%A1rbaros+7.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WdvIFrBaI/AAAAAAAAHJ0/P6KtybtA84I/s400/Doces+B%C3%A1rbaros+7.jpg" border="0" alt="" /></a>geração do desbunde com a radical “<em><strong>Tarasca Guidon</strong></em>” (Waly Salomão). Gilberto Gil e Caetano Veloso arrastam-se no início da canção, que se debate melancólica, quase parada, até que Maria Bethânia arranca o ritmo do som dos atabaques, dando vida à monotonia da melodia. Filosofia sem objetivo e saída, o desbunde de Waly Salomão está no auge da sua criação, também a sua euforia metafísica, assinando na época como Waly Sailormoon, num jogo de palavras em inglês que define bem o sal de marinheiro com a embriaguez da lua enganadora. Por mais de sete minutos a canção atravessa diversos universos; desde os nordestinos estivadores do litoral de São Paulo, que trabalham como escravos, sonhando apenas com a volta a Santo Amaro, na Bahia, para poderem participar das festas tradicionais do lugar; às águas do Ganges, consagradas pelos hindus. Letra radical e gigantesca, mescla sons afros com afrescos do desbunde, numa mensagem ilógica, encerrando o primeiro disco do álbum.</p>
<p><em>“Trabalho o ano inteiro<br />
Na estiva de São Paulo<br />
Só pra passar fevereiro em Santo Amaro<br />
Só pra passar fevereiro em Santo Amaro<br />
Ô, diê, ô, dia<br />
Ô, diê, ô, dia”<br />
</em><br />
<strong>Momentos Esotéricos de Beleza Musical</strong></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WZPqzbxZI/AAAAAAAAHI0/3mZZ7d7dBBo/s1600-h/Doces+B%C3%A1rbaros+-+Gal+Costa+e+Caetano+Veloso.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WZPqzbxZI/AAAAAAAAHI0/3mZZ7d7dBBo/s400/Doces+B%C3%A1rbaros+-+Gal+Costa+e+Caetano+Veloso.jpg" border="0" alt="" /></a>O segundo disco traz a apoteose do show, sua veia latente e o perfil em carne viva de cada cantor. O lado um do disco dois começa com os homens, Gilberto Gil e Caetano Veloso, aquecendo a atmosfera para receberem as mulheres, em dueto na complexa “<em><strong>Eu e Ela Estávamos Ali Encostados na Parede</strong></em>” (Caetano Veloso – Gilberto Gil – José Agripino de Paula). Os compositores baianos conseguem aqui o que parecia impossível, extrair uma melodia do texto confuso de José Agripino de Paula. O “eu” do texto faz amor com “ela”, Marilyn Monroe, no livro “<em>Panamérica</em>”. Há uma sensualidade latente e ambígua dentro da lentidão da melodia e na complexidade do texto.<br />
A atmosfera erótica deixada pelos homens abre caminho para as mulheres, Gal Costa e Maria Bethânia, que na apresentação do show exalam sensualidade e provocação, aqui reveladas no calor das vozes, em dueto na mítica “<em><strong>Esotérico</strong></em>” (Gilberto Gil). O ímpeto do sentimento contrapondo com o místico, divindade e humano interferindo nos mistérios da mente e do afeto. Um dos mais belos duetos feitos por Maria Bethânia e Gal Costa, algumas vezes magníficas juntas desde “<em>Sol Negro</em>”. A voz grave e passional de Maria Bethânia assume a chama ativa, revelando o humano, Gal Costa, voz doce e solitária, numa passividade existencial enaltece o divino. Fundidas as vozes, envolvem um comovente mundo do esoterismo das paixões, em momento de pura sedução dos contrastes dos cantos, unidos em um mesmo sentimento.</p>
<p><em>“Não adianta nem me abandonar<br />
Porque mistérios sempre há de pintar por aí<br />
Pessoas até muito mais vão lhe amar<br />
Até muito mais difíceis que eu pra você<br />
Que eu, que dois, que dez, que dez milhões, todos iguais<br />
Até que nem tanto esotérico assim<br />
Se eu sou algo incompreensível, meu Deus é mais”</em></p>
<p>“<strong><em>Eu Te Amo</em></strong>” (Caetano Veloso), solo de Gal Costa, atinge um dos momentos mais líricos e de êxtase do <a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WjdV2_0aI/AAAAAAAAHKU/q119rMfowbI/s1600-h/Doces+B%C3%A1rbaros+-+Beth%C3%A2nia+e+Gal.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WjdV2_0aI/AAAAAAAAHKU/q119rMfowbI/s400/Doces+B%C3%A1rbaros+-+Beth%C3%A2nia+e+Gal.jpg" border="0" alt="" /></a>show e do disco. A cantora assumiu a canção com um vigor poucas vezes alcançado na MPB, gerando aqueles instantes únicos em que a melodia e a voz casam-se com a poesia, dando dimensão épica ao canto. “<em>Eu Te Amo</em>” rouba o verso “<em>Da cor do azeviche, da jabuticaba</em>”, de uma velha canção de Ary Barroso e Luiz Iglesias, “<em>Boneca de Piche</em>”. O amor tem cores e gostos, negro como azeviche e sensual como o sabor das jabuticabas, claro e dourado como a luz do sol. O lirismo da letra adquire cor na voz de Gal Costa, fazendo com que o simples atinja o sublime, as notas musicais a perfeição. A amplitude da voz alcança o ápice na última palavra de cada estrofe, desencadeando o grito da alma da cantora quando canta “<em>eu te amo</em>”. Momento que daria uma tese, não fosse o brilho ímpar dos outros três bárbaros.</p>
<p><em>“Eu nunca te disse<br />
Mas agora saiba<br />
Nunca acaba, nunca<br />
O nosso amor<br />
Da cor do azeviche<br />
Da jabuticaba<br />
E da cor da luz do sol”<br />
</em><br />
O romantismo suave, estético e plural continua a fluir na faixa seguinte, “<em><strong>O Seu Amor</strong></em>” (Gilberto Gil). Canção minimalista, com os versos divididos e cantados separadamente por cada bárbaro, voltando a formar um coro nos refrões. Vai fluindo em uma construção que se eleva em degraus melódicos e de vozes. Por debaixo do romantismo minimalista, está a provocação do refrão “<em>ame-o e deixe-o&#8230;</em>”, numa resposta à famosa frase de propaganda do regime militar <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WlAwfmFoI/AAAAAAAAHKk/0I8rdCsOTBQ/s1600-h/Doces+B%C3%A1rbaros+-+Gal+e+Gil.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WlAwfmFoI/AAAAAAAAHKk/0I8rdCsOTBQ/s400/Doces+B%C3%A1rbaros+-+Gal+e+Gil.jpg" border="0" alt="" /></a>no início dos anos setenta: “<em>Brasil, ame-o ou deixe-o</em>”. Ao contrário da proposta repressora da ditadura, Gilberto Gil fazia um convite à liberdade de ir e de vir, ao amor livre, ao fim da paixão possessiva. Quase a brincar como em um jogral, os quatro mostram-se carismaticamente bárbaros.</p>
<p><em>“O seu amor<br />
Ame-o e deixe-o livre para amar<br />
Livre para amar<br />
Livre para amar<br />
O seu amor<br />
Ame-o e deixe-o ir aonde quiser<br />
Ir aonde quiser<br />
Ir a onde quiser”</em></p>
<p>O disco dois fecha o lado um com “<em><strong>Quando</strong></em>” (Caetano Veloso – Gilberto Gil – Gal Costa), uma homenagem à tropicalista Rita Lee. Um momento raro em que Gal Costa assina a co-autoria de uma canção. Feita a seis mãos, a música é um alegre rock, em estilo de iê-iê-iê do final da década de sessenta. Assim como Gilberto Gil, em 1976 Rita Lee seria vítima da intolerância da polícia conservadora, sendo presa por porte de droga. A cantora estava grávida quando ocorreu o fato. A música é cantada por Gilberto Gil, com Gal Costa fazendo um acentuado coro. Era o reencontro dos tropicalistas, em homenagem a um dos seus ícones.</p>
<p><strong>Protestos, Canções Ecológicas e Místicas</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WZyfh2gxI/AAAAAAAAHI8/A40oS7NfF_g/s1600-h/Doces+B%C3%A1rbaros+-+Beth%C3%A2nia+e+Caetano.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WZyfh2gxI/AAAAAAAAHI8/A40oS7NfF_g/s400/Doces+B%C3%A1rbaros+-+Beth%C3%A2nia+e+Caetano.jpg" border="0" alt="" /></a>O lado dois do segundo disco era aberto com “<em><strong>Pé Quente, Cabeça Fria</strong></em>” (Gilberto Gil). Nunca o título foi tão sugestivo e premonitório quanto o desta canção, em um momento que, com a prisão de Gilberto Gil, os Doces Bárbaros viram os planos do reencontro quase que desfeitos. Talvez seja a canção que mais irritou os moralistas, pois é a mais provocativa, incitando a que se perca a calma e literalmente, que se “desça o pau” em quem se lhe atravesse o caminho. As quatro vozes cantam com vigor a provocação e, após o incidente, continuam com os oito pés muito quentes, e as cabeças frias, prontas para uma estréia gloriosa na maior casa de espetáculo da época, o Canecão do Rio de Janeiro.</p>
<p><em>“(&#8230;) Saia despreocupado<br />
Mas cuidado por que existe o bem e o mal<br />
Pé quente, cabeça fria, numa boa<br />
Pe quente, cabeça fria, na maior<br />
Pé quente, cabeça fria, na total<br />
Saia despreocupado<br />
Mas se alguém se fizer de engraçado, meta o pau”</em></p>
<p>“<em><strong>Peixe</strong></em>” (Caetano Veloso) deixa a provocação arrebatada da faixa anterior, para mergulhar anos luz nas águas da canção ecológica. A palavra “peixe” é pronunciada em sílabas que trazem a sensação do nado de um peixe de verdade. Os graves de Maria Bethânia fazem desse nado uma sílaba caudalosa, e Gal Costa solta os agudos de forma retumbante, cabe aos homens arrematarem as sílabas nadadoras. A canção abriria a fase de bichos musicais de Caetano Veloso, que desfilaria em 1977 com o seu zoológico intrépido com as míticas “<em>Tigresa</em>” e “<em>Leãozinho</em>”. Letra pequena, quase minúscula, de melodia crescente, quase eloqüente. Também em 1977, estrearia uma nova versão televisiva, a mais famosa, de “<em>O Sítio do Pica-pau Amarelo</em>”, inspirada na obra de Monteiro Lobato. “<em>Peixe</em>” faria parte da sua trilha sonora, conduzindo as cenas pelo Reino das Águas Claras, transformando-se de vez em hino ecológico.</p>
<p><em>“Peixe<br />
Deixa eu te ver, peixe<br />
Verde<br />
Deixa eu ver o peixe<br />
Vi o brilho verde<br />
Peixe prata”<br />
</em><br />
“<strong><em>Um Índio</em></strong>” (Caetano Veloso) traz outro momento mítico, de reflexão <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WecVJqU0I/AAAAAAAAHJ8/DpBIat8-ZsQ/s1600-h/Doces+B%C3%A1rbaros+5.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WecVJqU0I/AAAAAAAAHJ8/DpBIat8-ZsQ/s400/Doces+B%C3%A1rbaros+5.jpg" border="0" alt="" /></a>filosófica e existencialista, centraliza na figura de um índio, visto aqui como personagem mística, detentor dos segredos da Terra dominada pelo homem branco. É a redenção da causa indígena, que depois de exterminado, volta para descortinar os mistérios que os seus exterminadores não encontraram. Mais um momento transcendental de Caetano Veloso, revelado na voz potente da irmã Maria Bethânia, sendo acompanhada pelo coro dos outros bárbaros. Na mística caetaneana, fatos e personagens contemporâneos ressaltam com as suas qualidades a mensagem. Ouvimos assim, o nome do ator e lutador de artes marciais Bruce Lee, do boxeador Muhammad Ali, do índio Peri, e do grupo baiano de afoxé Filhos de Gandhi a exaltarem a volta do último índio.</p>
<p><em>“Virá, impávido que nem Muhammad Ali, virá que eu vi<br />
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi<br />
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi<br />
O axé do afoxé, filhos de Gandhi, virá”</em></p>
<p><strong>Fechando o Ciclo Com “<em>Nós, Por Exemplo</em>”<br />
</strong><br />
<a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WaSYpRq8I/AAAAAAAAHJE/7KzcY4FUMWQ/s1600-h/Doces+B%C3%A1rbaros.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WaSYpRq8I/AAAAAAAAHJE/7KzcY4FUMWQ/s400/Doces+B%C3%A1rbaros.jpg" border="0" alt="" /></a>O misticismo profético dá passagem para o sincretismo religioso típico da Bahia secular, refletida nos baianos bárbaros, na canção “<em><strong>São João, Xangô Menino</strong></em>” (Caetano Veloso – Gilberto Gil). Caetano Veloso registrou durante a carreira, várias marchinhas feitas para o carnaval. Aqui, em parceria com Gilberto Gil, atira-se nas tradicionais canções juninas, mesclando-a com os mitos do candomblé. A canção traz um momento leve de festa junina, com aquela pitada baiana. Há espaço ainda para as homenagens explícitas aos trabalhos musicais dos quatro na época, sendo citados os álbuns “<em>Refazenda</em>”, “<em>Qualquer Coisa</em>”, “<em>Gal Canta Caymmi</em>” e “<em>Pássaro Proibido</em>”, de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia respectivamente. No meio, uma homenagem a Dominguinhos.</p>
<p><em>“Ai, Xangô, Xangô menino<br />
Da fogueira de São João<br />
Quero ser sempre menino, Xangô<br />
Da fogueira de São João”</em></p>
<p>Depois de uma viagem inusitada por cada faixa, chega o momento de arrematar todo o trabalho, sintetizado nas origens com a canção “<em>Nós, Por Exemplo</em>” (Gilberto Gil), uma homenagem ao mítico espetáculo homônimo que uniu os Doces Bárbaros pela primeira vez em 1964, no Teatro Vila Velha, em Salvador. Aqui cada um evidencia a diferença dos seus cantos, numa unidade invisível, em contrastes literalmente doces e bárbaros. Soam como ecos de vozes, conforme diz a letra da melodia, construindo um todo que faz dos quatro apenas um, numa sutil ilusão de que são indivisíveis, quando apenas convergiram os seus estilos.<br />
E o disco é fechado como começou, com “<em><strong>O Mais Doces Bárbaros</strong></em>”, aqui em uma faixa de pouco mais de um minuto. Estava selado o manifesto dos Doces Bárbaros, o maior desde o manifesto tropicalista. Alguns bons momentos do show não entraram no álbum, como “<em>As Ayabás</em>” (Caetano Veloso – Gilberto Gil). Em faixas sujas, estava registrado o encontro histórico de quatro dos maiores cantores e autores daquela geração: Gal Costa, Maria Bethânia, Gilberto Gil e Caetano Veloso. Seus nomes dispensam qualquer apresentação formal ou crítica.<br />
Um longo tempo decorreu até que os Doces Bárbaros voltassem a promover um reencontro no palco. Convites não faltaram, mas, a partir de 1976, cada um seguiu carreiras que se tornaram cada vez mais visíveis e de grande projeção. O tradicional Festival de Montreux sugeriu um reencontro, mas não se convergiu um projeto. Em 1994, aconteceu o esperado reencontro, numa homenagem que os quatro fizeram à Estação Primeira de Mangueira, escola de samba carioca. Trouxeram um repertório diferente de 1976, com sambas tradicionais da MPB. Estavam todos no auge da técnica vocal, numa apresentação<a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WlxY3I91I/AAAAAAAAHKs/V__R9y9CLNU/s1600-h/Doces+B%C3%A1rbaros+2002.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WlxY3I91I/AAAAAAAAHKs/V__R9y9CLNU/s400/Doces+B%C3%A1rbaros+2002.jpg" border="0" alt="" /></a> espetacular. Infelizmente não houve interesse em lançar o reencontro em álbum ou em DVD, apesar do material que se tem, e da beleza do reencontro. A escola de samba carioca retribuiu a homenagem, fazendo dos Doces Bárbaros o tema do samba-enredo daquele ano. Também em 1994, o grupo fez uma apresentação no Royal Albert Hall, em Londres.<br />
Em 2002, os Doces Bárbaros voltaram aos palcos, em uma apresentação para mais de cem mil pessoas na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. O evento e os seus bastidores foram registrados no DVD “<em>Outros Doces Bárbaros</em>”, do diretor Andrucha Waddington, que apesar da qualidade técnica, não conseguiu captar a essência que Jom Tob Azulay registrou em 1976. Tão pouco os Doces Bárbaros, surpreenderam, repetindo o repertório do show original, sem lhe acrescentar uma gota da longa trajetória que caminharam quase três décadas depois. Um presente para os fãs, uma decepção para a história brilhante do grupo.</p>
<p><strong>Ficha Técnica:</strong></p>
<p><strong>Doces Bárbaros</strong> <a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2Wa86ehGeI/AAAAAAAAHJU/_V8BVB8pl74/s1600-h/Doces+B%C3%A1rbaros+-+Compacto.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2Wa86ehGeI/AAAAAAAAHJU/_V8BVB8pl74/s400/Doces+B%C3%A1rbaros+-+Compacto.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
Philips<br />
1976</p>
<p>Direção Geral: Caetano Veloso<br />
Direção Musical: Gilberto Gil<br />
Direção de Produção: Gapa e Perinho Albuquerque<br />
Técnico em Gravação e Mixagem: Ary Carvalhaes<br />
Assistente: Rafael Isaak<br />
Técnico em Manutenção: Ivan A. Lisnik<br />
Corte: Luigi Hoffer<br />
Capa: Aldo Luiz e Flávio Império<br />
Fotos: Frederico Confalonieri<br />
Ilustração: Jorge Vianna<br />
Gravado ao Vivo</p>
<p>Músicos Participantes:</p>
<p>Piano: Tomás Improta<br />
Baixo: Arnaldo Brandão<br />
Guitarra: Perinho Santana<br />
Bateria: Chiquinho Azevedo<br />
Flauta: Tuzé Abreu e Mauro Senise<br />
Saxofone: Mauro Senise<br />
Percussão: Djalma Corrêa</p>
<p>Doces Bárbaros:<br />
Gal Costa – Vocal<br />
Caetano Veloso – Vocal<br />
Gilberto Gil – Vocal<br />
Maria Bethânia – Vocal</p>
<p><strong>Faixas:</strong></p>
<p><em>Disco 1:</em> <a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WcI7hlRqI/AAAAAAAAHJk/M0K0R3FnoOY/s1600-h/Doces+B%C3%A1rbaros+-+Paulo+Set%C3%BAbal.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WcI7hlRqI/AAAAAAAAHJk/M0K0R3FnoOY/s400/Doces+B%C3%A1rbaros+-+Paulo+Set%C3%BAbal.jpg" border="0" alt="" /></a></p>
<p>1 Os Mais Doces Bárbaros (Caetano Veloso)<br />
Interpretação: Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil<br />
2 Fé Cega, Faca Amolada (Milton Nascimento – Ronaldo Bastos)<br />
Interpretação: Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil<br />
3 Atiraste Uma Pedra (Herivelto Martins – David Nasser)<br />
Interpretação: Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil<br />
4 Pássaro Proibido (Caetano Veloso – Maria Bethânia)<br />
Interpretação: Caetano Veloso<br />
5 Chuck Berry Fields Forever (Gilberto Gil)<br />
Interpretação: Caetano Veloso e Gilberto Gil<br />
6 Gênesis (Caetano Veloso)<br />
Interpretação: Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil<br />
7 Tarasca Guidon (Waly Salomão)<br />
Interpretação: Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil</p>
<p><em>Disco 2:</em></p>
<p>1 Eu e Ela Estávamos Ali Encostados na Parede (Caetano Veloso – Gilberto Gil – José Agripino de Paula)<br />
Interpretação: Caetano Veloso e Gilberto Gil<br />
2 Esotérico (Gilberto Gil)<br />
Interpretação: Gal Costa e Maria <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WfNIN-5nI/AAAAAAAAHKE/Qd4kpsr2vew/s1600-h/Doces+B%C3%A1rbaros+8.JPG"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2WfNIN-5nI/AAAAAAAAHKE/Qd4kpsr2vew/s400/Doces+B%C3%A1rbaros+8.JPG" border="0" alt="" /></a>Bethânia<br />
3 Eu Te Amo (Caetano Veloso)<br />
Interpretação: Gal Costa<br />
4 O Seu Amor (Gilberto Gil)<br />
Interpretação: Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil<br />
5 Quando (Caetano Veloso – Gilberto Gil – Gal Costa)<br />
Interpretação: Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil<br />
6 Pé Quente, Cabeça Fria (Gilberto Gil)<br />
Interpretação: Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil<br />
7 Peixe (Caetano Veloso)<br />
Interpretação: Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil<br />
8 Um Índio (Caetano Veloso)<br />
Interpretação: Maria Bethânia<br />
9 São João, Xangô Menino (Caetano Veloso – Gilberto Gil)<br />
Interpretação: Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil<br />
10 Nós, Por Exemplo (Gilberto Gil)<br />
Interpretação: Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil<br />
11 Os Mais Doces Bárbaros (Caetano Veloso)<br />
Interpretação: Gal Costa, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Gilberto Gil</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/724/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/724/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/724/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=724&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>LENDAS DO FOLCLORE BRASILEIRO</title>
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		<pubDate>Tue, 04 May 2010 21:04:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[lendas]]></category>

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		<description><![CDATA[O folclore brasileiro traz a riqueza das raízes de uma nação plural, composta por uma diversidade de raças e etnias, que na miscigenação da população, englobou um pouco de todas as tradições. As lendas de seres fantásticos e místicos revestem a magia do nosso folclore. Oriundas dos índios nativos; dos negros africanos; e, dos brancos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=721&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2DgsCvI1fI/AAAAAAAAHHM/5UtZKIRZKnA/s1600-h/lendas.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2DgsCvI1fI/AAAAAAAAHHM/5UtZKIRZKnA/s400/lendas.jpg" border="0" alt="" /></a>O folclore brasileiro traz a riqueza das raízes de uma nação plural, composta por uma diversidade de raças e etnias, que na miscigenação da população, englobou um pouco de todas as tradições.<br />
As lendas de seres fantásticos e místicos revestem a magia do nosso folclore. Oriundas dos índios nativos; dos negros africanos; e, dos brancos europeus; entes fantasmagóricos, com poderes especiais povoam as nossas lendas, fugindo da tradicional moralidade das fábulas. Contam a essência dos costumes, a luta entre o bem e o mal, o sacro e o profano, sem que se lhe imponham a moral final.<br />
Três lendas compõem este artigo: “<em>O Negrinho do Pastoreio</em>”, “<em>Saci Pererê</em>” e “<em>A Mula Sem Cabeça</em>”. Seres fantásticos, meio humano ou meio fantasma, meio anjo ou meio diabo; adaptados para um Brasil em construção, que passou pela triste experiência da escravatura, pelo desafio ao celibato latente da igreja, ou simplesmente pela crença entre o bem e o mal. São lendas de mundos diferentes, algumas vindas do continente europeu, fundidas com a cultura africana e a indígena, tomando o aspecto de total nacionalidade tupiniquim.<br />
“<strong><em>O Negrinho do Pastoreio</em></strong>”, é a mais famosa lenda dos pampas gaúchos. Com o fim da escravidão no Brasil, o Rio Grande do Sul foi um dos primeiros a sofrer o branqueamento proposto dentro do contexto do programa de imigração. Ter o sofrimento de um negro como protagonista da sua maior lenda é contrastar com o que se lhe foi imposto e mostrar a verdadeira raiz daquelas terras. É uma das lendas mais belas e comoventes do folclore brasileiro.<br />
“<strong><em>Saci Pererê</em></strong>”, é o mais conhecido personagem do folclore brasileiro. Sua lenda tem origem em Portugal, sendo transportada para Minas Gerais e São Paulo, propagando-se pelo país, assimilando-se com uma velha lenda indígena. Foi difundida pelo imaginário infantil através das velhas escravas, que para assustar as crianças, contavam as peripécias do menino de uma perna só, um ser às vezes brincalhão, outras vezes maligno. Perdeu o aspecto do duende europeu, tornando-se o retrato dos escravos fugitivos que quando recapturados, eram muitas vezes esquartejados. Existem várias versões da lenda do Saci Pererê, sendo a de Monteiro Lobato uma das mais famosas e difundidas, apagando-lhe o aspecto de entidade demoníaca.<br />
“<em><strong>A Mula Sem Cabeça</strong></em>” é uma antiga lenda da península Ibérica, que retratava o relacionamento socialmente condenado entre uma mulher e um padre das aldeias. A mulher era sempre a tentação, o motivo do pecado, por isto era ela a castigada, transformando-se em uma terrível fera ao amar um padre. A lenda foi trazida para as colônias espanholas e portuguesas do continente americano. No Brasil assumiu aspectos peculiares, perdendo a conotação de moral religiosa, transformando-se em uma personagem popular, a assustar a população dos vilarejos do interior do país.</p>
<p><strong>O Negrinho do Pastoreio</strong></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2DhKYR9eqI/AAAAAAAAHHU/9j2j_px8gnA/s1600-h/Lendas+-+Negrinho+-+Lanzellotti.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2DhKYR9eqI/AAAAAAAAHHU/9j2j_px8gnA/s400/Lendas+-+Negrinho+-+Lanzellotti.jpg" border="0" alt="" /></a>Em uma fazenda dos pampas gaúchos, vivia um menino franzino, tão negro como o carvão. Seu corpo era magro e desnutrido, trazendo marcas cicatrizadas das chibatadas que se lhe eram dadas como prêmios às suas falhas. Nascera escravo, sendo tirado da sua mãe tão logo desmamara e enviado para servir o mais cruel de todos os amos.<br />
Crescera a trabalhar de sol a sol, sem que se lhe fosse dado qualquer importância. Era tão menosprezado como ser, que jamais lhe deram um nome. Era simplesmente chamado pela alcunha de “Negrinho”.<br />
Não bastasse a crueldade do amo, o infeliz Negrinho sofria todas as humilhações vindas do seu filho. O sinhozinho tinha a idade do escravo. Crescera vendo a forma cruel do pai em lidar com os escravos, assimilando-lhe as atitudes e revigorando-as na maldade explícita.<br />
Negrinho tinha grande habilidade em pastorear, tornando-se o melhor peão de toda a região. Ninguém montava um cavalo baio como ele. Assim, o amo o usava em competições com os vizinhos. A habilidade de cavaleiro não comovia o amo, e, incomodava o sinhozinho, que lhe sentia inveja. Por este motivo, o sinhozinho era mais cruel do que o pai, infringindo ao pobre escravos os mais severos castigos.<br />
Numa disputa com um vizinho, o amo usou Negrinho como cavaleiro. O escravo montou com magnificência o baio do amo. Corria lado a lado ao adversário. Já quase no fim, conseguiu ultrapassá-lo. Próximo da linha de chegada, uma serpente surgiu no seu caminho, fazendo com que o animal se assustasse, quase o derrubando. Foi o suficiente para perder a disputa.<br />
A derrota enfureceu o amo, que se viu humilhado diante do vizinho. Quando retornou para a estância, deu como castigo ao infeliz perdedor trinta chibatadas, o tamanho que tinha a pista de corrida. Negrinho tinha o corpo em carne viva. Adormeceu sem verter uma lágrima, apenas pedindo ao céu que lhe acabasse com o sofrimento.<br />
No dia seguinte, sem tempo para aliviar as feridas, já estava a trabalhar sem descanso. Ainda como castigo, o amo lhe impusera cuidar de trinta cavalos. A pouca ração que recebia como alimento foi cortada pela metade. O menino trabalhava quase que sem forças, devido à fome e aos ferimentos.<br />
Numa noite, quando dormia, uma coruja pairou sobre os cavalos. Assustados, os animais dispararam, fugindo. Ao acordar, Negrinho deu pela tragédia. Nada podia fazer senão chorar. O sinhozinho, que assistira ao infortúnio, denunciou o que se passara ao pai. O pobre escravo foi amarrado ao tronco, sofrendo com o chicote a lanhar-lhe as costas. Depois do castigo, foi libertado para que encontrasse os animais. Era já tarde da noite. O amo ameaçou-o, se não voltasse com todos os baios, seria espancado até a morte.<br />
Na escuridão da noite, Negrinho voltou ao local do pastoreio, trazendo uma vela na mão. Uma brisa suave fazia o lume tremer. Quanto mais soprava o minuano, mais a vela era consumida. Cada pingo de cera quente que se derramava sobre o chão formava uma luz brilhante. Foram tantos os pingos convertidos em tochas, que a noite ficou clara como o dia. Negrinho achou os cavalos. Gemendo de dor, conduziu os animais de volta. Ao chegar ao estábulo, cansado, deixou-se cair no feno, ali adormecendo, podia finalmente descansar o corpo surrado.<br />
Mas o sinhozinho, ao ver que o escravo cumprira a missão, encheu-se de raiva. Odiava a habilidade do escravo pastoreio. Era incapaz de se manter por muito tempo em cima de um baio. Aproveitou que Negrinho dormia, e soltou os animais por ele capturado. Sorriu vitorioso.<br />
No dia seguinte, Negrinho foi acordado pela fúria do amo. Ao ver que os seus animais não se lhe foram recuperados, passou a espancar com grande violência o escravo. Foram tantas as chibatadas, que o menino perdeu os sentidos. O amo pensou-o morto, e, sem piedade, decidiu atirar-lhe o corpo a um formigueiro, para que as formigas o devorasse, poupando-lhe o trabalho de enterrá-lo. <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2DikvIWxsI/AAAAAAAAHH0/nKrEXu06oG8/s1600-h/Lendas+-+Negrinho+Pastoreio+-+Lanzellotti.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2DikvIWxsI/AAAAAAAAHH0/nKrEXu06oG8/s400/Lendas+-+Negrinho+Pastoreio+-+Lanzellotti.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
Após atirar o corpo do escravo no formigueiro, o fazendeiro recolheu-se na sua casa. No dia seguinte teve a curiosidade de ir ver o menino. Ao chegar ao local, encontrou o escravo vivo, forte e sorridente, sem nenhum arranhão no corpo. Montava o baio mais valoroso. Ao seu lado os outros cavalos fugitivos. Sorriu para o amo e partiu a galope, seguido pelos cavalos. Saiu tão veloz, desaparecendo entre uma nuvem dourada. O cruel fazendeiro caiu de joelhos, pela primeira vez arrependido das atrocidades que cometera.<br />
Pelos pampas, muitos ainda vêem, em noites de luar, o Negrinho montado em seu baio. Tão veloz quanto surge, desaparece entre as nuvens. Os homens dos pampas, quando têm um animal perdido, acendem uma vela para o Negrinho, na esperança de recuperar a besta fugitiva.</p>
<p><strong>Saci Pererê</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2DhZ-GRdEI/AAAAAAAAHHc/FH3LISW-UE8/s1600-h/Lendas+-+Saci+-+Lanzellotti.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2DhZ-GRdEI/AAAAAAAAHHc/FH3LISW-UE8/s400/Lendas+-+Saci+-+Lanzellotti.jpg" border="0" alt="" /></a>O vento começa a soprar na mata. Invade a copa das árvores, continua a desbravar as silvas, formando um redemoinho, que bate contra as canas silvestres, secas e sem o néctar do açúcar ou o caldo da cachaça. Ali, o imenso sopro diluí-se dentro do bambu, rompendo o seu centro oco. Do meio do redemoinho surge um menino de olhar matreiro. Mantém-se em pé apenas por uma perna. Sua pele é preta como a noite. Na cabeça porta uma carapuça vermelha, que lhe dá todos os poderes mágicos da mata. O pequeno ser sorri maliciosamente, aspira o fumo de um cachimbo e começa a pular por entre as árvores. É Saci Pererê.<br />
Nascido de uma tragédia antiga, assassinado por um tio perverso, ele segue a sua sina. Não se intimida pela dor. Ao contrário da irmã, Matinta Perera, também morta pela maldade, que transporta a sua dor metamorfoseada em uma ave de canto triste e agourento, o Saci apenas se diverte com o medo dos homens.<br />
Segue saltitante, a invadir as casas das fazendas, a assustar o homem, tentar suas mulheres e fustigar os filhos desobedientes.<br />
O Saci continua a sua peregrinação. Não ousa a invadir as cidades. Sua habitação é feita nas matas, entre os bambus, também a sua força é dali tirada. Invade as chácaras e as fazendas. Esconde os brinquedos das crianças. Não satisfeito, invade os currais, abre as portas dos galinheiros. Na cozinha, procura pelo sal. Derramo-o para salgar a terra e evitar que se lhe adocem a força mágica. Pelo caminho, olha para a bela sinhazinha. Infeliz daquela que se deixar levar por sua sedução e por ele se apaixonar. Estará perdida para a vida.<br />
Terminada as travessuras na casa, chega a hora de adentrar o estábulo. É o seu local predileto. Atira-se sobre o mais indomável dos cavalos. Segura-lhe pela crina, assustando-o, fazendo-o galopar em fuga. Sente o vento no seu corpo quando caminha sobre o cavalo assustado. Enquanto cavalga, faz belas tranças na crina do animal. De repente um córrego. É hora de abandonar o animal. O Saci não pode atravessar nem córregos, nem rios, pois o redemoinho que o protege diluirá nas águas. <a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2DiPmkzwBI/AAAAAAAAHHs/G57j8IoqEHA/s1600-h/Lendas+-+Saci+Perer%C3%AA.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2DiPmkzwBI/AAAAAAAAHHs/G57j8IoqEHA/s400/Lendas+-+Saci+Perer%C3%AA.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
O Saci continua a sua empreitada, quando de repente, jogam dentro do seu redemoinho um rosário. Um caçador audacioso atira-lhe ainda, uma corda com nós. Não resiste, pára e tenta desatá-los. Naquele momento, o homem prende-o em uma peneira, único objeto que o detém. Capturado, o travesso Saci vê a sua carapuça a ser-lhe tirada da cabeça. Vencido pela esperteza daquele caçador, é obrigado a conceder-lhe um desejo. Realizado o desejo, consegue a liberdade de volta.<br />
Assim, o Saci desaparece pela mata. No dia seguinte, voltará às fazendas, às cozinhas, aos estábulos, e sorrirá vitorioso diante das suas travessuras. Ser bom não lhe traz felicidade, ser mal não lhe proporciona prazer, ser imprevisivelmente astuto e de ardis frenéticos, é a sua essência vital.</p>
<p><strong>A Mula Sem Cabeça</strong></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2DhwD8zU9I/AAAAAAAAHHk/d3q4aRVD7ns/s1600-h/Lendas+-+Mula+Sem+cabe%C3%A7a-horz.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2DhwD8zU9I/AAAAAAAAHHk/d3q4aRVD7ns/s400/Lendas+-+Mula+Sem+cabe%C3%A7a-horz.jpg" border="0" alt="" /></a>Longe, bem longe, em um vilarejo situado no interior do nada, vivia a bela Maria. Corriam os anos, e ela exalava pelos campos o seu ardor juvenil, a sua insinuante delicadeza virginal. Maria era desejada pelo mais robustos rapazes, sonhada pelo mais casadoiro dos homens. Mas a nenhum deles ela se rendia. Tanto menosprezou os pretendentes, que um dia foi por um deles amaldiçoada.<br />
A paz da bela Maria fugiu quando, num certo domingo, surgiu na missa um padre a substituir o que morrera semanas antes. Ao contrário do seu antecessor, era jovem, belo e de sorriso sedutor. Tão logo os olhos de Maria cruzaram os do padre, a sua maldição começou. A donzela encheu-se de paixão pelo padre. Dentro dela ascendeu-se todas as luzes do desejo proibido.<br />
Maria tornou-se a mais fiel participante de todas as missas do lugar. Cada hóstia que ingeria, diluía-lhe a sensatez da alma, aflorando-lhe o desejo. Tantas vezes voltou às missas, que não passou despercebida aos olhos e aos sentimentos do padre. No calor de Maria, o padre revelou o homem ardente que escondia debaixo da batina. Muitas foram as noites de entrega, langor e prazer, que ambos perderam a clareza dos sentimentos, ficando cegos diante do povo do lugarejo, que a tudo assistia.<br />
Numa noite de lua cheia, a população concentrou-se em frente à igreja. Quando Maria surgiu, foi cercada por todos. Ao seu redor foi feito um círculo de fogo. Um ovo enrolado com o seu nome foi atirado às chamas. Uma oração foi invocada. Maria ouvia os murmúrios que lhe chamavam de mulher do padre.<br />
A noite de quinta-feira estava no fim, já chamando pela sexta-feira. No meio do círculo de fogo, quando a lua iluminou o rosto de Maria, uma terrível metamorfose debateu-se sobre ela. Sua pele foi ficando grossa, assumindo uma cor castanha. O corpo foi perdendo a forma ereta, curvando-se como uma besta. Mãos e pés transformaram-se em cascos, trazendo ferraduras de prata. A cabeça desapareceu, em seu lugar surgiu o fogo. Completada a metamorfose, a bela Maria já não existia, era apenas uma mula sem <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2DjLBRgvjI/AAAAAAAAHH8/JF0x68l--r4/s1600-h/Lendas+-+Mula+Sem+cabe%C3%A7a+2.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S2DjLBRgvjI/AAAAAAAAHH8/JF0x68l--r4/s400/Lendas+-+Mula+Sem+cabe%C3%A7a+2.jpg" border="0" alt="" /></a>cabeça, era a burrinha do padre.<br />
No meio da praça, o povo assustado ouviu um relincho tão alto, que ecoou por todo o vilarejo. A mula sem cabeça soltou um soluço medonho, a lembrar a sua antiga forma humana.<br />
Numa velocidade sem fim, a mula sem cabeça saiu em disparada. Corria desenfreadamente, despedaçando com as suas patas homens ou animais que se lhe ficassem no caminho. Somente os que se deitavam de bruços, escondendo unhas e dentes, é que não eram atacados pela besta. O trajeto da mula sem cabeça só encerrava ao terceiro cantar do galo. Exaurida, ela voltava a ter a forma da bela Maria.<br />
Assim, toda noite de quinta para sexta-feira, quando a lua cheia despontava no céu, Maria cumpria a sua maldição. Transformava-se na mula sem cabeça. Seu trajeto só poderia ser interrompido se alguém conseguisse furar-lhe a pele, fazendo-a sangrar, voltando assim, à forma humana. Ou se o padre com quem dividira o calor do seu desejo, a amaldiçoasse sete vezes durante a missa. O padre, envergonhado pela paixão que se deixara levar, fugira para sempre. Jamais se soube do seu paradeiro. Certamente não conseguiu amaldiçoar a bela Maria, que em noite de lua cheia, voltava a ser sempre a burrinha do padre.</p>
<p>Texto: Adaptação livre de <strong><em>Jeocaz Lee-Meddi</em></strong><br />
Ilustrações: <em><strong>José Lanzellotti</strong></em> (Imagens 1, 2, 3, 4 e 6 &#8211; parcialmente)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/721/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/721/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/721/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/721/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/721/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/721/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/721/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/721/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/721/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/721/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/721/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/721/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/721/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/721/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=721&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>COLISEU &#8211; SÍMBOLO DO ESPLENDOR DE ROMA</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Apr 2010 16:50:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[cidades]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>

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		<description><![CDATA[Considerado o maior símbolo da grandiosidade do Império Romano, o Anfiteatro Flaviano atravessou os séculos, transformou-se em uma grande ruína, mas jamais perdeu a sua imponência. Chegou ao século XXI conhecido pelo nome latino de Colosseum, ou simplesmente Coliseu, em português. Localizado no centro de Roma, o Coliseu desperta a curiosidade de milhões de pessoas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=718&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-jSiduxII/AAAAAAAAHFs/whD1Ybm0j88/s1600-h/Coliseu+Roma+3.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-jSiduxII/AAAAAAAAHFs/whD1Ybm0j88/s400/Coliseu+Roma+3.jpg" border="0" alt="" /></a>Considerado o maior símbolo da grandiosidade do Império Romano, o Anfiteatro Flaviano atravessou os séculos, transformou-se em uma grande ruína, mas jamais perdeu a sua imponência. Chegou ao século XXI conhecido pelo nome latino de Colosseum, ou simplesmente Coliseu, em português.<br />
Localizado no centro de Roma, o Coliseu desperta a curiosidade de milhões de pessoas que o visita durante todo o ano. Usado como palco de espetáculos de luta, demarcou o poder de Roma, tendo muito sangue vertido em sua arena por quase cinco séculos. Talvez por abrigar tão violentos combates, foi legado à decadência e à pilhagem, sem que se lhe encontrasse outra forma de entretenimento ao longo dos séculos.<br />
Muitas histórias de animais ferozes e gladiadores fazem a mítica do Coliseu. Sua estrutura gigantesca consiste em 48,5 metros de altura; na sua forma elíptica traz 189 metros no seu eixo maior e, 156 metros no seu eixo menor; e, uma arena de 85 por 53 metros. Levou quase uma década para ser construído. Quando inaugurado, tinha capacidade para receber cerca de cinqüenta mil pessoas.<br />
O Império Romano dominou o mundo antigo através da eficiência dos seus exércitos e da habilidade que tinha em tratar os povos dominados, assimilando muitas vezes, o que melhor encontrava nas culturas dominadas. O Coliseu era o palco da demonstração da força, da batalha pela sobrevivência na arena, assim como era a própria sobrevivência do imenso império, conquistado pela espada e pelo sangue derramado.<br />
Com a decadência do Império Romano, as lutas de gladiadores e as opulentas batalhas navais travadas no Coliseu chegaram ao fim. O esplendor do anfiteatro deu passagem para as igrejas medievais, numa Roma convertida ao cristianismo. O velho Coliseu pagão também entrou em decadência. Por séculos foi esquecido, sendo pilhado. Em Roma há a lenda de que cada casa construída foi feita com um pedaço roubado do Coliseu.<br />
Reduzido a uma grande carcaça, o anfiteatro mostra-se imponente no coração da capital italiana. Sobreviveu a terremotos, saques e ataques do próprio tempo. Não se sabe por quantos séculos ainda resistirá, mas mesmo em ruínas, é o maior símbolo da antiguidade da civilização ocidental. Em Roma, podemos até não ver o papa, mas visitar o Coliseu é imprescindível. Impossível não se render ao fascínio silencioso das suas ruínas, bem no meio do coração da civilização latina.</p>
<p><strong>As Origens do Monumento</strong></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-jnCr4yOI/AAAAAAAAHF0/IBmatyUlmxg/s1600-h/Coliseu+-+Roma+Antiga.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-jnCr4yOI/AAAAAAAAHF0/IBmatyUlmxg/s400/Coliseu+-+Roma+Antiga.jpg" border="0" alt="" /></a>Após a morte do imperador Nero, em 68 d.C., Roma viveu um conturbado momento político, com uma guerra civil que gerou imperadores efêmeros. Em 69, Galba sucessor de Nero, foi assassinado por Otão, que por sua vez foi derrotado por Vitélio. Inconformados, os partidários de Otão decidiram apoiar Tito Flávio Sabino Vespasiano para imperador de Roma. Flávio Vespasiano foi proclamado imperador pelos seus soldados, em Alexandria, província do Egito. Ali, ascendeu ao poder em dezembro daquele conturbado 69, que passou para a história de Roma como o “<em>Ano dos Quatro Imperadores</em>”.<br />
O fim do reinado de Nero coincidiu com várias revoltas dentro do Império Romano. Entre elas, a sublevação judaica, desencadeada em 66. Flávio Vespasiano foi designado para conduzir a guerra contra a rebelião dos hebreus, que ameaçava a hegemonia romana no oriente. O fim da rebelião resultou na queda de Jerusalém, sendo a cidade destruída por completo pelos romanos, entre as perdas estava o segundo Templo.<br />
No decorrer dos acontecimentos, Flávio Vespasiano enfrentou uma sangrenta batalha contra as forças de Vitélio. Devido ao mau tempo, só retornaria a Roma em 70. Além da sublevação judaica, enfrentou protestos em Alexandria, e levantamentos na Gália. A rebelião provocou fortes derrotas às legiões romanas, só <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-nWipX2LI/AAAAAAAAHG8/JNgLxqevbAs/s1600-h/Coliseu+Original.JPG"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-nWipX2LI/AAAAAAAAHG8/JNgLxqevbAs/s400/Coliseu+Original.JPG" border="0" alt="" /></a>sendo sufocada nos fins daquele ano.<br />
Ao chegar a Roma, em meados de 70, já como imperador, Flávio Vespasiano empreendeu uma série de manobras políticas para consolidar o seu poder, tão ameaçado pela guerra civil. Entre as empreitadas estava uma autêntica campanha de propaganda, resultando em grandes obras erigidas na capital do império, para que agradassem aos cidadãos romanos. Entre as obras estão o Templo da Paz e o de Cláudio Deificado. Ergueu uma estátua colossal do deus Apolo, feita sobre um projeto antigo do reinado de Nero.<br />
Mas a obra que mais se destacaria no conturbado reinado de Flávio Vespasiano foi a de um grande anfiteatro no centro de Roma, que iria entrar para a história com a denominação popular de Coliseu.</p>
<p><strong>Inaugurado o Anfiteatro</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-kKATa9hI/AAAAAAAAHF8/K5gS1GxxVUw/s1600-h/Coliseu+Vista+Parcial.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-kKATa9hI/AAAAAAAAHF8/K5gS1GxxVUw/s400/Coliseu+Vista+Parcial.jpg" border="0" alt="" /></a>Para escorar a instabilidade do seu governo, Flávio Vespasiano ordenou, em 72 d.C., que se começasse a construção de um monumental anfiteatro. O local escolhido para que se erigisse o monumento foi o de um antigo palácio de Nero. Por todo Império Romano havia mais de 250 anfiteatros, por isto era esperado que se fizesse um grandioso dentro da capital do mundo.<br />
As obras do anfiteatro arrastaram-se por longos oito anos. Em 79, uma infecção intestinal matou o imperador Flávio Vespasiano, privando-o de ver a sua maior obra concluída. Em 80 d.C., Tito, filho de Vespasiano, inaugurou o imenso monumento, ainda inacabado. Em homenagem ao pai, chamou-o de Anfiteatro Flaviano.<br />
Tito teve um reinado curto e promissor, apesar de abalado por catástrofes da natureza. Destacara-se como comandante militar, sob as orden<a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-lqDMGeZI/AAAAAAAAHGc/6EQJ0HgcaNw/s1600-h/coliseo%5B1%5D.jpg"></a>s do seu pai, durante o conflito da rebelião judaica (67-70). Após a nomeação do pai como imperador de Roma, em 69, coube a Tito a missão de finalizar a sedição dos judeus. Sob o seu comando, as legiões romanas sitiaram Jerusalém, em 70, destruindo a cidade e demolindo o segundo Templo. A vitória sobre os hebreus valeu a Tito grandes recompensas. Mais tarde, em 81, seria erigido em Roma o Arco Triunfal ou Arco de Tito, ressaltando a vitória do imperador na Palestina.<br />
Sessenta dias após subir ao poder, Tito viu-se confrontado pela grande catástrofe da erupção do Vesúvio, em agosto de 79, que resultou na <a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-iz5vrvuI/AAAAAAAAHFk/W01B0sGjeNM/s1600-h/Coliseu+Roma+7.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-iz5vrvuI/AAAAAAAAHFk/W01B0sGjeNM/s400/Coliseu+Roma+7.jpg" border="0" alt="" /></a>destruição das cidades de Pompéia e Herculano. Em 80, Roma foi novamente consumida por um incêndio. Um surto de peste assombrou a cidade. Diante das catástrofes, o imperador decidiu antecipar a inauguração do anfiteatro, que começara a ser erguido pelo seu pai, e ainda não estava com as obras concluídas. Era um alento que o imperador oferecia à sofrida população romana.<br />
Os jogos de inauguração do Anfiteatro Flaviano, em 80, duraram cem dias. Fascinou pela representação de batalhas navais, simuladas com a inundação do anfiteatro; corridas de cavalos e carros de guerra; combates de gladiadores; e, confronto entre animais selvagens trazidos das províncias romanas do norte da África. Há relatos de que centenas de gladiadores e cinco mil animais ferozes foram mortos nos espetáculos inaugurais do Coliseu.</p>
<p><strong>O Coliseu no Apogeu do Seu Esplendor</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-kb6MX88I/AAAAAAAAHGE/SsithlMyic4/s1600-h/Coliseu+Roma+6.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-kb6MX88I/AAAAAAAAHGE/SsithlMyic4/s400/Coliseu+Roma+6.jpg" border="0" alt="" /></a>O reinado de Tito foi breve, encerrando-se dois anos depois de iniciado, com a sua morte súbita em setembro de 81, vítima de uma febre quando se encontrava em missão nos territórios dos sabinos. Foi sucedido pelo irmão Domiciano.<br />
