MULHERES DO BRASIL – SOB O OLHAR DE ANTONIO GUERREIRO

junho 28, 2009
A presença da mulher na história do Brasil é constituída de grandes vultos e personalidades que, se fôssemos descrever cada uma delas, teríamos uma longa enciclopédia de biografias instigantes e apaixonantes. Da índia Paraguaçu, que conquistou o coração de Caramuru e à corte francesa, sendo lá batizada como Catarina Álvares, no século XVI, a Xica da Silva, bela negra que de escrava tornou-se a rainha do Tijuco; de Chiquinha Gonzaga a Leila Diniz, personagens que mudaram o conceito de ser mulher à época em que viveram; o Brasil é essencialmente um país feito pela delicadeza bravia das suas mulheres. Nação plural, com uma população formada por várias raças, sem um estereótipo definido, em que a beleza da mulher brasileira é um capítulo à parte na história do país.
Para descrever tão sublime beleza, nenhuma lente foi mais sincera, poética e apoteótica como as do fotógrafo Antonio Guerreiro. Dono de uma sensibilidade estética impar, Guerreiro foi o maior fotógrafo de grandes personalidades brasileiras que despontou nos últimos quarenta anos. Do fim da década de 1960 ao início da de1990, não houve celebridade que não tenha passado por sua objetiva. Surgido na época do desbunde, fazia parte da geração que pregava o amor livre ao cheiro da cocaína, falava de política ao sabor do ácido e sobrevivia à opressão de uma ditadura militar através de uma arte considerada marginal, mas intensa em seu existencialismo apartidário.
No meio da desconstrução estética do desbunde, Antonio Guerreiro andava na contramão, pois as fotografias que fazia dos seus modelos eram a própria perfeição do belo. Longe das imagens do underground do meio que freqüentava, a sua arte representava o glamour e a voluptuosidade dos corpos que retratava, a beleza obsessiva que tal qual um Michelangelo contemporâneo, jamais deixou de buscar. Enquanto os fuzis militares embaçavam o cenário nacional, paradoxalmente a fotografia de Guerreiro traduzia uma beleza infinitamente alegre, mesmo travada em uma atmosfera alienante. As musas de Antonio Guerreiro eram um ópio no sangue dos que eram torturados nos calabouços, era a atenuação de um país silenciado. O retrato de uma geração que ou já morreu ou envelheceu, que não mais existe com o esplendor por ele registrado.
Mulheres do Brasil, por Antonio Guerreiro, retratam um tempo perdido. Aos 61 anos, o fotógrafo vive mais de um passado glorioso do que de um presente artisticamente empobrecido pela arte digital. Este artigo traz algumas divas que constituem um acervo precioso da cultura deste país. Brancas, negras, louras, morenas, todas fotografadas por Antonio Guerreiro, em imagens definitivas, que resistem à morte e às rugas do tempo, todas mulheres imprescindíveis na construção cultural do Brasil.

Ângela Diniz, a Pantera de Minas

Considerada uma das mulheres mais bonitas dos anos setenta, Ângela Diniz era conhecida como “A Pantera de Minas”. Foi daquelas mulheres cridas para uma vida de rainha, com direito a baile de debutante aos 15 anos, para ser apresentada oficialmente à alta sociedade.
Mineira de Belo Horizonte, Ângela Diniz virou uma lenda nos meios sociais da sua época, atraindo para si os holofotes e as paixões desenfreadas tanto dos homens, quanto das mulheres. Era uma mulher que desprezava a sociedade em que vivia, fazendo da sua liberdade uma afronta aos costumes. Do seu casamento com o engenheiro Milton Villas Boas teve três filhos. Mas o seu destino teria o fulgor das aventuras e da tragédia, assim, ela abandonou marido e filhos e foi viver a intensidade do seu glamour no Rio de Janeiro.
Envolvida em um triângulo com o milionário Tuca Mendes e um rapaz de 18 anos, que era caseiro da sua casa, teve a tragédia bater à sua porta pela primeira vez; o caseiro foi assassinado em um crime obscuro, provavelmente movido pelo ciúme; Ângela Diniz assumiu a culpa, talvez para proteger o amante.
E assim foi a vida da “Pantera de Minas”, regada por escândalos envolvendo sexo e drogas, tendo sido presa por porte de maconha; foi constrangida quando espancada em público por um namorado, além de outros escândalos menores.
Em 1976 Ângela Diniz envolveu-se com o bon vivant Doca Street. Na véspera do reveillon daquele ano, os dois foram para a Praia dos Ossos, em Búzios, no litoral do Rio de Janeiro. Viveram uma paixão explosiva, com muito sexo, cocaína, champangne e ciúmes. O resultado, quatro tiros desferidos por Doca Street, desfigurando um dos rostos mais belos do Brasil e matando uma das mulheres mais controversas da alta sociedade. Doca Street foi a dois julgamentos, sendo condenado apenas no último. Com a condenação, morria no Brasil o conceito de que era válido matar a mulher em defesa da honra masculina. Infelizmente a violência contra a mulher prevalece até os dias atuais.
Sob as lentes de Antonio Guerreiro, percebe-se a beleza trágica e inconquistável de Ângela Diniz. O fotógrafo dissimula do seu rosto a malícia fugaz, esculpindo-lhe uma beleza bíblica a contrastar com a verdade profana da Pantera de Minas.

