COLISEU – SÍMBOLO DO ESPLENDOR DE ROMA

Considerado o maior símbolo da grandiosidade do Império Romano, o Anfiteatro Flaviano atravessou os séculos, transformou-se em uma grande ruína, mas jamais perdeu a sua imponência. Chegou ao século XXI conhecido pelo nome latino de Colosseum, ou simplesmente Coliseu, em português.
Localizado no centro de Roma, o Coliseu desperta a curiosidade de milhões de pessoas que o visita durante todo o ano. Usado como palco de espetáculos de luta, demarcou o poder de Roma, tendo muito sangue vertido em sua arena por quase cinco séculos. Talvez por abrigar tão violentos combates, foi legado à decadência e à pilhagem, sem que se lhe encontrasse outra forma de entretenimento ao longo dos séculos.
Muitas histórias de animais ferozes e gladiadores fazem a mítica do Coliseu. Sua estrutura gigantesca consiste em 48,5 metros de altura; na sua forma elíptica traz 189 metros no seu eixo maior e, 156 metros no seu eixo menor; e, uma arena de 85 por 53 metros. Levou quase uma década para ser construído. Quando inaugurado, tinha capacidade para receber cerca de cinqüenta mil pessoas.
O Império Romano dominou o mundo antigo através da eficiência dos seus exércitos e da habilidade que tinha em tratar os povos dominados, assimilando muitas vezes, o que melhor encontrava nas culturas dominadas. O Coliseu era o palco da demonstração da força, da batalha pela sobrevivência na arena, assim como era a própria sobrevivência do imenso império, conquistado pela espada e pelo sangue derramado.
Com a decadência do Império Romano, as lutas de gladiadores e as opulentas batalhas navais travadas no Coliseu chegaram ao fim. O esplendor do anfiteatro deu passagem para as igrejas medievais, numa Roma convertida ao cristianismo. O velho Coliseu pagão também entrou em decadência. Por séculos foi esquecido, sendo pilhado. Em Roma há a lenda de que cada casa construída foi feita com um pedaço roubado do Coliseu.
Reduzido a uma grande carcaça, o anfiteatro mostra-se imponente no coração da capital italiana. Sobreviveu a terremotos, saques e ataques do próprio tempo. Não se sabe por quantos séculos ainda resistirá, mas mesmo em ruínas, é o maior símbolo da antiguidade da civilização ocidental. Em Roma, podemos até não ver o papa, mas visitar o Coliseu é imprescindível. Impossível não se render ao fascínio silencioso das suas ruínas, bem no meio do coração da civilização latina.

As Origens do Monumento

Após a morte do imperador Nero, em 68 d.C., Roma viveu um conturbado momento político, com uma guerra civil que gerou imperadores efêmeros. Em 69, Galba sucessor de Nero, foi assassinado por Otão, que por sua vez foi derrotado por Vitélio. Inconformados, os partidários de Otão decidiram apoiar Tito Flávio Sabino Vespasiano para imperador de Roma. Flávio Vespasiano foi proclamado imperador pelos seus soldados, em Alexandria, província do Egito. Ali, ascendeu ao poder em dezembro daquele conturbado 69, que passou para a história de Roma como o “Ano dos Quatro Imperadores”.
O fim do reinado de Nero coincidiu com várias revoltas dentro do Império Romano. Entre elas, a sublevação judaica, desencadeada em 66. Flávio Vespasiano foi designado para conduzir a guerra contra a rebelião dos hebreus, que ameaçava a hegemonia romana no oriente. O fim da rebelião resultou na queda de Jerusalém, sendo a cidade destruída por completo pelos romanos, entre as perdas estava o segundo Templo.
No decorrer dos acontecimentos, Flávio Vespasiano enfrentou uma sangrenta batalha contra as forças de Vitélio. Devido ao mau tempo, só retornaria a Roma em 70. Além da sublevação judaica, enfrentou protestos em Alexandria, e levantamentos na Gália. A rebelião provocou fortes derrotas às legiões romanas, só sendo sufocada nos fins daquele ano.
Ao chegar a Roma, em meados de 70, já como imperador, Flávio Vespasiano empreendeu uma série de manobras políticas para consolidar o seu poder, tão ameaçado pela guerra civil. Entre as empreitadas estava uma autêntica campanha de propaganda, resultando em grandes obras erigidas na capital do império, para que agradassem aos cidadãos romanos. Entre as obras estão o Templo da Paz e o de Cláudio Deificado. Ergueu uma estátua colossal do deus Apolo, feita sobre um projeto antigo do reinado de Nero.
Mas a obra que mais se destacaria no conturbado reinado de Flávio Vespasiano foi a de um grande anfiteatro no centro de Roma, que iria entrar para a história com a denominação popular de Coliseu.