Coube a Domiciano a conclusão final do Anfiteatro Flaviano. À estrutura acrescentou um quarto nível e o acabamento da zona interior nas quais se sentava o público.<br />
Concluídas as obras, o imenso anfiteatro, no seu esplendor, envergava uma altura de 48,5 metros, numa forma elíptica de 189 metros no seu eixo maior e, 156 metros no seu eixo menor, com uma arena de 85 por 53 metros. Inicialmente possuía três andares, sendo-lhe acrescentado um quarto no reinado de Alexandre Severo e Gordiano III. Na fachada, arcadas eram ornadas com colunas dóricas no térreo, jônicas no primeiro andar e coríntias no segundo. Cada um dos pisos tinha 80 arcos, com cerca de 7 metros de altura cada. Ainda na fachada, encontravam-se centenas de estátuas de bronze a decorá-la.<br />
O Coliseu foi construído em mármore, pedra calcária de origem vulcânica (tufo), pedra travertina e ladrilho. Os assentos eram em mármore, sendo as arquibancadas divididas em três partes, que evidenciavam as classes sociais romanas: o <em>podium</em>, destinado às classes abastadas, encontrando-se dentro do dele o <em>pulvinar</em>,<a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-l6NfAAII/AAAAAAAAHGk/YtYPMhp5gtI/s1600-h/coliseo%5B1%5D.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-l6NfAAII/AAAAAAAAHGk/YtYPMhp5gtI/s400/coliseo%5B1%5D.jpg" border="0" alt="" /></a> tribuna imperial com assentos reservados aos senadores e magistrados; as <em>maeniana</em>, setor destinado aos de condição social mediana; e, os <em>portici,</em> setor destinado à plebe e às mulheres. Por cima dos muros do anfiteatro, tinham 240 mastros a sustentar o <em>velarium</em>, enorme cobertura de lona que servia para proteger os espectadores do sol.<br />
Nos subterrâneos do estádio ficavam as jaulas de animais ferozes, que eram suspensas por um elevador, até um corredor, que se abria na arena. Era no subterrâneo que se encontrava todas as celas e galerias necessárias aos serviços do anfiteatro.<br />
No seu esplendor, o Coliseu recebia cerca de cinqüenta mil pessoas, numa estrutura que se compara aos estádios da era contemporânea, sem que se lhes fique atrás.</p>
<p><strong>Os Combates de Gladiadores</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-kyLf5fTI/AAAAAAAAHGM/UIRO4shXwwM/s1600-h/Coliseu+Gladiadores.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-kyLf5fTI/AAAAAAAAHGM/UIRO4shXwwM/s400/Coliseu+Gladiadores.jpg" border="0" alt="" /></a>O espetáculo que mais atraia os romanos era a luta mortal entre os gladiadores, travada na arena do anfiteatro. O local possuía um piso de madeira, coberto por areia para absorver o sangue dos combatentes.<br />
Por um curto período, os gladiadores usados nos jogos eram soldados em treinamento. Com a sofisticação do espetáculo, os combates passaram a ser cada vez mais elaborados, sangrentos e mortais. Povos aprisionados nas guerras de conquistas do Império, escravos e criminosos passaram a ser utilizados como gladiadores. Com lanças, tridentes, espadas e escudos, eles travavam um combate mortal, duelando entre si ou enfrentando animais ferozes, como leopardo e leões. Mais de dez mil gladiadores teriam sucumbido durante os séculos que ocorreram os combates no Coliseu.<br />
Apesar de contestado historicamente, sem documentação que prove a veracidade do fato, há muitos relatos de que os cristãos primitivos da Roma pagã foram transformados em gladiadores, vindo a ser sacrificados nas arenas do Coliseu. Mesmo sem evidências conclusivas, a igreja romana sustentou por séculos essa versão do martírio cristão. A alusão à matança cristã fez do Coliseu, ao long<a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-mUTNn7AI/AAAAAAAAHGs/sjTeSSR74Jw/s1600-h/Coliseu+Gladiadores+1.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-mUTNn7AI/AAAAAAAAHGs/sjTeSSR74Jw/s400/Coliseu+Gladiadores+1.jpg" border="0" alt="" /></a>o do tempo, após a conversão de Roma ao cristianismo, um lugar sagrado, que resultou na própria sobrevivência do anfiteatro, livrando-o das depredações e do destino que lhe queriam reservar papas e nobres, ansiosos para usar o rico material da construção em suas igrejas e palácios. Imponentes catedrais como a de São Pedro, no Vaticano, e a de São João Latrão, utilizaram-se de material pilhado do Coliseu, assim como o Palazzo Venezia, ou ainda as proteções em torno do rio Tibre.<br />
Além dos combates entre gladiadores, outros espetáculos eram oferecidos aos romanos dentro do Coliseu. Entre eles a caça de animais exóticos ou ferozes, como leões, girafas, leopardos, elefantes, crocodilos, hipopótamos, avestruzes e rinocerontes. Para tal, cenários removíveis eram inseridos na arena, como árvores e edifícios. Também a batalha naval fazia parte da sofisticação das atrações oferecidas no maior estádio de entretenimento romano. As apresentações de combate no Coliseu eram gratuitas.</p>
<p><strong>A Decadência e as Ruínas Atuais</strong></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-lRS1a-NI/AAAAAAAAHGU/KPotNHGjcgI/s1600-h/Coliseu+Roma+5.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-lRS1a-NI/AAAAAAAAHGU/KPotNHGjcgI/s400/Coliseu+Roma+5.jpg" border="0" alt="" /></a>O Anfiteatro Flaviano foi o maior palco de entretenimento de Roma até o século V. Em 404, o imperador Honório proibiu os combates entre gladiadores, pondo fim aos espetáculos que apesar da crueldade, fascinaram os romanos por quase quatro séculos.<br />
Assim como o Império Romano, o esplendoroso Anfiteatro Flaviano conheceu a decadência como palco de espetáculos. Além do ostracismo das suas funções, passou por vários terremotos. Ainda no século V, foi danificado por um forte tremor de terra, sendo restaurado durante o período do reinado de Valentiniano III (425-455). Voltaria a ser abalado no século VI, entre os anos 523 e 526. Outro terremoto, no século IX, destruiu-lhe as colunas do piso superior.<br />
Não se sabe ao certo quando o anfiteatro passou a ser chamado de Coliseu. Historiadores apontam como sendo bem mais tarde, a partir do século XI, devido ao Colosso de Nero, uma grande estátua de bronze do antigo imperador romano, com 35 metros de altura, que ficava ao lado do anfiteatro.<br />
Naquele século, dominado por uma família de nobres, o Coliseu foi transformado em uma fortaleza, abrigando membros da família Frangipane, sendo utilizado como proteção em suas batalhas contra grupos rivais.<br />
No decorrer da Idade Média, o mármore e o bronze do Coliseu foram saqueados, usados para ornamentar igrejas e palácios. Várias casas teriam sido construídas com material pilhado do anfiteatro. Em 1231, um novo abalo sísmico de grande intensidade derrubou uma parte da fachada externa.<br />
No século XVII o papa Bento XIV declarou-o lugar <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-mvPlrNFI/AAAAAAAAHG0/VS5k4W5sXEQ/s1600-h/Coliseu+Interno.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-mvPlrNFI/AAAAAAAAHG0/VS5k4W5sXEQ/s400/Coliseu+Interno.jpg" border="0" alt="" /></a>sagrado, consagrando-o ao ritual anual da paixão de Cristo, o que evitou que fosse demolido, como desejava os que se lhe queriam utilizar o material de construção.<br />
O Coliseu chegou aos séculos XVIII e XIX completamente em ruínas. Até então, parcas escavações arqueológicas foram feitas. No século XX, passou por várias restaurações, o que lhe permitiu um melhor estado de conservação do que no século anterior. Em 2000, ano do jubileu de Roma, e encerramento do segundo milênio, foi concluída uma minuciosa restauração, recuperando-lhe a face externa dos arcos de mármore. Em 2007 foi eleito umas das sete maravilhas do mundo moderno; como se fosse possível apagar-lhe a eternidade do mundo antigo.<br />
No século XXI, o Coliseu ainda resiste, apesar de reduzido às ruínas. Cravado no centro de Roma, entre avenidas modernas e edifícios que se intercalam por construções de todos os séculos, o velho Anfiteatro Flaviano constitui o maior símbolo do esplendor do Império Romano, e um testemunho edificado da própria história da civilização ocidental. Mais frágil do que as sólidas pirâmides do Egito, o Coliseu é a essência da expansão da propagação dos valores ocidentais. Não se sabe até quando resistirá à carcaça que se lhe foi confinado pelo tempo, mas está para sempre gravado no coração da cidade eterna.</p>
<p><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S1-n2vu_SGI/AAAAAAAAHHE/O1T9hP6cgLQ/s400/Coliseu+Roma.jpg" border="0" alt="" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/718/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/718/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/718/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/718/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/718/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/718/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/718/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/718/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/718/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/718/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/718/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/718/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/718/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/718/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=718&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O DECÁLOGO</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Apr 2010 17:30:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S14wQ-KG1GI/AAAAAAAAHEM/lkCzN6WvaG4/s1600-h/Decalogo+-+Moises+com+os+Dez+Mandamentos+-+Joos+van+Gent.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S14wQ-KG1GI/AAAAAAAAHEM/lkCzN6WvaG4/s400/Decalogo+-+Moises+com+os+Dez+Mandamentos+-+Joos+van+Gent.jpg" border="0" alt="" /></a>Também conhecido como os Dez Mandamentos, o Decálogo, literalmente as dez palavras, constitui a página mais sagrada da <em>Torá</em> judaica, ou do <em>Velho Testamento</em> cristão. Constitui a essência da Lei que une o homem aos princípios estabelecidos por Deus, selando a aliança entre o humano e a divindade.<br />
Tradicionalmente, o Decálogo teria sido escrito em tábuas de pedra, pelo dedo de Deus, e entregue a Moisés no monte Horeb, ou Djebel Musa (Montanha de Moisés), no sul da península do Sinai, atual Egito. Moisés permanecera por quarenta dias no monte, ao retornar com o par de tábuas, encontrou os israelitas a idolatrar um bezerro de ouro. Furioso, o profeta teria quebrado as tábuas originais, em protesto e indignação. Outras tábuas teriam sido escritas por Deus, sendo estas postas na Arca da Aliança, ali permanecendo até 586 a.C., quando o Templo em Jerusalém foi destruído pelos babilônios, e os documentos perdidos para sempre.<br />
Escritos no livro do “<em>Êxodo</em>”, no capítulo 20, nos versículos de 2 ao 17, são repetidos novamente em <em>Deuteronômio</em> 5:6-21. Na sua essência, legislam o amor a Deus e ao próximo, através de condutas morais que melhoram o homem, aproximando-o do bem e do amor aos que se lhe circulam e ao próprio Deus criador. É renovada a Aliança estabelecida entre Abraão e Deus, fazendo da Lei a diferença entre o povo escolhido e o restante dos outros povos. A Lei ajudará os israelitas a enfrentar os povos que se lhe são hostis, mas também se voltará contra eles, quando não seguidas. Prepara o povo escolhido para ser redimido, e através dos israelitas, a própria humanidade será redimida. É o princípio do messianismo judaico, de onde surgirá Jesus Cristo, e as bases do cristianismo.<br />
O Decálogo define os princípios básicos da moral judaico-cristã, assim como toda a extensão da moralidade contemporânea ocidental, e a formação da ética como ciência moderna. As Leis ditadas por Deus são temporais, avançando conforme a evolução da própria civilização que as recebeu, sem jamais perder o vínculo com Javé, o Deus israelita que as estabeleceu. Se a forma de adoração ao criador, assim como o dia da semana a ser tomado como sagrado, mudou conforme a evolução das religiões monoteístas, princípios básicos, que defendem o homem de si mesmo, como não matar ou levantar falso testemunho; garantem o amor ao próximo e a própria essências das leis civis, dando consistência perene aos dez mandamentos.</p>
<p><strong>Moisés e as Tábuas da Lei</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S14wkjclknI/AAAAAAAAHEU/lik08ILBdJY/s1600-h/Decalogo+-+Moises+e+Mandamentos+2.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S14wkjclknI/AAAAAAAAHEU/lik08ILBdJY/s400/Decalogo+-+Moises+e+Mandamentos+2.jpg" border="0" alt="" /></a>Abraão, fiel seguidor de Deus, recebeu como recompensa uma prole abençoada, que se tornaria o povo eleito do criador na Terra. Jacó, neto de Abraão, teria doze filhos, dando origem às tribos israelitas. Dispersos e escravizados no Egito, os israelitas foram conduzidos por Moisés à Terra prometida. A jornada estender-se-ia por longos e penosos quarenta anos, através do deserto que se abria hostil.<br />
Teria sido no período de êxodo do Egito e peregrinação pelo deserto, que se estabeleceria o pacto entre Deus e o povo israelita. No sul da península do Sinai, Moisés foi convocado por Deus a subir os 2500 metros do monte Horeb, uma das três montanhas que formam o conjunto do Sinai. Ali permaneceria por quarenta dias, recebendo a manifestação direta da presença divina.<br />
Deus apresentou-se a Moisés, revelando-lhe o nome sagrado, YHWH (Javé), pelo qual seria reconhecido, amado e respeitado. Estabelecia com os israelitas a Aliança, fazendo deles a nação escolhida entre todos os povos, destinada a redimir a imperfeição humana, e alcançar as promessas divinas estabelecidas desde a criação <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S14zLS1QFOI/AAAAAAAAHFE/D9u04O06ENM/s1600-h/Decalogo+-+Mois%C3%A9s+e+os+Dez+Mandamentos.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S14zLS1QFOI/AAAAAAAAHFE/D9u04O06ENM/s400/Decalogo+-+Mois%C3%A9s+e+os+Dez+Mandamentos.jpg" border="0" alt="" /></a>no jardim do Éden. Para que os israelitas se firmassem como nação escolhida por Deus e professarem o seu nome e as suas promessas, teriam que seguir leis que os diferenciasse dos demais. As leis trariam o benefício da proteção divina, mas deporiam contra eles, caso não fossem cumpridas. A Lei era o princípio que redimia, mas também o que destruía, caso não se cumprisse o pacto ali estabelecido.<br />
Por quarenta dias, Deus escreveu em um par de tábuas de pedra, as leis que estabeleciam com os israelitas o pacto sagrado. Terminado o processo de expiação, Moisés retornou do alto do monte Horeb, reencontrado o seu povo, acampado ao pé das três montanhas do Sinai. Perdidos, pensando que o seu profeta maior os abandonara, os hebreus fundiram o seu ouro em um bezerro, tomando-o como adoração. Diante da blasfêmia, Moisés quebrou as tábuas da lei escritas por Deus, prostrando-se diante do criador, pedindo-lhe o perdão. Após a punição aos responsáveis pelo sacrilégio, Deus escreveria outro par de tábuas. A segunda versão das tábuas seria posta em um arca, tida como sagrada. A arca seria levada à frente do povo judeu, fazendo com que enfrentasse todas as diversidades e guerras, até que o povo eleito tomasse posse de Canaã, a Terra Prometida. Estava estabelecida a Aliança entre Deus e o povo de Israel.</p>
<p><strong>O Texto do Decálogo</strong></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S14x5MMJFuI/AAAAAAAAHEs/PMffizcmT9A/s1600-h/Decalogo+-+Moises+e+Mandamentos.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S14x5MMJFuI/AAAAAAAAHEs/PMffizcmT9A/s400/Decalogo+-+Moises+e+Mandamentos.jpg" border="0" alt="" /></a>As tábuas da Lei permaneceriam dentro da Arca da Aliança, que por sua vez, seria guardada em Jerusalém, no Templo construído pelo rei Salomão. Durante o esplendor dos reis israelitas, era o símbolo visível da manifestação de Deus e da sua proteção ao povo escolhido. Em 586 a.C., quando a Judéia foi tomada pelos babilônios, e o primeiro Templo destruído, a Arca desapareceu, sem jamais ser localizada.<br />
Às duas tábuas perdidas, escritas pelo dedo de Deus, e que traziam os dez mandamentos, foram acrescentados outros ensinamentos, ditados e escritos em pergaminhos por Moisés, estabelecendo as leis Mosaicas, compostas por 613 mandamentos, que deveriam ser seguidos por tempo indeterminado, constituindo a distinção dos israelitas ante as outras nações, e selando a aliança com Deus.<br />
Conhecido como dos Dez Mandamentos, a Lei entregue a Moisés está registrada na <em>Torá</em> hebraica, no livro <em>Chemol</em>; ou no <em>Antigo Testamento</em> cristão, no livro <em>Êxodo</em>. Neste livro, o capítulo 20 descreve, ao longo dos versículos de 2 a 17, a Lei que representa a harmonia entre o homem e Deus.</p>
<p><em>2. Eu sou Javé teu Deus que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão.<br />
3. Não terás outros deuses em oposição a mim.<br />
4. Não farás para ti imagem esculpida nem figura do que há em cima no céu, nem do que há em baixo na terra, nem do que há nas águas em baixo da terra.<br />
5. Não adorarás tais coisas, nem lhes servirás. Eu, Javé, teu <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S14yVuf79uI/AAAAAAAAHE0/RE5-CbssQwk/s1600-h/Decalogo+-+Moises+Cosimo+Rosselli.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S14yVuf79uI/AAAAAAAAHE0/RE5-CbssQwk/s400/Decalogo+-+Moises+Cosimo+Rosselli.jpg" border="0" alt="" /></a>Deus, sou um Deus zeloso, que vinga a iniqüidade dos pais nos filhos, netos e bisnetos daqueles que me odeiam<br />
6. e que usa da misericórdia até mil gerações com aqueles que me amam e guardam os meus preceitos.<br />
7. Não tomarás o nome de Javé teu Deus para uma coisa vã, porque não inocentará Javé aquele que transportar o seu nome para uma coisa vã.<br />
8. Lembra-te do dia de sábado para o santificar.<br />
9. Durante seis dias trabalharás fazendo todas as tuas obras.<br />
10. O sétimo dia é um sábado para Javé. Não farás nele obra alguma, nem tu, nem teu filho, nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu animal, nem o hóspede que está dentro das tuas portas.<br />
11. Em seis dias Javé fez o céu e a terra, o mar e tudo o que nele existe, descansando no sétimo dia. Por isso Javé abençoou o sábado e o santificou.<br />
12. Honra teu pai e tua mãe, a fim de que se prolonguem os teus dias sobre a terra que Javé, teu Deus, te dará.<br />
13. Não matarás.<br />
14. Não cometerás adultério.<br />
15. Não furtarás.<br />
16. Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo.<br />
17. Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu touro, nem seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença.</p>
<p>Êxodo 20:2-17</em></p>
<p><strong>Os Dez Mandamentos na Divisão Judaica e na Cristã</p>
<p></strong><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S14xOyc6ImI/AAAAAAAAHEk/QP6VrIV9p74/s1600-h/Decalogo+2.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S14xOyc6ImI/AAAAAAAAHEk/QP6VrIV9p74/s400/Decalogo+2.jpg" border="0" alt="" /></a>Dezesseis versículos do <em>Êxodo</em> (20:2-17), formam os dez mandamentos, que no seu registro apresenta mais do que dez afirmações, fixando entre catorze ou quinze. O historiador judaico-romano, Flávio Josefo (37?38?-100 d.C.), em suas “<em>Antiguidades Judaicas</em>”, fixa a partir do versículo 3, o primeiro mandamento; os versículos 4 a 6 como o segundo mandamento; o versículo 7 como terceiro mandamento; os versículos 8 a 11 como o quarto mandamento; compondo os versículos de 12 a 17, respectivamente, os seis mandamentos restantes.<br />
Na passagem do Êxodo, não sê lê como os dez mandamentos as leis recebidas por Moisés. O termo deriva da frase hebraica <em>aseret had’varim</em>, traduzida como as 10 palavras, afirmações ou coisas. O Decálogo também não é lido de forma idêntica pelo judaísmo e pelo cristianismo, tendo até mais do que uma interpretação, ou divisão, nas diversas correntes cristãs.<br />
Compilando o texto, originalmente escrito em hebraico, teremos as seguintes denominações dos dez mandamentos:</p>
<p><em><strong>Divisão Judaica</strong></em></p>
<p>1 &#8211; Eu sou o Senhor, o teu Deus<br />
2 &#8211; Não terás outros deuses além de mim. Não farás para ti nenhu<a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S14z_JQ-U_I/AAAAAAAAHFM/_KGu3pnqOyk/s1600-h/Decalogo+-+Moses+Receiving+the+Tables+of+Law+-+Tintoretto.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S14z_JQ-U_I/AAAAAAAAHFM/_KGu3pnqOyk/s400/Decalogo+-+Moses+Receiving+the+Tables+of+Law+-+Tintoretto.jpg" border="0" alt="" /></a>m ídolo<br />
3 &#8211; Não tomarás em vão o nome do Senhor, o teu Deus<br />
4 &#8211; Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo<br />
5 &#8211; Honra teu pai e tua mãe<br />
6 &#8211; Não matarás<br />
7 &#8211; Não cometerás adultério<br />
8 &#8211; Não furtarás<br />
9 &#8211; Não darás falso testemunho contra o teu próximo<br />
10 &#8211; Não cobiçarás a mulher e a casa do teu próximo</p>
<p><em><strong>Divisão Cristã (Católica e Luterana)</strong></em></p>
<p>1 &#8211; Eu sou o Senhor, o teu Deus. Não terás outros deuses além de mim. Não farás para ti nenhum ídolo<br />
2 &#8211; Não tomarás em vão o nome do Senhor, o teu Deus<br />
3 &#8211; Lembra-te do dia de domingo, para santificá-lo<br />
4 &#8211; Honra teu pai e tua mãe<br />
5 &#8211; Não matarás<br />
6 &#8211; Não cometerás adultério<br />
7 &#8211; Não furtarás<br />
8 &#8211; Não darás falso testemunho contra o teu próximo<br />
9 &#8211; Não cobiçarás a mulher do teu próximo<br />
10 &#8211; Não cobiçarás a casa do teu próximo</p>
<p><em><strong>Divisão Cristã (Ortodoxa)</strong></em></p>
<p>1 &#8211; Eu sou o Senhor, o teu Deus. Não terás outros deuses além de mim<br />
2 &#8211; Não farás para ti nenhum ídolo<br />
3 &#8211; Não tomarás em vão o nome do Senhor, o teu Deus<br />
4 &#8211; Lembra-te do dia de domingo, para santificá-lo<br />
5 &#8211; Honra teu pai e tua mãe<br />
6 &#8211; Não matarás<br />
7 &#8211; Não cometerás adultério<br />
8 &#8211; Não furtarás<br />
9 &#8211; Não darás falso testemunho contra o teu próximo<br />
10 &#8211; Não cobiçarás a mulher do teu próximo e não cobiçarás a casa do teu próximo</p>
<p><em><strong>Divisão Cristã (Anglicana, Presbiteriana e outras)</strong></em> <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S14yynBj2bI/AAAAAAAAHE8/ZamJSfZhzG0/s1600-h/Decalogo+-+Moises+e+Mandamentos+3.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S14yynBj2bI/AAAAAAAAHE8/ZamJSfZhzG0/s400/Decalogo+-+Moises+e+Mandamentos+3.jpg" border="0" alt="" /></a></p>
<p>Prefácio &#8211; Eu sou o Senhor, o teu Deus<br />
1 &#8211; Não terás outros deuses além de mim<br />
2 &#8211; Não farás para ti nenhum ídolo<br />
3 &#8211; Não tomarás em vão o nome do Senhor, o teu Deus<br />
4 &#8211; Lembra-te do dia de domingo, para santificá-lo<br />
5 &#8211; Honra teu pai e tua mãe<br />
6 &#8211; Não matarás<br />
7 &#8211; Não cometerás adultério<br />
8 &#8211; Não furtarás<br />
9 &#8211; Não darás falso testemunho contra o teu próximo<br />
10 &#8211; Não cobiçarás a mulher do teu próximo e não cobiçarás a casa do teu próximo</p>
<p><em><strong>Divisão Cristã (Adventista do Sétimo Dia)</strong></em></p>
<p>Prefácio &#8211; Eu sou o Senhor, o teu Deus<br />
1 &#8211; Não terás outros deuses além de mim<br />
2 &#8211; Não farás para ti nenhum ídolo<br />
3 &#8211; Não tomarás em vão o nome do Senhor, o teu Deus<br />
4 &#8211; Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo<br />
5 &#8211; Honra teu pai e tua mãe<br />
6 &#8211; Não matarás<br />
7 &#8211; Não cometerás adultério<br />
8 &#8211; Não furtarás<br />
9 &#8211; Não darás falso testemunho contra o teu próximo<br />
10 &#8211; Não cobiçarás a mulher do teu próximo e não cobiçarás a casa do teu próximo</p>
<p><strong>O Decálogo, Poucas Divergências Entre Judeus e Cristãos</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S14w6IDqkCI/AAAAAAAAHEc/Q3x37-ST7rE/s1600-h/Decalogo+-+Moises+com+Dez+Mandamentos+-+Champaigne.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S14w6IDqkCI/AAAAAAAAHEc/Q3x37-ST7rE/s400/Decalogo+-+Moises+com+Dez+Mandamentos+-+Champaigne.jpg" border="0" alt="" /></a>A Lei recebida por Moisés, estabelecia o princípio messiânico, que ao diferenciar o povo israelita das demais nações, preparava-o para receber o messias, que o conduziria à humanidade redimida. Na visão do cristianismo, o messianismo judaico teria sido concretizado, e, novas leis estabelecidas.<br />
Objetivamente, Jesus Cristo seguiu todas as tradições judaicas. Profundo conhecedor das leis mosaicas, sempre as chancelou quando confrontado por situações pontuais. Quando questionado sobre as leis, reconheceu a todas, acrescentando-lhes o amor uns aos outros. Cristo questionou as tradicionais leis mosaicas dentro do envelhecimento que traziam mediante a evolução daquela civilização, como o apedrejamento das mulheres por causa do adultério, mas jamais deixou de ver como crime contra a Lei o próprio adultério.<br />
Na questão do sábado, os sacerdotes do templo em Jerusalém, chegaram a manifestar desagrado porque Cristo fazia obras naquele dia. Ao que ele respondeu que não haveria dias santos para que se produzisse milagre e se proferisse a palavra de Deus. Foram raros os momentos que a Lei do Decálogo viesse em oposição aos ensinamentos de Jesus de Nazaré, pelo contrário, o messianismo ao qual se identificava, era a própria justificativa da existência de uma aliança dos homens com Deus, especificando um povo para segui-la.<br />
Com a separação do cristianismo primitivo do judaísmo, o Decálogo perdeu pouquíssimo da sua essência judaica, sendo a santificação do sábado a mudança mais evidente. Os cristãos justificam a santificação do domingo, por ter sido o dia em que Cristo ressuscitara, e também o dia da descida do Espírito Santo, cinqüenta dias após a ressurreição. Assim, divergiu-se o dia sagrado para os judeus e cristãos, sem que se abolisse o princípio religioso e social de um dia santo para Deus e de descanso para o homem.<br />
Essencialmente, os dez mandamentos sintetizam os princípios básicos do amor a Deus e ao próximo, o que faz com que o homem não se distancie de costumes morais que o distingue dos animais, protegendo-o contra a imperfeição social e contra a tendência destrutiva da alma. A justiça divina é estendida ao homem, trazendo-lhe um alento à inconstância perene, à insatisfação destrutiva, desenhando a moralidade básica da sociedade ocidental, que evolui constantemente, sendo obrigada a rever princípios. Mesmo cinco mil anos depois da compilação de Moisés, os dez mandamentos ainda continuam a ser a mais sólida base de toda a construção moral e ética da sociedade judaico-cristã.</p>
<p><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S140-p9gXBI/AAAAAAAAHFU/qz3XAa6CSic/s400/Decalogo+-+Torah.jpg" border="0" alt="" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/716/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/716/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/716/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/716/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/716/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/716/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/716/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/716/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/716/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/716/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/716/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/716/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/716/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/716/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=716&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>ANNE FRANK &#8211; UM GRITO CONTRA A INTOLERÂNCIA</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Apr 2010 20:11:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[história]]></category>

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		<description><![CDATA[A curta existência de Anne Frank fez dela um hino de esperança contra as atrocidades que ciclicamente atingem a humanidade, fazendo do homem uma caricatura das morais vigentes e da crueldade indomada no seu âmago. Interrompida no florescer da sua adolescência, a vida de Anne Frank foi contada para o mundo através das páginas do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=712&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S08uRR4NyDI/AAAAAAAAHCk/wionz8vmDWQ/s1600-h/Anne+Frank+1.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S08uRR4NyDI/AAAAAAAAHCk/wionz8vmDWQ/s400/Anne+Frank+1.jpg" border="0" alt="" /></a>A curta existência de Anne Frank fez dela um hino de esperança contra as atrocidades que ciclicamente atingem a humanidade, fazendo do homem uma caricatura das morais vigentes e da crueldade indomada no seu âmago.<br />
Interrompida no florescer da sua adolescência, a vida de Anne Frank foi contada para o mundo através das páginas do seu diário, comovendo o planeta inteiro, mostrando que mesmo face às adversidades, a essência da alma não se verte aos grilhões ideológicos, às intolerâncias raciais impostas por regimes totalitários.<br />
Após a ocupação da Holanda pelas tropas alemãs, em 1940, o anti-semitismo nazista atingiu o país, iniciando a perseguição aos judeus neerlandeses, fazendo-os escravos de grandes fábricas germânicas, culminando com o extermínio nos campos de concentração. Para fugir a este destino, as famílias Frank e Van Pels abrigaram-se em um anexo secreto, no escritório de Otto Frank, ali permanecendo confinados de julho de 1942, até agosto de 1944. Entre eles estava a pequena Anne Frank, filha de Otto Frank. Encarcerada no anexo, a jovem revelava em seu diário, a pequena mulher que nascia, sem tempo de respirar a liberdade de existir. Entre quatro paredes, Anne Frank viveu o ápice da sua vida, que seria breve, mas conclusiva para a humanidade.<br />
Denunciados, as duas famílias e Fritz Pfeffer, que se juntara ao grupo, foram presos e enviados aos campos de concentração. Das oito pessoas que habitaram no anexo, somente Otto Frank sobreviveu. Anne Frank morreria de tifo no campo de Bergen-Belsen, em março de 1945. O seu diário seria encontrado e entregue ao pai, que o publicaria em 1947. Tornar-se-ia um grande sucesso editorial, um comovente registro das vítimas do regime nazista.<br />
Muitos historiadores contestaram a veracidade do diário, lançando dúvidas sobre quem o teria escrito de fato. Por trás da contestação existem grandes interesses políticos e ideológicos, afinal o diário de Anne Frank tornou-se um mítico e importante documento que reflete o holocausto. Poucos que defendem a teoria da falsificação do diário estão preocupados com a verdade histórica, muitos dos que negam o holocausto insistem na teoria, sem uma isenção militante. Se o diário pode ser uma farsa, o que não se apaga é a cruel verdade do que aconteceu a Anne Frank, aos seis habitantes do anexo secreto e a seis milhões de pessoas, todos mortos em campos de concentração. Negar esta verdade é soprar na faísca da intolerância, incendiando perigosas teorias de que existem raças superiores, ou raças malditas. Teorias que só envergonharam a humanidade.<br />
A tragédia de Anne Frank torna-se maior do que o seu diário. A casa em Amsterdã, onde viveu confinada a sua curta juventude, é hoje um museu visitado por pessoas do mundo inteiro. Seu nome foi homenageado com a criação do Instituto Anne Frank, em 1957, que visa combater o anti-semitismo no mundo.</p>
<p><strong>A Perseguição Nazista aos Judeus</strong></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S08uimStJOI/AAAAAAAAHCs/0fcp20OXSUU/s1600-h/Anne+Frank+e+M%C3%A3e.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S08uimStJOI/AAAAAAAAHCs/0fcp20OXSUU/s400/Anne+Frank+e+M%C3%A3e.jpg" border="0" alt="" /></a>A judia Annelisse Maria Frank nasceu em Frankfurt, na Alemanha, em 12 de junho de 1929. Segunda filha de Edith Hollander e Otto Heinrich Frank, Anne Frank, como ficou conhecida para o mundo, viveu numa das mais conturbadas épocas da história da Europa, e do seu povo. Enquanto o mundo ocidental era afetado pela depressão econômica causada pela queda da bolsa de valores de Nova York, a Alemanha era assolada pela ascensão nazista.<br />
Em 1933 Hitler tornava-se chanceler da Alemanha. Líder do partido nazista, trazia a sede pelo poder e o princípio da pureza ariana como dogma. O anti-semitismo nazista logo se disseminou pela população germânica, iniciando uma perseguição aos judeus. Em abril de 1933, os nazistas incitaram os cidadãos a boicotarem os estabelecimentos pertencentes aos judeus. Diante da nova realidade social e econômica alemã, Otto Frank decide, no verão daquele ano, ir para a Holanda. Em fevereiro de 1934, muda-se para Amsterdã, Levando a mulher, Edith Frank, as duas filhas, Margot, de oito anos, e a pequena Anne, de quase cinco anos. Na capital holandesa dirige a sua empresa, a Opeka.<br />
Na Alemanha, o anti-semitismo era cada vez mais evidenciado através de leis que limitavam a participação dos judeus em cargos públicos e financeiros. Em 15 de novembro de 1935, era promulgada uma lei que proibia o casamento entre <a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S08w2Zkh3-I/AAAAAAAAHDc/DDGztn9k0ps/s1600-h/A.F.+Margot+olha+Anne+no+colo+da+m%C3%A3e.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S08w2Zkh3-I/AAAAAAAAHDc/DDGztn9k0ps/s400/A.F.+Margot+olha+Anne+no+colo+da+m%C3%A3e.jpg" border="0" alt="" /></a>judeus e não judeus. Os judeus foram apontados publicamente como inimigos do povo alemão. Era a concretização da legislação racista de Nuremberg.<br />
Em 1938, as crianças judias foram expulsas das escolas, simultaneamente foi decretada a expropriação compulsória das lojas, indústrias e estabelecimentos comerciais pertencentes aos israelitas. Na noite de 9 para 10 de novembro daquele ano, movimentos anti-semitas atingiram toda a Alemanha e a Áustria, com turbas destruindo símbolos judaicos, invadindo sinagogas, casas comerciais e residências de judeus, saqueando e destruindo tudo que se encontrava pela frente. O movimento ficou conhecido como a “<em>Noite dos Cristais Quebrados</em>”, ou simplesmente “<em>Noite dos Cristais</em>”. Contabilizou-se durante a chacina, 91 judeus mortos, 267 sinagogas incendiadas, centenas de estabelecimentos e empresas judaicas destruídas, e o início do confinamento de 25 mil judeus em campos de concentração. Em 1 de janeiro de 1939, os judeus foram obrigados a adicionar nos seus documentos o nome de Israel para os homens e Sarah para as mulheres.<br />
Na Holanda, Otto Frank e a mulher se sentiam seguros, pensando que estavam longe de todas as perseguições nazistas, mas a tranqüilidade seria breve, visto que o inimigo estava a poucos quilômetros das fronteiras daquele país.</p>
<p><strong>O Início do Diário</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S08uzYGtYuI/AAAAAAAAHC0/qcmUTZnCGMA/s1600-h/Anne+Frank+3.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S08uzYGtYuI/AAAAAAAAHC0/qcmUTZnCGMA/s400/Anne+Frank+3.jpg" border="0" alt="" /></a>A perseguição ao povo judeu da Alemanha, faz com que milhares deles tentem deixar o país, mas poucos conseguem, em parte pela recusa de outros países em recebê-los. O mundo fechava os olhos para a tragédia iminente que se abateria sobre o povo judeu de toda Europa.<br />
Em 1 setembro de 1939, a Alemanha invadia a Polônia, deflagrando a Segunda Guerra Mundial. Poucos meses depois, em 10 de maio de 1940, os exércitos alemães chegavam à Holanda. Durante cinco dias, Roterdã foi severamente bombardeada. O exército holandês sucumbiu, e a Holanda passou a ser controlada pelos nazistas.<br />
As limitações impostas aos judeus da Alemanha atingem aos da Holanda. As proibições afetam o cotidiano da família de Otto Frank, respingando sobre os seus negócios. Durante os dois primeiros anos de ocupação, os judeus conseguem viver uma normalidade sob uma grande penumbra.<br />
Em 12 de junho de 1942, Anne Frank completava treze anos. Idade de transição entre a criança e a pequena mulher que se aflorava. Seria o seu último aniversário em liberdade. Entre os muitos presentes que ganhou, estava um diário. A menina sente-se deslumbrada diante daquele presente, passando a escrever o que toda garota da sua idade escrevia: o cotidiano na escola, as amigas, os sonhos, e, uma linha longínqua sobre a sombra da guerra e as imposições ao seu povo. Naquele dia de aniversário, Anne Frank começava de uma forma cúmplice, o seu diálogo com Kitty, nome que dera ao diário:<br />
<em>“Espero poder confiar inteiramente em você, como jamais confiei em alguém até hoje, e espero que você venha a ser um grande apoio e um grande conforto para mim.”<br />
</em>Iniciava-se aquele que se tornaria um dos maiores documentos da tragédia do holocausto durante o regime nazista, e, a sua solução final para o povo judeu.</p>
<p><strong>O Anexo Secreto</strong></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S08vIehr0wI/AAAAAAAAHC8/wjlPxE8JynE/s1600-h/Anne+Frank+House+-+Frontal.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S08vIehr0wI/AAAAAAAAHC8/wjlPxE8JynE/s400/Anne+Frank+House+-+Frontal.jpg" border="0" alt="" /></a>Temendo uma apreensão dos nazistas, Otto Frank passou a transportar víveres, roupas e mobílias para a casa de amigos, para que não corresse o risco de ser saqueado e ficar sem nada. Provavelmente já tinha engendrado um plano para esconder toda a família, na esperança de que a guerra chegasse ao fim.<br />
Na sexta-feira, 3 de julho de 1942, Anne Frank recebeu normalmente os resultados dos exames escolares, anunciados no Teatro Israelita, não podia imaginar que dois dias depois, a sua vida seria totalmente mudada.<br />
Em 5 de julho, Otto Frank receberia uma carta de convocação para trabalho forçado na Alemanha. Naquele dia cerca de mil judeus de Amsterdã receberam a mesma convocação. Todos deveriam se apresentar com as respectivas cartas, preenchendo um formulário que lhes dizia para onde deveriam ir, e, o que podiam levar. Nenhum convocado sabia ao certo o que os nazistas tinham engendrado para ele. A única certeza era a de que seria submetido a trabalhos escravos em fábricas alemãs e de donos anti-semitas, com destino final nos campos de concentração.<br />
Otto Frank e a mulher já esperavam pela convocação. Há muito que se tinham precavido com víveres, mobiliando um esconderijo secreto nos fundos do prédio onde funcionava a sua empresa. Naquele 5 de julho estava decidido que mudaria com a família para o anexo secreto.<br />
No dia seguinte, 6 de julho, Otto Frank, a mulher Edith Frank-Hollander e as filhas, Margot Frank e Anne Frank, já estão no anexo secreto. Contam com a ajuda de quatro fiéis empregados de Otto, sendo duas mulheres, Miep Gies e Bep Voskuijl, e dois homens, Johannes Kleiman e Victor Kugler.<br />
Alguns dias depois, em 13 de julho de 1942, outra família junta-se aos Frank, os Van Pels. Eram eles o senhor Hermann Van Pels, a esposa Auguste Van Pels-Rottgen, e o filho Peter Van Pels. No dia 6 de novembro de 1943, Fritz Pfeffer juntava-se a eles. Oito pessoas permaneceriam escondidas no anexo secreto, até que fossem descobertas pela Gestapo.</p>
<p><strong>A Esperança Dentro do Confinamento</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S08vgPSW9dI/AAAAAAAAHDE/3a4FapX7ePk/s1600-h/Anne+Frank+-+Todos.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S08vgPSW9dI/AAAAAAAAHDE/3a4FapX7ePk/s400/Anne+Frank+-+Todos.jpg" border="0" alt="" /></a>Diante da perseguição que sofreram os judeus de Amsterdã, que se viram acossados, o anexo secreto era um dos melhores locais para que se pudesse esconder, na ínfima esperança de que a guerra terminasse e o terror nazista fosse finalmente varrido da face do planeta.<br />
Miep Gies, Bep Voskuijl, Johannes Kleiman e Victor Kugler, escondiam a entrada para o anexo secreto atrás de uma estante. Os quatro sabiam do risco que corriam em esconder um judeu, mais perigoso ainda era esconder duas famílias. A punição para o holandês que o fizesse era severa, resultando em prisão.<br />
Os Frank e os Van Pels dependiam totalmente daquela ajuda externa. Confinados, eram alimentados pelos quatro empregados, que não lhes deixava faltar além da comida, jornais, doces e outras necessidades urgentes.<br />
O tempo de clausura parecia uma eternidade. O mundo fora do anexo chegava apenas pelas informações que se lhe eram passadas clandestinamente. Anne Frank assistia à mutação do seu corpo e da personalidade emotiva, transitando para a vida adolescente. Prisioneira do medo e das circunstâncias, ela passaria o seu tempo a escrever para um diário. Kitty é quem lhe percebe as mudanças, quem lhe guarda os <a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S084sNNm2FI/AAAAAAAAHEE/038ncUBkPdw/s1600-h/Anne+Frank+e+Fam%C3%ADlia+2.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S084sNNm2FI/AAAAAAAAHEE/038ncUBkPdw/s400/Anne+Frank+e+Fam%C3%ADlia+2.jpg" border="0" alt="" /></a>sentimentos, as esperanças, os sonhos de que um dia a guerra terminaria e ela pudesse novamente voltar à vida. Nas páginas do seu diário, revela o despertar para os primeiros sentimentos, cria em Peter Van Pels todas as expectativas da visão de uma pequena mulher diante do sexo masculino.<br />
A monotonia dos dias era sacudida pelo medo constante, pelo perigo iminente, quaisquer barulhos ou atos imprudentes poderiam ser fatais. Dia após dia, judeus escondidos eram presos e enviados para os campos de concentração. Rondas policiais eram rotineiras nas ruas de Amsterdã.<br />
O tempo de confinamento estender-se-ia até 1944. Muito tempo onde cada minuto representava a própria sobrevivência. Os ventos da guerra mudavam lentamente. A partir de 6 de junho daquele ano, quando os aliados invadiram a Normandia, a contagem regressiva para a derrota dos nazistas começava a ser feita. Restava aos oito confinados resistirem uns poucos meses mais.</p>
<p><strong>Prisão e Deportação Para os Campos de Concentração</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S08v88p-_zI/AAAAAAAAHDM/ShfEmD_mVtU/s1600-h/A.+F.+-+Kleiman+e+Estante.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S08v88p-_zI/AAAAAAAAHDM/ShfEmD_mVtU/s400/A.+F.+-+Kleiman+e+Estante.jpg" border="0" alt="" /></a>As notícias da invasão da Normandia pelas forças aliadas chegaram aos habitantes do anexo secreto através dos jornais que Miep Gies generosamente trazia. Otto Frank chegou a traçar um mapa, como se tentasse adivinhar em quanto tempo os libertadores tomariam Amsterdã. A esperança parecia renascer para eles, que passaram enclausurados grande parte da guerra.<br />
Animada pela perspectiva da vitória dos aliados, Anne Frank decide transformar a sua experiência de guerra em livro. Começa a reescrever o seu diário em folhas soltas de papel. Escreve quase que quatro páginas diariamente, até o dia 1 de agosto de 1944. Ela tem esperança de voltar para a escola em outubro.<br />
No dia 4 de agosto de 1944, a esperança dos moradores do anexo chegava ao fim. Uma denúncia leva a Gestapo até o esconderijo. Os oito habitantes do anexo secreto são presos, ao lado dos seus ajudantes, Johannes Kleiman e Victor Kugler. O autor da denúncia jamais foi revelado.<br />
Levados para a prisão, os oito moradores do anexo seguiriam juntos até o campo transitório de Westerbork. Permaneceriam ali por algumas semanas. Finalmente foram deportados em trem de cargas para o campo de concentração de Auschwitz. Chegaram ao campo em 6 de setembro de 1944. Na plataforma do trem, homens e mulheres foram separados. Sete deles encontrariam a morte.<br />
Edith Frank seria separada das filhas em outubro de 1944, permanecendo em Auschwitz-Birkenau, onde morreria de inanição em 6 de janeiro de 1<a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S08xWJgNtNI/AAAAAAAAHDk/MYk-iqJG74Q/s1600-h/Anne+Frank,+Otto+Frank+e+Margot+Frank.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S08xWJgNtNI/AAAAAAAAHDk/MYk-iqJG74Q/s400/Anne+Frank,+Otto+Frank+e+Margot+Frank.jpg" border="0" alt="" /></a>945. Hermann Van Pels seria selecionado para a câmara de gás algumas semanas depois de chegar a Auschwitz, ali sendo executado. Fritz Pfeffer morreu no campo de concentração de Neuengamme, em dezembro de 1944. No dia 16 de janeiro de 1945, os nazistas evacuaram Auschwitz, Peter Van Pels foi obrigado a seguir os prisioneiros naquela que ficou marcada como a “marcha da morte”. Viria a morrer em 5 de maio, no campo de Mauthausen. Auguste Van Pels foi deportada para Theresienstadt, na Tchecoslováquia, em abril de 1945, não se sabendo ao certo o lugar onde morreu.<br />
No final de outubro, Anne Frank e a irmã Margot Frank foram deportadas de Auschwitz para o campo de concentração de Bergen-Belsen, na Alemanha. Os nazistas mantêm os prisioneiros, mas não os alimentam. Muitos morrem de fome. Em fevereiro de 1945, as duas irmãs contraíram tifo. Enfraquecida pela doença e pela fome, um dia Margot, deitada ao lado da irmã, tentou levantar-se, mas caiu no chão, não resistindo ao choque da queda, morrendo a seguir. Anne Frank não suportou a morte da irmã. Consumida pelo tifo e pela desnutrição, morreria alguns dias depois, no princípio de março de 1945. Tinha pouco mais de quinze anos. Em 15 de abril, soldados britânicos libertaram o campo. Descobriram milhares de prisioneiros mortos, e alguns sobreviventes doentes. Sem tempo para enterrar os mortos, jogaram os seus cadáveres em grandes valas. Os corpos de Anne e Margot estavam entre eles.</p>
<p><strong>O Diário de Anne Frank</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S08wcmeDIiI/AAAAAAAAHDU/55hZ2laRk8o/s1600-h/Anne+Frank+5.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S08wcmeDIiI/AAAAAAAAHDU/55hZ2laRk8o/s400/Anne+Frank+5.jpg" border="0" alt="" /></a>Otto Frank foi o único do anexo secreto a chegar com vida depois do fim da guerra. Foi um dos sobreviventes de Auschwitz quando o campo foi libertado pelos aliados, em 27 de janeiro de 1945. Logo a seguir, viajou para a Rússia. Quando estava a caminho de Odessa, soube por um amigo holandês que a mulher havia morrido.<br />
Em junho de 1945 retornou à Holanda, encontrando-se com os quatro empregados que lhe havia ajudado durante o tempo que esteve confinado no esconderijo. Foi quando soube da morte das filhas, Margot e Anne. Na volta à Holanda, teria encontrado o diário da filha.<br />