Sandra Bréa, Símbolo Sexual de uma Época

Atriz, cantora, dançarina, Sandra Bréa foi uma artista completa, poucas como ela reuniram tantos predicados, tantos dotes artísticos. Dona de uma beleza clássica, talvez tenha sido a mulher mais fotografada nua na década de setenta, o que lhe rendeu o título de símbolo sexual, fazendo-a uma das mais desejada de um Brasil reprimido pela liberdade de pensamentos e pela moral e pelos bons costumes impostos pela ditadura.
Após protagonizar algumas novelas da TV Globo, entre elas a histórica “O Bem Amado”, de Dias Gomes, a atriz encontrou o auge da sua carreira no programa musical “Sandra e Miele”, em 1976, ao lado de Luiz Carlos Miele. O programa tornou-se mítico, e um dos mais bem concebidos daquela década.
Casada durante alguns anos com Antonio Guerreiro, foi fotografada por ele em todo o seu esplendor, revelando-se como uma estátua nua para todo o Brasil. Assim como as mulheres transgressoras do seu tempo, a atriz sofreu os revezes dos preconceitos, mas jamais se deixou intimidar por eles, pagando com sangue e vida o direito de ser mulher independente e livre.
Nos anos noventa, Sandra Bréa foi contaminada pelo vírus da Aids, sendo a primeira mulher no Brasil a assumir a doença publicamente. Desde então foi isolada, encerrando a carreira e o glamour. A estrela apagou-se em 2000, vítima de um câncer no pulmão, fugindo ao estigma que tanto temia, o de morrer em conseqüência da Aids. Nos últimos anos de vida, teve o belo físico transformado pelo tratamento que fazia com os retrovirais para combater a doença. O legado que nos deixou não foi apenas a coragem de transgredir, mas o de um talento digno de uma grande brasileira.
Nesta fotografia, “Woman in Red”, deparamos com um facho de luz no expoente de um dos olhares que mais se cruzou com as lentes de Antonio Guerreiro, formando uma cumplicidade eterna, presa no tempo e na memória.

Betty Faria, Talento e Beleza

O seu nome confunde-se com o da teledramaturgia do país. Foi levada para a televisão pelas mãos da amiga Leila Diniz, que a apresentou a Daniel Filho. Nunca mais saiu, construindo para o Brasil, uma bem sucedida carreira, intercalada com o teatro e com o cinema.
Betty Faria viveu durante anos, personagens secundárias, às vezes antagonistas da heroína da trama. Foi elevada à estrela global em 1975, sob a direção do então marido, Daniel Filho. Na televisão interpretou personagens inesquecíveis como a Lucinha da primeira versão de “Pecado Capital” (1975), de Janete Clair, e a fogosa protagonista de “Tieta” (1989).
A atriz também brilhou no cinema nacional, em clássicos como “A Estrela Sobe”, “O Cortiço”, “Bye Bye Brasil”, “Romance da Empregada” e “Lili Carabina, a Estrela do Crime”.
Na sua beleza morena e sensualidade à flor da pele, Betty Faria conquistou ao longo da carreira, uma galeria diversificada de fãs, entre eles o escritor Jorge Amado, que praticamente exigiu a atriz para protagonizar a novela “Tieta”, baseada em sua obra literária. Foi a primeira viúva Porcina de “Roque Santeiro”, em 1975, que censurada pela ditadura militar, jamais foi ao ar. Em 1985, quando a telenovela foi finalmente liberada, a atriz recusou o papel.
No inicio da carreira foi casada com o ator Cláudio Marzo, de quem teve uma filha, a atriz Alexandra Marzo. Depois se casou com o diretor Daniel Filho, gerando com ele um filho, João. Esta é Betty Faria, feita de acertos e erros, de talento e beleza, altos e baixos em uma carreira tão longa e empolgante.
Antonio Guerreiro soube explorar bem a beleza morena da atriz, envolvendo-a em brilhos que contrastam com a pele branca e com a vasta cabeleira negra. Guerreiro enfeitou-lhe de adereços e glamour, como se preparasse a mulher que saltaria de dentro de um luxo concebido. Um registro que foge ao tempo e entra para a galeria das grandes personagens culturais do nosso país.

