DRÁCULA E OS VAMPIROS

Novembro 14, 2009

Desde a antiguidade que o mito do vampiro suscita a curiosidade das pessoas. Suas lendas estão envoltas de mistério e perigo. O vampiro representa o homem e a sua eterna vontade de ser jovem, indo contra as leis da natureza e das religiões para obter essa juventude. O vampiro não morre, não envelhece, alimenta-se do sangue, o que lhe garante atravessar os séculos. É esta perenidade cruel que tanto seduz as pessoas, fazendo dos vampiros seres mitológicos cultuados, divulgados na literatura, no cinema, na televisão, nas revistas em quadrinhos e em diversos jogos digitais.
De todos os vampiros, Drácula é o mais famoso. Saído das páginas literárias, foi apresentado ao mundo em 1897, quando o escritor irlandês Bram Stoker publicou aquela que seria a sua obra-prima, “Drácula”. Apesar de nunca confirmado, o autor teria encontrado inspiração na figura de um nobre medieval, o voivoda (príncipe) da Valáquia Vlad Tepes. Drácula representa a obsessão pelo poder e pela eternidade. É desprovido de qualquer remorso ou compaixão. Para sobreviver, não hesita em matar e sorver o sangue das suas vítimas. É sedutor e misterioso, atraindo para si a paixão frívola das mulheres. Mas Drácula perde o seu lado demoníaco, quando persegue pelos séculos o amor da sua amada, que morta no passado, volta em reencarnações recentes. Um amor obsessivo, que faz do conde um ser humano, apesar da sua condição de vampiro. Esta vertente humana, obsessivamente apaixonada, a sua beleza fria e a cheirar a cadáver, os seus poderes ilimitados, sua capacidade de hipnotizar os que o ladeiam, fazem do conde Drácula um demônio sedutor, que atrai multidões aos cinemas, ou mesmo às páginas literárias.
Amados e temidos, Drácula e os vampiros construíram nas lendas modernas um espaço cada vez mais explorado e idolatrado. O fascínio dos vampiros fez com que deixassem de ser vistos como demônios das religiões pagãs, para serem cultuados como membros das lendas contemporâneas, exercendo curiosidade sem que se confundam com o misticismo. Algumas seitas modernas veneram os vampiros, mas não chegam a seduzir muitos seguidores, ao contrário das personagens fictícias exploradas na ficção. Drácula e os vampiros fazem parte da história do cinema e de uma literatura de culto. Continuam a hipnotizar milhares de pessoas com os seus poderes e a sua suposta juventude eterna.

O Sangue e os Vampiros

A lenda do vampiro surge da visão que o homem tem do sangue, como fator mantenedor da própria vida. Tanto as antigas religiões politeístas, chamadas de pagãs, quanto às monoteístas, consideram o sangue como sagrado, sendo o responsável pelo envelhecimento e pela morte do homem.
A importância do sangue nas religiões, fez com que várias delas derramasse-o nos altares, em sacrifício aos deuses. Na tradição hebraica, o sangue humano não poderia ser oferecido, posto que a vida é sagrada, inviolável e intocável. Nos sacrifícios ao Deus único de Abraão, era oferecido apenas o sangue de animais considerados puros. Os egípcios, as civilizações da Mesopotâmia e mesmo os gregos e os romanos, ofereciam o sangue humano em holocausto aos seus deuses.
Se o sangue era considerado o símbolo da vida, houve sempre um entendimento que se um velho fosse alimentado pelo sangue de um jovem, recuperaria as forças e venceria a morte. Foi a partir dessa teoria que se desenvolveu a própria ciência da transfusão sanguínea. Homens poderosos recorreram ao sangue de jovens quando já próximos da morte. O papa Inocêncio VIII, em seu leito de morte, em 1492, teve um tratamento especial, feito por um médico judeu, que lhe aplicou uma transfusão com o sangue extraído de três meninos de dez anos. As três crianças morreram e, conseqüentemente, o próprio papa. A transfusão sanguinea é amplamente descrita e divulgada no romance de Bram Stoker.
Os vampiros surgem como demônios que venceram os obstáculos da morte, alimentando-se com o sangue sagrado, de onde tiram a juventude e a eternidade, tornando-se portadores de poderes especiais e de uma força hercúlea. O sangue, de preferência humano, é o que lhes confere a imortalidade do corpo e a desintegração da alma, visto que são mortos vivos, e não possuem uma. Quando contaminado e transformado em vampiro, ele sente a morte da alma, ressuscitando em um ser com hábitos bestiais e atitudes de demônio, desprovidos da compaixão e de atos de generosidade. Ao conseguir a imortalidade, o vampiro perde as promessas divinas, pois está condenado a ser eternamente um assassino, a matar para comer. Qualquer templo religioso ser-lhe-á negado, e os símbolos, como a cruz, transformar-se-á em armas que o pode vir a castigar, repelir ou até mesmo a matá-lo.

As Características dos Vampiros

Seres mitológicos antigos, os vampiros estiveram presentes nas tradições dos povos e das civilizações do Médio Oriente, da Europa e do Egito. Foi nas civilizações antigas do Nilo que surgiram os primeiros relatos sobre esses seres misteriosos, sendo os mais conhecidos e sanguinários Khonsu e Sekhmet. Na Suméria, o vampiro chegou a ser visto como filho de Lilith, um ser mitológico da tradição judaica, considerada a primeira mulher do mundo e de Adão. Muitas vezes foi confundido com Incubus. Na antiguidade, os sacerdotes identificavam os vampiros através das unhas, que eram fortes e mais grossas do que o normal, assimilando-se às garras.
Ao se tornar um vampiro, o contaminado deixa de poder ter contacto com o sol, dormindo, assim como os morcegos, durante o dia e caçando alimento à noite. Seus olhos ficam mais sensíveis à luz, e passam a ter uma visão potente. Para que possa obter o sangue como alimento, desenvolve os dentes caninos, transformando-os em longas presas.
Poderes estranhos e demoníacos possibilitam que os vampiros transformem-se em morcegos e lobos. Tornam-se senhores dos animais noturnos, controlando-os e dirigindo-os. Originalmente, os vampiros tinham a pele escura e grossa, nas versões cinematográficas atuais, passaram a tê-la branca e fantasmagórica. A audição passa a ser extremamente sensível e alta, fazendo com que sejam capazes de ouvir a aproximação de pessoas ou de outros vampiros a quilômetros de distância. Quando em perigo, podem desaparecer em uma névoa.
O vampiro perde a maioria dos seus órgãos vitais, como fígado, rins e pâncreas, que deixam de ter utilidade. O coração é o órgão que continua a funcionar em seu peito. Mas não possui ritmos característicos como nos seres humanos, batendo quase que imperceptivelmente. É como uma bomba que quando detonada, pode matar e destruir o vampiro.
Aos vampiros não é permitido que se reproduzam entre si. O desejo sexual de um vampiro é tão latente quanto a sua sede de sangue. O desejo é refletido no seu poder irresistível de sedução, levando os humanos à paixão. Quando há um encontro de um vampiro com uma humana, ele pode engravidá-la. O filho dessa união terá poderes especiais, como saber distinguir quem é ou não vampiro, será dono de uma força extraordinária e de aguçado desenvolvimento dos cinco sentidos. As características são transmitidas geneticamente aos descendentes do humano e do vampiro.
Apesar de poderes quase que ilimitados, o vampiro passa a ter certas limitações que lhe podem ser fatais. O sol pode queimar-lhes a pele e afetar-lhes a visão, reduzindo-os a cinzas. Como foram desprovidos da alma, e matam para conseguir o alimento; a hóstia, a água benta, os metais consagrados, a cruz e os templos, tornam-se insuportáveis a eles, assim como o cheiro do alho. Podem ser mortos com uma estaca fincada no coração, transformando-os em pó.
Ao longo do tempo, várias características foram acrescentadas ao mito, sendo a imaginação o principal condutor das verdades vampirescas. Dos castelos medievais às tumbas de concreto, os vampiros modernizam-se, fazendo das suas aventuras uma sedutora paixão na legião dos seus fãs e mesmo daqueles que não os cultua, mas não lhes resiste.

O Mítico Príncipe Vlad Tepes

O lendário conde Drácula foi criado por Bram Stoker, que o lançou em um livro que levava o seu nome, em 1897. A idéia surgiu quando o autor trabalhava como administrador do Royal Lyceum Theatre de Londres, cargo oferecido pelo amigo Henry Irving, de quem era, ao mesmo tempo, secretário e empresário. Na época Bram Stoker entrou em contato com uma sociedade londrina que tinha fascínio pelo sobrenatural. Em 1890, ele começou a escrever um romance sobre vampiros, sem título definido. No verão daquele ano, estava em férias em Whitby, quando cogitou pela primeira o nome de “Drácula” para aquele romance.
Na última década da centúria oitocentista, a Inglaterra era tomada pela efervescência dos movimentos espiritualistas, o que influenciou profundamente Bram Stoker. Esoterismo e ciência mesclavam-se entre os intelectuais da época. Stoker passa a estudar certos detentos nas cadeias inglesas, obcecados por verterem sangue e ingeri-lo. Sete anos após ter sido iniciado, Bram Stoker publica “Drácula”. Lançando a personagem para o mundo, tornando-a mais importante do que a própria obra literária.
Baseado nas histórias de vampiros da Transilvânia, região da Romênia, “Drácula” pode ter sido inspirado no príncipe da Valáquia, Vlad Tepes Draculea, que viveu no século XV. Vlad III nasceu em 1431, em Sighisoara, atual Romênia. Tornar-se-ia voivoda (príncipe) da Valáquia por três vezes: em 1448, de 1456 a 1462 e em 1476. Vlad III viveu na época em que o Império Otomano tomou Constantinopla aos gregos, em 1453, e iniciou a sua expansão pelos Bálcãs, originando uma guerra sangrenta entre cristãos e muçulmanos.
Vlad III era filho de Vlad II, membro de uma sociedade cristã de Roma, chamada Ordem do Dragão, em que nobres da região se uniam para defender os territórios da invasão Otomana. Como membro da ordem, Vlad II era chamado de Vlad Dracul (dragão). Seu filho, Vlad III, herdou por conseqüência, a alcunha do pai, sendo chamado de Vlad Draculea – filho do dragão, já que a terminação “ea” significa filho.
Vlad Draculea ficou conhecido pela crueldade e perversidade com as quais tratava os seus inimigos. As suas atrocidades alimentavam o imaginário popular de alguns camponeses, que passaram a associá-lo com os mitológicos vampiros. Diante daquela crueldade, a palavra Dracul, que também significava “diabo”, passou a ter este sentido quando os inimigos de Vlad Draculea referiam-se a ele.
O voivoda tinha como costume empalar os seus inimigos, atravessando-os com uma estaca de madeira. Para assistir ao suplício, costumava montar uma mesa no local e saborear um banquete, enquanto os inimigos agonizavam empalados. Por esta razão, passou a ser chamado de Vlad Tepes (Tsepesh), que significava “O Empalador”.
Vlad Tepes Draculea foi morto em batalha pelos otomanos em Bucareste, em 1476. Seu corpo foi decapitado e sua cabeça enviada à Constantinopla, onde o sultão a manteve em exposição em uma estaca, como prova que o famoso empalador estava morto. Seu corpo foi enterrado numa ilha próxima de Bucareste, Snagov. O túmulo foi escavado por arqueólogos em 1931, mas no lugar do corpo só encontraram ossos de animais, o que reforçou a lenda de que Vlad Draculea era um vampiro.
Na Romênia e na Moldávia, Vlad Tepes Draculea é tido como herói nacional, por ter erguido vários mosteiros e combatido a expansão Otomana. Na vizinhança de Brasov, em Bran, ergue-se o castelo de Bran, conhecido como o castelo de Drácula. A fortaleza está situada na estrada 73, na fronteira da Transilvânia com a Valáquia e pode ser visitada por turistas. Vlad Draculea na verdade não residiu no castelo, a não ser quando teve que passar dois dias fechado na sua masmorra, quando os otomanos controlavam a Transilvânia. Por possuir torres pontiagudas e localização remota, o voivoda teria utilizado a fortaleza para fins militares.

O Conde Drácula

A descrição física da personagem de Drácula, segundo estudiosos, corresponde ao amigo de Bram Stoker, Henry Irving, que tinha uma voz sibilante. Drácula era um poderoso conde que vivia na Transilvânia na Idade Média, que confrontou inimigos, teve um grande amor na sua vida e ao perdê-lo, também se perde, envolvendo-se com o sobrenatural, tornando-se um frio vampiro.
Sendo uma personagem que se encontra em domínio público, Drácula sofreu grandes alterações nas diversas adaptações que se lhe foram criadas. Há aqueles que o descreve mais romântico, que ao receber a visita do inglês Jonathan Harker em seu castelo, descobre através de uma fotografia, que Mina, noiva de Harker, é a reencarnação do grande amor da sua vida. Assim, parte para a Inglaterra, em busca do amor renascido. Durante a viagem e ao chegar ao Reino Unido, transmite o terror e a morte por onde passa.
Não importa a versão, Drácula é sempre descrito como um vampiro sedutor, sanguinário e frio. Traz poderes sobrenaturais, uma força física extraordinária. Pode adquirir formas animais, hora como morcego, hora como lobo. Durante o dia dorme dentro de um caixão. Seus poderes estão concentrados na terra da Transilvânia, quando em viagem para a Inglaterra, leva sacos dela no navio em que embarca. Não tem a imagem refletida em um espelho. Utiliza-se da hipnose para controlar os seus inimigos. Tem controle absoluto sobre os seres noturnos, como morcegos ou corujas. Com um toque pode incendiar objetos, como a cruz, transformando-a em cinzas. Mata, sem remorsos, às suas presas, fazendo-as vampiras como ele, se lhes oferecer o próprio sangue.
Drácula é imortal, não envelhece, representa a virilidade juvenil eterna. Comanda o clima noturno, trazendo a névoa quando lhe for útil. Sua força sedutora encanta e faz perder as mulheres. Sua pele regenera-se quando arranhada, e os ferimentos são cicatrizados. Não fosse um vampiro, Drácula seria o exemplo perfeito do homem que apaixona o sexo oposto.
Mas Drácula pode perder a imortalidade diante de certas circunstâncias, que guarda como segredo. Se voa como um morcego ou caminha ágil como um lobo, o vampiro pode ser ferido com símbolos religiosos como a cruz e a água benta, que se lhe tocado à pele, pode queimá-la. O alho e a prata afastam-no momentaneamente de quem se lhe ergue. Não pode entrar na água, a não ser em uma embarcação. Um simples ramo de flores silvestres posto em seu caixão pode mantê-lo preso. O sangue é o alimento essencial que lhe dá o poder, a juventude e a suposta imortalidade. O sol é um grande inimigo, se exposto a ele, é reduzido instantaneamente a cinzas. Mas a sua maior e mais fatal fraqueza é o coração que, se trespassado por uma estaca de madeira, o levará à morte. Em algumas versões, após a estaca ser cravada no coração, e que ele for acometido pelo torpor da morte, deverá ser decapitado para que se conclua a sua morte.
Assim como o demônio é enganador, também Drácula é enganado, ao pensar ser eterno e, ser sempre apanhado e morto pelas suas fraquezas, deflagradas pelos eternos defensores do bem. Drácula é o sonho do homem em ter a juventude e a vida eterna, mas também o castigo para quem as obtém indo contra os princípios estabelecidos por Deus e pela natureza.

Drácula no Cinema

O fascínio que Drácula exerce sobre grandes platéias, fez com que o seu mito fosse explorado em dezenas de produções cinematográficas e televisivas. A primeira vez que a história do conde vampiro chegou às grandes telas foi em 1922, no genial filme de F. W. Murnau, “Nosferatu, Eine Symphonie de Grauens”. Embora baseado na história de Bram Stoker, o filme teve que mudar o nome de Drácula para Nosferatu, devido a exigências dos herdeiros do escritor, que não permitiam que a obra fosse adaptada. “Nosferatu” foi um grande sucesso, tornando-se um clássico do cinema universal. Com ele, inaugurava-se uma saga cinematográfica sobre o conde Drácula, que teria várias versões. Um filme de ficção sobre os bastidores do clássico de Murnau, “A Sombra do Vampiro” (2000), sugere que Max Schreck , ator que viveu Nosferatu, era um vampiro de verdade contratado pelo diretor.
Em 1931, surgiu o filme “Drácula”, de Tod Browning. Já a personagem tinha caído em domínio público, e pôde ser adaptada sem retoques para o cinema. O filme teve o ator austro-húngaro Bela Lugosi como Drácula. Embora tenha feito apenas dois filmes interpretando o conde, o já referido filme de 1931, e a comédia “Bud Abbott Lou Costello Mette Frankenstein” (“Às Voltas com Fantasmas”), em 1948, Bela Lugosi teve a sua imagem e carreira ligadas à personagem para sempre. Ainda hoje, tem-se a idéia de que o ator protagonizou várias vezes o famoso vampiro.
Em 1958, “Drácula”, de Terence Fisher, lançava o ator Christopher Lee como Drácula. Apesar de odiar a personagem, ele faria o conde em vários filmes, tornando-se o seu intérprete mais famoso. Nesta produção, iniciava-se uma grande parceria com Peter Cushing, outro grande ator que se especializaria em filmes de horror.
Drácula de Bram Stoker”, de Francis Ford Coppola, de 1992, foi uma das versões mais fiéis ao romance original. O filme pôde usufruir da tecnologia dos efeitos especiais, dando um clima de suspense luxuoso à velha história. Produção bem cuidada, a adaptação de Coppola só perde na interpretação quase que afetada de Gary Oldman. O ator imprime pouca virilidade ao conde, dando-lhe um aspecto que às vezes, beira à frivolidade, distante da frieza apaixonante e cruel de Bela Lugosi e Christopher Lee.
Mais de uma centena de filmes invocaram o mito de Drácula, fazendo do cinema o principal veículo de apresentação do mais famoso, sedutor e cruel dos condes da história. Drácula continuará por muito tempo, a encantar e aterrorizar as platéias do mundo inteiro.