Há controversas quanto à forma em que o diário chegou às mãos de Otto Frank. Há relatos que ele próprio encontrara a relíquia, quando voltara ao seu escritório, em Amsterdã. Outros afirmam que Miep Gies e Bep Voskuijl, após a invasão da Gestapo ao anexo secreto, encontraram o diário e papéis escritos, guardando-os para que algum dia os pudesse devolver à autora. Ao se certificar da morte de Anne Frank, Miep Gies teria entregado o diário a Otto Frank.<br />
Em 1947, após compilar os escritos da filha, Otto Frank decidiu publicar o seu diário, escrito em holandês, com o título original de “<em>Het Achterhuis</em>”. O livro seria traduzido em várias línguas, sendo um dos mais lidos em todo o planeta. Os originais estão no Instituto Holandês para Documentação de Guerra. O Fundo Anne Frank, na Suíça, é herdeiro dos direitos autorais.<br />
No livro, Anne Frank inventou nomes fictícios para os moradores que dividiram com a sua família a clausura no anexo, e para os funcionários do pai que os ajudou. Assim, a família Van <a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S08ziMx-MYI/AAAAAAAAHDs/4EKN1_ZKBHo/s1600-h/Anne+Frank+e+Amigas.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S08ziMx-MYI/AAAAAAAAHDs/4EKN1_ZKBHo/s400/Anne+Frank+e+Amigas.jpg" border="0" alt="" /></a>Pels foi chamada de família Van Daan. Fritz Pfeffer foi chamado de Albert Dussel. Miep Gies foi rebatizada como Miep van Santen. Bep Voskuijl chamou-se Elli Vossen. Johannes Kleiman era Simon Koophuis. Victor Kugler era Harry Kraler. Otto Frank manteve os nomes fictícios. A partir de 1991, as edições do livro passaram a trazer os verdadeiros nomes dos que ajudaram a família Frank no anexo.<br />
Desde a publicação do livro, que se contesta a autenticidade de quem o escreveu. Otto Frank, para proteger a imagem da filha, teria amputado partes, ou mesmo descaracterizado a escrita, principalmente em trechos que aflorariam os primeiros impulsos sexuais da adolescente.<br />
Para muitos o diário representa uma lenda criada para difundir o mito do holocausto. Outros defendem ainda, que um escritor fantasma teria feito o livro, e que ele não passou de um grande engodo editorial, chancelada pelo pai de Anne Frank. Seria apenas um gerador de renda. E que Otto Frank teria enfrentado processos pelos direitos autorais, até a sua morte, em 1980.<br />
Robert Faurisson, catedrático francês, professor da Universidade de Lyon, passou toda a sua vida defendendo a tese de que o diário é uma das maiores farsas da história. Autor de “<em>Le Journal d&#8217;Anne Frank Est-il-Authentique?</em>”, chegou a apontar irregularidades nos originais, conclamando que parte do texto foi escrita usando canetas esferográficas, inventadas somente na década de 1950.<br />
Para combater as especulações, o Instituto de Documentação de Guerra ordenou que fosse feita uma minuciosa investigação. Dado como autêntico, o diário foi publicado na totalidade, ao lado dos resultados de uma investigação exaustiva. Incluindo a análise da caligrafia de Anne Frank, dos documentos e materiais usados.<br />
<a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S080QCgR3bI/AAAAAAAAHD0/gbBP4msCkWk/s1600-h/Anne+Frank+2.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S080QCgR3bI/AAAAAAAAHD0/gbBP4msCkWk/s400/Anne+Frank+2.jpg" border="0" alt="" /></a>Miep Gies, tida como quem guardou o diário, as folhas de papel e as anotações de Anne Frank, foi quem mais defendeu a autenticidade do livro. Por mais de seis décadas, foi a testemunha viva da tragédia dos moradores do anexo secreto. Morreu aos 100 anos, em 11 de janeiro de 2010. O prédio do anexo foi transformado em museu, podendo ser visitado por qualquer pessoa.<br />
As contestações são vociferadas muitas vezes não de forma científica, mas por anti-semitas que, apesar de todas as evidências, insistem em negar o Holocausto. Friamente analisando, mesmo que o diário não fosse autêntico, a morte de Anne Frank e da sua família o é, não pairando quaisquer dúvidas. Assim como Anne Frank, milhares de pessoas, judias, ciganas, homossexuais, comunistas, deficientes físicas ou simplesmente opositoras aos princípios nazistas, foram cruelmente feitas escravas, trabalhando para importantes empresas alemãs que ainda hoje estão no mercado, ou simplesmente mortas em campos de concentração, chancelando com sangue um dos regimes mais repugnantes da história da humanidade. Anne Frank é símbolo de um grito dentro da escuridão do nazismo.</p>
<p><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S082L-KKtOI/AAAAAAAAHD8/gQh4whyWyNM/s400/Anne+Frank+-+Livros.jpg" border="0" alt="" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/712/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/712/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/712/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/712/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/712/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/712/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/712/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/712/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/712/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/712/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/712/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/712/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/712/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/712/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=712&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>BRASÍLIA &#8211; UMA UTOPIA NO CENTRO DO BRASIL</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Apr 2010 22:28:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em 1999, quando o segundo milênio chegava ao fim, Brasília foi eleita a cidade símbolo do modernismo e maior expoente da arquitetura no século XX. Cinco décadas após a data oficial da sua fundação, continua a ser um dos maiores marcos arquitetônicos da humanidade, numa concepção que não se mostra datada, alcançando ainda uma atmosfera [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=710&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9C5L1SYScI/AAAAAAAAH_0/REnJlkrUoUc/s1600/Bras%C3%ADlia+-+JK.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9C5L1SYScI/AAAAAAAAH_0/REnJlkrUoUc/s400/Bras%C3%ADlia+-+JK.jpg" border="0" alt="" /></a>Em 1999, quando o segundo milênio chegava ao fim, Brasília foi eleita a cidade símbolo do modernismo e maior expoente da arquitetura no século XX. Cinco décadas após a data oficial da sua fundação, continua a ser um dos maiores marcos arquitetônicos da humanidade, numa concepção que não se mostra datada, alcançando ainda uma atmosfera de total futurismo.<br />
Feita para sediar a capital do Brasil, construída no seu centro geográfico, a cidade tornou possível a interligação entre todas as regiões de um país de dimensão continental. Trouxe progresso e integração entre o litoral e o interior brasileiros.<br />
Considerada o epicentro convulsivo da política brasileira, a cidade é muitas vezes vista com desconfiança, numa atmosfera que irradia não só as decisões mais importantes do país, como a que concentra todas as conspirações urdidas nos bastidores do poder. Brasília é símbolo do poder, capital da política. Residência do presidente e dos seus ministros. Dos embaixadores e das suas embaixadas.<br />
Brasília é também um dos maiores centros culturais do Brasil. Sua população fixa pulsa em torno da flutuante, tendo uma das maiores rendas <em>per capita</em> do país. Traz uma população oriunda de todos as regiões brasileiras, refletida em nativos arrebatados de todas as culturas e costumes.<br />
Para comemorar os cinqüenta anos de fundação, a cidade abriu as portas a grandes festividades, onde mais de um milhão de pessoas desfilaram pela Esplanada dos Ministérios, centro pulsante brasiliense, numa apoteose que confirmou a utopia realizada de um lugar outrora sonhado por quase dois séculos. As festividades vieram em um momento de grandes cicatrizes para a cidade, que assistiu à queda do seu líder político maior, o governador do Distrito Federal, José Arruda, cassado por corrupção e violento atentado à dignidade pública.<br />
Como capital federal, a cidade contemplou ao longo de cinco décadas, aos mais controversos jogos de poder. Da renúncia do então presidente Jânio Quadros, em 1961 ao forjado parlamentarismo instituído para que João Goulart pudesse assumir a presidência naquele ano; do golpe de estado instalado em 1964, à truculenta ditadura militar instalada a seguir. Presenciou o fechamento do Congresso em 1968, banindo de vez qualquer resquício de democracia por vários anos. Assistiu às frustradas votações de emendas que traziam a volta das eleições presidenciais, assim como o fim da ditadura e a volta da democracia. Brasília afirmou-se como capital em plena ditadura militar, tornando-se o palco definitivo dos ventos democráticos. Feita por homens de todo o Brasil, é uma cidade que, roubando costumes e tradições, adquiriu uma identidade impar e, ao mesmo tempo, uma pluralidade cultural visceral. Cinco décadas depois da sua fundação, Brasília continua a ser um ícone entre as cidades do planeta. Uma das mais belas concepções feitas pelo homem moderno.</p>
<p><strong>Marquês de Pombal, Ecos de Uma Cidade no Interior do Brasil</strong></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9C57rSJuiI/AAAAAAAAH_8/W94OU1bYHRE/s1600/Bras%C3%ADlia+-+Tordesilhas.JPG"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9C57rSJuiI/AAAAAAAAH_8/W94OU1bYHRE/s400/Bras%C3%ADlia+-+Tordesilhas.JPG" border="0" alt="" /></a>Quando Dom João II assinou com os reis Isabel de Castela e Fernando de Aragão, em 1494, o Tratado de Tordesilhas, dividindo o mundo, ainda desconhecido, entre Portugal e Espanha, jamais pensou que o seu país colonizaria um gigante continental. Somente no reinado de Dom Manuel, em 1500, que a expedição portuguesa comandada por Pedro Álvares Cabral, chegaria às costas das terras já demarcadas pelo tratado assinado seis anos antes.<br />
Por quase dois séculos o Tratado de Tordesilhas foi respeitado. O Brasil, colônia portuguesa, não ousou avançar além do meridiano 50.<br />
Em 1578, o jovem rei português Dom Sebastião, desapareceu no meio de uma batalha nas mediações de Alcácer-Quibir, no norte da África. O monarca tinha apenas vinte e quatro anos e não deixou um herdeiro. Filipe II, rei da Espanha e neto de Dom Manuel, reclamou para si o trono português. Em 1580 tornou-se rei de Portugal e da Espanha, promovendo a união Ibérica, que só iria findar sessenta anos mais tarde. Durante a união Ibérica, a expansão da colônia do Brasil seguiu para o interior, ultrapassando o Meridiano de Tordesilhas, derrubando-o aos poucos. Em dezembro de 1640 foi restaurada a independência de Portugal, com a aclamação de Dom João IV como rei.<br />
Com o fim da união Ibérica, a Espanha saiu enfraquecida, não conseguindo manter o Tratado de Tordesilhas como limite das fronteiras entre as suas colônias e as de Portugal na América do Sul. A expansão do Brasil para o interior foi feita sobre uma árdua luta, muito <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9C9uy6lMMI/AAAAAAAAIAs/ATXJFdDbelY/s1600/Bras%C3%ADlia+-+Monumento+Dois+Candangos.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9C9uy6lMMI/AAAAAAAAIAs/ATXJFdDbelY/s400/Bras%C3%ADlia+-+Monumento+Dois+Candangos.jpg" border="0" alt="" /></a>além do que estabelecera a linha imaginária de Tordesilhas, gerando um grande contraste civilizador entre o litoral e o interior da colônia. Desbravar o sertão era derrubar matas e civilizações indígenas, construir vilarejos em lugares inóspitos. A necessidade de unir o litoral e o interior de tão extensa área era vital para a concretização das fronteiras, tornando-se cada vez mais evidente. Já em 1761, Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, então poderoso primeiro-ministro do rei Dom José I de Portugal, atento à necessidade de maior integração do interior com o litoral da colônia portuguesa da América do Sul, propôs a mudança da capital para o interior do Brasil. Em pleno século XVIII, foi a primeira vez que se esboçou a idéia da utopia que no século XX tornar-se-ia a cidade de Brasília.</p>
<p><strong>O Sonho de Dom Bosco</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9C6ROOMwsI/AAAAAAAAIAE/BApDvD3402c/s1600/Bras%C3%ADlia+-+S%C3%A3o+Jo%C3%A3o+Bosco.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9C6ROOMwsI/AAAAAAAAIAE/BApDvD3402c/s400/Bras%C3%ADlia+-+S%C3%A3o+Jo%C3%A3o+Bosco.jpg" border="0" alt="" /></a>A idéia de transferir a capital do Brasil para o interior precede à independência e constituição do Brasil como nação. Hipólito José da Costa, jornalista perseguido pela Inquisição, acusado de tentar implantar a maçonaria no Brasil, responsável pelo primeiro jornal brasileiro, o “<em>Correio Braziliense ou Armazém Literário</em>”, editado entre 1808 e 1823 em Londres, durante o seu exílio, redigiu artigos defendendo a transferência da capital para uma região de interior, interligando os rios que se dirigiam para o norte, sul e nordeste.<br />
No processo que culminou com a independência do Brasil, em 1822, vários movimentos separatistas assolaram a recém-nascida nação, numa tentativa de descentralização do poder concentrado no Rio de Janeiro. Atento ao problema, José Bonifácio, alcunhado de Patriarca da Independência, influente político do Primeiro Império, fez referência, em 1823, a uma futura capital do Brasil construída no interior, sendo o primeiro a chamá-la de Brasília.<br />
Reza a tradição que, ainda no século XIX, o sacerdote italiano João Melchior Bosco (1815-1888), conhecido como Dom Bosco, teria visto em um sonho a construção de uma cidade entre os paralelos 15 e 20 do Hemisfério Sul. A cidade sonhada por Dom Bosco fora erigida próxima de um lago, trazendo muita riqueza e prosperidade, onde jorrava latente o leite e o mel. Muitos interpretaram o lugar descrito pelo sacerdote católico como sendo a cidade de Brasília, numa visão poética e mística da sua concepção utópica. Em 1934 o padre foi canonizado pelo Vaticano como São João Bosco. Por este motivo místico, ele foi aclamado o santo padroeiro de Brasília.</p>
<p><strong>O Retângulo Cruls</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9C6qrp72tI/AAAAAAAAIAM/611Mddz4szY/s1600/Bras%C3%ADlia+-+Morize+-+Comiss%C3%A3o+Cruls.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9C6qrp72tI/AAAAAAAAIAM/611Mddz4szY/s400/Bras%C3%ADlia+-+Morize+-+Comiss%C3%A3o+Cruls.jpg" border="0" alt="" /></a>Com o fim da Monarquia, em 1889, foi outorgada a primeira Constituição da República, em 1891. Uma das deliberações dos constituintes republicanos foi a instituição de um dispositivo que incluía o que foi chamado de “meta mudancista”, consistindo na mudança da capital federal do Rio de Janeiro para o interior do país. O objetivo era interligar o país, tendo o seu centro como ponto de partida. Dali regiões nunca dantes alcançadas, como o norte e o centro-oeste, poderiam finalmente, vir a ser exploradas e habitadas.<br />
Para o cumprimento da Carta de 1891, o então presidente da República Floriano Peixoto, nomeou a Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil, com o objetivo de promover uma expedição de reconhecimento e exploração do Planalto Central, numa área localizada em Goiás. O engenheiro e astrônomo belga Luís Cruls foi incumbido de comandar a <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9C_ojGWp4I/AAAAAAAAIA0/Nq3-HnNs-Is/s1600/Brasilia+-+Kubitschek+e+L%C3%BAcio+Costa.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9C_ojGWp4I/AAAAAAAAIA0/Nq3-HnNs-Is/s400/Brasilia+-+Kubitschek+e+L%C3%BAcio+Costa.jpg" border="0" alt="" /></a>expedição, constituída por uma equipe de cientistas que em 1892, partiu para estudar as condições climáticas, a natureza do terreno, a orologia, a qualidade da água, o clima, a geologia, a fauna, a flora e outros conhecimentos da área do Planalto Central.<br />
A área demarcada pela expedição ficou conhecida como Retângulo ou Quadrilátero Cruls, sendo os estudos realizados apresentados em 1894 ao governo republicano. Seguindo a tradição de dar nomes com procedência religiosa às capitais do Brasil, como São Salvador e São Sebastião do Rio de Janeiro, a comissão de Luís Cruls chamava a imaginária capital de Vera Cruz.<br />
Desde a implantação da República, a idéia de transferir a capital federal para o Planalto Central jamais foi abandonada, mas foi sempre vista como uma utopia distante e inalcançável. No decorrer do centenário da independência do Brasil, em 1922, foi apresentado na Câmara um projeto que inseria o lançamento da pedra fundamental da futura capital federal às comemorações da independência. O então presidente Epitácio Pessoa, chegou a baixar um decreto, o de nº 4.494 de 18 de janeiro de 1922, <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9DF2qV9oxI/AAAAAAAAIBk/4WGxdkLz1Po/s1600/Bras%C3%ADlia+-+Plano+Piloto+L%C3%BAcio+Costa.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9DF2qV9oxI/AAAAAAAAIBk/4WGxdkLz1Po/s400/Bras%C3%ADlia+-+Plano+Piloto+L%C3%BAcio+Costa.jpg" border="0" alt="" /></a>determinando a demarcação da pedra fundamental, sendo escolhido o engenheiro Balduíno Ernesto de Almeida para efetuar a missão. No dia 7 de setembro de 1922, ápice da comemoração do centenário da independência, Balduíno Ernesto, em uma caravana constituída por quarenta pessoas, lançou a pedra fundamental da futura capital do Brasil no Morro do Centenário, na Serra da Independência, localizada a nove quilômetros da cidade de Planaltina, no Planalto Central.<br />
Apesar de constar na Constituição, a mudança da capital brasileira para o centro do país atravessou o século XIX e a maior parte do século XX, como uma utopia distante, vista pelos céticos como um sonho mirabolante.</p>
<p><strong>O Planalto Central Torna-se Um Imenso Canteiro de Obras</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9C7KEZQmxI/AAAAAAAAIAU/_I08OUMV4bU/s1600/Bras%C3%ADlia+-+Constru%C3%A7%C3%A3o.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9C7KEZQmxI/AAAAAAAAIAU/_I08OUMV4bU/s400/Bras%C3%ADlia+-+Constru%C3%A7%C3%A3o.jpg" border="0" alt="" /></a>Na primeira metade do século XX o Brasil extinguiu a República Velha, em 1930, conhecida por privilegiar as oligarquias agrícolas do país; atravessou a ditadura de Getúlio Vargas, com a instituição do Estado Novo, em 1937. Com o fim do Estado Novo, em 1945, o país viveu um novo momento democrático, culminando com a promulgação de uma nova Constituição, em 1946. Nesta nova Carta, não se deixou de fazer referência à mudança da capital.<br />
Em 1954, Café Filho, em sua curta passagem pela presidência da República, convidou o marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque para presidir a Comissão de Planejamento e Localização da Nova Capital Federal. O marechal e sua equipe situaram e delimitaram geograficamente a área do futuro Distrito Federal, sendo homologado por Café Filho o local exato de onde se ergueu Brasília. A comissão ainda insistia em denominar Vera Cruz à nova capital.<br />
Em 1955, um acontecimento durante a campanha eleitoral de Juscelino Kubitschek selaria de vez o projeto de mudança da capital federal. Em um comício na cidade de Jataí, no estado de Goiás, o candidato à presidência foi indagado pelo eleitor Antonio Soares, se eleito fosse iria cumprir o que determinava a <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9DAU1Z9n4I/AAAAAAAAIA8/X-HzDZZGXng/s1600/Bras%C3%ADlia+-+JK+e+Oscar+Niemeyer.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9DAU1Z9n4I/AAAAAAAAIA8/X-HzDZZGXng/s400/Bras%C3%ADlia+-+JK+e+Oscar+Niemeyer.jpg" border="0" alt="" /></a>Constituição e transferir a capital federal para o Planalto Central. Juscelino Kubitschek refletiu por alguns segundos, em seguida respondeu afirmativamente, fazendo daquela promessa o seu objetivo de campanha.<br />
Já como presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek desentendeu-se com o marechal José Pessoa, fazendo com que abandonasse a Comissão de Planejamento e Localização da Nova Capital Federal, sendo substituído pelo coronel Ernesto Silva. JK enviou um projeto de lei ao Congresso Nacional, criando em 1956, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), responsável pela edificação da cidade. No projeto, argumentava-se que o empreendimento seria autofinanciável através das receitas obtidas com a venda de lotes na nova capital, estendendo-se a construção por quinze anos. Após a aprovação da Novacap, Juscelino Kubitschek anunciava que entregaria a nova capital até o fim do seu mandato, surpreendendo aos céticos, que esperavam ver a cidade erguida lenta e gradualmente.<br />
Em 30 de setembro de 1956, o Diário Oficial da União publicava o edital do Concurso do Plano Piloto. O projeto vencedor do concurso público foi o do arquiteto Lúcio Costa, que trazia um ousado desenho com o traçado de ruas <a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9DDZCktFtI/AAAAAAAAIBU/bstMOvxugPs/s1600/Bras%C3%ADlia+-+Juscelino+Kubitschek.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9DDZCktFtI/AAAAAAAAIBU/bstMOvxugPs/s400/Bras%C3%ADlia+-+Juscelino+Kubitschek.jpg" border="0" alt="" /></a>obedecendo ao plano piloto. Outro arquiteto, Oscar Niemeyer, foi contratado pela Novacap para chefiar a divisão de arquitetura da companhia, projetando os principais prédios públicos da nova cidade. Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, dois ícones da arquitetura brasileira, lançaram-se na maior aventura arquitetônica modernista do Brasil e do planeta, erguendo dos seus traçados uma das cidades mais bonitas já feitas pelo homem.<br />
Confiante em concluir a sua audaciosa obra antes do fim do mandato, Juscelino Kubitschek, para espanto de todos, transformou o Planalto Central em um imenso canteiro de obras, suscitando a curiosidade e admiração de toda a nação, apreensiva e extasiada com o resultado que surgiria no meio daquele inóspito lugar no coração do Brasil.</p>
<p><strong>Erigida a Nova Capital do Brasil</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9C8JvAmKfI/AAAAAAAAIAc/wL1s_fOF4VE/s1600/Bras%C3%ADlia+-+Constru%C3%A7%C3%A3o+-+Abril+Imagens.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9C8JvAmKfI/AAAAAAAAIAc/wL1s_fOF4VE/s400/Bras%C3%ADlia+-+Constru%C3%A7%C3%A3o+-+Abril+Imagens.jpg" border="0" alt="" /></a>Durante a construção da nova capital, várias foram as críticas contra o empreendimento. A direita conservadora, liderada pela União Democrática Nacional (UDN), apostava na ruína política de Juscelino Kubitschek, achando-o demagogo e sem condições de avançar em tão ousada empreitada. Para surpresa dos seus opositores, o presidente mostrou-se arrojado, prometendo um crescimento econômico de cinqüenta anos em cinco.<br />
Para a esquerda, principalmente os líderes políticos do proscrito Partido Comunista Brasileiro (PCB), eleitos sob a sigla do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), a construção da nova capital era uma forma do presidente Juscelino Kubitschek fugir do objetivo da reforma agrária. Na concepção da esquerda, construir a cidade em um lugar tradicionalmente comandado por oligarquias agrícolas, só faria mais poderosa à elite local, pois valorizaria o cerrado para empreendimentos restritos àquelas oligarquias, gastando uma fortuna dos cofres públicos que poderiam ser investidos na reforma agrária local, beneficiando milhares de brasileiros, e não somente à elite.<br />
Contrariando àqueles que se lhe opunham, ou que não acreditavam que um dia o sonho de transferência da capital federal para o centro do Brasil tornar-se-ia realidade, Juscelino Kubitschek prosseguia com aquela que era considerada a sua maior obra. Paralelamente à construção de Brasília, uma eficiente e desbravadora linha rodoviária era traçada, composta pelas rodovias Belém-Brasília, com dois mil quilômetros de extensão; Fortaleza-Brasília, com mil e quinhentos quilômetros; Belo <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9DBYPBzuJI/AAAAAAAAIBE/-hvFoGMh2Jw/s1600/Bras%C3%ADlia+-+Congresso+Nacional.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9DBYPBzuJI/AAAAAAAAIBE/-hvFoGMh2Jw/s400/Bras%C3%ADlia+-+Congresso+Nacional.jpg" border="0" alt="" /></a>Horizonte-Brasília, com setecentos quilômetros; e, Goiânia-Brasília, com duzentos quilômetros. Era a interligação de todas as regiões do Brasil, numa indelével alteração na evolução da comunicação e incentivo ao desenvolvimento econômico além litoral.<br />
No dia 21 de abril de 1960, às 9h00 da manhã, o presidente Juscelino Kubitschek fechava com solenidade os portões do Palácio do Catete, então sede do governo federal no Rio de Janeiro. Sob os aplausos do povo, o gesto encerrava de vez o papel da cidade maravilhosa como capital da República. Naquele mesmo dia, no Planalto Central, era fundada oficialmente a cidade de Brasília, nova sede da presidência da República e capital do Brasil.</p>
<p><strong>Brasília, Cinco Décadas de Uma Jovem Cidade</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9C8vIkZIpI/AAAAAAAAIAk/inMbyarMquE/s1600/Bras%C3%ADlia+-+Pal%C3%A1cio+Planalto.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9C8vIkZIpI/AAAAAAAAIAk/inMbyarMquE/s400/Bras%C3%ADlia+-+Pal%C3%A1cio+Planalto.jpg" border="0" alt="" /></a>Brasília é uma utopia que, em 21 de abril de 1960, tornou-se realidade. Nos primeiros anos após a sua fundação teve importância irrelevante. A cidade só se iria afirmar como importante centro político e urbano já na época da ditadura militar (1964-1985). No início, a localização de difícil acesso, intimidava a migração. Para incentivar as pessoas, o governo oferecia salários mais altos em comparação ao resto da União, com isto deu origem a um nível de vida superior às outras capitais estaduais, o que persiste até os tempos atuais.<br />
A mudança das sedes dos órgãos federais para Brasília deu-se aos poucos. Hoje abriga as sedes dos três poderes federais: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.<br />
Migrantes de todo o Brasil foram os habitantes pioneiros da nova capital. Somente a partir da década de 1980 que se formou a primeira geração adulta genuinamente brasiliense. Aos poucos a cidade, com hábitos herdados de todo o país, adquiriu uma personalidade própria e demasiadamente jovem para um país que <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9DCehNCz_I/AAAAAAAAIBM/yNFCAR54GWY/s1600/Bras%C3%ADlia+-+Catedral.JPG"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9DCehNCz_I/AAAAAAAAIBM/yNFCAR54GWY/s400/Bras%C3%ADlia+-+Catedral.JPG" border="0" alt="" /></a>já passou dos quinhentos anos de história.<br />
Projetada há mais de cinco décadas, a capital federal reuniu ao seu redor diversas cidades satélites, abrigando uma população convulsiva de mais de dois milhões e seiscentas mil pessoas, confrontando o que se fora originalmente planejado, para abrigar seiscentas mil pessoas no ano 2000. Tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, Brasília não pode ser tocada em sua arquitetura urbana, o que faz com que se torne uma bomba ambulante diante de uma pequena população em seu núcleo central, e uma densidade demográfica exorbitante ao seu redor. Esta situação convulsiva gera, muitas vezes, sérios problemas de violência urbana, um grande mal que assola a cidade no século XXI.<br />
Amada por seus habitantes, muitas vezes odiada pelo jogo de poder que se concentra nos labirintos dos seus prédios, Brasília é um símbolo de beleza arquitetônica em que o homem é o único e principal criador. Contrastando com a sua beleza artificial, o céu da cidade produz as mais radiantes cores que a natureza já proporcionou aos centros urbanos do planeta. Pequena em extensão, gigante em dimensão de importância política, a localização estratégica da <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9DERaP7auI/AAAAAAAAIBc/yDq8zpNvizo/s1600/Bras%C3%ADlia+-+Pal%C3%A1cio+Itamaraty.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9DERaP7auI/AAAAAAAAIBc/yDq8zpNvizo/s400/Bras%C3%ADlia+-+Pal%C3%A1cio+Itamaraty.jpg" border="0" alt="" /></a>cidade, no meio exato do Brasil, promove a sua ligação com todas as regiões do país, dando relevante importância ao interior de uma nação continental.<br />
Importante centro cultural, Brasília é uma cidade que se firma como identidade nacional, produzindo grandes movimentos culturais que extrapolam as suas fronteiras, atingido o país através da música, arte e literatura. Erigida às margens do lago Paranoá, a cidade mostra-se sedutora e misteriosa, não perdendo o seu cerne modernista e digital de cunho futurista, refletidos em monumentos impares como o edifício do Congresso Nacional, o Palácio da Alvorada, o Palácio do Planalto, a Catedral, a Praça dos Três Poderes e o Palácio do Itamaraty.</p>
<p><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S9DHMdB3vjI/AAAAAAAAIB0/BL1yV4GLBJ8/s400/Bras%C3%ADlia+-+Congresso+Nacional+1.jpg" border="0" alt="" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/710/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/710/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/710/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/710/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/710/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/710/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/710/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/710/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/710/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/710/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/710/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/710/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/710/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/710/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=710&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>QUANDO O SOM CHEGOU AO CINEMA</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Apr 2010 14:55:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde que surgiu, em 1895, o cinema conquistou as platéias do mundo inteiro. Sua evolução técnica foi lenta, mas o sucesso foi imediato. Por cerca de trinta anos, o cinema mudo reinou absoluto, criando sofisticadas produções e gerando astros e estrelas, amados e idolatrados por todo o planeta. No dia 6 de outubro de 1927, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=708&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0vT4fuixHI/AAAAAAAAHBM/dzIQYncXq4s/s1600-h/Cinema+Sonoro+-+The+Jazz+Singer.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0vT4fuixHI/AAAAAAAAHBM/dzIQYncXq4s/s400/Cinema+Sonoro+-+The+Jazz+Singer.jpg" border="0" alt="" /></a>Desde que surgiu, em 1895, o cinema conquistou as platéias do mundo inteiro. Sua evolução técnica foi lenta, mas o sucesso foi imediato. Por cerca de trinta anos, o cinema mudo reinou absoluto, criando sofisticadas produções e gerando astros e estrelas, amados e idolatrados por todo o planeta.<br />
No dia 6 de outubro de 1927, o mundo do cinema sofreu um terremoto, fazendo com que nascesse uma nova linguagem, a do cinema sonoro. Naquele dia estreava em Nova York “<em>O Cantor de Jazz</em>” (<em>The Jazz Singer</em>), pioneiro no filme com som sincronizado.<br />
Com ampla publicidade, a Warner Bros anunciava o primeiro filme falado da história. Um grande número de pessoas lotou o cinema, trazendo uma enorme expectativa diante da novidade anunciada. Na tela surgia, em gigante, o rosto do ator lituano Al Jolson, pintado de negro, a extasiar a platéia com o som da sua voz a cantar. O cinema nunca mais seria o mesmo.<br />
O filme não era totalmente falado, trazendo cenas ainda mudas, mas a voz de Al Jolson, assim como a banda que o acompanhava, ouvia-se perfeitamente. Trazia uma história mediana, tão linear que quase se apagou da memória das pessoas. O que permaneceu para sempre no imaginário, foi o rosto pintado de negro de Al Jolson, e a sua voz a ecoar pelas salas, a encantar as platéias do mundo inteiro.<br />
“<em>O Cantor de Jazz</em>” foi o maior sucesso daquele ano, salvando a Warner Bros da falência, inaugurando um novo tipo de cinema, o sonoro. Ganhou um Oscar especial, o primeiro da história, só não arrebatando o de melhor filme porque os produtores dos outros estúdios acharam que a concorrência era desleal. Apesar da precariedade técnica do som, o filme impôs de vez a passagem do cinema mudo para o falado. Mesmo com a resistência de grandes cineastas, como Charles Chaplin e Serguei Eisenstein, quase três anos depois, em 1930, 99% dos filmes eram falados.<br />
A nova estética do cinema trouxe grande fôlego aos estúdios, mantendo-os longe da grande crise econômica gerada pela queda da bolsa de Nova York, em 1929, levando o mundo à recessão. Na contramão da evolução do cinema sonoro, grandes carreiras foram dizimadas pela chegada do som. Astros e estrelas apagaram-se, condenados ao ostracismo por não possuírem voz adequada, como a de Al Jolson, a cantar sublimemente, mostrando ao mundo a chegada definitiva do som à sétima arte.</p>
<p><strong>Os Primeiros Testes do Som no Cinema</strong></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0vUIsK9GfI/AAAAAAAAHBU/ysRUXi688eE/s1600-h/Cinema+Sonoro+-+Cinema+Mudo+Harold+LLoyd.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0vUIsK9GfI/AAAAAAAAHBU/ysRUXi688eE/s400/Cinema+Sonoro+-+Cinema+Mudo+Harold+LLoyd.jpg" border="0" alt="" /></a>Cronologicamente, o som chegou ao cinema muito antes da estréia de “O Cantor de Jazz”, em 1927. Já era um anseio tão logo os irmãos Louis e Auguste Lumière, consolidaram-se como os pais da sétima arte, em 1895. Em 28 de setembro daquele ano, os irmãos Lumière realizaram a primeira projeção pública, no cinema Eden, em La Ciotat, no sudeste da França. A data oficial da primeira exibição de cinema no mundo, é tida, entretanto, como 28 de dezembro de 1895, quando foi projetada “<em>La Sortie de L’Usine Lumière à Lyon</em>” (<em>A Saída da Fábrica Lumière em Lyon</em>), no Grand Café, no Boulevard des Capucines, em Paris. Estava concretizado o invento do cinematógrafo, e, iniciada a bem-sucedida saga do cinema.<br />
Os trabalhos de Thomas Edison são tidos por alguns historiadores como a origem do cinema. O seu quinetoscópio, que inspirou os irmãos Lumière, conseguia projetar som e imagem simultaneamente. O aparelho consistia em dois elementos: o quinetografo, que tratava a imagem, e o quinetofonógrafo, que trabalhava o som. Por apresentar diversos defeitos, Thomas Edison apostou em um aparelho mais simples, o quinetofone, que conjugava imagem e música simultâneas. O projeto seria abandonado, em 1913, por não conseguir um sincronismo contínuo.<br />
Na Europa, no fim do século XIX, som e imagem sempre estiveram juntas em experiências concretas. Em 1891, quatro anos antes da exibição dos irmãos Lumière, o francês Marey registrou a patente do fonoscópio. Em 1896, a emp<a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0vYEu0ODJI/AAAAAAAAHCU/ElfSF7HPdFE/s1600-h/Cinema+Sonoro+-+Vitaphone+-+Don+Juan.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0vYEu0ODJI/AAAAAAAAHCU/ElfSF7HPdFE/s400/Cinema+Sonoro+-+Vitaphone+-+Don+Juan.jpg" border="0" alt="" /></a>resa Pathé lançou o gramofone Berliner, aparelho que sincronizava a imagem de um projetor com o som de um disco. Em 1899, Auguste Baron, apresentou em Paris o seu filme sonoro, obtendo sucesso junto à elite da cidade.<br />
Já no início do século XX, em 1901, o alemão Ernst Ruhmer trazia a público a criação de um aparelho que conseguia reproduzir som em película, chamado de fotografofone. Em 1904, Eugen Laustre conseguia a mesma proeza de Ruhmer, mostrando que a imagem e o som eram perfeitamente conciliáveis. Em 1907, Lee deForest desenvolveu, com sucesso, o trabalho de Laustre através da aplicação do tríodo, uma válvula que tinha a função de amplificar os sinais eletrônicos.<br />
Ainda em 1907, os irmãos Lumière já haviam conseguido um som mais perfeito do que os modelos Vitaphone e Movietone iriam apresentar no fim da década de 1920.<br />
Incorporar o som ao filme era possível desde a sua origem, o sucesso do trabalho de Lee deForest não foi aproveitado pela indústria cinematográfica, visto que o cinema mudo era sucesso absoluto, e os altos custos que envolviam a sua sonorização, adiaram o mecanismo por cerca de trinta anos.</p>
<p><strong>O Mítico Cinema Mudo</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0vUdtTvHPI/AAAAAAAAHBc/gL8P16IRogQ/s1600-h/Cinema+Sonoro+-+Cinema+Mudo+Rudolph+Valentino.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0vUdtTvHPI/AAAAAAAAHBc/gL8P16IRogQ/s400/Cinema+Sonoro+-+Cinema+Mudo+Rudolph+Valentino.jpg" border="0" alt="" /></a>Enquanto não se conseguia sincronia perfeita do som e da imagem, o cinema mudo tornou-se sucesso no mundo inteiro, transformando-se em uma grande e poderosa indústria.<br />
O filme mudo era praticamente silencioso, sendo exibido em salas que muitas vezes contratavam músicos para tocarem durante a sua exibição. Algumas vezes apresentavam efeitos especiais, com narração e diálogos escritos entre as cenas. Com o tempo, passaram a adquirir uma estética sofisticada, com nuances próprias dos atores do gênero, fotografias primorosas, numa linguagem que se tornou popular, e, com o tempo, conquistou as classes elitistas.<br />
Nos primeiros tempos do filme mudo, a Itália e a França tornaram-se os maiores produtores de cinema do mundo. Em 1914, a Itália produziu um dos primeiros filmes de longa duração, “<em>Cabiria</em>”, com 123 minutos de duração. Com o desencadear da Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos passariam a liderar o mercado, surgindo, nos subúrbios de Los Angeles, a poderosa indústria cinematográfica de Hollywood. “<em>O Nascimento de Uma Nação</em>” (<em>The Birth of a Nation</em>), de D. W. Griffith, feito em 1915, é considerado um dos filmes mais populares americanos da época do filme mudo, e pioneiro das grandes produções naquele país.<br />
Grandes produções demarcaram o sucesso do cinema mudo. Atores e atrizes atingiam o estrelato de forma vertiginosa. Entre eles Greta Garbo, John Gilbert, Mary Pickford, Charles Chaplin, Buster Keaton, Douglas Fairbanks, Rudolph Valentino, Gloria Swanson e Lillian Gish.<br />
Grandes cineastas surgiram com o cinema mudo, destacando-se Henry King, Cecil B. DeMille, King Vidor, Ernst Lubitsch, Rex Ingram, Frank Borzage, King Vidor, Erich Von Stroheim, Serguei Eisenstein, Raoul Walsh, Maurice Tourneur e Joseph Von Sternberg.<br />
Produções definitivas foram feitas na época do cinema mudo, como &#8220;<em>Metrópolis</em>&#8221; (<em>Metropolis</em>), em 1927, de Fritz Lang, considerado um dos grandes expoentes do expressionismo alemão. O mítico “<em>O Couraçado Potemkin</em>” (<em>Bronenosets Potiomkin</em>), <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0vWx8cFNGI/AAAAAAAAHCE/Gf5sKEF3-GI/s1600-h/Cinema+Sonoro+-+Cinema+Mudo++-+John+Gilbert+e+Greta+Garbo.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0vWx8cFNGI/AAAAAAAAHCE/Gf5sKEF3-GI/s400/Cinema+Sonoro+-+Cinema+Mudo++-+John+Gilbert+e+Greta+Garbo.jpg" border="0" alt="" /></a>em 1925, de Serguei Eisenstein, considerado um dos maiores filmes de todos os tempos. “<em>Nosferatu</em>” (<em>Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens</em>), em 1922, de F. W. Murnau. “<em>O Garoto</em>” (<em>The Kid</em>), em 1921, de Charles Chaplin. “<em>Sangue e Areia</em>” (<em>Blood and Sand</em>), em 1922 e “<em>O Sheik</em>” (<em>The Sheik</em>), em 1921, que consagraram o mito de Rudolph Valentino como maior astro do cinema mudo. Ou ainda, “O<em> Demônio e a Carne</em>” (<em>Flesh and the Devil</em>), 1926, de Clarence Brown, imortalizando um dos maiores pares românticos da época, Greta Garbo e John Gilbert. Os épicos &#8220;<em>Os Dez Mandamentos</em>&#8221; (<em>The Ten Commandments</em>), 1923 e &#8220;<em>O Rei dos Reis</em>&#8221; (<em>King of Kings</em>), 1927, de Cecil B. DeMille, que ganhariam versões no cinema sonoro.</p>
<p><strong>Evolução das Técnicas de Som</strong></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0vU6IWM-tI/AAAAAAAAHBk/8tTVC2geSAU/s1600-h/Cinema+Sonoro+-+Al+Jolson+1.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0vU6IWM-tI/AAAAAAAAHBk/8tTVC2geSAU/s400/Cinema+Sonoro+-+Al+Jolson+1.jpg" border="0" alt="" /></a>A força que o cinema mudo tinha, a resistência de grandes cineastas à sonorização, tida como banalização da estética da sétima arte, fez com que não se investisse na técnica por várias décadas. Os europeus eram os principais críticos e opositores ao som. Mas as experimentações nunca deixaram de ser feitas, mesmo no auge do filme mudo.<br />
Em 1914, Edward Wente criou um sistema de gravação de som por meio do uso de um espelho oscilográfico, atingindo uma sincronia perfeita. Diante da imposição do cinema mudo, o modelo de Wente foi abandonado em 1922, só vindo a ser recuperado em 1926 como base do Movietone, modelo que a Fox apresentaria como concorrente do Vitaphone.<br />
O grande e definitivo avanço viria em 1918, quando os engenheiros alemães Joseph Engel, Hans Vogt e Joseph Massole inventaram o Tri-Ergon, que possibilitava a gravação do som no próprio filme. O sistema foi adquirido pela Fox, em 1926, que começou a usá-lo para adicionar trilhas sonoras em filmes mudos.<br />
Em 1920, Theodore Case, engenheiro da General Electric, desenvolveu um registrador fotográfico para telégrafo através de sinais de rádio. O sistema foi acompanhado pela Fox, inspirando o Movietone, em 1928.<br />
No final da década de 1920, o período de ouro da economia norte-americana começava a sucumbir. A crise não deixou de respingar na indústria cinematográfica. Alguns estúdios passaram a conviver com uma possível e inevitável falência. Entre os ameaçados, estava a Warner Bros. <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0vWLxfkkQI/AAAAAAAAHB8/_trnAYBus3Y/s1600-h/Cinema+Sonoro+-+O+Cantor+de+Jazz+2.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0vWLxfkkQI/AAAAAAAAHB8/_trnAYBus3Y/s400/Cinema+Sonoro+-+O+Cantor+de+Jazz+2.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
O cinema mudo havia alcançado o auge da sua perfeição estética, mas se não oferecesse novos caminhos, seguiria o caminho da grande depressão econômica que estava por vir. Para fugir da falência, a Warner Bros decidiu investir no filme sonoro, técnica que durante décadas foi relegada ao segundo plano.<br />
Em 1925, Sam Warner, presidente da Warner Bros, comprou o modelo Vitaphone, desenhado nas fábricas da General Eletric. O projeto passou a ser desenvolvido durante um ano, nos estúdios da Vitaphone Company, formada pelos subsídios da Warner Bros. Foi testado pela primeira vez no filme “<em>Don Juan</em>”, com John Barrymore, substituindo a orquestra de fundo por uma trilha sonora própria do filme. O Vitaphone foi usado em vários curtas-metragens, antes de ser, finalmente usado no mítico “<em>O Cantor de Jazz</em>”, em 1927.</p>
<p><strong>O Cantor de Jazz</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0vVPNrWDnI/AAAAAAAAHBs/sumZREAQqtU/s1600-h/Cinema+Sonoro+-+O+Cantor+de+Jazz+1.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0vVPNrWDnI/AAAAAAAAHBs/sumZREAQqtU/s400/Cinema+Sonoro+-+O+Cantor+de+Jazz+1.jpg" border="0" alt="" /></a>Numa cartada decisiva, para ser salva da falência, a Warner Bros anunciou com grande pompa e promoção, o primeiro filme totalmente falado da história do cinema, “<em>O Cantor de Jazz</em>”, com estréia em Nova York, em 6 de outubro de 1927.<br />
Tecnicamente, o filme era quase que um híbrido, com cenas mudas e faladas. Trazia o básico para o desenvolvimento do cinema sonoro, abrindo uma nova etapa na sétima arte. Ouvir a voz do ator Al Jolson em seis canções empolgou, encantou e emocionou as platéias do mundo inteiro.<br />
Vindo dos palcos da Broadway, “<em>O Cantor de Jazz</em>”, dirigido por Alan Crosland, contava a história de uma família judia, que tinha como tradição os cantores de cultos litúrgicos. Jakie Rabinowitz (Al Jolson) sonhava vir a ser um grande cantor de jazz, interrompendo a tradição de cinco gerações da sua família. A determinação do jovem em ser um cantor de jazz ofendia o pai conservador, culminando com a sua expulsão de casa. Longe da família, Jakie sobreviveria através da força da sua vocação e do grande talento que possuía. Quebraria os estigmas, sofrendo com as conseqüências de perseguir um sonho que se chocava com a tradição familiar.<br />
Al Jolson, um ator de origem judaica, nascido na Lituânia, migrado com a família para os Estados Unidos, é quem carrega todo o filme. Inicialmente o papel foi oferecido a George Jessel, intérprete de Jakie Rabinowitz na Broadway, que pediu um ordenado muito alto. Eddie Cantor foi a segunda opção, mas Al Jolson foi a escolha definitiva. O rosto pintado de preto, como um <em>minstrel</em>, tornou-se mítico. A <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0vXSPhFqjI/AAAAAAAAHCM/m1LO674UFdo/s1600-h/Cinema+Sonoro+-+O+Cantor+de+Jazz+4.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0vXSPhFqjI/AAAAAAAAHCM/m1LO674UFdo/s400/Cinema+Sonoro+-+O+Cantor+de+Jazz+4.jpg" border="0" alt="" /></a>vitalidade do ator, os gestos enquanto cantava, comoveram o público. O ápice é alcançado, quando o ator chora com o rosto pintado de negro, numa sensibilidade e carisma que emociona e prende a platéia.<br />
Anunciado como um filme totalmente falado, “<em>O Cantor de Jazz</em>” tem como base toda estrutura e estética do cinema mudo. Há apenas um diálogo entre as personagens no decorrer de todo o filme. Traz ainda, os tradicionais letreiros de diálogos. Seu diferencial está nas canções diretas da película. Seu sucesso é visceralmente sustentado pelo carisma de Al Jolson. Outro momento mítico é quando o ator vira para a tela, e com grande convicção expressiva, diz:<br />
“<em>Acalmem-se, vocês não viram nada ainda</em>”.<br />
Nunca uma frase fora tão profética. A partir de então, o cinema jamais foi o mesmo. Estava encerrada a era do filme mudo.</p>