Tonia Carrero, Uma das Maiores Belezas do Brasil

Tonia Carrero é uma das mulheres mais bonitas que nasceu em solo brasileiro. Mesmo com as marcas que lhe esculpiu o tempo, ela jamais perdeu a essência do belo e dos traços de deusa grega.
Mais belo ainda, é a sua trajetória artística. Assim como as mulheres do seu tempo, foi preparada para o casamento, ato que assumiu muito bem, só iniciando a carreira artística depois de casada. Sua estréia aconteceu ao lado de outro gigante do cenário artístico brasileiro, Paulo Autran. Juntos, partiram para o infinito das artes e do talento arrancado do âmago da grandiosidade artística.
Tonia Carrero foi a grande musa do cinema brasileiro na época dos estúdios da Vera Cruz, considerada a Hollywood brasileira, vivendo clássicos como “Tico-Tico no Fubá” (1952). A beleza etérea do seu rosto iluminava as salas de cinema. A atriz sabia-se dona desta beleza rara, assumindo-a sem preconceitos, mas sem se deixar levar por ela, atirando-se a desafios tanto no cinema como no teatro.
Mulher talentosa e inteligente, trabalhou com mestres como Ziembinski e Adolfo Celli, diretor e ator de cinema italiano, com quem foi casada.
Também brilhou na televisão, protagonizando várias telenovelas da TV Globo no início da década de 1970, como “Pigmalião 70” e “A Próxima Atração”. Cansada de viver as eternas ricas sofisticadas das novelas, ela procurou evitar desgastar a imagem, declinando de fazer televisão constantemente.
Até o fim da década de setenta e início da de oitenta, Tonia Carrero era tida pelas mulheres como o símbolo de beleza feminino ideal, mesmo a atriz já estando na época com sessenta anos, posição que o tempo e as suas marcas, foram lhe tirando aos poucos.
Antonio Guerreiro revela aqui, a beleza madura da atriz, ainda com traços delineados com perfeição. Os olhos, diminuídos por uma intervenção cirúrgica corretiva, voltam a brilhar sem medo de olhar para as lentes do fotógrafo. Longe da moda das bocas carnudas de agora, Tonia Carrero deslumbra com os seus lábios finos e clássicos. A beleza do rosto entrelaça-se com a da mão, terminada em unhas perfeitas, no glamour de uma mulher elegante e inteligente. A imagem de Guerreiro registra o que o tempo roubou à atriz, fazendo-a infinitamente presa à beleza.

Regina Duarte, a Namoradinha do Brasil

Uma das mulheres mais amada pelo público brasileiro, Regina Duarte iniciou a carreira na extinta TV Excelsior. Com o fim da emissora, foi contratada pela TV Globo em 1969, de onde nunca mais saiu.
Dona de uma voz doce e intensa, de um sorriso angelical, ela logo se destacou como protagonista de sofridas heroínas. A terna e carismática Patrícia de “Minha Doce Namorada”, novela de Vicente Sesso, de 1971, conferiu-lhe o título de “Namoradinha do Brasil”. Vinculada a esta imagem, a atriz viveu personagens afins, emplacando grandes sucessos como “Selva de Pedra” (1972) e “Carinhoso” (1973).
Cansada de viver a eterna heroína sofredora, Regina Duarte quis deixar a televisão em 1974, mas a direção da Globo não deixou, dando-lhe dois anos de férias. A primeira atitude da atriz foi interpretar uma prostituta no teatro, na peça “Reveillon”, algo incompatível com a imagem imposta pela televisão.
Quando voltou às novelas, negou-se a representar os mesmos papéis. Veio o seriado “Malu Mulher” (1979) e a imagem da namoradinha esvaiu-se por completo. Quando interpretou a fogosa e inesquecível viúva Porcina de “Roque Santeiro”, em 1985, já não havia resquícios da heroína virginal de outrora.
Antonio Guerreiro descobre, neste retrato, toda a sensualidade da atriz antes da televisão o fazer. Ele capta a doçura da estrela, sem apagar a mulher. Revela-nos uma beleza angelical preste a romper, fazendo emergir a mulher sensual, como se fosse saltar dos olhos expressivos do anjo. Os cabelos da atriz revelam o seu glamour, a sensualidade contida, mas latente, pronta para pulsar. Guerreiro descobre um lado impar de Regina Duarte, revelando, com exclusividade, uma mulher quente e ardente, que de namoradinha, transformara-se em “Amante do Brasil”.

Zezé Motta, Exótica Beleza

Dona de uma beleza exótica, exalada da sua pele negra, como um ébano nobre, uma rainha secular, Zezé Motta foi a primeira atriz a dizer não aos papéis medíocres e limitados que as telenovelas reservavam para os atores negros. Recusou-se a voltar no papel da eterna empregada doméstica, denunciando abertamente o preconceito, que até então, fazia-se velado.
Longe das limitações da televisão, transformou-se em rainha no cinema, vivendo a mítica Xica da Silva no filme homônimo. A película rendeu-lhe a consagração definitiva da carreira, e grande prestígio do público e dos críticos.
Se o seu olhar desperta uma mulher silvestre, o tom da voz é doce, de uma meiguice insinuante. Zezé Motta, além de grande atriz, é uma excelente cantora, tendo gravado três discos, menos do que os que o seu talento vocal merece.
Foi a primeira atriz a viver um papel de destaque que mostrava o amor entre raças na novela “Corpo a Corpo”, de Gilberto Braga, em 1985. Na época, ao fazer cenas tórridas com o ator e diretor Marcos Paulo, por quem nutriu uma paixão de juventude, sofreu preconceitos de um público ainda incipiente e preconceituoso, não habituado a ver a beleza das cores mescladas pelo amor. Zezé Motta foi a primeira atriz negra do Brasil a adquirir o estatuto de estrela. Há quem diga que a música “Pérola Negra”, grande sucesso de Luiz Melodia na voz de Gal Costa, foi inspirada na atriz-cantora.
Antonio Guerreiro fez a fotografia da capa de um disco da cantora, além de fotografá-la nua para vários ensaios. Sob as lentes de Guerreiro, a sua beleza exótica salta dos olhos, invadindo o corpo silvestre, exalando todos os desejos de quem lhe admira a imagem. A negritude da pele é ressaltada pelas luzes usadas, dando uma atmosfera que lembram o cetim e o bronze, transformando-a em uma reluzente estátua renascentista.