Drácula nas Artes

Literatura

Drácula – Bram Stoker

Cinema

1922 – Nosferatu, Eine Symphonie de Grauens (Nosferatu) – Com Max Schreck
1931 – Drácula – Com Bela Lugosi
1936 – Dracula’s Daughter – Com Otto Kruger e Gloria Holden
1943 – Son of Dracula (O Filho de Drácula) – Com Lon Chaney Jr.
1945 – House of Drácula – Com Lon Chaney Jr e John Carradine
1958 – Dracula (O Horror de Drácula) – Com Christopher Lee e Peter Cushing
1960 – The Brides of Dracula (As Noivas do Vampiro) – Com Peter Cushing
1964 – Batman Dracula – Com Gregory Battcock e Jack Smith
1966 – Dracula: Prince of Darkness (Drácula – O Príncipe das Trevas) – Com Christopher Lee
1968 – Dracula Has Risen from the Grave – Com Christopher Lee
1970 – Count Dracula – Com Christopher Lee
1970 – Taste the Blood of Dracula – Com Christopher Lee
1970 – Scars of Dracula – Com Christopher Lee
1972 – Dracula A.D. 1972 – Com Christopher Lee e Peter Cushing
1973 – Dracula – Com Jack Palance
1973 – The Satanic Rites of Dracula (Os Ritos Satânicos de Drácula) – Com Christopher Lee e Peter Cushing
1974 – The Legend of the Seven Golden Vampiros – Com John Forbes-Robertson e Peter Cushing
1974 – Blood for Dracula – Com Udo Kier e Joe Dalessandro
1976 – Drácula Père et Fils (Drácula, Pai e Filho) – Com Christopher Lee
1979 – Dracula – Com Frank Langella e Laurence Olivier
1979 – Nosferatu: Phantom der Nacht (Nosferatu – O Vampiro da Noite) – Com Klaus Kinski
1992 – Bram Stoker’s Dracula (Drácula de Bram Stoker) – Com Gary Oldman e Anthony Hopkins
2004 – Van Helsing – Com Hugh Jackman e Richard Roxburgh

Séries de TV

1990 – Dracula: The Series
2006 – Young Dracula


OS SETE PECADOS CAPITAIS

Setembro 23, 2009

O conceito do pecado é usado na tradição judaico-cristã para descrever a transgressão do homem diante da Lei de Deus, à desobediência deliberada diante de um mandamento divino.
O conceito do pecado nas grandes religiões monoteístas, judaísmo, cristianismo e islamismo, embora sempre visto como a inclinação humana em errar contra a perfeição divina, tem interpretações diferentes. O judaísmo descreve o pecado como uma violação da Lei, não sendo visto propriamente como uma falta moral; para os hebreus o pecado é um ato, não um estado da alma do homem, não passando de geração em geração, já que o homem é dotado de vontade livre. Para os cristãos católicos, o pecado é a herança que o primeiro homem, Adão, deixou para todas as gerações. É o pecado original, que diante da rebelião de Eva e Adão contra Deus, causou todos os males do mundo. O pecado original, visto que Adão era perfeito, só poderia ser expiado por outro homem perfeito, no caso Jesus Cristo, que não concebido da estirpe imperfeita de Adão e Eva, redime a humanidade diante do seu sangue derramado.
Na doutrina católica, três pecados são assinalados: o pecado original, vindo da rebelião de Adão e Eva no Éden, e transmitida para todas as gerações da humanidade; o pecado mortal, desobediência do homem após adquirir o perdão do pecado original através do batismo, que o leva à morte da alma; e, o pecado venial, cometido pelo homem quando em estado de ignorância das leis, digno do perdão divino. Através desses conceitos, a igreja católica classificou o que hoje é conhecido como os sete pecados capitais.
Os sete pecados capitais precedem ao próprio cristianismo, sendo vícios que se conhecia na antiga cultura grega, adaptados quando se deu a helenização dos preceitos cristãos. Os sete pecados capitais não são encontrados enumerados nas escrituras sagradas judaico-cristãs. A Bíblia refere-se a todos eles e muitos outros de forma dispersa. Eles só vieram a ser classificados e agrupados pela igreja medieval, a partir do século VI, pelo papa Gregório Magno (540-604), que tomou como referências as cartas apostólicas de Paulo de Tarso. Gregório Magno considerou os sete pecados como mortais, que ao contrastar com os veniais, significavam a morte da alma. Capital, do latim caput (cabeça), significa que os sete pecados são os mais altos de todos os outros, sendo eles: a soberba, a ira, a inveja, a avareza, a gula, a preguiça e a luxúria. Para combater cada pecado capital, foram classificadas sete virtudes: a humildade (soberba), a paciência (ira), a caridade (inveja), a generosidade (avareza), a temperança (gula), a disciplina (preguiça) e a castidade (luxúria). Mais do que um conceito geral da oposição do homem à Lei divina, os sete pecados capitais é uma visão moral dos princípios do cristianismo católico e da igreja que ele representa.

As Listas dos Sete Pecados Capitais

A classificação dos sete pecados capitais tem como raiz velhas tradições dos vícios apontados pela filosofia grega, mescladas às cartas apostólicas cristãs. Com a conversão de Roma ao cristianismo, esta religião perde grande parte da sua essência judaica, sofrendo uma helenização que lhe acrescentaria princípios filosóficos vistos como pagãos. Se para os gregos havia a ausência do pecado, as virtudes eram perseguidas como um ideal. Aristóteles mencionava as virtudes como princípio fundamental da busca da felicidade humana. No ascetismo do cristão medieval, o politeísmo grego é substituído pela Lei de Deus, transgredi-la era pecar contra o amor com o qual o Criador nos concebera. Assim, os pecados capitais são extremos opostos às virtudes, que, ao contrário do que pensavam os gregos, não servem para a felicidade do homem medieval, mas para salvar-lhe a alma.
Na origem mais remota da lista dos sete pecados capitais, está a classificação do grego Evágrio Pôntico (346-399), um monge cristão e asceta, que fez parte da comunidade monástica do Baixo Egito, vivendo as suas experiências ao lado dos homens do deserto. O monge traçou as principais doenças espirituais que afligiam ao homem, chamando-as de os oito males do corpo. Os oito crimes ou paixões humanas constavam na lista de Evrágio Pôntico em ordem crescente, conforme o que ele pensava ter mais gravidade, sendo eles:
A gula, a avareza, a luxúria, a ira, a melancolia, a acídia (preguiça espiritual), a vaidade e o orgulho.
Na lista, a melancolia, vista pelos gregos como uma enfermidade da saúde, é transformada em pecado. Evágrio Pôntico parte do conceito de que, à medida que o homem fechava-se no egoísmo de si mesmo, os pecados tornavam-se mais intensos e degradantes da alma, atingindo um apogeu com o orgulho ou soberba.
A doutrina de Evágrio Pôntico foi conhecida pelo monge Joannes Cassianus, que a divulgou no oriente, espalhando-a pelos reinos cristãos.
No século VI, o papa Gregório Magno ouviu falar na lista do monge grego, adaptando-a para o ocidente. Gregório Magno reduziu a lista de oito para sete itens. Juntou a vaidade ao orgulho, preteriu a acídia à melancolia, e, adicionou a inveja. À lista o papa chamou de os sete pecados capitais, sendo eles:
O orgulho, a inveja, a ira, a melancolia, a avareza, a gula e a luxúria.
Gregório Magno usou a sua própria hierarquia na concepção da lista, classificando-a por ordem decrescente, demarcando os pecados que mais ofendiam ao amor.
Os sete pecados capitais foram difundidos pelo mundo cristão medieval, tornaram-se símbolos da agressão do homem contra Deus, e responsáveis pela perda da alma. Várias listas foram elaboradas por teólogos sobre eles. O dominicano Tomás de Aquino fez um grande estudo sobre os sete pecados, dando-lhes princípios filosóficos inspirados na ética grega. Na sua lista, ele enumera como os sete pecados capitais:
A vaidade (soberba), a avareza, a inveja, a ira, a luxúria, a gula e a acídia (preguiça).
No contexto final, a igreja católica classificou os pecados humanos em dois tipos, os pecados que podem ser perdoados através de penitencias, sacramentos e confissões; e, os pecados capitais, dignos da perdição e condenação da alma. Popularizados pelo ascetismo do homem medieval, os sete pecados capitais foram exaustivamente difundidos nas artes e nas lendas da época. No século XVII, a igreja subtraiu oficialmente da lista do papa Gregório Magno a melancolia, por considerá-la vaga como pecado, trocando-a pela preguiça. Por fim, chegou aos nossos dias a seguinte lista de classificação dos sete pecados capitais:
A soberba (ou vaidade), a inveja, a ira, a preguiça, a avareza, a gula e a luxúria.

Evolução dos Sete Pecados Capitais no Mundo Contemporâneo

Para cada pecado foi criada uma ligação com o oposto, originando as sete virtudes, que servem de salvação à alma dos pecadores. São elas:
A humildade, que combate à soberba; a caridade, que quando usada neutraliza a inveja; a paciência, virtude que apazigua a ira; a disciplina, que combate qualquer ociosidade da preguiça da alma e do corpo; a generosidade, poderosa virtude oponente à avareza; a temperança, que evita os excessos da gula; e, a castidade, que protege o corpo, invólucro da alma, da luxúria.
Outras associações foram feitas ao sete pecados capitais. Já na Renascença, Peter Binsfeld comparou-os, em 1589, com um respectivo demônio. Na Binsfeld’s Classification of Demons, seguindo os significados míticos mais usados, a ligação dos sete pecados e os respectivos demônios estão assim enumerados:
Lilith é responsável pela tentação do pecado da soberba (vaidade ou orgulho); Leviatã conduz o homem à inveja; Azazel acende a ira na mente humana; Belphegor está ligado à preguiça; Mammon personifica a avareza; Belzebu está relacionado com a gula; e, Asmodeus, o demônio do sexo e da luxúria.
Mesmo sendo classificados e enumerados pela visão moral e religiosa do homem medieval, os sete pecados capitais continuam presentes na cultura ocidental. Embora o homem contemporâneo tenha amenizado o conceito moral de cada pecado como forma de punição e culpa, a igreja católica continua a usá-los como parâmetros de expiação e prevenção. Em pleno século XXI, o Vaticano não só os ratificou, como atualizou a lista, adaptando-a à realidade de um mundo unido pela globalização. Novos pecados capitais foram acrescentados pelo papa Bento XVI, sendo eles:
A manipulação genética; o uso de drogas; a desigualdade social e, a poluição ambiental, entre outros.
A nova lista de pecados capitais apresentada pelo Vaticano deixa clara que o cristão necessitará de pedir perdão, através da confissão, se cometer tais atos. O homem que acometer contra a natureza, o planeta e à vida, continua a ofender a Deus, cometendo os pecados capitais contemporâneos.

Primeiro Pecado – A Soberba

A soberba, ou vaidade, ou orgulho, é considerada a mãe de todos os pecados. Foi através dela que Eva levou Adão à desobediência, na expectativa de que, ao experimentar do fruto da árvore dos conhecimentos, tornar-se-iam superiores e independentes do próprio Criador. A soberba cega o homem, que através dela, enxerga a grandeza através da distorção da ambição.
Ao procurar a perfeição na extremidade da obsessão, o homem perde-se das suas limitações. De forma passional somos levados a procurar a glória, perdendo a essência de Deus no ápice do poder terreno.
Através da soberba, o homem transforma a sua autonomia de escolha e livre arbítrio em vício, enganando-se sobre si próprio, abraçando o orgulho, a insensatez e a vaidade pessoal, desprezando aos que estão à sua volta e à sua cabeça, como o próprio amor a Deus e à Lei.
A soberba leva o homem a augurar a glória através da falsidade; passando a cultivar a cobiça e a hipocrisia do poder; submetendo-se à imprudência do próprio espelho onde mirou a vaidade e a visão distorcida da sua verdade.
A soberba distancia o homem da humildade, a virtude que se opõe a ela. Distanciando-se da virtude, o homem comete o pecado. Oposta à humildade, a soberba impede o homem de conhecer a ele próprio.

Segundo Pecado – A Inveja

Se a soberba faz o homem voltar à vã glória de si mesmo, a inveja leva-o a atingir outrem, tornando-o mesquinho e repleto de atos que o levam à vilania. Um dos sentimentos mais comuns às pessoas, a inveja reduz a grandeza do ser humano, tornando-o infeliz diante da felicidade alheia.
O homem é atingido pela inveja quando se apega à tristeza ante a glória de outrem, sendo movido por uma força súbita e destrutiva que o faz odiar, ou mesmo atentar contra essa glória ou felicidade alheia.
A inveja leva à maledicência, à intriga e ao falso testemunho. É um pecado que pode passar despercebido pelos que estão à volta de quem o comete, pois é acionado muitas vezes de forma sutil. Ter inveja é uma das maiores características da essência humana. Alimentá-la é muitas vezes, acometer gravemente contra os princípios morais e aos desígnios da fraternidade universal.
A inveja não vem somente em forma de ambicionar o que o outro tem, mas de comparar o Eu e o Outro, numa tentativa muitas vezes inconsciente de subtrair as diferenças, nivelando a sensação de não se suportar alguém que se nos ponha à frente. A inveja distancia-se da caridade, a virtude responsável pela magnificência do homem diante do outro.

Terceiro Pecado – A Ira

A ira leva o homem à insanidade dos atos, fazendo-o travar o sentimento de vingança contra aquele que o ofendeu. Fere não só os princípios do amor divino, como um conceito fundamental do cristianismo, o de oferecer a outra face. A ira leva à vingança, à cólera exacerbada e sem limites, que faz com que se ofenda verbalmente o outro, ou mesmo que se agrida e lese corporalmente aquele que a atiçou.
A ira é completa perda da razão, afetando indelevelmente à construção moral humana. É um estado fugaz na desconstrução da dignidade, não fazendo parte constantemente da personalidade humana. Ela pode vir rápida como um relâmpago, transformando-se mortalmente em um raio. Evitá-la requer um conhecimento do homem por ele mesmo. Não se pode confundi-la com o ódio, que se manifesta muitas vezes de forma racional. A ira é um estado ilógico, em que se perde a razão por completo. É uma explosão irracional da alma, movendo-a para o pecado da existência. É o domínio total da emoção sobre a razão.
A ira opõe-se à virtude da paciência, fazendo com que se perca todos os seus elementos. Pode vir em forma de palavras ultrajantes contra o outro, ou de agressão física, muitas vezes de forma perigosa. É uma explosão destrutiva dos sentimentos ruins, muitas vezes arraigados no inconsciente humano. A paciência é uma virtude que combate a ira, para tê-la, é necessário um grande conhecimento do mundo à volta e de si próprio.

Quarto Pecado – A Preguiça

Dotado da inteligência e da autonomia de criar, caminhar, realizar tarefas e prover o próprio sustento, visto que se perdeu a prosperidade do jardim do Éden; o homem tem por obrigação empenhar toda a sua capacidade, fazendo-o com louvor por herdar do Criador a capacidade das suas ações.
Ao quedar-se diante do empenho da própria sobrevivência e labuta, volvendo-se na procura sem limites do repouso e do prazer em nada fazer, o homem omite-se e passa a negligenciar o seu bem espiritual. Então ele comete o pecado secular da preguiça, fazendo da vida um tédio e uma tristeza não somente ao exterior em que se sobrevive, mas ao interior do espírito.
A preguiça leva à indolência do homem, que não se vê capaz de realizar os atos para os quais Deus o criou, deixando-se levar pela inércia e pelo pecado de desprezar a própria vida, fazendo-a morna e sem o seu devido valor divino e sagrado. A preguiça impede o homem de buscar novos conhecimentos, tantos universais como espirituais, limitando as idéias e o iluminismo à sua volta.
O pecado da preguiça faz com que o homem não perceba o momento, mergulhando em um eterno depois às coisas, sem a preocupação de vivenciar a vida que se lhe foi presenteada pela grandiosidade de Deus. A preguiça opõe-se à virtude da disciplina, responsável pela organização e aprendizado humano, tornando-o objetivo diante do que se lhe põe à frente.

Quinto Pecado – A Avareza

O apego e amor exacerbado pelo dinheiro e pelos bens materiais constituem a principal característica da avareza. A vontade insaciável do possuir liga-se profundamente com a cobiça.
O homem avarento inclina-se em juntar para si todos os tipos de bens materiais, guardando-os e preservando-os como se tivessem vida. O coração avaro endurece, fechando-se às necessidades dos outros que giram ao seu redor. O desejo de possuir bens materiais faz parte da essência humana, tomá-lo como objetivo principal aflora o pecado capital da avareza.
O avarento tenta através da busca e preservação dos bens, suprir uma carência afetiva e dificuldade em receber e dar o afeto, fazendo do possuir uma sensação efêmera de vitória e realização. À medida que a avareza toma conta da alma, a insatisfação pessoal ultrapassa ao bem estar material, deixando o avarento inquieto e solitário, preso em uma busca constante de querer para si todos os bens palpáveis e materiais, sobressaindo-se aos afetivos e espirituais. A avareza tira do homem a satisfação em dividir, presentear e conviver em grupos sociais. Só o seu mundo inconstante em busca de bens passa a fazer sentido, o medo de perdê-lo faz com que se isole cada vez mais.
O pecado da avareza opõe-se à virtude da generosidade. O homem deixa de ser generoso com o próximo, apegando-se ao dinheiro e à necessidade de gastá-lo em algo que possa reter. É através da generosidade que o homem atinge a sua essência universal, a avareza corrói esta virtude, aflorando a parte mesquinha do gênero humano, fazendo dele uma ilha isolada.

Sexto Pecado – A Gula

Os princípios básicos da sobrevivência de qualquer ser vivo na natureza, seja o homem ou os animais, estão na capacidade de comer e de fazer sexo. A comida garante que se mantenha vivo, o sexo que se perpetue como prole. Comida e sexo garantem a perpetuação da vida, através de um prazer que causa o bem estar de todo ser vivo.
Comer e beber faz parte da alegria humana, da garantia da sua sobrevivência. São prazeres que normalmente o homem transgride, fazendo da necessidade o desejo, resumindo-o à satisfação do desejo de um pecado venial, não ao prazer de sobreviver.
Ordenar o prazer natural que rege as nossas vidas nem sempre é possível, gerando o pecado da gula, que constitui numa procura intensa do prazer no beber e no comer. A razão esvai-se, sucumbindo ante da vontade. O apetite em excesso transforma-se na fome de viver, não no prazer dele se retirar a sobrevivência. A gula trava luta constante entre o prazer da carne e o crescimento espiritual, afastando o homem de Deus, que se torna no furor do seu apetite, negligente com a alimentação espiritual.
A gula é o pecado capital que contrasta com a virtude da temperança. Seus excessos levam à degradação do próprio corpo humano, que uma vez sendo alimentado com mais do que necessita, perde o seu equilíbrio natural e saudável. A saúde esvai-se se não mantida com a temperança.

Sétimo Pecado – A Luxúria

Se o sexo é o prazer que o homem tem no seu instinto básico para que se perpetue a sua prole, ele em excesso traz o vício, a desonra e o desequilíbrio da harmonia. A luxúria é a procura obsessiva e desordenada dos prazeres da carne, levando-nos ao vazio absoluto dos sentimentos.
A visão do sexo como luxúria torna este pecado capital o mais controverso no século XXI. A evolução moral da civilização judaico-cristã trouxe a chamada liberação sexual, em que o sexo passou a ser visto como fonte de prazer físico e psicológico e não apenas como função reprodutiva. Muito do que era visto como luxúria pela igreja medieval, foi diluída na liberação dos costumes sexuais da sociedade ocidental.
Mesmo diante da revolução sexual que aflorou na segunda metade do século XX, a visão do pecado da luxúria, o sexo em excesso, continua a ser a mesma que se apresentava quando o papa Gregório Magno criou a lista dos sete pecados capitais. O dominicano Tomás de Aquino, classificava a luxúria em duas vertentes: a primeira, quando praticada contraria o bom senso e a razão, originando a fornicação excessiva, a agressão contra os princípios da castidade, o adultério entre os casais, e o incesto entre os membros da família; a segunda vertente de Tomás de Aquino é a luxúria que contraria a ordem natural do ato venéreo, como a sexualidade praticada entre pessoas do mesmo sexo. Se Tomás de Aquino utilizou a ética aristotélica em sua teologia dos sete pecados, com a luxúria ele deixa a filosofia grega, apegando-se aos preceitos judaico-cristãos, que condenam o homossexualismo, transformando o ato no mais grave dentro da luxúria, sendo visto como mais abominável do que o adultério e o incesto.
O pecado da luxúria opõe-se à virtude da castidade, muito apreciada pelo homem através dos séculos, mas que perdeu a importância da sua essência quando das mudanças culturais que a cristandade católica sofreu nas últimas décadas. A castidade embora minimizada, continua a ser uma virtude admirada, mas deixou de fazer parte essencial da sexualidade do homem contemporâneo.


QUANDO OS BONDES E OS AUTOMÓVEIS INVADIRAM AS RUAS DE SÃO PAULO

Agosto 30, 2009
São Paulo é uma metrópole com cerca de 13 milhões de automóveis, uma das maiores frotas do mundo. O imenso número obrigou a promulgação de uma lei municipal que criou um sistema de rodízio, proibindo que todos os automóveis circulem ao mesmo, evitando assim, congestionamentos caóticos e uma poluição a nível insuportável na atmosfera da cidade.
Uma vasta rede de transportes ajuda o deslocamento diário de milhões de habitantes. Metropolitano, trens suburbanos, ônibus, tudo faz parte de um complexo, e nem sempre eficaz, serviço de locomoção que não deixa a maior cidade do Brasil parar.
Mas nem sempre foi assim. Durante séculos a capital paulista não passou de uma vila atrasada, que mesmo quando elevada à categoria de cidade, manteve-se fechada ao país, longe de vislumbrar o progresso. Nas ruas de chão batido, carros de bois, mulas e outros animais serviam de transporte. Com a chegada das estradas de ferro, que transpunham a Serra do Mar e ligavam a capital paulistana com as terras produtoras cafeeiras do interior, rompeu-se finalmente, o isolamento ao qual São Paulo estava confinada.
Primeiro chegaram as estações ferroviárias, trazendo o progresso. Depois, em 1872, vieram os bondes, a princípio movidos à tração animal, depois à eletricidade. Finalmente, o primeiro automóvel chegou às ruas em 1893. Desde então, jamais parou de circular. O progresso veio como um meteoro atingindo a pacata cidade, transformando-a em grande metrópole. Este artigo é um passeio pelos primórdios dos transportes em São Paulo, ilustrado por fotografias de cartões postais da época, que registraram com primor o pulsar do progresso daquela que se tornaria uma das maiores cidades do planeta.