Inaugurado o Anfiteatro

Para escorar a instabilidade do seu governo, Flávio Vespasiano ordenou, em 72 d.C., que se começasse a construção de um monumental anfiteatro. O local escolhido para que se erigisse o monumento foi o de um antigo palácio de Nero. Por todo Império Romano havia mais de 250 anfiteatros, por isto era esperado que se fizesse um grandioso dentro da capital do mundo.
As obras do anfiteatro arrastaram-se por longos oito anos. Em 79, uma infecção intestinal matou o imperador Flávio Vespasiano, privando-o de ver a sua maior obra concluída. Em 80 d.C., Tito, filho de Vespasiano, inaugurou o imenso monumento, ainda inacabado. Em homenagem ao pai, chamou-o de Anfiteatro Flaviano.
Tito teve um reinado curto e promissor, apesar de abalado por catástrofes da natureza. Destacara-se como comandante militar, sob as ordens do seu pai, durante o conflito da rebelião judaica (67-70). Após a nomeação do pai como imperador de Roma, em 69, coube a Tito a missão de finalizar a sedição dos judeus. Sob o seu comando, as legiões romanas sitiaram Jerusalém, em 70, destruindo a cidade e demolindo o segundo Templo. A vitória sobre os hebreus valeu a Tito grandes recompensas. Mais tarde, em 81, seria erigido em Roma o Arco Triunfal ou Arco de Tito, ressaltando a vitória do imperador na Palestina.
Sessenta dias após subir ao poder, Tito viu-se confrontado pela grande catástrofe da erupção do Vesúvio, em agosto de 79, que resultou na destruição das cidades de Pompéia e Herculano. Em 80, Roma foi novamente consumida por um incêndio. Um surto de peste assombrou a cidade. Diante das catástrofes, o imperador decidiu antecipar a inauguração do anfiteatro, que começara a ser erguido pelo seu pai, e ainda não estava com as obras concluídas. Era um alento que o imperador oferecia à sofrida população romana.
Os jogos de inauguração do Anfiteatro Flaviano, em 80, duraram cem dias. Fascinou pela representação de batalhas navais, simuladas com a inundação do anfiteatro; corridas de cavalos e carros de guerra; combates de gladiadores; e, confronto entre animais selvagens trazidos das províncias romanas do norte da África. Há relatos de que centenas de gladiadores e cinco mil animais ferozes foram mortos nos espetáculos inaugurais do Coliseu.

O Coliseu no Apogeu do Seu Esplendor

O reinado de Tito foi breve, encerrando-se dois anos depois de iniciado, com a sua morte súbita em setembro de 81, vítima de uma febre quando se encontrava em missão nos territórios dos sabinos. Foi sucedido pelo irmão Domiciano.
Coube a Domiciano a conclusão final do Anfiteatro Flaviano. À estrutura acrescentou um quarto nível e o acabamento da zona interior nas quais se sentava o público.
Concluídas as obras, o imenso anfiteatro, no seu esplendor, envergava uma altura de 48,5 metros, numa forma elíptica de 189 metros no seu eixo maior e, 156 metros no seu eixo menor, com uma arena de 85 por 53 metros. Inicialmente possuía três andares, sendo-lhe acrescentado um quarto no reinado de Alexandre Severo e Gordiano III. Na fachada, arcadas eram ornadas com colunas dóricas no térreo, jônicas no primeiro andar e coríntias no segundo. Cada um dos pisos tinha 80 arcos, com cerca de 7 metros de altura cada. Ainda na fachada, encontravam-se centenas de estátuas de bronze a decorá-la.
O Coliseu foi construído em mármore, pedra calcária de origem vulcânica (tufo), pedra travertina e ladrilho. Os assentos eram em mármore, sendo as arquibancadas divididas em três partes, que evidenciavam as classes sociais romanas: o podium, destinado às classes abastadas, encontrando-se dentro do dele o pulvinar, tribuna imperial com assentos reservados aos senadores e magistrados; as maeniana, setor destinado aos de condição social mediana; e, os portici, setor destinado à plebe e às mulheres. Por cima dos muros do anfiteatro, tinham 240 mastros a sustentar o velarium, enorme cobertura de lona que servia para proteger os espectadores do sol.
Nos subterrâneos do estádio ficavam as jaulas de animais ferozes, que eram suspensas por um elevador, até um corredor, que se abria na arena. Era no subterrâneo que se encontrava todas as celas e galerias necessárias aos serviços do anfiteatro.
No seu esplendor, o Coliseu recebia cerca de cinqüenta mil pessoas, numa estrutura que se compara aos estádios da era contemporânea, sem que se lhes fique atrás.