Fernanda Montenegro, Grande Dama do Teatro

O nome de Fernanda Montenegro dispensa apresentações. Considerada a grande dama do teatro brasileiro, é uma das poucas unanimidades que o Brasil possui. Fernanda Montenegro transmite aquele ar inteligente que os intelectuais trazem na alma. Mesmo quando fala, revela-se uma atriz nos gestos, nas pausas da voz, no olhar, nos movimentos das mãos. É a mulher que dispensa títulos de estrela, sendo a atriz.
Nos palcos viveu quase todos os papéis possíveis, registrando sucessos memoráveis como “As Lágrimas Amargas de Petra von Kant” e “Os Dias Felizes”. No cinema foi indicada para o Oscar, em 1999, pelo filme “Central do Brasil“.
Ao longo da carreira, procurou evitar a exposição desgastante da televisão, mas as poucas vezes que emprestou o seu talento para a pequena tela, deixou momentos memoráveis, em comédias como “Guerra dos Sexos” (1983), e, “Cambalacho” (1986), novelas de Silvio de Abreu; e interpretações dramáticas em “Baila Comigo” (1981), de Manoel Carlos e “Brilhante” (1981), de Gilberto Braga.
Fernanda Montenegro foi casada com o ator Fernando Torres, de quem ficou viúva em 2008, tendo com ele dois filhos, a atriz Fernanda Torres e o cenógrafo e diretor Cláudio Torres. É uma das atrizes mais querida do Brasil, dona de um público cativo e de fãs que se vão acumulando ao longo das décadas de uma carreira brilhante.
Antonio Guerreiro fotografou a atriz ao lado do marido e da filha, Fernanda Torres, quando esta ainda era criança. Neste retrato aqui mostrado, o fotógrafo acentua os olhos decididos da dama do teatro, instigando-lhe o ar inteligente, sem esquecer a mulher por debaixo da atriz. Guerreiro tem destas magias, revela primeiro a mulher, para depois se curvar diante da celebridade. Fernanda Montenegro é na imagem, essencialmente uma mulher, captada no momento exato que se prepara para vestir à atriz, mas que as lentes de Guerreiro intercedem no lapso de tempo da metamorfose. O braço debruça-se sobre a sutileza da mão feminina, despojando-se dos gestos do drama. Nunca a atriz interpretou tão bem a mulher como aqui.

Marina Montini, Musa de Di Cavalcanti

A nova geração de brasileiros não se lembra dela. Uma injustiça, pois a mulata Marina Montini foi um dos maiores símbolos da beleza da mulher genuinamente brasileira. Fez imenso sucesso como modelo no Brasil e na Europa, onde viveu em diversos países, como Alemanha e Itália. Na década de setenta atingiu o auge da fama, posando para as lentes dos maiores fotógrafos do país. Foi capa de grandes revistas, como a “Manchete”, além de fazer belíssimos ensaios sensuais de nu artístico para a revista “Playboy”. Como atriz, fez pequenas participações no cinema nacional. Era uma modelo cultuada pelos intelectuais da época, tida como o retrato fiel da verdadeira beleza da mulher brasileira.
Mas foi como a musa inspiradora do pintor Di Cavalcanti que Marina Montini foi imortalizada. A sua beleza exuberante atingiu de forma indelével o pintor, que encontrou a estética exata da sua inspiração, passando a tê-la como modelo por sete anos. A modelo aparece nas principais obras do pintor feitas na década de setenta, entre elas, “Mulata Com Pássaro”. O estigma de musa de Di Cavalcanti acompanhou Marina Montini por toda a vida. Encerrado o apogeu da carreira, a modelo passou a ter dificuldades financeiras e a saúde fragilizada por uma cirrose, vendo-se obrigada a morar no Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá, vindo ali falecer em 2004, aos 58 anos de idade, isolada e esquecida.
Não é fácil competir com a pintura genial de Di Cavalcanti, mas Antonio Guerreiro não decepcionou ao fotografar a sua musa inspiradora. Neste retrato primoroso, tem-se a noção exata das formas de Marina Montini, em um dos mais fiéis registros à personalidade da modelo. Marina Montini não era uma mulher comum, como pode ser vista no retrato. Sua cor é uma exclusividade da mulher brasileira, raramente encontrada em outras terras. Sua boca carnuda inundava a imaginação dos mais apaixonados e fervorosos admiradores. Sua altura, 1,80 metro bem distribuídos entre curvas insinuantes e proporções voluptuosas, era rara para uma mulher da sua geração. Se Marina Montini viveu para ser eternizada por Di Cavalcanti, no retrato de Antonio Guerreiro adquiriu o perfil exato da lembrança da sua verdadeira imagem.