As Estações Ferroviárias

O difícil acesso a São Paulo, fez dela uma vila pobre e isolada. Entre o litoral e os vales genéticos havia a grande muralha da Serra do Mar, quase que instransponível. Os bandeirantes desbravaram as matas, partindo da vila paulistana, que se tornou um entroncamento entre o mar e o interior sertanejo. Com o passar dos anos, o progresso chegou, aos poucos, à vila, elevando-a a uma cidade isolada, suja e sem brilho. Assim foi até que se entrou na época em que a produção cafeeira tornou-se a principal economia do Brasil. Novamente São Paulo servia de entroncamento entre o porto para onde o café era escoado, e as terras férteis do interior do Estado, onde era cultivado.
Com a necessidade de se escoar o café, exportando-o para o resto do mundo, era preciso modernizar os meios de transporte. Surgiram as estradas de ferro que ligavam o interior produtor de café com a capital paulistana, transpondo a Serra do Mar. Primeiro veio a Estrada de Ferro dos Ingleses, em 1867, na década seguinte surgiram a Sorocabana e a Central do Brasil, fazendo de São Paulo um importante entroncamento viário, trazendo-lhe um súbito surto de progresso. Através das estradas de ferro circulavam as riquezas que convergiam do interior e do litoral, e as industrias, nascidas ao longo dos desvios ferroviários.
A The São Paulo Railway, ou Estrada de Ferro dos Ingleses, interligava Santos a Jundiaí. Foi idealizada pelo Barão de Mauá, que associado a capitalistas ingleses, conseguiu a aprovação do imperador ao projeto, em 1859. Sua abertura ao tráfego foi feita oficialmente em 16 de fevereiro de 1867.
A principal estação da São Paulo Railway era a mítica Estação da Luz. Trazendo na sua versão original uma arquitetura modesta, a primeira Estação da Luz foi inaugurada no mesmo dia que se abriu o tráfego da Estrada de Ferro dos Ingleses, em 1867. Ao seu redor, foram desenvolvendo pequenas indústrias e bairros operários como o Bom Retiro e o Brás. A estação atual, um prédio neoclássico, foi construída entre 1895 e 1901, provavelmente inspirada na Flinders Street Station, de Melbourne ou Sidney, na Austrália. O material usado na construção foi todo importado da Inglaterra. Tendo a torre mais alta de São Paulo na época, a Estação da Luz tornou-se um chamativo atrativo da cidade, transformando-se em um grande cartão-postal, tornando-se por muitos anos o símbolo da Paulicéia. Um grande incêndio, em 1946, destruiu o prédio parcialmente. Reformada, ela teve o acréscimo de um pavilhão, sendo reinaugurada em 1950. A estação passou, ao longo das décadas, a receber ônibus vindos de todo o Brasil. A função de estação rodoviária foi extinta em 1982, com a inauguração do Terminal Rodoviário do Tietê.
A Estrada de Ferro Sorocabana, que ligava o interior paulistano e os estados do sul à Paulicéia, foi inaugurada em 10 de julho de 1875. Inicialmente, a estação que servia à estrada era a de um prédio antigo da Praça General Osório, construído em 1914, sobre um projeto do escritório de Ramos de Azevedo. Este prédio viria a ser as instalações do tétrico Dops (Departamento de Ordem Política e Social), tornando-se um dos locais de tortura de presos políticos durante a ditadura militar. Atualmente abriga a Pinacoteca de São Paulo.
Em 1938 foi inaugurada uma nova estação da Estrada de Ferro Sorocabana, chamada de Estação Júlio Prestes. O prédio da estação, projeto do arquiteto Christiano Stockler das Neves, começou a ser construído em 1926. Trazia uma belíssima torre de 75 metros de altura e um magnífico salão. Nos dias atuais, depois de reformado, o prédio foi destinado a ser utilizado como espaço cultural.
Finalmente, a Estrada de Ferro Central do Brasil (aqui em uma fotografia de um cartão postal de 1905), que ligava a capital do Brasil, Rio de Janeiro, à capital paulista, tinha a sua estação na Avenida Rangel Pestana, nas proximidades do Largo da Concórdia, no Brás. Popularmente conhecida por Estação do Norte, foi inaugurada em 1875. A partir de 1887, dois trens noturnos, um deles de luxo, mantinham a ligação com a capital federal. A estação foi demolida no começo do século XX, sendo substituída pela Estação Roosevelt.
Para completar o ciclo ferroviário primitivo de São Paulo, existia a Estação da Cantareira, situada na Rua 25 de Março, em frente ao mercado. Dali saía uma pequena linha de tramways, depois uma ferrovia, inaugurada em 1894. Um pequeno trem, chamado de “trenzinho da Cantareira”, atravessava a cidade rumo a Serra da Cantareira, onde estava o Horto Florestal e os açudes que abasteciam de água a cidade. Era uma viagem que servia como turismo ecológico, com paisagens pitorescas. O trenzinho parava em Santana, Mandaqui, Tremembé e na Cantareira. A última viagem do trenzinho da Cantareira foi feita em 31 de maio de 1965, pela locomotiva 3131. Na plataforma, uma faixa feita pelos servidores dizia-lhe adeus:
Os funcionários do Trenzinho da Cantareira desejam ao comércio e ao povo muitas felicidades, no adeus saudoso de despedida ao velho e inesquecível trenzinho.”

A Implantação dos Bondes

O progresso lento da capital paulista foi aos poucos, acelerando. Transformada em uma cidade de entroncamento ferroviário, era preciso que transportes eficazes vencessem as distâncias e chegassem aos novos bairros operários. Em 1872, foi inaugurada a primeira linha das chamadas diligências sobre trilhos da cidade, efetuada pela Carris de Ferro de São Paulo. Os primeiros transportes eram efetuados por tração animal. O sistema era tido como um passo importante rumo à modernidade de uma cidade que começava a ter importância no cenário econômico do Brasil.
Mas o sistema de bondes só ganhou grande impulso quando a energia elétrica chegou à Paulicéia, iluminando as suas ruas. Em 1900 começaram a circular os bondes elétricos da Light. A primeira linha inaugurada foi a da Barra Funda. As linhas de bondes elétricos foram, aos poucos, conectadas a todos os bairros da cidade. Os serviços oferecidos pelo transporte eram distintos, tendo bondes de primeira e segunda classe; alguns especiais para transportar operários; ou ainda, aqueles que circulavam à saída dos teatros e dos campos de futebol, que se tornaram a nova febre da Paulicéia.
A vida dos bondes elétricos pelas ruas de São Paulo foi longa, durou mais da metade do século XX. Em 27 de março de 1968, foi realizada a última viagem de bonde elétrico na Paulicéia. O último bonde foi o carro “Camarão 1543”, da linha de Santo Amaro. Saiu todo enfeitado com bandeiras. A população paulistana veio às ruas despedir-se do tradicional transporte. Senhoras já saudosas punham os filhos nas janelas para fotografar o bonde. Pelos bairros, mesas preparadas com banquetes interrompiam o trajeto, obrigando-o a parar. A população cantava velhas marchinhas de carnaval, acenando com lenços brancos, causando comoção e lágrimas na despedida do último bonde elétrico de São Paulo.

O Automóvel Chega às Ruas da Paulicéia

O primeiro automóvel circulou pelas ruas de São Paulo em 1893. Pertencia a Henrique Santos Dumont, irmão do célebre aviador Alberto Santos Dumont. Há relatos que apontam para o próprio Santos Dumont como dono do primeiro carro que teria circulado não só em São Paulo, como no Brasil. O Pai da Aviação teria trazido da França, em 1891, um Peugeot que havia comprado por 1200 francos.
O segundo automóvel a circular pela capital paulista viria em 1898, sendo de propriedade do doutor Tobias de Aguiar. Tinha dois lugares, rodas dianteiras menores que as traseiras, portando uma alavanca horizontal como volante.
Nos primeiros anos do século XX, diante da novidade nas ruas paulistanas, o prefeito Antonio Prado obrigou os veículos a utilizarem placas, mediante pagamento de taxa. Henrique Santos Dumont teria solicitado a isenção do pagamento da taxa, alegando que as ruas da cidade estavam em más condições para a circulação de tráfego. A crítica não agradou ao prefeito. Henrique Santos Dumont teve a sua licença para dirigir automóvel caçada e perdeu a placa P-1, que foi posta, em 1903, no carro do industrial Francisco Matarazzo.
Antonio Prado baixou uma portaria, que garantia a velocidade máxima “a de um homem a passo” nos locais com aglomeração de pessoas, podendo exceder aos 12 quilômetros por hora nas ruas da cidade, aos 20 quilômetros nos locais habitados, e a 30 quilômetros em campo raso. A licença de habilitação dada pela prefeitura exigia que o motorista conhecesse todos os componentes do automóvel e saber manobrá-lo, além de ser necessário ter “prudência, sangue frio e visualidade”, segundo a portaria baixada.
Em 1904 foi criada a Inspetoria de Veículos, que registrou a existência de 84 automóveis em São Paulo.
Em 1908 foi fundado o Automóvel Club de São Paulo, que logo à partida, organizou uma corrida, chamada de “Bandeirantes Sobre Rodas de Borracha”. Quinze carros participaram, tendo o conde Silvio Penteado chegado em primeiro lugar, após percorrer setenta quilômetros em uma hora e trinta minutos.
Em 1912, foi inaugurado o transporte motorizado de passageiros, que viriam a ser os futuros táxis, pela empresa Auto Viária Paulista.
A direção dos carros era uma exclusividade dos homens. Quando a Senhora Batista Franco, em 1918, chegou a São Paulo dirigindo o seu automóvel, provocou grande escândalo, incitando a indignação e o repúdio das famílias tradicionais paulistanas.
Diante do crescimento de veículos circulando pelas ruas de São Pulo, em 1915, no governo de Washington Luís, foi instituído o policiamento do trânsito, com guardas que, usando luvas e polainas brancas, montados em cavalos, dirigiam o tráfego de veículos e pedestres. Para que se pudesse ser um policial do trânsito, o candidato ao cargo tinha que ter no mínimo 1,80 metro de altura.
Em 1920, a Ford chegou ao Brasil; numa oficina da Rua Florêncio de Abreu, começou a fabricar carros no país.
Os primeiros ônibus que invadiram a capital paulistana surgiram em 1924, numa conseqüência da crise que o bonde elétrico atravessava como transporte público. Os primeiros ônibus que circularam foram chamados pelos populares de “Mamãe-me-leva”. Posteriormente passaram a ser chamados de “Jardineiras”.
Os automóveis, particulares ou públicos, pequenos ou grandes como os ônibus, aos poucos tomaram as ruas de São Paulo, banindo os velhos bondes elétricos e os animais que ainda serviam como transportes. Tornaram-se imprescindíveis quando a cidade transformou-se numa grande metrópole. Nos tempos atuais, cerca de treze milhões de veículos circulam pela Paulicéia.


OVOS FABERGÉ – O ÚLTIMO ESPLENDOR DA RÚSSIA CZARISTA

Maio 27, 2009
A Páscoa é a data litúrgica mais importante da Igreja Ortodoxa Russa. Momento de festejos e confraternizações, tendo como tradição a troca de ovos de galinha decorados, que representam o símbolo da vida renovada pela esperança. Quando o czar Alexandre III, em 1885, em comemoração à Páscoa, pediu ao joalheiro Peter Karl Fabergé, que fizesse uma jóia em forma de ovo para presentear a esposa, a czarina Maria Feodorovna, não sabia que se iria criar a tradição dos ovos imperiais Fabergé, verdadeiras obras de arte da joalheria universal, com peças únicas, de uma beleza imarcescível e de valor exorbitante.
A mística criada em torno dos ovos Fabergé sobreviveu ao fim do Império Russo, atravessou o tempo, mantendo-se como jóias raras e cobiçadas por colecionadores milionários. As peças têm cerca de 13 centímetros, feitas de metais de prata, ouro, níquel, platina ou cobre, decoradas com desenhos em detalhes coloridos, crivados de pedras preciosas como o quartzo, rubi, ágata, diamante, jade e lápis-lazúli. A genialidade de Fabergé criou mais de 140 tonalidades nas peças. Dentro dos ovos haviam miniaturas surpresas, confeccionadas por metais nobres e pedras preciosas.
Os ovos Fabergé foram todos criados para os czares Alexandre III e Nicolau II, pai e filho respectivamente, no período de 1885 a 1917, sendo oferecidos durante a Páscoa entre os membros da família real. Com a Revolução Russa, de 1917, Fabergé exilou-se na Suíça. Após os conflitos revolucionários, os cobiçados ovos foram expropriados à família imperial, alguns foram perdidos durante as pilhagens aos palácios, não se sabendo onde estão.
Tidos como expoentes da arte joalheira, os ovos imperiais Fabergé são hoje disputados por colecionadores de todo o mundo, alcançando grandes valores no mercado que negocia obras de arte. A Casa Fabergé persistiu ao tempo e às revoluções, sendo representada na França, Inglaterra, Alemanha, Estados Unidos e Brasil. Nos dias atuais, produz séries limitadas de ovos, reproduzindo os desenhos originais das jóias imperiais russas dos séculos XIX e XX.
A lenda em torno dos ovos Fabergé é um dos enigmas dos tempos atuais. Sua beleza é ao mesmo tempo, o símbolo de uma opulência final, terminada com a tragédia do fuzilamento do último czar russo e de toda a família imperial. As jóias representam o último esplendor da dinastia czarista, então decadente e pronta para mergulhar nas trevas da história. A perfeição da beleza sedutora e mágica dos ovos ofusca a mística em torno dos extintos czares russos e da própria família Romanov.

O Primeiro Ovo Imperial

Peter Karl Fabergé nasceu em 18 de maio de 1846 do antigo calendário Juliano, adotado na época pela Rússia, ou, em 30 de maio, do calendário Gregoriano. Teria como nome de batismo Karl Gustavoich Fabergé. O pai, Gustav Fabergé, estabeleceu um bem sucedido negócio de jóias, em 1942, em São Petersburgo, que lhe permitiu enviar o filho para estudar na França, Inglaterra, Alemanha e Itália.
Aos 24 anos, em 1870, Fabergé herdou os negócios do pai, assumindo-os com maestria e, em pouco tempo, alcançando prestígio de grande joalheiro tanto na Rússia como em muitos países da Europa. Mediante ao reconhecimento do seu trabalho, Fabergé tornou-se o joalheiro oficial da corte imperial russa, em 1882.
Em 1885, Fabergé recebeu do czar Alexandre III, a encomenda de uma jóia em forma de ovo, para que pudesse dar à czarina, Maria Feodorovna, como presente de Páscoa. A tradição russa de trocar ovos de galinha decorados na Páscoa é comum aos cristãos ortodoxos. Inspirado na decoração milenar dos ovos, Fabergé e os seus artesãos criaram uma jóia única, de rara beleza, que viria a ser o primeiro ovo imperial. Aparentemente, a jóia parecia um pequeno ovo, lavrado em ouro e platina, esmaltado, mas ao ser aberto, revelava o seu magnetismo de beleza e originalidade, em que se apresentava uma gema de ouro, que dentro trazia uma miniatura em forma de galinha, com olhos de rubi e uma réplica em diamante da coroa imperial.
A imperatriz ficou fascinada com a beleza da jóia, levando o czar a encomendar a Fabergé, todos os anos, durante a Páscoa, um ovo para presentear Maria Feodorovna. O imperador exigiu de Fabergé que cada ovo fosse único e que tivesse uma surpresa dentro. Iniciava-se assim, a tradição dos ovos Fabergé na corte czarista, que a cada ano, trazia uma temática diferente. A tradição permaneceria após a morte de Alexandre III, seguida pelo sucessor, seu filho Nicolau II, persistindo de 1885, até a queda do império, em 1917.

A Expansão da Joalheria Fabergé

Por dez anos consecutivos, Alexandre III presenteou à mulher, durante a Páscoa, com um ovo Fabergé. O imperador morreria subitamente no final de 1894, sendo o “Ovo Renascença”, o último que deu a Maria Feodorovna.
Nicolau II, ao assumir o trono, continuou a tradição de oferecer um ovo Fabergé à família, durante a Páscoa. A coroação de Nicolau II seria tema de um dos ovos imperiais. O novo czar tomou como esposa Alexandra Feodorovna.
Ano após ano, Fabergé e os seus artesãos surpreendiam com obras únicas, com motivos temáticos inesgotáveis, de genial criatividade e talento técnico beirando à perfeição. Os ovos Fabergé passaram a ser cobiçados por toda a corte czarista. Com a subida de Nicolau II ao poder, Fabergé passou a criar dois ovos anualmente, um para a nova czarina, Alexandra Feodorovna, outro para a mãe do czar, a viúva de Alexandre III.
Para não repetir os motivos temáticos dos ovos, Fabergé buscava inspiração no cotidiano da vida do czar e da czarina, e, em momentos da história da Rússia, exaltando obras, como a inauguração da estrada de ferro Transiberiana, que ligava Moscou à Sibéria, ou ainda, a geografia russa, como o Cáucaso.
Os ovos imperiais Fabergé, foram mostrados ao mundo, pela primeira vez, em 1900, na Exposição Universal de Paris, na França. A exuberância e beleza das jóias fascinaram os europeus, ganhando prêmios e honras, fazendo com que as jóias Fabergé alcançassem prestígio e fama por todo o continente.
Após a exposição de Paris, Fabergé ampliou consideravelmente os seus negócios, abrindo ateliês em Moscou, Kiev e Londres, em 1906. A supervisão desses ateliês era feita pelo próprio Fabergé. Neles eram produzidos baixelas de jantar, objetos de decoração, relógios, cigarreiras e isqueiros.
Grandes artesãos faziam parte da equipe de Fabergé, entre eles Michael Perkhin, Erik August Kollin e Henrik Wigström, que trabalhavam com exclusividade na criação de um tema escolhido para a confecção de um ovo, que a cada ano ficavam mais exóticos, atingindo a perfeição técnica, o apogeu do artesanato na confecção de jóias. A partir da fama que despertou os ovos czaristas, Fabergé passou a ser procurado por dezenas de clientes particulares, ávidos em adquirir suas jóias imponentes.

A Queda do Czar e o Fechamento da Joalheria

Enquanto a joalheria de Fabergé alcançava um apogeu, o Império Russo entrava em vertiginosa decadência. A criatividade genial de Fabergé exaltava os feitos do czar e da sua família, transformando-os em sofisticadas jóias de presentes de Páscoa; mas a insatisfação da população russa minava esta imagem de opulência, transformando Nicolau II em um dos homens mais impopulares da história do país. Cada vez mais distante do seu papel histórico, o czar viu-se isolado, mostrando-se fraco e de atitudes contraditórias. Envolveu a Rússia na Primeira Guerra Mundial, que ceifou milhares de vidas, trazendo grande humilhação para um povo carente e empobrecido.
A guerra afetou a obra de Fabergé, que se viu obrigado a utilizar com mais freqüência, materiais semipreciosos. A Rússia foi assolada pela fome, pela morte dos seus cidadãos nos campos de batalha, pela caótica administração de um czar fraco e impopular. Enquanto a população faminta invadia e saqueava as grandes cidades, Fabergé confeccionava os últimos ovos imperiais. As jóias ligar-se-iam para sempre à imagem da decadência do Império Russo, paradoxalmente tornando visível a miséria da população e a opulência de um regime falido.
Diante do cenário conturbado que se vivia, com greves e revoltas populares que levariam à queda do czar, Fabergé decidiu pelo fechamento da sua joalheria, em 1916, vista pelos revolucionários como símbolo da abundância corrupta da monarquia czarista. No dia 15 de março de 1917, sem apoio e prestígio, tanto da aristocracia quanto da população, Nicolau II abdicou. O czar e a sua família foram presos e enviados para a Sibéria.
A queda de Nicolau II, pouco antes da Páscoa de 1917, deixou os dois ovos imperiais daquele ano apenas na encomenda, eles tinham como temáticas “Madeira de Karelia” e “Constelação”.