<p><strong>Consolidação do Cinema Sonoro</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0vVoaOE-iI/AAAAAAAAHB0/A5RyhBYv0s4/s1600-h/Cinema+Sonoro+-+O+Cantor+de+Jazz+5.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0vVoaOE-iI/AAAAAAAAHB0/A5RyhBYv0s4/s400/Cinema+Sonoro+-+O+Cantor+de+Jazz+5.jpg" border="0" alt="" /></a>A chegada do filme sonoro causou controvérsias no meio cinematográfico. Grandes cineastas rejeitaram a nova técnica. Na França, René Clair e Abel Gance foram os principais opositores do filme sonoro. Serguei Eisenstein e Dziga Vertov, da União Soviética, achavam que o som diminuía e vulgarizava a sétima arte. Serguei Eisenstein escreveu o “<em>Manifesto do Som</em>”, contra a implementação da técnica. Charles Chaplin, mesmo quando todos os filmes já eram sonoros, resistiu, dirigindo dois filmes mudos: “<em>Luzes da Cidade</em>” (<em>City Lights</em>), em 1931; e, “<em>Tempos Modernos</em>” (<em>Modern Times</em>), em 1936. Mesmo a resistir, “<em>Luzes da Cidade</em>” foi lançado com música sincronizada.<br />
Com o sucesso de “<em>O Cantor de Jazz</em>”, os estúdios, que a princípio acreditavam no filme como um modismo passageiro, constataram que o gênero viera em definitivo. Sem os equipamentos adequados para a produção de filmes com som, a maioria dos estúdios assinou um protocolo para adquirir o Vitaphone. Somente a Fox e a RKO recorreram a outros métodos que já vinham desenvolvendo nos anos anteriores. A Fox lançou mão do Movietone e a RKO do RCA Photophone.<br />
Os três anos que se seguiram à estréia de “<em>O Cantor de Jazz</em>”, foram confusos e definitivos para que se desenvolvesse o cinema sonoro. Em 1928, “<em>Lights of New York</em>” tornava-se o primeiro filme inteiramente sonoro, mostrando-se tecnicamente primitivo, gerando cenas beirando ao grotesco. Um só microfone era usado para gravar as vozes dos atores, gerando cenas estáticas. O problema seria solucionado por Rouben Mamoulian, em seu filme “<em>Aplauso</em>” (<em>Aplause</em>), em 1929, que usou dois microfones ligados a um mixer. Ainda em 1929, King Vidor utilizou a dublagem das cenas filmadas, em “<em>Aleluia</em>” (<em>Hallellujah</em>). A solução técnica viria com “<em>Alvorada do Amor</em>” (<em>The Love Parade</em>), de Ernst Lubitsch, musical de 1929. A técnica do filme sonoro estava consolidada. Em 1930, 99% das produções do cinema eram totalmente faladas.<br />
“<em>O Beijo</em>” (<em>The Kiss</em>), que estreou em 1929, trazendo Greta Garbo como protagonista, foi o último filme totalmente mudo. A implementação do som nas películas livrou não só a Warner Bros da falência, mas o próprio cinema, que resistiu à depressão econômica da década de 1930. Por outro lado, deixou desempregados os músicos de orquestras e pianistas que tocavam em projeções nas salas de cinema. Lançou no ostracismo grandes estrelas do filme mudo, que não se adaptaram à nova linguagem estética do cinema, ou simplesmente não tinham voz adequada ao mito, enquanto estrela do filme mudo. Entre os que foram legados ao esquecimento, podemos citar John Gilbert, Glória Swanson, Lillian Gish, Emil Jannings e Douglas Fairbanks. Era o preço pela chegada do som à sétima arte.</p>
<p><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0vYjdbtAeI/AAAAAAAAHCc/ZthXqvgjvlY/s400/Cinema+Sonoro+-+Al+Jolson.jpg" border="0" alt="" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/708/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/708/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/708/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/708/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/708/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/708/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/708/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/708/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/708/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/708/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/708/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/708/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/708/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/708/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=708&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>ARES, O DEUS DA GUERRA</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Apr 2010 02:15:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0gNa7Bn1AI/AAAAAAAAG_0/WeGPJ6C3j78/s1600-h/Ares+Ludovisi.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0gNa7Bn1AI/AAAAAAAAG_0/WeGPJ6C3j78/s400/Ares+Ludovisi.jpg" border="0" alt="" /></a>De todos os deuses da mitologia grega, Ares (Marte) era o mais detestável, muitas vezes menosprezado por uma civilização que quanto mais avançava filosoficamente, mais se distanciava dos conflitos bélicos, comuns aos povos da antiguidade. Senhor absoluto da guerra, Ares tinha a crueldade como inspiração. Filho de Hera (Juno) e de Zeus (Júpiter), herdara da mãe a impetuosidade, a cólera e a teimosia. Para Ares a guerra representava a carnificina, o sofrimento, o derramamento do sangue, não importando os lados, longe da inteligência tática, era a verdade diante da armas, jamais da estratégia militar.<br />
Companheiro eterno do medo, personificava a morte sem glória, à devastação sem o propósito da estratégia, não havendo merecimento na vitória, mas a força bruta como palavra final. Seus filhos representam a força destrutiva humana, sendo eles Fobos, o medo incessante; Deimos, o terror; e, Éris, a discórdia. Terror e Discórdia são seus companheiros eternos. O mais contestado pelos deuses do Olimpo, Ares tem na figura de Atena (Minerva), a sua grande rival. Ambos são deuses da guerra, mas Atena é a deusa da estratégia, da sabedoria na guerra, enquanto que Ares é apenas a destruição sem lógica.<br />
Se na Grécia a figura de Ares é desprezada, em Roma ele é identificado com Marte, o deus da guerra justa e estratégica. A prole de Marte dará origem aos gêmeos Rômulo e Remo, fundadores da cidade eterna, o que lhe confere o estatuto de grande deus, o mais importante a ser cultuado pelos romanos. Ares e Marte, unificados em um só mito, são os que mais divergem na assimilação greco-romana.<br />
O mito de Ares traz um deus forte, de músculos perfeitos, que vestindo armadura e capacete, empunha uma lança e um escudo; percorrendo os campos de guerra em um carro puxado por exuberantes cavalos. Mistura-se aos litigiosos, sem se ater a qualquer lado, à justiça ou às leis. Desfere golpes ao acaso, lançando um brado de terror. Quando termina, contempla a destruição absoluta. É o retrato ímpio da guerra, que transforma os campos em desertos, e as cidades em ruínas. Ao contemplar o sangue derramado, Ares segue vitorioso no seu carro, desaparecendo nos céus do Olimpo.</p>
<p><strong>Ares, o Senhor da Guerra</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0gPUVVUv6I/AAAAAAAAHAc/9ptPUiMo0Lc/s1600-h/Ares+-+Est%C3%A1tua.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0gPUVVUv6I/AAAAAAAAHAc/9ptPUiMo0Lc/s400/Ares+-+Est%C3%A1tua.jpg" border="0" alt="" /></a>As civilizações antigas existiram a partir das conquistas. As guerras criavam ou erradicavam grandes impérios. As religiões justificavam a necessidade da guerra, para que se perpetuasse a existência de uma civilização, daí o culto aos deuses da guerra nas religiões politeístas. No monoteísmo não foi diferente, o Deus de Abraão permitiu a posse da Terra Prometida aos hebreus através da guerra. Maomé sustentou a sobrevivência do seu clã através de grandes batalhas. E em tempos não tão remotos, as cruzadas promoveram a hegemonia cristã no mundo ocidental. Na Grécia antiga não foi diferente, a guerra era comum ao seu povo, mesmo sendo uma civilização mais voltada para o comércio, para as artes e para a filosofia. Daí a necessidade de recorrer a divindades bélicas.<br />
Dois eram os deuses cultuados como divindades guerreiras: Ares e Atena. Como a guerra foi menos relevante à civilização grega, as duas entidades tinham funções diversas. Atena era responsável pela justiça nas contendas bélicas, pela inteligência da estratégia e pela vitória justa. Ares era o deus do ato mortífero da guerra, a causa da intriga, o sangue que se vertia, o responsável pela dor e pela destruição. Para ele não havia o justo, a lei, apenas o desejo da guerra na sua mais pura concepção. A expansão grega refletiu-se pelo mundo mais por sua arte e filosofia do que pelas guerras que travou, daí Ares ser um deus menor do que Atena, sendo pouco cultuado, ou mesmo amado.<br />
Ares é uma divindade que teve a sua origem na Trácia, sendo importado pela cultura helênica. Jamais perdeu a característica de divindade estrangeira, já que os trácios eram vistos pelos helenos como um povo belicoso, bárbaro e desprezível. Ares era a destruição da civilização, a guerra como o mal necessário, um deus que devia ser atenuado em sua ira destrutiva, através de cultos pontuais. Não se pedia a proteção a Ares, mas sim que ele não intervisse. Os sacrifícios destinados ao deus eram para que permanecesse no Olimpo, enquanto Atena protegia o povo grego nos campos de batalha.</p>
<p><strong>O Mais Detestável dos Olímpicos</strong></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0gN3N9rmfI/AAAAAAAAHAE/JXqkzpB6Dt4/s1600-h/Ares+-+O+Combate+de+Ares+e+Atena+-+Jacques+Louis+David.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0gN3N9rmfI/AAAAAAAAHAE/JXqkzpB6Dt4/s400/Ares+-+O+Combate+de+Ares+e+Atena+-+Jacques+Louis+David.jpg" border="0" alt="" /></a>Nas lendas sobre o mito de Ares, Atena é sempre retratada como superior ao deus. Por várias vezes desafio-o, e, com a sua sabedoria, vence-lhe a força e a agilidade da brutalidade. Numa batalha entre os deuses, na planície de Ílion, nas proximidades de Tróia, Ares lança injúrias sobre a deusa, e com o seu ódio cego e força bruta, arrebata-lhe com a espada o escudo que a protegia. Atena retira-se estrategicamente, traça a sua estratégia, aguarda o momento certo e atira uma pedra no pescoço do deus. Ares cai e as suas armas espalham-se pelo campo de batalha. Atena saboreia a vitória, mostrando que o ataque inteligente vencia qualquer força bruta e violência sem objetivos.<br />
Ares é por diversas vezes humilhado no Olimpo. Os deuses menosprezam-lhe o comportamento impetuoso e sem razão. O próprio pai, Zeus, o senhor dos deuses, diz, na “<em>Ilíada</em>” de Homero: “<em>És, para mim, o mais detestável dos deuses que mora no Olimpo, pois amas sempre a discórdia, a guerra e as batalhas.</em>”<br />
A humilhação maior do deus é feita através de um homem, Diomedes, filho de Tideu. Incitado por Atena, o mortal dirige os seus cavalos em combate e ataca o deus da guerra, ferindo-o. Ares brada de dor, sendo obrigado a fugir para o Olimpo. Apresenta-se ferido diante de Zeus, que o censura, mas como pai, não deixa de curar a ferida do filho. Ares sente, diante dos deuses, a humilhação suprema de ser ferido e afastado de combate por um mortal.<br />
As derrotas de Ares representam a rejeição do povo grego às guerras, ao terror que elas causavam e à destruição insana, sem justiça ou vitória honrosa. Ares é a imagem da vitória sem glória, da guerra sem honra.</p>
<p><strong>O Julgamento de Ares em Atenas</strong></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0gOMI7GBYI/AAAAAAAAHAM/X-4UhXdBEDE/s1600-h/Ares+-+Minerva+afastando+Marte+-+Tintoretto.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0gOMI7GBYI/AAAAAAAAHAM/X-4UhXdBEDE/s400/Ares+-+Minerva+afastando+Marte+-+Tintoretto.jpg" border="0" alt="" /></a>Outra lenda que mostra a fragilidade moral de Ares diante dos outros deuses do Olimpo é a do seu julgamento pela morte de Halirrótio. Pela primeira vez um deus estava a ser julgado em um crime de homicídio por todos os deuses olímpicos.<br />
O crime acontecera próximo à fonte de Asclépio, em Atenas. Ares descansava de um longo combate, refestelando-se com o som das águas cristalinas, quando ouviu gritos desesperados. O deus da guerra depara-se com uma jovem correndo desesperada sobre a relva. Suas vestes estão em pedaços. Halirrótio, ofegante de desejo, persegue a jovem, na tentativa insana de possuí-la, não se apercebendo da presença da divindade olímpica. Furioso, Ares investe contra o jovem, em um momento de grande violência, dilacerando o seu corpo, fazendo o seu sangue jorrar nas águas límpidas da fonte.<br />
A jovem assiste com horror àquela cena de violência e impacto. Está muda, sem fala, quando o deus oferece-lhe a mão e a leva do local do homicídio. A jovem era Alcipe, a sua filha. Não poderia deixar que lhe ultrajasse o corpo.<br />
Ao saber do crime, Poseidon (Netuno), o senhor dos mares, fica enfurecido. Halirrótio era o seu filho. Movido pela cólera, Poseidon decide uma vingança pessoal, humilhar o deus da guerra. A princípio pensa em elimar a prole de Ares. Não lhe poderia matar, visto que era imortal. Pensando com a razão, exigiria a <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0gRQHOTwmI/AAAAAAAAHA8/6Ux08jcQgIM/s1600-h/Ares+-+Retorno+da+Guerra+-+Rubens.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0gRQHOTwmI/AAAAAAAAHA8/6Ux08jcQgIM/s400/Ares+-+Retorno+da+Guerra+-+Rubens.jpg" border="0" alt="" /></a>justiça dos outros deuses. Poseidon foi até o Olimpo e exigiu que o irmão Zeus, convocasse todas as divindades e levasse Ares a um julgamento.<br />
Os deuses reúnem-se na colina de Atenas. Ares sofre a humilhação de um julgamento. As divindades escutam os argumentos de Poseidon e os do réu. Ares fala com eloquência sobre o que se passara. Após ouvir os dois lados, os olímpicos confabulam e chegam a um veredicto, Ares era inocente. Findo o julgamento, os imortais retiram-se, aos poucos, deixando os ecos das suas palavras diluídas sobre a colina. O local, onde Ares fora julgado e inocentado, passou a chamar-se Colina de Ares, ou em grego, Areópago. Ali serviria de cenário para vários julgamentos dos atenienses e de mortais vindos de outros lugares.</p>
<p><strong>Poucas Representações na Arte Grega Clássica</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0gQAF10diI/AAAAAAAAHAk/4qRkbwq3Uxs/s1600-h/Ares+e+Afrodite+-+Arte+Pompeia.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0gQAF10diI/AAAAAAAAHAk/4qRkbwq3Uxs/s400/Ares+e+Afrodite+-+Arte+Pompeia.jpg" border="0" alt="" /></a>Dos deuses olímpicos, Ares foi aquele que menos teve cultos em sua honra difundidos pela Grécia. O mais célebre dos poucos santuários erigidos ao senhor da guerra foi o Areópago, em Atenas. Nenhuma cidade grega fez de Ares o seu protetor. Muitas lendas descreveram-no favorável a outros povos, como na guerra de Tróia, que ficou do lado dos troianos.<br />
Por sofrer uma rejeição velada dos helenos, o deus pouco inspirou as artes, tendo raras representações. Não gerou moedas com a sua efígie, prática comum nas cidades gregas. Nas primeiras imagens em que foi representado, aparece como um senhor de certa idade, armado dos pés à cabeça. Nas obras arcaicas surge com barba, vestido de armadura e empunhando lança e escudo.<br />
Nas representações posteriores, do século V a.C., surge a imagem de um deus jovem, forte e belo, com cabelos densos e longos, ostentando uma lança, geralmente quase ou totalmente nu. A famosa estátua de Ares da Villa Ludovisi, supõe-se ser uma cópia do grande escultor grego Escopas (século IV a.C).<br />
Há representações de Ares em episódios de batalhas, acompanhado pelos filhos Fobos, Deimos e Éris. Mas o motivo de Ares mais explorado nas artes é o do seu amor proibido com a bela Afrodite (Vênus), a deusa do amor.</p>
<p><strong>Marte, o Deus Maior dos Romanos</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0gNn3fFROI/AAAAAAAAG_8/HvK4REpJSaI/s1600-h/Ares+-+Marte+Velazquez.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0gNn3fFROI/AAAAAAAAG_8/HvK4REpJSaI/s400/Ares+-+Marte+Velazquez.jpg" border="0" alt="" /></a>Ares foi assimilado na mitologia romana com Marte, o deus da guerra. Se na Grécia Ares sofreu a rejeição dos helenos, em Roma Marte tornou-se o deus mais importante, sobressaindo-se ao culto do próprio Júpiter, o Zeus grego, o senhor dos deuses.<br />
Roma, em seus primórdios, foi uma cidade agrícola, sendo fundada, segundo a lenda, por Rômulo, irmão gêmeo de Remo. Com a evolução da civilização romana, ela deixou de ser essencialmente agrícola, expandindo-se através das conquistas geradas pela guerra. A evolução de Roma coincide com a evolução do mito de Marte. Inicialmente o deus, assim como o cidadão romano, era uma divindade agrícola, cultuado como o senhor das tempestades que traziam as chuvas torrenciais, a neve ou o granizo. Era invocado para evitar os efeitos maléficos dos temporais sobre as plantações. Mais tarde, quando Roma tornou-se uma grande potência, com os seus exércitos de soldados invencíveis, Marte não só era invocado pela força das tempestades, como o deus que trazia a força cega nas batalhas, tornando-se uma divindade da guerra.<br />
Roma dependia da força das batalhas para dominar o mundo antigo. A guerra era mais importante do que a filosofia ou a arte; por este motivo Marte era mais enobrecido do que Ares na Grécia.<br />
Quando Roma tornou-se o centro do mundo, era preciso que a lenda da sua fundação fosse associada a uma divindade, jamais a um simples mortal. Marte foi considerado o pai de Rômulo e Remo, o que lhe conferiu ser o deus mais importante dos romanos. Era venerado após cada vitória dos exércitos numa batalha. Assim como Ares, era um deus cruel e violento, sendo tais características admiradas pelos romanos, tornando-se uma divindade essencialmente guerreira, que trazia a vitória àqueles que se tornaram os senhores da antiguidade. Ao contrário de Ares, Marte era cultuado como um deus da vitória honrosa.</p>
<p><strong>Um Deus de Amores Impetuosos</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0gOvhEijYI/AAAAAAAAHAU/CPZcPmanZns/s1600-h/Afrodite,+Marte+e+Vulcano+-+Wtewael.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0gOvhEijYI/AAAAAAAAHAU/CPZcPmanZns/s400/Afrodite,+Marte+e+Vulcano+-+Wtewael.jpg" border="0" alt="" /></a>Ares era conhecido não somente por sua crueldade e violência nas guerras, mas por sua impulsividade como amante. É um deus vigoroso, impetuoso. Nenhuma mulher ousava recusar o seu amor. As que o fazia, eram violentamente possuídas.<br />
Suas aventuras amorosas geraram vários filhos. A rejeição do povo grego ao mito de Ares atingiu a sua prole. Dos inúmeros filhos que teve com ninfas e mortais, todos morreram de forma violenta. Da prole de Ares destacam-se:<br />
A bela Alcipe, fruto da sua aventura amorosa com a princesa Aglauro, a qual, mais tarde, defenderia de ser violada por Halirrótio, filho de Poseidon. Com Crisa gerou Flégias, fundador de Flégia, cidade onde se reuniam os maiores guerreiros da Grécia antiga. Com Pelópia engendrou o terrível e temível bandoleiro Cicno. O fruto da sua união com Harpina foi Enômao, que viria a ser rei de Pisa, na Élida. Com a malograda Aeropa teve Aeropo, que segundo a lenda, amamentou-se nos seios da mãe morta. Da aventura com Pirene nasceram os cruéis tiranos Licaão e Diomedes, mortos por Héracles (Hércules). Com Astínome engendrou Calidão, transformado em rochedo pela deusa Ártemis (Diana). Com Astioquéia, engendrou os futuros argonautas Ascálafo e Iálmeno. Com Protogênia gerou Oxilo.<br />
De todos os amores de Ares, o mais famoso foi o que viveu com Afrodite, a deusa do amor. A aventura teve fim quando Hefestos (Vulcano), descobriu a traição da esposa, e aprisionou os amantes numa rede tecida com finíssimos fios de ouro. Afrodite foi a única deusa amada por Ares, dando-lhe quatro filhos. Dois deles representam o elemento positivo do mito de Afrodite, Cupido, o traquino deus do amor, e Harmonia, esposa de Cadmo. Os outros dois, o aspecto negativo do mito de Ares: Deimos, o terror, a força que aterroriza; e, Fobos, o medo. Deimos e Fobos acompanham o pai nos combates, levando a destruição e a morte.<br />
Em Roma, o mito de Ares associado a Marte, acrescenta à prole os gêmeos Rômulo e Remo. Marte apaixonara-se pela bela Réia Silvia, única filha de Numitor, rei de Alba Longa. Amúlio depôs o irmão, Numitor, e temendo <a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0gQf2-6gsI/AAAAAAAAHA0/68EHnU0fdrA/s1600-h/Ares+-+Marte+e+Reia+Silvia+-+Rubens.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0gQf2-6gsI/AAAAAAAAHA0/68EHnU0fdrA/s400/Ares+-+Marte+e+Reia+Silvia+-+Rubens.jpg" border="0" alt="" /></a>que Réia Silvia concebesse um herdeiro que reclamasse o trono usurpado, consagrou-a à castidade no colégio das Vestais. Marte sente-se irremediavelmente apaixonado pela vestal, usando da violência para tê-la como amante. Da união nasceram Rômulo e Remo, que quando adultos, tomaram de volta para o avô o trono usurpado, recebendo como recompensa um território às margens do rio Tibre. Ali, Rômulo fundaria a cidade de Roma.<br />
Impetuoso no amor e na guerra, Ares representa a força, a negação da razão. A essência bruta da humanidade, sua ferocidade primitiva, tendo em tempos de guerra, a crueldade que jamais seria aflorada em momentos de paz. Ares é a crueldade que exala o homem quando posto em campos de batalhas, movido apenas pelo ato da violência, representando naquele momento, o assassínio, a sobrevivência ou a morte, sem as raízes da razão.</p>
<p><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0gTIf_PnkI/AAAAAAAAHBE/FAOkkz_qxK4/s400/Ares+Versailles.jpg" border="0" alt="" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/706/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/706/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/706/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/706/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/706/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/706/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/706/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/706/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/706/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/706/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/706/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/706/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/706/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/706/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=706&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>IVANI RIBEIRO &#8211; A GRANDE DAMA DAS TELENOVELAS</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Apr 2010 04:04:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
		<category><![CDATA[televisão]]></category>

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		<description><![CDATA[Ivani Ribeiro é, ao lado de Janete Clair, considerada a maior autora da história das telenovelas do Brasil. Sua obra coincide com o início das telenovelas diárias no país, em 1963. Passou pelos dramalhões de época, sem as excentricidades de Glória Magadan, deixando a adaptação de grandes clássicos da literatura brasileira, como “A Muralha”, de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=703&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P9Ck0Z0SI/AAAAAAAAG9c/NBRZkbci3Ic/s1600-h/Ivany+Ribeiro+2.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P9Ck0Z0SI/AAAAAAAAG9c/NBRZkbci3Ic/s400/Ivany+Ribeiro+2.jpg" border="0" alt="" /></a>Ivani Ribeiro é, ao lado de Janete Clair, considerada a maior autora da história das telenovelas do Brasil. Sua obra coincide com o início das telenovelas diárias no país, em 1963. Passou pelos dramalhões de época, sem as excentricidades de Glória Magadan, deixando a adaptação de grandes clássicos da literatura brasileira, como “<em>A Muralha</em>”, de Dináh Silveira de Queiroz, e “As <em>Minas de Prata</em>”, de José de Alencar, em momentos primorosos.<br />
Ivani Ribeiro, assim como Janete Clair, destaca a sua obra no campo da teledramaturgia, tendo contribuído para que o gênero da telenovela evoluísse, tornando-se o principal veículo de comunicação da televisão brasileira. Esteve no ar por mais de três décadas, tendo nos anos 1960, escrito treze novelas ininterruptamente, numa produção de cerca de 1600 capítulos, de sucesso garantido. Foi a primeira das grandes autoras a encontrar a linguagem necessária para a evolução do gênero. Enquanto Glória Magadan perdia-se com os absurdos dos dramalhões e Janete Clair ainda tateava o estilo que a deixaria famosa, Ivani Ribeiro evoluía com as necessidades de um público incipiente, cada vez mais exigente, e mais apaixonado pela televisão.<br />
Sua obra revelou para o Brasil grandes ícones da teledramaturgia, como Regina Duarte, transformou atores em grandes estrelas da pequena tela, como Eva Wilma, Carlos Zara, Tarcísio Meira, Glória Menezes, Carlos Augusto Strazzer, Rosamaria Murtinho, Antonio Fagundes. Na década de 1970, quando a TV Globo tomou a liderança da audiência na televisão brasileira, Ivani Ribeiro garantiu a sobrevivência da então agonizante TV Tupi. Suas novelas competiram diretamente com as de Janete Clair, ameaçando, por várias vezes, a hegemonia da audiência global.<br />
Passou pela TV Excelsior, sendo responsável pela maioria dos seus grandes sucessos. Atingiu sua maturidade como autora de telenovelas na TV Tupi, seguiu para a TV Bandeirantes, chegando à TV Globo, em 1982, onde esteve até a sua morte, em 1995. Na emissora de Roberto Marinho jamais teve o estatuto de grande dama, nunca escrevendo para o horário nobre, apesar de produzir grandes sucessos como as segundas versões de “<em>Mulheres de Areia</em>” e “<em>A Viagem</em>”.<br />
Ivani Ribeiro era extremamente inquieta nos temas que abordava nas suas novelas, ousando escrever sobre os mais diversos. Escreveu sobre psicanálise, temas espirituais, ficção científica, teatro mambembe, dramas épicos, comédias. Deu grande destaque à paranormalidade, personagens com deficiências físicas, tratando-os com uma delicadeza emocionante.<br />
Ivani Ribeiro deixou uma das mais belas obras da teledramaturgia brasileira, legando para as novas gerações de telespectadores, a garantia da qualidade no produto final do drama contado em capítulos. Seu nome é sinônimo da história bem acabada de um gênero que em pleno século XXI, parece ainda inesgotável.</p>
<p><strong>Atriz, Cantora e Autora de Novelas do Rádio</strong></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PoT-twiWI/AAAAAAAAG58/P9OiHpoNjWo/s1600-h/Ivani+Ribeiro.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PoT-twiWI/AAAAAAAAG58/P9OiHpoNjWo/s400/Ivani+Ribeiro.jpg" border="0" alt="" /></a>Cleide de Freitas Alves Ferreira, entraria para a história da televisão brasileira com o nome artístico de Ivani Ribeiro. Nasceu no litoral paulista, na cidade histórica de São Vicente, em 20 de fevereiro, o ano diverge conforme seus biógrafos, sendo apontados por alguns em 1916, por outros em 1922.<br />
Formada como normalista em Santos, Ivani Ribeiro deixou a baixada santista aos 16 anos, seguindo para São Paulo na intenção de cursar a faculdade de Filosofia. Na capital paulista tornar-se-ia cantora, compositora de sambas, atriz de rádio e autora de programas de variedades. Sua estréia como artista deu-se na Rádio Educadora, onde se apresentou como intérprete de sambas e canções folclóricas.<br />
Na época em que o rádio era o principal veículo de comunicação no Brasil, Ivani Ribeiro alcançou relativo sucesso através de programas de sua autoria, como “<em>Teatrinho de Dona Chiquinha</em>” e “<em>Hora Infantil</em>”. Como atriz, interpretou “<em>As Mais Belas Cartas de Amor</em>”, de sua autoria. Passou pela Rádio Difusora, apresentando-se como cantora acompanhada de uma orquestra. Na ocasião, casou-se com o premiado radialista Dárcio Ferreira, com quem teria dois filhos, Luís Carlos e Eduardo.<br />
Foi na Rádio Bandeirantes que, além de atuar como atriz, passou a adaptar peças, apresentando programas como “<em>Teatro Romântico</em>”, inspirado em poemas clássicos da literatura brasileira; “<em>Os Grandes Amores da História</em>”, dramatização da vida amorosa de vultos da história; e, “<em>A Canção Que Viveu</em>”, dramatização da música brasileira. Ivani Ribeiro tornou-se um grande nome do rádio, sendo a primeira mulher brasileira a ter um programa de teatro naquele veículo de comunicação.</p>
<p><strong>As Primeiras Novelas na TV Excelsior e na TV Tupi</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PouGUR9EI/AAAAAAAAG6E/j1KlT_zLLkQ/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+Alma+Cigana+-+Rildo+Gon%C3%A7alves+-+Ana+Rosa+-+Amilton+Fernandes.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PouGUR9EI/AAAAAAAAG6E/j1KlT_zLLkQ/s400/Ivani+Ribeiro+-+Alma+Cigana+-+Rildo+Gon%C3%A7alves+-+Ana+Rosa+-+Amilton+Fernandes.jpg" border="0" alt="" /></a>Com a inauguração da televisão no Brasil, em 1950, autores, diretores e atores, grandes nomes da rádio, migraram para o novo veículo. Seria na televisão que Ivani Ribeiro alcançaria fama como escritora de telenovelas, realizando grandes sucessos.<br />
Foi na TV Tupi, a primeira emissora de televisão brasileira, que, em 1952, escreveu a série “<em>Os Eternos Apaixonados</em>”. Naquela década, dividiu-se entre as novelas escritas para o rádio, e algumas para a televisão. Na época, as telenovelas não eram apresentadas diariamente, não tendo horário definido e continuidade programada. Muitas delas eram encenadas ao vivo, dependendo das condições e improvisos que se lhe punham à frente.<br />
Em 1963, a TV Excelsior produziu “<em>2-5499 Ocupado</em>”, de Dulce Santucci, considerada a primeira novela diária da televisão brasileira, mãe do gênero atual. A emissora paulista criava assim, a continuidade, fazendo com que o telespectador voltasse no dia seguinte, no mesmo horário, tornando-se fiel à programação. Ivani Ribeiro escreveria a terceira novela diária da televisão, “<em>Corações em Conflito</em>”, adaptada do rádio, contando a história de um viúvo e os seus problemas ao realizar o seu segundo casamento. A novela, protagonizada por Carlos Zara, foi ao ar de dezembro de 1963 a fevereiro de 1964. Tinha ainda no elenco Flora Geny, Mauro Mendonça, Márcia Real e Edmundo Lopes.<br />
No ano seguinte, a autora escreveria simultaneamente para a TV Excelsior e para a TV Tupi. Em fevereiro, foi ao ar a primeira novela diária da TV Tupi “<em>Alma Cigana</em>”, protagonizada por Ana Rosa, em papel duplo. A novela tornou-se um sucesso, revelando um <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PpBDfsQPI/AAAAAAAAG6M/dpWwg2BLoRQ/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+Elenco+A+Mo%C3%A7a+que+Veio+de+Longe.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PpBDfsQPI/AAAAAAAAG6M/dpWwg2BLoRQ/s400/Ivani+Ribeiro+-+Elenco+A+Mo%C3%A7a+que+Veio+de+Longe.jpg" border="0" alt="" /></a>novo galã, Amilton Fernandes. Em 1971, a TV Tupi reeditaria a novela com o nome de “<em>A Selvagem</em>”, tendo novamente Ana Rosa como protagonista. “<em>Alma Cigana</em>” dava mostras de que a telenovela diária viria para ficar.<br />
As primeiras novelas tinham poucos capítulos, não se estendendo por mais de dois meses. Ainda em 1964, Ivani Ribeiro escreveria em simultâneo, “<em>A Gata</em>” e “<em>Se o Mar Contasse</em>”, para a TV Tupi; e, “<em>Ambição</em>” e “<em>A Moça Que Veio de Longe</em>”, para a TV Excelsior.<br />
Foi a partir de “<em>A Moça Que Veio de Longe</em>”, que se conseguiu um grande sucesso entre o público e as telenovelas. A atriz Rosamaria Murtinho marcava de forma triunfante a sua estréia na televisão. Sua personagem Maria Aparecida, conseguiu grande empatia com os telespectadores. Na época as novelas eram adaptações de textos de autores latino-americanos. “<em>A Moça Que Veio de Longe</em>” não fugia à regra. Ivani Ribeiro transgrediu o texto original argentino, adaptando-o para a realidade brasileira, criando novas personagens e mudando o desfecho. Com isto, tornou-se a maior autora de teledramaturgia da época. A novela criaria um novo galã, Hélio Souto.<br />
Ainda em 1964, Ivani Ribeiro escreveu um outro sucesso de <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PpUy8e4fI/AAAAAAAAG6U/jptnufUitzo/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+A+Indom%C3%A1vel++2.jpg"></a>público, “<em>A Outra Face de Anita</em>”, protagonizada por Flora Geny. Na novela, ela inseria pela primeira, um ícone das suas obras, o deficiente físico, aqui na figura de Vítor, um débil mental. A personagem, vivida por Bentinho, atingiu grande popularidade.<br />
<a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P9m8vrslI/AAAAAAAAG9s/h-IKtQ9tVn8/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+Vidas+Cruzadas.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P9m8vrslI/AAAAAAAAG9s/h-IKtQ9tVn8/s400/Ivani+Ribeiro+-+Vidas+Cruzadas.jpg" border="0" alt="" /></a>A partir de 1965, Ivani Ribeiro tornou-se autora exclusiva da TV Record, contribuindo para que a emissora se tornasse a maior produtora de telenovelas de qualidade daquela década. Seguiu-se “<em>Onde Nasce A Ilusão</em>”, que trazia o universo circense para a televisão; com uma produção milionária para a época, tendo em seu elenco Carlos Zara, Maria Helena Dias, Renato Máster, Célia Coutinho, Edmundo Lopes, Glauce Graieb e Bentinho.<br />
“<em>A Indomável</em>”, foi escrita em forma de comédia. Adaptação da peça “<em>A Megera Domada</em>”, de William Shakespeare, tinha a sua trama transportada para a São Paulo da década de 1920. Edson França e Aracy Cardoso viviam os míticos Petruchio e Catarina. A novela ganharia duas versões, “<em>O Machão</em>”, em 1974, e “<em>O Cravo e a Rosa</em>”, em 2000. O elenco contava ainda com David Neto, Nívea Maria, Fúlvio Stefanini, Edgard Franco, Yara Lins e Maria Aparecida Baxter, entre outros.<br />
“<em>Vidas Cruzadas</em>” trazia Carlos Zara em papel duplo, interpretando o marginal Henrique Varela, procurado pela polícia, e o do seu sósia Bruno Vieira, morto em um acidente. Henrique assume a identidade do morto, indo morar na sua casa. No elenco Irina Grecco, Márcia Real, Geraldo Del Rey, Célia Coutinho e Riva Nimitz.</p>
<p><strong>Os Grandes Épicos da TV Excelsior</strong></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0Pp0c3fjMI/AAAAAAAAG6c/tdtP5JEx7Xs/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+A+Deusa+Vencida+-+Regina+Duarte,+Tarc%C3%ADsio+Meira,+Edson+Fran%C3%A7a+e+Gl%C3%B3ria+Menezes.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0Pp0c3fjMI/AAAAAAAAG6c/tdtP5JEx7Xs/s400/Ivani+Ribeiro+-+A+Deusa+Vencida+-+Regina+Duarte,+Tarc%C3%ADsio+Meira,+Edson+Fran%C3%A7a+e+Gl%C3%B3ria+Menezes.jpg" border="0" alt="" /></a>Em julho de 1965, Ivani Ribeiro escrevia aquela que seria a primeira superprodução da telenovela brasileira, “<em>A Deusa Vencida</em>”. A partir de então, os capítulos e as personagens das tramas aumentaram substancialmente. Mais longas, as novelas passaram a ter cuidados mais primorosos. “<em>A Deusa Vencida</em>” teve, entre outras curiosidades, trilha sonora própria, transformando-se em um romance. A história passava-se na São Paulo do fim do século XIX, relatando os desencontros amorosos entre a bela Cecília (Glória Menezes) e o jovem Edmundo Amarante (Tarcísio Meira). Diante da ruína da fortuna da família de Cecília, os jovens são separados por imposição dos pais. Cecília, para salvar a família da ruína, casa-se com Fernando Albuquerque (Edson França). Edmundo casa-se, por piedade, com Malu (Regina Duarte), jovem condenada por uma doença incurável. Durante toda a trama, cartas misteriosas geram intrigas e suspense. A autoria das cartas só é revelada no fim da novela, era a frágil Malu. O elenco era primoroso. Além do casal Glória Menezes e Tarcísio Meira, contava com Edson França, Altair Lima, Ivan Mesquita, Karin Rodrigues, Ruth de Souza, Rachel Martins, e marcava a estréia de uma jovem atriz, Regina Duarte, que conquistaria o país com o seu ar angelical e voz doce.<br />
“<em>A Grande Viagem</em>” trazia um grupo de pessoas que viajava em um navio luxuoso, do nordeste em direção ao sul. O navio era tomado pelo náufrago Pardini, sendo desviado para uma ilha, onde estava escondida uma fortuna. Seguindo a linha de suspense policial, trazia um grande mistério a ser desvendado, a identidade do <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PqOdk__MI/AAAAAAAAG6k/BgsIypzg9gs/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+As+Minas+de+Prata+-+Armando+B%C3%B3gus+e+Regina+Duarte.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PqOdk__MI/AAAAAAAAG6k/BgsIypzg9gs/s400/Ivani+Ribeiro+-+As+Minas+de+Prata+-+Armando+B%C3%B3gus+e+Regina+Duarte.jpg" border="0" alt="" /></a>cúmplice de Pardini. A imprensa da época revelou o mistério. Ivani Ribeiro escreveu um novo final, gravado apenas no dia em que foi ao ar. Henrique César viveu com sucesso o frio Pardini. Ainda no elenco Regina Duarte, Flora Geny, Mirian Mehler, Daniel Filho, Fúlvio Stefanini, Altair Lima, Márcia Real, Rodolfo Mayer, Mauro Mendonça, Bentinho, Riva Nimitz, Tony Vieira e a presença rara do grande ator do teatro brasileiro, Procópio Ferreira, em uma participação especial.<br />
Em 1966, três novelas de Ivani Ribeiro iriam ao ar pela TV Excelsior: “<em>Almas de Pedra</em>”, “<em>Anjo Marcado</em>” e “<em>As Minas de Prata</em>”. A primeira era a adaptação da obra de Xavier de Montepin, transposta para a realidade brasileira do final do século XIX. De forma sutil, a novela questionava a opressão feminina da sua época. Glória Menezes, a protagonista, passava-se por homem, disfarçando-se com barba. No elenco Tarcísio Meira, Francisco Cuoco, Armando Bógus, Suzana Vieira, Íris Bruzzi, Silvana Lopes, Ivan Mesquita e Carminha Brandão.<br />
“<em>Anjo Marcado</em>” inovava na narrativa, sendo contada em <em>flashback</em> a partir do misterioso desaparecimento de Valquíria, protagonista interpretada por Karin Rodrigues. A novela consolidava a carreira de Regina Duarte, que atingia grande popularidade em todo o Brasil. Também criava um novo galã, Paulo Goulart. No elenco Geraldo Del Rey, Maria Izabel de Lizandra, Lolita Rodrigues, Carminha Brandão, Elizabeth Gasper, Otávio Augusto, Lurdinha Félix e Paulo Figueiredo.<br />
“<em>As Minas de Prata</em>”, foi até então, a novela mais longa de Ivani Ribeiro, indo ao ar de novembro de 1966 a julho de 1967. Inspirada no romance homônimo de José de Alencar, foi outra grande produção da TV Excelsior, sendo uma das mais luxuosas da década. A cidade de Salvador do século XVII foi recriada cenograficamente no sítio Alvarenga, em São Bernardo do Campo. <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PrQ0A6ERI/AAAAAAAAG60/x3aONH6yseM/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+Os+Fantoches+-+Renato+Master,+Dina+Sfat+e+Elizabeth+Gasper.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PrQ0A6ERI/AAAAAAAAG60/x3aONH6yseM/s400/Ivani+Ribeiro+-+Os+Fantoches+-+Renato+Master,+Dina+Sfat+e+Elizabeth+Gasper.jpg" border="0" alt="" /></a>Durante a novela, Glória Menezes, que interpretava Zana, foi substituída por Lídia Costa. Regina Duarte e Fúlvio Stefanini eram os protagonistas. No elenco Armando Bógus, Paulo Goulart, Carlos Zara, Arlete Montenegro, Renato Máster, Suzana Vieira, Ivan Mesquita, Sonia Oiticica, Maria Izabel de Lizandra, Stênio Garcia, Henrique César, David Neto, Procópio Ferreira, Silvana Lopes e Riva Nimitz. A novela inspirou “<em>A Padroeira</em>”, em 2001, na TV Globo.<br />
Do épico para o suspense, a criatividade de Ivani Ribeiro não cessava. Sem pausa, escreveu “<em>Os Fantoches</em>”, inspirada no livro “<em>O Caso dos Dez Negrinhos</em>”, de Agatha Christie. A trama acontecia, quase que toda, dentro de um hotel de luxo, com um clima de suspense que atingiu o auge até o último capítulo. A pedido da emissora, a imprensa da época não revelou o autor das cartas anônimas, mantendo o total suspense até o fim. No elenco Átila Iório, Flora Geny, Regina Duarte, Paulo Goulart, Nicette Bruno, Dina Sfat, Stênio Garcia, Ivan de Albuquerque, Márcia de Windsor, Elizabeth Gasper, Yara Lins, Vera Nunes, Lídia Costa, Mauro Mendonça, Renato Máster, Edgard Franco, Sílvio Rocha e Rogério Márcico entre outros.<br />
“<em>O Terceiro Pecado</em>”, de 1968, marcava a estréia de Ivani Ribeiro no mundo do sobrenatural, o q<a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PqrTc7wNI/AAAAAAAAG6s/iZmKBAU2R6o/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+O+Terceiro+Pecado+1.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PqrTc7wNI/AAAAAAAAG6s/iZmKBAU2R6o/s400/Ivani+Ribeiro+-+O+Terceiro+Pecado+1.jpg" border="0" alt="" /></a>ue seria uma constante em sua obra, a partir de então. O Anjo da Morte enviava para a Terra um mensageiro, Alexandre, para buscar a jovem Carolina. Alexandre apaixona-se pela jovem, e pede para a Morte que troque Carolina pela irmã dela, a perversa Ruth. A Morte não concorda, mas concede uma nova oportunidade a Carolina, ela poderá cometer apenas dois pecados, o terceiro causará a sua morte. Regina Duarte, mais uma vez, conquistaria o público, vivendo a doce Carolina. Nathália Timberg destacou-se no papel da Morte, e Gianfrancesco Guarnieri como o emissário Alexandre. No elenco Maria Izabel de Lizandra, Paulo Goulart, Stênio Garcia, Lílian Lemmertz, Carminha Brandão, Edgard Franco, Yara Lins, Lélia Abramo e Silvio Rocha. Em 1989, a novela ganharia uma nova versão com o título de “<em>O Sexo dos Anjos</em>”.<br />
Em 1968, outro grande épico da televisão brasileira era produzido, “<em>A Muralha</em>”, baseada no romance de Dináh Silveira de Queiroz. Ivani Ribeiro já tinha adaptado a história duas vezes, para a TV Record, que foi ao ar em 1954 e 1958, respectivamente. A TV Excelsior finalmente produziu a novela com o esmero que o texto exigia. A muralha era a serra como obstáculo aos bandeirantes paulistas, que sonhavam em deixar o litoral e conquistar o interior do Brasil colônia do século XVI. Através da família de Dom Braz Olinto, personagens desencadeavam os acontecimentos<a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0Pr5h5kQxI/AAAAAAAAG68/y-HmIyWEI0U/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+A+Muralha+-+Maria+Izabel+de+Lizandra,+Mauro+Mendon%C3%A7a+e+Fernanda+Montenegro.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0Pr5h5kQxI/AAAAAAAAG68/y-HmIyWEI0U/s400/Ivani+Ribeiro+-+A+Muralha+-+Maria+Izabel+de+Lizandra,+Mauro+Mendon%C3%A7a+e+Fernanda+Montenegro.jpg" border="0" alt="" /></a> épicos que levaram à Guerra dos Emboabas. Era a história do Brasil contada com sofisticada produção, sem perder a sua veia novelística. Uma das produções mais caras da década de 1960, contou com um elenco primoroso, em interpretações antológicas, com cenas belíssimas em tomadas externas. Mauro Mendonça e Fernanda Montenegro protagonizavam a trama, que tinha em seu elenco Rosamaria Murtinho, Gianfrancesco Guarnieri, Nathália Timberg, Arlete Montenegro, Edgard Franco, Nicette Bruno, Paulo Goulart, Maria Izabel de Lizandra, Stênio Garcia, Serafim Gonzalez, Cleyde Blota, Carlos Zara, Cláudio Correa e Castro, Paulo Celestino e Sílvio de Abreu. “<em>A Muralha</em>” foi uma das mais bem acabadas produções da TV Excelsior, numa qualidade de texto que se distanciava anos luz dos dramalhões que Gloria Magadan escrevia na época para a TV Globo. Em 2000, a história foi reeditada, tendo Mauro Mendonça no mesmo papel que vivera em 1968.<br />
Em 1969, em plena época da chegada do homem na Lua, do sucesso de filmes como “<em>2001, Uma Odisséia no Espaço</em>”, foi inevitável que Ivani Ribeiro abordasse o tema. Surgiu “<em>Os Estranhos</em>”, uma novela de ficção científica, que se passava na ilha de um escritor, personagem vivido por Pelé. A ilha era visitada por extraterrestres, homens e mulheres <a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PsjDOmTJI/AAAAAAAAG7E/u6oBYtRqrqI/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-Elenco+Os+Estranhos.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PsjDOmTJI/AAAAAAAAG7E/u6oBYtRqrqI/s400/Ivani+Ribeiro+-Elenco+Os+Estranhos.jpg" border="0" alt="" /></a>de cor amarela e de rostos brilhantes. Apesar de fugir da realidade das novelas, a trama foi tecnicamente bem feita. Regina Duarte, Rosamaria Murtinho e Cláudio Corrêa e Castro eram os visitantes de outros planetas. Ainda no elenco Carlos Zara, Gianfrancesco Guarnieri, Átila Iório, Vida Alves, Stênio Garcia, Márcia de Windsor, Márcia Real, Serafim Gonzalez, Lídia Costa, Vera Nunes, Osmar Prado, Cleyde Blota, Roberto Maya, Lucy Meirelles e Silvio de Abreu.<br />
Em 1969 a TV Excelsior era abatida por uma grave crise financeira, que resultaria no seu encerramento em 1970. Na fase final da emissora, Ivani Ribeiro escreveu duas tramas ao mesmo tempo, “<em>A Menina do Veleiro Azul</em>”, desenvolvida com o auxílio do marido Dárcio Ferreira e Teixeira Filho, que ia ao ar às 18h00 e 19h00; e, “<em>Dez Vidas</em>”, no ar às 19h30 e 20h00.<br />
Com a crise que assolava a emissora, “<em>A Menina do Veleiro Azul</em>” teve o seu elenco escalado para duas novelas em simultâneo. Contava a história de Glorinha, em duas fases, vivida por Ana Maria Blota na infância, e por Maria Izabel de Lizandra na fase adulta. No elenco Edson França, Henrique Martins, Cleyde Yáconis, Cláudio Corrêa e Castro, Flora Geny, Lílian Lemmertz, Leila Diniz, Newton Prado, Arlete Montenegro, Márcia de Windsor, Cacilda Lanuza, Castro Gonzaga, Ronnie Von, Vera Nunes, João José Pompeu, Edmundo Lopes, Nádia Lippi, Lídia Costa, Serafim Gonzalez e Silvia Leblon. A trama marcava a estréia discreta da atriz Sonia Braga nas telenovelas.<br />
“<em>Dez Vidas</em>” foi a última tentativa da TV Excelsior em realizar uma grande produção. Novamente Ivani Ribeiro trazia a história do <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P_iIGMZsI/AAAAAAAAG98/qz2USpykFcg/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+O+Terceiro+Pecado+2.JPG"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P_iIGMZsI/AAAAAAAAG98/qz2USpykFcg/s400/Ivani+Ribeiro+-+O+Terceiro+Pecado+2.JPG" border="0" alt="" /></a>Brasil para os folhetins televisivos, desta vez contando a história da Inconfidência Mineira, tendo como espinha dorsal o herói Tiradentes, e o triângulo amoroso entre Marília, Dirceu e Carlota. Além dos problemas financeiros pelo qual passava a emissora, a trama teve problemas com a censura militar, que considerava a história de Tiradentes subversiva. A novela teve que mudar de horário e sofreu vários cortes impostos pelos censores. Regina Duarte, que vivia a personagem Pompom, descontente com os salários em atraso, deixou a novela logo no início, indo para a TV Globo, onde se tornaria a Namoradinha do Brasil. Leila Diniz substituiu a atriz. Diante da crise, os atores foram abandonando, aos poucos, a trama, mergulhando-a em um retumbante fracasso. Reza nos bastidores que no final, apenas cinco atores permaneceram no elenco. A TV Excelsior fechava, em 1970, as suas portas, “<em>Dez Vidas</em>” foi a última trama de Ivani Ribeiro naquela emissora. Deixava para trás épicos que ficaram para sempre na história das telenovelas.</p>