Dina Sfat, Magnitude e Talento

Dina Sfat pertence a uma geração de atrizes que surgiu com o teatro engajado no início dos anos sessenta. Mulher inteligente, de um magnetismo pessoal envolvente, tornando-a uma personalidade marcante e inesquecível. Estreou-se no teatro em 1962, dirigida por Antonio Abujamra. Descoberta pelo mítico Teatro de Arena, Dina Sfat marcou com unhas de grande atriz os palcos de então.
No Teatro de Arena a atriz conheceu o ator Paulo José, com quem esteve casada por 17 anos, tendo com ele três filhas: Bel Kutner, Ana e Clara. Era uma mulher reservada, sem deixar jamais de participar da vida pública do país.
Em 1970 fez o mítico filme “Macunaíma”, vivendo a guerrilheira Cy. O papel abriu-lhe as portas para protagonizar uma novela de Dias Gomes, “Verão Vermelho” (1970), a partir de então, tornou-se uma grande estrela da TV Globo, participando de sucessos inesquecíveis da teledramaturgia brasileira: “Selva de Pedra” (1972), “O Astro” (1978) e “Eu Prometo” (1983), todas de Janete Clair, sendo uma das atrizes preferidas da autora. Dias Gomes, todas às vezes que lhe foi possível, teve-a em suas novelas, entre elas “Assim na Terra Como no Céu” (1970) e “Saramandaia” (1976). A atriz jamais se furtou de viver diferentes personagens, sem nunca se ater às limitações da imagem geralmente imposta pela televisão aos seus ídolos. Interpretou prostitutas, heroínas, assassinas, loucas, enfim, uma galeria de personagens inesquecíveis que viveu com maestria.
Mulher dinâmica, Dina Sfat corajosamente disse em público, a um militar do governo, que tinha medo dele. Filha de judeus poloneses, jamais abandonou às raízes. Um câncer matou-a precocemente aos 50 anos, em 1989, encerrando uma das maiores carreiras deste país, além de uma das suas mais contundentes personalidades.
Na fotografia de Antonio Guerreiro, Dina Sfat é vista na sua essência, olhos grandes, de um olhar que penetrava na alma de quem se lhe pusesse na frente, gestos inteligentes, sem jamais esconder a mulher ardente que emanava. Dina Sfat trazia um certo mistério a ser desvendado, um lugar recôndito na alma que não se furtava em mostrar para quem tivesse coragem e personalidade para tentar penetrá-lo. Os olhos, a boca, os dedos, as mãos, tudo nela era expressivo, a sua beleza era moldada a partir da personalidade. Dina Sfat duela com a objetiva de Guerreiro, absorvendo-lhe a manipulação da imagem, sendo exatamente ela, bela, inteligente e infinita.

Vera Fischer, Um Ícone do Brasil

Uma das personalidades mais controversas do Brasil, Vera Fischer conquistou o seu lugar ao sol mediante grande perseverança e personalidade impar que só o verdadeiro talento pode revelar. Veio de Santa Catarina para desabrochar como Miss Brasil em 1969, quando o país atravessava um dos momentos mais delicados da sua história, com presos torturados e mortos nos porões da ditadura e guerrilheiros de organizações de esquerda nas ruas. Surgia singela, bela e sem explicar para o que tinha vindo, sem que se lhe pudesse imaginar aonde iria chegar.
Na primeira metade da década de setenta, notabilizou-se por participar de inúmeras pornochanchadas de sucesso, tornando-se a rainha delas. Menosprezada por um público mais consciente e inexistente para a crítica, Vera Fischer fascinava pela beleza desnuda do seu corpo nas telas do cinema. Em 1976 estava decidida a romper com esta imagem, fazendo um filme de conteúdo tido como sério, “Intimidade”, dirigida pelo então marido, Perry Salles. O filme passou despercebido, sem maiores conseqüências para a sua carreira.
Em 1977 foi contratada pela TV Globo, para viver uma personagem inspirada nela própria, na novela “Espelho Mágico”, de Lauro César Muniz. A novela não alcançou grande sucesso de público e a estréia valeu como curiosidade na sua carreira. O sucesso começou a vir em “Sinal de Alerta” (1978), de Dias Gomes, e Vera Fischer começou a demonstrar um talento incipiente, mas em franca ascensão. Em 1980 viveu a primeira protagonista, em “Coração Alado”, novela de Janete Clair, culminando com a novela “Brilhante”, de Gilberto Braga, em 1981, onde vivia Luiza, personagem imortalizada na música homônima de Tom Jobim. Desde então Vera Fischer passou a ser uma atriz respeitada e admirada.
A atriz construiu uma carreira muitas vezes afetada pelos altos e baixos da sua vida pessoal, traduzida pelas drogas que consumia e por seus amores tempestuosos. Já foi demitida da televisão, perdeu a guarda do filho, teve internada em clínicas para desintoxicação, tendo a tudo superado, mantendo-se com grande prestígio, bons papéis e dona de uma beleza madura, que parece eterna, longe do crepúsculo dos anos.
Nesta fotografia de Antonio Guerreiro temos uma Vera Fischer extremamente jovem, vestida apenas por sua beleza, sem as marcas deixadas pelo tempo que moldam a personalidade e agregam o amadurecimento existencial. Traz um quase sorriso malicioso, diluído em uma inocência intimista. Guerreiro revela o momento exato em que o mito do cinema sensual dá passagem para a atriz personalizada. Luzes realçam os olhos e iluminam a delicadeza de uma beleza singular. Vera Fischer é aqui, o esboço do mito, é a mulher despida, maquiada pelas lentes da objetiva e pelas luzes do cenário. Sua beleza é o tema essencial da fotografia.