A Mística dos Ovos Fabergé

Com a Revolução Russa, extinguir-se-ia a tradição dos ovos imperiais Fabergé como presentes de Páscoa. Nicolau II entraria para a história como o último czar da Rússia. No dia 17 de julho de 1918, Nicolau II, a czarina Alexandra Feodorovna e os seus cinco filhos, foram executados por um exército furioso de revolucionários.
Da tragédia dos Romanov, Maria Feodorovna, mãe de Nicolau II e viúva de Alexandre III, foi a única que escapou à vingança revolucionária, fugindo para a Inglaterra, a bordo do navio “Marlborough”. A rainha mãe ao fugir, levou consigo o “Ovo da Ordem de São Jorge”, o último que recebeu do filho, nas Páscoa de 1916.
Os outros ovos foram, em sua maioria, confiscados pelo novo governo estabelecido pela revolução, sendo enviados para o Kremlin, em Moscou. Muitos desapareceram durante os saques aos palácios dos Romanov.
Conseqüentemente, a Revolução Bolchevique transformou os ovos imperiais em objetos burgueses e sem função na nova história que se construía na Rússia, tirando-lhes o valor artístico e econômico, desvalorizando-os no mercado.
Fabergé teve o filho Agathon preso pelos revolucionários. Sua libertação foi negociada quando aceitou avaliar as jóias e pedras preciosas confiscadas aos nobres. Após executar este trabalho, Agathon foi anistiado.
Na Rússia bolchevique não havia mais espaço para Fabergé, considerado como autor de objetos fúteis e de luxuriante opulência burguesa. Sua arte de nada valeria para o ascetismo ideológico vigente. Fabergé exilou-se em Lausanne, na Suíça, vindo a falecer nesta cidade, em 1920.
Decorridas muitas décadas da Revolução Russa, os ovos Fabergé passaram a fazer parte do imaginário, dos mistérios e lendas que foram criados em torno dos malogrados Romanov. Não só a beleza estética das peças, como o significado histórico que representam e à tragédia que permeiam misticamente, fizeram dos ovos imperiais tesouros exorbitantemente valiosos, disputados por colecionadores de todo o planeta. Quando leiloados, são vendidos por grandes fortunas. Em 1992, um ovo Fabergé leiloado em Nova York atingiu o valor de 3 milhões de dólares; em 1994, um outro, leiloado na Suíça, foi vendido por 5 milhões de dólares; em 2002, um ovo imperial foi arrematado em leilão da casa Christie’s por 9,6 milhões de dólares. O mais caro de todos os ovos Fabergé foi vendido em leilão da casa Sotheby’s, por mais de 24 milhões de dólares, ele traz a figura da carruagem em que a czarina Alexandra Feodorovna passeava por Moscou.
Estimativas históricas registram que, entre 1885 e 1917, 56 ovos imperiais Fabergé teriam sido confeccionados. No fim do século XX, até 1998, 44 exemplares tinham sido localizados. Todas as peças foram feitas para os czares Alexandre III e Nicolau II.

Ovos Imperiais Fabergé

Ovos de Alexandre III presenteados à esposa, a imperatriz Maria Feodorovna:

1885 – O Primeiro Ovo Imperial – Galinha
1886 – O Segundo Ovo – Galinha com pendente de safira *
1887 – Ovo Relógio da Serpente Azul
1888 – Ovo Querubim e Carruagem *
1889 – Ovo Nécessaire *
1890 – Ovo Palácios Dinamarqueses
1891 – Ovo Memória de Azov
1892 – Ovo Diamantes Incrustados
1893 – Ovo Cáucaso
1894 – Ovo Renascença

Ovos de Nicolau II presenteados à esposa, a imperatriz Alexandra Feodorovna, e à mãe Maria Feodorovna:

1895 – Ovo Botão de Rosa
1895 – Ovo Doze Monogramas
1896 – Ovo Miniaturas Giratórias
1896 – Ovo Alexandre III *
1897 – Ovo Coroação
1897 – Ovo Muget *
1898 – Ovo Pelicano de Ouro
1898 – Ovo Vale dos Lírios
1899 – Ovo Relógio Bouquet de Lírios
1899 – Ovo Amores Perfeitos
1900 – Ovo Ferrovia Transiberiana
1900 – Ovo Cuco
1901 – Ovo Cesto de Flores Silvestres
1901 – Ovo Palácio Gatchina
1902 – Ovo Trevo
1902 – Ovo Empire Nephrite *
1903 – Ovo Pedro, o Grande
1903 – Ovo Jubileu Dinamarquês *
1904 – Desconhecido ?
1904 – Desconhecido ?
1905 – Desconhecido ?
1905 – Desconhecido ?
1906 – Ovo Kremlin de Moscou
1906 – Ovo Cisne
1907 – Ovo Grinaldas de Rosas
1907 – Ovo Troféu do Amor
1908 – Ovo Palácio Alexander
1908 – Ovo Pavão
1909 – Ovo Iate
1909 – Ovo Comemorativo de Alexandre III *
1910 – Ovo Colunas
1910 – Ovo Eqüestre Alexandre III
1911 – Ovo 15º Aniversário
1911 – Ovo Loureiro
1912 – Ovo Czarevich
1912 – Ovo Napoleônico
1913 – Ovo Tricentenário Romanov
1913 – Ovo Inverno
1914 – Ovo Mosaico
1914 – Ovo Catarina a Grande ou Grisaille
1915 – Ovo Cruz Vermelha com Tríptico da Ressurreição
1915 – Ovo Cruz Vermelha com Retratos Imperiais
1916 – Ovo Militar em Aço
1916 – Ovo Ordem de São Jorge
1917 – Ovo Madeira de Karelia (apenas encomendado)
1917 – Ovo Constelação (apenas encomendado)

* Desaparecido


BATMAN – SETE DÉCADAS DO HOMEM MORCEGO

Maio 15, 2009
Em maio de 1939, o número 27 da revista norte-americana Detective Comics publicava a história do Batman, o Homem Morcego, codinome do milionário Bruce Wayne, defensor da justiça e dos oprimidos. Sete décadas depois, Batman é um dos mais bem-sucedidos heróis das histórias em quadrinhos, da televisão e do cinema. Sua fama atravessou as fronteiras do país em que foi criado, conquistando o mundo inteiro.
Batman foi uma criação do desenhista Bob Kane e do escritor Bill Finger, embora só seja creditada ao primeiro. Há rumores de que personagem semelhante teria aparecido em desenhos de Frank Foster, em 1932, daí uma corrente dar a ele os créditos de um terceiro criador.
Nascido um ano depois do Superman, cuja primeira história publicada foi em 1938, Batman é um herói oposto ao homem de aço. Ele não possuí poderes sobrenaturais, não é de outro planeta, para derrotar os vilões conta com a sua inteligência e astuciosos planos regados de lutas marciais e técnicas de combate, além de criações tecnológicas desenvolvidas para este fim, como o bat-cinto e o bat-móvel.
Se Clark Kent é o herói que luta incessantemente contra os criminosos, Bruce Wayne não lhe fica atrás. A diferença é que o primeiro executa cabalmente a linha politicamente correta de combater o mal, enquanto que o Batman combate o mal com o próprio mal, não se importando com o caminho, mas com os resultados. O Super-Homem já nasceu com os super poderes, sua trajetória já foi definida no planeta de onde veio, enquanto que o Batman foi feito em cima dos traumas de Bruce Wayne. Ele é o ego da criança que testemunhou o assassínio dos pais, que cresceu com a necessidade de vingar as mortes, combatendo os criminosos que possam produzi-las na sociedade. O Batman não é só o paladino da justiça, mas o vingador do seu criador. A sua conduta reflete a psicologia dos seus atos, tudo nele está voltado para a mente, sua personalidade dupla é fruto do ambiente, da cidade – Gotham City – que o viu nascer.
Batman é obscuro, como é o morcego, animal vampiresco, que tem as trevas como guia. Batman transita através de todos os medos de Bruce Wayne, fazendo-o sobrevivente dos traumas e da fúria vingativa que lhe queima a mente. A inteligência é o seu maior trunfo. Não utiliza armas, mas é capaz de usar toda a força física do seu corpo. Sem a máscara é um homem fútil e de vida cerceada pelo glamour social, visto como um playboy e conquistador de belas mulheres; mascarado é um homem destemido, justiceiro e amigo dos desvalidos, visto como um misterioso sedutor, arrebatador de corações sonhadores. Se Clark Kent ao transforma-se no Super-Homem é quase que imperceptível à dualidade da sua personalidade, com Bruce Wayne isto não acontece, porque o Batman afasta-se do milionário, o herói é o oposto do homem, só se igualando a ele numa coisa, ambos são mortais, sobrevivem da força da mente.
Sete décadas depois, o homem morcego assumiu várias faces, mudou o comportamento conforme quem desenhava as suas histórias ou as contava quer no cinema, quer na televisão. Mesmo assumindo tantas faces, a sua principal característica, que é a mente, o perfil psicológico, jamais foi perdido, e ele continua a seduzir e a conquistar o mundo inteiro.

A Criação do Homem Morcego

Nos Estados Unidos, as histórias em quadrinhos tornaram-se um grande sucesso na década de 1930, com tiras publicadas regularmente nos jornais e em revistas autônomas, sendo amplamente lidas por crianças e adultos. No fim desta década, a DC Comics pediu a um jovem desenhista, Bob Kane, que criasse um herói para ser lançado nas páginas da sua revista em quadrinhos.
Em 1938 tinha sido lançado o Super-Homem, herói com super poderes, como visão de raios-X, capacidade de voar, além de ter vindo de outro planeta. Para opor-se ao Super-Homem, Kane pensou em um herói nascido na Terra, vivendo em uma grande cidade corrompida pelo crime e por perigosos bandidos. Várias são as influências atribuídas a Kane na criação do Batman. Alguns dizem que ele era um aficionado das histórias vampirescas e no mito do Drácula. Outros afirmam que se baseou no Zorro, homem fanfarrão e fútil durante o dia, mas um exímio defensor dos fracos e oprimidos durante a noite. Outra influência teria sido a dos filmes negros de detetives, gênero de grande sucesso da época, que traziam cenas a preto e branco, recheadas de crueldade e sombras assustadoras. Há ainda, a versão de que teria sido uma inspiração vinda de um desenho renascentista do gênio Leonardo Da Vinci. Sejam quais forem as influências, Batman nasceu com um pouco de cada uma das aqui citadas.
Mas a evidência mais clara na criação de Bob Kane foi a de um herói próximo do Drácula, e o símbolo criativo, o morcego, resumia o caráter dúbio da personagem que nascia. O morcego é visto desde a antiguidade como um animal maldito, meio rato, meio ave. Os hábitos noturnos, a alimentação do sangue de animais de algumas espécies, fizeram dos morcegos animais associados às trevas. Batman traria a personalidade dúbia e sombria do morcego, suas histórias seriam escuras e próximas do gênero de terror.
Assim como Drácula, o herói imaginado por Kane traria roupas negras, capa vermelha e mente sombria, sendo representante de um sonho ruim. Foi esta a idéia que Bob Kane levou a um amigo, o roteirista Bill Finger, na época com 22 anos. Finger acrescentou à personagem uma capa esvoaçante, mudou a cor das roupas para cinza e negra e aumentou o tamanho da máscara, dando à personagem o formato que o iria consagrar.
Bob Kane é oficialmente creditado como o criador do Batman, apesar de ter confirmado sempre a participação de Bill Finger. Além dos dois, os desenhos de Frank Foster, artista ligado à industria de publicações de Nova York, criados no inicio da década de 1930, foram considerados como autênticos pela DC Comics, embora não creditados.
Concluído o aspecto do Batman, ele foi inserido na cidade de Gotham City, pronto para enfrentar todos os bandidos que ameaçavam a metrópole. Respaldada a criação, no dia 18 de maio de 1939, a história do Homem Morcego foi publicada pela primeira vez no número 27 da “Detective Comic Magazine”, inaugurando a saga de um dos heróis mais emblemático da chamada “Época de Ouro dos Quadrinhos”.

Batman Apresenta-se a Gotham City

Gotham City era um retrato das grandes cidades norte-americanas pós-depressão. Após a queda da Bolsa de Valores, em 1929, o país mergulhara numa recessão econômica que levara grande parte dos seus habitantes à miséria. A depressão, aliada ao período da Lei Seca, que proibia a venda de bebidas alcoólicas no país, suscitou a violência, a consolidação da Máfia nos Estados Unidos, além de criar o mito de grandes criminosos como Al Capone, Frank Nitti, Paul Ricca ou Tony Accardo. Esta atmosfera de gangster é recriada em Gotham City, e os vilões que o Batman combate refletem a sombra dos grandes mafiosos.
Se em 1939 a América ainda vivia dos escombros do colapso da Bolsa de Valores, a Europa vivia a ascensão do nazismo na Alemanha, do fascismo na Itália, além dos prelúdios daquela que seria a sua maior catástrofe no século XX, a Segunda Guerra Mundial. É neste contexto histórico que nasce o Batman.
Batman surge dos escombros da mente de Bruce Wayne, herdeiro único de uma grande fortuna que lhe deixara os pais. O empresário milionário revela para a sociedade ser um homem superficial, playboy inveterado, amigo da caridade e da filantropia, mas de idéias rasas quando chamado para opinar sobre os problemas de Gotham City.
Mas a mente de Bruce Wayne é mais complexa do que a imagem que deixa transparecer. O milionário é um homem solitário, atormentado pelas lembranças da infância, encerrada mentalmente aos oito anos, no dia em que ele assistiu ao assassínio dos pais, o médico Thomas Wayne e a esposa Martha Wayne, vítimas de um assalto, executado pelo criminoso Joel Chill. Este testemunho perturba para sempre o herdeiro dos Wayne, fazendo-o caminhar errante por todo o mundo, em viagens de fuga e aprendizados constantes. Já adulto, Bruce Wayne volta a Gotham City, encontrando uma cidade violenta e corrompida em todas as suas vertentes, seja políticas ou empresariais. Na sua mente atormentada, Bruce Wayne jura vingar a morte dos pais, decidindo combater o mal, nem que para isto ele próprio lance mão do mesmo mal.
Em suas viagens pelo mundo, Bruce Wayne tenta obsessivamente compreender a mente assassina, além de querer vencer os traumas que não lhe abandona os pesadelos. Em seu aprendizado, ele treinou técnicas de combate e todos os tipos de artes marciais, numa construção da perfeição física associada à inteligência intelectual. Para combater o crime, Bruce Wayne inspira-se nos morcegos, animais que o traumatizara quando criança, dos quais tem medo. Num paradoxo psicológico, ele cria vestes baseadas nos morcegos, para que assim possa amedrontar os seus inimigos com o bicho que mais o amedrontava. Aterrorizar os outros com os seus próprios medos, faz com que ele os exorcize de dentro da alma. O que o acovardava torna-se instrumento da sua coragem e sede de justiça. Cada inimigo derrotado faz dele um vingador do assassínio dos pais, redimindo-o dos traumas infantis. A máscara desaparece com todos os medos, tornando-o um homem insuperável.
Sem os poderes sobrenaturais do Super Homem, Batman conta com as suas habilidades de exímio lutador, com a tecnologia vinda das suas fábricas, com o seu físico forte e atlético, com uma inteligência imaginativa e incomum, e, principalmente, com a grande fortuna que tem à disposição. Por debaixo da máscara, o herói é, acima de tudo, humano e mortal.

Surge a Figura de Robin

Quando o Batman surge no cenário da caótica Gotham City, combatendo o mal com o mal, ele suscita o medo e a desconfiança da população e da lei. Ao ver surgir um homem vestido de morcego, portando gestos bruscos e determinados em combater os seus inimigos, a fragilizada população, refém da violência, do medo e da corrupção que se instaurara sobre Gotham City, sente-se confusa, sem saber em quem confiar.
Mas Batman é um herói seguro da finalidade para a qual se atirara, e logo conquista a simpatia dos cidadãos de Gotham City, e de parte da polícia, que passa a não classificá-lo como um dos criminosos que andam pelas ruas, mas como um aliado no combate aos mesmos. Inicia-se um pacto entre a população, a polícia e o Homem Morcego, traduzida em um sinal de morcego no céu (o bat-sinal), que representa um pedido de socorro ao mascarado paladino da justiça.
No decorrer das histórias, a identidade de Bruce Wayne vai ficando cada vez mais definida. Tem como marco o seu nascimento, em 1910, a vida feliz na mansão da família, até os oito anos, quando teve os pais assassinados, a criação solitária e infeliz na mansão, sob a tutela do tio Philip Wayne, ou do mordomo Alfred, conforme as versões e seguimentos da história.
Em 1940, Batman deixa de ser um herói solitário, quando lhe foi criado um companheiro, o menino prodígio, Robin. A idéia foi de um assistente de Bob Kane, Jerry Robinson. A história da dupla começou quando Bruce Wayne adotou o jovem Dick Grayson, órfão dos Graysons Voadores, trapezistas assassinados durante uma apresentação no circo. Bruce Wayne sente no drama de Dick Grayson uma identificação com a sua própria história. Ao levá-lo para viver na mansão, ele quebra com a solidão, vivida na companhia do fiel mordomo Alfred. O órfão adquire o codinome de Robin, tornando-se o fiel parceiro do Batman.
A leveza da personagem do menino prodígio, um rapaz valente e atrapalhado, quebrou a atmosfera soturna das histórias do Batman, acrescentando-lhes mais humor e mais diálogos. É desta época o surgimento dos maiores inimigos do Homem Morcego, o Coringa e o Pingüim, vilões perigosos e bem humorados que tornaram as histórias mais engraçadas, conquistando imediatamente os leitores, que os faziam revezar nas tramas.
O menino prodígio cumpriu a sua função de companheiro do Batman até as histórias de 1969, quando foi para a faculdade. Durante a década de 1970, as histórias do Batman mostravam-no solitário, algumas vezes juntando-se com Robin, outras vezes com a Batgirl. Na faculdade, Robin uniu-se à turma dos Titãs, mudou o seu uniforme e assumiu a identidade do Asa Noturno. Para suprir a falta do menino prodígio, foi criado Jason Todd, também ele um órfão adotado por Bruce Wayne. O novo Robin acabaria por morrer nas mãos do Coringa.

As Várias Faces do Batman ao Longo das Décadas

Desde que foi criado, em 1939, o Batman passou por profundas transformações, tanto no aspecto visual das suas roupas, até as mais complexas evoluções psicológicas, ou mesmo na troca dos parceiros.
Se Jerry Robinson deu um aspecto mais leve às histórias do Homem Morcego, esta atmosfera desapareceu com o desenhista Neal Adams. Quando assumiu as aventuras do Batman, Neal Adams voltou às origens, trazendo de volta um Batman sombrio, com histórias violentas, mostrando um herói pouco convencional, que se utilizava da sua lógica para vencer os inimigos, e não das normas éticas vigentes. Este Batman sombrio e solitário percorreu a década de 1960, chegando com sucesso aos anos oitenta.
Várias faces da vida do Batman foram exploradas pelas décadas, revelando diversos aspectos criativos da sua saga. Numa dessas fases, Bruce Wayne casou-se com Selina Kyle, a mítica Mulher Gato, já aposentada do seu codinome para contrair matrimônio e parceria com o paladino da justiça. Nesta fase nasceu Helena Wayne, filha do casal, e Batman estava quase que aposentado, resolvendo apenas casos esporádicos. Bruce Wayne assume o posto de comissário com a aposentadoria do Comissário Gordon. Quando ficou viúvo de Selina, o milionário aposentou definitivamente o Batman, só voltando quando surgiu um terrível vilão, Bill Jensen, chamado de Frederic Vaux. Nesta aventura contra Jensen, Batman é morto, e Bruce Wayne é enterrado ao lado de Selina. O feiticeiro Senhor do Destino derrota Jensen, e faz com que a população esqueça que Bruce Wayne era o Batman, cuidando para que todos acreditem que eles morreram simultaneamente.
Na década de 1980 Batman e Robin entram para o grupo dos “Superamigos”, ao lado do Super-Homem e da Mulher Maravilha, entre outros heróis, numa série de desenhos animados feita para a televisão. Batman, por não ter poderes sobrenaturais, desaparece no meio dos outros heróis, tornando-se superficial e sem atrativos, gerando a indignação dos fãs.
Em 1985, Batman volta reformulado pelas mãos do desenhista Frank Miller, através de uma série de histórias intitulada “O Cavaleiro das Trevas”, feitas para a D.C. Comics. Assume um aspecto de anti-herói, sendo a sua personalidade de morcego superior a do homem. É mais vampiro do que humano, usa todos os métodos sombrios do mal para vencê-lo. Batman explora os mais diluídos aspectos da sua alma, o que o leva a não distinguir o que é o bem e o que é o mal. Miller usa cores excessivas, com sombras dilacerantes. Sua genialidade traz de volta um Batman visceral, além dos limites de um herói, quase a beirar as raízes profundas do mal. O mundo interior da personagem é o de um homem vingativo e infinitamente distante da moral, quebrada por ele e pelos que violam a lei e assassinam inocentes.
Seja qual for a linha que se seguiu na longa saga do Homem Morcego, a verdade é que ele jamais perdeu o fascínio dos fãs, tornando-se um dos maiores mitos da ficção moderna, um ícone dos heróis nascidos das bandas desenhadas.