<p><strong>De Volta à TV Tupi</strong></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PtJjHt4uI/AAAAAAAAG7M/sqryRe0giDE/s1600-h/bruxas_anuncio%5B1%5D.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PtJjHt4uI/AAAAAAAAG7M/sqryRe0giDE/s400/bruxas_anuncio%5B1%5D.jpg" border="0" alt="" /></a>Com o fim da TV Excelsior, a TV Globo demitiu Gloria Magadan, reformulou a linguagem das suas novelas, trouxe para o seu elenco os grandes nomes da emissora falida, transformando-se em uma potente produtora de telenovelas. Na nova fase da emissora carioca, Janete Clair firmava-se como grande novelista, conquistando o Brasil com as suas tramas movimentadas.<br />
No mesmo período, Ivani Ribeiro transferiu-se para a TV Tupi, onde iria alcançar uma carreira excepcional. Sua primeira novela na emissora foi “<em>As Bruxas</em>”, em 1970. Mais uma vez a autora inovava no tema, trazendo a psicanálise como pano de fundo da sua trama. Separação de casais, adultério, a mente povoada de “bruxas”, provocando o medo, a angústia. A estréia da autora na TV Tupi bateu de frente com “<em>Irmãos Coragem</em>”, concorrente da TV Globo. A temática sofreu cortes da censura e foi obrigada a ser transmitida mais tarde. No elenco Nathália Timberg, Carlos Zara, Maria Izabel de Lizandra, Lima Duarte, Walter Forster, Cláudio Corrêa e Castro, Walmor Chagas, Débora Duarte, Maria Della Costa, Joana Fomm, Odete Lara, Tony Ramos, Aracy Cardoso, Denis Carvalho, Ivan Mesquita, Lélia Abramo, José Parisi, Patrícia Mayo, Kate Hansen, Juan de Bourbon e Zanoni Ferrite.<br />
No fim de 1970, escreveu “<em>O Meu Pé de Laranja Lima</em>”, baseada na obra homônima de José Mauro de Vasconcelos. História leve e bem conduzida, alcançou um sucesso <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PuC4omPLI/AAAAAAAAG7U/RBmwZuFG92s/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+Elenco+Meu+P%C3%A9+de+Laranja+Lima.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PuC4omPLI/AAAAAAAAG7U/RBmwZuFG92s/s400/Ivani+Ribeiro+-+Elenco+Meu+P%C3%A9+de+Laranja+Lima.jpg" border="0" alt="" /></a>relativo. Marcava a estréia da atriz Eva Wilma nas tramas de Ivani Ribeiro, parceria que iria render grandes momentos. Ainda no elenco, Haroldo Botta a fazer o menino Zezé, Cláudio Corrêa e Castro, Carlos Zara, Bete Mendes, Gianfrancesco Guarnieri, Lélia Abramo, Silvio Rocha, Denis Carvalho, Nicette Bruno, Fausto Rocha, Annamaria Dias, Henrique Martins e Abrahão Farc.<br />
Em 1971, “<em>Alma Cigana</em>” seria reeditava pela TV Tupi, com o nome de “<em>A Selvagem</em>”. A história foi reeditada para que se firmasse o plágio que Janete Clair foi acusada em “<em>Irmãos Coragem</em>”, com personagem de Glória Menezes a viver personalidades duplas, semelhante a que Ana Rosa tinha vivido em “<em>Alma Cigana</em>”. Sob o argumento de Ivani Ribeiro, a trama foi escrita por Geraldo Vietri e Gian Carlo.<br />
“<em>Nossa Filha Gabriela</em>”, tendo Eva Wilma como protagonista, trazia o teatro mambembe de Giuliano (Gianfrancesco Guarnieri). Gabriela, a estrela da companhia, voltava a uma pacata cidade, terra natal da sua mãe. Ali conheceria três simpáticos velhinhos, Candinho (Ivan Mesquita), Romeu (Abrahão Farc) e Napoleão (Cláudio Correa e Castro). No passado, eles tinham se casado com três irmãs gêmeas, sendo uma delas a mãe de Gabriela. O mistério da trama persiste em se descobrir quem seria o pai de Gabriela. No elenco Karin Rodrigues, Ana Rosa, Bete Mendes, Denis Carvalho, Lélia Abramo, <a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0QJhKRx9LI/AAAAAAAAG-E/RD6v-W6rA-c/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+Nossa+Filha+Gabriela-+Elenco.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0QJhKRx9LI/AAAAAAAAG-E/RD6v-W6rA-c/s400/Ivani+Ribeiro+-+Nossa+Filha+Gabriela-+Elenco.jpg" border="0" alt="" /></a>Fausto Rocha e Carlos Zara.<br />
Em 1972, Ivani Ribeiro, estreava simultaneamente “<em>O Leopardo</em>”, sob o pseudônimo de Arthur Amorim, para a TV Record, e, “<em>Camomila e Bem-Me-Quer</em>”, para a TV Tupi. “<em>O Leopardo</em>” tinha o texto escrito pelo marido da autora, Dárcio Ferreira e supervisionado por ela. Foi uma tentativa frustrada da TV Record entrar no mercado das telenovelas, tentativa iniciada com “<em>As Pupilas do Senhor Reitor</em>”, em 1970. No elenco Altair Lima, Maria Estela, Rodolfo Mayer, Laura Cardoso, David Neto, Jonas Mello, Silvana Lopes e Márcia Real.<br />
”<em>Camomila e Bem-Me-Quer</em>”, trama leve e bem alinhavada, contava a história de Tio Romão (Cláudio Corrêa e Castro), que com o seu chá levava amor e esperança às pessoas. Paralelo, a história adaptava a peça “<em>O Avarento</em>”, de Molière, com Gianfrancesco Guarnieri a fazer o avarento Olegário. No elenco Nicette Bruno, Juca de Oliveira, Maria Izabel de Lizandra, Marcelo Picchi, Tereza Teller, Geraldo Del Rey, Riva Nimitz, Serafim Gonzalez, Liza Vieira, Karin Rodrigues, Aldo César, Edwin Luísi, Carminha Brandão, Silvio Rocha, Jacyra Sampaio e Léa Camargo. Com esta novela agradável e de relativo sucesso, a autora encerrava a fase de estilo leve e bem-sucedida na TV Tupi.</p>
<p><strong>Momentos Antológicos na Teledramaturgia da TV Tupi </strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PwTPaCWbI/AAAAAAAAG7s/J99pWX12WUU/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+Carlos+Zara+e+Eva+Wilma.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PwTPaCWbI/AAAAAAAAG7s/J99pWX12WUU/s400/Ivani+Ribeiro+-+Carlos+Zara+e+Eva+Wilma.jpg" border="0" alt="" /></a>Em 1973, Ivani Ribeiro voltaria ao horário nobre da TV Tupi, transformando-o em um forte concorrente da inatingível TV Globo. Revelaria a partir de então uma autora amadurecida e incansável em abordar diversos temas em suas tramas.<br />
A mudança viria com “<em>Mulheres de Areia</em>”, adaptação de uma antiga radionovela da autora, “<em>As Noivas Morrem no Ar</em>”. Contava a história das irmãs gêmeas Ruth e Raquel, que disputavam o amor de Marcos. Eva Wilma interpretou com glamour as gêmeas antagônicas. A partir de então, a atriz foi promovida à primeira estrela da TV Tupi. A novela alcançou um grande sucesso, ameaçando a hegemonia da audiência da TV Globo, que exibia na época a fraca “<em>Cavalo de Aço</em>”. A química entre Eva Wilma e Carlos Zara foi instantânea, transformando-os no par romântico da emissora paulista, competindo com o casal Tarcísio Meira e Glória Menezes da TV Globo. Gianfrancesco Guarnieri comoveu o Brasil interpretando o doente mental Tonho da Lua. Apaixonado por Ruth, o jovem esculpia mulheres na areia das praias de Itanhaém. As esculturas eram feitas por Serafim Gonzalez, que participava da trama como ator. O sucesso respingou não só nos protagonistas, como nos coadjuvantes, entre eles o casal Malu e Alaôr, vividos por Maria Izabel de Lizandra e Antonio Fagundes, respectivamente. “<em>Mulheres de Areia</em>” entrou para a história como uma das telenovelas mais bem-sucedidas, tendo uma segunda versão, em 1993. No elenco Cláudio Corrêa e Castro, Cleyde Yáconis, Lucy Meirelles, Rolando Boldrin, Márcia Maria, Ana Rosa, Maria Estela, Silvio Rocha, Edgard Franco, Henrique Martins e Ivan Mesquita, entre muitos.<br />
Em 1974, a TV Tupi reeditaria “<em>A Indomável</em>”, com o nome de “<em>O Machão</em>”, escrita por Sérgio Jockyman. O sucesso de Antonio Fagundes e Maria Izabel de Lizandra como par romântico em “<em>Mulheres de Areia</em>”, habilitou os dois a protagonizarem a novela, outro grande sucesso da TV Tupi. <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PvZ9NJNTI/AAAAAAAAG7k/kmFohJ5U4DI/s1600-h/Ivani+Ribeiro+com+o+Elenco+de+Os+Inocentes.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PvZ9NJNTI/AAAAAAAAG7k/kmFohJ5U4DI/s400/Ivani+Ribeiro+com+o+Elenco+de+Os+Inocentes.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
“<em>Os Inocentes</em>”, adaptação da peça “<em>A Volta da Velha Senhora</em>”, de Durrenmatt, contava a história de Maria Alice (Karin Rodrigues), que quando ficara viúva, fora assediada pelos homens da sua cidade. Ao recusar o assédio, foi difamada e expulsa do lugar, com a sua filha, a pequena Juliana. Apedrejada, Maria Alice ficara cega de um olho. Já adulta e rica, Juliana, interpretada por Cleyde Yáconis, volta à pequena cidade para vingar a mãe. A vingança estender-se-ia não só aos que ultrajaram a sua mãe, como também aos seus descendentes, chamados de inocentes. Ao longo da trama, a autora deixou o roteiro nas mãos do marido, Dárcio Campos, para escrever “<em>A Barba Azul</em>”. “<em>Os Inocentes</em>”, inicialmente feita em preto e branco, passou a ser transmitida, a partir de julho de 1974, em cores. No elenco Rolando Boldrin, Cláudio Corrêa e Castro, Luís Gustavo, Ana Rosa, Maria Estela, Adriano Reys, Tony Ramos, Elaine Cristina, Márcia Maria, Laura Cardoso, Jonas Mello, Serafim Gonzalez, Silvio Rocha e Paulo Figueiredo.<br />
<a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PuwWqRCKI/AAAAAAAAG7c/pAxvhNvusIs/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+Mulheres+de+Areia+-+Eva+Wilma+e+Carlos+Zara.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PuwWqRCKI/AAAAAAAAG7c/pAxvhNvusIs/s400/Ivani+Ribeiro+-+Mulheres+de+Areia+-+Eva+Wilma+e+Carlos+Zara.jpg" border="0" alt="" /></a>“<em>A Barba Azul</em>” marcou a volta da autora ao horário das 19h00. Trazia o casal Eva Wilma e Carlos Zara como protagonistas. Mais uma vez, a química entre os autores colaborou para o sucesso da trama. Mais tarde, os atores tornar-se-iam marido e mulher na vida real. Contava a história de Jô Penteado, mulher que ficara noiva sete vezes, por isto chamada de Barba Azul. Geniosa e mimada, ela embarca em uma excursão escolar à Angra dos Reis, promovida pelo tranqüilo professor Fábio. O barco desvia do seu caminho, indo parar em uma ilha distante. A tripulação é dada como morta. Na ilha Jô e Fábio brigam como cão e gato, iniciando um tumultuado e imprevisível romance. A novela foi um sucesso, tendo direito a uma segunda versão, em 1985, com o nome de “<em>A Gata Comeu</em>”.<br />
Em 1975, Ivani Ribeiro mergulhou no mundo do espiritismo como temática de novela, o resultado foi a bem-sucedida “<em>A Viagem</em>”. Estreada em horário nobre, mostrava a vida após a morte. A história da ciumenta Diná (Eva Wilma), casada com um homem mais jovem, Teo (Tony Ramos). Possessiva, ela destrói o casamento aos poucos. No meio da trama, perde o <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PxYE3ldUI/AAAAAAAAG70/xtvJS68G-LA/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+Tony+Ramos+e+Eva+Wilma+-+A+Viagem.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PxYE3ldUI/AAAAAAAAG70/xtvJS68G-LA/s400/Ivani+Ribeiro+-+Tony+Ramos+e+Eva+Wilma+-+A+Viagem.jpg" border="0" alt="" /></a>irmão Alexandre (Ewerton de Castro), que se suicida na prisão. Alexandre vaga como espírito, atormentando aqueles que lhe prejudicou em vida, vingando-se de cada um deles. Entre os que sofrem com o espírito de Alexandre está César Jordão (Altair Lima), advogado que lhe movera o processo. César e Diná apaixonam-se, mas o amor entre os dois é interrompido pela morte do advogado. César volta como espírito para ajudar os filhos, atormentados por Alexandre. No fim da trama, Diná também morre, encontrando-se com César no vale dos espíritos. Complexa, a trama alcançou sucesso de público, sendo transformada em livro. Contava com um elenco luxuoso, além dos citados: Irene Ravache, Elaine Cristina, Cláudio Corrêa e Castro, Rolando Boldrin, Joana Fomm, Adriano Reys, Ana Rosa, Carlos Alberto Riccelli, Carmem Silva, Lúcia Lambertini, Carminha Brandão, Abrahão Farc, Serafim Gonzalez, Yolanda Cardoso, Antonio Pitanga, Ricardo Blat, Suzy Camacho, Neuza Borges, Márcia Maria e Haroldo Botta.</p>
<p><strong>A Última Fase na TV Tupi</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PyKwR76CI/AAAAAAAAG78/nN2nh5q_TBA/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+O+Espantaho+-+An%C3%BAncio.JPG"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PyKwR76CI/AAAAAAAAG78/nN2nh5q_TBA/s400/Ivani+Ribeiro+-+O+Espantaho+-+An%C3%BAncio.JPG" border="0" alt="" /></a>Em 1976 Silvio Santos ganhou a concessão de um canal de televisão, a TVS, canal 11, com transmissão apenas para o Rio de Janeiro. O empresário decidiu investir na teledramaturgia, contratando, naquele ano, Ivani Ribeiro. A autora escreveu para a TVS a novela “<em>O Espantalho</em>”. A trama, ambientada em uma pequena cidade litorânea, retratava a luta do prefeito Breno contra o vice-prefeito Rafael, o primeiro tenta preservar as praias da cidade contra a poluição, o segundo, dono do maior hotel do lugar, quer trazer o maior número de turistas, sem se importar com o meio ambiente. Rafael espalha espantalhos pelas praias que Breno interditara, acusando-o de impedir o desenvolvimento da cidade. Ardilosamente, Rafael consegue a renúncia de Breno, assumindo a prefeitura. Como prefeito, ele passa a transmitir desequilíbrio mental, processo desencadeado por um aneurisma cerebral. Nos seus delírios, ele se vê perseguido por espantalhos. Acaba assassinado em uma praia. “<em>O Espantalho</em>” contou com um elenco luxuoso, vindo da TV Globo e da TV Tupi. Jardel Filho protagonizou a trama, tendo ao seu lado Nathália Timberg, Rolando Boldrin, Theresa Amayo, Fábio Cardoso, Hélio Souto, Ester Góes, Eduardo Tornaghi, Carlos Alberto Riccelli, Carmen Monegal, Newton Prado, Walter Stuart, Wanda Kosmo, Percy Aires, Roberto Maya, Reny de Oliveira, Léa Camargo e vários outros. A novela foi lançada em janeiro de 1977, pela TV Record e suas afiliadas, onde Silvio Santos era, na época, acionista. Só estreou no Rio de Janeiro em Junho, através da TVS. Apesar de ter um bom texto e um elenco primoroso, uma produção apurada, a dificuldade em lançar a novela no mercad<a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PyrAslioI/AAAAAAAAG8E/tDZ_v9R_NxY/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+O+Profeta.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PyrAslioI/AAAAAAAAG8E/tDZ_v9R_NxY/s400/Ivani+Ribeiro+-+O+Profeta.jpg" border="0" alt="" /></a>o contribuiu para o seu fracasso de público. A produção passou despercebida em várias partes do Brasil.<br />
Com o fracasso de “<em>O Espantalho</em>”, Silvio Santos desistiu de investir nas telenovelas. Ivani Ribeiro estava presa à TVS por um contrato de quatro anos. Em 1977, Silvio Santos pôs a autora à disposição da TV Tupi, desde que a emissora pagasse o seu salário. A volta à TV Tupi foi triunfante, com “<em>O Profeta</em>”, estreada em 22 de outubro daquele ano. Novamente Ivani Ribeiro abordava o tema da paranormalidade. Vários temas ecumênicos foram tratados ao longo da trama, que se tornou um grande sucesso. É a história de Daniel, um paranormal que vê o passado e o futuro. Em vez de ajudar as pessoas, ele usa o poder em benefício próprio. Torna-se famoso e rico. Envolve-se com Sonia, noiva do amigo Murilo. A novela atingiu o seu clímax quando Daniel previu a morte de Murilo. Acusado de ter provocado a morte do rapaz para ficar com Sonia, Daniel é preso. No final mostra-se atormentado por seus poderes. Amparado por Carola, uma gordinha desengonçada que nutria uma paixão platônica por ele, descobre que só quer viver uma vida de homem simples ao lado dela. Carlos Augusto Strazzer, que vinha de um grande sucesso em “<em>Éramos Seis</em>”, foi promovido a protagonista da emissora, vivendo um dos maiores personagens da sua carreira. Débora Duarte então casada com o cantor Antonio Marcos, rescindiu com a TV Globo, voltando para a TV Tupi após cinco anos na emissora carioca. O motivo foi para que a atriz pudesse ficar em São Paulo, ao lado do marido. A atriz tinha dado à luz à filha Paloma Duarte, o que facilitou a composição de uma personagem gordinha. No <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0Pzd9I0BOI/AAAAAAAAG8M/KsZKbr-yj0c/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+Aritana+-+Carlos+Alberto+Riccelli+e+Bruna+Lombardi.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0Pzd9I0BOI/AAAAAAAAG8M/KsZKbr-yj0c/s400/Ivani+Ribeiro+-+Aritana+-+Carlos+Alberto+Riccelli+e+Bruna+Lombardi.jpg" border="0" alt="" /></a>fim da novela, Carola aparecia magra e bela. Irene Ravache e David José protagonizaram cenas hilariantes, vivendo o casal Teresa e Armando. A novela chegou a ameaçar a audiência de “<em>O Astro</em>”, de Janete Clair. No elenco Elaine Cristina, Cláudio Corrêa e Castro, Rolando Boldrin, Ana Rosa, Glauce Graieb, Márcia de Windsor, Aldo César, John Herbert, Yolanda Cardoso, Jacques Lagoa, Rildo Gonçalves, Suzy Camacho, Abrahão Farc e Luiz Carlos de Moraes.<br />
Em 1978 Ivani Ribeiro surpreenderia novamente, com “<em>Aritana</em>”, abordando a temática indígena. Conta a história de Aritana, índio filho de um homem branco e de uma índia. Seu tio é um rico fazendeiro, que não quer dividir com a ele as terras que herdou do pai. Vivendo no Xingu, ele parte para a cidade em busca da herança, para garantir a sobrevivência do seu povo e defender as terras, ameaçadas de serem vendidas pelo tio para os americanos. Na cidade, apaixona-se pela bela veterinária Estela. Na sua simplicidade de índio, sofre com o escárnio dos brancos e com a indiferença de Estela. Carlos Alberto Riccelli, com o seu físico loiro, sofreu um profundo processo de caracterização para que se transformasse no índio Aritana, surpreendendo a todos. A novela incomodou fazendeiros, que viam nas reivindicações dos índios uma ameaça, o fato obrigou a TV Tupi a levar ao ar o especial “<em>O Caso Aritana, uma Novela a Parte</em>”. Atores e diretores , os irmãos Villas-Boas e outros órgãos de defesa dos índios, defendiam no especial as idéias da autora. Normalmente a TV Tupi gerava os seus ídolos e a TV Globo os contratava. Em “<em>Aritana</em>” aconteceu o contrário, grandes nomes vieram da emissora carioca. Bruna Lombardi, recém revelada pela TV Globo na novela “<em>Sem Le<a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0QKWySnIvI/AAAAAAAAG-M/yiXlIDcQTfY/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+Aritana.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0QKWySnIvI/AAAAAAAAG-M/yiXlIDcQTfY/s400/Ivani+Ribeiro+-+Aritana.jpg" border="0" alt="" /></a>nço, Sem Documento</em>”, protagonizava a trama de Ivani Ribeiro, o seu encontro com Carlos Alberto Riccelli renderia um casamento que dura até os dias atuais. Carlos Vereza, Jorge Dória, Francisco Milani e Jayme Barcellos, também vieram da TV Globo. Wanda Stefânia, que naquele ano passara com sucesso pela aldeia global, protagonizando a telenovela “<em>Te Contei?</em>”, de Cassiano Gabus Mendes, voltava à TV Tupi. Outra contratação foi a do ator português Tony Correa, que fora revelado em “<em>O Casarão</em>”, em 1976, e um dos protagonistas da novela “<em>Locomotivas</em>”, em 1977, ambas na TV Globo. O luxuoso elenco de “<em>Aritana</em>” contava ainda com Geórgia Gomide, Cleyde Yáconis, Othon Bastos, John Herbert, Márcia Real, Ana Rosa, Maria Estela, Arlete Montenegro, Serafim Gonzalez, Carminha Brandão, Marcos Caruso, Haroldo Botta e Suzy Camacho.<br />
“<em>Aritana</em>” foi a última novela de Ivani Ribeiro para a TV Tupi, que entraria em dificuldades financeiras, fechando as suas portas em 1980, depois de agonizar por mais de um ano. No período de agonia da emissora, os sucessos de Ivani Ribeiro foram reprisados para suprir a falta de programação. Estava encerrada a era de ouro da TV Tupi, e a fase de Ivani Ribeiro como autora contundente do horário nobre.</p>
<p><strong>Breve Passagem Pela TV Bandeirantes</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P0IRthyMI/AAAAAAAAG8U/LurSRzT0dw8/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+Cavalo+Amarelo+1980.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P0IRthyMI/AAAAAAAAG8U/LurSRzT0dw8/s400/Ivani+Ribeiro+-+Cavalo+Amarelo+1980.jpg" border="0" alt="" /></a>Com o fim da TV Tupi, atores, diretores e autores das novelas da emissora foram contratados pela TV Bandeirantes e pela TV Globo. Ivani Ribeiro iniciaria uma nova fase da sua carreira de autora de telenovelas. Contratada pela TV Bandeirantes, viu dois dos seus grandes sucessos reeditados por aquela emissora, em 1980: “<em>A Deusa Vencida</em>”, de 1965, com Elaine Cristina, Roberto Pirillo, Altair Lima (interpretando a mesma personagem que fizera na primeira versão da TV Excelsior), Agnaldo Rayol, Márcia Maria, Neuci Lima, Leonor Lambertini, Neuza Borges, Oscar Felipe e Luiz Carlos Arutin; e, “<em>O Meu Pé de Laranja Lima</em>”, de 1970, com Dionísio Azevedo, Baby Garroux, Fausto Rocha, Regina Braga, Cristina Mullins, Rogério Márcico, Elias Gleizer, Enio Gonçalves, Maria Ferreira, Neuza Borges, Geny Prado e Alexandre Raymundo como o menino Zezé. As reedições das novelas cumpriram a sua função de entretenimento, sem causar grandes audiências.<br />
A grande surpresa de Ivani Ribeiro na TV Bandeirantes foi “<em>Cavalo Amarelo</em>”, deliciosa novela em tom de comédia, que trazia a irreverente Dercy Gonçalves como protagonista. A novela era composta por um elenco vigoroso, com excelentes interpretações de Wanda Stefânia no papel de uma mulher que se vestia de homem para sustentar a família; Yoná Magalhães no seu primeiro encontro com uma trama de Ivani Ribeiro; além das presenças de Fúlvio Stefanini, Rodolfo Mayer, Jorge Dória, Rolando Boldrin, Márcia de Windsor, Kito Junqueira, Aldo César, Newton Prado, Etty Fraser, Carmen Monegal, Caminha Brandão, Maximira Figueiredo, Jacques Lagoa, Arlete Montenegro e Regina Dourado. O sucesso da personagem de Dercy Gonçalves, Dulcinéa, foi imenso, fazendo com que a emissora criasse uma continuação, a novela “<em>Dulcinéa Vai a Guerra</em>”. Ivani Ribeiro recusou-se a escrever a continuação, cabendo a Sérgio Jockyman e Jorge Andrade a escrever a trama.<br />
Em 1981 Ivani Ribeiro escreveu “<em>Os Adolescentes</em>”, <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P0yRVKkOI/AAAAAAAAG8c/CdpggGZr_e0/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+Os+Adolescentes+1981.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P0yRVKkOI/AAAAAAAAG8c/CdpggGZr_e0/s400/Ivani+Ribeiro+-+Os+Adolescentes+1981.jpg" border="0" alt="" /></a>tendo como temática os problemas dos jovens na transição para a idade adulta. O tema era pouco explorado na época, com raras exceções para “<em>Dancin’ Days</em>”, novela de Gilberto Braga de 1978. A trama girava em torno de quatro adolescentes, Doca (André de Biasi), um viciado em drogas; Caíto (Flávio Guarnieri), que trazia tendências homossexuais; Majô (Tássia Camargo), apaixonada pelo padrasto; e, Bia (Júlia Lemmertz), que se encontrava grávida. No meio dos jovens transitava o professor Túlio, ex-viciado. O papel foi interpretado pelo ator Kito Junqueira. Roteiro ousado para época, onde a autora abordava com delicadeza temas que envolviam os adolescentes da época. Ivani Ribeiro não terminaria de escrever a novela, depois de um desgaste com a emissora, marcada por desencontros pontuais, a autora foi afastada da trama, sendo substituída por Jorge Andrade. A novela trazia uma série de novos atores que construiriam grandes carreiras, como Giuseppe Oristânio, Júlia Lemmertz, Tássia Camargo, Lília Cabral e André de Biasi. Ainda no elenco, Norma Benguell, Beatriz Segall, Selma Egrei, Márcia de Windsor, Paulo Vilaça, Roberto Maya, Emílio de Biasi, Imara Reis, Hugo Della Santa, Mayara Magri, Sonia Oiticica, Carmem Silva, Fábio Cardoso, Lúcia Mello, Ricardo Graça Mello e Arlete Montenegro.<br />
Ivani Ribeiro encerrava a sua passagem meteórica na TV Bandeirantes, migrando, finalmente, para a poderosa TV Globo, onde permaneceria até a sua morte.</p>
<p><strong>Sucessos e Reedições na TV Globo</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P2Q4dWZ4I/AAAAAAAAG8k/KISZBgCXN0w/s1600-h/Ivany+Ribeiro+-+Final+Feliz.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P2Q4dWZ4I/AAAAAAAAG8k/KISZBgCXN0w/s400/Ivany+Ribeiro+-+Final+Feliz.jpg" border="0" alt="" /></a>Em 1982, Ivani Ribeiro foi contratada pela TV Globo. A grande dama das telenovelas, que na década anterior ameaçara tantas vezes a hegemonia de audiência da emissora, chegava àquela casa modestamente, no horário das 19h00. As limitações do horário não intimidaram a autora. Na sua estréia na emissora carioca trouxe uma história sucinta, bem acabada, com temas leves, mas tratados com maestria. A novela era “<em>Final Feliz</em>”, e seria a última trama inédita da autora. Natália do Valle vivia a geniosa Débora, a sua primeira protagonista, fazendo par romântico José Wilker. A química entre os atores sustentou a personalidade difícil e bombástica das suas personagens, tanto que voltariam a fazer par romântico em “<em>Transas e Caretas</em>”, em 1984. Paralelo à história tumultuada do romance entre Débora e Rodrigo, circulavam personagens interessantes e marcantes, como Mestre Antonio, um pescador nordestino humilde que vinha do nordeste à procura da filha Bartira. A personagem vivida magistralmente por Stênio Garcia, valeu ao ator o prêmio Destaque do Ano e da ABCA (Associação Brasileira de Críticos de Arte). A empatia entre Mestre Antonio e Rafael, um jovem com deficiência mental, comoveu o Brasil. Rafael é daquelas personagens desprotegidas, carismáticas, que todos querem amparar, típicas do universo de Ivani Ribeiro. A atuação de Irving São Paulo conquistou a autora, que passaria a tê-lo em todas as suas tramas. Última novela da extraordinária atriz Elza Gomes, considerada a mãe de todas as personagens das novelas das décadas de 1970 e 1980. A atriz viveu uma doce, alegre e trambiqueira velhinha, Dona Sinhá, fornecedora de carne de coelho a um restaurante; mas na verdade, ela criava gatos em casa e os vendia como coelhos. Outro momento histórico foi a campanha antitabagismo da autora, defendida na voz de Lucinha, personagem de Cissa Guimarães; numa época em que as fábricas de cigarro faziam grande <em>merchandising</em> nas telenovelas. “<em>Final Feliz</em>” foi uma novela sem pretensões da autora, que não se arriscou em uma trama densa no horário proposto. Não causou impacto na obra da autora, mas cumpriu a função de entretenimento. No elenco Lílian Lemmertz, Lídia Brondi, Walmor Chagas, Milton Moraes, Mirian Pires, Adriano Reys, Buza Ferraz, Roberto Maya, Priscila Camargo, Célia Biar, Lúcia Alves, Wolf Maya, Cininha de Paula, Aracy Cardoso, Angelina Muniz, Enio Santos, Tetê Pritzl, Ney Santana, Eduardo Lago, Oswaldo Louzada, Francisco Milani, Thais de Campos, Patrícia Bueno, José Augusto Branco, Cláudia Magno, Augusto Olímpio e Reny de Oliveira. Visto através do tempo, percebe-se o tanto que a morte já devastou este elenco, deixando uma saudade perene no público. <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P28tFSY9I/AAAAAAAAG8s/TIRNoYGRA_c/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+Amor+Com+Amor+se+Paga+-+Ary+Fontoura+e+Berta+Loran.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P28tFSY9I/AAAAAAAAG8s/TIRNoYGRA_c/s400/Ivani+Ribeiro+-+Amor+Com+Amor+se+Paga+-+Ary+Fontoura+e+Berta+Loran.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
A partir de 1984, Ivani Ribeiro passou a rever as suas obras, recriando as suas histórias, dando-lhe títulos novos, mudando alguns nomes de personagens e acrescentando outros. Foi o caso de “<em>Amor Com Amor Se Paga</em>”, reedição de “<em>Camomila e Bem-Me-Quer</em>”, sucesso de 1972 da extinta TV Tupi. A novela alcançou um grande sucesso, em parte devido à personagem de Nonô Correia, personagem vivido magistralmente por Ary Fontoura, em um dos momentos mais marcantes da sua carreira. Berta Loran, grande humorista brasileira, fazia uma participação rara em novelas, vivendo Frosina, empregada do avarento Nonô Correia. Os duelos cômicos entre as personagens geraram cenas antológicas. A novela desfilava atores jovens, que pelas mãos de Ivani Ribeiro, firmavam as suas carreiras. Entre as estréias estava a atriz Claudia Ohana, vinda das telas do cinema nacional. Edson Celulari vivia o seu primeiro protagonista. Yoná Magalhães, após cinco anos de ausência, voltava às novelas da TV Globo. Fernando Torres deu o tom exato ao carismático tio Romão. Wanda Stefânia viveu uma sofrida personagem, que se anulou para que o marido formasse, sendo depois desprezada por ele, por não ser uma mulher culta. Flávio Galvão dividiu com a atriz momentos de pura emoção e reflexão da visão feminina de Ivani Ribeiro. O elenco era também composto por Carlos Eduardo Dolabella, Adriano Reys, Caíque Ferreira, Bia Nunes, Oberdan Junior, Milton Moraes, Arlete Salles, Mayara Magri, Matheus Carrieri, Beatriz Lyra, Miguel Falabella, Júlia Lemmertz, Carlos Kroeber, Wanda Cosmo, Paulo César Grande, Chica Xavier, Narjara Turetta, Mário Cardoso, Ana Ariel e Vera Gimenez.<br />
“<em>A Gata Comeu</em>”, em 1985, trazia de volta outro grande sucesso da autora, “<em>A Barba Azul</em>”, feita em 1974. <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P3qX5GjXI/AAAAAAAAG80/13RYoUytL1I/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+A+Gata+Comeu.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P3qX5GjXI/AAAAAAAAG80/13RYoUytL1I/s400/Ivani+Ribeiro+-+A+Gata+Comeu.jpg" border="0" alt="" /></a>Christiane Torloni e Nuno Leal Maia viviam o casal Jô e Fábio, originalmente vividos pela mítica dupla romântica Eva Wilma e Carlos Zara. Revigorada, a história tornou-se um dos maiores sucessos de audiência da década de 1980. O elenco infantil trazia nomes como Danton Mello, Juliana Martins e Oberdan Júnior, que fariam carreiras quando adultos. Ivani Ribeiro conseguia contar, mais uma vez, uma história antiga com a emoção de uma nova. No elenco Bia Seidl, Mauro Mendonça, Cláudio Corrêa e Castro, Eduardo Tornaghi, José Mayer, Deborah Evelyn, Roberto Pirillo, Dirce Migliaccio, Luiz Carlos Arutin, Anilza Leoni, Laerte Morrone, Marilu Bueno, Rogério Fróes, Fátima Freire, Monah Delacy, Aracy Cardoso, Norma Géraldy, Jayme Periard, Mayara Magri, Kleber Macedo, Nina de Pádua, Diana Morell e Germano Filho.<br />
Em 1986 a autora reeditou “<em>Nossa Filha Gabriela</em>”, de 1971, desta vez com o título de “<em>Hipertensão</em>”. Mudou o nome da personagem central, de Gabriela para Carina. Maria Zilda viveu a personagem que outrora fora de Eva Wilma. Cláudio Corrêa e Castro voltou a fazer o mesmo papel que defendera na versão original, o do velho e <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P4g89KH_I/AAAAAAAAG88/2a2XX7okVno/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+Hipertens%C3%A3o.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P4g89KH_I/AAAAAAAAG88/2a2XX7okVno/s400/Ivani+Ribeiro+-+Hipertens%C3%A3o.jpg" border="0" alt="" /></a>autoritário Napoleão. Mais uma vez Ivani Ribeiro revelava uma safra de jovens atores que marcavam estréia na trama, entre eles Cláudia Abreu, Carla Marins, Antonio Calloni e Eri Johnson. Ainda no elenco Cláudio Cavalcanti, Elizabeth Savalla, Paulo Gracindo, Ary Fontoura, José Mayer, Carlos Eduardo Dolabella, Geórgia Gomide, Paulo Betti, Taumaturgo Ferreira, Lúcia Alves, Stênio Garcia, Eloísa Mafalda, Deborah Evelyn, Nelson Xavier, Lília Cabral, Ruy Resende, Oswaldo Louzada, Ida Gomes e Ana Ariel.<br />
Ivani Ribeiro encerrava a década de 1980 com “<em>O Sexo dos Anjos</em>”, em 1989, reedição de “<em>O Terceiro Pecado</em>”, novela da antiga TV Excelsior, feita em 1968. Na primeira versão, a história era ambientada na década de 1920, aqui ela era transportada para o tempo atual. Foi a novela que menos fez sucesso de todas as reedições de Ivani Ribeiro. Em parte por um elenco que não se mostrou apurado com o tema. Bia Seidl esteve sedutora como a Morte, mas longe da criação enraizada de Nathália Timberg. Isabela Garcia viveu com doçura a personagem central, mas sem as nuances da eterna Namoradinha do Brasil, Regina Duarte. Na composição do elenco, Joana Fomm recusou o papel de Vera, sendo substituída por Norma Benguell, fato curioso, pois em 1978 acontecera o contrário, Joana Fomm substituíra Norma Benguell em “<em>Dancin’ Days</em>”, interpretando a vilã Yolanda Pratini. Ainda no elenco <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P5Yx0pyQI/AAAAAAAAG9E/qw7G2PFpzMw/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+Bia+Seidl+em+O+Sexo+dos+Anjos.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P5Yx0pyQI/AAAAAAAAG9E/qw7G2PFpzMw/s400/Ivani+Ribeiro+-+Bia+Seidl+em+O+Sexo+dos+Anjos.jpg" border="0" alt="" /></a>Felipe Camargo, Marcos Frota, Caíque Ferreira, Irving São Paulo, Myrian Pérsia, Silvia Buarque, Carla Marins, Paulo Figueiredo, Otávio Muller, Eloísa Mafalda, Stepan Nercessian, Bianca Byngton, Tonico Pereira, Rodolfo Bottino, Emiliano Queiroz, Inês Galvão, Ilva Niño, Cosme dos Santos, Rosana Garcia, Paula Burlamaqui, Leina Krespi, Carlos Kroeber. Enquanto uns chegavam, como Humberto Martins, que fazia a sua estréia, outros partiam, como Lutero Luiz, que se despedia de cena.<br />
Em 1990 Ivani Ribeiro decidiu reeditar aquela que tinha sido o seu maior sucesso, “<em>Mulheres de Areia</em>”. O projeto só foi aprovado pela TV Globo em 1992. Glória Pires foi escalada para viver as gêmeas Ruth e Raquel, personagens que alavancara a carreira de Eva Wilma. A gravidez da atriz atrasou o projeto, e a segunda versão de “<em>Mulheres de Areia</em>” só foi ao ar em 1993. Nesta versão, a autora incorporava à trama “<em>O Espantalho</em>”, com Raul Cortez a fazer o papel originalmente dado a Jardel Filho. Ivani Ribeiro tinha a difícil tarefa de transformar uma trama originalmente feita para ir ao ar mais tarde, em horário nobre, desta vez com formato de novela das 18h00. As limitações do horário não prejudicaram a reedição da novela, que se tornou, pela segunda vez, um dos maiores sucessos da televisão brasileira, e um dos maiores produtos de exportação para o mundo. Na Rússia a novela atingiu índices históricos de audiência, tanto que o governo exibiu o último capítulo no dia de eleições, evitando que os eleitores viajassem no feriado e aumentasse a ida às urnas. Em Portugal a trama pôs a SIC, emissora que havia sido fundada recentemente, na liderança, derrubando a hegemonia da RTP, que jamais se recuperou. Glória Pires viveu um dos momentos mais elogiados da sua carreira e, mais uma vez, Ivani Ribeiro mostrou que podia se reinventar e, o porque de ser uma das maiores novelistas do país. Além de Glória Pires e Raul Cortez, o elenco trazia Guilherme Fontes, Marcos Frota, Suzana Vieira, Laura Cardoso, Vivianne Pasmanter, Paulo Betti, Sebastião Vasconcelos, Humberto Martins, Nicette Bruno, Adriano Reys, Andréa Beltrão, Jonas Bloch, Thaís de Campos, Daniel Dantas, Isadora Ribeiro, Oscar Magrini, Irving São Paulo, Edwin <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P5zjb2dnI/AAAAAAAAG9M/CHT5v5NvPwY/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+Mulheres+de+Areia+1993.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P5zjb2dnI/AAAAAAAAG9M/CHT5v5NvPwY/s400/Ivani+Ribeiro+-+Mulheres+de+Areia+1993.jpg" border="0" alt="" /></a>Luísi, Paulo Goulart, Ricardo Blat, Henri Pagnocelli, Eduardo Moscovis, Gabriela Alves, Suely Franco, Denise Milfont, Stepan Nercessian, Lu Mendonça, além de Carlos Zara, que participara da versão original.<br />
Com o triunfo de “<em>Mulheres de Areia</em>”, Ivani Ribeiro reeditou outro grande sucesso do antigo horário nobre da TV Tupi, “<em>A Viagem</em>”, desta vez indo ao ar à 19h00. A vida após a morte voltava a ser tema, e o sucesso da novela foi garantido. Christiane Torloni viveu Diná, mais uma vez tomando para si uma personagem que pertencera a Eva Wilma. A maturidade da atriz garantiu-lhe uma interpretação límpida, sincera e expressiva. Antonio Fagundes, que na versão de 1975 recusara o papel de Alexandre, voltava ao universo de Ivani Ribeiro, interpretando César Jordão, aqui com o nome alterado para Otávio Jordão. A inflexibilidade expressiva de Maurício Mattar no papel de Teo não garantiu o carisma alcançado por Tony Ramos na versão anterior. Momento de emoção conseguida pela figura misteriosa do Mascarado, interpretado por Breno Moroni, homem que escondia o rosto deformado atrás de uma máscara de Pierrô, personagem ícone do universo da autora. No elenco Guilherme Fontes, Yara Cortes, Cláudio Cavalcanti, Lucinha Lins, Ary Fontoura, Nair Bello, Laura Cardoso, Thaís de Campos, Lolita Rodrigues, Suzy Rêgo, Miguel Falabella, Jonas Bloch, Andréa Beltrão, John Herbert, Denise Del Vecchio, Felipe Martins, Jayme Periard, Tânia Scher, Eduardo Galvão, Irving São Paulo, Mara Carvalho, Mara Manzan, Fernanda Rodrigues, Ricardo Petráglia, Myrian Pérsia, Cláudio Mamberti, Maria Alves, Solange Couto, Gésio Amadeu, Jorge Pontual, Lafayette Galvão, Mylla Christie, Daniel Ávila, Roberta Índio do Brasil e Danton Mello.<br />
Com “<em>A Viagem</em>”, Ivani Ribeiro despedia-se <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P6wum_-CI/AAAAAAAAG9U/7EX8bD-OxHk/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+A+Viagem.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P6wum_-CI/AAAAAAAAG9U/7EX8bD-OxHk/s400/Ivani+Ribeiro+-+A+Viagem.jpg" border="0" alt="" /></a>do seu público. Em 1995, bastante afetada pela diabetes, que lhe trazia dificuldades em enxergar, foi internada com insuficiência renal provocada pela doença. No período de internação, perdeu o marido, Dárcio Ferreira, companheiro de toda a vida. A autora jamais soube da perda, vinte dias depois da morte do marido, em 17 de julho de 1995, veio a falecer, fazendo a sua própria viagem.<br />
Ivani Ribeiro legou uma das mais extensas obras da teledramaturgia brasileira, repleta êxitos e grandes sucessos. Deixou duas obras inéditas, sendo uma delas o roteiro de “<em>Caminho dos Ventos</em>”, que foi ao ar postumamente, em 1996 com o nome de “<em>Quem É Você?</em>”, escrita inicialmente por sua assistente, Solange Castro Neves, e concluída por Lauro César Muniz. A novela protagonizada por Elizabeth Savalla, Alexandre Borges, Cássia Kiss, Francisco Cuoco e Paulo Gorgulho, foi um fracasso de audiência. Faltou a mão de Ivani Ribeiro. Outra obra inédita, “<em>O Sarau</em>”, minissérie de doze capítulos, inspirada em obras de Machado de Assis, continua arquivada, sem ser produzida.<br />
Em 1998 a TV Bandeirantes levou ao ar a terceira versão de “<em>O Meu Pé de Laranja Lima</em>”, adaptada por Ana Maria Moretzsohn, com Gianfrancesco Guarnieri, Caio Romei, Regiane Alves, Flávia Pucci, Leonardo Medeiros, Lu Grimaldi, Karla Muga e outros no elenco. Em 2006 Thelma Guedes e Duca Rachid adaptaram “<em>O Profeta</em>”. A novela perdeu a essência do universo de Ivani Ribeiro, sem o glamour que teve em 1977, quando foi levada ao ar em horário nobre pela TV Tupi. Ivani Ribeiro, mesmo não tendo sido escalada jamais para escrever uma novela para o horário nobre da TV Globo, garantiu por mais de uma década, grandes sucessos para a emissora. Seu nome está para sempre escrito em letras douradas na história das telenovelas brasileiras.</p>
<p><strong>OBRAS:</strong></p>
<p><em><strong>Telenovelas </strong></em></p>
<p>1954 – A Muralha (TV Record)<br />
1958 – A Muralha (TV Tupi) <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PoL7PYMAI/AAAAAAAAG50/QH6VZnUf9yM/s1600-h/Ivani+Ribeiro+3.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0PoL7PYMAI/AAAAAAAAG50/QH6VZnUf9yM/s400/Ivani+Ribeiro+3.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
1959 – Desce o Pano (TV Record)<br />
1962 – A Muralha (TV Cultura)<br />
1963/1964 – Corações em Conflito (TV Excelsior)<br />
1964 – Alma Cigana (TV Tupi)<br />
1964 – Ambição (TV Excelsior)<br />
1964 – A Gata (TV Tupi)<br />
1964 – A Moça Que Veio de Longe (TV Excelsior)<br />
1964 – Se o Mar Contasse (TV Tupi)<br />
1964 – A Outra Face de Anita (TV Excelsior)<br />
1965 – Onde Nasce a Ilusão (TV Excelsior)<br />
1965 – A Indomável (TV Excelsior)<br />
1965 – Vidas Cruzadas (TV Excelsior)<br />
1965 – A Deusa Vencida (TV Excelsior)<br />
1965 – A Grande Viagem (TV Excelsior)<br />
1966 – Almas de Pedra (TV Excelsior)<br />
1966 – Anjo Marcado (TV Excelsior)<br />
1966/1967 – As Minas de Prata (TV Excelsior)<br />
1967/1968 – Os Fantoches (TV Excelsior)<br />
1968 – O Terceiro Pecado (TV Excelsior)<br />
1968/1969 – A Muralha (TV Excelsior)<br />
1969 – Os Estranhos (TV Excelsior)<br />
1969 – A Menina do Veleiro Azul (TV Excelsior)<br />
1969/1970 – Dez Vidas (TV Excelsior)<br />
1970 – As Bruxas (TV Tupi)<br />
1970/1971 – O Meu Pé de Laranja Lima (TV Tupi)<br />
1971 – A Selvagem (argumento – TV Tupi)<br />
1971/1972 – Nossa Filha Gabriela (TV Tupi)<br />
1972 – O Leopardo (TV Record)<br />
1972/1973 – Camomila e Bem-Me-Quer (TV Tupi)<br />
1973/1974 – Mulheres de Areia (TV Tupi)<br />
1974/1975 – O Machão (argumento – TV Tupi)<br />
1974 – Os Inocentes (TV Tupi)<br />
1974/1975 – A Barba Azul (TV Tupi)<br />
1975/1976 – A Viagem (TV Tupi)<br />
1977 – O Espantalho (TVS – TV Record)<br />
1977/1978 – O Profeta (TV Tupi) <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P-TtIr_NI/AAAAAAAAG90/TEV16co0raM/s1600-h/Ivani+Ribeiro+-+A+Indom%C3%A1vel++2.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/S0P-TtIr_NI/AAAAAAAAG90/TEV16co0raM/s400/Ivani+Ribeiro+-+A+Indom%C3%A1vel++2.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
1978/1979 – Aritana (TV Tupi)<br />
1980 – A Deusa Vencida (2ª versão – TV Bandeirantes)<br />
1980 – Cavalo Amarelo (TV Bandeirantes)<br />
1980/1981 – O Meu Pé de Laranja Lima (2ª Versão &#8211; TV Bandeirantes)<br />
1981/1982 – Os Adolescentes (TV Bandeirantes)<br />
1982/1983 – Final Feliz (TV Globo)<br />
1984 – Amor Com Amor Se Paga (TV Globo)<br />
1985 – A Gata Comeu (TV Globo)<br />
1986/1987 – Hipertensão (TV Globo)<br />
1989/1990 – O Sexo dos Anjos (TV Globo)<br />
1993 – Mulheres de Areia (2 ª Versão &#8211; TV Globo)<br />
1994 – A Viagem (2ª Versão &#8211; TV Globo)<br />
1996 – Quem É Você? (Argumento &#8211; TV Globo)<br />
1998 – O Meu Pé de Laranja Lima (3ª versão – TV Bandeirantes)<br />
2006/2007 – O Profeta (Versão escrita por Duca Rachid e Thelma Guedes – TV Globo)</p>
<p><em><strong>Séries e Teleteatros</strong></em></p>
<p>1952 – Os Eternos Apaixonados (TV Tupi)<br />
1960 – Teleteatro 9</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/703/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/703/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/703/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/703/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/703/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/703/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/703/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/703/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/703/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/703/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/703/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/703/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/703/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/703/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=703&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>O SORRISO DO GATO DE ALICE &#8211; A PERFEIÇÃO VOCAL DE GAL COSTA</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Apr 2010 01:03:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[gal costa]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p> <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0qBIYpSbI/AAAAAAAAG3s/6uIk8kwFBxA/s1600-h/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+-+Capa.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0qBIYpSbI/AAAAAAAAG3s/6uIk8kwFBxA/s400/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+-+Capa.jpg" border="0" alt="" /></a>Um dos mais belos e complexos discos de Gal Costa, “<em>O Sorriso do Gato de Alice</em>” é, assim como “<em>Gal</em>”, o psicodélico, de 1969, um momento isolado na discografia da cantora. Momento absoluto de ruptura entre a pop star e a intérprete em sua mais pura técnica e emotividade musical.<br />
Lançado em 1993, o álbum coincidiu com a morte da mãe da cantora, Mariah Costa Penna. A voz de Gal Costa atinge o ápice da perfeição, da beleza lírica em um canto de sereia solitária, vincado nas entranhas da dor da perda.<br />
Numa primeira leitura, descobrimos um repertório difícil, alegre e denso ao mesmo tempo, com sofisticados arranjos, muitas vezes movidos apenas pela beleza emocionante da voz da cantora e dos violões luxuosos de Paulo Belinati, Djavan, Paulinho da Viola, Marcos Pereira, Artur Maia e Gilberto Gil.<br />
É o álbum de uma grande intérprete e apenas quatro compositores: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Ben Jorge e Djavan, quase um álbum autoral. Arto Lindsay aparece como quinto elemento, dividindo a parceria de duas canções com Caetano Veloso e Djavan, fe<a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0si1NWaCI/AAAAAAAAG4U/srGlYNXoYOI/s1600-h/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+Show+Imperato.jpg"></a>itas em inglês.<br />
O disco rompe com a forma de Gal Costa cantar, encerrando a sua fase cênica e de movimento em shows, que, a partir de 1995, com o “<em>Mina D’Água do Meu Canto</em>”, traria uma cantora centrada no palco, apostando na emoção da voz e no formato erudito dos recitais.<br />
O disco deu origem a um show homônimo, considerado o mais polêmico da carreira da cantora, quando ela ao mostrar os seios no palco, escandalizou um público conservador e uma crítica que se deixou ultrapassar pela nova proposta, acostumados a mesmice da década anterior.<br />
“<em>O Sorriso do Gato de Alice</em>” é daqueles discos que se ouve com a alma, feito para tocar a mais pura das emoções, longe do sucesso fácil ou do amor à primeira audição. Cada faixa é feita para conquistar e apaixonar aos poucos, numa cumplicidade perene entre o ouvinte e uma das maiores vozes do mundo, aqui no auge da beleza do timbre. É um canto solitário, único, feito para atravessar o tempo e garantir a beleza de uma MPB em constante mutação.</p>
<p><strong>O Sorriso do Gato de Alice, o Show<br />
</strong><br />