Veja também:
SONIA BRAGA & GAL COSTA SOB AS LENTES DE ANTONIO GUERREIRO
http://jeocaz.wordpress.com/2008/09/08/sonia-braga-gal-costa-sob-as-lentes-de-antonio-guerreiro/

GAL COSTA

março 9, 2008


Quando Maria da Graça saiu de Salvador, rumo ao sudeste, para participar do Festival Internacional da Canção, em 1966, com a música “Minha Senhora” (Gilberto Gil – Torquato Neto), ninguém imaginaria que aquela menina de 20 anos, olhar intimista, tímida, cabelos curtos e comportados, iria fazer uma das mais brilhantes carreiras que a Música Popular Brasileira já teve notícias. Maria da Graça Costa Pena Burgos nasceu em Salvador, Bahia, em 26 de setembro de 1945, época histórica que fechava a II Guerra Mundial e a ditadura Vargas no Brasil. Conheceu Caetano Veloso em 1963 e desde então, as suas carreiras se interligariam para sempre. Participou em 1964, ao lado de Gilberto Gil, Maria Bethânia, Tom Zé e do próprio Caetano Veloso, do espetáculo “Nós, Por Exemplo”, que teve grande repercussão na capital baiana.
A jovem Maria da Graça encantara João Gilberto quando, ainda uma ilustre desconhecida, cantara para o inventor da Bossa Nova. Sua voz de sereia encantaria uma nação inteira e depois o mundo. Lançou o seu primeiro compacto em 1965, com as músicas “Sim Foi Você” (Caetano Veloso) e “Eu Vim da Bahia” (Gilberto Gil). Aqui traz ainda uma voz intimista, quase agreste, quase tímida, mas cheia de promessas.

Musa dos Movimentos

Foi Guilherme Araújo quem transformou a menina Maria da Graça em Gal Costa, mudando-lhe para sempre o nome.
Já como Gal Costa, ela lança ao lado de Caetano Veloso, o álbum “Domingo”, em 1967, primeiro da carreira dos dois, que já ali define o autor e a sua intérprete. Gal seria a voz que traduziria a verdadeira essência da canção de Caetano Veloso por toda a sua carreira. Mas o tempo é de guerra, de convulsão política e cultural, e mal “Domingo” é lançado e já esquecido pelas rupturas que Caetano Veloso e o surgimento da Tropicália impõem. Gal é levada pelo turbilhão da Tropicália, que é deflagrada de 1967 a 1968. A menina tímida veste roupas coloridas, muda os cabelos curtos para o estilo black power e rasga a voz, gritando que tudo é perigoso, no IV Festival da Record, em 1968, com a canção “Divino, Maravilhoso” (Caetano Veloso – Gilberto Gil), já definitivamente tropicalista. Os acontecimentos políticos no Brasil precipitaram o fim da Tropicália. Em 13 de dezembro o AI-5 é promulgado, e com ele o resto de liberdade que restara desde a implantação da ditadura militar em 1964. Gilberto Gil e Caetano Veloso são presos no final daquele ano fatídico, posteriormente são confinados em Salvador até o embarque para o exílio em Londres, em 1969. A Tropicália só não silenciou porque o álbum “Gal Costa”, que se atrasou no seu lançamento em 1968, só sendo lançado no ano seguinte, deu uma sobrevida ao movimento. Gal ficou a cantar sozinha a Tropicália combalida. O disco é sucesso absoluto e a canção “Baby” (Caetano Veloso) revela Gal Costa para todo o Brasil. É o seu primeiro sucesso. Com a confinação dos amigos baianos, Gal assume involuntariamente o que restou dos tropicalistas. Torna-se então a Musa dos Tropicalistas. Ainda nesta fase de rupturas e de separação dos integrantes da Tropicália, a cantora lança o convulsivo e radical álbum “Gal”, 1969, encerrando com ele o movimento tropicalista.
O início da década de setenta traz os anos mais repressivos da ditadura militar. Gente é morta e torturada nos porões da ditadura. Com eles o silêncio e o desalento de quem não pode falar. Também o movimento hippie chega ao seu fim. No Brasil os herdeiros da Tropicália e do movimento hippie são apelidados de “geração do desbunde”. Gal Costa torna-se a voz dessa geração. O seu show “Fa-tal”, de 1971 a 1972, tornar-se-ia obrigatório para aquela juventude amordaçada politicamente e sedenta de mudar os costumes. E Gal é mais uma vez musa de um movimento de uma época, a Musa da Geração do Desbunde.
Gal Costa assume em sua carreira a vanguarda, a contracultura da época. Segue uma carreira sólida e insólita. Em 1975 é convidada pelo diretor global Daniel Filho para protagonizar a novela “Gabriela”, baseada na obra de Jorge Amado. Gal recusa o convite, alegando não saber interpretar. Mas fica com a canção de abertura da novela “Modinha Para Gabriela” (Dorival Caymmi), levando naquele ano juntamente com Jorge Amado e Dorival Caymmi, a Bahia e a sua cultura para todos os lares brasileiros. O encontro com Caymmi resulta no álbum “Gal Canta Caymmi”, de 1976.