Batman no Cinema e na Televisão

Batman, ao lado de Robin, chegou pela primeira vez às telas de cinema, em 1943, através de “O Morcego” (Batman), filme em forma de seriado, realizado pela Columbia Pictures, com quinze episódios, protagonizados pelos atores Lewis Wilson e Douglas Croft, respectivamente Batman e Robin. Feito no auge da Segunda Guerra Mundial, o principal vilão era um espião japonês, Dr. Daka (J. Carrol Naish), naquele momento histórico o Japão era o principal inimigo dos EUA. Em 1949, veio “A Volta do Homem Morcego” (Batman and Robin), também produzido pela Columbia Pictures, tendo no elenco Robert Lowery (Batman) e John Duncan (Robin). Tal como o de 1943, foi feito em forma de seriado, tendo quinze episódios. Aqui os dois heróis enfrentam um raio elétrico que torna invisível as pessoas e os objetos, lançado pelo vilão, O Mago.
Os dois filmes foram decepcionantes, trazendo péssimos atores no papel de Batman, além de um guarda-roupa que transformava os uniformes de Batman e Robin em caricatas fantasias.
Em 1966 Batman chegou à televisão, na série “Batman”, trazendo Adam West como Batman, e Burt Ward como Robin. A série transformou a sombria história do Homem Morcego em uma hilariante comédia, com vilões fascinantes. Se os protagonistas eram dois atores praticamente desconhecidos, a galeria dos vilões era interpretada por um luxuoso elenco, trazendo nomes estelares como Cesar Romero (Coringa), Burgess Meredith (Pingüim), George Sanders (Sr. Frio 1), Otto Preminger (Sr. Frio 2), Eli Wallach (Sr. Frio 3), Vincent Price (Cabeça de Ovo), Anne Baxter (Olga, esposa do Cabeça de Ovo), Zsa Zsa Gabor (Minerva), Tallulah Bankhead (Viúva Negra), Van Johnson (Menestrel) e Shelley Winters (Mãe Parker). Na última temporada da série foi criada a personagem de Barbara Gordon, filha do Comissário Gordon, que tinha o codinome de Batgirl, misteriosa mulher que ajudava Batman e Robin no combate ao crime. Yvonne Craig foi a atriz convidada para viver a sensual e sedutora heroína mascarada. Sua presença causou alvoroço nos telespectadores, pois trazia um uniforme colado ao corpo, transformando-a em uma bela e atraente justiceira. Burt Ward teve o seu uniforme censurado, pois o calção pequeno e apertado do Robin evidenciava por demais a genitália avantajada do ator, obrigando-o a pôr gelo no pênis durante horas, para ver se ele encolhia; não obtendo resultados, foi administrada uma droga ao ator, que segundo os produtores, diminuía temporariamente o tamanho do seu órgão. Temendo que o procedimento o afetasse para sempre, o ator passou a recusar a ingerir a droga, e os censores deixaram-no em paz.
O tom humorístico da série criou a atmosfera dos desenhos animados, quando utilizava nas lutas travadas por Batman e pelos seus inimigos, onomatopéias escritas na tela, como “POW!”, “BAM!”, “ZOKK!”, conseguindo ótimos e divertidos momentos. A série foi ao ar de 1966 a 1968. O grande sucesso que fez deu origem ao filme “Batman: O Homem Morcego”, de 1966, tendo no elenco os atores da televisão.
Mesmo criticada pelos fãs do Batman, por descaracterizar a personagem, a série tornou-se cult, tendo vários seguidores e adeptos no mundo inteiro.
Quando Batman completou cinqüenta anos, em 1989, Tim Burton levou-o ao cinema, num primoroso filme, “Batman”, com Michael Keaton (Batman) e Jack Nicholson (Coringa) como protagonistas. Era a volta triunfante do Homem Morcego às telas, iniciando uma saga brilhante nas salas de cinema do mundo inteiro, sucesso que persiste até os dias de hoje. Além de Michael Keaton, que viveu o Batman em dois filmes, o cinema trouxe no papel do Homem Morcego os atores Val Kilmer, George Clooney e Christian Bale.

Filmografia do Batman

1943 – O Morcego (The Batman) – Lewis Wilson (Batman), Douglas Croft (Robin)
1949 – A Volta do Homem Morcego (Batman and Robin) – Robert Lowery (Batman), John Duncan (Robin), Jane Adams (Vick Vale)
1966 – Batman: O Homem Morcego (Batman – The Movie) – Adam West (Batman), Burt Ward (Robin), Cesar Romero (Coringa), Burgess Meredith (Pingüim), Lee Meriwether (Mulher Gato), Frank Gorshin (Charada)
1989 – Batman (Batman) – Michael Keaton (Batman), Jack Nicholson (Coringa), Kim Basinger (Vick Vale), Michael Gough (Alfred)
1992 – Batman: O Retorno (Batman Returns) – Michael Keaton (Batman), Michelle Pfeiffer (Mulher Gato), Danny DeVito (Pingüim)
1995 – Batman Eternamente (Batman Forever) – Val Kilmer (Batman), Chris O’Donnell (Robin), Tommy Lee Jones (Duas Caras), Jim Carrey (Charada), Nicole Kidman (Chase Meriddian)
1997 – Batman & Robin (Batman & Robin) – George Clooney (Batman), Chris O’Donnell (Robin), Alicia Silverstone (Batgirl), Arnold Schwarzenegger (Sr. Frio), Uma Thurman (Hera Venenosa)
2005 – Batman Begins (Batman Begins) – Christian Bale (Batman), Michael Caine (Alfred), Liam Neeson (Henry Ducard), Ken Watanabe (Ra’s Al Ghul), Gary Oldman (Jim Gordon), Katie Holmes (Rachel Dawes), Morgan Freeman (Lucius Fox)
2008 – Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight) Christian Bale (Batman), Heath Ledger (Coringa), Michael Caine (Alfred), Morgan Freeman (Lucius Fox)


A ORIGEM DO NATAL

Fevereiro 26, 2009

O Natal é juntamente com a Páscoa, a festa mais importante do cristianismo. As duas datas celebram, respectivamente o nascimento e a morte de Cristo. Quanto à morte de Cristo, não paira nenhuma dúvida, visto que foi julgado e crucificado nas comemorações da Páscoa judaica por volta do ano 27 ou 33 d.C.. O mesmo não acontece com a data do nascimento, pois não há nenhuma referência ao dia nos quatro evangelhos que registraram a vida de Cristo.
Sem registro de uma data de nascimento, o aniversário de Cristo, comemorada pela maioria das igrejas cristãs no dia 25 de dezembro, é uma usurpação da data de nascimento de Mitra, o deus touro persa, deus solar, cultuado na Roma antiga como “Sol Vencedor”.
As comemorações das Saturnálias (festas em honra ao deus romano Saturno), que culminavam com a comemoração do nascimento de Mitra, após o solstício de inverno no hemisfério norte, eram as festas pagãs mais tradicionais de Roma. Mesmo depois da cristianização do poderoso império, as tradições pagãs não se renderam à nova religião, o que levou a igreja primitiva cristã a transformar as festas nas comemorações do nascimento de Jesus Cristo, estabelecendo assim, o dia 25 de dezembro como a data natalícia oficial.
Originário das festas pagãs, o Natal, poderosa e importante festa do mundo cristão, nada mais é do que a adaptação da festa de um deus proscrito e esquecido, o misterioso deus solar Mitra, senhor do sol em um mundo incondicionalmente pagão.

Cristo Teria Nascido na Primavera ou no Verão

Para explicar a data de nascimento de Cristo, é preciso que se procure pistas no nos evangelhos cristãos. Dos quatro evangelhos, apenas o de Lucas faz uma breve referência sobre a possível época do ano que Cristo nasceu:

“E ela deu à luz o seu filho, o primogênito, e o enfaixou e deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles no alojamento.
Havia também no mesmo país pastores vivendo ao ar livre e mantendo de noite vigílias sobre os seus rebanhos.
(Lucas 2:7-9)

Considerando este registro, anula-se totalmente a possibilidade do nascimento ter acontecido em dezembro. Se os pastores ainda estavam nos campos, cuidando dos rebanhos, é sinal de que a data era na primavera ou no verão. O mês judaico que corresponde a novembro e a dezembro é o de Kislev, sendo um mês frio e chuvoso, o que impossibilita que se encontre pastores nos campos, à noite e ao ar livre. O mês seguinte Tevet (correspondente aos meses de dezembro e de janeiro do calendário Gregoriano), é quando ocorrem as temperaturas mais frias do ano, com nevadas ocasionais, o que impossibilitava aos antigos ficar nos campos ao ar livre, principalmente no período noturno.
Diante de estudos mais específicos, mediante ao relato de Lucas, aos fatos de que evidenciavam a presença dos pastores ainda nos campos durante a noite, aos arredores do local onde Maria dera à luz, conclui-se que, 25 de dezembro, pleno inverno, não pode ser a data do nascimento de Cristo, que se teria dado na primavera ou no verão. Considerando-se que Cristo viveu 33 anos e meio, morrendo entre 22 de março e 25 de abril, esta data torna-se definitivamente impossível de ser a do seu nascimento.

Origem das Festas de Dezembro na Roma Antiga

A história do Natal começa sete mil anos antes do nascimento de Cristo, sendo tão antiga quanto às próprias civilizações. A festa tinha como motivo a celebração do solstício de inverno no hemisfério norte. No dia do solstício, tem-se a noite mais longa de todo o ano, a partir dessa madrugada de dezembro, o sol fica cada vez mais tempo no céu, até o auge do verão. Para as civilizações antigas, o solstício de inverno era o momento do renascimento do sol, marcando a vitória gradual da luz sobre as trevas. Os dias mais longos significavam a volta das farturas aos campos, culminando com as boas colheitas.
Na Mesopotâmia, as comemorações da volta dos dias longos a partir do solstício de inverno, eram celebradas durante doze dias. O mesmo solstício relembrava no Egito antigo, a passagem do deus Osíris para o mundo dos mortos. Nas ilhas Britânicas, as festas do solstício aconteciam em volta do monumento de Stonehenge, que marcava a trajetória do sol ao longo do ano. Na Grécia o solstício marcava o culto a Dioniso, deus do vinho e da embriaguez. Na Pérsia o solstício marcava o nascimento de Mitra, deus sol e do renascimento, representado sempre ao lado de um touro.
No século IV a.C., o culto ao deus Mitra chega à Europa. Muitos séculos depois, os soldados romanos viraram ardorosos adoradores do deus, levando a divindade para Roma, estendendo a sua veneração a todo o império. Os romanos festejavam a data de nascimento de Mitra no dia 25 de dezembro, data do solstício de inverno no antigo calendário Romano (no calendário atual a data que se dá o solstício é no dia 20 ou 21, conforme o ano).
Com o tempo, Mitra tornou-se um dos deuses mais venerado de Roma. Na data do seu nascimento, 25 de dezembro, os romanos comemoravam o nascimento do menino Mitra, o invicto, deus que trazia o alvorecer de um novo sol. Na data os sacerdotes faziam sacrifícios ao deus, a população entrava em festa, as famílias trocavam presentes dias antes, grandes comilanças e orgias aconteciam durante as comemorações do nascimento de Mitra. O culto ao deus que trazia a luz ao mundo é o que dá origem ao Natal cristão.
Outra grande festa pagã realizada na Roma antiga em dezembro, era a Saturnália, que homenageava ao deus Saturno, tendo a duração de uma semana. Tornando-se a festa mais sagrada da Roma antiga, Mitra ganharia a celebração exclusiva do Festival do Sol Invicto, fechando oficialmente a Saturnália.

A Cristianização das Festas do Solstício

Quando Constantino converteu o império romano ao cristianismo, não conseguiu acabar com as tradições pagãs, principalmente as festas em homenagem a Mitra, tão populares e entranhadas nas tradições dos romanos. Com a ausência de uma data específica que apontasse o nascimento de Cristo, o dia 25 de dezembro foi adotado para que coincidisse com as festividades do nascimento do deus sol invicto. Assim, a igreja cristianizou a mais importante das festividades pagãs, transformando-a em um ícone do mundo cristão.
Registros do almanaque romano apontam o Natal cristão celebrado em Roma já no ano de 336 d.C.. Como o Império Romano era imenso, na sua parte oriental, comemorava-se em 7 de janeiro o nascimento de Cristo, ocasião tida como a do seu batismo. Já no século IV, as igrejas ocidentais passaram a adotar oficialmente o dia 25 de dezembro para o Natal e o dia 6 de janeiro para a Epifania (manifestação), comemorando-se nesse dia a visita dos magos. Usurpava-se, assim, a data do nascimento do deus persa Mitra, transformando-a na festa mais importante do mundo cristão, ao lado da Páscoa.


OS DIAS DA SEMANA

Fevereiro 25, 2009

Perde-se nos anos a origem da divisão do tempo em semanas. Com precisão, sabe-se que os povos antigos inspiraram-se na duração das fases lunares para demarcar o período semanal de sete dias (“septmana” – semana).
A origem do nome de cada dia da semana deve-se aos deuses ou aos astros das religiões precedentes ao cristianismo. Com exceção da língua portuguesa, que aboliu os nomes primitivos dos dias da semana, todos os outros países cristãos conservam a nomenclatura pagã, onde cada dia era dedicado a um astro ou a um deus da mitologia local de cada cultura.
Na língua portuguesa, os nomes dos dias da semana seguem a liturgia católica desde que Martinho de Braga tomou a iniciativa de abolir os nomes pagãos, no século VI, denominando-os na semana da Páscoa de dias santos, que não se deveria trabalhar, assim, durante àquela semana, acrescentar-se-ia a palavra “feriae“, originando-se os nomes litúrgicos que se estenderiam não só na semana santa, mas durante todo o ano.
Mesmo diante da cristianização do ocidente, é pela nomenclatura pagã que cada dia da semana é chamado pela maioria dos povos, não importando a língua. Deuses ou astros, os dias, ainda hoje, representam o marco do tempo pelo homem, o seu encontro com um calendário imaginário que o situa na história, revelando-lhe as origens, as religiões primitivas diretamente ligadas ao céu dos astros.

Os Dias a Partir dos Astros

Demarcada pelas fases da Lua, a origem dos dias da semana estava diretamente ligada aos fenômenos astronômicos e climáticos, além dos conceitos religiosos de cada povo. Na concepção judaica, Deus criara todas as coisas em seis dias, no sétimo descansara, portanto o homem como imagem do criador, também deveria contar os dias em sete.
É na época da expansão do Império Romano que a definição dos dias da semana encontram-se com diversas culturas. Na antiguidade os planetas conhecidos, por ordem decrescente da distância da Terra eram: Saturno, Júpiter, Marte, Vênus e Mercúrio, que formavam cinco esferas, acrescidas a elas vinham mais duas esferas: uma que continha o Sol e outra, a Lua. Tendo como referência os sete astros, iniciando a contagem pela Lua (sempre em ordem decrescente) e pondo o Sol ao centro do sistema, deparar-nos-emos com esta ordem astrológica: Saturno, Júpiter, Marte, Sol, Vênus, Mercúrio e Lua.
Além das sete esferas formadas pelos astros citados acima, havia uma oitava, a das estrelas. No centro dos sete astros e das estrelas encontrava-se a Terra, com os seus quatro elementos: terra, ar, água e fogo. Quatro são os ventos, quatro são as divisões da Terra, quatro são os elementos. Assim, o quadrado era o símbolo da perfeição, sendo sempre igual de qualquer lado que é visto. A partir da perfeição do quadrado simbólico, voltando à ordem astrológica descrita acima, conta-se até quatro, a partir de Saturno (incluindo-o na contagem), até chegar ao Sol e temos o primeiro dia (Sunday); a partir do Sol (incluindo-o), conta-se até quatro e chega-se à Lua (Monday, Lunes, Lundi, Lunedi); seguindo a contagem de quatro a partir da Lua, chega-se a Marte (Mardi, Martes, Martedi); conta-se quatro a partir de Marte e chega-se a Mercúrio (Miércoles, Mercoledi, Mercredi); a partir de Mercúrio conta-se quatro e chegamos a Júpiter (Jeudi, Jueves, Giovedi); conta-se quatro a partir de Júpiter e chega-se a Vênus (Vendredi, Viernes, Venerdi); e, finalmente, conta-se quatro a partir de Vênus e chegamos a Saturno (Saturday).
Uma vez feita a identificação, temos a origem dos nomes dos dias da semana, ou seja, Domingo é o dia do Sol, Segunda-Feira o da Lua, Terça-Feira o de Marte, Quarta-Feira o de Mercúrio, Quinta-Feira o de Júpiter, Sexta-Feira o de Vênus e, Sábado, o de Saturno.
Com a cristianização, como já foi dito, só Portugal aboliu à nomenclatura pagã. Apenas dois dias foram abolidos desta nomenclatura pelos outros países de origem de língua latina (Espanha, França e Itália), o Sábado e o Domingo. O Sábado, de Sabbatum, é um nome de origem do hebreu Shabbat, o dia sagrado para o povo judeu, considerado o dia em que Deus descansou da sua obra grandiosa. O dia de Saturno foi substituído pelo Shabbat hebreu (Sábado, Samedi e Sabato nos restantes países latinos). O Domingo, instituído pelo imperador Flavio Constantino após a sua conversão ao cristianismo, deixou de ser o dia do Sol em todas as línguas de origem latina, sendo denominado Dominica Dies, que evoluiu para Dominus Dei (Dia do Senhor), evoluindo para Domingo, Dimanche e Domenica.

A Concepção dos Dias a Partir do Concílio de Nicéia

Com a conversão de Constantino (280-337 d.C.) ao cristianismo, Roma passa a repudiar o paganismo milenar disseminado pelo seu império. Esta conversão aconteceu na época do Papa Silvestre I. É a partir daí que são organizados os registros de datas como chegaram aos dias atuais.
Em 325 d.C., Constantino convocou o Concílio de Nicéia, à revelia do Papa Silvestre I, que dele não participou. A partir de então foram definidas inclusive as datas do dia de Natal e da Páscoa, esta última deixando definitivamente de ser associada à data comemorativa dos judeus. Constantino mudou o nome litúrgico do antigo dia do Sol, agora Prima Feria, para Domenica Dies, que evoluiria para Dominus Dei, dando origem ao nome Domingo, em português. Desde então, o Domingo passou a ser o primeiro dia da semana do calendário cristão, tornando-se o dia de reunião de fé e de mercado, até então compartilhadas no sábado entre judeus e cristãos.
Era interesse tanto de Constantino, quanto de Silvestre I, que todos os povos abolissem a nomenclatura pagã relativa aos dias da semana. Na época a Páscoa era comemorada por toda a semana, dando origem a sete feriados consecutivos. Durante a Páscoa, os dias eram chamados de “feriae” no latim (traduzido para “feira” no português), a semana adotava a nomenclatura: Prima-Feira, Segunda-Feira, Terça-Feira, Quarta-Feira, Quinta-Feira, Sexta-Feira e Sábado.
Silvestre I tentou que esta nomenclatura fosse adotada para além da Páscoa. Mas ela logo foi esquecida e, à exceção do Sábado e do Domingo, os antigos nomes pagãos continuaram a fazer parte do cotidiano dos povos cristãos, jamais sendo abolidos, prevalecendo as tradições, não a nova fé que se assumia comum aos reinos europeus.