<a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0sxkStzPI/AAAAAAAAG4c/DZl5WLUu4iY/s1600-h/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+Show+Imperato.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0sxkStzPI/AAAAAAAAG4c/DZl5WLUu4iY/s400/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+Show+Imperato.jpg" border="0" alt="" /></a>Quando gravava o disco, “<em>O Sorriso do Gato de Alice</em>”, Gal Costa foi surpreendida pela morte da mãe, Mariah Costa. Sob o impacto da dor, viu-se obrigada a viajar do Rio de Janeiro a Nova York, para acompanhar a mixagem e produção do disco. A emoção da dor era visível na beleza da voz posta em cada faixa.<br />
O momento de ruptura, pelo qual Gal Costa ansiou quase uma década, finalmente chegara. Era preciso que se reinventasse a cantora, antes que o desgaste da década de oitenta a atingisse de forma indelével, como fizera com grandes intérpretes da música popular brasileira.<br />
Movida pelo desejo de mudar a imagem de estrela da MPB, Gal Costa convidou o diretor de te<a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0qLkGOwoI/AAAAAAAAG30/GqV3XYM8fBI/s1600-h/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+Show+1.JPG"></a>atro Gerald Thomas, para dirigir o seu novo show. O diretor era conhecido pelo minimalismo histriônico das suas personagens, pela irreverência de ter posto a primeira dama do teatro brasileiro, Fernanda Montenegro, a contorcer-se e rolar pelo chão, na peça “<em>The Flash and Crash Days</em>”, em 1991. A obra de Gerald Thomas foi sempre marcada mais pela polêmica com o público do que pela essência da proposta.<br />
Assim, da parceria com Gerald Thomas, nasceu o show “<em>O Sorriso do Gato de Alice</em>”, que teve a sua estréia em 3 de março de 1994, no Teatro Imperator, no Rio de Janeiro. Quem esperava ver Gal Costa com flores no cabelo, em cima de sandálias de salto alto, roupas coloridas e provocantes, a mostrar a exuberância que exibira no carnaval daquele ano, quando ao lado dos Doces Bárbaros, foi homenageada pela escola de samba Mangueira, espantou-se quando ela entrou descalça, vestindo uma roupa de cor opaca, a lembrar um uniforme de operária de fábricas, arrastando-se por um telhado cenográfico, fazendo gestos de uma gata assustada e perdida na escuridão da cidade. A entrada silenciosa e minimalista durou mais de quatro minutos, deixando o público carioca confuso pela demora do c<a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0tAhuWc-I/AAAAAAAAG4k/a8lNS_xeNVI/s1600-h/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+Show+1.JPG"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0tAhuWc-I/AAAAAAAAG4k/a8lNS_xeNVI/s400/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+Show+1.JPG" border="0" alt="" /></a>anto, suscitando algumas vaias.<br />
O espetáculo corria seco, com cores de luzes fortes, a devastar a emoção do canto da sereia solitária, transformada em gata das ruas de uma cidade perdida. Gal Costa era, em palco, a própria essência da gata órfã, sozinha no mundo, amparada apenas pela magnitude da voz e da sua música.<br />
O show atingia o apogeu da polêmica quando ao cantar os versos “Brasil<em>, mostra a tua cara / Quero ver quem paga pra gente ficar assim</em>”, de “<em>Brasil</em>” (Cazuza – Nilo Romero – George Israel), Gal Costa abria a blusa e continuava a performance da música de seios de fora. A ousadia suscitou a rejeição do público carioca, que se tornara conservador, anos luz de distância daqueles cabeludos que lotaram o Teatro Teresa Raquel em 1971, no show “<em>Gal a Todo Vapor – Fa-tal</em>”, elegendo-a a musa da contracultura e do desbunde.<br />
No dia seguinte, os jornais estamparam fotografias da cantora de seios à mostra. A crítica carioca mostrou-se inóspita, dizendo que a concepção de espetáculo de Gerald Thomas oprimira a cantora no palco. Gal Costa declararia em várias entrevistas que não se arrependia da ousadia, que o espetáculo tinha cumprido a proposta ansiada por ela, a da ruptura com o óbvio. Quando estreou em São Paulo, o público paulistano recebeu com maior receptividade aquele que se tornou o espetáculo mais polêmico da carreira da cantora.</p>
<p><strong>Da Bahia à Mangueira</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0rZrpyQZI/AAAAAAAAG38/SikQqqjT-Qg/s1600-h/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+2.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0rZrpyQZI/AAAAAAAAG38/SikQqqjT-Qg/s400/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+2.jpg" border="0" alt="" /></a>“<em>O Sorriso do Gato de Alice</em>”, traz uma das mais belas capas da discografia de Gal Costa. Concebida por Luiz Zerbini e Barrão, tem fotografias de Milton Montenegro. Na capa, a imensa boca vermelha de Gal Costa exibia o seu sorriso mítico, contrastando com o desenho de um gato sem boca, na contracapa, feito por Zerbini. O sorriso é da cantora, que o roubou ao gato. As cores vermelha e azul dão a beleza gráfica ao encarte. As tonalidades lembram as usadas no espetáculo musical “<em>Alice</em>”, de Bob Wilson, com música de Tom Waits e texto de Paul Shmidt, estreado em 1992, no Thalia Theater de Hamburgo. A atmosfera do “<em>Alice</em>” de Bob Wilson e de “O<em> Sorriso do Gato de Alice</em>”, contemporâneos, não deixa de nos levar a uma comparação, como se um tivesse inspirado o outro.<br />
Produzido por Arto Lindsay, é um dos álbuns mais sofisticados e bem-cuidados da cantora, gravado no Rio de Janeiro e em Nova York, dando um ar internacional na sua brasilidade. Conta com a presença de grandes músicos ao violão, entre eles Marcos Pereira, Paulo Belinati, Paulinho da Viola, Djavan e Gilberto Gil.<br />
O álbum traz onze faixas, tendo apenas cinco compositores. Foi o último disco de Gal Costa concebido em forma de vinil, com lado A e lado B, <a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0uE3ENXXI/AAAAAAAAG40/XGeNsHs_qGE/s1600-h/Gal+Costa+-+O+Sorriso+2.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0uE3ENXXI/AAAAAAAAG40/XGeNsHs_qGE/s400/Gal+Costa+-+O+Sorriso+2.jpg" border="0" alt="" /></a>sendo o penúltimo a ser lançado naquele formato.<br />
“<em><strong>Bahia, Minha Preta</strong></em>” (Caetano Veloso) inicia o disco. Momento de inspiração poética de Caetano Veloso, a canção desfila pela Bahia mítica, um encontro de Gal Costa com a sua terra, em um momento de perda. Passa pela canção personalidades da Bahia, descortinando a terra de todos os sons e de negras raízes, pronta para o novo milênio que viria em breve, e para atravessar o mar rumo a todos os cantos do mundo.</p>
<p>“Bahia minha preta<br />
Como será<br />
Se tua seta acerta o caminho e chega lá?<br />
E a curva linha reta<br />
Se ultrapassar esse negro azul que te mura,<br />
O mar, o mar?”</p>
<p>Com “<em><strong>Bumbo da Mangueira</strong></em>” (Jorge Ben Jor), o som do samba desce o morro, em uma homenagem à escola de samba Mangueira, numa combinação sempre feliz, de Gal Costa e Jorge Ben Jor, desde a época da Tropicália. A cantora consegue o gingado certo do som único do compositor de diversos elementos musicais, com raiz de samba rock, sem perder os ecos do samba genuíno.</p>
<p><strong>Errática, a Acertar o Mais Belo Canto</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0rtjfeYBI/AAAAAAAAG4E/C0L0QLplVFM/s1600-h/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+4.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0rtjfeYBI/AAAAAAAAG4E/C0L0QLplVFM/s400/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+4.jpg" border="0" alt="" /></a>“<strong><em>Errática</em></strong>” (Caetano Veloso), talvez seja a mais bela canção feita por Caetano Veloso para Gal Costa na década de 1990. Complexa, melancólica, solitária, feita para o timbre e emoção da cantora que mais compreende o compositor e a sua estética musical. Foi de um verso desta canção que se retirou o título do álbum. Acompanhada pelos violões de Paulinho da Viola e Paulo Belinati, Gal Costa atinge o ápice de uma emoção delineada pela melodia, destilada por uma dor de ruptura e melancolia de uma letra difusa, mas contundente.</p>
<p>“O sorriso do gato de Alice<br />
Se se visse<br />
Não seria menos ou mais intocável<br />
Que o teu<br />
Pausa de fração de semifusa<br />
Pode conter tão grande tristeza”</p>
<p>“<strong><em>Mãe da Manhã</em></strong>” (Gilberto Gil) traz uma temática rara, senão única, na discografia de Gal Costa, uma exaltação a uma santa da igreja católica. Ela já tinha gravado temas do candomblé, como “<em>Oração de Mãe Menininha</em>” (Dorival Caymmi), e cantando em shows “<em>Ave Maria no Morro</em>” (Herivelto Martins). Numa concepção que lembra as milenares procissões católicas, a voz de Gal Costa multiplica-se em várias, sendo acompanhada somente por Paulo Belinati, que se divide entre o violão e a viola caipira, propiciando um momento em que os agudos da cantora transbordam em hino de fé. Gal Costa voltaria ao tema, cantando em seu show “<em>Acústico</em>”, em 1997, “<em>Ave Maria</em>” (Jaime Redondo &#8211; Vicente Paiva).</p>
<p>&#8220;Vós que sois mãe do filho do pai<br />
Do nascer do dia<br />
Abeçoai minha voz meu cantar<br />
Na escuridão dessa nostalgia<br />
Dai-nos a luz do luar&#8221; <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0xhvBxgtI/AAAAAAAAG5U/dxHoydTxUKg/s1600-h/Gal+Costa+-+Com+Chico+Buarque+1993.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0xhvBxgtI/AAAAAAAAG5U/dxHoydTxUKg/s400/Gal+Costa+-+Com+Chico+Buarque+1993.jpg" border="0" alt="" /></a></p>
<p>“<em><strong>Gratidute</strong></em>” (Caetano Veloso – Arto Lindsay) revela o intimismo da cantora, mais uma vez interpretando uma canção em inglês, uma constante em sua obra desde o primeiro disco a solo, em 1969. Letra de sutil melancolia, marcada pelas cordas de aço do violão de Paulo Belinati. Gal Costa traz aqui a voz límpida, lapidada pela técnica e lirismo do timbre.<br />
O lado A do vinil encerrava-se com “<em><strong>Eu Vou Lhe Avisar</strong></em>” (Jorge Ben Jor), canção que quebrava o misticismo ou a melancolia romântica das faixas anteriores. O ritmo de Jorge Ben Jor é frenético, deixando em segundo plano uma certa filosofia capenga em suas letras leves. A suavidade dessa filosofia benjorgiana encontra consistência nos agudos de Gal Costa, transformando sempre a melodia em algo irresistível. Aqui os agudos vão ao alto quando ela pronuncia “trivial”, encerrando a primeira parte de um complexo disco.</p>
<p><strong>A Perfeição da Técnica e Emoção do Canto</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0sORI_UmI/AAAAAAAAG4M/87R4dUdNTIg/s1600-h/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+3.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0sORI_UmI/AAAAAAAAG4M/87R4dUdNTIg/s400/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+3.jpg" border="0" alt="" /></a>“<em><strong>Nuvem Negra</strong></em>” (Djavan), abria o lado B. Foi a canção mais tocada do disco. Mais um grande momento de Gal Costa a interpretar Djavan. Quase uma lamúria diante da dor, da perda, da fase obscura da vida em que todos nós, por um motivo ou outro, de tempos em tempos mergulhamos. A voz de Gal Costa toca na mais profunda solidão da melodia, fazendo dela um canto límpido em uma brisa gelada.</p>
<p>“Passa nuvem negra<br />
Larga o dia<br />
E vê se leva o mal<br />
Que me arrasou<br />
Pra que não faça sofrer<br />
Mais ninguém”</p>
<p>“<em><strong>Lavagem do Bonfim</strong></em>” (Gilberto Gil), música inédita feita para a cantora, remete novamente ao sincretismo baiano, suas crenças e tradições. Se em “<em>Mãe da Manhã</em>” a procissão é de louvor à virgem na mais tradicional liturgia, aqui o louvor vem em ritmo de festa, luz, cores, suor e alegria, na celebração mais mística da Bahia.</p>
<p>“Timbau, pandeiro, som de guitarra<br />
Tanta roupa branca, tanta algazarra<br />
Zona franca de folia, fé e devoção <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0tcoFTwBI/AAAAAAAAG4s/PhyF13QWq2g/s1600-h/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+5.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0tcoFTwBI/AAAAAAAAG4s/PhyF13QWq2g/s400/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+5.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
Foto de lambe-lambe alegria<br />
Vai passar pelo moinho da Bahia<br />
Mais de trinta graus de calor, amor e emoção”</p>
<p>“<em><strong>Serene</strong></em>” (Djavan – Arto Lindsay), é uma das mais belas canções do disco. Djavan e Paulo Belinati acompanham ao violão, a voz de Gal Costa. Percebe-se o aprimoramento da cantora em interpretar uma canção em inglês, deixando menos acentuado o sotaque que muitas vezes interferiu em uma voz pronta para declamar o que há de mais belo na poesia musical em português.<br />
A dualidade da alma, descrita em uma contundente “<em><strong>Você e Você</strong></em>” (Gilberto Gil). Gal Costa agarra a canção de forma visceral, fazendo dela um blues existencialista. A letra é um soco no ar, na violência que nos cerca o eu, que nos divide entre o canto e o espanto, em uma rima exata.</p>
<p>“Você que ataca pra se defender<br />
Que beija a lona pra poder vencer<br />
Você num canto<br />
Apanha tanto<br />
Enquanto o outro você bate demais<br />
Deus do céu quanto sangue pelo chão<br />
Seu irmão pede o seu perdão”</p>
<p>E o existencialismo zen de Ben Jor encerra este disco excepcional, com “<em><strong>Alkahool</strong></em>” (Jorge Ben Jor). Letra gigantesca, que deixaria <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0v2RhCS2I/AAAAAAAAG5M/8yBQzdEe_I8/s1600-h/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+-+Encarte2.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0v2RhCS2I/AAAAAAAAG5M/8yBQzdEe_I8/s400/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+-+Encarte2.jpg" border="0" alt="" /></a>sem fôlego um intérprete menos preparado. Gal Costa caminha segura, em tons que nos faz pensar na multiplicidade da sua capacidade vocal, comparada com as várias fases que atravessou da primeira a última faixa. E o sorriso da voz de Gal Costa fecha o disco, iludindo os sortilégios de Alice, afinal aquela boca vermelha, em tamanho gigante, apenas pedia a quem a ouvia:</p>
<p>“Porque você não me vem me dar um beijo<br />
Um beijo de amor e de desejo<br />
Porque eu gosto tanto de você<br />
Eu gosto tanto de você<br />
Eu gosto tanto de você”</p>
<p>Com “<em>O Sorriso do Gato de Alice</em>”, um novo sorriso abraçaria a carreira de Gal Costa, que passaria a investir mais no canto sem grandes orquestras, sem grandes jogos cênicos, voltada para a emoção perpétua da perfeição da voz.</p>
<p><strong>Ficha Técnica: </strong></p>
<p><strong>O Sorriso do Gato de Alice</strong><br />
<a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0uk-zSBcI/AAAAAAAAG48/eiZFc6qNQMM/s1600-h/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+-+Contracapa.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0uk-zSBcI/AAAAAAAAG48/eiZFc6qNQMM/s400/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+-+Contracapa.jpg" border="0" alt="" /></a>BMG Ariola<br />
1993</p>
<p>Produção: Arto Lindsay<br />
Direção Artística: Migel Plopschi<br />
Arranjos: Paulo Belinati e Artur Maia<br />
Gravação e Mixagem: Eddie Garcia<br />
Produção Executiva: Léa Millon<br />
Estúdio: BMG Ariola, Rio de Janeiro<br />
Estúdio Gravação Adicional e Mixagem: Eletric Lady Studios, Nova York<br />
Assistentes de Gravação Rio de Janeiro: Cláudio e Dalmo<br />
Assistente de Gravação Nova York: Hal Belknap<br />
Masterização: Scott Hull (Masterdisk, Nova York)<br />
Capa: Luiz Zerbini e Barrão<br />
Fotos: Milton Montenegro<br />
Agradecimentos do Produtor: Tia Léa, Eddie Garcia, Jeff Young, Denise Amorim, Monique Gardenberg, Silvia Gardenberg e Duncan Lindsay<br />
Agradecimentos e Dedicatória de Gal Costa: “Agradeço aos meus amigos Caetano Veloso, Djavan, Gilberto Gil, Jorge Ben Jor, Paulinho da Viola, Arto Lindsay, Tia Léa e Guto Burgos pela força e carinho e dedico este disco à minha mãe Mariah Costa Penna.”</p>
<p>Músicos Participantes:</p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0vOJp6KuI/AAAAAAAAG5E/7vPac-wzr_M/s1600-h/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+Show.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz0vOJp6KuI/AAAAAAAAG5E/7vPac-wzr_M/s400/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+Show.jpg" border="0" alt="" /></a>Violão: Paulo Belinati, Paulinho da Viola, Jorge Ben Jor, Gilberto Gil, Djavan, Marcos Pereira, Artur Maia e Oswaldo Lenine<br />
Violão de Aço: Paulo Belinati<br />
Guitarra: Celso Fonseca, Arto Lindsay e Mark Ribot<br />
Teclados: Paulo Calazans<br />
Percussão: Marcos Suzano, Armando Marçal, Paulo Belinati, Artur Maia, Mônica Millet e Marcelo Costa<br />
Baixo: Artur Maia<br />
Baixo de 6 Cordas: Nico Assumpção<br />
Bateria: Jurim Moreira e Carlos Bala<br />
Viola Caipira: Paulo Belinati<br />
Seresta: Paulo Belinati<br />
Flauta: Mauro Senise e Marcelo Martins<br />
Marimba: Jota Moraes<br />
Pandeiro, Surdo e Caixa: Marcos Suzano<br />
Cavaquinho: Paulo Belinati<br />
Conga: Armando Marçal<br />
Piston com Surdina: Frank London<br />
Repenique com Vassourinha: Marcos Suzano<br />
Samples: Mark Anthony Tompson<br />
Backing Vocals: Gal Costa e Artur Maia</p>
<p><strong>Faixas:<br />
</strong><br />
1 Bahia, Minha Preta (Caetano Veloso), 2 Bumbo da Mangueira (Jorge Ben Jor), 3 Errática (Caetano Veloso), 4 Mãe da Manhã (Gilberto Gil), 5 Gratitude (Arto Lindsay – Caetano Veloso), 6 Eu Vou Lhe Avisar (Jorge Ben Jor), 7 Nuvem Negra (Djavan), 8 Lavagem do Bonfim (Gilberto Gil), 9 Serene (Djavan – Arto Lindsay), 10 Você e Você (Gilberto Gil), 11 Alkahool (Jorge Ben Jor)</p>
<p><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sz00CZe5NpI/AAAAAAAAG5c/jzaEpz8B4Ow/s400/Gal+Costa+-+O+Sorriso+do+Gato+de+Alice+-+Encarte.jpg" border="0" alt="" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/701/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/701/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/701/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/701/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/701/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/701/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/701/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/701/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/701/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/701/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/701/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/701/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/701/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/701/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=701&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>DYLAN THOMAS &#8211; O HOMEM COMO METÁFORA</title>
		<link>http://jeocaz.wordpress.com/2010/03/30/dylan-thomas-o-homem-como-metafora/</link>
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		<pubDate>Tue, 30 Mar 2010 21:49:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Considerado um dos maiores poetas do século XX, Dylan Thomas retratou em sua obra a essência humana, a existência em sua mais entranhada manifestação. Poeta de obra isolada, quase solitária no tempo em que foi escrita, com versos que fugiam ao estilo dos seus contemporâneos, sem a preocupação intelectual ou a vertente social, Dylan Thomas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=700&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLSWeCSPuI/AAAAAAAAG08/jTHA-loU1eM/s1600-h/Dylan+Thomas+6.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLSWeCSPuI/AAAAAAAAG08/jTHA-loU1eM/s400/Dylan+Thomas+6.jpg" border="0" alt="" /></a>Considerado um dos maiores poetas do século XX, Dylan Thomas retratou em sua obra a essência humana, a existência em sua mais entranhada manifestação. Poeta de obra isolada, quase solitária no tempo em que foi escrita, com versos que fugiam ao estilo dos seus contemporâneos, sem a preocupação intelectual ou a vertente social, Dylan Thomas não se atrelou aos movimentos literários do século em que viveu.<br />
Como um bardo galês e poeta de sensibilidade extrema, soprou as suas palavras, de intensa sonoridade, através das colinas, das brisas, das árvores, da noite, do âmago do homem, romantizando a própria existência.<br />
Freqüentemente encontramos em sua obra palavras enigmáticas, que nos conduz a um poeta apocalíptico, que mesmo ao esbarrar nas sombras da vida, faz com um profundo lirismo e densa emoção, tornando o homem a sua metáfora, e a existência o princípio e fim da procura de um eu. Assim como o homem, a mensagem é contraditória, mas indelével.<br />
Dylan Thomas escreveu a maior parte da sua obra no auge da juventude. Homem de voz grave, que arrebatava as platéias quando declamava os seus poemas em teatros e auditórios universitários, teve uma existência marcada por amores furtivos e uma única musa, a esposa Caitlin Macnamara, com quem dividiu o caminho até uma morte precoce, aos 39 anos.<br />
Boêmio inveterado, teve a biografia assinalada por suas bebedeiras homéricas. Em vida, alcançou grande popularidade na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, tornando-se um ídolo que transpôs os costumes, influenciando os poetas da <em>beat generation</em>. Cultuado por uma geração em ebulição, teve no cantor e compositor norte-americano Robert Allen Zimmerman, um dos maiores seguidores, que, em sua homenagem, adotou o nome de Bob Dylan.<br />
Romântico, lírico, contraditório, Dylan Thomas deixou um legado poético que traduz a alma humana no seu ato de existir. Ler a sua poesia e descobrir um mundo que emociona e empolga a sensibilidade retraída em todos nós.</p>
<p><strong>Os Primeiros Anos do Poeta</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLSjYgm3GI/AAAAAAAAG1E/V9cP8DXyhkI/s1600-h/Dylan+Thomas+4.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLSjYgm3GI/AAAAAAAAG1E/V9cP8DXyhkI/s400/Dylan+Thomas+4.jpg" border="0" alt="" /></a>Dylan Marlais Thomas nasceu em Swansea, País de Gales, em 9 de novembro de 1914, quando explodia a Primeira Guerra Mundial. Seu pai, David John Thomas, era professor de inglês em Swansea. DJ Thomas costumava recitar William Shakespeare para o pequeno poeta, antes mesmo de ele aprender a ler. Apesar da família falar fluentemente o galês, Dylan e a irmã, Nancy Thomas Marles, jamais aprenderam a língua pátria. A obra do poeta é toda escrita em inglês.<br />
Na escola, o estudante Dylan Thomas destacava-se em literatura e língua inglesa, matérias que abraçava com afinco, enquanto que ignorava as restantes, o que o fazia um péssimo aluno. Foi no tempo que freqüentava a escola em Swansea, aos dezesseis anos, que começou a escrever os seus primeiros poemas, iniciando os “Cadernos” de poesia, onde registraria a sua obra.<br />
Aos dezessete anos, Dylan Thomas deixou a escola, indo trabalhar como repórter no “<em>South Wales Daily Post</em>”. No ano seguinte, juntar-se-ia a irmã Nancy Thomas, então atriz, à companhia de teatro de Swansea. Contando com dezoito anos, ele escreveria na época, a maior parte da sua obra poética.<br />
Em 1933 , seria publicado o primeiro poema do autor fora do País de Gales, “<em>E a Morte Perderá o Seu Domínio</em>”, no “<em>New English Weekly</em>”. A seguir, visitou Londres pela primeira. No ano seguinte, ganharia o prêmio literário “<em>Poet’s Corner</em>”, e publicaria, em dezembro, o seu primeiro livro “<em>18 Poemas</em>”, coleção dos seus “Cadernos” de poesia, escritos quando ainda adolescente.<br />
Aos vinte anos, um grande poeta era revelado para os leitores da Grã-Bretanha. A beleza da sua poesia alcançaria, aos poucos, admiradores assíduos no mundo inteiro.</p>
<p><strong>E a Morte Perderá o Seu Domínio (tradução)</strong></p>
<p>E a morte perderá o seu domínio. <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLUIO148jI/AAAAAAAAG1k/3cKyrxTd2Qo/s1600-h/Ref%C3%BAgio+do+Mundo+-+Nuno+Ramos.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLUIO148jI/AAAAAAAAG1k/3cKyrxTd2Qo/s400/Ref%C3%BAgio+do+Mundo+-+Nuno+Ramos.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
Nus, os homens mortos irão confundir-se<br />
Com o homem no vento e na lua do poente;<br />
Quando, descarnados e limpos, desaparecerem os ossos<br />
Hão de nos seus braços e pés brilhar as estrelas.<br />
Mesmo que se tornem loucos permanecerá o espírito lúcido;<br />
Mesmo que sejam submersos pelo mar, eles hão de ressurgir;<br />
Mesmo que os amantes se percam, continuará o amor;<br />
E a morte perderá o seu domínio.</p>
<p>E a morte perderá o seu domínio.<br />
Aqueles que há muito repousam sobre as ondas do mar<br />
Não morrerão com a chegada do vento;<br />
Ainda que, na roda da tortura, comecem<br />
Os tendões a ceder, jamais se partirão;<br />
Entre as suas mãos será destruída a fé<br />
E, como unicórnios, virá atravessá-los o sofrimento;<br />
Embora sejam divididos eles manterão a sua unidade,<br />
E a morte perderá o seu domínio.</p>
<p>E a morte perderá o seu domínio.<br />
Não hão de gritar mais as gaivotas aos seus ouvidos<br />
Nem as vagas romper tumultuosamente nas praias;<br />
Onde se abriu uma flor não poderá nenhuma flor<br />
Erguer a sua corola em direção à força das chuvas;<br />
Ainda que estejam mortas e loucas, hão de descer<br />
Como pregos as suas cabeças pelas margaridas;<br />
É no sol que irrompem até que o sol se extinga,<br />
E a morte perderá o seu domínio.</p>
<p><em>Tradução: Fernando Guimarães</em></p>
<p><strong>And Death Shall Have No Dominion (original)</strong></p>
<p>And death shall have no dominion. <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLUZKxgOfI/AAAAAAAAG1s/DTN1qKudt8w/s1600-h/Dylan+Thomas+2.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLUZKxgOfI/AAAAAAAAG1s/DTN1qKudt8w/s400/Dylan+Thomas+2.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
Dead mean naked they shall be one<br />
With the man in the wind and the west moon;<br />
When their bones are picked clean and the clean bones gone,<br />
They shall have stars at elbow and foot;<br />
Though they go mad they shall be sane,<br />
Though they sink through the sea they shall rise again;<br />
Though lovers be lost love shall not;<br />
And death shall have no dominion.</p>
<p>And death shall have no dominion.<br />
Under the windings of the sea<br />
They lying long shall not die windily;<br />
Twisting on racks when sinews give way,<br />
Strapped to whell, yet they shall not break;<br />
Faith in their hands shall snap in two,<br />
And the unicorn evils run them through;<br />
Split all ends up they shan’t crack;<br />
And death shall have no dominion.</p>
<p>And death shall have no dominion.<br />
No more may gulls cry at their ears<br />
Or waves break loud on the seashores;<br />
Where blew a flower may a flower no more<br />
Lift is head to the blows of the rain;<br />
Though they be mad and dead as nails,<br />
Heads of the characters hammer through daisies;<br />
Break in the sun till the sun breaks down;<br />
And death shall have no dominion.</p>
<p><strong>Dylan Thomas e Caitlin Macnamara</strong></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLSwY98FFI/AAAAAAAAG1M/gUyIpErdjus/s1600-h/Dylan+e+Caitlin.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLSwY98FFI/AAAAAAAAG1M/gUyIpErdjus/s400/Dylan+e+Caitlin.jpg" border="0" alt="" /></a>Na segunda metade da década de 1930, Dylan Thomas estabelecer-se-ia em Londres, onde conheceria Caitlin Macnamara, com quem iniciaria um tórrido romance. O encontro dos dois aconteceu em 1936, em um pub londrino. Conta-se que tão logo se conheceram, passaram alguns dias juntos no Torre Eiffel Hotel, sendo a conta paga por Augustus John, amante da jovem.<br />
O triângulo estabelecido entre Caitlin, Dylan e John Augustus, resultaria em um embate corporal entre os dois apaixonados, em que o poeta sairia perdedor. Após o episódio da luta, Caitlin decidiu-se por Dylan.<br />
Em 11 de julho de 1937, Dylan Thomas e Caitlin Macnamara casaram-se, contra a vontade dos pais do poeta. O amigo Wyn Henderson emprestou três libras para a licença de casamento, e cedeu a sua casa de hóspedes para o jovem casal.<br />
Apesar das turbulências que sofreu com as aventuras amorosas de Dylan Thomas, Caitlin permaneceu ao lado do marido até a sua morte, dando-lhe os filhos e herdeiros. Crises conjugais constantes levaram à separação do casal, seguida de uma reconciliação. Mesmo volúvel em pequenas paixões, o poeta foi homem de um só casamento, fato inédito à maioria dos seus contemporâneos.</p>
<p><strong>A Mão Ao Assinar Este Papel (tradução)</strong></p>
<p>A mão ao assinar este papel arrasou uma cidade;<br />
<a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLWOkbwYcI/AAAAAAAAG2M/GGMkYxhLkV0/s1600-h/Dylan+Thomas+Pintura+2.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLWOkbwYcI/AAAAAAAAG2M/GGMkYxhLkV0/s400/Dylan+Thomas+Pintura+2.jpg" border="0" alt="" /></a>Cinco dedos soberanos lançaram a sua taxa sobre a respiração;<br />
Duplicaram o globo dos mortos e reduziram a metade um país;<br />
Estes cinco reis levaram a morte a um rei.</p>
<p>A mão soberana chega até um ombro descaído,<br />
E as articulações dos dedos ficaram imobilizadas pelo gesso;<br />
Uma pena de ganso serviu para pôr fim à morte<br />
Que pôs fim às palavras.</p>
<p>A mão ao assinar o tratado fez nascer a febre,<br />
E cresceu a fome, e todas as pragas vieram;<br />
Maior se torna a mão que estende o seu domínio<br />
Sobre o homem por ter escrito um nome.</p>
<p>Os cinco reis contam os mortos mas não acalmam<br />
A ferida que está cicatrizada, nem acariciam a fronte;<br />
Há mãos que governam a piedade como outras o céu;<br />
Mas nenhuma delas tem lágrimas para derramar.</p>
<p><em>Tradução: Fernando Guimarães</em></p>
<p><strong>The Hand That Signed The Paper (original)</strong></p>
<p>The hand that signed paper felled a <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLUnxrtjuI/AAAAAAAAG10/7dTue4oc61U/s1600-h/Um+Mundo+Melhor+-+Rui+j+Santos.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLUnxrtjuI/AAAAAAAAG10/7dTue4oc61U/s400/Um+Mundo+Melhor+-+Rui+j+Santos.jpg" border="0" alt="" /></a>city;<br />
Five sovereign fingers taxed the breath,<br />
Doubled the globe of dead and halved a country;<br />
These five kings did a king to death.</p>
<p>The might hand leads to a sloping shoulder,<br />
The finger joints are cramped with chalk;<br />
A goose’s quill has put an end to murder<br />
That put an end to talk.</p>
<p>The hand that signed the treaty bred a fever,<br />
And famine grew, and locusts came;<br />
Great is the hand that holds dominion over<br />
Man by a scribbled name.</p>
<p>The five kings count the dead but do not soften<br />
The crusted wound nor pat the brow;<br />
A hand rules pity as hand rules heaven;<br />
Hands have no tears to flow.</p>
<p><strong>Cultuado nos Estados Unidos</strong></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLTEosenqI/AAAAAAAAG1U/aTUY3pvMFc8/s1600-h/Dylan+Thomas+8.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLTEosenqI/AAAAAAAAG1U/aTUY3pvMFc8/s400/Dylan+Thomas+8.jpg" border="0" alt="" /></a>Na década de cinqüenta, Thomas Dylan alcançou grande sucesso nos Estados Unidos. Em 20 de fevereiro de 1950, fez a sua primeira viagem àquele país, numa excursão organizada por John Malcolm Kauffmann. Em Nova York, atrairia para si a admiração dos leitores e jovens norte-americanos, que iam ao delírio com as leituras do poeta em seus auditórios.<br />
O sucesso nos Estados Unidos fez com que a obra de Dylan Thomas fosse conhecida no mundo inteiro. Ele passaria a ser uma figura lendária no circulo intelectual estadunidense. Ganharia fama de grande boêmio e de beberrão inveterado. Uma vida mundana passou a caracterizar o universo em que transitava. Seus poemas existencialistas e voltados para o eu humano, de forma revestida de emoção profunda e lirismo latente, inspirou toda uma geração de poetas que ficaram conhecidos como a “<em>Geração Beat</em>”.<br />
Cultuado nos Estados Unidos, Dylan Thomas, em suas perambulações noturnas e de embriaguez física e poética, tomou como amante a norte-americana Pearl Kazin, ocasionando uma crise em seu casamento com Caitlin Macnamara, que levaria o casal a uma breve separação.<br />
No outono de 1951, Dylan Thomas escreveu um dos mais belos de todos os seus poemas, “<em>Do Not Go Gentle Into That Good Night</em>”, feito para o pai, que se encontrava profundamente doente, vindo a falecer em dezembro de 1952.<br />
Em outubro de 1953, Dylan Thomas partiu para Nova York, iniciando aquela que seria a última das suas excursões pelo mundo e pela vida. No dia 29 de outubro, faz a sua última apresentação em público. O alcoolismo tomara conta do seu organismo, levando-o à degradação física. No dia 5 de novembro, segundo alguns biógrafos do poeta, após ingerir dezoito copos de uísque, passaria mal no hotel Chelsea, em Nova York. No dia 9 de novembro de 1953, o poeta sucumbiria ao álcool, vindo a morrer em um hospital, longe da sua terra natal. Seu corpo seria levado pela esposa, Caitlin Macnamara, para Laugharme, onde foi sepultado em 25 de novembro. O bardo galês calava-se em corpo, eternizando-se através das palavras secas da sua obra lírica.</p>
<p><strong>Não Entres Docilmente Nessa Noite Escura (tradução)</strong></p>
<p>Não entreis docilmente nessa noite serena, <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLXMujfPVI/AAAAAAAAG2U/iSHP4k9_XDs/s1600-h/Alone+I+Stand+-+Ricardo+Fernando+Silva.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLXMujfPVI/AAAAAAAAG2U/iSHP4k9_XDs/s400/Alone+I+Stand+-+Ricardo+Fernando+Silva.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
porque a velhice deveria arder e delirar no termo do dia;<br />
odeia, odeia a luz que começa a morrer.</p>
<p>No fim, ainda que os sábios aceitem as trevas,<br />
porque se esgotou o raio nas suas palavras, eles<br />
não entram docilmente nessa noite serena.</p>
<p>Homens bons que clamaram, ao passar a última onda, como podia<br />
o brilho das suas frágeis ações ter dançado na baia verde,<br />
odiai, odiai a luz que começa a morrer.</p>
<p>E os loucos que colheram e cantaram o vôo do sol<br />
e aprenderam, muito tarde, como o feriram no seu caminho,<br />
não entram docilmente nessa noite serena.</p>
<p>Junto da morte, homens graves que vedes com um olhar que cega<br />
quanto os olhos cegos fulgiriam como meteoros e seriam alegres,<br />
odiai, odiai a luz que começa a morrer.</p>
<p>E de longe, meu pai, peço-te que nessa altura sombria<br />
venhas beijar ou amaldiçoar-me com as tuas cruéis lágrimas.<br />
Não entres docilmente nessa noite serena.<br />
Odeia, odeia a luz que começa a morrer.</p>
<p><em>Tradução: Fernando Guimarães</em></p>
<p><strong>Do Not Go Gentle Into That Good Night (original)</strong></p>
<p>Do not go gentle into that good night, <a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLVMlw5nXI/AAAAAAAAG18/qiEolKSyIBI/s1600-h/Dylan+Thomas+5.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLVMlw5nXI/AAAAAAAAG18/qiEolKSyIBI/s400/Dylan+Thomas+5.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
Old age should burn and rave at close of day;<br />
Rage, rage against the dying of the light.</p>
<p>Though wise men at their end know dark is right,<br />
Because their words had forked no lightning they<br />
Do not go gentle into that good night.</p>
<p>Good men, the last wave by, crying how bright<br />
Their frail deeds might have danced in a green bay,<br />
Rage, rage against the dying of the light.</p>
<p>Wild men who caught and sang the sun in flight,<br />
And learn, too late, they grieved it on its way,<br />
Do not go gentle into that good night.</p>
<p>Grave men, near death, who see with blinding sigth<br />
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,<br />
Rage, rage against the dying of the light.</p>
<p>And you, my father, there on the sad height,<br />
Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.<br />
Do not go gentle into that good night.<br />
Rage, rage against the dying of the light.</p>
<p><strong>Cronologia</strong></p>
<p><strong><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLTdr1X6eI/AAAAAAAAG1c/2gs2N1OlPH8/s1600-h/Dylan+Thomas+1.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLTdr1X6eI/AAAAAAAAG1c/2gs2N1OlPH8/s400/Dylan+Thomas+1.jpg" border="0" alt="" /></a>1914 –</strong> Nasce em Swansea, no País de Gales, em 27 de outubro, Dylan Marlais Thomas.<br />
<strong>1925 –</strong> Entra para a Swansea Grammar Scholl.<br />
<strong>1930 –</strong> Inicia, em abril, o primeiro dos “Notebooks”, onde escreveu os seus primeiros poemas.<br />
<strong>1931 –</strong> Dylan Thomas deixa a Swansea Grammar Scholl. Torna-se repórter do “<em>South Wales Daily Post</em>”.<br />
<strong>1932 –</strong> Ao lado da irmã, Nancy Thomas, junta-se a Swansea Little Theatre Company. Escreve, na época, dois terços da sua produção poética.<br />
<strong>1933 –</strong> Publicado, em maio, no “<em>New English Weekly</em>”, o primeiro poema de Dylan fora de Gales. Em agosto, visita Londres.<br />
<strong>1934 –</strong> Segunda visita a Londres. Em abril, ganha o prêmio literário “<em>Poet’s Corner</em>”. Publica, em dezembro, “<em>18 Poems</em>”.<br />
<strong>1936 –</strong> Encontro de Dylan e Caitlin Macnamara, no pub Whetsheaf, em Londres. Publicado, em setembro, “<em>Twenty-Five Poems</em>”.<br />
<strong>1937 –</strong> Casa-se em julho, contra a vontade dos pais, com Caitlin.<br />
<strong>1939 –</strong> Nasce, em janeiro, Llewelyn Edouard Thomas, primeiro filho do poeta. Publicado, em agosto, “<em>The Map of Love</em>”.<br />
<strong>1943 –</strong> Publicado, nos Estados Unidos, “<em>New Poems</em>”. Nasce, em março, Aeronwy Bryn Thomas, em Londres.<br />
<strong>1946 –</strong> Publica “<em>Deaths and Entrances</em>”.<br />
<strong>1949 –</strong> Visita, em março, Praga, como convidado da União dos Escritores da Tchecoslováquia. Nasce, em julho, Colm Garan Thomas Hart.<br />
<strong>1950 –</strong> Parte, em fevereiro, para Nova York, na sua primeira excursão aos Estados Unidos. Retorna à Grã-Bretanha em junho.<br />
<strong>1951 –</strong> Após uma crise conjugal, Dylan e Caitlin reconciliam-se.<br />
<strong>1952 –</strong> Dylan e Caitlin partem, em janeiro, para os Estados Unidos. Publicado “<em>Collected Poems</em>”. Morre, em dezembro, em Laugharme, David John Thomas, pai de Dylan Thomas.<br />
1953 – Em outubro, parte para a sua quarta e última turnê aos Estados Unidos. Faz sua última aparição pública, em 29 de outubro, em Nova York. No dia 5 de novembro, cai no Chelsea Hotel. Em 9 de novembro, morre, em Nova York, Dylan Thomas.</p>
<p><strong>OBRAS:<br />
</strong><br />
<strong><em>Poesia</em> <a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLVsDqDh4I/AAAAAAAAG2E/SnMynC6VyIE/s1600-h/Dylan+Thomas+7.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLVsDqDh4I/AAAAAAAAG2E/SnMynC6VyIE/s400/Dylan+Thomas+7.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
</strong><br />
1934 – Eighteen Poems<br />
1936 – Twenty-Five Poems<br />
1939 – The Map of Love<br />
1943 – New Poems<br />
1946 – Deaths and Entrances<br />
1952 – Collected Poems<br />
1971 – Poems</p>
<p><strong><em>Prosa</em></strong></p>
<p>1934 – Notebooks<br />
1940 – The Portrait of the Artists as a Young Dog<br />
1953 – The Doctor and the Devils<br />
1954 – Under Milkwood<br />
1954 – A Child’s Christmas in Wales<br />
1954 – Quite Early One Morning<br />
1955 – Adventures in the Skin Trade, and Other Stories<br />
1957 – Letters to Vernon Watkins<br />
1964 – The Beach of Falesá<br />
1969 – Collected Prose<br />
1971 – Early Prose Writings</p>
<p><strong><em>Teatro</em></strong></p>
<p>1953 – The Doctor and the Devils and Other Scripts<br />
1954 – Under Milk Wood</p>
<p><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SzLX2W78kbI/AAAAAAAAG2c/Pwp7xP8cf9E/s400/Dylan+Thomas+3.jpg" border="0" alt="" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/700/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/700/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/700/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/700/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/700/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/700/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/700/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/700/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/700/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/700/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/700/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/700/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/700/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/700/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=700&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>QUANTO MAIS QUENTE MELHOR</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Mar 2010 00:10:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>

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		<description><![CDATA[Considerada a melhor comédia do cinema de todos os tempos, “Quanto Mais Quente Melhor” (Some Like It Hot), é daqueles filmes que encanta pela genialidade das situações cômicas, por diálogos ambíguos e imprevisíveis, pela música e pelo carisma dos atores. Visto através do tempo, cinco décadas depois da sua estréia nos cinemas, o filme parece [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=698&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sya9DIyi-gI/AAAAAAAAGzM/kSVWeWClSQ8/s1600-h/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Poster.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sya9DIyi-gI/AAAAAAAAGzM/kSVWeWClSQ8/s400/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Poster.jpg" border="0" alt="" /></a>Considerada a melhor comédia do cinema de todos os tempos, “<em>Quanto Mais Quente Melhor</em>” (<em>Some Like It Hot</em>), é daqueles filmes que encanta pela genialidade das situações cômicas, por diálogos ambíguos e imprevisíveis, pela música e pelo carisma dos atores.<br />
Visto através do tempo, cinco décadas depois da sua estréia nos cinemas, o filme parece ingênuo, em uma primeira leitura, mas no decorrer da agilidade das cenas, revela-se uma surpresa constante, que inspirou muitas outras comédias do cinema mundial. Sua originalidade abalou os costumes da época, fazendo com que entrasse para a categoria das grandes obras cinematográficas.<br />
A ousadia de Billy Wilder transformou Tony Curtis em uma sofisticada mulher e Jack Lemmon em uma atrapalhada e divertida garota. Ambíguo, o filme é uma sátira mordaz aos tempos da Lei Seca, trazendo caixões que transportam bebidas alcoólicas clandestinas, criminosos que se reúnem em velórios e festas de hotéis, advogados corruptos; tudo regido por uma confusão compulsiva, marcada pelas circunstâncias e atos das personagens, fazendo-as envoltas nas teias da mentira, numa inteligente e inesperada trama.<br />
“<em>Quanto Mais Quente Melhor</em>” é considerado a obra-prima de Billy Wilder. Recebeu várias indicações para o Oscar, incluindo a de melhor diretor e ator (Jack Lemmon). Iniciou uma parceria feliz entre o diretor e Jack Lemmon, que por mais de duas décadas, resultaria em bons filmes e excelentes momentos do cinema. Registra momentos antológicos da sétima arte, como Marilyn Monroe cantando doce e sensualmente a canção “<em>I Wanna Be Loved By You</em>”, que se tornou um clássico do mito. Ou a cena final, em que Daphne (Jack Lemmon), revela para seu admirador, Osgood Fielding III (Joe E. Brown), ser um homem, e, para surpresa da platéia, não ver sinal de repúdio no milionário apaixonado.<br />
Nada é o que parece no filme. As mulheres são homens, as de aparência comportadas trazem um vulcão e bebem languidamente em plena hipocrisia da era da Lei Seca. Os hóspedes são mafiosos. Os sentimentos são tecidos pelas mentiras que envolvem a verdadeira identidade das personagens. Situações imprevisíveis são desencadeadas e conduzidas com habilidade, em um roteiro inteligente e bem alinhavado, com cenas de desfechos hilariantes. O filme demarca a linha tenaz da habilidade de Billy Wilder em transitar por uma grande comédia ou um drama excepcional, como o mítico “<em>Crepúsculo dos Deuses</em>” (<em>Sunset Boulevard</em>), fazendo dele um dos mais geniais diretores de todos os tempos, e de “<em>Quanto Mais Quente Melhor</em>”, a maior das comédias.</p>
<p><strong>A Fuga no Trem de Josephine e Daphne</strong></p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sya-Dn2oQAI/AAAAAAAAGzU/u411e5OYcao/s1600-h/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Tony+Curtis+e+Jack+Lemmon.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sya-Dn2oQAI/AAAAAAAAGzU/u411e5OYcao/s400/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Tony+Curtis+e+Jack+Lemmon.jpg" border="0" alt="" /></a>Na efervescente Chicago de 1929, a Lei Seca, que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos, gera a subversão e a formação de grandes gângsteres. É neste cenário que nos é apresentado o saxofonista Joe (Tony Curtis) e o contrabaixo Jerry (Jack Lemmon), músicos e amigos, que passam dificuldades financeiras. Desempregados, eles conseguem um trabalho extra para tocar no baile de uma universidade na noite de São Valentin. Para chegar ao local, os dois conseguem um carro emprestado de um amigo. Na garagem onde está estacionado o automóvel, os dois presenciam um acerto de contas entre gângsteres da Máfia de Chicago.<br />
No local errado, na hora errada, Joe e Jerry testemunham quando Spats Colombo (George Raft), chefe dos criminosos da delegação do sul, conhecido por suas polainas brancas, e os seus homens, executam os criminosos da delegação do norte, chefiados por Toothpick Charlie (George E. Stone). Ao perceber que o seu crime tinha testemunhas, Spats Colombo inicia uma frenética perseguição aos músicos. Está desencadeada a confusão da trama.<br />
Acossados, Joe e Jerry decidem despistar os criminosos de uma maneira original: travestem-se de mulheres. Na fuga, juntam-se às alegres meninas da banda feminina de Sweet Sue (Joan Shawlee), que embarcam em um trem a caminho da Flórida. Na estação ferroviária, combinam os nomes, Joe seria Josephine e Jerry Geraldine.<br />