Primeira Dama da MPB

Em 1978 Gal Costa deixa a vanguarda e o experimentalismo de lado e mergulha em antigos sucessos da MPB, lançando “Água Viva”, que daria origem ao show e ao álbum “Gal Tropical”, em 1979, que culminaria com o álbum “Aquarela do Brasil” (1980), com interpretações da obra de Ary Barroso. É nesta fase que Gal atinge a maturidade artística e tornar-se-ia desde então, uma das maiores intérpretes de todas as fases da história da MPB.
Nos anos oitenta Gal Costa assume o posto de primeira dama da MPB e é a cantora que mais vende disco no país. É a cantora mais ouvida e mais requisitada para fazer participações especiais em trabalhos históricos, como a trilha sonora do filme “Gabriela” (1983), ao lado de Tom Jobim, ou os álbuns de teatro de Chico Buarque e Edu Lobo. Só Gal Costa está presente em todos esses álbuns. É ainda na década de oitenta, que alcança projeção internacional, priorizando no fim da década excursões ao exterior, acompanhando o mestre Tom Jobim em algumas delas.
Após três anos sem lançar nenhum álbum, volta em grande estilo com o incomparável e antológico “Plural” . É na década de noventa que faz o seu mais polêmico show: “O Sorriso do Gato de Alice”, dirigida por Gerald Thomas, sob repertório do álbum de mesmo nome. Para comemorar os trinta anos de carreira, faz uma revisão com o álbum “Acústico MTV” (1997), alcançando com ele uma nova geração de fãs e sucesso de vendagens, que abriria portas para o lançamento de outros álbuns acústicos de cantores da MPB. A cantora termina a década e o milênio com o álbum duplo “Gal Costa Canta Tom Jobim”, tornando-se desde então, a principal intérprete do maestro soberano e fazendo dessas canções uma presença constante no repertório dos seus shows.
Nos últimos anos a MPB brasileira mudou. As carreiras dos seus principais intérpretes também. Nesta primeira década de 2000 Gal Costa regravou músicas da MPB e do seu próprio repertório. Em 2001 foi vítima do patrulhamento ideológico que assola a política brasileira há décadas, quando se pronunciou em defesa do então senador baiano Antônio Carlos Magalhães, à época caçado pelos colegas do senado. A repercussão foi tão negativa, que teve que adiar o lançamento do álbum “De Tantos Amores” (2001), recebido com ressalvas pela crítica e pelo patrulhamento da esquerda radical. Em 2005, em comemoração aos seus sessenta anos, lançou o álbum “Hoje”, com canções inéditas e compositores iniciantes.
Quarenta anos após o lançamento do seu primeiro álbum, apesar de todas as críticas e cobranças, Gal Costa ainda é a maior cantora da MPB. Nenhuma outra surgiu que lhe ofuscasse o título. Em um país como o Brasil, de memória instantânea e modismos efêmeros, manter a qualidade de uma carreira por quarenta anos, com acertos e erros, é um privilégio de cantoras raras como o é Gal Costa. Justamente por ser considerada a maior cantora do Brasil, é a mais cobrada por crítica e público.
Gal Costa, com a sua voz doce de sereia, com perfumes agudos extasiantes, embriagou e arremessou gerações em seus labirintos de diva da MPB.

DISCOGRAFIA

1967 – Domingo (Com Caetano Veloso)
1969 – Gal Costa
1969 – Gal
1970 – Legal
1971 – Gal a Todo Vapor – Fa-tal
1973 – Índia
1974 – Temporada de Verão – Ao Vivo (Com Caetano Veloso e Gilberto Gil)
1974 – Cantar
1976 – Gal Canta Caymmi
1976 – Doces Bárbaros (Com Caetano Veloso, Gilberto Gil e Maria Bethânia)
1977 – Caras & Bocas
1978 – Água Viva
1979 – Gal Tropical
1980 – Aquarela do Brasil
1981 – Fantasia
1982 – Minha Voz
1983 – Gabriela – Trilha do Filme (Com Tom Jobim)
1983 – Baby Gal
1984 – Profana
1985 – Bem Bom
1987 – Lua de Mel Como o Diabo Gosta
1987 – Rio Revisited (Com Tom Jobim)
1990 – Plural
1992 – Gal
1993 – O Sorriso do Gato de Alice
1995 – Mina D’Água do Meu Canto
1997 – Tieta do Agreste – Trilha do filme (Com Caetano Veloso)
1997 – Acústico MTV
1998 – Aquele Frevo Axé
1999 – Gal Costa Canta Tom Jobim
2001 – De Tantos Amores
2002 – Bossa Tropical
2003 – Todas as Coisas e Eu
2005 – Hoje
2006 – Live At The Blue Note
2006 – Gal Costa Ao Vivo

DVDs

1997 – Acústico MTV
2000 – Gal Costa Canta Tom Jobim
2004 – Outros (Doces) Bárbaros
2005 – Ensaio
2005 – Roda Viva
2006 – Gal Costa Ao Vivo