Origem da Nomenclatura dos Dias da Semana em Inglês

Os nomes dos dias da semana, tanto em inglês, como em alemão e outras línguas do norte da Europa, têm a sua origem na mitologia nórdica e na adoração dos seus deuses pagãos, marcados principalmente pela força e bravura guerreira.
Em inglês o dia de Saturno continuou a vigorar, Saturday, mesmo depois da cristianização, assim como o dia do Sol, Sunday, e o dia da Lua (moon), Monday, substituindo-se os outros dias pelo nome dos deuses nórdicos.
Marte, deus da guerra dos romanos, foi substituído pelo deus Tyw, divindade maneta, senhor da força e da guerra. A Terça-Feira foi consagrada a este deus, ficando denominada Tuesday.
Mercúrio, o astuto deus dos comerciantes e dos ladrões, mensageiro dos deuses, foi substituído por Odin ou Wedin, deus da mitologia escandinava, ou Wotan, o mais poderoso dos deuses entre os germanos, com equivalência ao Zeus grego. A Quarta-Feira ficou denominada Wednesday (do deus Wedin).
Se a Quinta-Feira era na mitologia romana, consagrada ao poderoso Júpiter, aqui ele é substituído pelo deus escandinavo Thor, também ele deus do trovão, sendo Thursday o “dia de Thor”. Na literatura germânica o deus do trovão é traduzido por Donner, daí a designação de Donnerstag para a Quinta-Feira.
Finalmente a Sexta-Feira, consagrada à deusa do amor e da beleza, Vênus, era destinada à deusa Freya, a bela esposa de Odin, deusa do amor, da juventude e da morte na mitologia nórdica, daí a designação de Friday em inglês, e, Freitag em alemão (tag em alemão significa dia).

Os Dias da Semana em Português

Como já foi dito, Portugal foi o único país do mundo que adotou os dias da semana com a nomenclatura surgida no Concílio de Nicéia, derivados do latim eclesiástico. Sendo o português a última das línguas romanas a se formar, isto ajudou a que a língua não adotasse a nomenclatura pagã de outros povos.
Em 563 Martinho de Dume (ou Martinho de Braga), reuniu o Concílio de Braga, em Braga (hoje cidade portuguesa). Considerando ser indigno dos bons cristãos que se continuasse a chamar os dias da semana pelos nomes latinos de deuses pagãos, decidiu que se usaria a terminologia eclesiástica para os designar. Assim ficaram registrados: Feria Secunda, Feria Tertia, Feria Quarta, Feria Quinta, Feria Sexta, Sabbatum, Dominica Dies; evoluindo para a nomenclatura atual: Segunda-Feira, Terça-Feira, Quarta-Feira, Quinta-Feira, Sexta-Feira, Sábado e Domingo, constituindo assim, caso único nas línguas novilatinas, que substituiu integralmente a terminologia pagã pela terminologia cristã.
A “Feriae” (dia de descanso), termo latino, evoluiu para “feira”, vindo a ser usada a designação não só na semana da Páscoa, mas durante todos os dias do ano. Com exceção do Sábado, derivado do Shabbat hebreu, e do Domingo (então Prima Feria na semana da Páscoa), todos os outros dias em língua portuguesa vieram da derivação do latim eclesiástico.
Quanto ao dia considerado santo, ou tido como feriado, ele diverge entre as três principais religiões monoteístas do mundo contemporâneo, o islamismo, o judaísmo e o cristianismo. Se o conceito da criação divina do mundo não tem divergências entre as três, vários outros conceitos de fé fizeram com que os dias de reuniões de fé e de descanso fossem diferentes, sendo a Sexta-Feira (muçulmanos), o Sábado (judeus) e o Domingo (cristãos), os dias assinalados e consagrados pelos monoteístas.

Veja também:

  

CALENDÁRIOS DA HUMANIDADE

http://jeocaz.wordpress.com/2008/03/16/calendarios-da-humanidade/


O DIA EM QUE SÃO PAULO PAROU

Janeiro 14, 2009

A cidade de São Paulo é um dos maiores centros urbanos do mundo. Maior cidade brasileira, responsável por 12,26% do PIB do país, abrigando 63% de todas as multinacionais estabelecidas no Brasil. Por todas estas razões e tantas outras, São Paulo recebeu no século passado, o estigma de que não pára, dando veracidade à célebre frase: “São Paulo não pode parar”.
Parar uma cidade como São Paulo parecia impossível sob todos os aspectos, tanto econômicos, quantos sociais, certeza traduzida pela dinâmica que conduz a cidade e os seus habitantes. Mas um país de contrastes como o Brasil, a ilicitude marginal gerada por uma justiça lenta e capenga, pelas diferenças sociais e pela certeza da impunidade, muitas vezes assume aspectos de um poder paralelo, desafiando as instituições públicas e as suas leis.
Numa sociedade formada por um governo pouco comprometido com os seus cidadãos e com a sua evolução educacional e a sua saúde física, ciclicamente marginais assumem-se como falsos justiceiros sociais, delegando para si poderes que se elevam aos da própria justiça. De Lampião, feroz assassino e bandoleiro nascido sob o sol da caatinga, ao Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa liderada das prisões de segurança máxima; o Brasil sofre com este poder paralelo que se estabelece à face da justiça, tendo como resultado a violência e o sangue derramado de inocentes. Foi justamente uma série de atos de violência provocados pelo poder paralelo do PCC para medir forças com a polícia do Estado, que levou ao colapso a capital paulistana. Contrariando a todas as previsões ou estatísticas, São Paulo, o coração financeiro do Brasil, literalmente parou no dia 15 de maio de 2006.

Breves Exemplos do Poder Paralelo no Brasil

A democracia de uma nação é garantida pela liberdade que o seu cidadão tem em poder exercer a sua cidadania, quer sob os aspectos do cumprimento dos direitos que ele tem, como do cumprimento dos seus deveres para com a sociedade. Mas os princípios éticos que constroem os elos morais de uma sociedade mostram uma ínfima diferença entre os direitos e os deveres de um cidadão, tão estreitos são eles, que ao se confundirem, esvaem-se literalmente, dando passagem para o chamado “poder paralelo”, totalmente desprovido de senso moral, mas travestido de uma linguagem popular que o confunde com a “justiça pelas mãos”, já que a justiça do Estado não satisfaz a sociedade.
O poder paralelo pode emanar de qualquer parte da sociedade, quer por organizações de criminosos e contraventores, como pela própria polícia criada para a defesa da sociedade, ou mesmo pelo Estado.
Em quase 190 anos da sua existência como nação, o Brasil exerceu poucas vezes a tão sonhada liberdade democrática. Desde a sua independência, em 1822, que se desenhou um estado pouco voltado para a democracia. Dom Pedro I, foi primeiro a dissolver a constituição e exercer o seu poder autoritário e absolutista. A República foi formada por um golpe contra a Monarquia e por muito tempo, sustentando-se com os contra-golpes, gerando os males da nação, como a República do Coronelismo (1889-1930), ou das oligarquias rurais; a ditadura do Estado Novo (oficialmente iniciada em 1937, mas nascida com a ascensão de Getúlio Vargas, em 1930); e a ditadura militar (1964-1985).
O Estado autoritário, por se manter aquém dos princípios democráticos e construído ilegitimamente, mas legitimado pela repressão e pela força bruta, gera um estado paralelo a ele mesmo. Nas duas fases de ditadura vividas pelo Brasil no século XX, este poder paralelo do Estado foi vergonhosamente exercido na forma de tortura e de assassínio clandestino dos opositores ao regime.
Se o próprio Estado, movido pelo autoritarismo, cria o seu poder paralelo, a sociedade reage, sentindo-se no direito de ela também fazer o mesmo. Foi assim com o cangaço, surgido durante a ditadura do Estado Novo, em que matadores profissionais (os jagunços), sustentados pelas oligarquias que se rivalizavam, ladrões e assassinos em nome da honra, uniram-se em bandos, saqueando e trazendo o terror para as cidades nordestinas. Protegidos pelos interesses dos coronéis, esses bandos de criminosos criaram verdadeiros mitos como o de Lampião, e quando o mito incomodou a própria oligarquia que dele se beneficiava, tornou-se necessário que o Estado demonstrasse ser mais forte, eliminando o bando. Assim aconteceu com Lampião e o seu bando, sendo morto pela polícia em 1938, tendo as cabeças cortadas e expostas em praça pública para que se evidenciasse o poder do Estado contra o poder paralelo.
Numa guerra ideológica, os princípios éticos, morais e de justiça, muitas vezes confundem-se tanto da parte dos opressores, como da parte dos oprimidos. O Partido Comunista Brasileiro (PCB), foi o partido que mais fez parte da história do Brasil no século XX, apesar de ter permanecido grande parte da sua existência na clandestinidade. Erigido sob a direção da extinta União Soviética, os seus militantes tomavam-se por revolucionários, tendo estatuto próprio, que além das ordens vindas de Moscou, não aceitavam o poder emanado do Brasil. Dentro do PCB vários “tribunais revolucionários” foram formados, algumas vezes condenando pessoas à morte. Foi o caso do “tribunal revolucionário” de 1936, realizado logo após o fracasso da Intentona Comunista de 1935, que condenou à morte Elvira Cupelo Coloni, militante conhecida como Elza Fernandes. Elza era namorada de Miranda, um dos membros do Comitê Central do PCB. Com a prisão de Miranda, Elza foi condenada a morte por seus companheiros, que entenderam que ela representava perigo para eles. Foi executada a machadadas. Outro tribunal famoso da esquerda foi o que decretou a morte do capitão estadunidense Charles Rodney Chandler, executado pelo grupo de Carlos Marighela (futura Aliança Libertadora Nacional – ALN) e pelo grupo de Onofre Pinto (futura Vanguarda Popular Revolucionária – VPR), em 1968. Bolsista no Brasil, o capitão Chandler foi condenado pela esquerda por suspeita de colaborar com os militares.
Dentro da polícia, de tempos em tempos surgem grupos de extermínios, conhecidos como “esquadrões da morte”. Geralmente apresentam-se como justiceiros e exterminadores de bandidos, o que lhes confere forte respaldo popular. Na maioria das vezes são grupos liderados por policiais corruptos, que usam de um poder paralelo para eliminar possíveis delatores e silenciar testemunhas. Os esquadrões da morte fazem parte do imaginário popular há várias décadas, tendo visibilidade maior ou menor em determinadas épocas.
As favelas e as periferias das grandes cidades brasileiras, principalmente as de São Paulo e do Rio de Janeiro, foram durante décadas esquecidas pelo Estado e legadas à miséria e ao ostracismo sócio-cultural. Esquecidas pelo poder público, as favelas foram tomadas pela marginalidade, pelo tráfico e pelo consumo de drogas. Tidas como terra de ninguém, muitas dessas favelas vivem sob a opressão e sob o poder de traficantes, que estabelecem as próprias regras e “leis” dentro dessas comunidades. Movidos pelo tráfego de drogas e por leis próprias, os marginais mais perigosos do Brasil criaram dentro das prisões ou fora delas, poderosas organizações criminosas, formando verdadeiras irmandades, como o Comando Vermelho no Rio de Janeiro e o PCC em São Paulo. Também estas organizações têm o seu próprio tribunal, definindo como deve viver ou morrer não só os seus membros, como também os integrantes da sociedade. Em 2002 o Comando Vermelho, liderado na época por Elias Maluco, condenou à morte o jornalista da Rede Globo, Tim Lopes, executando-o de forma cruel, enterrando-o em uma vala cheia de corpos também por ele sentenciados.

O Primeiro Comando da Capital

De todas as rebeliões e atrocidades cometidas pelo poder paralelo estabelecido por marginais no Brasil, o que mais causou constrangimento ao poder público e ao Estado, foi sem dúvida o que atingiu o Brasil em maio de 2006, que culminou com o colapso que parou a cidade de São Paulo.
O PCC, a maior facção criminosa do país, numa demonstração clara de medição de forças com o poder público, iniciou na noite de 12 de maio, uma série de ataques contra as forças de segurança e a alvos civis, causando a maior onda de violência urbana da história brasileira, que se iniciou no estado de São Paulo e em poucos dias, espalhou-se como um rastilho pelo Paraná, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia, deixando a população civil ilhada e aterrorizada.
O Primeiro Comando da Capital (PCC), surgiu como organização criminosa em 1993. Fundado no dia 31 de agosto daquele ano, no Anexo da Casa de Custódia de Taubaté, no estado de São Paulo, nasceu durante uma partida de futebol, onde vários presos brigaram, e temendo retaliações, punições e mortes como as acontecidas em 2 de outubro de 1992, no sangrento e histórico massacre do Carandiru; firmaram entre si um pacto de ajuda mútua.
Criado no rescaldo da tragédia do pavilhão 9 do Carandiru, no início era chamado de Partido do Crime, sendo formado por Misa (Misael Aparecido da Silva), Cesinha (César Augusto Roris da Silva), Geleião (José Márcio Felício), Eduardo Gordo (Wander Eduardo Ferreira), Paixão (Antonio Carlos Roberto da Paixão), Bicho Feio (Antonio Carlos dos Santos), Dafé (Ademar dos Santos) e Isaías (Isaías Moreira do Nascimento). No início a organização proclamava-se como defensora das injustiças e dos maus tratos carcerários. Usava como símbolo o yin-yang chinês. Para manter a organização, os membros do grupo pagam uma taxa de cerca de 50 reais se estiverem presos e 500 reais se estão em liberdade. Além do dinheiro arrecado com os membros, promovem o tráfego de drogas, seqüestros e assaltos a bancos; compram armas e executam o resgate de alguns prisioneiros membros do grupo. Cada membro tem que cumprir um estatuto de 16 itens, que estabelece entre outras coisas, a lealdade, o respeito e a solidariedade entre os membros, além de prever a “execução sem perdão” aos que não cumprirem o estatuto quando livres.
Desde que foi criado o PCC teve várias lideranças, entre as mais famosas estão a do Sombra (Idemir Carlos Ambrósio), que liderou de dentro de uma cela, em 2001, através de um celular, a rebelião em 29 presídios. Sombra foi morto dentro da prisão, cinco meses depois, sendo substituído por Geleião e Cesinha, que promoveram uma união provisória com o Comando Vermelho (CV) do Rio de Janeiro. Sanguinários e radicais, foram substituídos na direção do PCC em 2002, por Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola. Foi sob o comando do Marcola que as autoridades públicas sofreram a maior humilhação da sua história, em maio de 2006.

São Paulo, Maio de 2006

Com o objetivo de desarticular o PCC, no dia 11 de maio de 2006, o governo de São Paulo decidiu transferir 765 presos para presídios de segurança máxima. A operação foi desencadeada, quando os presos foram enviados para Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. No dia 12, 8 líderes do PCC, entre eles o líder máximo, o Marcola, foram levados para a sede do DEIC (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado), localizada na zona norte da capital paulista. No dia anterior, Marcola havia reivindicado 60 aparelhos de televisão para que os prisioneiros assistissem aos jogos da copa de futebol daquele ano, o que lhe foi veementemente negado.
No dia 13 de maio, Marcola foi transferido para a penitenciária de Presidente Bernardes, no interior paulista, sendo esta considerada uma das mais seguras prisões do Brasil. Como represália à transferência dos líderes, principalmente a de Marcola, o PCC decidiu intervir, intimidando a polícia, organizando uma onda de violência que aterrorizaria o país, tirando toda a beleza do dia das mães daquele ano, expondo a fragilidade da segurança no país diante do mundo.
Os ataques começaram a tomar forma justamente durante a realização dos benefícios que os prisioneiros tinham pela comemoração ao dia das mães. Nesta data é costume os prisioneiros receberem visitas nas celas ou indulto. Os que visitaram seus presos saíram com a missão de organizar ataques à polícia, e os que receberam indultos do dia das mães, a de comandar esses ataques.
Na noite de 12 de maio, sexta-feira, começaram os ataques, sendo os primeiros alvos o 55º DP , no Parque São Rafael, e um policial civil atingido próximo à sua casa em Guaianazes. Estava estabelecido o objetivo principal dos ataques, delegacias e policiais tornam-se os alvos. Os primeiros atentados não ficam esclarecidos a quem pertence à sua autoria, suspeitando-se que sejam promovidos pelo PCC. Até a meia-noite a cidade de São Paulo registraria 8 policiais feridos e outros 7 mortos.
Já no dia 13, vários presídios de São Paulo rebelam-se. Os ataques, que desde o dia anterior tornaram-se contínuos, são finalmente atribuídos ao PCC. No domingo, 14, dia das mães, a onda sucessiva da violência intensifica-se, começando a tomar conta da mídia sensacionalista, gerando o pânico geral na população. Fala-se dos ataques e das mortes, mas a imprensa não relata à população a ofensiva da polícia, e que vários dos mortos já fazem parte de integrantes do próprio PCC. Para a população assustada, apenas os policiais estão a morrer. O governo cala-se diante da mídia e da população.

O Dia em que São Paulo Parou

No dia 15 de maio, segunda-feira, a falta de uma resposta imediata e contundente do governo do estado de São Paulo e da polícia, torna a população paulistana refém dos ataques criminosos e da imprensa sensacionalista.
Começam a correr boatos de que as estações do metropolitano de São Paulo seriam os próximos alvos. Tiros atingem a estação de Artur Alvim, na zona leste. Ônibus são incendiados, deixando a população sem condução em plena segunda-feira. As limitações de carros em São Paulo, conhecidas como rodízio, são suspensas, o que causa um dos maiores congestionamentos de automóveis registrados na cidade.
À tarde, para completar o caos, sem informar a fonte e deixando-se conduzir pelo sensacionalismo, a Rede Record anuncia que haveria um toque de recolher às 20 horas. Estava lançado o pânico. O que se viu a seguir foi a maior cidade da América do Sul entrar em colapso. As empresas liberaram, na parte da tarde, os seus funcionários; metropolitano e ônibus foram retirados de circulação; os shoppings foram fechados. Acossadas e sem transporte, milhares de pessoas transitavam a pé pelas ruas da metrópole, tentando desesperadamente chegar em casa e, principalmente, evitar passarem próximas às delegacias, que se tornaram alvos do PCC. Temendo retaliações, os policiais andavam pelas ruas da cidade em comboios, evitando assim, que se tornassem alvos fáceis dos bandidos.
São Paulo viveu, naquela segunda-feira, um clima de terrorismo comparável aos de uma guerra. No fim da tarde, a maioria da população está presa dentro de casa, a ouvir, finalmente as explicações do então governador Cláudio Lembo e dos chefes de segurança do estado, a revelar que estavam reagindo aos ataques, desmentindo o toque de recolher e acusando a imprensa de promover e acirrar o pânico entre a população.
Às 20 horas da noite de 15 de maio, as ruas de São Paulo ficaram desertas, como jamais acontecera na sua história. Ninguém ousou a sair de casa naquela triste segunda-feira. Reféns do medo e do poder paralelo, os paulistanos preferiram ficar em casa, a esperar o desfecho da impotência do estado e da sua polícia. Naquele dia, São Paulo parou.

Após o Fim dos Ataques

No dia 16 de maio, incitada pelo governo, a população voltou às ruas e ao trabalho, decidida a não mais ficar refém do poder paralelo dos bandidos. Naquele dia, o saldo era 128 mortos e 59 feridos. Entre os mortos estavam: 23 policiais militares, 6 policiais civis, 3 guardas municipais, 8 agentes penitenciários, 4 civis, 71 suspeitos e 13 presos. No balanço da tragédia, alguns dos suspeitos foram inocentemente mortos pela polícia. Aos poucos o estado controlava e dissipava a rebelião, que tornara o mês de maio de 2006, ano de eleições presidenciais e para governadores de estado, em um dos mais sangrentos e negros da história da violência e do poder paralelo no Brasil.
Em agosto daquele ano, o PCC ensaiou um novo ataque de pânico à população, desta vez divulgando a sua mensagem através da maior emissora de televisão do Brasil, a Rede Globo. Na manhã do dia 12 de agosto dois funcionários da emissora, o repórter Guilherme Portanova e o técnico Alexandre Coelho Calado, foram seqüestrados pelo PCC. A organização criminosa exigiu que a Rede Globo divulgasse um DVD, levado aos estúdios por Alexandre, enquanto Guilherme era mantido refém. Para não pôr em risco a vida do repórter, após consultar organizações jornalísticas internacionais, a emissora transmitiu o vídeo, que trazia uma mensagem pronunciada por um integrante do PCC, a pedir revisão de penas e melhorias carcerárias. Era obvio que mais uma vez, o PCC queria medir forças, disseminar o pânico. O repórter foi libertado 40 horas após a transmissão do vídeo, que não atingiu às massas, a tentativa de pressionar a população falhara. O que não falhou foi o registro histórico feito a 15 de maio de 2006, o dia que São Paulo parou.