É numa cena antológica na estação, que Marilyn Monroe é inserida na trama. Como Sugar Kane, ela caminha deslumbrante, femininamente provocante, seguida pelos olhares seduzidos de Jerry e Joe, quando é quase atingida nas ancas pelo vapor do trem. A atriz encontrava-se no auge da sua beleza, no esplendor balzaquiano que duraria mais três anos, até a sua morte trágica. Apesar de já ter feito um filme de sucesso de Billy Wilder, “<em>O Pecado Mora ao Lado</em>” (<em>The Seven Year Itch</em>), em 1955, a atriz não foi a primeira opção do diretor, que pensou em Mitzi Gaynor para o papel.<br />
A confusão começa já na entrada do trem, quando Joe apresenta-se como Josephine, e Jerry, inesperadamente, como Daphne, fugindo ao combinado, que seria Geraldine. Tony Curtis empresta sofisticação e elegância a Josephine, enquanto que Jack Lemmon faz uma desajeitada e alegre Daphne, em uma interpretação divertida e hilária. Jack Lemmon foi daqueles atores que brilhou com desenvoltura tanto pela comédia quanto pelos dramas que interpretou. O papel foi pensado para que Frank Sinatra o inter<a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SybAP5aOT0I/AAAAAAAAGz8/IAW3WEjGZxs/s1600-h/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Tony+Curtis+e+Jack+Lemmon+2.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SybAP5aOT0I/AAAAAAAAGz8/IAW3WEjGZxs/s400/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Tony+Curtis+e+Jack+Lemmon+2.jpg" border="0" alt="" /></a>pretasse, mas caiu, para sorte e alegria das platéias do mundo, como uma luva na mão de um dos mais completos atores do cinema. O à vontade de Jack Lemmon é surpreendente. Valeu-lhe a indicação para o Oscar de melhor ator, além de arrebatar o Globo de Ouro na mesma categoria.<br />
No trem, Josephine e Daphne travam amizades com as meninas da banda. A caminho de Miami, as comportadas meninas, quando todos dormem, tomam bebidas clandestinas, cantam e fazem uma grande festa. Maliciosamente, Daphne/Jerry divide a mesma cama com a sedutora e ingênua Sugar Kane. A bela loira fala da sua pouca sorte com os homens e da vontade de encontrar um milionário na Flórida, e tê-lo como marido. A viagem de trem continua alegre, sendo um dos melhores momentos do filme.</p>
<p><strong>Assédios e Paixões Sutis</strong></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sya-UUPHdPI/AAAAAAAAGzc/betHzOhiFE8/s1600-h/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Jack+Lemmon+e+Joe+E.+Brown.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sya-UUPHdPI/AAAAAAAAGzc/betHzOhiFE8/s400/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Jack+Lemmon+e+Joe+E.+Brown.jpg" border="0" alt="" /></a>A chegada ao hotel, em Miami, parece tranqüila, e a fuga dos músicos bem sucedida. Na entrada, Josephine caminha com elegância, enquanto que Daphne tropeça no salto, sendo amparada pelo veterano Osgood Fielding III, milionário que se sente atraído por ela. Aproveitando-se da condição de mulher, Daphne/Jerry dá a sua mala para o embebido apaixonado carregar. No elevador, ao ouvir uma proposta indiscreta, uma indignada dama dá uma bofetada em Osgood, que se apaixona irremediavelmente por ela.<br />
Como se não bastassem os problemas em se travestir como Josephine, Joe, fascinado pela beleza de Sugar, cria uma nova personagem: a do milionário Junior Shell, herdeiro de empresas petrolíferas. Assim, ele investe na conquista ao coração da ingênua Sugar. Um dos momentos mais deliciosos do filme é quando Sugar canta “<em>I Wanna Be Loved By You</em>”. Naquele momento, Josephine/Joe sente-se irremediavelmente encantado pela doçura sedutora de Sugar. Marilyn Monroe deslumbra a platéia, fazendo suspirar o mais rígido dos espectadores.<br />
O jogo de sedução e de paixões improváveis prossegue.<br />
Em paralelo, Osgood Fielding III assedia com veemência a alegre Daphne. Sugar e Daphne dividem em suas farsas, o título de Cinderelas, a primeira por pensar ter encontrado um jovem, belo e milionário amor; a segunda, por ter atraído um dos homens mais ricos do país. Se Sugar tem o seu amor frustrado pela falsa fortuna de Joe/Junior Shell, Daphne é a própria farsa de uma suposta mulher.<br />
Frases ambíguas, de duplo sentido, permeiam a genialidade dos diálogos. Jerry, ao mesmo tempo em que foge do assédio de Osgood, deixa-se levar <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SybB0oROhxI/AAAAAAAAG0M/3gEv0ikF790/s1600-h/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Curtis+e+Lemmon.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SybB0oROhxI/AAAAAAAAG0M/3gEv0ikF790/s400/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Curtis+e+Lemmon.jpg" border="0" alt="" /></a>pelo fascínio de ser Daphne, e pela fantasia de ter um milionário aos seus pés. Uma das cenas mais hilariantes do filme é o tango que Daphne e Osgood dançam, com uma rosa entre os dentes, que sutilmente troca de bocas. Na parte final do tango, Daphne dobra o corpo de Osgood, tomando, inesperadamente, a posição de homem na dança. Jack Lemmon arranca aplausos naquele momento de puro delírio do riso.<br />
Osgood Fielding III presenteia Daphne com flores e jóias. Joe/Junior Shell rouba os presentes ao amigo e os dá a Sugar. Joe mantém a farsa através do sucesso do assédio que tanto assusta Jerry. Deixando-se levar pela fantasia, Daphne/Jerry apresenta o anel de noivado a um espantado Joe. Com muito humor, realidade e fantasia mesclam-se, fazendo com que as personagens se distanciem cada vez mais do seu eu verdadeiro, abraçando uma vida dentro de outra vida. Todos enganam a todos. Sugar, por ver no amor de Junior Shell os cifrões do sonho da Cinderela; Joe, por se fazer “amiga” e confidente da jovem, ao vestir-se de Josephine, e de milionário apaixonado ao se passar por Junior Shell; Jerry, que apesar de fugir aos assédios de um milionário, deixa-se levar pelo deslumbramento dos presentes e das jóias, que não recusa; Spats Colombo, que ao eliminar rivais, transita como mafioso honrado e cidadão respeitável; e, Osgood Fielding III, que insiste em ver em Daphne a perfeição da mulher fatal, longe da sua real condição de homem.</p>
<p><strong>“Ninguém é Perfeito”</strong></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sya-sGPdc-I/AAAAAAAAGzk/j9Sz4JsnxKI/s1600-h/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Elenco.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sya-sGPdc-I/AAAAAAAAGzk/j9Sz4JsnxKI/s400/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Elenco.jpg" border="0" alt="" /></a>A farsa de enganos caminharia perfeita, não fosse uma fatalidade do destino: no mesmo hotel em que se hospedam os músicos, em Miami, ocorrerá a “<em>10ª Convenção dos Amigos da Ópera Italiana</em>”, na verdade uma reunião de mafiosos, chefiada pelo poderoso chefão Little Bonaparte (Nehemiah Persoff), que vieram para resolver o massacre ocorrido em Chicago. Entre eles está o temido bandido de polainas brancas, Spats Colombo. A trama fica cada vez mais quente.<br />
Não se pode assistir ao filme, sem estar atento à sutileza das suas insinuações; à agudeza do humor mordaz das falas; à ingenuidade aparente e inocência disseminada na malícia de Sugar Kane e Jerry/Daphne. O príncipe é um sapo, a Cinderela tem o pé grande e voz grave. Nada é perfeito, tudo é farsa, deslumbre e fantasia, que se esvai ao som de tiros das armas mortais dos mafiosos.<br />
Numa perseguição frenética, gângsteres e músicos enchem a grande tela. É a luta entre a força bruta e os frágeis, a inteligência e a aspereza criminosa, a astúcia e os gatilhos das armas, a mentira e a sedução, homem másculo e o seu lado feminino, os sonhos e as ambições.<br />
A fuga final das personagens desemboca no iate do milionário Osgood Fielding III. É a hora da verdade. Se Joe não é o milionário Junior Shell, é o músico mentiroso e frágil dos enganos de Sugar, o estereótipo do amor que ela tanto recusa, mas que reflete a verdadeira luz dos seus sentimentos e jeito de amar.<br />
Mas se em Joe e Sugar os opostos se atr<a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SybA_u0d5zI/AAAAAAAAG0E/n1KJoVpAV48/s1600-h/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Tony+Curtis+e+Marilyn+Monroe.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SybA_u0d5zI/AAAAAAAAG0E/n1KJoVpAV48/s400/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Tony+Curtis+e+Marilyn+Monroe.jpg" border="0" alt="" /></a>aem de maneira irreversível, o mesmo não acontece entre Jerry e Osgood. A hora da verdade entre o casal mais divertido da história traz o final mais surpreendente de todos os filmes. No iate, em plena fuga, Osgood insiste na idéia do casamento com Daphne. Acossado, Jerry/Daphne tenta dar várias desculpas em um diálogo hilariante:</p>
<p><em>Osgood –</em> Eu falei com a mamãe. Ela está muito feliz e gostaria que você usasse o seu vestido de noiva.<br />
<em>Daphne –</em> Eu não posso casar com o vestido dela. Nossos corpos são muitos diferentes.<br />
<em>Osgood –</em> Nós podemos mandar adaptá-lo para você.<br />
<em>Daphne –</em> Não, Osgood. Nós não podemos nos casar.<br />
<em>Osgood –</em> Por que não?<br />
<em>Daphne –</em> Em primeiro lugar, porque não sou uma loira natural.<br />
<em>Osgood –</em> Isso não tem importância.<br />
<em>Daphne –</em> Eu fumo muito.<br />
<em>Osgood –</em> Eu não me importo.<br />
<em>Daphne –</em> Eu vivo com um saxofonista <a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SybCjL3f9TI/AAAAAAAAG0c/oyuwfJESrc8/s1600-h/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Joe+E.+Brown+e+Jack+Lemmon.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SybCjL3f9TI/AAAAAAAAG0c/oyuwfJESrc8/s400/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Joe+E.+Brown+e+Jack+Lemmon.jpg" border="0" alt="" /></a>há três anos.<br />
<em>Osgood –</em> Eu lhe perdôo.<br />
<em>Daphne –</em> Eu não posso lhe dar filhos.<br />
<em>Osgood –</em> Nós podemos adotar um.</p>
<p>Sem saída, Daphne resolve revelar o seu segredo. Tira a peruca da cabeça, e com a voz grave revela: “<em>Eu sou homem!</em>”. Para surpresa de todos, Osgood Fielding III mantém-se imperturbável e ainda apaixonado, respondendo prontamente: “<em>Afinal ninguém é perfeito</em>”. De maneira imprevisível, encerrava-se a mais eloqüente e ambígua de todas as comédias. E assim como começou, mostrou que quanto mais quente, melhor a genialidade de um grande diretor e um elenco talentoso, onde a maior farsa é o ridículo moralista, e a maior verdade o riso.</p>
<p><strong>Ficha Técnica:<br />
</strong><br />
<strong>Quanto Mais Quente Melhor</strong> <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sya_sCzxsSI/AAAAAAAAGz0/svk8z3Z3Cbo/s1600-h/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Tony+Curtis,+Marilyn+Monroe+e+Jack+Lemmon+2.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sya_sCzxsSI/AAAAAAAAGz0/svk8z3Z3Cbo/s400/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Tony+Curtis,+Marilyn+Monroe+e+Jack+Lemmon+2.jpg" border="0" alt="" /></a></p>
<p><strong>Direção:</strong> Billy Wilder<br />
<strong>Ano:</strong> 1959<br />
<strong>País:</strong> Estados Unidos<br />
<strong>Gênero:</strong> Comédia/Musical<br />
<strong>Duração:</strong> 122 minutos / preto e branco<br />
<strong>Título Original:</strong> Some Like It Hot<br />
<strong>Roteiro:</strong> I. A. L. Diamond e Billy Wilder, baseado em história de Michael Logan e Robert Thoeren<br />
<strong>Produção:</strong> Billy Wilder, I. A. L. Diamond e Doane Harrison<br />
<strong>Música Original:</strong> Adolph Deutsch, Bert Kalmar, Matty Malneck e Herbert Stothart<br />
<strong>Música Não Original:</strong> A. H. Gibbs<br />
<strong>Direção de Fotografia:</strong> Charles Lang<br />
<strong>Direção de Arte:</strong> Ted Howorth<br />
<strong>Decoração de Set:</strong> Edward G. Boyle<br />
<strong>Figurino:</strong> Bert Henrikson e Orry-Kelly<br />
<strong>Maquiagem:</strong> Agnes Flanagan, Emile LaVigne, Alice Monte e Allan Snyder<br />
<strong>Edição:</strong> Arthur P. Schmidt<br />
<strong>Efeitos Visuais:</strong> Milt Rice e Daniel Hays<br />
<strong>Som:</strong> Fred Lau<br />
<strong>Estúdio:</strong> United Artists / Ashton Productions / Mirisch Company<br />
<strong>Distribuição:</strong> United Artists<br />
<strong>Elenco:</strong> Marilyn Monroe, Tony Curtis, Jack Lemmon, George Raft, Pat O’Brien, Joe E. Brown, Nehemiah Persoff, Joan Shawlee, Billy Gray, George E. Stone, Dave Barry, Mike Mazurki, Harry Wilson, Beverly Wills, Barbara Drew, Edward G. Robinson Jr.<br />
<strong>Sinopse:</strong> Dois músicos desempregados, Joe (Tony Curtis) e Jerry (Jack Lemmon), <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SybD_RvP6SI/AAAAAAAAG0k/jnjeyrSE40g/s1600-h/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Tony+Curtis,+Marilyn+Monroe+e+Jack+Lemmon.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SybD_RvP6SI/AAAAAAAAG0k/jnjeyrSE40g/s400/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Tony+Curtis,+Marilyn+Monroe+e+Jack+Lemmon.jpg" border="0" alt="" /></a>testemunham involuntariamente, na Chicago de 1929, um crime cometido pelo temível Spats Colombo (George Raft). Para fugir da mira do criminoso, os dois vestem-se de mulher, conseguindo trabalho numa banda de mulheres. Joe adota o nome de Josephine, e Jerry torna-se Daphne. Travestidos, juntam-se à banda e seguem em um trem, para Miami. No percurso, deparam-se com a bela vocalista da banda, Sugar Kane (Marilyn Monroe). Em Miami, a confusão é geral quando Joe se faz passar por um milionário para conquistar o amor de Sugar, e um verdadeiro milionário (Joe E. Brown) apaixona-se por Daphne. Não bastasse, uma reunião dos Amigos da Ópera traz a Miami uma convenção de criminosos, entre eles está Spats Colombo e a sua gangue.</p>
<p><strong>Billy Wilder</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sya_IPGzLfI/AAAAAAAAGzs/YAFwE3kZytI/s1600-h/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Billy+Wilder.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sya_IPGzLfI/AAAAAAAAGzs/YAFwE3kZytI/s400/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Billy+Wilder.jpg" border="0" alt="" /></a>Considerado um dos maiores gênios do cinema, Samuel Wilder, conhecido como Billy Wilder, nasceu em Sucha Beskidzka, atual Polônia, em 22 de junho de 1906. Filho de uma família de judeus, Billy Wilder tinha intenções de se tornar um advogado, mas abandonou a carreira quando se mudou para Viena, tornando-se jornalista.<br />
Foi em Berlim, na Alemanha, quando trabalhava para um tablóide, que Billy Wilder iniciou a carreira no cinema, estreando-se como roteirista, em 1929. Com a ascensão do nazismo, em 1933, o jovem roteirista viu-se obrigado a deixar a Alemanha, emigrando para a França, e depois para os Estados Unidos. A barbárie nazista atingiu a sua família, tendo a mãe e os avós mortos em Auschwitz.<br />
Nos Estados Unidos, Billy Wilder teve que aprender o idioma inglês em um curto tempo. No início contou com a ajuda de Peter Lorre para ingressar na seleta indústria de Hollywood. Escreveu roteiros em parceria com Charles Brackett que se tornaram clássicos do cinema americano, como “<em>Ninotchka</em>”, de 1939. A partir de 1942, Brackett começou a produzir filmes dirigidos por Wilder. Da união dos dois, surgiram grandes produções que se tornaram míticas, como “<em>Farrapo Humano</em>”, em 1945, que ganhou o Oscar de melhor filme, melhor direção e melhor roteiro, e “<em>Crepúsculos dos Deuses</em>”, em 1950, que teve várias indicações para o Oscar, ganhando o de melhor roteiro, melhor direção de arte e melhor trilha sonora.<br />
A partir de 1951, Billy Wilder produziu os próprios filmes. Sua filmografia é de uma genialidade impar, transitando entre grandes comédias como “<em>O Pecado Mora ao Lado</em>” (1955) e “<em>Quanto Mais Quente Melhor</em>” (1959), ao filme noir, como o imprescindível “<em>Crepúsculo dos Deuses</em>”. É considerado um dos maiores diretores de todos os tempos, dono de uma obra com pouca oscilação, contundente e surpreendente, marcada pela ousadia de como os temas eram propostos. Impossível apontar um único filme do diretor como sendo a sua obra-prima. Billy Wilder tem várias obras-primas.<br />
Billy Wilder teve uma vida longa, morrendo aos 95 anos, em 27 de março de 2002, em Beverly Hills, Los Angeles, vítima de uma pneumonia, após enfrentar uma batalha contra um câncer. Deixou um legado inconfundível dentro da sétima arte, responsável pela grandiosidade de várias carreiras de ídolos de Hollywood.</p>
<p><strong>Filmografia de Billy Wilder:</strong></p>
<p>1934 – Mauvaise Graine <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SybE1u2c7BI/AAAAAAAAG0s/uv3MmzYH1A4/s1600-h/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Marilyn+Monroe+e+Jack+Lemmon.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SybE1u2c7BI/AAAAAAAAG0s/uv3MmzYH1A4/s400/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Marilyn+Monroe+e+Jack+Lemmon.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
1942 – The Major and the Minor (A Incrível Susana)<br />
1943 – Five Graves to Cairo (Cinco Covas no Egito)<br />
1944 – Double Indemnity (Pacto de Sangue)<br />
1945 – Death Mills<br />
1945 – The Lost Weekend (Farrapo Humano)<br />
1948 – The Emperor Waltz (Valsa do Imperador)<br />
1948 – A Foreign Affair (A Mundana)<br />
1950 – Sunset Boulevard (Crepúsculo dos Deuses)<br />
1951 – Ace in the Hole (A Montanha dos Sete Abutres)<br />
1953 – Stalag 17 (Inferno nº 17)<br />
1954 – Sabrina (Sabrina)<br />
1955 – The Seven Year Itch (O Pecado Mora ao Lado)<br />
1957 – The Spirit of St. Louis (Águia Solitária)<br />
1957 – Love in the Afternoon (Um Amor na Tarde)<br />
1957 – Witness for the Prosecution (Testemunha de Acusação)<br />
1959 – Some Like it Hot (Quanto Mais Quente Melhor)<br />
1960 – The Apartment (Se Meu Apartamento Falasse)<br />
1961 – One, Two, Three (Cupido Não Tem Bandeira)<br />
1963 – Irma la Douce (Irma la Douce)<br />
1964 – Kiss Me, Stupid (Beija-me, Idiota)<br />
1966 – The Fortune Cookie (Uma Loura por Um Milhão)<br />
1970 – The Private Life of Sherlock Holmes (A Vida Íntima de Sherlock Holmes)<br />
1972 – Avanti! (Avanti… Amantes a Italiana)<br />
1974 – The Front Page (A Primeira Página)<br />
1978 – Fedora (As Cinzas de Ângela)<br />
1981 – Buddy Buddy (Amigos, Amigos, Negócios a Parte)</p>
<p><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SybFazwLR2I/AAAAAAAAG00/4Q1motlYKng/s400/Quanto+Mais+Quente+Melhor+-+Joe+E.+Brown+e+Jack+Lemmon+2.jpg" border="0" alt="" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/698/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/698/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/698/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/698/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/698/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/698/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/698/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/698/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/698/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/698/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/698/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/698/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/698/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/698/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=698&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>HINO NACIONAL BRASILEIRO</title>
		<link>http://jeocaz.wordpress.com/2010/03/19/hino-nacional-brasileiro/</link>
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		<pubDate>Fri, 19 Mar 2010 19:26:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[diversos]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>

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		<description><![CDATA[O Hino Nacional Brasileiro é uma das mais belas e complexas composições de um símbolo pátrio do mundo. Originário da velha “Marcha Triunfal”, de Francisco Manuel da Silva, composta em 1922, o hino passou por duas versões na letra, até que encontrou a terceira definitiva, em 1909, com o poema de Joaquim Osório Duque Estrada. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=696&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sx2TW6XMtHI/AAAAAAAAGyU/wumab00_pr0/s1600-h/Hino+Nacional+-+Flores.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sx2TW6XMtHI/AAAAAAAAGyU/wumab00_pr0/s400/Hino+Nacional+-+Flores.jpg" border="0" alt="" /></a>O Hino Nacional Brasileiro é uma das mais belas e complexas composições de um símbolo pátrio do mundo. Originário da velha “<em>Marcha Triunfal</em>”, de Francisco Manuel da Silva, composta em 1922, o hino passou por duas versões na letra, até que encontrou a terceira definitiva, em 1909, com o poema de Joaquim Osório Duque Estrada.<br />
Feito em versos decassílabos, a letra do Hino Nacional Brasileiro suscita polêmicas, tida como demasiadamente difícil e rebuscada para um país com deficiência na alfabetização total da sua população. Durante um século, várias manifestações para a simplificação da letra foram conclamadas, mas nenhuma vingou. O pomposo poema continua intacto, apesar de não percebido o seu significado pela maioria dos brasileiros.<br />
Na época da ditadura militar (1964-1985), o Hino foi decretado como símbolo nacional, sendo obrigatório o seu aprendizado, e proibida a sua execução pública em manifestações que não fossem de comemoração cívica. Com a queda do regime militar, a obrigatoriedade do hino extinguiu-se, provocando o desconhecimento de grande parte da população, que não o consegue cantar na íntegra. Composto por um vocabulário em desuso, a juventude atual não sabe a interpretação de muitas das suas palavras. Para que se não perca a essência da letra, o governo brasileiro voltou, por decreto, a partir de setembro de 2009, a tornar novamente obrigatório cantar o hino, uma vez por semana, em todas as escolas públicas e particulares do país.<br />
Controvérsias à parte, o Hino Nacional Brasileiro é considerado um dos mais carismáticos do mundo. A velha marcha nacionalista de Francisco Manuel da Silva, encontrou a exaltação eloqüente do poema de Joaquim Osório Duque Estrada. Sua perpetuação depende do ensinamento da letra e do entendimento do seu vocabulário diante das novas gerações. Com a evolução da linguagem coloquial do dia a dia, se não for feito um trabalho cívico intenso e educativo, a tendência é de que nas próximas décadas, ninguém saiba mais do que cantarolar alguns dos seus versos.</p>
<p><strong>A Marcha Triunfal</strong></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sx2TyJvFORI/AAAAAAAAGyc/k16t_mjZZ6E/s1600-h/Hino+Nacional+-+Francisco+Manuel+da+Silva.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sx2TyJvFORI/AAAAAAAAGyc/k16t_mjZZ6E/s400/Hino+Nacional+-+Francisco+Manuel+da+Silva.jpg" border="0" alt="" /></a>Em 1822, com a consolidação da independência do Brasil, os símbolos nacionais da nova nação passaram a ser desenhados. Na exaltação às comemorações de um país livre, Francisco Manuel da Silva compôs uma música para banda, que ficou conhecida como “<em>Marcha Triunfal</em>”. O arrojo eloqüente da música fez com que se tornasse popular, passando a ser obrigatória nos eventos públicos do Primeiro Império.<br />
Com o declínio da popularidade de Dom Pedro I, a “<em>Marcha Triunfal</em>” passou a ser usada como protesto contra o seu reinado. Quando o imperador abdicou do reino em favor do seu filho, em 1831, a música de Francisco Manuel da Silva recebeu a sua primeira letra, feita por Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva. Uma manifestação de desacato a Dom Pedro I, quando ele embarcava de volta a Portugal, em 13 de abril de 1831, era marcada pela execução do hino no cais do Largo do Paço, no Rio de Janeiro. Assim, a velha “<em>Marcha Triunfal</em>” passou a ser chamada de “<em>Hino ao 7 de Abril</em>”, uma alusão à data de abdicação de Dom Pedro I.<br />
Com o fim das regências, e a subida de Dom Pedro II ao trono, era necessário que se mudasse a letra que desacatava a memória do pai do novo imperador. A marcha mais popular do Brasil passou a ter uma segunda letra. O seu autor é desconhecido.<br />
No decorrer do Segundo Império, a “<em>Marcha Triunfal</em>” era executada nas solenidades oficiais do imperador. Sua popularidade foi quem a elegeu como hino nacional, sem que se lhe desse uma letra definitiva.</p>
<p><strong>A República e o Hino Nacional</strong></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sx2VmqKgzkI/AAAAAAAAGyk/InfRgKQgTd4/s1600-h/Hino+Nacional+-+Joaquim+Os%C3%B3rio+Duque+Estrada.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sx2VmqKgzkI/AAAAAAAAGyk/InfRgKQgTd4/s400/Hino+Nacional+-+Joaquim+Os%C3%B3rio+Duque+Estrada.jpg" border="0" alt="" /></a>Com o fim do Império, em 1889, a recém nascida República tentou construir uma nova história para o Brasil. Minimizou a importância de Dom Pedro I na independência do país, passou a exaltar novos heróis nacionais, construindo a imagem de um mártir do século XVIII, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.<br />
Também os símbolos nacionais perderam os brasões da família de Bragança, acompanhando a nova estética cívica da República. A velha “<em>Marcha Triunfal</em>” foi abolida dos atos solenes oficiais, e um concurso foi aberto para a escolha de um novo Hino Nacional. O vencedor foi um hino com música de Leopoldo Miguez e letra de Medeiros e Albuquerque. Mas a música foi rejeitada pela população, inclusive pelo próprio primeiro presidente da República, Marechal Deodoro da Fonseca. Assim, em 20 de janeiro de 1980, a música vencedora do concurso foi oficializada como “<em>Hino da Proclamação da República</em>”, e, a “<em>Marcha Triunfal</em>” de Francisco Manuel da Silva, voltou a ser o hino oficial.<br />
Em 1906 foi aberto um novo concurso, desta vez para escolher uma nova letra para a “<em>Marcha Triunfal</em>”. Em 1909, o poema de Joaquim Osório Duque Estrada, foi declarado vencedor. O Hino Nacional Brasileiro adquiria a sua forma final. Só seria oficializado em decreto do presidente Epitácio Pessoa, assinado em 1922, durante as comemorações do centenário da independência do Brasil.<br />
Durante a ditadura militar, foram decretados os símbolos nacionais: o Hino Nacional, a Bandeira Nacional, as Armas Nacionais e o Selo Nacional. A lei 5.700, de 1 de setembro de 1971, estabeleceu regras a ser cumpridas durante a execução do Hino Nacional, em que todos devem de pé e em silêncio, ter atitude de respeito. No período militar, era proibido que um artista cantasse o hino durante um show. A regra foi quebrada na época dos comícios pelas “<em>Diretas Já</em>”, em 1984. Apesar de vigente, já não se obedece a certas restrições à execução do Hino Nacional promulgadas na lei. <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sx2WCqihC2I/AAAAAAAAGys/bH3fIJYnwiE/s1600-h/Hino+Nacional+Mapa.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sx2WCqihC2I/AAAAAAAAGys/bH3fIJYnwiE/s400/Hino+Nacional+Mapa.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
Com o fim do regime militar, o Hino Nacional deixou de ser obrigatório nas escolas públicas, o que levou a uma nova geração a não saber mais cantá-lo. Para que se superasse as dificuldades das pessoas ao cantar um hino de letra difícil e muito longa, o então presidente em exercício, José de Alencar, sancionou, em 22 de setembro de 2009, a lei que tornou obrigatório o ensino do hino, além de ser cantado pelo menos uma vez por semana nas escolas públicas e particulares de todo o Brasil. A medida é para que se evite a extinção de uma letra que se mostra cada dia mais difícil à evolução lingüística adotada pelas novas gerações.<br />
Dificilmente a velha “<em>Marcha Triunfal</em>” de Francisco Manuel da Silva deixará de ser o Hino Nacional Brasileiro. Cem anos após a composição da letra de Joaquim Osório Duque Estrada, a sua perpetuação somente o tempo poderá dizer. Quem sabe, dois séculos depois, quantas letras terá tido a marcha que nasceu com a criação do Estado independente do Brasil.</p>
<p><strong>Letra do Hino Nacional</strong></p>
<p><strong>I</strong><br />
<a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sx2Wc_mw1fI/AAAAAAAAGy0/F2ceAz7tF8g/s1600-h/Hino+Nacional+-+Paisagens.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sx2Wc_mw1fI/AAAAAAAAGy0/F2ceAz7tF8g/s400/Hino+Nacional+-+Paisagens.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas<br />
De um povo heróico o brado retumbante,<br />
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,<br />
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.</p>
<p>Se o penhor dessa igualdade<br />
Conseguimos conquistar com braço forte,<br />
Em teu seio, ó Liberdade,<br />
Desafia o nosso peito a própria morte!</p>
<p>Ó Pátria amada,<br />
Idolatrada,<br />
Salve! Salve!</p>
<p>Brasil, um sonho intenso, um raio vívido,<br />
De amor e de esperança à terra desce,<br />
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,<br />
A imagem do Cruzeiro resplandece.</p>
<p>Gigante pela própria natureza,<br />
És belo, és forte, impávido colosso,<br />
E o teu futuro espelha essa grandeza.</p>
<p>Terra adorada<br />
Entre outras mil<br />
És tu Brasil,<br />
Ó Pátria Amada!</p>
<p>Dos filhos deste solo<br />
És mãe gentil,<br />
Pátria amada,<br />
Brasil!</p>
<p><strong>II</strong><br />
<a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sx2Wx6iixpI/AAAAAAAAGy8/tYQpUJljUIw/s1600-h/Hino+Nacional+-+Coqueiros.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sx2Wx6iixpI/AAAAAAAAGy8/tYQpUJljUIw/s400/Hino+Nacional+-+Coqueiros.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
Deitado eternamente em berço esplêndido,<br />
Ao som do mar e à luz do céu profundo,<br />
Fulguras, ó Brasil, florão da América,<br />
Iluminando o sol do Novo Mundo!</p>
<p>Do que a terra mais garrida<br />
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores,<br />
Nossos bosques têm mais vida,<br />
Nossa vida no teu seio mais amores.</p>
<p>Ò Pátria amada,<br />
Idolatrada,<br />
Salve! Salve!</p>
<p>Brasil, de amor eterno seja símbolo<br />
O lábaro que ostentas estrelado,<br />
E diga o verde-louro dessa flâmula<br />
-Paz no futuro e glória no passado.</p>
<p>Mas se ergues da justiça a clava forte,<br />
Verás que um filho teu não foge à luta,<br />
Nem teme, quem te adora, a própria morte.</p>
<p>Terra adorada<br />
Entre outras mil<br />
És tu, Brasil,<br />
Ó Pátria amada!</p>
<p>Dos filhos deste solo<br />
És mãe gentil,<br />
Pátria amada,<br />
Brasil!</p>
<p><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sx2XLmFfxVI/AAAAAAAAGzE/8QfkGfPMZFI/s400/Hino+Nacional+100+Anos.jpg" border="0" alt="" /></p>
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		<title>LENDAS MEDIEVAIS 2</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 20:16:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[lendas]]></category>

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		<description><![CDATA[A Idade Média é um dos momentos da história do mundo que mais desperta polêmicas, fascínio e interesse no homem contemporâneo. Foi no período medieval que se definiu as fronteiras dos reinos que dariam origem aos Estados Modernos; o limite geográfico entre as principais religiões do mundo, destacando-se as guerras entre cristãos e sarracenos (muçulmanos), [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=694&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SxMxsmpqG4I/AAAAAAAAGxU/Pg8NvgEz3Rc/s1600/Lendas+Medievais+3.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SxMxsmpqG4I/AAAAAAAAGxU/Pg8NvgEz3Rc/s400/Lendas+Medievais+3.jpg" border="0" alt="" /></a>A Idade Média é um dos momentos da história do mundo que mais desperta polêmicas, fascínio e interesse no homem contemporâneo. Foi no período medieval que se definiu as fronteiras dos reinos que dariam origem aos Estados Modernos; o limite geográfico entre as principais religiões do mundo, destacando-se as guerras entre cristãos e sarracenos (muçulmanos), na expansão da fé.<br />
As guerras entre mouros e cristãos geraram heróis lendários, trovas e exaltações de fé, construindo uma literatura épica. Nas lendas medievais não há equilíbrios entre o bem e o mal, seus heróis são íntegros, paladinos da honra e da fé incontestável. O inimigo é o conquistador bárbaro, o “infiel” sarraceno, ou os velhos costumes pagãos.<br />
As velhas lendas célticas conseguem a dilatação da visão da moral da cristandade incipiente. A fé pagã vê nos cristãos recém chegados às ilhas Britânicas, inimigos das tradições e perseguidores dos costumes seculares. Dragões, castelos, cavaleiros, magos, honra, batalhas e mortes, fazem do canto medieval o eco das suas lendas. Neste artigo vamos percorrer o mundo das lendas de heróis, que alguns afirmam, foram personagens históricos reais transformados em mitos. Do universo imaginário da Europa Medieval, vamos percorrer o mundo trágico de “<em>Hildebrando</em>” e “<em>Rolando e a Durindana</em>”, e as magias vindas dos druidas na épica “<em>Caldeirão de Clyddno Eiddyn</em>”.<br />
“<em><strong>Hildebrando</strong></em>”, herói da Idade Média Alemã, aparece em várias obras literárias medievais, sendo considerado o educador do rei Teodorico de Verona, tornando-se seu cavaleiro fiel. Não há documentos que registram a sua existência. Personagens históricos fundem-se na lenda de Hildebrando. Extraída da “<em>Canção de Hildebrando</em>”, a lenda aqui adaptada retrata o momento da volta do herói do seu exílio e do confronto com o próprio filho, em um combate final.<br />
“<em><strong>O Caldeirão de Clyddno Eiddyn</strong></em>” é a lenda que traz um grande herói céltico, o mago Merlin, amigo e tutor do lendário Rei Arthur. É uma visão da conquista da Bretanha, efetuada pelos Saxões e pelos cristãos; da luta dos celtas em preservar os costumes pagãos diante da cristianização das ilhas britânicas.<br />
“<strong><em>Rolando e a Durindana</em></strong>”, foi inspirada na vida de um obscuro conde medieval que teria vivido no século VIII, na época da dinastia carolíngia. Na lenda, Rolando é sobrinho de Carlos Magno, e representa a luta dos cristãos contra a conquista moura na península Ibérica. Bravamente resiste aos ataques dos inimigos, morrendo em defesa da honra e da fé cristã.</p>
<p><strong>Hildebrando</strong></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SxMx_oamOwI/AAAAAAAAGxc/E4avlBMUl9A/s1600/Lendas+-+Hildilbrando.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SxMx_oamOwI/AAAAAAAAGxc/E4avlBMUl9A/s400/Lendas+-+Hildilbrando.jpg" border="0" alt="" /></a>A fama de valente acompanhou toda a vida heróica de Hildebrando. Emocionando por voltar a sua terra, o velho cavaleiro cavalgava solitário. Sentia o vento frio da primavera a bater no seu rosto austero, curtido pelo sol e pelas marcas adquiridas nas batalhas que lhe fizeram a fama. Próximo do seu reino, Hildebrando viu, ao longe, a figura de um jovem guerreiro, com um porte da mais alta estirpe. O jovem preparava a armadura e a lança, pronto para conduzir o seu exército. Diante daquela cena que se armava em campo de batalha, Hildebrando correu a lembrança por todos os momentos da sua vida.<br />
Quando novo, dedicara-se à educação de Teodorico, fazendo dele um dos maiores reis dos ostrogodos. Casara-se com a mulher mais bela do seu povo. Do ventre da amada, nascera um filho. Hildebrando, já cavaleiro de Teodorico, tendo a vida marcada por longas batalhas em favor do seu rei, só queria viver a paz de amar a mulher e contemplar o crescimento do filho. Mas o destino soprou-o na direção contrária à paz. Um dia surgiu o sanguinário Odoacro, que ao pôr fim ao Império Romano do Ocidente, tornara-se o primeiro rei bárbaro em Roma. Para escapar da fúria de Odoacro, Teodorico fugiu, seguido dos seus cavaleiros.<br />
Sempre fiel, Hildebrando acompanhou o seu rei, deixando às costas, a mulher e o filho. Por trinta anos o cavaleiro sofreu com a ausência da família. Seus olhos firmes marejavam ao se lembrar que não acompanhara o crescimento do filho. Sonhava com o dia em que voltaria a abraçá-lo, tê-lo contra o peito, finalmente.<br />
Ao lado de Teodorico, Hildebrando invadiu a península Itálica e, bravamente, derrotaram Odoacro em Verona. O cavaleiro já poderia voltar para a família.<br />
Sob o seu cavalo, Hildebrando viu, tão perto, a sua terra amada. Inesperadamente um exército, comandado por <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SxMzZ2wVLuI/AAAAAAAAGx0/KAn11JwV77Q/s1600/Lendas+Medievais+-+Carpaccio.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SxMzZ2wVLuI/AAAAAAAAGx0/KAn11JwV77Q/s400/Lendas+Medievais+-+Carpaccio.jpg" border="0" alt="" /></a>um jovem intrépido, se lhe pôs no caminho. Seria a última batalha que travaria em vida. Após o seu término, voltaria para os braços da mulher e o amor do filho. Decidira depor a lança e a espada. Na sede de encontrar a paz, Hildebrando lançou-se com fúria contra o jovem que liderava o exército que se lhe obstruía a passagem.<br />
Minutos depois, Hildebrando estava frente a frente com o jovem guerreiro. Estava pronto para desferir a sua lança, quando uma emoção estranha possuiu-lhe o coração. Mansamente aproximou-se do jovem, perguntando-lhe:<br />
-Quem sois vós, bravo e audacioso guerreiro? De que estirpe herdai tão fervorosa coragem, tão garbo semblante?<br />
-Sou Hadubrand, filho de Hildebrando, o mais valente cavaleiro de todos os tempos, fiel servidor do rei Teodorico de Verona. Dele herdei a coragem que me faz defender o meu povo dos bárbaros e forasteiros como vós. Armai a vossa espada e a vossa lança, que em nome do meu saudoso pai, derramarei o vosso sangue de invasor! Pela honra do sangue que se me escorre nas veias, derramarei o vosso sobre a relva espargida pela primavera.<br />
Hildebrando sentiu o coração saltar-lhe, sendo tomado pela mais forte das emoções. Ali, no último campo de batalha que decidira travar na vida, estava o próprio filho, que deixara de ser a sombra da lembrança, adquirindo o corpo do mais valente de todos os jovens guerreiros. Com a voz embargada, Hildebrando conseguiu dizer as palavras que guardara por todos os anos de exílio:<br />
-Não sofras mais pela saudade, Hadubrand, pois sou eu, Hildebrando, o pai ausente, que tanto te fustiga a saudade. Assim como eu, tu és o mais valente dos bravos. Não me ergas a espada e a lança, mas os braços, pois de ti quero um longo e infinito abraço.<br />
Ao ouvir as palavras do forasteiro, Hadubrand sentiu a cólera invadir o seu coração. Leu em cada palavra proferida, uma blasfêmia à memória do pai.<br />
<a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SxM1qUszE5I/AAAAAAAAGyM/afdCvAdYlPc/s1600/Lendas+-+Canto+de+Hildilbrando.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SxM1qUszE5I/AAAAAAAAGyM/afdCvAdYlPc/s400/Lendas+-+Canto+de+Hildilbrando.jpg" border="0" alt="" /></a>-Como ousai a passar pelo mais honrado dos homens? Não vos permitirei que me vença com tão grotesco ardil. Fazei uma última prece, porque a minha lança já está pronta para trespassar o vosso coração enganador!<br />
Furioso e incontrolável, o jovem lançou em disparada rumo a Hildebrando. De lança em punho, verteria o sangue do forasteiro, dedicando a vitória à memória do pai distante. Hildebrando viu a fúria do jovem na sua direção. Palavra alguma demoveria o valente do seu propósito. O que fazer naquele momento, morrer nas mãos do filho? Defender-se diante da sua prole, como quem se defende de um feroz inimigo? Hildebrando sentiu o vento da lança do filho a aproximar-se do seu corpo, em um gesto instintivo, sem que se lhe apercebesse dele, ergueu a sua lança. No ar ecoou um grande grito de dor. Um corpo tombou no chão. O sangue lavou a terra das sementes da primavera. A morte já pairava no horizonte.<br />
O cavaleiro sobrevivente desceu do seu cavalo. Era Hildebrando. Ajoelhou-se diante do corpo do filho, que emitia um último suspiro. Antes que a morte cortasse o cordão da vida, Hadubrand sorriu, reconhecera, no último instante, os olhos lacrimejantes do pai. Hildebrando abraçou-se ao corpo inerte do jovem. Matara tantos inimigos, e, tragicamente, encerrava a sua epopéia a verter o sangue do próprio filho, como se o céu lhe cobrasse todos os seus mortos.</p>
<p><strong>O Caldeirão de Clyddno Eiddyn</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SxMyWhu4lUI/AAAAAAAAGxk/wSP3PvVcf2k/s1600/Lendas+-+Caldeir%C3%A3o+de+Clyddno+Eiddyn.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SxMyWhu4lUI/AAAAAAAAGxk/wSP3PvVcf2k/s400/Lendas+-+Caldeir%C3%A3o+de+Clyddno+Eiddyn.jpg" border="0" alt="" /></a>Merlin, foi o mais poderoso de todos os magos e profetas da Bretanha. Sua beleza seduzira, durante a juventude, às mulheres que se lhe serviram com ardor. Era filho de uma sacerdotisa com um incubo. Do demônio do pai herdara a inteligência, da mãe o belo físico.<br />
Já na velhice, Merlin tornara-se um grão-druída. Vivia em Avalon, cercado por sacerdotes e sacerdotisas. Fora conselheiro do poderoso Rei Arthur. No seu reino construído sobre os mistérios do mundo, assistiu a invasão dos saxões e, a chegada dos cristãos, que aos poucos, dominou toda a fé das ilhas britânicas. Ameaçado pelos princípios e tradições cristãs, o velho mago assistiu à perseguição aos costumes dos druidas, e a extinção da sua fé. Merlin aprendeu a odiar os cristãos.<br />
Ignorando os invasores da Bretanha, Merlin continuou a praticar as mais poderosas magias. Conhecia todos os mistérios do céu e da Terra, dos homens e dos deuses, da vida e da morte. Para combater a ameaça da cristianização do seu povo, Merlin reuniu em Avalon, os maiores cavaleiros dos reinos celtas. Ao lado de tão rudes, valentes e sanguinários homens, partiu em uma busca infindável por todas as terras das ilhas britânicas, numa saga incansável aos Treze Tesouros da Bretanha, dado pelos deuses aos seus antepassados, e que se encontravam dispersos. Ao reunir os treze objetos sagrados, Merlin tornar-se-ia o mais poderoso de todos os magos, invencível, capaz de derrotar todos os <a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SxMz_Eka6UI/AAAAAAAAGx8/dzvvT3OBXog/s1600/Lendas+-+Caldeir%C3%A3o+de+Clyddno+Eiddyn+2.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SxMz_Eka6UI/AAAAAAAAGx8/dzvvT3OBXog/s400/Lendas+-+Caldeir%C3%A3o+de+Clyddno+Eiddyn+2.jpg" border="0" alt="" /></a>invasores. Ao devolver os objetos aos deuses, eles voltariam com vigor às ilhas e ao seu povo.<br />
Doze dos tesouros foram encontrados e reunidos. Faltava o décimo terceiro, o caldeirão de Clyddno Eiddyn. O poderoso caldeirão não poderia ser encontrado por um cavaleiro, e sim por uma virgem. Para cumprir a missão, Merlin lançou mão da mais bela das suas sacerdotisas, Nimue, por quem nutria uma grande paixão.<br />
Diante do caldeirão, Merlin confidenciou à amada, que de dentro dele viria a porção da vida eterna. Fascinada pela promessa, Nimue aprisionou Merlin em um carvalho, roubando-lhe tão precioso objeto. A bela amante do mago desapareceu, levando o caldeirão. Preparou nele todas as porções mágicas que aprendera com o mestre. Na ilusão de que alcançaria a beleza e juventude eterna, atirou-se ao caldeirão, morrendo escaldada.<br />
Ao se libertar da prisão do carvalho, Merlin procurou em vão, pelo caldeirão mágico. Reuniu os mais valentes dos cavaleiros britânicos, mas jamais encontrou tão poderoso talismã. Perdido o caldeirão de Clyddno Eiddyn, as iniciações dos cultos aos deuses pagãos enfraqueceram. Outra fé tomou conta da Bretanha. Merlin viu a suas tradições perdidas, os seus deuses extintos.</p>
<p><strong>Rolando e a Durindana</strong></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SxMy2acG6LI/AAAAAAAAGxs/56YAMk-aEPc/s1600/Lendas+-+Rolando.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SxMy2acG6LI/AAAAAAAAGxs/56YAMk-aEPc/s400/Lendas+-+Rolando.jpg" border="0" alt="" /></a>Rolando, sobrinho preferido do imperador Carlos Magno, era o mais valente de todos os cavaleiros do seu tempo. Sem temer os inimigos, combatia bravamente em nome da fé cristã. Trazia sempre consigo a Durindana, espada inquebrável, originalmente pertencente a Heitor, bravo guerreiro de Tróia, sendo-lhe presenteada por Carlos Magno, quando completara dezessete anos. No punho de ouro da espada, encontrava-se um dente de São Pedro, gotas do sangue de São Basílio, um fio do cabelo de São Denis e um fio do manto da virgem Maria. Sob o fio da lâmina da Durindana, muitos infiéis sarracenos tombaram.<br />
Por sua valentia, Rolando foi designado por Carlos Magno a combater os sarracenos que se instalavam por toda a península Ibérica. Assim, com a Durindana em punho, montado em seu valente e veloz cavalo Vigilante, o jovem vassalo partiu para a Ibéria, em nome da sua fé e do seu imperador. Na empreitada, foi acompanhado pelos também vassalos do rei, Ganelão e Oliveiros. Sob os seu comando estava o mais poderoso dos exércitos, formado pelos paladinos conhecidos como os Doze Pares da França.<br />
De Saragoça a Pamplona, Rolando venceu os invasores sarracenos. Por onde passava, adquiria fama, temor e respeito. Mas quis o destino que o valente vassalo de Carlos Magno fosse traído por Ganelão. O traidor fez um pacto com o rei Marsílio, de Saragoça, para acossar o exército de Rolando e, conseqüentemente, ceifar-lhe a vida.<br />
A grande emboscada aconteceu nos Pirineus, na passagem de Roncesvales. Ali, foram surpreendidos pelos sarracenos. Aos poucos, Rolando viu cair sob a espada inimiga, os seus fiéis soldados. No meio de tão sangrenta batalha, o bom amigo Oliveiros, prometido de Auda, irmã de Rolando, pediu para que ele soasse o olifonte, alertando assim, o exército maior de Carlos Magno, fazendo com que viessem socorrê-los.<br />
Mas as súplicas de Oliveiros foram inúteis, pois Rolando, garboso e destemido cavaleiro, não poderia manchar a sua honra mostrando medo, e recorrendo à ajuda do real do tio. Em reposta, atirou-se ferozmente aos inimigos, matando dezenas deles. Entre os seus mortos estava o filho do rei Marsílio. O próprio monarca teria a mão decepada pela Durindana. Ferido, o rei partiu com parte dos seus soldados. Morreria mais tarde, devido à hemorragia que sofrera. Antes de cerrar os olhos na morte, o rei ordenou que os seus homens vingassem o seu martírio e o do seu filho.<br />
Sob a paisagem dos Pirineus, a batalha entre os sarracenos e o exército de Rolando enchia os campos de sangue. Um a um, Rolando viu tombar os seus valentes soldados. Por fim, assistiu à morte do cavalo Vigilante. Já no final da luta, Rolando decidiu soar o <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SxM1GwowBiI/AAAAAAAAGyE/v4s07Xj4hes/s1600/Lendas+-+Morte+de+Rolando.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/SxM1GwowBiI/AAAAAAAAGyE/v4s07Xj4hes/s400/Lendas+-+Morte+de+Rolando.jpg" border="0" alt="" /></a>olifonte. Vendo que a morte estava próxima, ele ainda tentou quebrar, em vão, a Durindana, para que não caísse nas mãos dos infiéis. Em um último ato, cravou a espada mágica em uma rocha.<br />