TRILHAS DE NOVELAS

1972 – A Revolta dos Anjos – Coração Vagabundo, com Caetano Veloso (Rede Tupi)
1972 – Tempo de Viver – Pérola Negra (Rede Tupi)
1974 – Os Inocentes – De Amor Eu Morrerei (Rede Tupi)
1975 – Gabriela (Abertura) – Modinha Para Gabriela (Rede Globo)
1976 – O Casarão (Abertura) – Só Louco (Rede Globo)
1977 – Espelho Mágico – Tigresa (Rede Globo)
1978 – João Brasileiro, O Bom Baiano – Solitude (Rede Tupi)
1978 – Gina – Coração Vagabundo, com Caetano Veloso (Rede Globo)
1978 – Dancin’ Days – Solitude (Rede Globo)
1978 – Pecado Rasgado – De Fogo, Luz e Paixão, com Marcelo (Rede Globo)
1979 – Os Gigantes – Força Estranha (Rede Globo)
1979 – Como Salvar Meu Casamento – Qual É Baiana? (Rede Tupi)
1979 – Dinheiro Vivo – Dez Anos (Rede Tupi)
1979 – Cara a Cara – Folhetim (Rede Bandeirantes)
1980 – Água Viva – Noites Cariocas (Rede Globo)
1981 – Ciranda de Pedra – Dez Anos (Rede Globo)
1981 – O Amor É Nosso – Jogada Pelo Mundo (Rede Globo)
1981 – Brilhante – Meu Bem, Meu Mal (Rede Globo)
1981 – Terras do Sem Fim – Roda Baiana (Rede Globo)
1982 – O Ninho da Serpente – Baby, com Caetano Veloso (Rede Bandeirantes)
1982 – Final Feliz – Verbos do Amor (Rede Globo)
1982 – Campeão – Bloco do Prazer (Rede Bandeirantes)
1983 – Louco Amor – Dom de Iludir (Rede Globo)
1983 – Sabor de Mel – Luz do Sol (Rede Bandeirantes)
1984 – Transas e Caretas – Baby, com Roupa Nova (Rede Globo)
1984 – Corpo a Corpo – Nada Mais (Rede Globo)
1984 – Vereda Tropical – Um Dueto, com Francis Hime (Rede Globo)
1985 – Um Sonho a Mais – Chuva de Prata (Rede Globo)
1987 – Bambolê – Desafinado (Rede Globo)
1988 – Bebê a Bordo – Viver e Reviver (Rede Globo)
1988 – Fera Radical – Me faz bem (Rede Globo)
1988 – Vale Tudo (Abertura) – Brasil (Rede Globo)
1989 – Tieta – Alguém me Disse (Rede Globo)
1990 – Barriga de Aluguel – Eu Acredito (Rede Globo)
1990 – Rainha da Sucata – Nua Idéia (Rede Globo)
1991 – O Dono do Mundo – Solidão (Rede Globo)
1992 – Deus Nos Acuda (Abertura) – Canta Brasil (Rede Globo)
1993 – Mulheres de Areia – Caminhos Cruzados (Rede Globo)
1994 – Pátria Minha – Errática (Rede Globo)
1994 – As Pupilas do Senhor Reitor – Todo Beijo, com Marcelo (SBT)
1995 – História de Amor – Futuros Amantes (Rede Globo)
1995 – A Idade da Loba – Lindeza (Rede Bandeirantes)
1995 – A Próxima Vítima – Alguém Que Olhe Por Mim, com Cauby Peixoto (Rede Globo)
1996 – Antônio Alves, O Taxista – Lindeza (SBT)
1996 – Anjo de Mim – O Amor (Rede Globo)
1997 – Zazá – Jovens Tardes de Domingo (Rede Globo)
1998 – Torre de Babel (Abertura) – Pra Você (Rede Globo)
1998 – Fascinação – Inquietação (SBT)
2001 – Porto dos Milagres (Abertura) – Caminhos do Mar (Rede Globo)
2003 – Mulheres Apaixonadas – O Amor em Paz (Rede Globo)
2003 – Jamais Te Esquecerei – Epitáfio (SBT)
2003 – Celebridade – Nossos Momentos (Rede Globo)
2004 – Metamorphoses – As Time Goes By (Record)
2004 – Senhora do Destino – Dono dos Teus Olhos (Rede Globo)
2005 – Alma Gêmea – Linda Flor (Yayá, Ai Yoyô) (Rede Globo)
2005 – Os Ricos Também Choram – Begin The Beguine (SBT)
2005 – Prova de Amor – Mar e Sol (Record)
2005 – Belíssima – Coisa Mais Linda, com Paulo Bellinati (Rede Globo)
2006 – Bicho do Mato – Sexo e Luz (Record)
2006 – O Profeta – Caminhos Cruzados (Rede Globo)
2007 – Paraíso Tropical – Ruas de Outono (Rede Globo)
2007 – Eterna Magia – Pra Machucar Meu Coração (Rede Globo)
2007 – Amor e Intrigas – Samba do Avião (Record)
2008 – Ciranda de Pedra – E Daí? (Proibição Inútil e Ilegal) (Rede Globo)

Veja também:
TROPICÁLIA   http://jeocaz.wordpress.com/2008/03/05/tropicalia/


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