MICKEY MOUSE, ADORÁVEL JOVEM DE 80 ANOS

Janeiro 7, 2009

Em 1928 Walt Disney produzia o filme sonoro “Steamboat Willie”, onde a estrela era um camundongo. O filme tornou-se um grande sucesso e, há oito décadas, nascia uma nova estrela, Mickey Mouse. Personagem dos cartoons (desenhos animados), o rato Mickey, desde então, foi o herói de várias gerações de crianças. A partir dele construiu-se o mundo de sonho de Walt Disney, nascendo outras várias personagens do imaginário infantil como o pato Donald, Pateta, Tio Patinhas, e até mesmo a versão americana de um brasileiro, o Zé Carioca.
Nascido no final da década de 1920, Mickey transformar-se-ia em um ícone mundial, sendo na época da Guerra Fria transformando em símbolo do capitalismo e imperialismo norte-americano, amaldiçoado e desprezado pelos mais ortodoxos representantes da esquerda revolucionária que assolou o mundo.
Mickey embalou os sonhos das crianças que cresceram com as suas aventuras, primeiro vividas no cinema, depois transpostas para tiras de jornais, para a televisão e às revistas em quadrinhos traduzidas em várias línguas.
Inocente desenho ou representante da poderosa indústria capitalista, Mickey desde que foi criado gerou polêmicas, seu carisma foi um convite até mesmo para abrir as fronteiras estadunidenses diante dos países vizinhos, sendo porta-voz de uma política diplomática mais estreitada. Ideologias à parte, os mundos mágico e lúdico de Mickey e de seus companheiros encantam, seduzem, fazendo de nós eternas crianças, apaixonadas por este jovem camundongo de 80 anos.

A Criação da Personagem de Mickey

Atolado em dívidas de jogo, o americano Ub Iwerks encontrou uma maneira inusitada de pagar o que devia para Walt Disney, criando para ele o personagem de Mickey. Com uma extraordinária percepção, Disney aceitou o desenho como pagamento. Nascia assim, no dia 18 de novembro de 1928, um dos maiores ícones do universo infantil. Sua estréia aconteceria com estrondoso sucesso no filme de animação “Steamboat Willie”.
Quando criado, a personagem foi batizada com o nome de Mortimer, mas por influência da mulher de Disney, que achava o nome por demais formal para a leveza do desenho, optou-se por chamá-lo de Mickey. O camundongo surgiu vestindo calções vermelhos e sapatos amarelos, menção clara à ordem que Walt Disney era membro: DeMolay – ordem filosófica e fraternal para jovens e crianças entre 12 e 21 anos, fundada nos EUA por maçons locais. O próprio Walt Disney dublaria a voz de Mickey por longos anos, de 1928 a 1946.

Surgem os Amigos do Mickey

Aos poucos, o universo de Mickey vai ganhando personagens que também farão grande sucesso. A namorada Minnie está ao seu lado desde a estréia em “Steamboat Willie”. No filme Mickey está em um barco e Minnie à espera, quase a perdê-lo, intrepidamente ele a “pesca” pela calcinha, trazendo-a para dentro do barco, iniciando uma das mais longas histórias de amor das bandas desenhadas.
Em 1930 Mickey ganhou uma mascote, o cachorro Pluto, um cão treinado para caçar, mas que se mostra sempre um criador de confusão, pondo o dono em situações delicadas. Mesmo com a sua forma atrapalhada, Pluto consegue ajudar o seu dono no fim de cada aventura. Batizado inicialmente de Rover, o nome foi alterado por sugestão da mulher de Walt Disney, ficando Pluto em homenagem à descoberta, na época recente, do planeta Plutão.
Em 1932, surge o melhor amigo de Mickey, o cão de raça bloodhound, Pateta (Goofy, no inglês original). Pateta surgiu quase que por acidente no filme “Mickey’s Revue”, fazendo uma pequena participação com o nome de Dippy Dawg. Sua risada escandalosa a incomodar toda uma platéia caiu nas graças de Walt Disney, que decidiu torná-lo parte do mundo de Mickey. O seu nome seria alterado para Goofy somente em 1934, em “The Orphan’s Benefit”, onde se fixa como personagem de primeiro escalão da turma do Mickey. Pateta é confuso, desengonçado e, a contrastar com Mickey, é pouco inteligente. Mas é dono de uma simplicidade e bondade comovente, sendo um fiel e dedicado amigo.
Em 1934 surge um novo amigo do Mickey, o pato Donald. Personagem sem calças, traz camisa e quepe de marinheiro. Ao contrário de Pateta, que é tranqüilo, Donald tem um temperamento explosivo, às vezes beirando ao irracional. Seu sucesso foi tão grande, que iria adquirir um universo próprio, paralelo ao de Mickey, com direito à família, namorada e aventuras próprias. Nos tempos atuais, talvez o pato Donald seja mais popular do que o próprio Mickey.
Mas nem só de amigos é composto o universo de Mickey, sendo os seus arquiinimigos o João Bafo-de-Onça e o Mancha Negra. Bafo-de-Onça (Black Pete/Pete em inglês) é um vilão anterior ao próprio Mickey. Surgiu em 1927, como vilão do Coelho Osvaldo, primeira personagem de Walt Disney. Em 1928 já se torna inimigo de Mickey em “Steamboat Willie”. Bafo-de-Onça é um gato malandro, ladrão de bancos, que sempre termina, graças à influência de Mickey, atrás das grades. O Mancha Negra (Phantom Blot), surgiu em 1941, na revista “Mickey Mouse Outwits the Phantom Blot”. Mancha Negra veste-se como um fantasma, com um lençol negro sobre o corpo. A personagem ressurgiria como inimigo do Mickey na década de 60. Tornar-se-ia a partir de então, a grande paixão da bruxa Madame Min.
Com o tempo surgiram, sem grande sucesso ou histórias marcantes, os sobrinhos do Mickey. Também vieram o Coronel Cintra (Chief O’Hara, em inglês), o Horácio e a Clarabela.

Evolução e Perfis da Personagem

Com a evolução das histórias, Mickey foi ficando cada vez mais racional e tido como o mais inteligente das personagens de Walt Disney, o que lhe tirou muito da graça e humor que tinha originalmente.
Na década de 70, sob a influencia da Guerra Fria, ele torna-se um exímio detetive (forma politicamente correta de ser um espião), desvendando sempre casos instigantes em Patópolis. Como está mais sério nesta fase, os desenhistas tiram-lhe o aspecto mais infantil do início, fazendo com que perdesse os calções vermelhos para um par de calças azuis, ganha um elegante casaco vermelho (às vezes uma camisa, também vermelha), uma gravata borboleta e os sapatos amarelos são trocados por uns castanhos.
Na década seguinte ele deixa o detetive de lado para cuidar melhor da namorada Minnie, que passa a sofrer as investidas de Ranulfo. Ranulfo, um grande chato, em inglês chama-se Mortimer, curiosamente o primeiro nome com o qual Mickey tinha sido batizado, em 1928.
A partir do universo de Mickey, outros universos de personagens foram criados, e o mundo da fantasia de Walt Disney tornou-se um gigantesco aglomerado de personagens carismáticos, transformando-se numa grande indústria geradora de sonhos, magia, ludismo e dinheiro. Ao contrário do pato Donald, que tem o seu perfil psicológico mantido desde a sua criação, o camundongo Mickey construiu um perfil direcionado como porta-voz da Disney e do próprio Walt Disney, se o mundo exigia que ele fosse mais sério, assim acontecia, se exigia que se tornasse mais confuso, a camuflagem era feita, afinal Mickey, assim como o mundo construído ao seu redor, também é um sobrevivente. Como qualquer celebridade de carne e osso, Mickey tem a sua estrela gravada na Calçada da Fama. Como qualquer astro do cinema, sofreu desgastes, críticas, sendo amado e odiado muitas vezes. Aos oitenta anos, Mickey Mouse continua a ser um ícone do mundo que se construiu a partir de uma mídia nascida no século XX.


DEZEMBRO

Dezembro 1, 2008
Dezembro é o décimo segundo e último mês do ano do Calendário Gregoriano, possuindo 31 dias. Tem a característica de ser um mês que se inicia no mesmo dia da semana que Setembro.
Dezembro tem o seu nome derivado do latim Decem (significa dez), no antigo Calendário Romano Dezembro era o décimo mês do ano, que se iniciava em Março. Com a reforma do Calendário Juliano, Janeiro passou a ser o primeiro mês do ano. Originalmente Dezembro tinha 30 dias, com a transformação do mês de Sextilis em Agosto e este passar a ter 31 dias, Outubro e Dezembro mudaram a disposição que alternavam os dias dos meses, passando ambos a ter 31 dias.
Em Dezembro acontece o segundo e último solstício do ano. Aproximadamente no dia 21, o Sol atinge o ponto mais ao sul em sua trajetória pelo céu, formando o menor dia do ano no hemisfério boreal e o mais longo no hemisfério austral. É o marco do Solstício de Inverno no hemisfério norte e do Solstício de Verão no hemisfério sul.
No mês de Dezembro é comemorado na maioria dos países cristãos, o nascimento de Cristo, uma das datas mais importantes do cristianismo.
Dezembro inicia-se astrologicamente com o Sol no signo de Sagitário e termina no signo de Capricórnio. Astronomicamente, o Sol inicia-se na constelação de Escorpião e termina na constelação de Sagitário.

Dezembros na História do Mundo

01 de Dezembro
1640 – Iniciada em Portugal a revolta que culminaria com o fim da união com a Espanha, restaurando a independência de Portugal, levando ao poder a família de Bragança (na imagem A Aclamação de Dom João IV, de Veloso Salgado).
1909 – Fundado na Palestina, o primeiro kibutz, com o nome de Deganya Alef.
1918 – Aprovado pelo parlamento da Dinamarca, o decreto que proclamava a independência da Islândia.

02 de Dezembro
1804 – Napoleão Bonaparte é coroado na catedral de Notre Dame, em Paris, tornando-se o primeiro imperador da França.
1918 – A Armênia torna-se independente do Império Otomano.
1971 – Seis emirados árabes da costa oriental da península Arábica, unem-se formando os Emirados Árabes Unidos, sendo eles: Dubai, Abu Dhabi, Sharjah, Ajman, Umm al Qaiwain e Fujairah. Posteriormente, em 1972, uma sétima monarquia árabe, Ras al-Khaimah adere ao Emirado.

03 de Dezembro
1910 – O porto de Agadir, no Marrocos, é ocupado pela França.
1967 – Realizado, na cidade do Cabo, África do Sul, pelo médico Christian Barnard, o primeiro transplante de coração humano, feito em Louis Washkansky, que sobreviveu por 18 dias.
1996 – Sonda espacial encontra gelo na Lua.

04 de Dezembro
1829 – A Grã-Bretanha proíbe a prática do suttee, na Índia, ato que consistia em incinerar vivas as mulheres indianas viúvas, na pira funerária do marido.
1918 – Proclamação do reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, que formariam, futuramente, a Iugoslávia.
1980 – Morre Francisco Sá Carneiro, primeiro ministro de Portugal, em um acidente aéreo em Lisboa.

05 de Dezembro
1792 – Julgamento do rei da França, Luís XVI.
1933 – Após 13 anos em vigor, é abolida a lei seca nos Estados Unidos, que proibia a venda e o consumo de bebidas alcoólicas.
1946 – Nova York é a cidade eleita como sede permanente da Organização das Nações Unidas (ONU).

6 de Dezembro
1185 – Morre em Coimbra, dom Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal.
1917 – A Finlândia declara-se independente da Rússia.
1921 – Surge o Estado independente da Irlanda, formado pelo sul da ilha, de maioria católica. O Ulster, no norte da ilha, de maioria protestante, permanece vinculado ao Reino Unido da Grã-Bretanha.

07 de Dezembro
1941 – A base naval norte-americana de Pearl Harbour, no Havaí, é atacada pelo Japão, obrigando os Estados Unidos a entrar na Segunda Guerra Mundial (na fotografia, momento do ataque).
1975 – Invadido, pela Indonésia, o leste de Timor, então colônia de Portugal.
1988 – O líder palestino Yasser Arafat admite, pela primeira vez, a existência do Estado judaico de Israel.

08 de Dezembro
1925 – Publicado na Alemanha, o livro “Mein Kampf” (“Minha Luta”), de Adolf Hitler.
1980 – Morre assassinado em Nova York, o músico, cantor e compositor John Lennon.
1991 – A União Soviética é dissolvida oficialmente. Doze países membros fundam a Comunidade dos Estados Independentes (CEI).

09 de Dezembro
1905 – Decretada na França, a separação entre a igreja e o Estado.
1990 – O sindicalista e político polonês, Lech Walesa, é eleito presidente da Polônia.
1992 – Anunciada oficialmente, pelo primeiro ministro britânico, John Major, a separação do príncipe Charles da sua mulher, a princesa Diana.

10 de Dezembro
1896 – Morre o industrial sueco Alfred Nobel, deixando a fortuna em testamento, para premiar pessoas que contribuíssem para o bem da humanidade, criando assim, o Prêmio Nobel.
1901 – Entregues pelo rei da Suécia, os primeiros prêmios Nobel.
1948 – Proclamada pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

11 de Dezembro
1936 – Abdicação do rei Eduardo VIII, da Inglaterra, deixando o trono para casar-se com Wallis Simpson, uma norte-americana divorciada.
1946 – Fundada, pela ONU, a UNICEF, entidade voltada para o atendimento às necessidades básicas das crianças no mundo.
1993 – Eduardo Frei vence as eleições no Chile.

12 de Dezembro
1112 – Morre o príncipe cruzado Tancredo da Galileia.
1963 – Proclamadas a independência e República do Quênia.
1992 – Transportados para a Ilha Negra, Chile, os restos mortais do poeta Pablo Neruda e da sua companheira Matilde Urrutia.

13 de Dezembro
1521 – Morre, tombado pela peste, dom Manuel I, rei de Portugal.
1642 – Descoberta a Nova Zelândia, pelo navegador holandês Abel Tasman.
1959 – O arcebispo Makarios é eleito presidente de Chipre.

14 de Dezembro
1799 – Morre George Washington, primeiro presidente dos Estados Unidos.
1911 – Roald Amundsen, explorador norueguês, é o primeiro homem a atingir o Pólo Sul (na fotografia, Roald Amundsen e cães no Pólo Sul).
1918 – Assassinado em Lisboa, o político Sidónio Pais.

15 de Dezembro
1939 – Estréia de um dos maiores clássicos do cinema, o filme “… E o Vento Levou”, produção de David Selznick, com Clark Gable e Vivien Leigh.
1961 – Adolf Eichmann, líder nazista responsável pela deportação de judeus para campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial, é condenado à morte, por um tribunal erguido em Israel.
1995 – Denominada de Euro a unidade de conta européia, futura moeda da União Européia.

16 de Dezembro
1631 – Erupção do vulcão Vesúvio, no sul da Itália, destruindo cinco cidades e matando mais de 3 mil pessoas.
1916 – Assassinado em Petrogrado, atual São Petersburgo, o monge Rasputin.
1969 – Abolida, pelo Parlamento britânico, a pena de morte.

17 de Dezembro
1538 – Excomungado Henrique VIII, da Inglaterra, pelo papa Paulo III, após o soberano inglês declarar-se chefe da igreja Anglicana.
1571 – Iniciado em Salamanca, Espanha, o processo inquisitorial contra o frei Luís de Leon.
1996 – Invadida, em Lima, Peru, a embaixada do Japão, pelo Movimento Revolucionário Tupac Amaru.

18 de Dezembro
1644 – Início do reinado da rainha Cristina da Suécia.
1916 – Fim da Batalha de Verdun, uma das mais sangrentas da Primeira Guerra Mundial, responsável pela morte de quase um milhão de combatentes de ambos os lados.
1956 – O Japão é aceito como membro da Organização das Nações Unidas.

19 de Dezembro
1991 – No ano em que a União Soviética foi extinta, Boris Yeltsin assume o controle do Kremlin.
1996 – Morre o ator italiano Marcello Mastroianni.
1999 – Macau é devolvida para a China, pelo governo português.

20 de Dezembro
1694 – Frederico de Brandeburgo reconquista Schfibus para o Sacro Império Romano.
1976 – O primeiro ministro de Israel, Yitzhak Rabin, renuncia ao cargo.
2001 – Grande crise econômica e política na Argentina levam à renuncia o presidente Fernando de La Rua e o seu ministro da Economia, Domingo Cavallo.

21 de Dezembro
1846 – Robert Liston utiliza em Londres, pela primeira vez, o uso da anestesia em uma cirurgia.
1898 – Descoberto o elemento rádio pelos cientistas Pierre e Marie Curie.
1988 – Atentado terrorista da organização “Guardiões Islâmicos” provoca a queda de um Boeing 747 da Pan Am, que cai em Lockerbie, na Escócia, matando 258 passageiros e 17 habitantes do local (na fotografia, destroços do avião).

22 de Dezembro
69 – Assassinado o imperador romano Vitelius.
1981 – O general Leopoldo Galtieri torna-se presidente da Argentina, após uma junta militar ter deposto o presidente Viola.
1989 – Revolta popular na Romênia derruba o governo comunista do ditador Nicolau Ceausescu.

23 de Dezembro
1667 – O padre Antonio Vieira é condenado pela Inquisição à reclusão e ao silêncio.
1888 – Movido por uma forte depressão, o pintor holandês Vincent Van Gogh corta parte da sua orelha esquerda.
1972 – Um grande terremoto atinge Manágua, capital da Nicarágua, causando a morte de cerca de 7 mil pessoas.

24 de Dezembro
1779 – Dona Maria I, rainha de Portugal, cria a Academia Real das Ciências de Lisboa.
1865 – Fundada no Tennessee, Estados Unidos, a Klu Klux Klan, organização secreta que promovia o terrorismo contra as minorias raciais, em especial, aos negros.
1866 – O ducado de Schleswig-Holstein é incorporado à Prússia.

25 de Dezembro
336 – Celebrado em Roma, pela primeira vez, o Natal no dia 25 de dezembro.
800 – Carlos Magno é coroado como imperador pelo papa Leão III.
1977 – Morre em sua casa, na Suíça, o diretor e ator Charles Chaplin.

26 de Dezembro
1941 – Os Estados Unidos declaram Manila, nas Filipinas, como cidade aberta durante a Segunda Guerra Mundial.
1974 – A União Soviética lança no espaço a estação espacial “Salyut 4”.
1985 – O Mali e o Burkina Faso travam entre si, violentos combates por causa de uma disputa fronteiriça.

27 de Dezembro
1927 – Leon Trotski é expulso do Partido Comunista da União Soviética, dando passagem para que Stalin se torne o líder absoluto do país.
1945 – É criado o Fundo Monetário Internacional (FMI), na Conferência de Bretton Woods, nos Estados Unidos.
1979 – Tropas da União Soviética invadem o Afeganistão.

28 de Dezembro
1895 – Realizada no subterrâneo do Grand Café, em Paris, a primeira projeção pública de cinema, feita pelos irmãos Lumiére (foto).
1937 – Estabelecida a primeira Constituição da República da Irlanda.
1940 – Os alemães lançam milhares de bombas sobre Londres, destruindo prédios importantes da cidade.

29 de Dezembro
1170 – Thomas Becket, arcebispo de Canterbury, é assassinado na Inglaterra, por ordem do rei Henrique II.
1949 – Após nacionalizar as suas industrias, a Hungria passa a viver sob um regime comunista.
1997 – Rebeldes integralistas muçulmanos matam 42 pessoas em províncias da Argélia.

30 de Dezembro
1803 – Os Estados Unidos tomam posse do território da Louisiana, comprado dos franceses.
1922 – Em Moscou, o Congresso dos Soviets aprovam a criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
2006 – Executado por enforcamento, o ex-presidente do Iraque, Saddam Hussein.

31 de Dezembro
1857 – Ottowa é eleita como capital do Canadá, pela rainha Vitória.
1978 – Morre em combate, Nicolau dos Santos Lobato, presidente da Frente de Libertação de Timor-Leste (Fretilim).
1999 – O canal do Panamá deixa de ser domínio norte-americano, passando a ser do Panamá.

Dezembros na História do Brasil

01 de Dezembro
1822 – Sagração e coroação de dom Pedro I, no Rio de Janeiro.
1822 – Criada por dom Pedro I, a Imperial Ordem do Cruzeiro, primeira e mais importante condecoração do Brasil (na fotografia, medalhas de condecoração da Ordem Imperial do Cruzeiro).
1903 – Lançamento da obra “Os Sertões”, de Euclides da Cunha, retratando a Guerra de Canudos.

02 de Dezembro
1825 – Nasce no Rio de Janeiro, dom Pedro de Alcântara, futuro dom Pedro II.
1833 – O ator João Caetano inicia a sua carreira em Niterói, Rio de Janeiro.