Ao ouvir o olifante soar, Carlos Magno saiu em socorro do sobrinho. Chegara tarde demais, Rolando jazia inerte no chão de Roncesvales. O rei ajoelhou-se diante do corpo do cavaleiro, cobrindo o seu rosto com as suas lágrimas. Jurou ao morto que vingaria a sua morte. Assim, Carlos Magno venceu os líderes sarracenos, executou o traidor Ganelão e conquistou Saragoça. Em silêncio absoluto, moveu o corpo de Rolando até Blaye, enterrando o maior dos heróis dos Doze Pares da França. A Durindana ficou cravada, para sempre, numa rocha no meio do nada, à espera de um novo cavaleiro digno de usá-la.</p>
<p>Adaptação Livre de: <em><strong>Jeocaz Lee-Meddi</strong></em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/694/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/694/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/694/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/694/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/694/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/694/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/694/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/694/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/694/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/694/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/694/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/694/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/694/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/694/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=694&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>VIDA &#8211; ÁLBUM EXISTENCIALISTA DE CHICO BUARQUE</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 23:25:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sw37-9OU28I/AAAAAAAAGv8/YIVWjEXmQdQ/s1600/Vida+-+Chico+Buarque+-+Capa.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sw37-9OU28I/AAAAAAAAGv8/YIVWjEXmQdQ/s400/Vida+-+Chico+Buarque+-+Capa.jpg" border="0" alt="" /></a>Com a abertura política do regime militar, deflagrada gradualmente a partir de 1978, Chico Buarque deixou de ser o autor proibido pelo regime, o compositor perseguido e de obra amputada pela censura. A obra discográfica, a teatral e a feita para o cinema, passaram a ter maior liberdade de expressão, deixando as metáforas implícitas, para a poesia da palavra mais visceral.<br />
Após a abertura, “<em>Calabar</em>”, peça proibida na primeira metade da década de 1970, foi liberada e encenada, em 1980. No contexto da amenização da censura, “<em>A Ópera do Malandro</em>” chegou aos palcos e aos discos na íntegra, sem pressões ou cortes. Chico Buarque vivia no fim daquela década, uma fase criativa inspirada por personagens retratadas nos palcos e nas telas de cinema. Criou trilhas sonoras inesquecíveis e definitivas, percorrendo através da poesia e da melodia, o universo feminino, existencialista e sexual, atingido a alma humana como poucos autores de MPB conseguiram.<br />
“<em>Vida</em>”, álbum de 1980, traz as personagens de Chico Buarque direto dos palcos de teatro, das telas de cinema, para o universo da Música Popular Brasileira. A proposta iniciada com o disco “<em>Meus Caros Amigos</em>”, em 1976, adquire maior teor existencialista neste álbum, onde a imagem e a melodia travam uma instigante cumplicidade, revelando a maturidade de um compositor em busca da sua perfeição interior e do perfeccionismo estético. Cada faixa descortina um mundo contemporâneo, em que a tragédia das crônicas jornalísticas e o delírio do amor vivido ao extremo da paixão, caminham paralelamente em “<em>Mar e Lua</em>” e “<em>Eu Te Amo</em>”; a paisagem pitoresca de uma Angola incipiente e de um Brasil desnudado muito além dos centros urbanos, alinhavam uma estética poética humana em “<em>Morena de Angola</em>” e “<em>Bye Bye Brasil</em>”.<br />
Personagens humanas, dramáticas, femininas e masculinas, intimistas e de extremos, são diluídas em melodias perfeitas e canções definitivas, que faz de “<em>Vida</em>” um dos álbuns mais belos e existencialistas de Chico Buarque. Com ele era enterrada para sempre a fase do autor proibido e censurado, agora livre para exalar as emoções poéticas, em uma nova forma de protesto, o do eu e do existir.</p>
<p><strong>Duas Canções Vindas dos Palcos</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sw4FwxBQsLI/AAAAAAAAGw8/PbB-Li7_IBs/s1600/Vida+-+Chico+Buarque+Roberto+Santana.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sw4FwxBQsLI/AAAAAAAAGw8/PbB-Li7_IBs/s400/Vida+-+Chico+Buarque+Roberto+Santana.jpg" border="0" alt="" /></a>Produzido por Sérgio de Carvalho, “<em>Vida</em>” foi lançado no fim de 1980. O disco revela um momento de transição entre a abertura política e o fim gradual da censura política e moral. Como se ainda tateasse nos novos tempos, a mensagem das canções faz a ruptura com as limitações moralistas, passando levemente pelo protesto político, expondo o íntimo dos sentimentos, levados à exaustão das paixões, das incertezas dos atos de amor. A capa branca, trazia no centro o retrato de Chico Buarque, desenhado por Elifas Andreato, dando-lhe um ar penetrante, quase a saltar. Feito nos moldes do vinil, trazia doze faixas distribuídas em dois lados. Trazia arranjos luxuosos de Francis Hime em dez faixas; de Tom Jobim e Roberto Menescal em duas faixas.<br />
“<em><strong>Vida</strong></em>” (Chico Buarque), canção que dava título ao álbum, abria o repertório. A música “<em>Geni e o Zepelim</em>”, tema do travesti Genivaldo, de “<em>A Ópera do Malandro</em>”, inesperadamente tornou-se um grande sucesso nas rádios da época, gerando polêmicas e a certeza de que a censura moralista havia chegado ao fim. A canção acabou por inspirar o espetáculo “<em>Geni</em>”, em 1980, de Marilena Ansaldi e José Possi Neto. “<em>Vida</em>” foi feita para a peça, como se fosse a apoteose final de “<em>Geni e o Zepelim</em>”. É o encontro do homem com o epílogo da sua consciência, uma retrospectiva instigante, profunda, sofrida, ao âmago da existência e das escolhas de uma vida, que, quando parece asfixiar, retorna de forma positiva. O encontro entre o limiar dos palcos da vida e o além das cortinas do desconhecido. O questionamento de todos ante os limites da alma e da sua essência. A canção começa com a voz intimista de Chico Buarque, explodindo em um final veloz, quase que de apoteose. “<em>Vida</em>” foi gravada por diversos intérpretes da MPB, como Simone e Maria Bethânia, mas a interpretação de Chico Buarque continua a ser a mais contundente, verdadeira e definitiva.</p>
<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sw38YNV3JbI/AAAAAAAAGwE/A_qiGNcNdWk/s1600/Vida+-+Chico+Buarque+5.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sw38YNV3JbI/AAAAAAAAGwE/A_qiGNcNdWk/s400/Vida+-+Chico+Buarque+5.jpg" border="0" alt="" /></a>“Vida, minha vida<br />
Olha o que é que eu fiz<br />
Toquei na ferida<br />
Nos nervos, nos fios<br />
Nos olhos dos homens<br />
De olhos sombrios<br />
Mas, vida, ali<br />
Eu sei que fui feliz<br />
Luz, quero luz,<br />
Sei que além das cortinas<br />
São palcos azuis”</p>
<p>A segunda faixa, “<em><strong>Mar e Lua</strong></em>” (Chico Buarque), também veio dos palcos, do espetáculo “<em>Geni</em>”. Inspirada numa crônica de jornal, que contava o suicídio de duas mulheres que se amavam e, discriminadas pela moral do lugar onde viviam, atiraram-se às águas de um rio. De uma forma poética, quase doce, Chico Buarque descreve o momento final desse amor clandestino, amenizando a morte com metáforas. É o amor que dilata a moral, perdendo-se no desespero das barreiras. A sexualidade é acentuada entre desejos impulsionados pela paixão proibida, pela sensação da natureza, sob o deslumbramento da luz da lua e a imensidão do mar dos preconceitos. A canção tornou-se um hino do amor lésbico, sendo gravada por vários intérpretes.</p>
<p>“Amavam o amor proibido<br />
Pois hoje é sabido<br />
Todo mundo conta<br />
Que uma andava tonta<br />
Grávida de lua<br />
E outra andava nua<br />
Ávida de mar”</p>
<p><strong>Canções do Amor Desesperado</strong></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sw38p1LzieI/AAAAAAAAGwM/rt3VSPhxzlo/s1600/Vida+-+Chico+Buarque.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sw38p1LzieI/AAAAAAAAGwM/rt3VSPhxzlo/s400/Vida+-+Chico+Buarque.jpg" border="0" alt="" /></a>O samba modesto de Chico Buarque alegra o disco com a faixa “<em><strong>Deixe a Menina</strong></em>” (Chico Buarque). Os jogos de sedução e ciúme das rodas de samba; a beleza da morena e a ginga do seu samba a ofuscar o ciúme do marido, amuado pelos cantos, enquanto ela deslumbra os sambistas e os seus desejos. Irônico, divertido, o autor lembra que “<em>por trás de um homem triste há sempre uma mulher feliz</em>”, máxima que serve para todos aqueles que arriscam o amor de uma mulher deslumbrante.<br />
E se o amor quando perde o esplendor dói, a sua perda corrói o sorriso, a superação do seu fim é o próprio renascimento dos sentimentos. “<strong><em>Já Passou</em></strong>” (Chico Buarque), descreve esse momento de alívio, em que a dor é substituída por uma alegria com cicatrizes, que nos faz respirar e ter a certeza de que sobrevivemos ao fim de uma paixão. Intimista, mas de palavras fortes, a canção é o universo de Chico Buarque na sua mais pura essência.<br />
“<em><strong>Bastidores</strong></em>” (Chico Buarque), é quase um hino ao desespero diante do amor perdido. A canção foi feita para Cristina Buarque, irmã do autor, sendo também gravada por Cauby Peixoto. Foi na voz de um passional e eloqüente Cauby que a música alcançou a sua verdadeira face, sendo um sucesso que se colou à pele do cantor. A interpretação de Chico Buarque é intimista, mas de um brilho ímpar, que só o seu autor pode dar. É um universo feminino, que se adapta ao universo dos amores conturbados das paixões entre iguais. A estrela, imponente no palco, desejada por todos, não passa de um eco do seu canto nos bastidores, com os sentimentos em carne viva, sofrendo pelo abandono. É no palco que ela dilui a dor da perda, encantando e seduzindo a platé<a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sw4EqgQmbOI/AAAAAAAAGws/6VLqZxG7IEU/s1600/Vida+-+Chico+Buarque+2.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sw4EqgQmbOI/AAAAAAAAGws/6VLqZxG7IEU/s400/Vida+-+Chico+Buarque+2.jpg" border="0" alt="" /></a>ia. É no seu desespero pulsante que a arte encontra a veia do carisma, a luz do canto e do palco.</p>
<p>“Cantei, cantei<br />
Jamais cantei tão lindo assim<br />
E os homens lá pedindo bis<br />
Bêbados e febris<br />
A se rasgar por mim<br />
Chorei, chorei<br />
Até ficar com dó de mim”</p>
<p>“<em><strong>Qualquer Canção de Amor</strong></em>” (Chico Buarque), é uma daquelas canções menores dentro de um disco de grande esplendor. Intimista, é um jogo de versos e palavras que, sutilmente selam o valor da paixão dentro das melodias, os sentimentos cantados, jamais calados, não importando o autor, mas a mensagem.<br />
E para amenizar todas as questões existencialistas levantadas nas faixas anteriores, “<em><strong>Fantasia</strong></em>” (Chico Buarque), chega como um carrossel que nos conduz a cantar pelo céu da poesia do autor. Palavras antes proibidas pela censura, como “gozo” no sentido de orgasmo, já não sofriam represálias. Um convite à distração da dor que nos aflige através do ato de cantar, de ouvir a melodia e percorrer sem medo a fantasia proposta, abraçar sem restrições, um álbum de rara beleza.</p>
<p><strong>As Marcas do Amor na Pele</strong></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sw4DEdvnQvI/AAAAAAAAGwU/Blk57-ocwRo/s1600/Vida+-+Eu+Te+Amo+Cartaz.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sw4DEdvnQvI/AAAAAAAAGwU/Blk57-ocwRo/s400/Vida+-+Eu+Te+Amo+Cartaz.jpg" border="0" alt="" /></a>O lado B do álbum era aberto com “<em><strong>Eu Te Amo</strong></em>” (Chico Buarque – Tom Jobim). Sob a regência e o piano de Tom Jobim, Chico Buarque fazia um dueto com Telma Costa. A canção foi feita para o filme homônimo de Arnaldo Jabor, protagonizado por Sonia Braga. Mais uma vez a paixão é mesclada por uma estética sonora e visual, evidenciada por um erotismo latente em cada verso, cada gesto que se pode visualizar e quase que sentir o odor dos corpos. Dentro de um quarto, os amantes perdem a individualidade, dilacerando os caminhos nos desenhos dos corpos, rompendo as saídas nas malhas da paixão. Se o amor é vivido de forma tensa, o fantasma da perda dispara suas garras diante do medo da separação dos corpos, da vida além do leito. É a paixão sem saída, vivida na plenitude do seu erotismo, no encaixe da sensualidade, na linguagem dos corpos e das metáforas, envoltas pelos objetos; sapatos, vestidos, paletós, revelam a paisagem dos amantes. “<em>Eu Te Amo</em>” é uma das mais belas canções do amor erótico feitas na MPB.</p>
<p>“Se entornaste a nossa sorte pelo chão<br />
Se na bagunça do teu coração<br />
Meu sangue errou de veia e se perdeu (&#8230;)<br />
(&#8230;) Como, se nos amamos feito dois pagãos<br />
Teus seios inda estão nas minhas mãos<br />
Me explica com que cara eu vou sair”</p>
<p>“<em><strong>De Todas as Maneiras</strong></em>” (Chico Buarque) é o retrato cruel do desgaste da paixão, do vazio dos sentimentos, vividos em uma intensidade que gerou a sua ruptura. No avesso dos sentimentos, palavras e agressões servem para o afago do que se rompeu, do momento de paz em que o amor é uma guerra. Gravada por Maria Bethânia, em 1978, no álbum “<em>Álibi</em>”, a canção não encontra a dramaticidade cênica da cantora baiana, mas não perde a intensidade diante do intimismo de Chico Buarque. Consegue um dos melhores momentos do disco, quase que inesperadamente.</p>
<p><strong>Paisagens Humanas de Angola e do Brasil</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sw4DeDfnedI/AAAAAAAAGwc/Doxu-9lN5gM/s1600/Vida+-+Bye+Bye+Brasil.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sw4DeDfnedI/AAAAAAAAGwc/Doxu-9lN5gM/s400/Vida+-+Bye+Bye+Brasil.jpg" border="0" alt="" /></a>“<em><strong>Morena de Angola</strong></em>” (Chico Buarque), gravada quase que em simultâneo com Clara Nunes, alcançou grande sucesso na voz da cantora. Era o primeiro contacto cultural registrado em música entre Brasil e Angola, países de língua portuguesa, colonizados por Portugal. Recém independente, Angola era uma jovem nação que seria devastada pela guerra civil. Com um som a lembrar os ecos africanos, a canção trazia uma alegre paisagem da alma da mulher angolana. A canção foi composta após uma viagem do autor e de vários cantores a Angola, em 1980. O último verso faz uma homenagem ao MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola), considerado subversivo pelo regime militar, por ser de esquerda e apoiado logisticamente por Cuba. Assim como “<em>Tanto Mar</em>”, a canção é uma homenagem às nações irmãs.</p>
<p>“Morena de Angola que leva o chocalho amarrado na<br />
canela<br />
Será que ela mexe o chocalho ou o chocalho é que<br />
mexe com ela<br />
Será que ela tá caprichando no peixe que eu trouxe<br />
de Benguela<br />
Será que tá no remelexo e abandonou meu peixe na<br />
tigela”</p>
<p>“<strong><em>Bye Bye, Brasil</em></strong>” (Chico Buarque – Roberto Menescal), foi feita sob encomenda, para o filme homônimo de Carlos Diegues. Conta-se nos bastidores, que Chico Buarque demorou a pôr letra na canção de Roberto Menescal; só entregando a composição já quando se encontrava em estúdio, pronta para ser gravada. Conta-se ainda, que trazia uma letra enorme, e que Carlos Diegues cortou a metade. “<em>Bye Bye Brasil</em>” mostra uma aquarela realista de um país plural. Através da visão de uma personagem ao telefone, o Brasil i<a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sw4Gtxra2UI/AAAAAAAAGxE/wYRpPYARazg/s1600/Vida+-+Chico+Buarque+6.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sw4Gtxra2UI/AAAAAAAAGxE/wYRpPYARazg/s400/Vida+-+Chico+Buarque+6.jpg" border="0" alt="" /></a>nterior ou litoral, é descrito em suas várias faces. De beleza quase que épica dentro da MPB, traz uma melodia de diferenças sutis, difícil de ser interpretada, pois não tem um final, a letra é um convite à improvisação, quase que a terminar como começou, ou seja, com um belíssimo meio, e um final sem ponto. É o momento em que a ideologia transita no disco, com sutis referências a um Brasil poucas vezes retratado, ou mesmo cantado. “<em>Bye Bye, Brasil</em>”, já refletia como um moinho, os ventos da abertura pela qual passava o país.</p>
<p>“Bye Bye, Brasil<br />
A última ficha caiu<br />
Eu penso em vocês night and day<br />
Explica que tá tudo okay<br />
Eu só ando dentro da lei<br />
Eu quero voltar, podes crer<br />
Eu vi um Brasil na tevê<br />
Peguei uma doença em Belém<br />
Agora já tá tudo bem<br />
Mas a ligação ta no fim<br />
Tem um japonês trás de mim (&#8230;)”</p>
<p>O álbum era encerrado com a visceral &#8220;<em><strong>Não Sonho Mais</strong></em>&#8221; (Chico Buarque). É a terceira música do disco com uma vertente de inspiração homossexual. Feita para o filme “<em>A República dos Assassinos</em>”, em 1979, de Miguel Faria Jr, a canção relata o sonho de um travesti, no cinema vivido pelo ator Anselmo Vasconcelos, com o seu amado, um policial corrupto, pertencente ao esquadrão da morte. Odiado por todos, o amante é perseguido no sonho do amado, num dos mais violentos momentos da canção brasileira. Assim como em “<em>Geni e Zepelim</em>”, o autor utiliza metáforas escatológicas, muito em moda na época. Apesar do ritmo alegre e frenético da canção, a ironia da letra é servida crua, em carne viva, em uma violência <a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sw4HMU6fFKI/AAAAAAAAGxM/cN1aeUMADkk/s1600/Vida+-+Chico+Buarque+7.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sw4HMU6fFKI/AAAAAAAAGxM/cN1aeUMADkk/s400/Vida+-+Chico+Buarque+7.jpg" border="0" alt="" /></a>explícita. No verso “<em>Comemos os ovo</em>”, propositalmente escrito fugindo da combinação do plural, mostra a castração feita sem piedade, sendo os testículos devorados, submetendo o amado a mais perversa das humilhações contra a virilidade. No fim, há o momento de conciliação, em que após um sonho tão cruel e libertador, o travesti volta à submissão do amado, e pede que não o castigue, pois não terá outro sonho tão devastador. “<em>Não Sonho Mais</em>” foi sucesso na voz de Elba Ramalho. Encerra convulsivamente o álbum “<em>Vida</em>”, sendo chancelada pela abertura política, longe da censura de outrora.<br />
“<em>Vida</em>” é o álbum do existencialismo humano, das questões psicológicas que se nos intercalam. Das conseqüências das escolhas, da liberdade da sexualidade de uma geração que estava preste a sair de uma longa ditadura que duraria duas décadas. Era a MPB a ser porta voz daqueles novos tempos, e Chico Buarque o poeta maior do encontro sublime da palavra com a melodia.</p>
<p><strong>Ficha Técnica:</strong></p>
<p><strong>Vida</strong> <a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sw4D5d3KWkI/AAAAAAAAGwk/EbMnW1FUn8Y/s1600/Vida+-+Chico+Buarque+4.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sw4D5d3KWkI/AAAAAAAAGwk/EbMnW1FUn8Y/s400/Vida+-+Chico+Buarque+4.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
Philips<br />
1980</p>
<p>Produção e Direção: Sérgio de Carvalho<br />
Arranjos e Regências: Francis Hime, Tom Jobim e Roberto Menescal<br />
Técnicos de Gravação: Ary Carvalhaes, Paulo Sérgio “Choco”, Jairo Gualberto, Luís Cláudio Coutinho e João Moreira<br />
Auxiliares de Gravação: Julinho, Alberto, Rui Paulo e Charles<br />
Arregimentação e Cópias: Clovis C. Mello<br />
Mixagem: Sérgio de Carvalho e Luigi Hoffer<br />
Montagem: Ricardo Pereira<br />
Estúdio: Polygram, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro<br />
Capa: Elifas Andreato<br />
Arte Final: Alexandre Huzak<br />
Coordenação Gráfica: Al. Do Luís</p>
<p>Músicos Participantes:</p>
<p>Piano: Francis Hime, Tom Jobim e José Roberto Bertrami<br />
Oberheim: José Roberto Bertrami<br />
Violão: Roberto Menescal, Artur Verocai, Octavio Burnier e Chico Buarque<br />
Ovation: Octavio Burnier<br />
Baixo: Luizão, Novelli e Luiz Alves<br />
Bateria: Paulinho Braga e Elber Bedaque<br />
Guitarra: Vitor<br />
Percussão: Chico Batera, Sérgio, Chacal, Novelli, Cidinho, Paulinho Proença, Armando, Geraldo, Canegal e Nei<br />
Trompete: Maurílio, Marcio Montarroyos e Waldir<br />
Trombone: Maciel, Silvio e Manoel<br />
Tuba: Zênio<br />
Flautas: Danilo Caymmi, Paulo Jobim, Paulo Guimarães, Celso e Lenir<br />
Clarinete: Netinho e Botelho<br />
Cavaquinho: Alceu<br />
Violinos: Alzik, Vidal, Vetere Guetta, Faini, José Alves, Lana, Pompeu, Perrota, Arnaud, Arraes, Teodoro, Walter Hack, Carlos Hack, Francisco, Assis e Abreu<br />
<a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sw4FFjnLe7I/AAAAAAAAGw0/l9OQo6_WXRA/s1600/Vida+-+Chico+Buarque+3.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sw4FFjnLe7I/AAAAAAAAGw0/l9OQo6_WXRA/s400/Vida+-+Chico+Buarque+3.jpg" border="0" alt="" /></a>Spalla: Pareschi<br />
Violas: Geraldo Azevedo, Hindenburgo, Macedo, Fideles, Penteado e Stephany<br />
Cellos: Marcio Mallard, Alceu, Jaquinho Morenbaum, Katz, Ranevsky, Andréa, Georgio e Iberê<br />
Ritmo: Nei, Canegal, Trambique, Cuscus, Cláudio e Jorginho<br />
Vocal, Assobios e Palmas: Chico, Sérgio, Novelli, Bardotti, Antonio Pedro, Bebel, Bee, Cacá, Cristina, Danilo, Telma, Miúcha e Marku</p>
<p><strong>Faixas:</strong></p>
<p>1 Vida (Chico Buarque), 2 Mar e Lua (Chico Buarque), 3 Deixe a Menina (Chico Buarque), 4 Já Passou (Chico Buarque), 5 Bastidores (Chico Buarque), 6 Qualquer Canção (Chico Buarque), 7 Fantasia (Chico Buarque), 8 Eu Te Amo (Chico Buarque – Tom Jobim) Participação de Telma Costa, 9 De Todas as Maneiras (Chico Buarque), 10 Morena de Angola (Chico Buarque), 11 Bye, Bye, Brasil (Chico Buarque – Roberto Menescal), 12 Não Sonho Mais (Chico Buarque)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/jeocaz.wordpress.com/692/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/jeocaz.wordpress.com/692/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/jeocaz.wordpress.com/692/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/jeocaz.wordpress.com/692/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/jeocaz.wordpress.com/692/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/jeocaz.wordpress.com/692/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/jeocaz.wordpress.com/692/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/jeocaz.wordpress.com/692/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/jeocaz.wordpress.com/692/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/jeocaz.wordpress.com/692/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/jeocaz.wordpress.com/692/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/jeocaz.wordpress.com/692/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/jeocaz.wordpress.com/692/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/jeocaz.wordpress.com/692/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=692&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O PEQUENO PRÍNCIPE &#8211; ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Feb 2010 19:27:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jeocaz Lee-Meddi</dc:creator>
				<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Vindo de um micro planeta distante, o Pequeno Príncipe conquistou todas as gerações da Terra, desde que foi criado, em 1943. Saído da mente fértil de Antoine de Saint-Exupéry, o livro é o legado do seu autor ao mundo. Ele mesmo desapareceria entre as nuvens, naqueles fatídicos anos da maior guerra contemporânea do planeta. Não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=jeocaz.wordpress.com&amp;blog=3052883&amp;post=689&amp;subd=jeocaz&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4GwmF8byI/AAAAAAAAGso/bgHQ-SVhfhE/s1600-h/Pequeno+Principe+-+Capa.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4GwmF8byI/AAAAAAAAGso/bgHQ-SVhfhE/s400/Pequeno+Principe+-+Capa.jpg" border="0" alt="" /></a>Vindo de um micro planeta distante, o Pequeno Príncipe conquistou todas as gerações da Terra, desde que foi criado, em 1943. Saído da mente fértil de Antoine de Saint-Exupéry, o livro é o legado do seu autor ao mundo. Ele mesmo desapareceria entre as nuvens, naqueles fatídicos anos da maior guerra contemporânea do planeta.<br />
Não se pode classificar o livro de infanto-juvenil, porque ele arrebata todas as idades, toca no coração de todos nós como uma doce intenção de redimirmos nossos conceitos diante dos erros da moral. O romance desenvolve-se a partir do encontro de um aviador com um menino sonhador e de cabelos dourados, vindo de outro planeta. Através de parábolas, a narrativa adquire um teor poético e filosófico, que encanta e nos faz pensar nos pequenos momentos da vida, nos sentimentos de amor e solidariedade que às vezes não percebemos, mas que se encontram em todos os quartos da nossa existência. Faz-nos reconhecer através dos detalhes do cotidiano, aquele algo que definimos como especial, apenas porque assim o fizemos. A parábola do amor à rosa, tão feminina e humana; da conquista do coração selvagem da raposa, tão amiga e símbolo da fraternidade universal, da morte do corpo para o vôo da alma.<br />
“<em>O Pequeno Príncipe</em>”, ou “<em>O Principezinho</em>” (<em>Le Petit Prince</em>), traz ilustrações originais do próprio autor. É o livro francês mais vendido no mundo, tendo sido traduzido em 160 idiomas ou dialetos. É um dos romances mais lido em todo o planeta. Escrito no auge da Segunda Guerra Mundial, quando a Europa, em especial a França, estava mergulhada nas trevas, oprimida pela ambição nazista; revela um canto de esperança, um hino à fraternidade, como se Saint-Exupéry viajasse pelo sonho de voar, tão distante da insensatez bélica, ultrapassando o seu tempo, sem perder de vista a essência da vida. “<em>O Pequeno Príncipe</em>” é um convite à criança sonhadora e etérea que há dentro de cada um de nós, para que emirja sem medo de voar.</p>
<p><strong>A Rosa Mais Perfumada do Mundo</strong></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4HBXEwxCI/AAAAAAAAGsw/0qQv2RD9klg/s1600-h/Pequeno+Principe+-+Desenho+4.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4HBXEwxCI/AAAAAAAAGsw/0qQv2RD9klg/s400/Pequeno+Principe+-+Desenho+4.jpg" border="0" alt="" /></a>Na paisagem árida do deserto do Saara, um aviador é obrigado a aterrissar, devido a uma avaria no motor. Será neste ambiente inóspito que encontrará àquele que lhe modificaria para sempre o modo de pensar, o menino de cabelos dourados, vindo de um planeta distante, em busca dos seus sonhos e conhecimentos do universo em que o cerca.<br />
No meio do nada do deserto, o solitário aviador ouve uma suave voz de criança, que lhe pede para desenhar uma ovelha. Como numa miragem a contrastar com o ambiente selvagem, a figura doce e impetuosa daquele menino surpreende o errante piloto. Não sabendo desenhar ovelhas, o homem desenha uma jibóia que trazia no ventre um elefante. O príncipe protesta, dizendo que não quer aqueles dois animais. Para surpresa do aviador, ele foi o único que decifrara o desenho, que todos insistiam em dizer que era um chapéu. Aquele desenho outrora incompreendido, motivo da frustração do artista que havia dentro do aviador, encontrara finalmente quem lhe percebera a arte. Feliz, desenhou a ovelha que lhe pedira o menino. Inicia-se a amizade entre os dois.<br />
Aos poucos, a criança encantadora, começa a narrar as suas aventuras pelo universo. Viera de um pequeno planeta, o Asteróide B612, tão distante que não se podia ver no horizonte. Tão pequeno, que tinha apenas dois vulcões ativos e um extinto, e uma rosa. De lá o pôr do sol poderia ser visto a qualquer momento.<br />
Dos poucos atrativos do seu planeta, o principezinho tem como principal a rosa, que com amor e carinho, regava e cuidava todos os dias. Queria uma ovelha para que comesse os embondeiros ou baobás, árvores que quando pequenas não passavam de arbustos, mas que depois de grandes tornavam-se gigantescas, tomando todo o pequeno planeta e matando a sua rosa. O aviador revela-lhe que as ovelhas não comiam somente os arbustos, mas também as flores. O pequeno teme pela sorte da sua rosa. <a href="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4KhzZDjYI/AAAAAAAAGto/i9W9BrBo-rU/s1600-h/Pequeno+Principe+-+Desenho+2.jpg"><img src="http://3.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4KhzZDjYI/AAAAAAAAGto/i9W9BrBo-rU/s400/Pequeno+Principe+-+Desenho+2.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
Nos cuidados com a rosa, ela tornou-se exigente, muitas vezes presunçosa e voluntariosa. Sendo única, defendia-se com os seus espinhos, seduzia o pequeno com a sua beleza e a delícia do seu perfume. Na figura da rosa, Saint-Exupéry retrata a sedução das paixões, as exigências do amor e do afeto, que muitas vezes nos parece sem sentido, mas que são essenciais aos sentimentos. Na beleza da rosa, o principezinho encontra os espinhos da sua primeira decepção, ou talvez, incompreensão dos labirintos de quem se ama.<br />
Assim, para fugir dos caprichos da rosa, o pequeno e sonhador, parte do seu planeta, levado por uma revoada de pássaros, perseguindo as aventuras do seu ser, numa ardente vontade de voar pelos mistérios do universo.</p>
<p><strong>Viagem aos Pequenos Planetas</strong></p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4HQyg6Z_I/AAAAAAAAGs4/jLraX63XuQ8/s1600-h/Pequeno+Principe+-+Desenho+3.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4HQyg6Z_I/AAAAAAAAGs4/jLraX63XuQ8/s400/Pequeno+Principe+-+Desenho+3.jpg" border="0" alt="" /></a>Viajando pelo espaço, o principezinho visita seis pequenos planetas. Em cada um deles, descobre diferentes pessoas, vivendo no universo egocêntrico das suas personalidades e limitações.<br />
No primeiro planeta, encontrou um rei sem súditos, que a tudo queria governar, permitir ou mandar. Talvez uma visão rebuscada do totalitarismo nazista que dominava a França ocupada. Sem a preocupação do dogma dialético, o rei é mais trágico e louco do que absolutista. Decepcionado com o universo dos adultos, o príncipe deixou o mundo do rei solitário.<br />
No segundo planeta, encontrou um homem vaidoso e presunçoso, a ansiar pelas palmas dos admiradores que não tinha. Para satisfazer tão incontrolável vaidade, o principezinho bateu palmas, em retribuição, o homem tirava o chapéu. Cansado de alimentar a futilidade das palmas, o pequeno partiu novamente.<br />
No terceiro planeta, deparou-se com um bêbedo, que se embriagava para esquecer a vergonha do ato. Diante de tanta melancolia, a visita do pequeno foi breve, sem maiores lições.<br />
No quarto planeta, conheceu o homem de negócios, que contava as estrelas do céu, julgando-se dono delas. Quanto mais estrelas contava, mais rico se sentia. Apoderara-se das estrelas que jamais tinham sido reivindicadas. Sua fortuna brilhava no céu, impalpável, como a ilusão de todas as riquezas do mundo. Desiludido com a ganância do homem, o principezinho seguiu a sua jornada.<br />
O quinto planeta era o menor de todos eles, com espaço apenas para um acendedor de lampiões. Por causa do seu tamanho, o planeta dava a volta a si mesmo em apenas um minuto, gerando um dia fugaz, o que obrigava o acendedor a ter uma tarefa sem fim, já que tinha que acender o candeeiro à noite e apagá-lo ao amanhecer, tudo em segundos. Mesmo sabendo da inutilidade do seu trabalho, o homem não deixava de executá-lo, pois assim estava estabelecido, cumpria cabalmente as funções designadas. Foi o único que o principezinho não considerou ridículo, pois acreditava que as obrigações eram maiores do que <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4JhEEl8kI/AAAAAAAAGtg/UyL4CeB32v4/s1600-h/Pequeno+Principe+-+Rosa.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4JhEEl8kI/AAAAAAAAGtg/UyL4CeB32v4/s400/Pequeno+Principe+-+Rosa.jpg" border="0" alt="" /></a>os prazeres, como um determinante senhor da deontologia.<br />
No sexto planeta, o maior de todos eles, o principezinho encontrou um homem idoso, que sabiamente escrevia livros enormes. Era um geógrafo que desenhava todos os lugares do mundo. Lugares que nunca visitara, pois baseava os conhecimentos através dos relatos dos exploradores. Como não tinha exploradores, desconhecia por completo o aspecto físico do seu planeta. Entusiasmado com a visita, o geógrafo confunde o pequeno com um explorador. Pede a ele que descreva o planeta de onde veio. O principezinho o faz com modéstia, quando descreve a sua rosa, é interrompido pelo geógrafo, que lhe diz somente os mares e as montanhas, por sua eternidade, eram postos nas cartas geográficas, e que a rosa, por sua existência efêmera, não poderia constar na sua lista. Com tristeza, o principezinho descobre que a sua rosa tão querida, um dia iria morrer. Desolado, decide deixar aquele planeta. Antes de ir, o geógrafo aconselhou-a a visitar a Terra, por considerá-la um planeta de boa reputação.<br />
O principezinho partiu em direção a Terra. Viajou melancólico e triste, por descobrir que a sua rosa era efêmera, e que a tinha deixado sozinha, com apenas quatro espinhos para se defender dos perigos do mundo.</p>
<p><strong>O Principezinho e a Raposa</strong></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4HjJRgWfI/AAAAAAAAGtA/baDUyu4BEMY/s1600-h/Pequeno+Principe+-+Desenho+1.JPG"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4HjJRgWfI/AAAAAAAAGtA/baDUyu4BEMY/s400/Pequeno+Principe+-+Desenho+1.JPG" border="0" alt="" /></a>O sétimo planeta visitado pelo principezinho foi a Terra. Percebeu que era um lugar gigantesco, com uma paisagem que se perdia no horizonte. Sem saber que estava em pleno deserto do Saara, no norte da África, o pequeno pensou que chegara em um planeta desabitado.<br />
Como numa alusão ao Gênesis, a primeira criatura viva que encontrou na Terra foi uma astuciosa serpente, que, através dos seus enigmas, descreveu-se mais poderosa do que o próprio homem:</p>
<p><em>“Quando toco em alguém, devolvo-o imediatamente à terra de onde veio. Mas tu és puro e vieste de uma estrela&#8230;”</em></p>
<p>Embora o diálogo com a serpente passe despercebido diante de outras parábolas do livro, esta frase é a codificação para que se perceba o desfecho final da aventura do principezinho na Terra.<br />
Desvencilhando-se dos sortilégios da serpente, o pequeno príncipe prosseguiu a sua jornada pelo deserto da Terra. Passou por uma flor de três pétalas, simples e sem a beleza da sua rosa&#8230; Subiu montanhas, atravessou rochas e vales, até que se deparou com um jardim coberto por cinco mil rosas iguais à sua. Descobriu que a rosa que tanto amava não era única no universo. Ao sentir-se príncipe de uma única rosa comum, deitou na relva e chorou as lágrimas da decepção.<br />
Foi quando lhe apareceu a raposa. Travou com o animal a sinceridade dos sentimentos e a genuinidade das palavras. O diálogo com a raposa é um dos momentos mais bonitos do livro, em que se desenha a essência da narrativa. Numa sabedoria filosófica, o animal revela ao menino que todos somos iguais na paisagem humana, assim como os animais e as rosas, e que só passamos a ser diferenciados para alguém, quando somos por ele conquistado. Revela-lhe que a sua rosa era única, porque ela o cativara, tornando-se fundamental em sua vida. Por fim, a raposa ensina ao príncipe que ele era responsável por aqueles que cativara.<br />
<a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4PUGbhO1I/AAAAAAAAGuE/l5HqweALLl8/s1600-h/Pequeno+Pr%C3%ADncipe+e+a+Raposa.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4PUGbhO1I/AAAAAAAAGuE/l5HqweALLl8/s400/Pequeno+Pr%C3%ADncipe+e+a+Raposa.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
<em>“Adeus – disse a raposa. &#8211; Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos..” </em></p>
<p><em>“Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa&#8230;” </em></p>
<p>Com as palavras da raposa, o principezinho prosseguiu o seu caminho, com a certeza que jamais as esqueceria. Seguiu feliz, com a certeza de que a sua rosa era única, a mais bela de todas aquelas cinco mil que avistara no jardim terrestre. Porque era a rosa que ele cuidara. Sentia-se culpado por deixá-la tão solitária.</p>
<p><strong>O Pequeno Príncipe e a Serpente</strong></p>
<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4H5AcUgcI/AAAAAAAAGtI/JZfJ8u9sSMA/s1600-h/Pequeno+Principe++e+Saint+Exupery+2.jpg"><img src="http://1.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4H5AcUgcI/AAAAAAAAGtI/JZfJ8u9sSMA/s400/Pequeno+Principe++e+Saint+Exupery+2.jpg" border="0" alt="" /></a>Após passar por algumas aventuras, o principezinho encontra-se com o aviador. A ele irá transmitir tudo o que aprendeu em suas aventuras. De indagador, passa e indagar, tornando-se a luz nas dúvidas do amigo solitário.<br />
A amizade feita no deserto acontece em oito dias, tempo que duraria a sua provisão de água. Quando ela acaba, no meio da sede e do desespero, surge a esperança dos sonhos. Juntos, eles encontram um poço no meio do deserto. É a fonte límpida da melhor água do mundo, a da natureza da fraternidade e do amor.<br />
O aviador conserta a avaria do seu avião. É hora de partir. Também o principezinho quer voltar para o seu planeta. Sente-se culpado por ter abandonado a rosa amada à deriva. Quer voltar a cuidar dela. Mas sabe que o corpo lhe pesa e impede a viagem de regresso. Precisa libertar a alma e deixá-la voar, regressando ao seu mundo e ao amor da rosa.<br />
Contrariando o aviador, o principezinho decide aceitar a ajuda da serpente. Sabe que o seu veneno é mortal. Através dele, libertará o corpo, ao qual considera apenas uma “casca”, que quando levada pelo vento, nada significa. Fugindo do amigo, ele parte na calada da noite, em busca da serpente. Ao se deparar com a fuga, o aviador vai ao seu encontro. Não consegue demovê-lo daquele objetivo enigmático. Assim, atado à vontade do príncipe, ele assiste ao momento em que a serpente pica mortalmente o amigo. O pequeno príncipe cai na areia, sem vida. Iniciara a viagem de volta à rosa e ao seu pequeno planeta. No outro dia, quando voltou ao local onde o corpo tombara, já não o enco<a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4LBJCVITI/AAAAAAAAGtw/6Wc8-jSsgBU/s1600-h/Pequeno+Principe++e+Saint+Exupery.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4LBJCVITI/AAAAAAAAGtw/6Wc8-jSsgBU/s400/Pequeno+Principe++e+Saint+Exupery.jpg" border="0" alt="" /></a>ntra. Assim como surgira, desaparecera para sempre.<br />
Seis anos depois, o aviador olha para o seu, na esperança que o lume das estrelas sorria para ele, pois sabe que em alguma delas, está o planeta do pequeno príncipe, e de lá ele o observa.</p>
<p><em>“Fixem bem esta paisagem para a poderem reconhecer se um dia fizerem uma viagem a África e forem ao deserto. Se passarem por este local, suplico-vos; não tenham pressa, fiquem um bocadinho à espera mesmo por baixo da estrela! Se vier um menino ter convosco, um menino que se está sempre a rir, com cabelos cor de ouro e que nunca responde quando se lhe faz uma pergunta, já sabem quem ele é. E então, por favor, sejam simpáticos! Não me deixem assim triste: escrevam-me depressa a dizer que ele voltou&#8230;”</em></p>
<p><strong>Antoine de Saint-Exupéry</strong></p>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4ISRqSEFI/AAAAAAAAGtQ/7VxpiUCVC30/s1600-h/Pequeno+Principe+-+Antoine+Saint+Exupery+2.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4ISRqSEFI/AAAAAAAAGtQ/7VxpiUCVC30/s400/Pequeno+Principe+-+Antoine+Saint+Exupery+2.jpg" border="0" alt="" /></a>Antoine-Jean-Baptiste-Marie-Roger Foscolombe de Saint-Exupéry, foi uma das personalidades mais interessante da história da literatura francesa. Viveu entre as aventuras de uma aviador e a filosofia poética da sua escrita. Saint-Exupéry nasceu em 29 de junho de 1900, em Lyon, na França. Nascido de uma família aristocrática, era o terceiro filho do conde Jean-Marie Saint-Exupéry e da condessa Marie Boyer Foscolombe.<br />
Com a morte do pai, quando tinha apenas quatro anos, e o empobrecimento da família, Saint-Exupéry, sob a guarda da mãe, passou muito tempo da sua infância entre o Castelo da Molê, propriedade da avó materna, e o castelo de Saint-Maurice-de-Remens, perto de Ambérieu, propriedade de uma tia.<br />
A educação do pequeno Antoine foi rígida, efetuada no colégio jesuíta Notre Dame de Saint-Croix. Na adolescência descobriu a poesia, lendo vários autores e escrevendo alguns versos.<br />
Na juventude, Saint-Exupéry tinha como ambição fazer parte da Armada Francesa, mas foi reprovado, aos dezenove anos, nos exames de acesso à Escola Naval. Tinha fascínio pelos aviões e pela mecânica. Quando convocado para o serviço militar, em abril de 1921, alistou-se no 2º regimento de Aviação de Caças em Neuhof, próximo de Estrasburgo. O sonho de voar só foi concretizado após nove meses de instrução, quando se transformou em piloto civil. No exército, conseguiu o diploma de piloto de guerra e segundo-tenente.<br />
O mundo da aviação jamais o abandonaria, influenciando toda a sua obra. Aos vinte e seis anos, tornou-se piloto de aviação da empresa aérea Latécoère, assegurando o transporte do correio entre Toulouse, na França, e Dacar, no norte da África. A paixão pelos desertos africanos faria parte da sua vida.<br />
Viajando pela África, América do Norte e do Sul, Saint-Exupéry parecia estar onde sempre o fascinou, no céu. Nas pausas da sua vida atribulada de aviador, escrevia a sua obra. Em 1939, o livro “<em>Terre des Hommes</em>” (<em>Terra dos Homens</em>), <a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4LwOfhDWI/AAAAAAAAGt4/41-wiRK40Mw/s1600-h/Pequeno+Principe+-+Antoine+Saint+Exupery.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4LwOfhDWI/AAAAAAAAGt4/41-wiRK40Mw/s400/Pequeno+Principe+-+Antoine+Saint+Exupery.jpg" border="0" alt="" /></a>alcançaria um relativo sucesso.<br />
Durante a Segunda Guerra Mundial, o escritor-aviador pôs-se à disposição da força aérea francesa, sendo nomeado capitão. Com o armistício assinado entre a França e a Alemanha, que possibilitou o domínio nazista sobre o seu país, Saint-Exupéry exilou-se nos Estados Unidos. Foi no exílio que, em 1943, escreveria aquela que se tornaria a sua maior obra, “<em>O Pequeno Príncipe</em>”.<br />
Com a entrada dos Estados Unidos na guerra, alistou-se ao comando americano, disposto a pilotar os Lightning P-38, mas encontrou, a princípio, dificuldades em obter permissão para fazê-lo, devido já ter uma idade acima do limite. Vencidos os obstáculos, realizaria oito missões. A última seria a de reconhecimento sobre Grenoble e Annecy, a 31 de julho de 1944. Às 8h45 daquela manhã, levantou vôo de Borgo, na Córsega. Jamais voltou. Em 3 de novembro, recebeu, em homenagem póstuma, as maiores honras do exército.<br />
Recentemente, o alemão Horst Rippert, declarou-se o autor dos disparos que abateram o avião do escritor. Em 2004, foram encontrados no Mediterrâneo, próximo a Marselha, os destroços do avião. O corpo, assim como do “<em>Pequeno Príncipe</em>”, desapareceu no horizonte.</p>
<p><strong>Cronologia</strong></p>
<p><strong><a href="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4I0Z2yFrI/AAAAAAAAGtY/cwBSOd3vp5M/s1600-h/Pequeno+Principe+-+Antoine+Saint+Exupery+1.jpg"><img src="http://4.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4I0Z2yFrI/AAAAAAAAGtY/cwBSOd3vp5M/s400/Pequeno+Principe+-+Antoine+Saint+Exupery+1.jpg" border="0" alt="" /></a>1900 –</strong> Nasce, em Lyon, França, em 29 de junho, Antoine de Saint-Exupéry.<br />
<strong>1904 –</strong> Morre o pai, o conde Jean-Marie de Saint-Exupéry.<br />
<strong>1919 –</strong> Reprovado nos testes para a Escola Naval.<br />
<strong>1921 –</strong> Cumpre serviço militar em Estrasburgo, no 2º regimento de Aviação de Caças em Neuhof.<br />
<strong>1923 –</strong> Deixa o exército, passando por vários empregos.<br />
<strong>1925 –</strong> Começa a escrever o seu primeiro livro, “<em>L’Aviateur</em>” (<em>O Aviador</em>), publicando-o no ano seguinte.<br />
<strong>1926 –</strong> Passa a trabalhar como piloto para a companhia de aviação Latécoère.<br />
<strong>1929 –</strong> Escreve “<em>Courrier Sud</em>” (<em>Correio do Sul</em>).<br />
<strong>1931 </strong>– Publica “<em>Vol de Nuit</em>” (<em>Vôo Noturno</em>), alcançando relativo sucesso.<br />
<strong>1935 –</strong> Com a falência da Latécoère, tenta em vão, ao serviço da Air France, bater o recorde aéreo Paris-Saigon.<br />
<strong>1938 –</strong> Tenta fazer a ligação aérea de Nova York à Terra do Fogo, sofrendo um acidente que quase lhe custa a vida.<br />
<strong>1939 –</strong> Publica “<em>Terre des Hommes</em>”.<br />
<strong>1940 –</strong> Com a ocupação da França pelos nazistas, exila-se nos Estados Unidos.<br />
<strong>1942 –</strong> Publica “<em>Pilote de Guerre</em>”.<br />
1943 – Publica “<em>Lettre à un Otage</em>”. Publica aquela que seria a sua obra-prima, “<em>O Pequeno Príncipe</em>”.<br />
1944 – Numa missão de reconhecimento sobre Grenoble e Annecy, tem o avião abatido em 31 de julho. Seu corpo jamais foi encontrado.</p>
<p><strong>OBRAS:</strong><br />
<a href="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4QQXhsbNI/AAAAAAAAGuM/59PBuHGyf6I/s1600-h/Principezinho+-+Saint-Exupery.jpg"><img src="http://2.bp.blogspot.com/_fvMmtgX9Xf0/Sv4QQXhsbNI/AAAAAAAAGuM/59PBuHGyf6I/s400/Principezinho+-+Saint-Exupery.jpg" border="0" alt="" /></a><br />
1926 – L’Aviateur (O Aviador)<br />
1929 – Courrier Sud (Correio do Sul)<br />
1931 – Vol de Nuit (Vôo Noturno)<br />
1939 – Terre des Hommes (Terra dos Homens)<br />
1942 – Pilote de Guerre (Piloto de Guerra)<br />
1943 – Le Petit Prince (O Pequeno Príncipe)<br />
1943 – Lettre à Un Otage (Carta a Um Refém)</p>
<p><em><strong>Publicações Póstumas</strong></em></p>
<p>1948 – Citadelle<br />
1953 – Lettres de Jeunesse<br />
1953 – Camets<br />
1955 – Lettres à sa Mère<br />
1982 – Écrits de Guerre<br />
2007 – Manon, Danseuse</p>
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