Os Combates de Gladiadores

O espetáculo que mais atraia os romanos era a luta mortal entre os gladiadores, travada na arena do anfiteatro. O local possuía um piso de madeira, coberto por areia para absorver o sangue dos combatentes.
Por um curto período, os gladiadores usados nos jogos eram soldados em treinamento. Com a sofisticação do espetáculo, os combates passaram a ser cada vez mais elaborados, sangrentos e mortais. Povos aprisionados nas guerras de conquistas do Império, escravos e criminosos passaram a ser utilizados como gladiadores. Com lanças, tridentes, espadas e escudos, eles travavam um combate mortal, duelando entre si ou enfrentando animais ferozes, como leopardo e leões. Mais de dez mil gladiadores teriam sucumbido durante os séculos que ocorreram os combates no Coliseu.
Apesar de contestado historicamente, sem documentação que prove a veracidade do fato, há muitos relatos de que os cristãos primitivos da Roma pagã foram transformados em gladiadores, vindo a ser sacrificados nas arenas do Coliseu. Mesmo sem evidências conclusivas, a igreja romana sustentou por séculos essa versão do martírio cristão. A alusão à matança cristã fez do Coliseu, ao longo do tempo, após a conversão de Roma ao cristianismo, um lugar sagrado, que resultou na própria sobrevivência do anfiteatro, livrando-o das depredações e do destino que lhe queriam reservar papas e nobres, ansiosos para usar o rico material da construção em suas igrejas e palácios. Imponentes catedrais como a de São Pedro, no Vaticano, e a de São João Latrão, utilizaram-se de material pilhado do Coliseu, assim como o Palazzo Venezia, ou ainda as proteções em torno do rio Tibre.
Além dos combates entre gladiadores, outros espetáculos eram oferecidos aos romanos dentro do Coliseu. Entre eles a caça de animais exóticos ou ferozes, como leões, girafas, leopardos, elefantes, crocodilos, hipopótamos, avestruzes e rinocerontes. Para tal, cenários removíveis eram inseridos na arena, como árvores e edifícios. Também a batalha naval fazia parte da sofisticação das atrações oferecidas no maior estádio de entretenimento romano. As apresentações de combate no Coliseu eram gratuitas.

A Decadência e as Ruínas Atuais

O Anfiteatro Flaviano foi o maior palco de entretenimento de Roma até o século V. Em 404, o imperador Honório proibiu os combates entre gladiadores, pondo fim aos espetáculos que apesar da crueldade, fascinaram os romanos por quase quatro séculos.
Assim como o Império Romano, o esplendoroso Anfiteatro Flaviano conheceu a decadência como palco de espetáculos. Além do ostracismo das suas funções, passou por vários terremotos. Ainda no século V, foi danificado por um forte tremor de terra, sendo restaurado durante o período do reinado de Valentiniano III (425-455). Voltaria a ser abalado no século VI, entre os anos 523 e 526. Outro terremoto, no século IX, destruiu-lhe as colunas do piso superior.
Não se sabe ao certo quando o anfiteatro passou a ser chamado de Coliseu. Historiadores apontam como sendo bem mais tarde, a partir do século XI, devido ao Colosso de Nero, uma grande estátua de bronze do antigo imperador romano, com 35 metros de altura, que ficava ao lado do anfiteatro.
Naquele século, dominado por uma família de nobres, o Coliseu foi transformado em uma fortaleza, abrigando membros da família Frangipane, sendo utilizado como proteção em suas batalhas contra grupos rivais.
No decorrer da Idade Média, o mármore e o bronze do Coliseu foram saqueados, usados para ornamentar igrejas e palácios. Várias casas teriam sido construídas com material pilhado do anfiteatro. Em 1231, um novo abalo sísmico de grande intensidade derrubou uma parte da fachada externa.
No século XVII o papa Bento XIV declarou-o lugar sagrado, consagrando-o ao ritual anual da paixão de Cristo, o que evitou que fosse demolido, como desejava os que se lhe queriam utilizar o material de construção.
O Coliseu chegou aos séculos XVIII e XIX completamente em ruínas. Até então, parcas escavações arqueológicas foram feitas. No século XX, passou por várias restaurações, o que lhe permitiu um melhor estado de conservação do que no século anterior. Em 2000, ano do jubileu de Roma, e encerramento do segundo milênio, foi concluída uma minuciosa restauração, recuperando-lhe a face externa dos arcos de mármore. Em 2007 foi eleito umas das sete maravilhas do mundo moderno; como se fosse possível apagar-lhe a eternidade do mundo antigo.
No século XXI, o Coliseu ainda resiste, apesar de reduzido às ruínas. Cravado no centro de Roma, entre avenidas modernas e edifícios que se intercalam por construções de todos os séculos, o velho Anfiteatro Flaviano constitui o maior símbolo do esplendor do Império Romano, e um testemunho edificado da própria história da civilização ocidental. Mais frágil do que as sólidas pirâmides do Egito, o Coliseu é a essência da expansão da propagação dos valores ocidentais. Não se sabe até quando resistirá à carcaça que se lhe foi confinado pelo tempo, mas está para sempre gravado no coração da cidade eterna.

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