03 de Dezembro
1530 – Parte de Lisboa, Portugal, a frota de Martim Afonso de Sousa, com o objetivo de iniciar a colonização efetiva do Brasil.
1811 – O príncipe regente, dom João, abre aos estudiosos a Real Biblioteca, antes privativa da Corte.

04 de Dezembro
1532 – Morre em Portugal o frei Henrique Soares de Coimbra, que celebrou a primeira missa no Brasil, em 1500.
1810 – Criada, por carta de lei de dom João VI, a Academia Real Militar na Corte e Cidade do Rio de Janeiro, atual Academia Militar das Agulhas Negras.

05 de Dezembro
1697 – Destruído, por expedição de Domingos Jorge Velho, o Quilombo dos Palmares, reduto de resistência à escravidão por 64 anos, situado na Serra da Barriga, região do atual Estado de Alagoas.
1891 – Morre em Paris, num quarto do Hotel Bedford, o ex-imperador dom Pedro II.
1932 – Getúlio Vargas restabelece a Ordem do Cruzeiro, extinta com a República, agora Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.

06 de Dezembro
1741 – Basílio da Gama, autor do poema épico O Uruguai, é batizado na capitania de Minas Gerais.
1868 – O exército brasileiro vence a Batalha de Itororó, um dos enfrentamentos decisivos da Guerra do Paraguai.

07 de Dezembro
1843 – Nasce no Rio de Janeiro, Marc Ferrez, fotógrafo e pioneiro da exibição de filmes no Brasil.
1866 – Império autoriza a navegação mercantil estrangeira na bacia do Amazonas.

08 de Dezembro
1872 – O Elevador Lacerda (foto) é inaugurado em Salvador.
1994 – Morre nos Estados Unidos, o maestro soberano Antônio Carlos Jobim, um dos maiores nomes da MPB.

09 de Dezembro
1839 – Resolução nº 11 do governo de Alagoas, eleva à condição de cidade a Vila de Maceió, sede da província.
1965 – Tiradentes é declarado pelo regime militar o patrono do Brasil.

10 de Dezembro
1570 – A Coroa portuguesa regulamenta a força militar no Brasil, através do regimento dos capitães-mores.
1825 – Brasil declara guerra às Províncias Unidas do Rio da Prata (atual Argentina) pela posse da Província Cisplatina (atual Uruguai).

11 de Dezembro
1857 – Nasce no Rio de Janeiro, Rodolfo Amoedo, um dos responsáveis pela renovação do ensino de arte no Brasil, autor de belíssimas telas, como Amuada, de 1882.
1868 – Sob o comando do general Osório, os brasileiros vencem os paraguaios no confronto conhecido como Batalha do Avaí (na foto, quadro Batalha do Avaí, de Pedro Américo).

Dia 12 de Dezembro
1605 – Feito em Lisboa o Regimento do Pau-Brasil, que regulamenta o corte dessa espécie de árvore e a protege das queimadas.
1897 – A capital de Minas Gerais é transferida de Ouro Preto para Belo Horizonte.
1968 – O governo militar pede licença à Câmara para processar o deputado Márcio Moreira Alves, tendo o pedido negado por 216 a 141 votos.

13 de Dezembro
1519 – Fernão de Magalhães chega à atual baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, chamada por ele de Santa Luzia.
1968 – Editado o Ato Institucional nº 5, que restringirá por dez anos as liberdades individuais e os direitos políticos dos brasileiros.

14 de Dezembro
1775 – Nasce em Lanarkshire, Escócia, Thomas Cochrane, o lorde Cochrane, primeiro almirante da marinha brasileira.
1833 – José Bonifácio é destituído do cargo de tutor de dom Pedro II.

15 de Dezembro
1944 – Nasce em Xapuri, Acre, Francisco Alves Mendes Filho, o líder seringueiro Chico Mendes.
1967 – Regime militar institui o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral), para alfabetizar adultos.

16 de Dezembro
1500 – Morre em Calicute, Índia, Pero Vaz de Caminha, autor do primeiro documento descritivo sobre o Brasil.
1815 – Príncipe regente dom João eleva o Brasil à categoria de Reino Unido a Portugal e Algarve.

17 de Dezembro
1548 – O rei dom João III de Portugal, cria o governo geral do Brasil, com sede em Salvador, Bahia.
1915 – Destruição da Cidade Santa de São Pedro, em Santa Catarina, selando o fim da Guerra do Contestado.

18 de Dezembro
1711 – Fundado por iniciativa de Alexandre de Gusmão, ministro do rei de Portugal dom João V, o Seminário de Belém, primeiro internato de ensino secundário no Brasil.
1833 – Morre em Salvador João das Botas, o “marinheiro da Independência”, importante figura nas lutas de emancipação da Bahia.

19 de Dezembro
1983 – Roubada na sede da CBF, no Rio de Janeiro, a Taça Jules Rimet, conquistada pela seleção brasileira de futebol em 1970.
1990 – Morre o cronista Rubem Braga, no Rio de Janeiro.

20 de Dezembro
1627 – Frei Vicente do Salvador termina a sua História do Brasil, primeiro livro com este nome e escrito por um natural da terra.
1633 – Nasce em Salvador, o poeta satírico Gregório de Matos, conhecido como “Boca do Inferno”.

21 de Dezembro
1889 – O governo provisório da República recém-proclamada bane do território nacional o imperador deposto, dom Pedro de Alcântara, e sua família, que já haviam partido para a Europa.
1980 – Morre o dramaturgo e jornalista Nelson Rodrigues, no Rio de Janeiro.

22 de Dezembro
1978 – O Diário de Pernambuco divulga lista com o nome de 78 torturadores.
1988 – Assassinado Chico Mendes, no quintal da sua casa em Xapuri.

23 de Dezembro
1667 – Sentença da Santa Inquisição condena o padre Antônio Vieira à reclusão e ao silêncio.
1907 – Em São Paulo, Anita Tibiriçá é a primeira mulher brasileira a receber habilitação de motorista.

24 de Dezembro
1951 – Salário mínimo tem aumento de 215%, após oito anos de congelamento.
1999 – Morre no Rio de Janeiro, o general João Baptista de Oliveira Figueiredo, último presidente da ditadura militar (1979 -1985).

25 de Dezembro
1591 – Soldados do corsário inglês Thomas Cavendish desembarcam em Santos, permanecendo ali por dois meses, saqueando e incendiando o local antes de partirem.
1599 – Instalada no Rio Grande do Norte, a vila de Natal.

26 de Dezembro
1812 – Nasce em São Paulo de Luanda, Angola, Eusébio Matoso Câmara, responsável pela lei que proíbe o tráfico de escravos para o Brasil.
1924 – 250 presos políticos partem em navio para a colônia penal de Clevelândia, no extremo norte do país. Quase metade morre antes de chegar ao destino.

27 de Dezembro
1797 – Nasce na cidade de São Paulo, Domitila de Castro Canto e Melo, futura marquesa de Santos e amante favorita de dom Pedro I (na foto em um óleo de F. P. do Amaral).
1969 – Morre em Roma, o jesuíta Serafim Leite, autor dos dez volumes de História da Companhia de Jesus no Brasil.

28 de Dezembro
1889 – Morre em Portugal dona Teresa Cristina, imperatriz deposta do Brasil.
1921 – O Decreto nº 4.419 determina o traslado para o Brasil do corpo de dona Isabel de Orleans e Bragança, a princesa Isabel, que assinou a Lei Áurea em 1888.

29 de Dezembro
1917 – Lei estadual de São Paulo proíbe trabalho de menores de 12 anos.
1992 – Fernando Collor de Melo, a enfrentar um processo de impeachment, renuncia à Presidência da República.

30 de Dezembro
1899 – Nasce em Natal, Rio Grande do Norte, o folclorista e etnólogo Luís da Câmara Cascudo.
1930 – Gravado o samba Com que Roupa, de Noel Rosa.

31 de Dezembro
1896 – Inaugurado o Teatro Amazonas, em Manaus.
1964 – O regime militar cria o Banco Central do Brasil.

Nascidos em Dezembro

01 de Dezembro
Anselmo Vasconcelos, ator brasileiro
Bette Midler, atriz e cantora norte-americana
Mary Martin, atriz norte-americana
Richard Pryor, ator norte-americano
Walcyr Carrasco, escritor e novelista brasileiro
Woody Allen, ator e diretor norte-americano

02 de Dezembro
Anita Malfatti, pintora brasileira
Gianni Versace, estilista italiano
Gustavo Borges, atleta da natação brasileiro
Maria Callas, cantora lírica norte-americana
Pedro II do Brasil, último imperador brasileiro
Stepan Nercessian, ator brasileiro

03 de Dezembro
Antonio Variações, cantor e compositor português
Brendan Fraser, ator norte-americano
Daryl Hannah, atriz norte-americana
Jean-Luc Godard, cineasta francês
Joseph Conrad, escritor polaco-britânico
Julianne Moore, atriz norte-americana
Roberto Marinho, jornalista e empresário brasileiro

04 de Dezembro
Francisco Franco, chefe de Estado e ditador espanhol
Jeff Bridges, ator norte-americano
Luma de Oliveira, atriz e modelo brasileira
Marisa Tomei, atriz norte-americana
Wassily Kandinsky, pintor russo

05 de Dezembro
Ângela Rô Rô, cantora e compositora brasileira
Carlos Marighela, político e líder guerrilheiro brasileiro
Danielle Winits, atriz brasileira
Egberto Gismonti, compositor e músico brasileiro
Fritz Lang, cineasta austríaco
José Carreras, cantor lírico espanhol
Otto Preminger, cineasta austríaco
Tozé Martinho, ator e roteirista português
Walt Disney, cineasta e produtor de desenhos animados norte-americano

06 de Dezembro
Agnes Moorehead, atriz norte-americana
Antonio Calloni, ator brasileiro
Emílio Santiago, cantor brasileiro
Tom Hulce, ator norte-americano

07 de Dezembro
Eli Wallach, ator norte-americano
Ellen Burstyn, atriz norte-americana
Giovanni Bernini, arquiteto e escultor italiano
Marc Ferrez, fotógrafo brasileiro
Mário Soares, político e estadista português
Rosemary, cantora brasileira
Tom Waits, compositor, cantor, músico e ator norte-americano
Xuxa Lopes, atriz brasileira

08 de Dezembro
Ângela Leal, atriz brasileira
Camille Claudel, escultora francesa
David Carradine, ator norte-americano
Diego Rivera, pintor norte-americano
Florbela Espanca, poetisa portuguesa
Kim Basinger, atriz norte-americana
Lee J. Cobb, ator norte-americano
Maximilian Schell, ator austríaco
Richard Fleischer, cineasta norte-americano
Sammy Davis Jr, ator e cantor norte-americano

09 de Dezembro
Douglas Fairbanks Jr, ator norte-americano
John Cassavetes (foto), ator e cineasta norte-americano
John Malcovich, ator norte-americano
John Milton, escritor britânico
Kirk Douglas (foto), ator norte-americano
Milton Gonçalves, ator e diretor brasileiro

10 de Dezembro
Cássia Eller, cantora brasileira
Clarice Lispector, escritora brasileira nascida na Ucrânia
Dorothy Lamour, atriz norte-americana
Emily Dickinson, poetisa norte-americana
Kenneth Branagh, ator e diretor britânico
Susan Dey, atriz norte-americana
Wilson Grey, ator brasileiro

11 de Dezembro
Carlo Ponti, produtor de filmes italiano
Carlos Gardel, cantor de tango argentino nascido na França
Elizângela, atriz brasileira
Ewerton de Castro, ator brasileiro
Manoel de Oliveira, cineasta português
Noel Rosa, compositor brasileiro
Rita Moreno, atriz e cantora porto-riquenha
Teri Garr, atriz norte-americana
Tuca Andrada, ator brasileiro

12 de Dezembro
Arnaldo Jabor, crítico, escritor e cineasta brasileiro
Connie Francis, cantora norte-americana
Dionne Warwick, cantora norte-americana
Edward G. Robinson, ator norte-americano
Emerson Fittipaldi, corredor automobilístico brasileiro
Frank Sinatra, cantor e ator norte-americano
Guel Arraes, diretor brasileiro
Gustave Flaubert, escritor francês
Jorge Dória, ator brasileiro
Kátia D’Ângelo, atriz brasileira
Silvio Santos, empresário e apresentador de Tv brasileiro

13 de Dezembro
Christopher Plummer, ator canadense
Curd Jürgens, ator alemão
Dick Van Dyke, ator norte-americano
Luiz Gonzaga, cantor e compositor brasileiro
Van Heflin, ator norte-americano

14 de Dezembro
Eva Wilma, atriz brasileira
Jane Birkin, atriz e cantora britânica
Lee Remick (foto), atriz norte-americana
Nostradamus, apotecário e astrólogo francês

15 de Dezembro
Adriana Esteves, atriz brasileira
Chico Mendes, líder seringueiro, ambientalista e político brasileiro
Cristiana Oliveira, atriz brasileira
Don Johnson, ator norte-americano
Gustave Eiffel, engenheiro e arquiteto francês
Jeff Chandler, ator norte-americano
Miguel Arraes, político brasileiro
Oscar Niemeyer, arquiteto brasileiro

16 de Dezembro
Arthur C. Clark escritor e inventor britânico
Jane Austen, escritora inglesa
Liv Ullmann, atriz norueguesa nascida no Japão
Luciana Braga, atriz brasileira
Ludwig van Beethoven, compositor erudito alemão
Olavo Bilac, poeta brasileiro

17 de Dezembro
Bill Pullman, ator norte-americano
Érico Veríssimo, escritor brasileiro
Milla Jovovich, atriz e modelo ucraniana

18 de Dezembro
Betty Grable, atriz, cantora e dançarina norte-americana
Brad Pitt, ator norte-americano
Ray Liotta, ator norte-americano
Steven Spielberg, cineasta norte-americano

19 de Dezembro
Edith Piaf, cantora francesa
Jake Gyllenhaal, ator norte-americano
Robert Urich, ator norte-americano

20 de Dezembro
Gigliola Cinquetti, cantora italiana
Irene Dunne, atriz norte-americana
Silvio de Abreu, novelista brasileiro
Uri Geller, místico e ilusionista israelita

21 de Dezembro
Altamiro Carrilho, músico, compositor e flautista brasileiro
Carlos do Carmo, cantor fadista português
Jane Fonda (foto), atriz norte-americana
Joseph Stalin, líder soviético nascido na Geórgia
Kiefer Sutherland, ator inglês
Norma Geraldy, atriz brasileira
Samuel L. Jackson, ator norte-americano

22 de Dezembro
Aline Moraes, atriz brasileira
Eri Johnson, ator brasileiro
Gerson Brener, ator brasileiro
Giacomo Puccini, compositor de óperas italiano
Jean-Michel Basquiat, artista plástico norte-americano
Jean Racine, dramaturgo francês
João Signorelli, ator brasileiro
Ralph Fiennes, ator britânico
Ricardo Waddington, diretor de televisão brasileiro
Tato Gabus Mendes, ator brasileiro

23 de Dezembro
Cláudia Raia, atriz brasileira
Dino Risi, cineasta italiano
Giba, jogador de vôlei brasileiro
Sissi, princesa da Áustria nascida na Alemanha

24 de Dezembro
Ava Gardner (foto), atriz norte-americana
Cláudio Cavalcanti, ator brasileiro
Howard Hughes, aviador, produto e diretor de cinema norte-americano
Mafalda Veiga, cantora e compositora portuguesa
Ricky Martin, cantor porto-riquenho

25 de Dezembro
Anwar Sadat, político egípcio
Humphrey Bogart (foto), ator norte-americano
Isaac Newton, cientista britânico
Simone, cantora brasileira
Sissy Spacek, atriz norte-americana

26 de Dezembro
Henry Miller, escritor brasileiro
Mao Tse-tung, líder político chinês
Richard Widmark, ator norte-americano

27 de Dezembro
Domitília de Castro e Canto Melo (Marquesa de Santos), personagem histórica brasileira
Gerard Depardieu, ator francês
Louis Pasteur, cientista francês
Marlene Dietrich (foto), atriz alemã

28 de Dezembro
Denzel Washington, ator norte-americano
Giulia Gam, atriz ítalo-brasileira
Irineu Evangelista de Sousa (Visconde de Mauá), industrial, banqueiro e político brasileiro
Leonardo Vieira, ator brasileiro
Maggie Smith, atriz britânica
Mariana Rey Monteiro, atriz portuguesa

29 de Dezembro
Alves Redol, escritor português
Canarinho, ator e humorista brasileiro
Cândido Portinari, pintor brasileiro
Jon Voight, ator norte-americano
Jude Law (foto), ator inglês
Mary Tyler Moore, atriz norte-americana
Ted Danson, ator norte-americano

30 de Dezembro
Jack Lord, ator norte-americano
Luís da Câmara Cascudo, jornalista, folclorista e antropólogo brasileiro
Selton Mello, ator brasileiro

31 de Dezembro
Anthony Hopkins, ator britânico
Ben Kingsley, ator britânico
Donna Summer, cantora norte-americana
Henri Matisse, pintor francês
Luciano Szafir, ator brasileiro
Pedro Cardoso, ator brasileiro
Rita Lee, cantora e compositora brasileira
Val Kilmer, ator norte-americano

Datas Comemorativas

01 de Dezembro – Dia Internacional da Luta Contra a AIDS
01 de Dezembro – Dia da Restauração da Independência Portuguesa
01 de Dezembro – Dia do Imigrante
01 de Dezembro – Dia do Numismata
02 de Dezembro – Dia Nacional do Samba
02 de Dezembro – Dia da Astronomia
02 de Dezembro – Dia Pan-Americano da Saúde
02 de Dezembro – Dia Nacional das Relações Públicas
03 de Dezembro – Dia Internacional do Portador de Deficiência
04 de Dezembro – Dia da Propaganda
04 de Dezembro – Dia do Pedicuro
04 de Dezembro – Dia do Orientador Educacional
05 de Dezembro – Dia da Bíblia
07 de Dezembro – Dia do Ataque a Pearl Harbor (EUA)
08 de Dezembro – Dia da Imaculada Conceição
08 de Dezembro – Dia da Família
08 de Dezembro – Dia da Justiça
09 de Dezembro – Dia da Criança Defeituosa
09 de Dezembro – Dia do Fonoaudiólogo
09 de Dezembro – Dia do Alcoólico Recuperado
10 de Dezembro – Declaração Universal dos Direitos Humanos
10 de Dezembro – Dia Internacional dos Povos Indígenas
10 de Dezembro – Dia Universal do Palhaço
11 de Dezembro – Dia do Arquiteto
11 de Dezembro – Dia do Engenheiro
13 de Dezembro – Dia do Cego
13 de Dezembro – Dia do Marinheiro
13 de Dezembro – Dia Ótico
13 de Dezembro – Dia de Santa Luzia
13 de Dezembro – Dia do Engenheiro Avaliador e Perito de Engenharia
14 de Dezembro – Dia Nacional do Ministério Público
15 de Dezembro – Dia do Cliente
16 de Dezembro – Dia do Reservista
18 de Dezembro – Dia do Museólogo
20 de Dezembro – Dia do Mecânico
21 de Dezembro – Dia do Atleta
22 de Dezembro – Solstício: de verão no hemisfério sul e de inverno no hemisfério norte
23 de Dezembro – Dia do Vizinho
24 de Dezembro – Dia do Órfão
25 de Dezembro – Natal
26 de Dezembro – Dia da Lembrança
28 de Dezembro – Dia do Salva-Vidas
31 de Dezembro – Dia de São Silvestre
31 de Dezembro – Reveillon

 

Veja também:

 

JANEIRO: http://jeocaz.wordpress.com/2008/03/24/janeiro/

FEVEREIRO: http://jeocaz.wordpress.com/2008/03/28/fevereiro/

MARÇO: http://jeocaz.wordpress.com/2008/04/02/marco/

ABRIL: http://jeocaz.wordpress.com/2008/04/20/abril/

MAIO: http://jeocaz.wordpress.com/2008/05/02/maio/

JUNHO: http://jeocaz.wordpress.com/2008/06/01/junho/

JULHO: http://jeocaz.wordpress.com/2008/07/01/julho/

AGOSTO: http://jeocaz.wordpress.com/2008/08/01/agosto/

SETEMBRO: http://jeocaz.wordpress.com/2008/09/01/setembro/

OUTUBRO: http://jeocaz.wordpress.com/2008/10/01/outubro/

NOVEMBRO: http://jeocaz.wordpress.com/2008/11/01/novembro/